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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #21-25

21. LCD SOUNDSYSTEM @ SBSR
4 de Julho de 2007
Lá mais abaixo, na posição 36, e a respeito dos Death in Vegas, falava daquela história típica que se passa quando vamos ver o projecto (que imaginamos como sendo apenas) de estúdio e ficamos boquiabertos como a coisa rocka forte e feio ao vivo, com banda completa e tudo. Foi também o caso dos LCD Soundsystem, que só vi, infelizmente, nesta ocasião. Escrevi, de forma muito breve, na altura: "Com a secção rítmica a dar o toque da festa, James Murphy e amigos não precisaram de muito mais para produzirem o grande (e único) estrondo da noite. Tremendo."

22. PIXIES @ SBSR
11 de Junho de 2004
Faço parte do grupo dos que não conseguiram ver Pixies na primeira ocasião que visitaram Lisboa, em 1991. 13 anos depois, faria ainda sentido? Fez, claro. As composições, todas elas peças permanentes da galeria da pop independente, continuam lá. Frank Black, Joey Santiago, Kim Deal e David Lovering podiam estar a precisar de dinheiro, podiam não ter vergonha na cara ao exporem-se perante tanta gente na primeira queca pós-divórcio, mas continuam a ser as melhores pessoas para trazerem a palco tão rico espólio. Escrevi, então, com todo o entusiasmo de quem via uma das suas bandas preferidas da adolescência: "A loucura instalou-se rapidamente. Assim que começou a soar a linha de baixo de 'Bone Machine', foi furar, furar, furar, furar, furar, até, ufff., chegar à frente, onde toda a gente pulava, dançava, 'slamava', enfim... a maior das alegrias por ver e ouvir de perto o quarteto fantástico. Por duas ou três vezes, os ténis iam ficando pelo caminho, os óculos saltando, as forças faltando, mas... cada momento era celebrado como se nada mais fosse importante. Cada tema tocado servia de motivo a enormes explosões de alegria, de gozo pela experiência ali sentida. 'Where is My Mind', 'Hey', 'Caribou', 'In Heaven (Lady in the Radiator Song)' ou 'Monkey Gone to Heaven' foram momentos mágicos. 'I Bleed', 'Something Against You' (quase inaudível para quem estava lá mais à frente), 'Isla de Encanta' ou 'Vamos' foram absolutamente trepidantes. Mas houve muito mais. Nunca mais esquecerei o final, perfeitamente diabólico, com 'Tame'..."

23. JOHN ZORN'S ELECTRIC MASADA @ AULA MAGNA
25 de Abril de 2004
John Zorn, Marc Ribot, Cyro Baptista, Joey Baron, Ikue Mori, Kenny Wollesen, Trevor Dunn e Jamie Saft. Os dedos quase tremem ao escreverem estes nomes. Se, individualmente, são colossos, quando se juntam, então, fazem estragos imensuráveis e inimagináveis. O meu amigo João Gonçalves falou assim do espectáculo, na altura: "John Zorn funciona como um maestro da orquestra do caos sonoro, consegue arrancar sequências devastadoras, tudo com simples gestos que todos os músicos entendem. E depois faz, com só uma palavra, com que o público se indentifique com tudo aquilo: 'Revolution!', gritou Zorn para a plateia da Aula Magna, em pleno dia 25 de Abril. A Electric Masada mostra que está ali a fazer tudo menos maçar o público. Há uma alegria no palco que transborda para a plateia. A experiência, musicalmente falando, é inesquecível e a vontade que dá de ficar a ouvir aquelas composições sonoras a noite toda... Há alturas em que Zorn parece Mourinho a dar indicações para o relvado, ao mesmo tempo que a sua equipa interpreta as instruções na perfeição para obter o êxito. Neste quadro, Ribot toma o lugar de sábio adjunto.
Um concerto 10/10."

