domingo, 30 de dezembro de 2007

Um bom 08 para todos!

Falta pouco mais de um dia para que este velho 07 chegue ao fim. Foi um ano intenso para mim. As reviravoltas na minha vida pessoal, que entretanto julgo ter estabilizado da melhor forma, os abraços, as risadas e as lágrimas dos e com os amigos (vós sabeis quem sois, famigliares), os inúmeros concertos (ainda assim menos que em 2005), os bailaricos sofisticados e outros que tais. 07 foi o grande ano dos festivais de world music (Sines, Sines, Sines, sempre inesquecível, mas também Viseu e Póvoa do Varzim e todos os outros que não pude ir), foi o ano em que poucas pessoas estiveram a ver os incríveis Akron/Family (quero mais em 08, Luís!), foi o ano em que toda a gente foi para o Primavera e eu a Joana delirámos com os Dirty Three, foi o ano de foi o ano para fazer crowd surfing nos braços dos Maiorais ao som dos d3ö, foi o ano para estar cara-a-cara com o exorcismo dos demónios do Lirinha do Cordel, foi o ano do campeonato decidido até ao final (valeu a taça), foi o ano do encore dos Mudhoney com o "Fix Me" dos Black Flag, foi o ano da brincadeira com a Internacional na esplanada da SMURSS pelo Jacky Mollard e compinchas bretões, foi o ano do sim à IVG (finalmente, porra), foi o ano do Shortbus, foi o ano do Control, foi o ano em que o meu filho mais vezes disse que "gochto muito do meu pai", foi o ano da Passarola, foi o ano dos Anonima Nuvolari um pouco por todo o lado, foi o ano de mais um estrondo criativo de Robert Wyatt, foi o ano para voltar a interessar-me por música feita de propósito para as pistas, foi o ano de muitas leituras interessantes, foi o ano do novo livro da Naomi Klein (bom, está a ser, na verdade), foi o ano do Death Proof, foi o ano das festas incríveis dos Filho Único no 211 da avenida da Liberdade...
Por outro lado, 07 foi também o ano em que vi menos cinema, menos teatro, menos exposições, foi o ano em que menos vontade tive de ir à ZDB, foi o ano que cheguei a pensar ser o pior de sempre, foi o último ano em que se pode fumar em liberdade (não confundir com respeito por outrém), foi o ano em que menos viajei, foi o ano das perspectivas iludidas ao nível da situação profissional (cercear as liberdades pessoais é mais fácil do que acabar com os recibos verdes), foi o ano do calafrio mais ou menos esperado com o fim-não-fim dos Mão Morta...
Mas, como dizia, 07 foi intenso. E como intenso que foi, há muitos momentos que já ficaram esquecidos. Há uma certa brincadeira habitual nesta altura que apenas não fica esquecida porque vou tomando nota ao longo do tempo. É a lista dos meus... cem melhores concertos do ano. Desde o concerto dos Vicious Five no Alquimista, na primeira parte do Marky Ramone, a 3 de Janeiro, até ao dos Caveira nesta passada sexta, no Lounge (o Quim Albergaria acaba por ser aqui um elemento comum curioso...), 07 ofereceu-me um total de 149 concertos (caramba, devia ter ido ontem ver os Alla Pollaca para chegar a um número redondo, mas estava estourado...), mais que em 06, menos que em 05 (a culpa é dos Gomez Brothers terem deixado a ZDB). Na lista dos mais assistidos estão os grandes Anonima Nuvolari (seis concertos), Caveira (quatro), d3ö, Green Machine, Norberto Lobo e Ó'questrada (três), Born a Lion, Hipnótica, Nicotine's Orchestra, Pop Dell'Arte e Vicious Five (dois). Aqui vão, então, os 100+, de trás para a frente:

100. marcel kanche @ sines (23 jul)
99. human league @ terreiro do paço (4 ago)
98. capitán entresijos @ barreiro (10 nov)
97. mojo hand @ catacumbas (20 dez)
96. caveira @ zdb (27 set)
95. andrew bird @ são jorge (31 mai)
94. señor coconut @ sines (28 jul)
93. rob k & uncle butcher @ barreiro (9 nov)
92. gala drop @ espaço avenida (13 jul)
91. norman @ lounge (13 set)
90. mayra andrade @ belém (28 jun)
89. [d-66] @ lounge (5 out)
88. marky ramone and friends @ santiago alquimista (3 jan)
87. pop dell'arte @ maxime (25 dez)
86. the white stripes @ oeirasalive (9 jun)
85. green machine @ music box (26 mai)
84. d3ö @ oeirasalive (9 jun)
83. josephine foster @ zdb (8 mar)
82. traumático desmame @ casa da avenida (21 dez)
81. ó qu'estrada @ zdb (24 nov)
80. the black lips @ barreiro (10 nov)
79. jesus and mary chain @ sbsr (4 jul)
78. bunnyranch @ music box (21 set)
77. green machine @ zdb (13 jan)
76. lobster @ zdb (9 fev)
75. vicious five @ santiago alquimista (3 jan)
74. haydamaky @ porto covo (22 jul)
73. caveira @ lounge (28 dez)
72. caveira @ lux (3 mai)
71. the mojomatics @ barreiro (10 nov)
70. rão kyao & karl seglem @ porto covo (22 jul)
69. d3ö @ rio maior, in a bar (8 dez)
68. anonima nuvolari @ póvoa de varzim (1 set)
67. hypnotic brass ensemble @ sines (26 jul)
66. born a lion @ barreiro (9 nov)
65. bypass @ santiago alquimista (13 abr)
64. músicos do nilo @ belém (28 jun)
63. nobody's bizness @ teatro viriato (16 jun)
62. caveira & jorge martins @ espaço avenida (13 jul)
61. young gods acústicos @ são jorge (16 nov)
60. green machine @ barreiro (10 nov)
59. wraygunn @ oeirasalive (10 jun)
58. beastie boys @ oeirasalive (10 jun)
57. ó qu'estrada @ zdb (20 jan)
56. the hospitals @ zdb (9 fev)
55. la etruria criminale banda @ sines (27 jul)
54. wraygunn @ lux (4 mai)
53. nicotine's orchestra @ lounge (3 fev)
52. world saxophone quartet @ sines (27 jul)
51. hamilton de holanda quinteto @ sines (27 jul)
50. oumou sangaré @ sines (25 jul)
49. mamany keita & nicolas repac @ porto covo (21 jul)
48. don byron @ porto covo (21 jul)
47. dead combo @ santiago alquimista (30 jan)
46. darko rundek & cargo orkestar @ porto covo (20 jul)
45. galandum galundaina @ porto covo (20 jul)
44. d3ö @ culto club (11 jul)
43. tó trips @ maxime (9 dez)
42. bassekou kouyate & ngoni ba @ belém (29 jun)
41. hypnotic brass ensemble @ sines (26 jul)
40. hipnótica @ restart (29 mar)
39. nicotine's orchestra @ zdb (31 mai)
38. norberto lobo & iancarlo mendonza @ soc. guilherme cossoul (8 fev)
37. howe gelb @ santiago alquimista (30 jan)
36. pop dell'arte @ lux (11 mai)
35. panda bear @ b.leza (11 abr)
34. anonima nuvolari @ incrível tasca móvel (10 ago)
33. k'naan @ sines (28 jul)
32. tartit @ sines (26 jul)
31. bellowhead @ sines (25 jul)
30. anonima nuvolari @ clube de viseu (16 jun)
29. mahmoud ahmed @ sines (26 jul)
28. ttukunak @ sines (23 jul)
27. anonima nuvolari @ zdb (19 fev)
26. hipnótica @ music box (13 out)
25. etran finatawa @ porto covo (20 jul)
24. mountain tale @ teatro viriato (16 jun)
23. anonima nuvolari @ b.leza (30 mai)
22. djumbai jazz @ zdb (26 jan)
21. kap bambino @ lounge (19 out)
20. vicious five @ oeirasalive (10 jun)
19. erika stucky @ sines (28 jul)
18. trilok gurtu band @ sines (25 jul)
17. the go! team @ oeirasalive (9 jun)
16. anonima nuvolari @ catacumbas (19 set)
15. harry manx @ sines (26 jul)
14. o'questrada @ incrível tasca móvel (10 ago)
13. jacky mollard acoustic quartet @ sines (24 jul)
12. mão morta maldoror @ theatro circo (12 mai)
11. rachid taha @ sines (27 jul)

10. CARLOS BICA TRIO AZUL C/DJ ILL VIBE @ SINES (26 JUL)
9. GOGOL BORDELLO @ SINES (28 JUL)
8. MUDHONEY @ CULTO CLUB (11 JUL)
7. PATTI SMITH @ COLISEU DOS RECREIOS (28 OUT)
6. TINARIWEN @ SÃO JORGE (5 JUL)
5. STARS OF THE LID @ NIMAS (6 DEZ)
4. LCD SOUNDSYSTEM @ SBSR (4 JUL)
3. CORDEL DO FOGO ENCANTADO @ TEATRO VIRIATO (15 JUN)
2. DIRTY THREE @ LUX (2 JUN)
1. AKRON/FAMILY @ MUSICBOX (22 ABR)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

No fim-de-ano...

Listas 2007: os melhores álbuns para os leitores

LCD Soundsystem e Panda Bear, pois claro. :)



1. LCD SOUNDSYSTEM "Sound of Silver"
2. PANDA BEAR "Person Pitch"
3. ARCTIC MONKEYS "Favourite Worst Nightmare"
4. CHROME HOOF "Pre-Emptive False Rapture"
5. ARCADE FIRE "Neon Bible"
6. BATTLES "Mirrored"
7. EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN "Alles Wieder Offen"
8. M.I.A. "Kala"
9. RADIOHEAD "In Rainbows"
10. ANDREW BIRD "Armchair Apocrypha"

Listas 2007: os melhores álbuns portugueses para os leitores

Por larga vantagem (dificilmente se esperaria outra coisa), o álbum de estreia do Norberto Lobo é o mais votado dos álbuns portugueses de 2007 para os leitores do tasco.



1. NORBERTO LOBO "Mudar de Bina" (Bor Land)
2. HIPNÓTICA "New Communities for Better Days" (Som Livre)
3. LOBSTER "Sexually Transmited Electricity" (Bor Land)
4. WRAYGUNN "Shangri-La" (EMI)
5. JP SIMÕES "1970" (Nortesul)

Charadas #436

Diadoumenos.

Listas 2007: os melhores concertos dos leitores

As vossas votações deram uma clara vitória ao concerto dos LCD Soundsystem (foi mesmo bom, não foi?). Houve também bastante gente a colocar o concerto dos Arctic Monkeys nas listas. Eis, então, os ranking dos dez melhores concertos:

1. LCD SOUNDSYSTEM @ SBSR
2. ARCTIC MONKEYS @ Coliseu dos Recreios
3. ARCADE FIRE @ SBSR
4. THE GO! TEAM @ Oeiras Alive
5. KAP BAMBINO @ Lounge
6. MÃO MORTA (Cantos de Maldoror) @ CAE de Portalegre
7. CORDEL DO FOGO ENCANTADO @ Viseu
8. SONIC YOUTH @ Paredes de Coura
9. THE SEA AND CAKE @ ZDB
10. AKRON/FAMILY @ MusicBox

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

A lista de álbuns da gerência

2007 foi, a respeito de discos, um ano de colheita memorável, na quantidade e na qualidade. Muito ficou por ouvir, como sempre, fazendo que só daqui a alguns anos se consiga ter uma lista (quase) definitiva, mas esta é, para já, a lista dos 25 melhores álbuns de 2007 para a gerência do tasco:


1. ROBERT WYATT "Comicopera" (Domino)


2. NEIL YOUNG "Chrome Dreams II" (Wea)


3. LCD SOUNDSYSTEM "Sound of Silver" (Capitol)


4. PANDA BEAR "Person Pitch" (Paw Tracks)


5. BATTLES "Mirrored" (Warp)


6. JAPANTHER "Skuffed Up My Huffy" (Menlo Park)


7. TINARIWEN "Aman Iman" (World Village)


8. AKRON/FAMILY "Love is Simple" (Young God)


9. NORBERTO LOBO "Mudar de Bina" (Bor Land)


10. ELECTRELANE "No Shouts No Calls" (Too Pure/Beggars)


11. THE NATIONAL "Boxer" (Beggars)
12. M.I.A. "Kala" (Interscope)
13. VON SÜDENFED "Tromatic Reflexxions" (Domino)
14. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA "Segu Blue" (Out Here)
15. ANIMAL COLLECTIVE "Strawberry Jam" (Domino)
16. LIARS "Liars" (Mute)
17. SHELLAC OF NORTH AMERICA "Excellent Italian Greyhound" (Touch & Go)
18. BLACK LIPS "Good Bad Not Evil" (Vice)
19. DIGITALISM "Idealism" (Astralwerks)
20. GRINDERMAN "Grinderman" (Mute)
21. NO AGE "Weirdo Rippers" (Fat Cat)
22. BLACK LIPS "Los Valientes Del Mundo Nuevo" (Vice)
23. IRON AND WINE "The Sheperd's Dog" (Sub Pop)
24. WHITE STRIPES "Icky Thump" (Wea)
25. !!! "Myth Takes" (Warp)

Charadas #435

Uma tenista com mais pernas do que é normal.

