quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Um Juramento Sem Bandeira a uma voz

O atraso. Não é hábito, por aqui, falar dos atrasos dos concertos face às horas programadas. No fundo, é um hábito assumido por quase toda a gente, que, por isso mesmo, chega mais tarde às salas. Depois, perante o outro hábito comum do espectador português de se levantar e sair mal acabe o concerto, é perfeitamente natural que a sala queira fazer render o bar (de outra forma, não seria rentável apresentar o espectáculo). Tudo claro até aqui. Mas o atraso de quase duas horas e meia que ontem se verificou no concerto dos Pop Dell'Arte no Maxime ultrapassa tudo isto. Ultrapassa o limite do bom senso (a casa estava cheia há uma boa hora) e entra claramente no domínio da falta de respeito para com o cliente. Atrasos desta ordem dão vontade de não voltar a pôr os pés na mesma sala.
Ah, o concerto. Os Pop Dell'Arte são uma instituição, como dizia o Zeca, mas isso não chega. Tanto mais quando o guitarrista continua a assassinar temas como o "Ex-Sonhos Pop" (já escrevi isto nestes termos há quase dez anos, desde o regresso, passe o eufemismo, dos Pop Dell'Arte). Ainda assim, Peste e Zé Pedro Moura não deixaram cair os parentes na lama e até o baterista substituto Nuno Castêdo (ex-More República Masónica a ocupar temporariamente o lugar do Luís San-Payo) se portou de forma bastante competente. Há temas novos, muitos temas novos, alguns deles próprios desta noite de Natal, mas o público continua a querer a instituição. E há tradições que se quebram. "Juramento sem Bandeira", por exemplo, foi tocado numa versão cheia de swing e, claro, sem o Adolfo Luxúria Canibal (que ontem fez anos, a propósito).
Não foi um mau concerto, nem tão pouco medíocre, entenda-se, mas a instituição precisa de deixar de ser uma instituição e voltar a ser aquilo que fez dela uma instituição. E no Lux, este ano, esteve mais perto disso.