24. ZU @ ZDB
20 de Fevereiro de 2004
A primeira actuação dos italianos Zu na ZDB (a segunda foi este ano), foi inesquecível. Escrevi, na altura: "Ainda apenas vamos em Fevereiro e 2004 já conheceu uma série de óptimos concertos. A actuação de ontem dos Zu, um trio de free-hardcore-jazz italiano composto por Massimo Pupillo (baixo), Jacopo Battaglia (bateria) e Luca Tommaso Mai (saxofone alto e barítono), na Galeria Zé dos Bois, foi mais uma dessas ocasiões. Pense-se em Painkiller, pense-se em Shellac (não é estranho que os Zu estejam envolvidos com gente de Chicago, como o próprio Steve Albini), pense-se em Nomeansno, pense-se numa secção rítmica tremendamente forte e irrepreensivelmente sincronizada, pense-se numa postura sempre dirigida por uma excelente disposição (o descambanço no final em 'Beat on the Brat', dos Ramones, é apenas uma pequena ilustração disto), e talvez se consiga imaginar um pouco do que foi o concerto de ontem."

25. PJ HARVEY @ TEATRO RIVOLI
30 de Outubro de 2000
As obras na praça D. João I, onde fica o Rivoli, faziam com que o local parecesse um qualquer cenário de guerra trazido pelas televisões. A ajudar ao ambiente de caos, largas centenas de pessoas tentavam arranjar forma de entrar para uma sala que já se encontrava com lotação esgotada. O mau tempo tinha transferido para aquela sala, à última da hora, um concerto que estava prometido para a rua de Santa Catarina, na inauguração da segunda loja no Grande Porto de uma conhecida cadeia francesa de retalhistas de plasmas, portáteis, livros e discos. Mas a maior responsável por tanto desejo, ora satisfeito, ora frustrado, era Polly Jean Harvey, que ali aparecia pela primeira vez em Portugal num palco só para si. Já tinha havido a actuação no Sudoeste de 98, já tinha havido a hipótese frustrada, por doença, do Coliseu dos Recreios, com Howe Gelb. Saiu a sorte grande a quem conseguiu entrar no Rivoli.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

ZU de volta!

Deram um dos concertos mais estrondosos de sempre no aquário da ZDB, há coisa de cinco anos, para um público composto por não mais do que três dezenas de tipos cheios de sorte. De lá para cá, vieram gravando mais discos, o último dos quais pela Ipecac de Michael Patton, com o qual aliás colaboraram, com o qual partilharam palcos. Por aqui, por várias vezes se pediu o regresso. E ele vai acontecer: os italianos Zu estão de volta à ZDB no dia 3 de Novembro, uma terça-feira. Vai também haver uma data no Porto, pelas mãos da Amplificasom.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Pedidos para o 09, nº1

ZU
myspace.com/zuband

Duas letrinhas, três músicos italianos. Bateria, baixo e sax barítono. Algo a meio caminho entre os NoMeansNo e os Lightning Bolt. Têm que vir a uma sala portuguesa este ano, ...
...porque são tremendos ao vivo (e já o demonstraram na ZDB, para meia dúzia de pessoas),
...porque têm álbum novo que é de fazer subir às paredes,
...porque sim.
(e se, pelo caminho, trouxessem o Dälek ou o Mike Patton, não seria nada mau.)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Zu cancelados!

Seria hoje, em pleno dia de Itália-Portugal em futebol, que os italianos Zu voltariam à ZDB, para um concerto aguardado com expectativa, depois do turbilhão sonoro que foi a presença do trio naquele mesmo espaço há cerca de três anos. Mas, afinal, já não vai ser. A digressão europeia foi cancelada ou, dizendo de outra forma, foi substituída por uma nova, a acontecer em Março, onde os italianos serão acompanhados por... Mike Patton. E, não, não parece que vá passar por cá. Seja como for, nunca se diga nunca. E se não for com o Patton, que sejam só eles, tal como prometeram para hoje. Já seria fantástico.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Concertos na zê

