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sábado, 4 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 31 ao 40


31. ORCHESTRA BAOBAB (Senegal)
Castelo, 24/jul/2008::vídeo::
"Antecipei muito, mas mesmo muito este espectáculo, ao ponto de recear que o excesso de expectativa contra-atacasse na altura. Mas acabei por não conseguir parar de dançar do início ao fim, de sorriso idiota estampado na cara."

32. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA (Mali)
Centro de Artes, 17/jul/2008::vídeo::
"Não foi preciso muito para que toda a gente presente no pequeno auditório de Sines ficasse rendida ao blues dançante proporcionado pelas ngoni (guitarra maliana) do grupo de Bassekou Kouyaté, que já tinha dado um excelente concerto no África Festival, em Belém, no ano anterior."

33. CARLOS BICA TRIO AZUL C/DJ ILL VIBE (Portugal / Alemanha / EUA)
Castelo, 26/jul/2007::vídeo::
"Chamei na altura à actuação do trio Azul com o convidado Ill Vibe "festival de fronteiras abertas". O conservadorismo é palavra que nunca fez parte do dicionário de Carlos Bica, Frank Möbus e Jim Black, músicos de outro mundo que se encaixaram de forma perfeita com um DJ para fazer coisas bonitas, como diria o Artur Jorge, em palco."

34. N'DIALE - JACKY MOLARD QUARTET & FOUNÉ DIARRA TRIO (Bretanha / Mali)
Castelo, 29/jul/2010::vídeo::
"Quem imaginaria que a música de tradição europeia a que o bretão Jacky Molard se tem dedicado ao longo da carreira, e que já apresentou por duas outras ocasiões em Sines, casaria tão bem com a música do trio maliano de Founé Diarra? Quem é que é capaz de dizer, sem mais nem menos, que um prato de peixe e de carne, em simultâneo, se pode tornar uma maravilha da gastronomia? A este respeito, aliás, o António Pires dizia que 'o gajo que inventou a carne de porco à alentejana deve ter tido uma experiência semelhante'. E como é que dançamos isto? Com as pernas para a frente ou com o rabo espetado para trás? Estas eram as interrogações iniciais de muitos, certamente, mas não foram mesmo mais do que isso mesmo: iniciais. Rapidamente, todos atirámos os axiomas etnomusicológicos para trás das costas e abraçámos calorosamente aquela que foi uma das experiências mais incríveis de sempre no palco do castelo."

35. GAITEIROS DE LISBOA (Portugal)
Castelo, 26/jul/2013::vídeo::

36. RACHID TAHA (Argélia)
Castelo, 27/jul/2007::vídeo::
"Receava-se que, à semelhança do que se viu há pouco tempo no youtube, a propósito de um concerto realizado algures na Europa, Rachid Taha se entornasse mais do que devia e ainda viesse a cair rotundo no palco. No backstage, na primeira vez que o vi, eu quase receei que ele caísse para cima das saladas do buffet. Ai, ai. Mais tarde, encontrei o tour manager que me deu um abraço forte como se dele fosse um amigo de há longuíssima data. Ai, ai. Mas a grande verdade é que, depois, o concerto acabou por ser realmente aquilo por que se ansiava. Hora e meia de material ao qual o corpo não consegue resistir, com incursões por "Barra Barra", "Ecoute-Moi Camarade", "Rock El Casbah" e outros temas obrigatórios. No final, na parte dos agradecimentos, percebeu-se ainda que toda a banda estava quase tão entornada como Rachid Taha."

37. FAIZ ALI FAIZ (Paquistão)
Castelo, 25/jul/2008::vídeo::
"No qawwali, música religiosa dos sufistas paquistaneses trazida ao resto do mundo pela voz de Nusrat Fateh Ali Khan, não é de todo necessário entender-se as palavras com que aqueles homens sentados no chão pretendem levar a comunidade de ouvintes ao wajd, ao estado de êxtase, ao contacto com Alá. Verborreia religiosa à parte, se Alá é aquilo a que a cerimónia de Faiz Ali Faiz desencantou, eu quero ser islamista (e, não vale a pena irem por esse caminho que estão a pensar: ao contrário de outras, aquela noite até foi serena nisso)."

38. YASMIN LEVY (Israel)
Castelo, 29/jul/2010::vídeo::
"Em 2009, o FMM ofereceu-nos Mor Karbasi. Em 2010, tivemos direito a Yasmin Levy, uma voz para a qual faltam adjectivos na língua portuguesa, uma actuação de fazer mexer com todos os sentidos."

