Mostrar mensagens com a etiqueta béla fleck. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta béla fleck. Mostrar todas as mensagens

domingo, 3 de novembro de 2019

segunda-feira, 6 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 11 ao 20


11. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA (Mali)
Castelo, 18/jul/2013::vídeo::

12. GISELA JOÃO (Portugal)
Castelo, 25/jul/2014::vídeo::
"(...) A Gisela é dona de uma voz incrível, uma das melhores desta nova geração, talvez mesmo a mais apaixonante. Mas há muito mais. O que a Gisela está a fazer pelo fado merece o agradecimento de todos nós que gostamos de música, de todos nós que temos esta relação tímida com a canção portuguesa. As biografias que o futuro lhe escreverá debruçar-se-ão, espero, sobre o meio em que cresceu – Barcelos, uma das três capitais nacionais do rock – enquanto mola determinante para a sua atitude em palco e fora dele. Talvez daí venha a Gisela iconoclasta, que entrou em cena de pernas ao léu, com um vestido branco, uma cor proibida por cartilha, para depois o trocar por um conjunto blusa-calção num chocante colorido de verão (estava demasiado vento para o vestido). Talvez daí venha a Gisela festiva e extrovertida, que contagiou toda a plateia do castelo na dança dos fados corridos e dos malhões. Talvez daí venha a Gisela com tudo de miúda e nada de diva, que improvisa momentos em palco, que não se deixa abalar e até disso tira partido quando um dos músicos se vê obrigado a abandonar por instantes o seu posto de trabalho. Artigo completo: A Gisela (ou barulho, que se vai cantar o fado)"

13. THE SKATALITES (Jamaica)
Castelo, 26/jul/2003
"(…) eis um dos melhores momentos de encerramento do historial do FMM."

14. AMADOU & MARIAM (Mali)
Castelo, 28/jul/2005

15. TRILOK GURTU BAND (Índia)
Castelo, 25/jul/2007::vídeo::

16. CORDEL DO FOGO ENCANTADO (Brasil)
Castelo, 29/jul/2006::vídeo::
"Em Sines, no ano passado, as opiniões sobre o espectáculo do Cordel do Fogo Encantado extremaram-se. Houve quem adorasse os brasileiros (eu! eu! eu!), houve quem os odiasse (cambada de autistas!). Opiniões medianas parece ser coisa que não houve."

17. MERCEDES PEÓN (Galiza)
Castelo, 27/jul/2011::vídeo::

18. OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK (Mali / EUA)
Castelo, 21/jul/2012::vídeo::
"A Oumou e o Béla. Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour."

19. SÍLVIA PÉREZ CRUZ (Espanha)
Centro de Artes, 23/jul/2013::vídeo::
"A maior revelação do cartaz para quem escreve estas linhas, um tipo que agora se sente idiota e ignorante o suficiente por não a ter conhecido mais cedo. Sílvia Pérez Cruz é dona de uma voz ao mesmo tempo doce, ternurenta, mas também forte, interventiva e absolutamente segura, que usa o castelhano, o galego, o catalão e o português para arrebatar os corações do público. Esteve acompanhada por um guitarrista de trejeitos vanguardistas, indie para os dias que correm, adepto do ruído e dos pequenos pormenores, de vistas abertas e capacidades abrangentes (não estou a descrever o Marc Ribot, mas podia). Perto do fim, houve uma versão arrepiante de "Os Gallos", também conhecida por "Gallo Rojo, Gallo Negro", uma fábula anti-franquista. Alguém que disponibilize a gravação nos sítios do costume."

20. DAKHABRAKHA (Ucrânia)
Castelo, 20/jul/2013::vídeo::
"Se calhar, já podemos esquecer os Hedningarna ou as Värttinä ou outros grupos do Norte e Leste da Europa que nos anos 80 e 90 se destacavam no circuito de então, mais estreito e talvez menos global, da chamada world music. Os ucranianos DakhaBrakha, um homem e quatro mulheres, trouxeram a Sines a riqueza das harmonias vocais femininas, ora gentis, ora estridentes, amiúde contaminadas pela energia da dança dirigida tanto ao corpo como ao cérebro, sem nunca deixarem cair uma pinga do azeite aparente nesta fusão. Para muitos dos que me rodearam ao longo destes dias, terão sido mesmo a grande bomba do festival."

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Breves memórias do FMM 2012: África e GNR

Regressado a Lisboa para uma breve escala antes de mais uma semana de férias, deixo aqui algumas das memórias a reter em mais um FMM que terminou. Talvez por desígnio do circuito de digressões dos grupos, este foi um FMM com lanças apontadas especialmente a África:

A Oumou e o Béla

Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour.



Fatoumata Diawara, a linda

Começou como Rokia Traoré, sua compatriota, no primeiro dos seus dois concertos em Sines. Calma, serena, intimista. Acabou como Rokia no segundo. Explosiva, festiva, imparável. Fatoumata Diawara, provavelmente a mulher mais bonita que alguma vez pisou o palco do castelo de Sines, foi a grande revelação deste ano.



Dhafer Youssef e o quarteto do mundo

Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM.