Tem piada que há dias, enquanto escutava os dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, pensei nos Zu, um trio italiano que passou pela ZDB há quase três anos e que deixou as melhores recordações nas poucas duas ou três dezenas de pessoas que estiveram no aquário nessa noite. O saxofone baixo de Luca Tommasi fazia tremer o chão, o baixo de Massimo Pupillo fazia temer pela segurança da ZDB, a bateria de Jacopo Battaglia fazia pensar que estávamos num comboio desgovernado a alta velocidade. Foi inesquecível e a experiência talvez se volte a repetir, pois os Zu vão voltar ao aquário, num concerto promovido em conjunto com a Filho Único. É já no próximo dia 6 de Fevereiro! E há mais novidades para a ZDB, que parece estar a preparar-se para um 2008 a fazer lembrar o período intenso de 2004 a 2006:

Sábado // 02 de Fevereiro às 23h00
Red Trio (PT)
Carlos Pereira - Epiphany (PT)

Segunda // 04 de Fevereiro às 23h00
Bro-x (PT)
Andy Punch / DJ set (PT)

Quarta-feira // 06 de Fevereiro às 23h00
Zu (IT), Tropa Macaca (PT)

Sábado // 09 de Fevereiro às 22h00
André Cabaço (MZ/PT)

Quinta-feira // 14 de Fevereiro às 23h00
Steffen Basho Junghans (DE)
David Daniell (US) & David Maranha (PT)

Sexta-feira // 15 de Fevereiro às 23h00
Lydia Lunch (US)
Flanela de Tal (PT)

Sábado // 16 de Fevereiro às 23h00
Golden Jooklo Age (IT)
Manuel Mota (PT)

domingo, 2 de janeiro de 2005

O balanço do Juramento #6

OS MELHORES CONCERTOS (TOP TEN)

1. 30 jul - TOM ZÉ @ sines, castelo
2. 19 jun - DAMO SUZUKI NETWORK @ zdb
3. 5 fev - MOGWAI @ paradise garage
4. 11 jun - PIXIES @ superrock
5. 25 abr - JOHN ZORN'S ELECTRIC MASADA @ aula magna
6. 20 fev - ZU @ zdb
7. 29 jul - WARSAW VILLAGE BAND @ sines, castelo
8. 10 set - CURRENT 93 @ teatro ibérico
9. 27 mai - DAT POLITICS @ zdb
10. 31 jul - SEPTETO ROBERTO JUAN RODRIGUEZ @ sines, castelo

segunda-feira, 21 de junho de 2004

A rede

"Provavelmente, só deixarei isto quando for para debaixo da terra." Era assim que o Damo Suzuki respondia neste sábado a uma de muitas questões que lhe fiz: "por quanto tempo mais vais continuar com a never ending tour?" Aos 54 anos, Damo, o mítico vocalista dos Can era 70-74, é um poço imenso de vitalidade. Quem o escuta inunda-se de fascínio. Nas coisas mais simples, como a comemoração da vitória da República Checa, depois da sua Alemanha ter empatado, ou o mal menor do molho de manteiga no robalo ("vocês, com peixe tão bom e tão fresco, deviam comê-lo o mais natural possível") a teses mais profundas, como o cancro que ultrapassou, o que lhe trouxe "uma nova vida" e um regresso à música, 11 anos de ausência depois, ou aquilo que o leva, desde os dezasseis anos, a girar constantemente à volta do mundo, ou ainda todo um conjunto de noções simbólicas e filosóficas que sustentam o conceito do "instant composing".

O que é o "instant composing"? Numa palavra, improvisação. Damo raramente conhece os músicos com quem toca nos locais por onde passa a digressão -- a "never ending tour" -- do Damo Suzuki Network. No sábado, por exemplo, só conhecia o baixista italiano Massimo Pupillo, dos Zu, porque com ele havia tocado nos dias anteriores, em Vigo e no Porto. Do resto da formação do concerto na ZDB, os portugueses Marco Franco (bateria) e Nuno Rebelo (guitarra) eram os únicos que estavam mais à vontade entre si. E o quinto elemento, um americano de origem francesa que tocou flauta transversal e clarinete baixo, é a ilustração perfeita do conceito de "instant composing": a cerca de meia-hora do início do concerto, Damo, eu, o Scott Nydegger e o Pilot Rouge, dos Mécanosphère, entrámos na sala vazia da ZDB, onde este indivíduo, com ar de professor, tocava flauta sozinho, para ele próprio; pouco depois, Damo dizia-nos: "vou falar com o técnico de som, gostava que este tipo tocasse connosco." O músico americano seria mais um "sound carrier" -- é assim que Damo chama a si próprio e aos músicos que o acompanham nestas aventuras.