39. VISHWA MOHAN BHATT & THE DIVANA ENSEMBLE (Índia)
Castelo, 28/jul/2011::vídeo (CONCERTO COMPLETO!)::
"Qualquer que seja a origem, qualquer que seja o credo, qualquer que seja a raça, há todo um mundo unido pela música das sete notas... Disse-o, mais ou menos assim, o mestre Vishwa Mohan Bhatt algures a meio da interpretação irrepreensível da sua slide guitar modificada com cordas simpáticas, ao jeito de instrumentos indianos como a sitar. Como se não bastasse o virtuosismo do mestre, o grupo de músicos ciganos do Rajastão que o acompanhava deu mais uma lição sobre a diáspora da música, de como o canto do flamenco não é assim tão diferente destes antigos músicos dos rajás. Até uma espécie de prima das castanholas mediterrânicas estava lá para ajudar à festa. Fica para a memória de momentos singulares deste festival -- eu estou quase a chamar-lhe-ia epifanias -- aquele em que o mestre fazia ditados rítmicos cada vez mais rápidos para os seus companheiros de palco..."

40. JACKY MOLLARD ACOUSTIC QUARTET (Bretanha)
Castelo, 24/jul/2007::vídeo::
"Foi, para mim, o primeiro grande estrondo do FMM deste ano. É certo que, em Porto Covo, os Etran Finatawa e o Darko Rundek já tinham rendido bastante, mas na segunda-feira, no Centro de Artes de Sines, o Acoustic Quartet do bretão Jacky Mollard produziu a primeira das grandes maravilhas ao vivo do festival. A canção irlandesa tem andado um pouco arredada dos festivais de música do mundo, se exceptuarmos naturalmente os intercélticos que se vão realizando pelo Norte do país. Quando se encontra um "fiddler" como o Jacky Mollard (parecido com o Fausto como qualquer outro bretão) é motivo de grande regozijo. Já para não falar do encontro de novo com ele na companhia do seu acordeonista na esplanada do bar do Salão Musical, para uma jam até às tantas da manhã..."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os melhores concertos de 2011

Antes que, por qualquer distração, o ano de 2011 chegue ao fim, e abrindo aqui uma brecha neste desconfortável silêncio imposto pela falta de tempo de aqui vir arejar o tasco amarelo, eis o alinhamento dos meus 50 concertos prediletos deste ano. Como sempre, muita coisa ficou por ver e ouvir. Bom 2012 para quem quiser, mesmo que não possa, continuar a frequentar as salas de concertos por esse país fora (e arredores).



1. Congotronics vs. Rockers @ FMM (23/7)
2. Swans @ Aula Magna (9/4)
3. Black Dice @ ATP Minehead (13/5)
4. Mário Lúcio @ FMM (30/7)
5. Mercedes Peón @ FMM (27/7)
6. Gang Gang Dance @ ATP Minehead (15/5)
7. The Brothers Unconnected @ ATP Minehead (14/5)
8. L'Enfance Rouge @ Musicbox (5/2)
9. Beach House @ ATP Minehead (14/5)
10. Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble @ FMM (28/7)
11. Mercedes Peón @ Alcochete, Forum Cultural (8/10)
12. Oneida @ Barreiro, Ferroviários (8/10)
13. Ayarkhaan @ FMM (29/7)
14. Prince Rama @ ATP Minehead (15/5)
15. Le Trio Joubran @ FMM (22/7)
16. Chain and the Gang @ Musicbox (28/4)
17. Six Organs Of Admittance @ Maria Matos (10/9)
18. Eric Copeland @ ATP Minehead (14/5)
19. Om @ ZDB (30/1)
20. Tony Conrad @ ATP Minehead (15/5)
21. Prince Rama @ Lounge (8/6)
22. Pop Dell'Arte @ Musicbox (9/6)
23. Spectrum @ ATP Minehead (14/5)
24. Mão Morta @ T** Ao Vivo (1/10)
25. L'Enfance Rouge @ Lounge (29/10)
26. Akron/Family @ ZDB (19/11)
27. Orquestra Todos @ Intendente (11/9)
28. Max Richter @ Maria Matos (5/11)
29. Group Doueh @ ATP Minehead (15/5)
30. The Entrance Band @ ATP Minehead (15/5)
31. António Zambujo @ FMM (22/7)
32. Berrogüetto @ FMM (23/7)
33. Owiny Sigoma Band @ Musicbox (29/10)
34. Bombino @ Ccb (7/8)
35. Soldiers Of Fortune @ ATP Minehead (13/5)
36. Shangaan Electro @ Gulbenkian (3/7)
37. Secret Chiefs 3 @ FMM (22/7)
38. Nisennenmondai @ ZDB (7/12)
39. Damo Suzuki Network c/Sunflare @ Barreiro, Ferroviários (8/10)
40. De Tangos y Jaleos @ FMM (24/7)
41. Actress @ ATP Minehead (13/5)
42. Murcof & AntiVJ @ Maria Matos (21/12)
43. Meat Puppets @ ATP Minehead (14/5)
44. Graveola E O Lixo Polofônico @ FMM (28/7)
45. Khaira Arby and Band @ ATP Minehead (15/5)
46. Terry Riley & Gian Riley @ ATP Minehead (13/5)
47. Animal Collective @ ATP Minehead (15/5)
48. U.S.S. w/Steve Mackay & Mike Watt @ ZDB (6/7)
49. Lobster @ ZDB (7/12)
50. Gala Drop @ ZDB (4/7)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

