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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

10 anos, 10 livros (#10: Waging Heavy Peace: a Hippie Dream)

(Faltava este para completar a lista e encerrar o período de celebração do aniversário desta casa amarela:)



WAGING HEAVY PEACE: A HIPPIE DREAM
Neil Young
Primeira edição: Viking, 2012

A autobiografia do Neil Young não iria poder ficar de fora desta pequena lista de livros. A primeira coisa importante a realçar é que não há aqui escritores-fantasma. As palavras que aqui se percorrem -- a boa velocidade, diga-se -- saíram dos dedos do próprio músico. E saíram de uma forma que alguns acharão confusa, outros natural. Young vai avançando no livro ao sabor do momento, como se embarcássemos com ele numa das suas longas viagens de carro, com tempo suficiente para escutarmos alguns dos momentos mais marcantes da sua vida, da sua carreira ou até mesmo do que vai acontecendo no presente. Tanto podemos estar a ouvir a história de como, há muitos anos, conseguiu comprar uma carrinha funerária que serviu de viatura para transportar a sua primeira banda, como logo a seguir muda agulhas para a reunião recente com executivos da indústria musical a propósito do formato digital de música que lançará em breve, o Pono, para as histórias que envolvem o seu outro grande projeto, o carro híbrido Lincvolt, para o seu incrível conjunto de comboios miniatura da Lionel, para o amor que tem pela família, pela vida no rancho e pela coleção de carros antigos, para a mítica carrinha Pocahontas, para as histórias de drogas e outras aventuras ao longo de toda a carreira, para os filmes que realizou, as músicas que fez e que vai fazer, tudo e isto e muito mais. Como numa conversa livre, sem fronteiras de estilo, sem amarras de guião.

[Entrada no goodreads]

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

10 anos, 10 livros (#9: How Music Works)

(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)



HOW MUSIC WORKS
David Byrne
Primeira edição: McSweeney's, 2012

O título é, curiosamente, igual ao do livro do professor John Powell. A abordagem de David Byrne é diferente, não deixando porém de ser igualmente compelativa. Se Powell era o físico (e músico formado), Byrne veste os uniformes de antropólogo, de músico de sucesso, de gestor e de tipo apaixonado pela arte, mas com os pés na terra (pelo menos, um de cada vez; já é saudável). "How Music Works" é um conjunto de ensaios cuidados, aprofundados e particularmente atentos sobre a forma como diversos fatores -- as salas de concertos, a tecnologia, os contextos sociais, o negócio -- moldaram a forma como a música tem vindo a ser feita (e ouvida) ao longo da História. Obrigatório.

Do prefácio: "Others have have written insightfully about music's physyological and neurological effects; scientists have begun to peek under the hood to examine the precise mechanisms by which music works on our emotions and perceptions [parece até que Byrne faz aqui uma referência ao livro de Powell]. But that's not really my brief here; I have focused on how music might be molded before it gets to us, what determines if it get to us at all, and what factors external to the music itself can make it resonate for us".

[Entrada no goodreads]

10 anos, 10 livros (#8: How Music Works / Como Funciona a Música)

(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)



HOW MUSIC WORKS
John Powell
Primeira edição: Penguin, 2010
Edição portuguesa: Bizâncio, 2012 (trad. Luísa Venturini)

Não se assustem logo com a capa. O professor John Powell é doutorado em Física e mestre em composição musical. Daqui se antevê, desde logo, uma abordagem diferente daquela a que estamos habituados. Sem se deixar cair demasiado na tentação da opinião, Powell aborda a música pela via da ciência. Como é que os instrumentos produzem notas? Como é que as notas e as escalas surgiram, tanto a Ocidente como a Oriente? O que é o ouvido perfeito? O que é a harmonia? Porque é que a música pop tem estas características? E a música dita erudita? Todas as respostas a estas questões e muitas mais encontram-se neste magnífico livro, estruturado e redigido numa linguagem pedagógica e acompanhada de bastante humor. Obrigatório para todos os curiosos da música, avançados ou iniciados.