Masekela, o génio de palco

Já anda pelos setentas e afirma-se como músico desde os 5. Todos estes anos de digressões, discos, experiências bem sucedidas por África e pelos EUA, fizeram dele a maior lenda viva da música africana. E é ali no palco que ele o prova. Não só mantém intacta toda a sua capacidade técnica instrumental e vocal, como sabe como poucos como se dirigir a uma audiência, mesmo que seja para a “picar”.

Outros destaques

Há que guardar, uma vez mais, memória dos L’Enfance Rouge, que talvez nunca tenham tido na sua vida um palco tão grande como o do castelo de Sines e que estiveram irrepreensíveis nesta primeira apresentação do projeto com o tunisino Lofti Bouchnak, ele que se mostrou bastante divertido com a experiência de partilhar o palco com o power trio sónico e o pequeno ensemble magrebino.
Há que falar também no Bombino, que no primeiro dia do festival, levou a festa dos blues a todos os que ali estavam, num formato intenso e marcadamente hipnótico, muito diferente daquele que apresentou no ano passado, em Lisboa. O pobre do Otis Taylor, que tocou imediatamente antes, terá inventado “trance-blues”. Talvez tenha ficado envergonhado ao ouvir o trance no blues do guitarrista do Níger.
Junte-se ainda os Staff Benda Bilili, que regressaram àquele palco apenas dois anos depois, por força do cancelamento do concerto de Gurrumul. Houve festa rija, claro, ainda que pudesse ter ajudado ter havido um maior distanciamento face ao anterior concerto dos congoleses.
Mais destaques breves: Marc Ribot esteve impecável, tanto enquanto convidado dos Dead Combo, como na direção dos Cubanos Postizos. Diabo a Sete foi uma excelente revelação para este escriba (ao contrário dos Uxu “Absoluta Desilusão” Kalhus, que agora se perdem num hard rock sem qualquer tipo de piada). A nova banda do Lirinha deixa muito a desejar, mas os poemas do brasileiro continuam a ser explosivos. Os Osso Vaidoso são uma das melhores coisas a terem acontecido à música feita por cá nos últimos anos.

Pela lei e pela grei, dizem eles

A Guarda Nacional Republicana apareceu este ano com intenções de estragar a festa. Chegou mesmo a fechá-la quando irrompeu pelos bastidores do palco secundário, junto ao rochedo do Pontal, tendo alegadamente dado voz ao tradicional “acabam a bem ou acabam a mal?”. Mas este triste desfecho não foi o pior. O corpo de segurança pública que na sua insígnia carrega, sem que realmente se entenda porquê, a expressão “pela grei”, fez tudo o que esteve ao seu alcance ao longo de duas semanas para incomodar esse mesmo povo que pretendia estar ali no clima de festa que sempre foi próprio do FMM, ora com mega-operações à entrada da cidade, onde cães farejavam viaturas individuais e autocarros, ora com a barraca preta ao estilo de confessionário à porta do castelo para onde enfiavam o espetador que apresentasse “pinta” que não lhes agradasse, ora com a presença constante, em estilo de ameaça contida, nas imediações dos dois palcos. Como se nestas duas semanas se concentrassem em Sines os piores malfeitores do mundo. Triste e vergonhoso. Nestes dias que se seguem, é a vez do Boom. 1500 militares destacados para Idanha-a-Nova, dizem as notícias. Mil e quinhentos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os primeiros nomes do fêmêmê são grandes demais

Primeiro, uma pequena historieta. Andava eu, aqui há meses, pelas ruas frias de Riga, quando vejo cartazes para um espetáculo a acontecer em breve com o mítico trompetista sul-africano Hugh Masekela, sucesso nos meios do jazz norte-americano, músico de Bob Marley nos seus primeiros discos, figura incontornável do afrobeat ao lado de Fela Kuti, companheiro de estrada de Paul Simon durante a digressão de "Graceland", marido durante algum tempo da não menos mítica Miriam Makeba, etc. "Mas estes cabrões destes letões têm o Masekela por cá e nós não?", pensava eu com a inveja de habitante de país pequenino e periférico para com outro país pequenino e periférico. Pois esse desequilíbrio vai ser desfeito e a inveja vai sumir porque, aos 73 anos, virá a Portugal, para um concerto no FMM Sines. Esta é uma das duas primeiras revelações do programa do festival. Masekela toca no castelo, dia 28 de Julho, o último sábado. Seria perfeito se do alinhamento do concerto constasse o tema... "Vasco da Gama":



Mas há mais. O segundo nome anunciado para o cartaz do FMM 2012, neste caso, um par de nomes, é outra bomba. Desde há muito considerado como o melhor intérprete de banjo do mundo, o norte-americano Béla Fleck junta-se a um nome gigantesco da música africana, que já passou pelo palco do FMM: a maliana Oumou Sangaré. A colaboração conjunta resulta de um projeto que Fleck tem levado a cabo em África desde 2005 e que resultou em vários discos, um dos quais "Throw Down Your Heart, Africa Sessions Part 2", com Sangaré, que ganhou o Grammy para melhor álbum de world music no ano passado. Fleck e Sangaré tocam no castelo, no primeiro sábado, 21 de Julho. (Ah, o Fleck não vem com os seus Flecktones, pelo que ainda não será desta que teremos oportunidade de deixar cair o queixo no chão ao ver ao vivo o baixista Victor Wooten...)



O FMM Sines tem lugar, como já é habitual, nos últimos dois fins-de-semana de Julho. Mais informações aqui.