Ainda a propósito do Juramento Sem Bandeira a uma voz

Quando há quatro anos e quatro meses decidi dar a este tasco o nome Juramento Sem Bandeira (um descaramento que teve, para descanso da minha consciência, a autorização do João Peste) não o fiz apenas por ser um dos meus temas favoritos dos Pop Dell'Arte. Na verdade, o tema simboliza para mim, desde as primeiras audições na tenra adolescência, o interessante espírito construtivo, militante até, que reinava numa certa cena artística portuguesa dos anos 80. Digo-o sem saudosismo, até porque voltei a encontrar esse espírito em muito do que tem sido feito por cá nos últimos anos. Hoje, como então, havia gente a dizer "vamos fazer" em vez de "podíamos fazer". Hoje, como então, as rivalidades não impedem que se trabalhe em conjunto para que "se faça". É isso que está implícito na assertividade do verbo jurar nas vozes de João Peste e de Adolfo Luxúria Canibal, simultaneamente cúmplices e rivais eternos. É por isso que a aparentemente inédita interpretação a uma só voz do tema, ontem à noite, me deixou algo perplexo. É apenas um tema, dirão. Mas carrega consigo um significado, penso.

Um Juramento Sem Bandeira a uma voz

O atraso. Não é hábito, por aqui, falar dos atrasos dos concertos face às horas programadas. No fundo, é um hábito assumido por quase toda a gente, que, por isso mesmo, chega mais tarde às salas. Depois, perante o outro hábito comum do espectador português de se levantar e sair mal acabe o concerto, é perfeitamente natural que a sala queira fazer render o bar (de outra forma, não seria rentável apresentar o espectáculo). Tudo claro até aqui. Mas o atraso de quase duas horas e meia que ontem se verificou no concerto dos Pop Dell'Arte no Maxime ultrapassa tudo isto. Ultrapassa o limite do bom senso (a casa estava cheia há uma boa hora) e entra claramente no domínio da falta de respeito para com o cliente. Atrasos desta ordem dão vontade de não voltar a pôr os pés na mesma sala.
Ah, o concerto. Os Pop Dell'Arte são uma instituição, como dizia o Zeca, mas isso não chega. Tanto mais quando o guitarrista continua a assassinar temas como o "Ex-Sonhos Pop" (já escrevi isto nestes termos há quase dez anos, desde o regresso, passe o eufemismo, dos Pop Dell'Arte). Ainda assim, Peste e Zé Pedro Moura não deixaram cair os parentes na lama e até o baterista substituto Nuno Castêdo (ex-More República Masónica a ocupar temporariamente o lugar do Luís San-Payo) se portou de forma bastante competente. Há temas novos, muitos temas novos, alguns deles próprios desta noite de Natal, mas o público continua a querer a instituição. E há tradições que se quebram. "Juramento sem Bandeira", por exemplo, foi tocado numa versão cheia de swing e, claro, sem o Adolfo Luxúria Canibal (que ontem fez anos, a propósito).
Não foi um mau concerto, nem tão pouco medíocre, entenda-se, mas a instituição precisa de deixar de ser uma instituição e voltar a ser aquilo que fez dela uma instituição. E no Lux, este ano, esteve mais perto disso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A festa de natal naquela casa

Falei aqui há uns meses desta casa. Fica no primeiro andar do nº 211 da avenida da Liberdade, em Lisboa. É enorme, com não-sei-quantos quartos e salas, um corredor mais comprido que certas ruelas, um pátio cheio de espaço. E amanhã, sexta-feira, vai voltar a encher de gente e de música. A Filho Único prepara mais uma festa para aquele espaço, com... 21 concertos. Sim, 21 concertos numa noite. Há Loosers, que tão pouco tem actuado pela cidade nos últimos tempos, há o americano Axolotl, há Norberto Lobo (com João Lobo, companheiro de armas nos Norman), há o guineense Kimi Djabaté, há o funaná electrónico de Kotalume, há kuduru sofisticado dos N'Gapas, há kizomba arraçada de hip-hop de Ritchaz & Kéke, há Phoebus, há os improvisadores do costume (Sei Miguel, Rafael Toral, etc.)... E muito mais. Há discos e livros à venda. E ainda há comida, com o regresso da "Comida do Povo" que tantas saudades deixou na ZDB. So o natal for isto, eu passo a acreditar no natal.
As portas abrem às 21h e o chavascal começa meia-hora depois, diz-se. A entrada custa 7 euros.

Charadas #434

Priscilla não deve ter mais de dez anos. Mas fuma. É uma fotografia a preto e branco.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A melhor prenda

Em 2008, haverá a reedição de um determinado livro que há já muito tempo se tornou esgotado.

Dez anos, dez dias

Assim é que é. Para quem tem de marcar férias com antecedência, fica desde já a nota de que o Festival de Músicas do Mundo de Sines de 2008, naquela que será a 10ª edição, vai ter mais um dia, isto é, vai passar a dez dias. Começa 17 de Julho, quinta-feira, e termina a 26, sábado (bom, na verdade, termina, como sabemos, na manhã de domingo).

Listas 2007 #7

E agora, algo diferente. A revista Folk Magazine, um dos principais canais de divulgação do que se passa para os lados das músicas do mundo, publicou também o seu ranking de 2007. Como é tradição, os primeiros quatro álbuns da lista serão também os nomeados para o prémio de melhor álbum nos "BBC Radio 3 Awards for World Music".



1. BASSEKOU KOUYATE & NGONI BA - Segu Blue
2. ANDY PALACIO & THE GARIFUNA COLLECTIVE - Watina
3. TINARIWEN - Aman Iman
4. ORCHESTRA BAOBAB - Made In Dakar
5. MARTIN SIMPSON - Prodigal Son
6. JUSTIN ADAMS & JULDEH CAMARA - Soul Science
7. MANU CHAO - La Radiolina
8. THE IMAGINED VILLAGE - The Imagined Village
9. RACHEL UNTHAK & THE WINTERSET - The Bairns
10. FANFARE CIOCARLIA - Queens & Kings

Listas 2007 #6

Continuando pelos magazines online, eis a lista da Stylus:



1. LCD SOUNDSYSTEM - Sound of Silver
2. MIRANDA LAMBERT - Crazy Ex-Girlfriend
3. PANDA BEAR - Person Pitch
4. LIL WAYNE - Da Drought 3
5. THE NATIONAL - The Boxer
6. KANYE WEST - Graduation
7. SPOON - Ga Ga Ga Ga Ga
8. M.I.A. - Kala
9. THE FIELD - From Here We Go Sublime
10. RADIOHEAD - In Rainbows

Charadas #433

Este sinal de aviso indica que existe o risco do gás se inflamar.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

No próximo sábado, no Lounge...

Listas 2007 #5

Outro webzine de referência, a pitchfork, publicou as suas listas de álbuns hoje. Não, continua a não haver surpresa, com Panda Bear, LCD e M.I.A. a ocuparem os lugares cimeiros...



1. PANDA BEAR - Person Pitch
2. LCD SOUNDSYSTEM - Sound of Silver
3. M.I.A. - Kala
4. RADIOHEAD - In Rainbows
5. OF MONTREAL - Hissing Fauna, Are You the Destroyer?
6. ANIMAL COLLECTIVE - Strawberry Jam
7. SPOON - Ga Ga Ga Ga Ga
8. BATTLES - Mirrored
9. THE FIELD - From Here We Go Sublime
10. BURIAL - Untrue

A lista da pitchfork é, como habitual, mais extensa. E ontem foi também publicada a lista das cem canções do ano. Estas são as primeiras cinco:

1. LCD SOUNDSYSTEM - All my Friends
2. BATTLES - Atlas
3. PANDA BEAR - Bros
4. M.I.A. [FT. BUN B AND RICH BOY] - Paper Planes (Remix)
5. RIHANNA [FT. JAY-Z] - Umbrella

Listas 2007 #4

É a vez da lista do webzine Drowned in Sound. Não há grandes surpresas.

ÁLBUNS



1. LCD SOUNDSYSTEM – Sound Of Silver
2. BATTLES – Mirrored
3. PANDA BEAR – Person Pitch
4. M.I.A. – Kala
5. JAMIE T – Panic Prevention
6. MODEST MOUSE – We Were Dead Before The Ship Even Sank
7. LIARS – Liars
8. NO AGE – Weirdo Rippers
9. RADIOHEAD – In Rainbows
10. HEALTH – Health

Há mais nomes numa lista que vai até ao 50º lugar. E ainda há a lista dos leitores, que acaba por não ser muito diferente (mas, claro, os Radiohead sobem ao topo).

Charadas #432

Uma rapariga segura junto à... bom, vocês sabem... segura, dizia, uma bola incandescente. Essa bola representa o mundo. A capa é azulada e o mundo que ela segura destaca-se num tom avermelhado.

O que fazer no dia de natal?

Seguir a tradição com mais um concerto do Tigerman na ZDB, com o aquário a abarrotar de gente que só vai a concertos quando o rei faz anos (recordações do ano passado) ou quebrar a tradição e ir ouvir o "Little Drummer Boy" no espectáculo que os Pop Dell'Arte vão dar nessa mesma noite no Maxime?
Para a noite anterior, a da consoada, já há uma proposta óptima para que se comece desde já a desenhar um plano para fugir à família: Wonderland Club no Maxime.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

África retribui

É a vez dos músicos africanos retribuírem a atenção que Bono, dos U2, tem prestado ao seu continente nos principais foros internacionais de desenvolvimento. As Crónicas da Terra dão conta do álbum que está a ser preparado com a participação de vários músicos importantes do continente africano a fazerem versões de temas dos U2. "In The Name Of Love: Africa Celebrates U2" será editado a 1 de Abril do próximo ano e dele consta o seguinte alinhamento:

1. ANGELIQUE KIDJO “Mysterious Ways”
2. VIEUX FARKA TOURÉ “Bullet The Blue Sky”
3. BA CISSOKO “Sunday Bloody Sunday”
4. VUSI MAHLASELA “Sometimes You Can’t Make It On Your Own”
5. TONY ALLEN “Where The Streets Have No Name”
6. CHEIKH LÔ “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”
7. KEZIAH JONES “One”
8. LES NUBIANS “With Or Without You”
9. SOWETO GOSPEL CHOIR “Pride (In The Name Of Love)”
10. SIERRA LEONE ‘S REFUGEE ALL STARS “Seconds”
11. AFRICAN UNDERGROUND ALL-STARS FEATURING CHOSAN, OPTIMUS IYOKA “Desire”
12. WALDEMAR BASTOS “Love Is Blindness”

Rabih Abouh-Khalil de volta!