Damo coloca muito ênfase, para explicar a forma como entende aquilo que faz, no termo "comunicação". Uma comunicação que ocorre entre um grupo de pessoas "que partilham as mesmas parcelas de espaço e de tempo". Comunicação entre os "sound carriers", entre estes e o público, entre as pessoas que compõem a plateia da ZDB. E é isso o que acontece ao longo das mais de duas horas (?) de improvisação. É, obviamente, sobre Damo que recaem os olhares do público. Dali saem frases melódicas e hipnóticas como aquelas fizeram de álbuns como "Tago Mago" ou "Future Days" obras primas eternas. Dali sai uma entrega que abala, logo desde o início, com qualquer postura mais indiferente que o espectador possa imaginar. Entre os outros "sound carriers", é Marco que se destaca, comandando a improvisação rítmica, fornecendo pistas ao resto do grupo, com a preciosa ajuda de Massimo, que contanstemente maltrata o seu instrumento, tal como mostrara em Zu, meses antes. Também o Nuno compreende de forma soberba os caminhos que a secção rítmica lhe abre e assume a autoridade suficiente para, frequentemente, lançar, ele próprio, deixas sublimes para todos os outros. O flautista americano compõe o cenário com altivez, principalmente na primeira do espectáculo, improvisando linhas livres que assentam e cristalizam sobre a torrente de lava sónica que do palco corre. Improv meets rock meets free jazz meets metal meets Damo.

Perto do fim, o japonês mergulharia nos braços da assistência, enquanto os outros "sound carriers" se entregavam ao último, porventura o mais agressivo, dos caos sonoros que naquela sala foram fabricados. A "comunicação" tinha acontecido e, ao fim da noite, entendia-se melhor o que Damo antes explicava acerca da sua forma de ver a música. Afinal, não se tratava de meros símbolos, de meras teorias de "proggie". Era mesmo a música a assumir o seu mais ancestral desígnio, amplamente disseminado pelas civilizações desde a idade da pedra. Magnífica comunhão de espaço e tempo.
(10/10)
(entrevista com Damo Suzuki para breve, algures)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004

De onde raio é que vem o nome? #4: Zu

O trio romano que recentemente arrasou os palcos portugueses por onde passou foi buscar o seu nome à palavra alemã "zu" ("fechado"), alegadamente por ter estado fechado dois anos numa cave a ensaiar, entre 1999 e 2001, antes de aparecer com o primeiro álbum, "Bromio".
(in www.zuism.com)

sábado, 21 de fevereiro de 2004

Zu Zu Zu Zu Zu!!!


Ainda apenas vamos em Fevereiro e 2004 já conheceu uma série de óptimos concertos. A actuação de ontem dos Zu, um trio de free-hardcore-jazz italiano composto por Massimo Pupillo (baixo), Jacopo Battaglia (bateria) e Luca Tommaso Mai (saxofone alto e barítono), na Galeria Zé dos Bois, foi mais uma dessas ocasiões. Pense-se em Painkiller, pense-se em Shellac (não é estranho que os Zu estejam envolvidos com gente de Chicago, como o próprio Steve Albini), pense-se em Nomeansno, pense-se numa secção rítmica tremendamente forte e irrepreensivelmente sincronizada, pense-se numa postura sempre dirigida por uma excelente disposição (o descambanço no final em "Beat on the Brat", dos Ramones, é apenas uma pequena ilustração disto), e talvez se consiga imaginar um pouco do que foi o concerto de ontem. Ou então não, e o melhor mesmo é não perder a oportunidade de (voltar a) vê-los este domingo, no Porto, no Maus Hábitos. Façam o favor de não perder um dos melhores concertos dos últimos tempos.
(a fotografia não é do concerto de ontem; faz parte da galeria do site oficial dos Zu: www.zuism.com)