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terça-feira, 7 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 6 ao 10


6. ROKIA TRAORÉ (Mali)
Castelo, 26/jul/2008::vídeo::
"Na segunda vez que a bela Rokia Traoré veio a Sines, teve honras de encerramento de noite no castelo. Trazia na bagagem o magnífico Tchamanché e o espectáculo foi, ao contrário do que a actuação de quatro anos antes e o próprio disco novo deixava antever, muito movimentado, ora por culpa dos músicos (recordo o excelente baixista), ora por culpa da postura avassaladora de Traoré em palco."

7. STAFF BENDA BILILI (RD Congo)
Castelo, 31/jul/2010::vídeo::
"Uma máquina de dança e alegria chamada Bilili. E a última grande explosão (literalmente até, pois coube-lhes as honras de fogo de artifício com que o FMM todos os anos se despede do castelo) veio com os Staff Benda Bilili. O disco era estupendo, já se sabia. Mas que os Staff Benda Bilili conseguissem, mesmo que esquecidos ou ignorados todos os problemas físicos que os debilitam, multiplicar a um ponto impensável toda aquela energia para o palco com as suas rumbas diabólicas e fazer transpirar as gentes no castelo daquela forma insana, era algo que nem nas minhas perspectivas mais optimistas encontrava lugar. Mais uma deixa para outra das razões para elogiar o FMM: estar sempre na linha da frente no que há de mais quente a surgir no meio. Foi assim quando trouxe cá os Taraf de Haïdouks, o Tom Zé, a Rokia Traoré, o casal Amadou & Mariam, os Konono nº1, o KNaan, o Cordel do Fogo Encantado, entre tantos outros."

8. BARBEZ (EUA)
Castelo, 30/jul/2010::vídeo::
"A gaja do theremin e os judeus nova-iorquinos. Os Barbez, grupo de Nova Iorque com ligações à Tzadik de John Zorn, apareceram no FMM com toda a pinta de outsiders. O grupo de Dan Kaufman já por cá tinha passado para um concerto na ZDB, para um concerto mediano, mas agora, com formação alargada e com um som perfeito que permitiu a percepção ao detalhe das texturas e frases criadas em palco, misturando klezmer com rock de câmara ou jazz marginal, a lembrar bandas da editora Constellation, tudo foi diferente, para melhor. Muito melhor. Houve algo que se manteve, contudo: o papel central de Pamelia Kurstin na música do grupo. Nunca se viu em Sines alguém a tocar theremin, o estranho instrumento literalmente intocável que os russos desenvolveram nos anos 20 do século passado (e para o qual Lenine chegou a receber aulas), e a estreia coube, felizmente, a uma das suas mais incríveis intérpretes (vejam o vídeo para apanharem breves imagens que testemunham esta afirmação). E os Barbez ofereceram ainda a deixa ideal para apresentar outra das razões pelas quais o FMM é tão particular: a abertura (e o bom gosto) da programação. Por esse país fora, por essa Europa fora, é muito frequente encontrar programadores de festivais de world music de olhos e ouvidos fechados para o que se passa fora daquela gaveta. Antes eram as músicas de tradição europeia, depois, com a globalização das tournées, vieram os africanos extra-PALOPs. E pouco mais do que isso. Festivais como o FMM e o MED Loulé vieram provar que se pode ir muito mais longe. (Já agora, e que tal alguma formação de Masada ou o próprio John Zorn numa próxima edição, hum?)"

9. MÁRIO LÚCIO (Cabo Verde)
Castelo, 30/jul/2011::vídeo::
"É engraçado saber -- foi o próprio que o disse -- que Mário Lúcio, na véspera do concerto, vestiu a pele de ministro da cultura de Cabo Verde, para discutir o Estado da Nação no parlamento do seu país. Um dia, o estado da sua nação. No outro, o mundo todo (mais palavras saídas da sua boca) que se aglomerava em Sines a dançar à sua música. Tivemos em palco alguém que sabe muito bem o que faz. São muitos anos de estrada, de como saber encher um palco, de como saber pôr um público em delírio. E o que temos ali não é apenas o que se pode ouvir nos discos. Há um artista e um grupo que o acompanha que se transformam, que vão além de Cabo Verde, que celebram a África sub-sariana em todo o seu esplendor. A ele ficam-lhe bem estas palavras, ditas perto do final: Sines devia mudar de nome, para... Sinergia. Devia ter sido o Mário Lúcio a festejar o fim dos concertos no castelo com o tradicional fogo-de-artifício."