Rabih Abouh-Khalil, monumento vivo da interpretação do alaúde, vai regressar a Portugal para concertos no próximo mês. Com a mesma formação que deu um espectáculo inesquecível em Sines, no ano passado -- o pianista Joachin Kühn e o baterista Jarrod Cagwin -- o libanês irá apresentar-se no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães, no dia 18 de Janeiro, e na Culturgest, em Lisboa, no dia seguinte. Os bilhetes custam €12,5 e €15, em Guimarães, e €20, em Lisboa. Para ambos os casos, há bilhetes com desconto.

Listas 2007 #3

O italiano Piero Scaruffi é uma referência para quem anda na net há muito tempo. Ainda não havia o Ultimate Band List ou o All Music Guide (não falemos portanto sequer de Wikipedia e outras coisas mais recentes) e já Scaruffi tinha a sua página com dezenas (centenas) de biografias e discografias de bandas. Como é habitual, todos os anos publica a sua lista de discos preferidos do ano. Aqui vai ela:



1. PANDA BEAR - Person Pitch
2. BATTLES - Mirrored
3. ARCADE FIRE - Neon Bible
4. SIR RICHARD BISHOP - While My Guitar Violently Bleeds
5. SHIT AND SHINE - Cunts With Roses
6. KTL - KTL 2
7. DEAD C - Future Artists
8. LCD SOUNDSYSTEM - Sound of Silver
9. BESNARD LAKES - Are The Dark Horse
10. FAR CORNER - Endangered

(A lista continua...)

Charadas #431

Ena, tanta bandeira. Mas... ei, há aqui uma que não pertence!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Charadas #430

Mais cães! Quatro cães vadios esparramados num passeio. A disposição do título do álbum e do nome do grupo faz lembrar algumas capas bastante famosas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Ike Turner (1931-2007)

Listas 2007 #2

No início do mês, o gorillavsbear, blogue incontornável no que diz respeito às novidades mais maradas do momento, publicou também as suas listas. Eis o resumo:

ÁLBUNS



1. PANDA BEAR - Person Pitch
2. WHITE DENIM - Let's Talk About It
3. MARISSA NADLER - Songs III: Bird on the Water
4. BURIAL - Untrue
5. ST. VINCENT - Marry Me
6. RADIOHEAD - In/Rainbows
7. BLACK LIPS - Los Valientes del Mundo Nuevo
8. LIL'WAYNE - Da Drought 3
9. BODIES OF WATER - Ears Will Pop & Eyes Will Blink
10. M.I.A. - Kala

CANÇÕES

1. PANDA BEAR - Bros
2. UGK FEAT. OUTKAST - International Players Anthem
3. THE BESNARD LAKES - Disaster/For Agent 13
4. THE POLYPHONIC SPREE - The Fragile Army
5. PANDA BEAR - Untitled (Má Fama session) (agora é uma canção dos Animal Collective, mas foi esta mesma versão gravada no Má Fama, do "nosso" Sérgio Hydalgo, a canção que o Garrison do GvsB ouviu mais este ano no iTunes)

Charadas #429

Ainda não tivemos cães. E agora temos um cão de uma raça do leste da Europa, tão peludo que mais parece um tapete de casa-de-banho, a saltar uma barreira daquelas que os atletas usam nos 110 metros.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Esta sexta-feira...

Notícias da Trem Azul, Clean Feed, etc.

A Trem Azul, loja especializada em jazz e world music, comemora mais um aniversário no próximo sábado. A festa vai ser conduzida pelo Gonçalo Prazeres Trio. A entrada é livre e, para quem não sabe, a Trem Azul fica no início da rua do Alecrim, em Lisboa.

O músico que também é fotógrafo: Rodrigo Amado inaugura amanhã a sua primeira exposição fotográfica. O saxofonista, autor de "Teatro" (2006), tendo já trabalhado com gente como Adam Lane, Paal Nilssen-Love, Dennis Gonzalez, Herb Robertson ou os portugueses Carlos Zíngaro, Vítor Rua, Mão Morta, Rocky Marsiano, DJ Ride, Anabela Duarte, Pop Del'Arte, Rádio Macau, Sei Miguel ou Rafael Toral, entre outros, já tinha sido o autor de várias das capas das edições da Clean Feed, editora ligada à loja Trem Azul. "Close | Closer", a exposição, vai estar patente na galeria Kameraphoto, no Bairro Alto até dia 26 de Janeiro. A inauguração é amanhã, às 18h30.

Listas 2007 #1

As listas. Uns odeiam-nas, outros seguem-nas com interesse quase contabilístico. Mas o fim-de-ano trá-las sempre. Eis, para começar, as da bodyspace.net:

ÁLBUNS:



1. LCD SOUNDSYSTEM - Sound of Silver
2. M.I.A. - Kala
3. PANDA BEAR - Person Pitch
4. ANIMAL COLLECTIVE - Strawberry Jam
5. RADIOHEAD - In/Rainbows
6. THE NATIONAL - Boxer
7. !!! - Myth Takes
8. JENS LEKMAN - Nights Fall Over Kortedala
9. THURSTON MOORE - Trees Outside the Academy
10. BURIAL - Untrue

ÁLBUNS PORTUGUESES:

1. NORBERTO LOBO - Mudar de Bina
2. LOBSTER - Sexually Transmited Electricity
3. OLD JERUSALEM - The Temple Bell
4. JP SIMÕES - 1970
5. DAVID MARANHA - Marches of the New World

Estas listas compreendem mais nomes e há ainda outras. O melhor mesmo é consultar a bodyspace.net.

Charadas #428

É simples. O nome da banda está no canto superior esquerdo, mas o elemento central desta capa é a bandeira hasteada. E nem vou dizer a cor.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Escutai que voz...



Tânia Carvalho "Canção de Engate"

Para quem só conhecia a Tânia Carvalho enquanto bailarina e coreógrafa, eis algo completamente diferente. E amanhã, terça-feira, ela apresenta-se no Lux, a partir das 23h.

Novo álbum de Bauhaus?

Incrível. Vinte e cinco anos depois de "Burning From the Inside", eis que chega o novo álbum para os Bauhaus. Gravado na Califórnia pelos elementos originais, "Go Away White" sai em Março próximo. Notícia do NME.

Sangue na guelra

São jovens e hiper-activos. Transbordam de entusiasmo pelo que fazem. Estabelecidos em Rio Maior, essencialmente à volta do pequeno mas acolhedor In A Bar, os Maiorais chegaram ao primeiro ano de existência e fizeram a comemoração no passado sábado com (mais um) concerto dos D3Ö e outro dos The Hypers. Ao longo do último ano, levaram ali Bunnyranch, Fat Freddy, Nicotine's Orchestra, Sean Riley, Los Santeros, The Great Lesbian Show, Green Machine, The Poppers, Born a Lion, entre vários outros. Pode parecer pouco para quem nunca saia de Lisboa ou do Porto, mas o que este grupo de miúdos tem feito na sua terra, mesmo com as semanas passadas na capital a trabalhar ou estudar, é de enorme valor. Colocam Rio Maior no mapa dos concertos. A capital do distrito, Santarém, por exemplo, não consegue oferecer o que o In A Bar e os Maiorais oferecem. E se tanto se fala na crise de associativismo em Portugal, aqui está uma boa prática. E se tanto se fala de escassez de locais fora dos grandes centros com o mínimo de condições e de gente empenhada em criar rotinas de concertos e festas para os públicos locais, que permitam às bandas fazer digressões nacionais, por exemplo, como acontece com os nossos camaradas espanhóis, franceses ou ingleses, eis mais uma boa razão para dar valor a este trabalho. Não são os únicos a fazê-lo, seja-se justo para com todos os outros, mas oxalá mais Maiorais houvesse por esse país fora.

Charadas #426

Um saco de dinheiro.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Hoje no Porto, domingo em Lisboa



SIC ALPS "Semi-Streets"

Hoje no Porto, no Meu Mercedes é Maior que o Teu, com os galeses Nawadaha. Dois dias depois, ambos os grupos vão estar também no Maxime, para uma matinée (a partir das 16h30), que conta ainda com Tó Trips e DJ Milkshake (Luís Futre). Os Nawadaha dão também um pulo ao museu de olaria de Barcelos, amanhã.

Charadas #425

Num desenho gravado a vermelho sobre cartão, há um homem virado de costas, onde nas quais transporta o anúncio com o título do álbum.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

É hoje e poderá ser um dos concertos do ano

Há muito que se aguardava por estes lados por um concerto dos Stars of the Lid. E é hoje que o duo constituído por Adam Wiltzie e Brian McBride, acompanhado de um quarteto de cordas e da projecção de imagens na tela, se apresenta no cinema Nimas, em Lisboa. Rock de câmara cada vez mais câmara e menos rock, dinâmicas construídas sem pressa a partir de texturas sónicas, efeitos de guitarra, sons de piano, cordas, metais, para se apreciar sentado, com os olhos fechados (ou não, porque há as tais imagens na tela do cinema). O concerto começa às 22h (nota: é no Nimas, pelo que é possível que não haja os atrasos do costume) e os bilhetes custam 12 euros.
No sábado, é a vez do Theatro Circo de Braga os receber. Os bilhetes custam 8 euros e dizem que o espectáculo inicia-se às... 23h59.

Charadas #424

O vocalista, agachado à frente dos restantes elementos do grupo, faz baloiçar uma bola de fogo, cujo movimento em arco fica capturado na fotografia de longa exposição.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Matarás sempre



Thou shalt not steal if there is direct victim.
Thou shalt not worship pop idols or follow lost prophets.
Thou shalt not take the names of Johnny Cash, Joe Strummer, Johnny Hartman, Desmond Decker, Jim Morrison, Jimi Hendrix or Syd Barrett in vain.
Thou shalt not think any male over the age of 30 that plays with a child that is not their own is a pedophile - Some people are just nice.
Thou shalt not read NME.
Thou shalt not stop likin' a band just 'cause they’ve 'come popular.
Thou shalt not question Stephen Fry.
Thou shalt not judge a book by its cover.
Thou shalt not judge Lethal Weapon by Danny Glover.
Thou shalt not buy Coca-Cola products, thou shalt not buy Nestle products.
Thou shalt not go into the woods with your boyfriend’s best friend, take drugs and cheat on him.
Thou shalt not fall in love so easily.
Thou shalt not use poetry, art or music to get into girls’ pants - use it to get into their heads.
Thou shalt not watch Hollyoaks.
Thou shalt not attend an open mic and leave as soon as you done your shitty little poem or song, you self-righteous prick.
Thou shalt not return to the same club or bar week in, week out, just ’cause you once saw a girl there that you fancied but you’re never gonna fucking talk to.

Thou shalt not put musicians and recording artists on ridiculous pedestals no matter how great they are or were.
The Beatles - Were just a band.
Led Zepplin - Just a band.
The Beach Boys - Just a band.
The Sex Pistols - Just a band.
The Clash - Just a band.
Crass - Just a band.
Minor Threat - Just a band.
The Cure - Were just a band.
The Smiths - Just a band.
Nirvana - Just a band.
The Pixies - Just a band.
Oasis - Just a band.
Radiohead - They're just a band.
Bloc Party - Just a band.
The Arctic Monkeys - Just a band.
The Next Big Thing - Just a band!

Thou shalt give equal worth to tragedies that occur in non-English speaking countries as to those that occur in English speaking countries.
Thou shalt remember that guns, bitches and bling were never part of the four elements and never will be.
Thou shalt not make repetitive generic music, thou shalt not make repetitive generic music, thou shalt not make repetitive generic music, thou shalt not make repetitive generic music.
Thou shalt not pimp my ride.
Thou shalt not scream if you wanna go faster.
Thou shalt not move to the sound of the wickedness.
Thou shalt not make some noise for Detroit.
When I say “Hey” thou shalt not say “Ho.”
When I say “Hip” thou shalt not say “Hop.”
When I say, he say, she say, we say, make some noise - kill me.