[Entrada no goodreads]

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

10 anos, 10 livros (#7: Just Kids)

(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)



JUST KIDS
Patti Smith
Primeira edição: Ecco, 2010

Esta não é apenas uma autobiografia. É a história das paixões e das cumplicidades criativas entre a autora, Patti Smith, e o fotógrafo Robert Mapplethorpe, o seu velho companheiro de Nova Iorque (a própria cidade e o Hotel Chelsea são outros protagonistas da obra). Chega a ser profundamente emocionante a forma como Patti Smith recorda algumas destas histórias. Por vezes, somos obrigados a fechar o livro para respirarmos, como acontece em qualquer obra grande das letras.

[Entrada no goodreads]

10 anos, 10 livros (#5: Goodbye 20th Century: A Biography of Sonic Youth; #6: Psychic Confusion: The "Sonic Youth" Story)

(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)



GOODBYE 20th CENTURY: A BIOGRAPHY OF SONIC YOUTH
David Browne
Primeira edição: Da Capo, 2008

A primeira de duas biografias dos Sonic Youth lançadas nestes últimos anos.

[Entrada no goodreads]



PSYCHIC CONFUSION: THE "SONIC YOUTH" STORY
Everett True
Primeira edição: Omnibus Press, 2008

Saída praticamente na mesma altura que "Goodbye 20th Century" e tão interessante quanto a primeira, esta outra biografia constitui uma abordagem paralela à história desta revolução na música popular.

[Entrada no goodreads]

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

10 anos, 10 livros (#4: The Peel Sessions: A Story of Teenage Dreams and One Man's Love of New Music"

(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)



THE PEEL SESSIONS: A STORY OF TEENAGE DREAMS AND ONE MAN'S LOVE OF NEW MUSIC
Ken Garner
Primeira edição: BBC Books, 2007

Se o johnpeelismo (desculpem o neologismo patético) fosse uma religião, eu seria um beato fanático. Para colecionador acérrimo (bom, já fui mais) das míticas Peel Sessions, este é um livro que guardo com especial prazer na estante. De 1967 a 2004, o falecido John Peel gravou mais de dois milhares de bandas para os seus programas de rádio. Este livro é precisamente o tratado que muitos de nós andavam a exigir, ainda Peel era vivo.

Falei do livro aqui.

[Entrada no goodreads]

10 anos, 10 livros (#3: Rip it Up and Start Again)

(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)



RIP IT UP AND START AGAIN
Simon Reynolds
Primeira edição: Faber and Faber, 2006

Dispensa grandes apresentações, o livro do jornalista Simon Reynolds, de tão popular que se tornou desde a primeira edição. Do início do fim do punk ao surgimento da MTV, há aqui uma autêntica enciclopédia de quase tudo o que é preciso saber do pós-punk. Só lhe faltou falar um pouco mais da Europa continental, mas para isso era preciso outro volume.

Falei do livro aqui.

[Entrada no goodreads]

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

10 anos, 10 livros (#2: Einstürzende Neubauten: No Beauty Without Danger)



EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN: NO BEAUTY WITHOUT DANGER
Max Dax, Robert Defcon
Primeira edição: Ed. Autor Limitada (500 ex.), 2005
(Edição alemã: "Nur Was Nicht Ist, Ist Möglich")

"No Beauty Without Danger" é uma biografia redigida num formato pouco comum. O texto é exclusivamente composto por respostas às entrevistas que os autores fizeram aos músicos que passaram pelos Einstürzende Neubauten e por quem com eles conviveu de perto. Imaginem um documentário baseado exclusivamente, como é mais habitual no meio televisivo e cinematográfico, nos testemunhos de homens e mulheres. Devidamente editados e arranjadas, estes testemunhos conseguem agarrar o leitor na descoberta de um percurso notável de um projeto notável. O posfácio é da autoria de Arto Lindsay.