10. DHAFER YOUSSEF (Tunísia)
Castelo, 27/jul/2012::vídeo::
"Dhafer Youssef e o quarteto do mundo. Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM."



domingo, 5 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 21 ao 30


21. WARSAW VILLAGE BAND (Polónia)
Castelo, 29/jul/2004
"Esta foi a primeira vez que os polacos da Warsaw Village Band foram a Sines. Centrados na tradição folk do Norte da Europa, evocativos em parte dos Hedningarna e de outros projectos nórdicos, o grupo teve nesta edição uma actuação explosiva que não encontraria tanto eco assim no regresso ao local do crime, [em 2009]."

22. MOR KARBASI (Israel)
Centro de Artes, 20/jul/2009::vídeo::
"Ao meu lado, uma mulher batia com a mão no peito. Eu sentia os olhos a lacrimejarem. No palco, a israelita Mor Karbasi começava a cantar os primeiros versos de 'Rua do Capelão', de Amália Rodrigues, num português magnífico, com um arrojo vocal de fazer cair os queixos. Foi o momento da noite, será certamente um dos episódios mais notáveis desta edição do FMM, mas o espectáculo da israelita, acompanhada por piano, guitarra eléctrica, baixo e percussão, não se resumiu apenas a tal. Se há noites para a qual a palavra beleza existe é para descrever tanto Mor Karbasi como o seu espectáculo."

23. BARBEZ (EUA)
Castelo, 19/jul/2013::vídeo::
"É, pessoalmente, uma sensação forte esta de ter um coletivo como os Barbez, da vanguarda nova-iorquina, num festival como este. Diz muito sobre o que é esta festa. Os Barbez, esses, dão-se também lindamente com esse espírito. Uma vez mais, trouxeram ao palco um arranjo caleidoscópico de frases médio-orientais, de folclore do leste da Europa, de drones (os musicais, não os dos EUA) e outros arrepiamentos rock, de canções de revolta como a magnífica versão de "Bella Ciao". Fizeram ainda encore com uma versão dos Residents (e parecia que não podia ser mais natural a invocação). "

24. TOUMANI DIABATÉ (Mali)
Castelo, 27/jul/2006::vídeo::

25. KTU (Finlândia / EUA)
Castelo, 30/jul/2005::vídeo::

26. MARC RIBOT & THE YOUNG PHILADELPHIANS (EUA)
Castelo, 29/jul/2005
"(…) nómada da música (das músicas), doutor da guitarra (das guitarras). Neste FMM, só os KTU de Kimmo Pohjonen [e Amadou & Mariam] o ultrapassaram na lista de preferências."

27. SEPTETO ROBERTO JUAN RODRIGUEZ (Cuba)
Castelo, 31/jul/2004
"A maior surpresa do festival, aqui para o tasco, foi Roberto Juan Rodriguez. Klezmer, muito klezmer, irrepreensivelmente tocado, com os timbalões de Rodriguez a evocar os ritmos da sua terra natal, Cuba. E Rodriguez é mesmo um colosso na bateria, algo que ficou por demais evidente no encore final. As muralhas do castelo de Sines não ruiram por pouco."

28. GAITEIROS DE LISBOA (Portugal)
Castelo, 27/jul/2006
"Vi os Gaiteiros o mais que pude nos anos 90. Depois, o grupo deixou de ter uma presença habitual nos palcos, na mesma medida que se levantaram complicações às edições de novos trabalhos. O espectáculo no Castelo de Sines serviu de reencontro com o que continuo a achar ser o que melhor aconteceu à música portuguesa nos tempos recentes. E não falo apenas no ghetto das tradicionais, porque reduzir os Gaiteiros a tal é nunca ter compreendido aquilo que eles fazem."