[Ah, forgot where I was, hang on]

Thou shalt not quote Me Happy.
Thou shalt not shake it like a Polaroid picture.
Thou shalt not wish your girlfriend was a freak like me.
Thou shalt spell the word “Phoenix” P-H-E-O-N-I-X, not P-H-O-E-N-I-X, regardless of what the Oxford English Dictionary tells you.
Thou shalt not express your shock at the fact that Sharon got off with Brad at club last night by saying “Is it.”
Thou shalt think for yourselves.

And thou shalt always, thou shalt always... kill.

Charadas #423

O músico sorri para a câmara, sentado ao contrário numa cadeira, nas costas da qual apoia os braços. A imagem é a preto e branco.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Charadas #422

Já foi a vez das cabras, das ovelhas, de uma vaca e até de um peixe. E que tal um burro desenhado a vermelho? Também há cruzes. Não é exactamente um álbum de originais.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O homem que sabia demasiado

Há mais um amigo a habitar a vizinhança. Também o Victor Afonso, um dos grandes agitadores culturais da Guarda, que por vezes se esconde por baixo da capa de Kubik, tem agora um blogue: ohomemquesabiademasiado.blogspot.com.
Bem vindo, Victor! Quero concertos cá para baixo, com ou sem Mike Patton!

There's a light that never goes out

Aqui há três meses, falava do privilégio enorme de viver no tempo em que pessoas como Robert Wyatt escrevem discos como "Comicopera". É provável que esteja no lugar mais alto da minha lista dos álbuns do ano. Mas "Chrome Decoder II", o novo álbum de Neil Young, chegou agora e está a querer desafiar essa previsão. E faz repetir palavras para falar do privilégio que é viver no tempo em que um músico do tamanho do universo como é Neil Young continua ainda a fazer discos tão arrebatadores como este. Luzes como estas não se apagam nunca, está visto.

Charadas #421

O traço parece o de alguns autores europeus de banda desenhada. Mas ele não é europeu, nem o grupo para quem desenhou esta espécie de bailarino soviético que desfralda uma bandeira com o título do álbum.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Regresso à esquerda

O bar LEFT, em Santos, está de volta. E logo há festa a sério, com vários dos giradisquistas habituais da casa a passarem pelos pratos (ainda sem grandes garantias, há Bailarico Sofisticado a partir das 3h da manhã).

Charadas #420

Um peixe de cartola.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Stars of the Lid no Nimas

Já era sabido que os Stars of the Lid, uma das coisas mais esperadas desde há longo tempo, está de malas arrumadas para dar cá um salto no próximo mês. Faltava saber onde. Em Lisboa, vai ser no cinema Nimas, a 6 de Dezembro. Os bilhetes custam 12 euros e podem ser comprados na AnAnAnA, na Carbono, na Flur, na Matéria Prima (a de Lisboa) ou ainda na ZDB, em dias de concerto. O concerto, que vai contar além de Adam Wiltzie e de Brian McBride com um quarteto de cordas e quatro projectores de 16mm, começa às 22h. Dois dias depois, é a vez de Braga os receber no Theatro Circo. Os bilhetes vão custar 8 euros e o concerto começa perto da meia-noite.

Mas há mais notícias da parte da Filho Único, que em conjunto com a ZDB promove o concerto de Lisboa dos Stars of the Lid. Para dia 9, a partir das 16h30, está agendada uma matinée no Maxime, com a participação dos norte-americanos Sic Alps, dos galeses Nawadaha, e dos "nossos" Tó Trips e DJ Milkshake. Os bilhetes custam 7 euros e estão a partir de hoje à venda na AnAnAnA e na Flur. Mas ainda anntes disto, os Sic Alps repartem com os Nawadaha uma noite que a Lovers & Lollypops está a promover no Meu Mercedes é Maior que o Teu, no Porto, a 7 de Dezembro. No dia seguinte, dia 8, é a vez dos Nawadaha tocarem sozinhos em Barcelos, no Auditório do Museu de Olaria.

Charadas #419

É um casamento. No meio da foto de família aparecem os elementos da banda, mas em figuras de cartão de tamanho real, como aquelas dos escritores que encontramos nos hiper-mercados.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Duas ou três coisas sobre Control

"Control" é um filme sóbrio. O caminho mais fácil para este tipo de filmes biográficos resume-se muitas das vezes à expressão de uma devoção histérico-religiosa pelo biografado, relevando ao limite do absurdo as suas qualidades e explorando a esfera privada como um mero sucedâneo da esfera mediática. Também há, ainda que menos frequente, o outro extremo, em que o artista desaparece por completo e dá lugar à pessoa normal, igual a tantos de nós. "Control", porém, encontra-se algures a meio termo. Mostra Ian Curtis, o miúdo que casou cedo demais, e Ian Curtis, o proto-ícone do rock. Não é apenas um ou apenas o outro. São sete anos do jovem Ian (1973 a 1980) que nos são contados pela sua própria viúva, sobre cujo livro se apoia o guião do filme. Temos o ponto de vista de alguém a que assistiu, ainda que deixada à margem, ao conflito pessoal vivido pelo seu marido. Entre os dois (ou mais) Ian Curtis que conheceu, entre as motivações e frustrações de ambos, há relações de causa-efeito, mas as interpretações finais são deixadas para o espectador, se se quiser dar a esse trabalho especulativo. Não entrar explicitamente pelos campos da psicanálise, das questões que ficaram por ser respondidas, é um trunfo de "Control" que nem sempre é habitual ver-se neste tipo de cinema.
Noutro aspecto, "Control" é também um filme rigoroso. Além de Deborah Curtis, o recentemente falecido Tony Wilson (patrão da Factory) e os actuais New Order acompanharam de perto a produção. Até Peter Saville, que desenhava as capas da Factory, incluindo as dos Joy Division, aparece nos créditos. As semelhanças físicas dos actores chegam a ser assustadoras (Bernard Sumner incrível, por exemplo) e as actuações (os actores aprenderam mesmo a tocar os temas) são extremamente convincentes. E quem se habituou a ver fotografias dos Joy Division e de Ian Curtis ao longo de todos estes anos, não deixará certamente escapar um sorriso em vários dos planos captados por Anton Corbjin ao longo do filme.

Charadas #417

O cenário é constituído por faixas pretas e brancas, verticais. Eles vestem fato preto, camisa branca, gravata preta. Ela está à frente deles, de vestido branco.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Charadas #415

Esta é mais difícil. Se ontem tínhamos as cabras mais famosas das capas de discos, hoje é a vez das ovelhas, embora muito menos conhecidas. E são sete ou oito, estendidas num típico relvado inglês, muito verde e com uma árvore e uma cerca ao fundo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Louie Louie em Lisboa

Adeus Carbono, olá Louie Louie. O Jorge Dias deixou a Carbono e vai abrir uma nova loja de discos em Lisboa. Extensão na capital das lojas que existem já no Porto e em Braga, a Louie Louie alfacinha situa-se perto do Teatro da Trindade, precisamente na rua Nova do Trindade, nº 8 (mesmo em frente à porta das traseiras do "Espaço Chiado"). Vai haver discaria de toda a espécie, nova, usada, CDs, LPs, 12", 7", etc. A inauguração acontece já este próximo sábado, a partir das 14h.
(Lá se vai o dinheiro para o resto do mês, para refeições e outras necessidades básicas...)

Charadas #414

Devem ser as cabras mais famosas da história de capas de discos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Charadas #413

O autor está sentado. Ao lado, está um tipo de pé, com uma máquina fotográfica segurada pela alça numa das mãos.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O vinil da vizinhança

Já aqui tinha falado, por citação do Sound & Vision, que a Valentim de Carvalho se prepara para reeditar no final deste mês uma série de discos perdidos no tempo, como o "Independança", dos GNR ou "Com uma Viagem na Palma da Mão", de Jorge Palma. A colecção de reedições tem nome -- "Do Tempo do Vinil" -- e não vai ficar pelos discos que então foram anunciados. E tem um blogue: dotempodovinil.blogspot.com.
(Agora, em jeito de provocação, e até porque a colecção tem este nome, porque não reedições também em... vinil?)

Charadas #412

Uma rapariga mergulha, em grande voo, para o rio, com uma ponte belíssima a servir de pano de fundo.

Novos temas de Animal Collective

Ainda estamos a digerir o "Strawberry Jam" e já há temas novos para ouvir. O sempre atento Gorilla vs Bear mostra as canções novas que o grupo gravou para o programa do Rob Da Bank na BBC. É lá ir.
(Será que consigo fazer uma quarta postagem seguida sobre rádio?)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O uivo da resistência

O lobo vai voltar. Dia 3 de Dezembro, António Sérgio vai voltar à rádio, pouco tempo depois de ter sido dispensado pela Comercial. O novo programa de Sérgio chama-se "Viriato 25" e vai ser emitido na Radar, todos os dias da semana, a partir das 23h.

Histórias Peel #1

Era o final do ano de 1973 (belo ano, por sinal) e Robert Fripp e Brian Eno tinham acabado de editar "No Pussyfooting". Porque a tecnologia necessária para a gravação destes temas era complexa demais, em vez de levar Fripp e Eno aos estúdios da BBC para gravar uma sessão como faziam todos os outros músicos, o produtor das Peel Sessions aceitou antes comprar uma gravação alternativa à do álbum. Estranhou que soasse tão diferente do que estava no disco e confirmou com a editora. Era aquela a fita, não havia qualquer dúvida. Na noite em que passou na rádio, Brian Eno ia a conduzir. Teve que encostar para telefonar à BBC: "Tenho que falar com John Peel, pois ele está a tocar o meu álbum de trás para a frente". "É o que todos dizem, senhor", ter-lhe-á respondido a telefonista, não passando a chamada. As editoras costumavam enrolar as fitas com o fim da parte de fora, ao passo que a BBC colocava o início. "Felizmente, apenas o Eno deu conta", conta o produtor John Walters.

in "The Peel Sessions - A story of teenage dreams and one man's love of new music", Ken Garner, BBC Books, 2007

Charadas #411

De uma entrada para uma estação de metro sai fumaça cor-de-rosa.

sábado, 17 de novembro de 2007

Por favor...

...se por um destes dias virem uma senhora nos seus setenta anos a atender um telemóvel com o toque do "She's Lost Control", tenham respeito. É a minha mãe, o telemóvel já foi meu e não me apeteceu mudar-lhe o toque.

A surpresa

Quem é que mais esperariam que vos tocasse uma versão acústica do "Ghostrider", dos Suicide? Os Young Gods?
Pois, e que bela versão. As rendições acústicas de "Gasoline Man", "Kissing the Sun" ou "Charlotte" entre algumas outras deram também lugar a óptimos momentos. Outras houve que eram perfeitamente dispensáveis, como aquela versão do "Freedom" do Richie Havens. Mas foi uma agradável surpresa.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O carteiro é bom companheiro



The Peel Sessions: A Story of Teenage Dreams and One Man's Love of New Music

Acabado de chegar... PARECE TER TUDO!

Charadas #410

Esta capa é bastante curiosa. O amarelo torrado não condiz com o título do álbum, a não ser que fechemos os olhos depois de os fixarmos por algum tempo na capa. Título do álbum e nome do grupo aparecem em grandes letras sobre o que, há que fechar os olhos novamente, parece ser... erva?

Young Gods em modo poupança de energia ou talvez não



Mais logo à noite, há Young Gods no cinema São Jorge, num concerto inserido no festival Cosmopolis. Apenas mais um concerto de Young Gods? Não, nunca seria assim, mas este também não vai ser mesmo assim, por outras razões. É que vai ser acústico. Noutras ocasiões, Franz Treichler chegava a pegar na guitarra acústica, mas agora o compromisso é total. Até Al Comet larga os samplers onde roubava os sons das guitarras eléctricas e pega numa acústica. Quase tão chocante como ver o Conor Oberst tocar heavy metal.
Espreitem este vídeo (as outras partes também se encontram no youtube) para terem um cheirinho do que vai ser a noite de logo. Ou então em Portalegre, no sábado.