Falei do livro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

[Entrada no goodreads]

10 anos, 10 livros (#1: Margrave of the Marshes)

Na evocação destes 10 anos do juramentosembandeira, já aqui tivemos 10 concertos, 10 canções e, agora, 10 livros que ajudaram este que vos escreve a compreender um pouco melhor os contextos sobre os quais se move a música, seja nas biografias, seja nos ensaios alargados sobre o papel que esta arte ocupa nas nossas vidas, ao longo dos tempos. Seguem-se então a seleção ordenada pelo ano de edição original de 10 dos livros lidos ao longo destes anos e que merecem ser destacados:



MARGRAVE OF THE MARSHES
John Peel, Sheila Ravenscroft
Primeira edição: Corgi, 2005

Depois da morte de um dos mais extraordinários amantes e divulgadores de música dos últimos 50 anos, saíram dois livros fundamentais sobre a sua vida e carreira. O primeiro deles é esta autobiografia parcial. A meio da história, percebe-se que Peel já não está lá mais para a escrever e é a sua mulher, Sheila Ravenscroft, ou a "porca" ("pig"), como lhe chamava o marido, que continua. De uma pena ou de outra saem incontáveis recordações mirabolantes e episódios carregados de humor de uma família que viveu de perto com a música produzida em todos os cantos do mundo.
Falei do livro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

[Entrada no goodreads]

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

10 anos, 10 canções

Não é fácil escolher 10 canções para um período de 10 anos, nem é certo que daqui a meia hora a escolha fosse a mesma (ei, a "All Leaves Are Gone", a "Someone Great" e a "Banshee Beat" estariam lá sempre). Aqui ficam, por ordem alfabética, 10 das canções que fizeram mexer os neurónios e os músculos por estas bandas, desde que esta casa amarela abriu, em agosto de 2003:

Adele "Rolling in the Deep" (2010)



Akron/Family "River" (2009)



Animal Collective "Banshee Beat" (2005)



Bombino "Her Tenere" (2013)



Dan Le Sac vs. Scroobius Pip "Thou Shalt Always Kill" (2007)



Edward Sharpe and the Magnetic Zeros "Home" (2010)



Josephine Foster "All Leaves Are Gone" (2004)



LCD Soundsystem "Someone Great" (2007)



Mão Morta "Tiago Capitão" (2010)



Six Organs of Admittance "Lisboa" (2005)


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

10 anos, 10 concertos

São 10 anos de muitos concertos, estes últimos. Entre perto de dois milhares de espetáculos, eis dez favoritos:

10. AMADOU & MARIAM @ Grande Auditório da Gulbenkian
18 de novembro de 2012
"Se podes ouvir, escuta. Se podes escutar, repara. A citação de Saramago ao "Livro dos Conselhos" não é bem esta, mas assim ajusta-se bem a "Eclipse", o espetáculo que o casal Amadou & Mariam trouxe ontem ao Grande Auditório da Gulbenkian. Um espetáculo que prometia uma experiência multissensorial única, vedado que estava o sentido da visão de se distrair (a sala foi mergulhada durante quase todo o concerto na completa escuridão), deixando livres a audição para a música e os sons ambientes da história subjacente, o olfato para os odores de África e a perceção da temperatura que foi oscilando ao longo do concerto. (...) sentimo-nos felizes por nos terem deixado experimentar o bom que é reparar no que escutamos."


9. SWANS @ Aula Magna
9 de abril de 2011
"Quantas bandas viram vocês que, regressadas ao ativo, gravam um disco tremendo como "My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky", dão concertos tão intensos como o de ontem, onde tocam versões demolidoras de temas antigos, com a segurança perfeita de um relógio suíço, e ainda... surpreendem com dois temas inéditos?"




8. CORDEL DO FOGO ENCANTADO @ Teatro Viriato
15 de junho de 2007
"(...) Se os Mão Morta não tivessem nascido em Braga, mas sim em Pernambuco, na pequena cidade de Arco Verde, talvez tivessem sido como o Cordel. E se Adolfo Lúxuria Canibal não crescesse a ler Lautréamont ou outros autores malditos e tivesse os poemas de cordel do interior brasileiro na mesinha de cabeceira, talvez tivesse sido Lirinha, figura epicêntrica deste abalo de terras que dá pelo nome de Cordel do Fogo Encantado. Foi melhor que em Sines? Foi sim, embora não consiga sequer explicar como é que isso ainda pôde ser possível."