29. SHIBUSA SHIRAZU ORCHESTRA (Japão)
Castelo, 26/jul/2013::vídeo::
"Mais de 30 japoneses em palco, uma orquestra psicadélica, um maestro que bebe cerveja e fuma, uma personagem na frente que parece o Kratos do God of War e outros mimos que lhe sucedem, duas bailarinas que passam o espetáculo inteiro a fazer coreografias com bananas de plástico, um tipo a pintar um dragão-largarto-golfinho numa tela branca que vai subindo com o andar da noite, uma medusa gigantesca que aparece mais para o fim e flutua sobre o castelo. É isto um teatro japonês, um noh, um kabuki? Se ignorarmos algumas pequenas incursões fáceis pelas ondas balcãs-ska, serão os Pink Floyd e os Gong de olhos rasgados a triparem numa comuna teatral? Incrível."

30. GOGOL BORDELLO (EUA / Ucrânia)
Castelo, 28/jul/2007::vídeo::
"Sábado à noite, a gogolândia instalou-se no Castelo. Não foi preciso muito para que aqueles milhares de pessoas começassem a suar abundamente aos pulos com que acompanhavam a música. Continuo a achar os Gogol Bordello demasiado azeiteiros, da voz a alguns padrões rítmicos muito semelhantes ao nosso 'pimba', continuo a achar que estão muito longe de serem uma versão balcânica dos Pogues ou dos Ukrainians (porque estes sabiam tocar a sério e sem puxar alarvemente pelo lado "cheesy" da coisa), mas, porra, incendiaram o castelo (calhou-lhes bem o tradicional fogo de artifício do FMM). Fizeram aquilo que era pedido para terminar os concertos no castelo: uma enorme festarola."

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Rescaldo mais ou menos nostálgico, rápido e pouco abrangente da edição n.º 15 do FMM

E lá chegou ao fim mais uma edição do Festival de Músicas do Mundo. Ao longo de semana e meia, houve mais de quarenta concertos no programa principal, dezenas de atividades paralelas (DJs, ateliês para crianças, dezenas de atuações de grupos da escola de música local, peças de teatro, conversas com escritores, etc.) e um aparentemente infindável número de acontecimentos ad hoc levados a cabo por gente que se deslocou a Sines para ver, ouvir e participar neste festival singular. Deixo aqui um pequeno rescaldo do que vi e ouvi, ciente de que muito ficará para dizer além destas linhas e de que outros terão muitas mais histórias para contar.


OS MELHORES ESPETÁCULOS

1. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA (castelo)
A forma como Bassekou Kouyaté toca o ngoni, a guitarra tradicional do Oeste africano, quase que dá para desconfiar. Ninguém pode tocar um instrumento assim, aparentemente limitado, aparentemente frágil, daquela maneira. Mas ele toca. Andaram o Georges Beauchamp e o Les Paul a criar as guitarras elétricas tal como as conhecemos para agora aparecer um tipo no palco do castelo (e, anos antes, no Centro de Artes) a tirar partido de um instrumento com quase sete séculos de idade e a fazer o mesmo que os maiores guitarristas da história do rock. Com uma banda feita a partir da família -- mulher, filhos e irmão, pelo menos -- põe rapidamente o público a dançar e a chegar àquele ponto de ebulição que poucos conseguem. E logo ao segundo concerto do festival.

2. SÍLVIA PÉREZ CRUZ (Centro de Artes)
A maior revelação do cartaz para quem escreve estas linhas, um tipo que agora se sente idiota e ignorante o suficiente por não a ter conhecido mais cedo. Sílvia Pérez Cruz é dona de uma voz ao mesmo tempo doce, ternurenta, mas também forte, interventiva e absolutamente segura, que usa o castelhano, o galego, o catalão e o português para arrebatar os corações do público. Esteve acompanhada por um guitarrista de trejeitos vanguardistas, indie para os dias que correm, adepto do ruído e dos pequenos pormenores, de vistas abertas e capacidades abrangentes (não estou a descrever o Marc Ribot, mas podia). Perto do fim, houve uma versão arrepiante de "Os Gallos", também conhecida por "Gallo Rojo, Gallo Negro", uma fábula anti-franquista. Alguém que disponibilize a gravação nos sítios do costume.