Que é feito desse tributo?

Há por aí, metido dentro de uma gaveta qualquer, um tributo aos Velvet Underground feito por bandas portuguesas. Há versões muito interessantes (a dos Hipnótica é uma, a dos Rose Blanket, que aqui pode ser escutada, é outra), mas o tempo passa a olhos vistos e nada sai cá para fora. O que se passa? Aquisição dos direitos?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

As lendas do número de telefone 1111

Para começar, ainda é coisa rara que em Portugal se escreva sobre a história de músicos, sobre música, em geral, ou sobre o fenómeno do rock, em particular. O panorama tem vindo a mudar, é certo, mas ainda há muito caminho a percorrer. Até porque ainda mais raro é nos serem oferecidas histórias que nos cativem, tanto pela riqueza do que há para contar (e há tanta coisa por contar), como pela forma como nos são relatadas. E a biografia do Quarteto 1111, "As Lendas do Quarteto 1111", escrita pelo António Pires e recentemente dada à estampa, consegue preencher de forma perfeita esses dois requisitos.
Primeiro, a história do Quarteto 1111 é boa demais para que possa ficar esquecida nas presentes e futuras gerações. Talvez o livro do António venha enterrar de uma vez por todas a frase feita que atribui a paternidade do rock a outro. Talvez agora se entenda finalmente que nos anos 60 já havia quem pegasse em guitarras para fazer barulho e não só José Cid e companhia, como o livro faz bem em dar conta. E que, para acabar com outra ideia errada, não eram apenas os chamados cantores de intervenção que eram alvo da censura e da perseguição da polícia política do regime de então. As histórias que são contadas em "As Lendas do Quarteto 1111" revelam o desbravamento que bandas como o 1111 tiveram que fazer, mas também recuperam de forma deliciosa o lado burlesco e divertido dos excessos, dos sucessos e das falhas, que fazem parte de qualquer história de rock'n'roll, sem grandes constrangimentos a pesarem sobre a pena (e só quem escreveu sobre uma banda sabe o que isto quer dizer), sem deixarem de ter um cunho rigoroso e quase enciclopédico naquilo que foi uma sequência de factos importante demais para ficar adormecida na ignorância do público.
Segundo, o António Pires conta a história como poucos (quase nenhuns, atrever-me-ia) têm sabido fazê-lo. Com o saudável vício de entrevistador, o António conta a história do Quarteto 1111 quase sempre na primeira pessoa, dando aos protagonistas o seu devido papel ao longo das páginas do livro.
"As Lendas do Quarteto 1111" vêm confirmar o que para muitos já era uma evidência: José Cid é um músico de talento enorme e multifacetado. Vem também dizer a toda a gente que, afinal, Tó-Zé Brito é um gajo porreiro, um verdadeiro rocker. Ah, é verdade, ele faz anos hoje. Parabéns ao Tó-Zé Brito.

Charadas #409

Em cima, o título do álbum. Em baixo, uma fotografia com um ar bastante funéreo e por isso controverso, porque o álbum saiu depois de... não interessa. Aquelas estátuas fazem mesmo parte do túmulo de uma família genovesa. Mas quem a escolheu, o tipo que fez a generalidade das capas desta editora, fê-lo antes da... não interessa.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O myspace dos Mão Morta



Agora em versão oficial.
myspace.com/maomorta

Stars of the Lid, Sic Alps e outros em Dezembro

Para quem gosta de texturas sonoras relaxantes, não há como perder os Stars of the Lid em Dezembro (dia 6 em Lisboa, em local ainda a confirmar, e dia 8, em Braga, no Theatro Circo).
Noutro quadrante mais agitado, também não há como perder os concertos dos Sic Alps no mesmo mês (dia 7 no Porto, em local a anunciar, e dia 9 em Lisboa, no Maxime).

Charadas #408

É a apanha da maçã. São maçãs, não são? Pelo menos, três senhores de alguma idade dedicadam-se à apanha de um fruto das árvores. Dois deles têm escadotes para o fazer. Há alguns caixotes espalhados pela alameda que corre entre as árvores.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

É feio escutar as conversas alheias

Um yuppie dizia hoje para outro, à hora de almoço:

- Vi os National [em Inglaterra]. Pá, é aquilo a que agora se chama indie rock... Para a semana é que vai lá haver hard rock. São os Black Rebel Motorcycle Club. É bom, é hard rock!

Lembram-se do Pluramon?

Lembram-se daquele alemão que aqui há anos assinava discos de electrónica a roçar pelo pós-rock na Mille Plateaux? Vai estar ao vivo no Du Arte Lounge, no Casino do Estoril, por ocasião do European Film Festival, com a companhia da voz de Julee Cruise. É nesta próxima quinta-feira.

Mais duas ou três coisas sobre o Barreiro Rocks

Começo por arrumar desde já as coisas más. O som no pavilhão dos ferroviários é, quase sempre, uma "ganda jarda", uma torrente de milhares de trajectórias acústicas que afundam o som numa amálgama que roça o imperceptível. Os Black Lips, por exemplo, sofreram com isso, mas também por culpa própria. Não se tivessem atrasado, teriam tido tempo para um sound check e para um som que se entendesse. Mais, aos DJs, tanto os do Wonderland Club como o Shimmy, foi-lhes dado pouco espaço na noite, no meio das atribulações para mudanças de palco para a pós-festa. Como já é hábito, diz-se, o público é essencialmente constituído por barreirenses ou outros margem-sulistas, por espanhóis e pelas entourages das outras bandas. Como se costuma dizer, é mais fácil encontrar por lá um espanhol do que um lisboeta. E o barco demora apenas um quarto de hora a atravessar o rio. E os ferroviários são ali mesmo ao lado.
Arrumadas que estão as coisas más, diga-se então que o Barreiro Rocks é muito mais do que estes problemas. É um encontro anual entre amigos que aproveitam ao máximo estas duas noites de deboche até às tantas da manhã. É um clima de festa que só é apreendido por quem já lá foi e, daí, fica com vontade de regressar todos os anos. Em que outro sítio se encontra um simpático senhor de 79 anos, o grande Crooner Vieira (vejam no youtube!), a cantar Tom Jones, Elvis Costello, Frank Sinatra e outros na apresentação das bandas? Houve concertos óptimos, como os de duas das bandas portuguesas em cartaz, os Born a Lion e os Green Machine, ou como o da dupla italiana Mojomatics, houve coisas que fizeram lembrar os festivais de hardcore de escolas secundárias nos anos 80, com os ingleses Hipshakes, cheios de sangue na guelra.
Dá vontade de imitar a voz de um qualquer locutor de rádio dos anos 60 e dizer que "foram duas belas noites de róque". Para o ano há mais.

Charadas #406

Há um macaco com um halo na cabeça. Há números e desenhos geométricos. É mais uma grande capa de um tipo que desenhou para quase todos os discos desta editora.

Rescaldo do fim-de-semana

Os ouvidos estão numa de greve e o corpo numa de jetlag.
(Viva o Barreiro Rocks, viva a malta da margem sul, vivam os espanhóis que acorrem em maior número que os lisboetas. Para o ano há mais!)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Charadas #405

A fotografia pertence um filme. Alguém está deitado, como que morrendo. Não é uma senhora, não. É um dos maiores actores franceses de sempre.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Charadas #404

A namorada do vocalista veste-se de Rei Artur. Usa um elmo medieval com três pontas e segura um falcão enquanto vislumbra uma paisagem mística.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O próximo fim-de-semana é Brr!

Onetwothreefour! No calendário do roquenró, este é o fim-de-semana do ano. É o fim-de-semana do Barreiro Rocks, o festival que a Hey Pachuco, um colectivo de indivíduos que nasceram e cresceram no Barreiro (só para dar conta do estado mental de tais pessoas), leva a cabo todos os anos. Sexta-feira e sábado, o Barreiro transformar-se-á na capital ibérica do rock de garagem, do punk, do surf. O pavilhão ferroviários será o saloon deste far west em que as seis cordas de uma guitarra fazem lei. E também há cerveja, um ou outro disparate menor, cerveja, números diversos de circo, cerveja e, bom, muito rock'n'roll. E cuidado com o rio ali mesmo ao lado. As taínhas vão estar com os dentes afiados desde os primeiros riffs.

E quem vai mandar na festa? O destaque deste ano vai para o regresso dos norte-americanos Black Lips, que já ali estiveram em 2005. Nitidamente influenciados pelo rock psicadélico dos anos 60 (Sonics, Seeds, Kim Fowley, etc.), os Black Lips já aparecem no Conan O'Brien, já são remisturados pelo Diplo, enfim, já não são os quatro miúdos que, vindos do nada, provocaram o grande estrondo, diz-se, no festival de há dois anos. Mas "Good Bad Not Evil", o novo álbum, apenas vem mostrar que, enfim, perder o concerto deles neste próximo sábado seria uma das coisas mais estúpidas deste ano...

Mas há mais, muito mais. Comecemos pela sexta-feira. A abrir, os Born a Lion, um trio da Marinha Grande, em que o baterista é também vocalista. Blues com garra de rock cabeludo, Yardbirds ou Motörhead sem verrugas. Depois, e vindos de Sheffield, em Inglaterra, mais um trio, The Hipshakes. Punk com muitas borbulhas, de uma cidade que nos anos 80 era mais conhecida pelos sintetizadores do que pelas guitarras. A primeira banda espanhola (a bem da verdade, galega!) a surgir no cartaz deste ano são os Samesugas. E são mais um trio. Fazem lembrar os "nossos" Vicious Five, que estiveram na edição do ano passado do Barreiro Rocks. O palco principal fecha com The Marahajas. Não, não são mais um trio. Desta vez são quatro e vêm da Suécia com algo que deve mais à América dos anos 60, do rock de garagem, dos psicadélicos que qualquer outra coisa que imaginemos na Escandinávia.
A sexta-feira não acaba assim. Já é tradição a pós-festa do Barreiro Rocks e este ano nem é preciso sair do pavilhão dos Fevorriários. Pelo resto da noite, vai haver ainda Tracy Lee Summer, Rob K & Uncle Butcher (que têm mais datas marcadas para o Lisboa, Porto e Coimbra) e o grande final com a discaria do sempre mui recomendável Wonderland Club.

E no sábado? Primeiro, Capitán Entresijos, uma dupla madrilenha que vêm substituir os Tres Delicias do cartaz. Depois, os portugueses Green Machine, que voltam ao Barreiro Rocks, agora com direito a palco principal. Já se falou muito deles aqui... porque são bons. De seguida, surgem, os italianos The Mojomatics, mais um duo guitarra-bateria, para a festa acabar em grande com os já mencionados Black Lips. Eu disse acabar? Não! Ainda há mais festa até à manhã de domingo, com mais prata da casa, através dos Act-Ups, dos espanhóis Los Chicos (é como se fossem do Barreiro, já que estão sempre lá batidos por esta altura do ano) e o homem dos sete polegadas, o DJ Shimmy, que volta a encerrar mais uma edição do Barreiro Rocks e que também passou a ser conhecido como "o cabrão que foi ver o concerto de regresso dos Sonics".

Pormenores práticos: os bilhetes custam €20 para os dois dias (ou menos €5 para quem for apenas um dia). Quem quiser entrar apenas para as pós-festas, tem que pagar bilhete de €5. Os concertos começam, em ambos os dias, às 22h, e acabam sabe-se lá quando (nunca depois das 22h do dia seguinte, presume-se). O pavilhão do GD dos Ferroviários fica muito perto da estação dos barcos. Para mais coisas, é favor ir ao myspace do festival (www.myspace.com/barreirorocks) ou ao forum da Hey Pachuco.
Agora, cuidado com o rio e com as taínhas assassinas!