FMM Sinergia 2011

Prestes que está a terminar a ressaca de Sines e com o distanciamento adequado para recordar e resumir para palavras esta magnífica semana e meia de concertos e de férias com os amigos, eis um apanhado rápido dos meus momentos prediletos do FMM 2011:

1. CONGOTRONICS vs. ROCKERS (Congo-Kinshasa/Ocidente)



Se o "vs." que aparece tanto no título deste espetáculo como no do disco que lhe deu origem aponta para uma batalha entre forças aparentemente opostas, podemos começar por dizer que no disco, saíram vencedores os rockers ocidentais. Podem vir dizer que fizeram batota, porque pegaram no trabalho já feito pelos congoleses e adaptaram-no às suas intenções, aos seus pontos de vista. Mas é um grande disco. Continuando a olhar para o "vs.", os vencedores no palco já são claramente os congoleses. Juana Molina e os Deerhoof, principalmente a sua vocalista Satomi Matsuzaki, não se dão mal, ainda que na maior parte das vezes tenham os seus instrumentos com o som enfiado para baixo do tapete sónico construído pelas likembes eletrificadas (aquela espécie de pianos de mão ligados à distorção) e pela percussão dos africanos.
Todas estes considerandos sobre os vencedores da batalha interessam apenas para explicar uma diferença grande que opõe disco a espetáculo. Há outra ainda: no disco, são muitos mais os artistas envolvidos, principalmente entre os ocidentais. No palco, ainda que ali estejam 19 músicos (o 20º encontra-se hospitalizado), o som acaba por ser mais homogéneo, mais coerente, em duas horas de dança obrigatória. Fez recordar, em grande medida, o concerto dos Konono nº 1 no Jardim Botânico de Lisboa, mais até do que outro que há mais tempo deram junto à praia de Sines, também no FMM, ou, ainda no festival, aqueloutro dos seus atuais parceiros de estrada, os Kasaï All Stars. Intenso, esgotante. Talvez o melhor concerto que alguma vez o FMM acolheu.
Soube-se, em Sines, que anda a ser gravado um DVD com material resultante destes espetáculos. Vicent Kenis, o ex-Honeymoon Killers que descobriu para a Crammed e para o mundo estes músicos das ruas de Kinshassa e que com eles tem subido ao palco nesta espécie de união entre mundos diferentes, tão cara a um sítio como o Castelo de Sines, onde viveu Vasco da Gama, planeia ainda entrar com esta formação do espetáculo em estúdio, e daí produzir novo disco, mas talvez não venha a haver agenda para tal.

2. MÁRIO LÚCIO (Cabo Verde)



É engraçado saber -- foi o próprio que o disse -- que Mário Lúcio, na véspera do concerto, vestiu a pele de ministro da cultura de Cabo Verde, para discutir o "Estado da Nação" no parlamento do seu país. Um dia, o estado da sua nação. No outro, o mundo todo (mais palavras saídas da sua boca) que se aglomerava em Sines a dançar à sua música. Tivemos em palco alguém que sabe muito bem o que faz. São muitos anos de estrada, de como saber encher um palco, de como saber pôr um público em delírio. E o que temos ali não é apenas o que se pode ouvir nos discos. Há um artista e um grupo que o acompanha que se transformam, que vão além de Cabo Verde, que celebram a África sub-sariana em todo o seu esplendor. A ele ficam-lhe bem estas palavras, ditas perto do final: "Sines devia mudar de nome, para... Sinergia."
Devia ter sido o Mário Lúcio a festejar o fim dos concertos no castelo com o tradicional fogo-de-artifício.