7. DIRTY THREE @ Lux
2 de junho de 2007
"(...) é sobre o violino de Warren Ellis que acaba por recair, na maior parte das vezes, a atenção. Ele não fez um pacto com o diabo. Ele é mesmo o diabo. Não que seja o mais virtuoso dos violinistas. (...) Ellis é o 'fiddler' que anima uma tasca barulhenta algures no meio do deserto australiano, acompanhado de bouzukis num numa aldeia grega, musicando lendas de lobos algures na Europa de Leste. E ainda tem a lata de tirar feedbacks do instrumento. O concerto desta noite conseguiu ser, por diversos momentos, e não se tenha pejo em usar a palavra quando ela deve ser efectivamente usada, epifânico. Foi a celebração plena daquilo que a música consegue por vezes produzir ao vivo: um rapto violento da consciência do ouvinte (e tão bem que sabe fechar os olhos e facilitar essa captura) para uma terra de ninguém, onde se experimentam sensações que só algumas drogas poderão produzir."




6. CONGOTRONICS VS. ROCKERS @ FMM Sines (Castelo)
23 de julho de 2011
"Intenso, esgotante. Talvez o melhor concerto que alguma vez o FMM acolheu."




5. KONONO n.º 1 @ Museu de História Natural
4 de julho de 2009
"Totalmente poderosos. A 'orquestra folclórica toda poderosa Konono nº1 de Mingiedi' voltou a mostrar por cá por que é cada vez mais famosa, por que é que o Congo está de volta ao mapa da música reconhecida pelo Ocidente, depois do soukous e kwassa kwassa dos anos 80. (...) Dança-se -- mesmo o pé de chumbo mais empedernido -- como se não houvesse amanhã."




4. DAMO SUZUKI NETWORK @ ZDB
19 de julho de 2004
"(...) A 'comunicação' tinha acontecido e, ao fim da noite, entendia-se melhor o que Damo antes explicava acerca da sua forma de ver a música. Afinal, não se tratava de meros símbolos, de meras teorias de 'proggie'. Era mesmo a música a assumir o seu mais ancestral desígnio, amplamente disseminado pelas civilizações desde a idade da pedra. Magnífica comunhão de espaço e tempo."


3. TOM ZÉ @ FMM Sines (Castelo)
30 de julho de 2004
"(...) Por vezes rimos, por vezes chorámos, por vezes dançámos, por vezes saltámos e a toda a hora fomos levados por um moleque safado de 67 anos. Não há palavras suficientemente justas para Tom Zé, para as suas palavras, para as suas músicas, para a sua banda."


2. AKRON/FAMILY @ MusicBox
22 de abril de 2007
"(...) como não haveremos nós de reagir perante tipos simples e humildes que tocam bem e suam em palco (conseguido com que a plateia os acompanhe nessa missão), enquanto esticam os limites da imaginação melómana ao jogarem os Can e os Faust com a free folk marada norte-americana, as polifonias do gospel com as polifonias das guitarras?"


1. NEIL YOUNG @ Alive
12 de julho de 2008
"(...) Não é uma banda nova que promete vir a revolucionar a música e que provavelmente estará esquecida daqui a poucos anos. E também não é (só) uma lenda que está ali em palco. É, genuinamente, um músico vivo e transbordante de energia que, à frente da sua banda, mostra, quase como se fosse a primeira vez que o fizesse, uma pequena parte de um reportório tão rico que devia ser património mundial da UNESCO."

terça-feira, 27 de agosto de 2013

10 anos, algumas mudanças de visual

Em 10 anos, esta casa amarela conheceu algumas remodelações visuais. Eis alguns dos diversos aspetos que tomou, via wayback machine:

Abril de 2004



Novembro de 2004



Julho de 2006



Junho de 2007