Myspaces das bandas e djs:

Born a Lion myspace.com/bornalionband
The Hipshakes myspace.com/thehipshakes
Samesugas myspace.com/samesugas
The Maharajas myspace.com/themaharajas
Tracy Lee Summer myspace.com/tracyleesummer
Rob K & Uncle Butcher myspace.com/thejazzangels
Wonderland Club myspace.com/lovefingerclub

Capitán Entresijos myspace.com/capitanentresijos
Green Machine myspace.com/greenmachinesucks
The Mojomatics myspace.com/themojomatics
The Black Lips myspace.com/theblacklips
The Act-Ups myspace.com/actups
Los Chicos myspace.com/loschicosrocks
DJ Shimmy myspace.com/djshimmyusa

Pára tudo!

(Conforme deixava antever a resposta de Alex Hacke relativamente a próximos concertos...) Einstürzende Neubauten na Casa da Música e na Aula Magna, dias 3 e 4 de Maio de 2008, respectivamente.

Charadas #403

É um desenho da cauda de um Boeing. No lugar do emblema da companhia aérea surge o nome dos autores do álbum. Na contracapa percebe-se que o avião se esborrachou contra uma montanha. Parece até a beata de um cigarro.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Que é feito de si?

Isto bem podia ser o início de uma nova rubrica. Hoje, em conversa com amigos, veio-me à memória Anton Fier, baterista que tocou nos Feelies, nos Lounge Lizards, nos Voidoids, que fundou os magníficos Golden Palominos e que colaborou com um largo número de pessoas como John Zorn, Bill Laswell, David Thomas, Peter Blegvad, etc. (uma lista bastante extensa dos discos em que Fier trabalhou pode ser vista aqui).
A verdade é que desde há alguns anos para cá que lhe perdi o rasto. Por andas tu, Anton Fier? Dá notícias!

Charadas #402

Do lado direito da capa, o nome da banda e o título do disco, um trocadilho rock. Do lado esquerdo, uma figura grotesca emerge da sobreposição das caras dos elementos da banda. E há mais na contra-capa e lá dentro. Autênticas aberrações, pá.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Da terra de Bor

A editora Bor Land faz sete anos e continua a passar por cima da visão pessimista que assombra toda a indústria discográfica, das majors às independentes, com o mesmo objectivo de sempre, dar visibilidade aos pequenos, mostrando que afinal são grandes. E grandes, muito grandes mesmo, são os dois discos acabados de lançar. No panorama dos formatos, que cada vez fazem mais lei na forma como é oferecida a música, Norberto Lobo e Lobster estariam em campos diametralmente opostos. Mas na terra de Bor, isso nunca fez sentido. E ainda bem.

Norberto Lobo, guitarrista nos Norman, estreia-se a solo com "Mudar de Bina", trazendo a escola da guitarra dedilhada de John Fahey e discípulos para um contexto intrinsecamente português (parediano, se quisermos), como se dois mundos se abraçassem com a maior das naturalidades. Para melhor se entender a imagem deste abraço, talvez se possa ir buscar paralelamente os cruzamentos dos Dead Combo entre Ennio Morricone e o fado. Norberto dedilha a guitarra de forma exímia e não deixa sequer que da versão de "Mudar de Vida", de Carlos Paredes, transpareça qualquer sensação de sacrilégio. Um ouvido português sentiria isso à mínima falha. Um ouvido português delicia-se com este "Mudar de Bina". É novo e é antigo. É provocador e é respeitador. É estrangeiro e é nosso. É pai e mãe dando-se da melhor forma.

Depois das edições electrónicas via Merzbau, depois de inúmeros concertos por esse país fora, o duo terrorista formado por Ricardo Martins e Guilherme Canhão, os Lobster, estreia-se com "Sexually Transmitted Electricity", um compêndio arrasador de duelos instrumentais entre bateria e guitarra que, por vezes, encontra paralelo nos combates bateria & baixo dos Lightning Bolt. "Keep it Brutal", lema que dá nome a uma das faixas do disco, descreve perfeitamente a fúria que os dois músicos entregam à interpretação destes duelos, sem resvalar para o facilitismo, sem nunca deixarem de mostrar que dominam com perfeição as armas que escolheram.

Lobster e Norberto Lobo, este na primeira parte de Daniel Higgs, tocam hoje no Audiório de Vieira do Minho e no Maxime, respectivamente, para amanhã se juntarem no mesmo palco (já se disse, na terra de Bor é isto que faz sentido e ainda bem) no Passos Manuel (Porto). Mais concertos virão, que tanto um como os outros são animais de palco.

Charadas #401

Parece quase um filme negro. Um homem jaz morto no passeio. Mais abaixo, nesse mesmo passeio, encontra-se a provável arma do crime, um revólver.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Charadas #400

No centro e num fundo cor de pele rosada, há um olho azul, um único olho adornado pela respectiva sombracelha, que nos observa.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

O baú da Valentim de Carvalho

É o Nuno que dá esta boa notícia: a Valentim de Carvalho foi ao baú e tirou de lá alguns álbuns para reedição no próximo mês. Entre estes contam-se: "Independança", dos GNR, com extras retirados de vários singles do grupo, "Álibi", de Manuela Moura Guedes, "Qualquer Coisa Pá Música", de Jorge Palma, "Mistérios e Maravilhas", dos Tantra e ainda uma integral dos Sheiks entre 1965 e 1967. E isto é coisa para não ficar por aqui.

Young Gods também em Lisboa

Provavelmente, serei a última pessoa a ter reparado nisto, mas afinal os Young Gods também vêm a Lisboa, a 16 de Novembro, um dia antes do concerto agendado há mais tempo para Portalegre. A actuação acústica do trio suíço integra-se em mais uma edição do festival Cosmopolis, que este ano tem lugar no cinema São Jorge (dia 16, com Young Gods, Grand National e Coldfinger) e no Music Box (dia 17, com Pravda e Slimmy).

Charadas #399

Um homem, que não é o autor do álbum ao contrário do que normalmente se pensa, descansa a cabeça no peito de uma mulher que ri. O lettering faz lembrar o do álbum de estreia de Elvis Presley (ou o "London Calling" dos Clash).

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Eu vi a Patti Smith chorar

Eu vi a Patti Smith chorar de alegria. Foi perto do final de "Rock'n'Roll Nigger", já nos derradeiros instantes do concerto de ontem no Coliseu dos Recreios. Como é que uma mulher que carrega com as marcas amargas que a vida se lembrou de lhe trazer, com mais de 30 anos de carreira (com uma pausa prolongada pelo meio), consegue ainda ficar assim tocada por uma plateia? É certo que é uma plateia que a adora desde o início, aliás, mesmo antes do início. É certo que a empatia é mútua, com Patti Smith a elogiar a Lisboa bonita e independente dos Starbucks. Ou quando lembra a Lisboa que havia nos seus estudos, numa fase final da vida do seu marido Fred "Sonic" Smith. Ou quando a aluna de Rimbaud decide dedicar uma música a Pessoa e, mais tarde, pôr este nos versos improvisados de "Perfect Day", de Lou Reed. Mas aquelas lágrimas impossíveis de conter diziam tudo. Era o final de uma noite magnífica para todos. Para o público, para a senhora Smith, para a sua banda, onde ainda reina o seu guitarrista de longa data, Lenny Kaye, que aproveitou da melhor forma o descanso da cantora para puxar pelos acordes de "Pushin' Too Hard", dos Seeds. Foi uma noite com muitos tributos, não sendo estranho o facto do último álbum de Smith ser justamente um álbum de covers. Deste, ouviu-se uma versão longa e entremeada com poemas de Smith de "Are You Experienced?", de Jimi Hendrix, e "Smells Like Teen Spirit", extropiado do pessimista "how low" tal como na versão gravada em "Twelve". Mas também houve "Gloria", "Dancing Barefoot", "Because the Night", "People Have the Power" e outros clássicos da carreira de Patti Smith. Duas horas de concerto que puseram novos e velhos aos saltos, aos berros e, claro, com um enorme sorriso na cara no final de uma noite de domingo. Esta semana vai ser mais produtiva.

Charadas #398

Uma vela numa tela.

(Começa hoje uma nova série de charadas. A ideia, desta vez, é puxar pela cabeça e responder com o nome do disco cuja capa é sucintamente descrita na pista. O resto é o habitual: um ponto para a primeira resposta certa; acaba aos dez pontos.)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Os mundos colidem

A notícia chegou aqui através do sempre obrigatório Gorilla vs Bear. O Diplo remisturou os Black Lips (não me canso de dizer: dia 10 de Novembro, no Barreiro Rocks) e o resultado está aqui:

Black Lips Veni Vidi Vici (Diplo remix)

(Alguém que me conte como soa, que não posso ouvir aqui no bules...)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Ainda o fecho do oink

O DJ/Rupture escreve sobre o que aconteceu ao oink no seu blogue. Vale a pena ler a sua visão.

But Pandora’s Box has been opened. Remember when Napster croaked? Piracy file-sharing is so much easier now. The anal-retentive British site admins kept Oink organized. Bittorent architecture kept Oink efficient. Oink’s alleged 180,000 users won’t forget how useful it was. The next Oink will be sturdier & more multiple. The overall movement is towards more ways to share music & ideas with like-minded individuals on the internet.

The way I see it, this can only be a good thing for music fans. And what musician is not first a music fan?

A matança do porco

A indústria discográfica conseguiu dar mais uma machadada no fenómeno da partilha ilegal de ficheiros. Desta vez, e após denúncia da Federação Internacional da Indústria Discográfica, a Interpol fechou o tracker de torrents Oink, cujo servidor estava sediado nos Países Baixos, e deteve para averiguações um homem de 24 anos.
Cada vez mais popular, apesar da sua qualidade de clube fechado onde só se podia entrar por convite atribuído por membros de elite, por assim dizer, o Oink contaria com cerca de 180 mil utilizadores espalhados pelo mundo, que partilhavam entre si as últimas novidades nas mais diversas áreas da música, meses antes até das saídas para as lojas, facto que consta da denúncia efectuada pela indústria.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Esta sexta...

O Quarteto 1111 no Music Box, hoje

Já anda por essas livrarias fora, mas é esta noite que vai ser oficialmente apresentado. O livro "As Lendas do Quarteto 1111", escrito pelo jornalista António Pires, vai ser o protagonista desta noite no Music Box, numa apresentação que estará a cargo de Zé Pedro e de Cândido Mota e que contará ainda com uma actuação curta e inédita de José Cid, Michel Silveira, Mike Sergeant e Tózé Brito em conjunto, ou seja, o próprio Quarteto 1111. No comando dos discos estarão ainda o próprio autor e João Carlos Callixto.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

E, já agora...

...também se avisa que os bilhetes para a Patti Smith (próximo domingo, Coliseu dos Recreios) estão a voar. É que a plateia vai ter lugares sentados...

É só para avisar...

...que esta noite há Coldcut no Casino de Lisboa, com entrada gratuita. E diz-se que é concerto para levar os telemóveis ligados e com o bluetooth activo.

domingo, 21 de outubro de 2007

David Sylvian adiado

Para quem ainda não foi avisado, hoje não vai haver concerto de David Sylvian no CCB, por motivos de doença.

ACTUALIZAÇÃO: o concerto de Braga, no Theatro Circo, esta terça-feira, mantém-se.

sábado, 20 de outubro de 2007

Rrrrrrrrrrrrrrrrriottttttttttt


(foto gentilmente gamada à Sandra "Becks")

Ele no portátil e nos efeitos, ela na voz. Imaginem que ela é um cruzamento genético entre a Emília do Sítio do Picapau Amarelo (mais uma imagem gentilmente gamada à Becks) e um John Lydon completamente encharcado em speeds. Imaginem o sorriso dela enquanto faz stage diving, enquanto sobe para o balcão do Lounge, enquanto cospe para a audiência. Imaginem o Lounge a abarrotar, aos pulos, a vibrar como se não houvesse amanhã ao som das guitarras sintetizadas dele, da berraria dela. Imaginem uma descarga eléctrica a transmitir-se no suor que separa os corpos. Não percam hoje, no Porto (Plano B).