3. MERCEDES PEÓN (Galiza)



Mercedes é a mulher mais musical, mais bonita, mais corajosa, mais desconcertante, mais arrepiante e mais comovente que pisou o palco do castelo nos últimos anos. Arrepia-nos a pele dos braços quando leva a sua voz para planos a que não estamos habituados, mareja-nos os olhos quando fala como fala das tradições em que pega para "desarranxar" ou da política que abraça com coragem. Foi a única artista a solo nesta edição do FMM, mas é de uma dimensão mais do que suficiente para encher todo o palco.

4. VISHWA MOHAN BHATT & THE DIVANA ENSEMBLE "DESERT SLIDE" (Índia)



Qualquer que seja a origem, qualquer que seja o credo, qualquer que seja a raça, há todo um mundo unido pela música das sete notas... Disse-o, mais ou menos assim, o mestre Vishwa Mohan Bhatt algures a meio da interpretação irrepreensível da sua slide guitar modificada com cordas simpáticas, ao jeito de instrumentos indianos como a sitar. Como se não bastasse o virtuosismo do mestre, o grupo de músicos ciganos do Rajastão que o acompanhava deu mais uma lição sobre a diáspora da música, de como o canto do flamenco não é assim tão diferente destes antigos músicos dos rajás. Até uma espécie de prima das castanholas mediterrânicas estava lá para ajudar à festa. Fica para a memória de momentos singulares deste festival -- eu estou quase a chamar-lhe-ia epifanias -- aquele em que o mestre fazia ditados rítmicos cada vez mais rápidos para os seus companheiros de palco...

5. LE TRIO JOUBRAN (Palestina)



Como dizia antes do festival, ouvir um alaúde bem tocado já é inebriante. Ora, torna-se difícil dizer o que é ouvir três tipos a fazerem-no ao mesmo tempo e, ainda por cima, a manterem diálogos vertiginosos e frequentemente improvisados, talvez possíveis apenas a quem cresceu junto, como estes irmãos Joubran.

6. BERROGÜETTO (Galiza)



Festival de world music sem um grupo da Galiza não é um festival de world music. Ainda que este FMM não seja, e ainda bem, o típico festival de world music. Os Berrogüetto são, ainda hoje, e com as mudanças de formação ocorridas, uma das propostas mais interessantes. Conservadores em disco e em palco, é certo, mas com todos os ingredientes habituais que tornam a música tradicional da Galiza tão apaixonante.

7. SECRET CHIEFS 3 (EUA)



Quem pensar que Trey Spruance é um monstro intratável, bem pode tirar daí a ideia. Nos bastidores, abundava não só em simpatia e humildade, como em curiosidade pelo que havia sido estas 13 edições de festival. Sentiu-se até "estúpido" por tocar a seguir ao Trio Joubran, como se pode ouvir no vídeo, na "flash interview" dada ao Mário Dias. Em formato de quinteto, surpreendeu muita gente que não esperava a música pesada dos SC3 no festival. E poderia ter sido um espetáculo ainda melhor, não fosse o longo tempo que perdia entre cada tema, a afinar a guitarra, por exemplo, e que fazia arrefecer o público, já por si apanhado nas noites frias do primeiro fim de semana do FMM.

8. ANTÓNIO ZAMBUJO (Portugal)



Na abertura do festival, não se podia exigir mais. De repente, havia um sorriso estampado na cara de todos. E o António Zambujo é o culpado. Ali temos, sem tiques de copista e sem que aqui se leia uma colagem-excessiva-de-que-os-artistas-portugueses-nunca-gostam, o nosso Chico Buarque, título pronto a ser degladiado com o também legítimo proprietário do título, ainda que menos versátil que o Zambujo, JP Simões.

9. DE TANGOS Y JALEOS (Espanha)



Quando El Peregrino, o senhor que aparentava 70 ou mais anos de idade, se levantava para dançar, o público explodia de alegria.

10. EBO TAYLOR & AFROBEAT ACADEMY (Gana)



Por pouca paciência que haja já para tanto afrobeat, o estilo funciona quase sempre bem no palco do castelo. E com Ebo Taylor, um dos nomes grandes do highlife ganês, a festa foi enorme, a dança foi irresistível do princípio ao fim.