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Abertura total, de novo #6 (Einstürzende Neubauten em Portugal e depois, descanso...)

(Conclusão da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen", que saiu hoje para os escaparates das lojas.)

Q6. Quando saiu "Perpetuum Mobile", disse-se que era essencial para que pudesse acontecer uma digressão mundial. Este novo "Alles Wieder Offen" vai também dar origem a uma digressão do mesmo género?

ALEX HACKE: Sim, vamos fazer uma digressão intensiva a partir de Abril do próximo ano e Portugal vai estar de certeza incluído.

Q7. Pensam voltar, depois disto, aos álbuns exclusivos para os supporters?

ALEX HACKE: Não. Nem sequer temos sessões de estúdio planeadas a breve prazo. Após a digressão do próximo ano, vamos deixar os Neubauten descansarem um pouco. Pensaremos em qualquer coisa para o nosso 30º aniversário, em 2010...

Q8. Passaram, mais ou menos, 10 anos desde que Mufti e Marc Chung deixaram o grupo, abrindo caminho para Jochen Arbeit e Rudi Moser. Como avalia estes anos a trabalhar com eles?

ALEX HACKE: Fizemos muitas coisas na última década que teriam sido impossíveis com o line-up antigo e tem sido muito bom.

Breves de sexta-feira

1. Este é um fim-de-semana cheio de coisas a acontecer. Por exemplo, temos hoje no CCB a manobra de charme do Festival au Desert, evento que decorre todos os anos no Mali e onde habitualmente surgem os melhores embaixadores mundiais da rica música daquelas paragens. É o caso dos Tinariwen, com as suas guitarras eléctricas, que regressam a Lisboa depois do magnífico concerto no São Jorge há três meses. Ou de Vieux Farka Touré, a provar que a genialidade é coisa que se herda na família. Tinariwen e Vieux Farka Touré sobem hoje ao palco do Grande Auditório do CCB, a partir das 21h.

2. Para algo completamente diferente, mas também imperdível, há a dupla de Bordéus Kap Bambino, hoje no Lounge, com entrada gratuita, como é habitual. Vejam e escutem o myspace deles, para perceberem (ou não) que vai valer a pena dar uma saltada ao beco da Moeda. Amanhã é no Porto, no Plano B.

3. Na ZDB, e também hoje, há Vert. Breakbeat, broken beat, jazz, num formato próximo da canção. Adam Butler, que esteve ontem no Porto, vai também a Coimbra (Via Coimbra, amanhã) e a Esposende (Casa da Juventude, Domingo).

4. Não é assim tão habitual tê-los no Porto, por isso há que aproveitar, malta da inbicta: os Anonima Nuvolari vão estar hoje nos Maus Hábitos.

5. Ainda no capítulo das coisas imperdíveis deste fim-de-semana, há David Sylvian no CCB, no domingo, ou no Theatro Circo de Braga, dois dias depois. Esta será, provavelmente, uma das últimas oportunidades para ouvir um dos maiores génios de sempre cantar temas de um passado tão generoso como o de Sylvian.

6. Passaram dez anos, mas parece que foi ontem que a Cool Train Crew começou a dinamitar as noites por aí, com o seu drum'n'bass explosivo. Porque sabe bem, a eles e a nós, comemorar estas datas redondas, saiu para as ruas esta semana um disco que reúne remisturas de temas dos Taxi (Chicklet), Blind Zero, Blasted Mechanism, Da Weasel, entre outros. Parabéns a todos que já passaram pela CTC.

7. O meu bom amigo António Pires apresenta a sua obra "As Lendas do Quarteto 1111" no Music Box, na próxima terça-feira, dia 23. Vai ser uma noite particularmente especial, até porque ao palco vão subir alguns elementos do Quarteto 1111 para um mini-concerto. E nos pratos vão estar o próprio António e outro poço sem fundo de conhecimentos da música portuguesa, o João Carlos Callixto. É a partir das 22h. E o António vai também estar no Fale com Ela, da Radar, neste fim-de-semana.

8. Continuando nos livros e nos amigos, o Luís Soares já vai no seu terceiro trabalho. Chama-se "Em Silêncio, Amor" e o primeiro capítulo pode ser lido no blogue do Luís, que também por lá colocou uma sugestão de banda sonora para a leitura.

9. Hoje e amanhã, o Sítio do Cefalópode despede-se das instalações no bairro do Castelo com duas festas que prometem. As portas só fecham mesmo para a semana, porque segunda-feira ainda vai acontecer a última jam session e, na terça, a última roda de chorinho.

10. Amanhã há Bailarico Sofisticado em Alcântara, num bar chamado By Me (fica ali naquele condomínio catita oposto ao Paradise Garage). De hoje a uma semana, há também Bailarico no Mini-Mercado, em Santos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Abertura total, de novo #5

(Continuação da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen".)

Q5. A primeira leitura que se faz ao título do álbum (algo como "Tudo aberto de novo") é a de que, depois de mais de dez discos lançados em exclusivo para os supporters, vocês estão de volta a uma audiência alargada. Abertura total, de novo?

ALEX HACKE: Quando tudo se abre de novo, fica também tudo por resolver, de novo. Algo que está exposto de novo deixa de estar protegido. Isso também implica uma certa obrigação de revermos uma decisão que tomámos ou de escolher seguir uma qualquer de outras opções.

(Continua. O álbum sai para as lojas no dia 19.)

A chuva de estrelas dos Justice



JUSTICE "D.A.N.C.E." @ Jimmy Kernel Live

O que faz um público?

Público? O que é, o que o cria, o que o move? Comunidades? O que são, o que as cria, o que as move? O observador mais atento consegue, com ou maior ou menor esforço, chegar a estas respostas, mas... sempre? Talvez não. Tem que haver uma margem de erro que tolde sempre qualquer análise mais determinista. Senão, o que justifica, por exemplo, que um grupo como os Hipnótica não seja hoje seguido nos seus concertos por centenas ou até mesmo milhares de pessoas?

Serem difíceis? Não pode ser. Talvez nem todos os ouvidos tenham a predisposição (ou a formação) necessária para absorverem com maior profundidade os elementos mais complexos e quase inexpugnáveis das actuais composições do grupo, mas a música é inteiramente acessível à partida.

Terem passado da moda por estarem ainda rotulados com o downtempo e o trip hop? Também não pode ser, não só porque o downtempo e o trip hop já não estão de novo assim tão fora de moda, mas até porque os Hipnótica estão cada vez mais roqueiros (a guitarra voltou a ser um instrumento essencial, por exemplo) e cada vez mais bombásticos ao vivo, o que corresponde já mais aos actuais padrões de moda da música popular.

Serem músicos diletantes? Até o podem ser por definição, mas estão em processo constante de criação. Lançam álbuns com regularidade, dão os concertos que podem, musicam filmes e dão-se até ao luxo de tocarem temas inéditos em apresentações de álbuns, como se não houvesse tempo a perder, dando o rótulo de proibido à palavra comodismo.

O que pode estar, então, na origem do underrating dos Hipnótica? Como é que não houve mais gente a assistir ao fantástico concerto deste sábado no Music Box? No ouvido ainda ressoam os temas deste belíssimo novo álbum "New Communities For Better Days", os inéditos e a quase epifânica versão para "Song to the Siren", do Tim Buckley, ou a forma como o concerto acabou, ao jeito dos Akron/Family, com toda a gente a cantar "Women of the World", de Ivor Cutler, mas redescoberta no "Eureka" de Jim O'Rourke (olhem, outro génio que nunca teve o reconhecimento merecido do público).

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Breves de sexta-feira

1. Caetano Veloso, que hoje inicia mais uma série de concertos por Portugal, tem novo livro editado em Portugal, uma vez mais com a chancela das Quasi Edições. Chama-se "O Mundo Não é Chato" e reúne textos escritos por Caetano entre 1961 e 2005, para revistas, contracapas de discos, prefácios, conferências, além de outros nunca publicados.

2. Decorre entre hoje e amanhã, o Immersion Festival. Esta noite, na Fábrica de Braço de Prata (ao Poço do Bispo), estarão por lá a belga Half Asleep e os portugueses Alexande Bateiras e Noiserv. Amanhã, na ZDB, é a vez de Oliver Hills com Harry Astra, Space Study 1.4 (Rafael Toral, Rute Praça e César Burago), Julianna Barwick e Tiago Sousa.

3. Bernard Févre traz hoje a Lisboa, ao Lux, o Black Devil Disco Club. Depois há 2manydjs pela madrugada fora.

4. Ah, e hoje também há Bailarico Sofisticado no Lounge. Quem não aparecer é mariquinhas pé-de-salsa!

Black Lips no Conan O'Brien

Poucos dias depois da passagem do Animal Collective pelos estúdios do Conan O'Brien Show (ver aqui), o talk show norte-americano volta a surpreender com os Black Lips, que aqui tocam "O Katrina", do novíssimo "Good Bad Not Evil".
Para quem ainda não se apercebeu disso, os Black Lips vão regressar ao Barreiro Rocks, que este ano tem lugar no fim-de-semana de 9 e 10 de Novembro (os Black Lips tocam no sábado). A ansiedade cresce cada vez mais!



THE BLACK LIPS "O Katrina" (Conan O'Brien Show, 9 de Outubro de 2007)

Últimos dias no sítio do castelo

O Sítio do Cefalópode vai deixar o bairro do Castelo. O bar, que em tempos antigos chegou a pertencer a Ary dos Santos, e que recentemente vinha a oferecer um conjunto de propostas aliciantes, vai fechar portas. Os actuais gerentes, que prometem continuar a fazer festas por outros locais de Lisboa e do país, deixaram, em forma de protesto, as razões deste abandono do Castelo:

Deixamos um apelo público às autoridades (in)competentes, para que melhorem a acessibilidade aos bairros históricos, nomeadamente ao Castelo e Alfama, ou pelo menos que reponham a pouca que existia antes. A falta de circulação veio prejudicar gravemente a formação de públicos e o desenvolvimento cultural nestas zonas antigas; todo o comércio local ficou muito afectado e a qualidade de vida das pessoas piorou.
Não basta fechar um bairro nem é legítimo faze-lo, muito menos quando essa medida é aplicada de forma autista e prepotente, e não é acompanhada por um plano para reparar o consequente impacto sobre a acessibilidade ao bairro e enfim sobre a vida do bairro e das pessoas. Os parqueamentos continuam escassos, aliás, é quase impossível estacionar; não foi criada sequer uma praça de taxis que sirva a zona; os transportes públicos são altamente insuficientes e não foram aumentados; não foi criada uma carreira nocturna (o último eléctrico é às 23 horas)... Enfim, uma medida desenquadrada, uma total irresponsabilidade política! Esperemos que a recente mudança camarária traga uma mudança de atitude em relação ao problema da acessibilidade aos bairros antigos.
Por uma cidade
com mobilidade!


Entretanto, os últimos dias do Sítio do Cefalópode no castelo vão ter a seguinte programação:

Sábado, 13 - Bruno Pernadas Jazz 5tet
Segunda, 15 - Jazz Open Jam Session
Terça, 16 - Roda de Chorinho
Sexta e Sábado, 19/20 - FESTA DE DESPEDIDA DO CASTELO (Live Acts + DJ's + JAM SESSION FREE STYLE)
Segunda, 22 - Última Jam Session no Castelo
Terça, 23 - A última Roda de Chorinho no sítio do Castelo

BOA SORTE, CEFALÓPODES!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Abertura total, de novo #4

(Continuação da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen".)

Q4. A maior parte das faixas deste disco têm partes retiradas dos vossos arquivos sonoros, de gravações ao vivo (como "Von Wegen", que aproveita um improviso do último concerto em Lisboa), destes álbuns exclusivos dos supporters ou, recuando mais no tempo, de gravações como a que foi usada em "Susej", que recupera o Blixa a tocar guitarra em 1982. É correcto dizer-se que "Alles Wieder Offen" é, por excelência, o disco de estúdio dos Neubauten, aquele em que houve menos tempo passado na sala de gravações?

ALEX HACKE: Não... "Von Wegen", tal como "Redukt", "Alles", "Seltener Vogel" e muitas outras faixas nossas derivam meramente de um "rampe", uma improvisação ao vivo. Como gravamos cada espectáculo que fazemos, voltamos a ouvir as gravações e analisamos essas improvisações, de forma a construírmos canções propriamente ditas a partir daí. No caso da gravação do Blixa, a bater com o pé e a tocar guitarra, nós voltámos a isso inúmeras vezes ao longo destes anos, mas até agora nunca tínhamos conseguido retirar daí algo com sentido e, daí, nunca a usámos de uma forma construtiva.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Abertura total, de novo #3

(Continuação da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen".)

Q3. Em alguns dos discos destinados em exclusivo aos supporters, vocês criaram um método de trabalho, através da utilização de cartões tirados à sorte. Li que também está presente neste "Alles Wieder Offen". Do que se trata, afinal de contas?

ALEX HACKE: O oráculo divinatório (ou sistema de navegação, se quisermos), ao qual demos o nome Dave foi aplicado na criação das "Jewels" de que falava há pouco. É uma caixa com 600 cartões contendo informação como: "algo suave", "arranhar", "Fa #", "Vegetais" e outras especificações úteis como estas ou ainda mais confusas. Cada elemento da banda pega em algumas cartas e usa-as para se inspirar no que tocar nessa peça em particular.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Soltas de quarta-feira

1. A Bor Land faz sete anos este mês. Com mais de 30 edições em catálogo, a editora nortenha, que lançou nomes como os de Old Jerusalem e Alla Polacca, entre outros, continua bem viva, como demonstram os discos que aí vêm: a estreia do guitarrista Norberto Lobo em "Mudar de Bina" (sai dia 22) e o primeiro álbum comercial da dupla Lobster, "Sexually Transmitted Electricity" (sai dia 22). Grandes músicos numa grande editora independente.

2. Amanhã, quinta-feira, Sexta-feira, dia 5, há dose dupla de "One Man Bands" no Lounge, primeiro com os blues a rasgar do venezuelano D66, ao qual se segue o electro do suíço Urban Junior.

3. O novo álbum dos Radiohead sai na próxima quarta-feira, neste site. Lá poder-se-á comprar uma versão digital (onde o cliente paga o que quiser) e uma versão física, mais completa, do disco. O título do disco é "In/Rainbows".

4. Depois das primeiras partes dos Sigur Rós, eis os concertos em nome próprio. As islandesas Amiina vão estar por cá, amanhã e sexta-feira, na Casa da Música e no Santiago Alquimista, respectivamente.

5. Quem já ouviu falar nos Beduínos a Gasóleo? O prog ainda sobrevive em Portugal, pela mão de gente interessada (e interessante). O álbum de estreia vai ser apresentado no próximo sábado, no Santiago Alquimista. A José Carlos Fialho, Luís Manuel Oliveira, Ricardo Leita e Fávio Pena, vão juntar-se em palco as vozes da Petra e do Janita Salomé, entre outras surpresas prometidas.

6. Começou ontem, na igreja de S. Tiago, em Palmela, mais uma edição dos Encontros de Música Experimental. O ponto forte do cartaz deste ano vai para a actuação do norueguês Biosphere, no próximo sábado.

7. Elogia-se o primeiro, fica-se desiludido com o segundo. A Time Out Lisboa prometia muito na primeira edição. Mas o segundo número, apesar do destaque que dá à bica lisboeta, não sabe o que é um garoto ou um carioca. Um dos jurados da lista das melhores bicas de café trabalha para a Nestlé e, claro, dá a pontuação mais alta a um café da casa. O director da revista clama, num exagerado exercício de provincianismo com toques "fashion", pela chegada a Lisboa da desprezível cadeia de cafés da Star****. Não fosse as restantes páginas e seria motivo para dizer "do oitenta para o oito".

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Abertura total, de novo #2

(Continuação da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen".)

Q2. Levaram cerca de 200 dias a gravar este disco. Não é muito tempo?

ALEX HACKE: Até foi muito rápido, tendo em conta que antes de começarmos estes projectos exclusivos para os "supporters", os Neubauten produziam discos em períodos que nunca eram inferiores a dois anos, em média. Ao longo destes duzentos dias, gravámos, na verdade, dez álbuns. Este de que estamos a falar, oito edições da série "Musterhaus" e quinze das chamadas "Jewels", que serão editadas em CD no próximo ano.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Porque será que gostamos dos músicos?

Porque será que gostamos dos músicos? Qual será o poder de uma canção? Talvez provenha da própria estranheza do facto de haver música na Terra. A nota, a escala, o acorde; melodias, harmonias, arranjos; sinfonias, óperas chinesas, jazz, blues: que tais coisas existam, que os homens tenham descoberto os intervalos mágicos que dominam a pequena quantidade de notas que uma mão pode abarcar e com a qual podem construir verdadeiras catredais de som, é um mistério de alquimia, tal como a matemática ou o vinho ou o amor. Talvez tenhamos aprendido com as aves. E talvez não. Talvez nós sejamos criaturas que buscam uma elevação que não temos. As nossas vidas não são o que merecemos, são em muitos casos dolorosamente deficientes. A música transforma-as em qualquer coisa diferente. Mostra-nos o que nós próprios poderíamos ser, se fôssemos dignos desse mundo.
in "O Chão que Ela Pisa / The Ground Beneath Her Feet", Salman Rushdie

Hoje à noite, na Zê



PSYCHIC ILLS "Another Day Another Night" (videoclip)

Já passaram ontem pelo Porto e hoje é a vez do aquário da ZDB, onde estarão também os "nossos" Caveira. Alguém pediu My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, Spacemen 3, Spiritualized? A partir das 23h, com entradas a €8 para não-sócios.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Abertura total, de novo #1

"Alles Wieder Offen", que é como quem diz "tudo aberto, de novo", é o título do mais recente álbum dos alemães Einstürzende Neubauten, que deverá chegar às lojas a 19 de Outubro. Nos três anos que o separam de "Perpetuum Mobile", muito aconteceu na história do grupo. Mais de dez discos foram lançados exclusivamente para o clube restrito dos "supporters" que têm contribuído financeiramente para a independência do grupo da tradicional indústria discográfica. O disco de regresso, por assim dizer, ao grande público, é mais um sinal da independência adquirida pelos Neubauten: o selo é da Potomak, editora constituída pelos próprios. É um belíssimo disco. E a digressão vem a seguir. Preparem-se.

Ao longo dos próximos dias, deixarei as respostas de Alexander Hacke, um dos Neubauten, às perguntas que lhe fiz.



Q1. Este disco parece dar um passo em frente no processo de maturação dos Einstürzende Neubauten, tal como se tem visto desde "Silence is Sexy" ou, indo mais longe, desde "Tabula Rasa". É um disco Einstürzende Neubauten, não haja dúvida, mas parece ter mais instrumentos convencionais, a voz do Blixa soa ainda mais suave e todos os arranjos parecem estar perfeitos. Faz isto algum sentido para si? Discutiram isto no processo de composição, gravação e mistura do disco?

ALEX HACKE: Estou contente por saber que existe alguma espécie aparente e reconhecível de progresso. Nós apenas trabalhamos com todas as ferramentas disponíveis para criar a música que entendemos. Desta vez, não aplicámos nenhuma forma conceptual como no "Perpetuum Mobile", onde o tema era o ar, a perspectiva dos pássaros, viagens e assim. Apenas tentámos fazer a música que gostamos de ouvir. O resultado é um álbum muito pessoal, que leva em linha de conta e acarinha a nossa história enquanto um grupo de indivíduos que passaram a maior parte das suas vidas juntos.

Acorda Lisboa!

Numa época em que tanto acontece ao mesmo tempo como aquela em que vivemos, faz falta algo que nos sirva de guia. Se uns começavam a andar desorientados, outros até são capazes de ignorar, ora por desconhecimento genuíno, ora por comodismo, que uma cidade como Lisboa tem dezenas de concertos, exposições ou peças de teatro a acontecerem todos os dias, ou que há recantos escondidos onde se pode provar o pão-de-ló japonês ou comprar objectos de outros tempos, por exemplo. É preciso um guia. É certo que alguns jornais e revistas têm vindo a procurar cumprir esse papel, de forma mais ou menos fragmentada. E que há outros projectos interessantes, como o LeCool, que têm ajudado os indies lisboetas nas suas saídas. Mas hoje apareceu nas bancas aquilo que realmente era preciso. Uma revista que é uma agenda do princípio ao fim, uma Time Out dedicada a Lisboa.
Tem lá de quase tudo o que é preciso saber para pôr o pé na rua. O que ver, o que ouvir, o que sentir. Ora conduz o leitor para um conjunto de opções recomendadas, ora lhe dá a liberdade para escolher o que fazer entre listagens imensas de acontecimentos. E não se limita às habituais agendas culturais, dando também conta, semanalmente, de pequenas coisas que por vezes não conhecemos e que estão aqui mesmo ao lado, como acontece neste número com as "101 razões para adorar esta cidade". Oxalá os próximos números consigam manter o nível deste arranque. Só fica mesmo a faltar a versão inglesa, para que o cada vez maior número de turistas que nos visita saiba também o que pode encontrar por esta cidade fora.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O tributo aos Mão Morta

E SE DEPOIS...

01. Dead Combo – Aum
02. WrayGunn – E se depois
03. CineMuerte – Chabala
04. Dr.Frankenstein – Anjos Marotos/Marraquexe (Pç. das Moscas Mortas)
05. The Temple – Budapeste (Sempre a Rock & Rollar)
06. Bunnyranch – As tetas da alienação
07. Balla – Oub’lá
08. Volstad – É um jogo
09. Houdini Blues – Charles Manson
10. [f.e.v.e.r.] – Vamos fugir
11. D’Evil Leech Project – Cão da Morte
12. The Ultimate Architects – Bófia
13. Acromaníacos – Revi a malvada prima
14. Demon Dagger – Anarquista Duval
15. Mécanosphère – Istambul (um grito)
16. TwentyInchBurial – Em directo (para a teelvisão)

Se não chegou ainda, deve estar prestes a aparecer nos escaparates das lojas. Já está disponível no site da editora.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Atlantic Waves 2007

A secção londrina da Fundação Calouste Gulbenkian prepara-se para levar a cabo mais uma edição do Atlantic Waves, que uma vez mais colocará um alargado naipe de artistas da lusofonia e não só em diversos palcos da capital inglesa. Este ano, o festival desenrola-se entre 1 e 11 de Novembro e o cartaz divide-se por diferentes áreas temáticas. Assim, e com maior destaque, o Queen Elizabeth Hall vai receber a noite das fadistas logo ao primeiro dia, com a presença de Beatriz da Conceição, Maria da Fé, Mafalda Arnauth, Aldina Duarte, Joana Amendoeira e Raquel Tavares. No segundo dia, é a vez dos homens à guitarra, na igreja St. Giles Cripplegate: António Chaínho, Custódio Castelo e Ricardo Parreira. Na discoteca Cargo, tocam a dia 6 os Mau Mau, Mixhell e Stereo Addiction. No dia 7, no mesmo local, ocorre a noite mais virada para o techno, com Anderson Noise, Zentex e Pixel 82. No dia 8, ainda no Cargo, os modernos sons de bairro, com DJ Marlboro, Frederick Galliano Kuduro Soundsystem, Macacos do Chinês e a exibição do documentário "Lusophony, the (R)Evolution". Os três últimos dias do festival, patrocinados pela revista The Wire, decorrem no Institute of Contemporary Arts, e são especialmente dedicados a três editoras portuguesas, a Grain of Sound, a Cronica e a Sirr, que ali levarão um conjunto alargado de artistas.
Para mais informações, é favor visitar o site oficial do Atlantic Waves.