3. DAKHABRAKHA (castelo)
Se calhar, já podemos esquecer os Hedningarna ou as Värttinä ou outros grupos do Norte e Leste da Europa que nos anos 80 e 90 se destacavam no circuito de então, mais estreito e talvez menos global, da chamada world music. Os ucranianos DakhaBrakha, um homem e quatro mulheres, trouxeram a Sines a riqueza das harmonias vocais femininas, ora gentis, ora estridentes, amiúde contaminadas pela energia da dança dirigida tanto ao corpo como ao cérebro, sem nunca deixarem cair uma pinga do azeite aparente nesta fusão. Para muitos dos que me rodearam ao longo destes dias, terão sido mesmo a grande bomba do festival.

4. BARBEZ (castelo)
É, pessoalmente, uma sensação forte esta de ter um coletivo como os Barbez, da vanguarda nova-iorquina, num festival como este. Diz muito sobre o que é esta festa. Os Barbez, esses, dão-se também lindamente com esse espírito. Uma vez mais, trouxeram ao palco um arranjo caleidoscópico de frases médio-orientais, de folclore do leste da Europa, de drones (os musicais, não os dos EUA) e outros arrepiamentos rock, de canções de revolta como a magnífica versão de "Bella Ciao". Fizeram ainda encore com uma versão dos Residents (e parecia que não podia ser mais natural a invocação).



5. SHIBUSA SHIRAZU ORCHESTRA (castelo)
Mais de 30 japoneses em palco, uma orquestra psicadélica, um maestro que bebe cerveja e fuma, uma personagem na frente que parece o Kratos do God of War e outros mimos que lhe sucedem, duas bailarinas que passam o espetáculo inteiro a fazer coreografias com bananas de plástico, um tipo a pintar um dragão-largarto-golfinho numa tela branca que vai subindo com o andar da noite, uma medusa gigantesca que aparece mais para o fim e flutua sobre o castelo. É isto um teatro japonês, um noh, um kabuki? Se ignorarmos algumas pequenas incursões fáceis pelas ondas balcãs-ska, serão os Pink Floyd e os Gong de olhos rasgados a triparem numa comuna teatral? Incrível.



Outros espetáculos digníssimos de destaque: Hazmat Modine (dois Tom Waits em palco, um masculino e o outro feminino, é forte), Baloji (que animal de palco), Reijseger Fraanje Sylla (o Sylla é dono de uma voz incrível, que nem precisa de amplificação, como no começo do concerto, quando vagueou pela multidão, de garganta escancarada), JP Simões (a música é ótima, os interlúdios nunca falham), Jon Luz, Aline Frazão, Tcheka (quando é que explodes para o mundo?), Nathalie Natiembé, Carlos Bica trio "Azul" com Jim Black e Frank Möbus, Rokia Traoré, Asif Ali Khan & Party, Gaiteiros de Lisboa, Rachid Taha.

Ficaram por ver, por razões diferentes: O Carro de Fogo de Sei Miguel e Extremadura Territorio Flamenco (y que pena me da).


AS DESILUSÕES, COISAS MENOS BOAS OU ATÉ MISERÁVEIS (SEM QUALQUER ORDEM ESPECIAL)

Hassan el Gadiri & Trance Mission
Foram dois projetos completamente diferentes a tocar em simultâneo no mesmo palco, sem qualquer comunicação entre si, a não ser por intermédio de caras feias. Nos únicos momentos em que a coisa funcionava, os belgas reforçavam apenas o som dos marroquinos. Isso não é fusão.

Hermeto Pascoal
Estava a ser um planeta de outro sistema solar, mas, já mesmo perto do fim, Hermeto Pascoal deixou-se aproximar demasiado de um buraco negro. O percussionista Fábio Pascoal terá avisado o seu pai que não podiam tocar mais tempo, num ato que o próprio terá admitido depois ter sido resultante de uma falha de comunicação. Seja como for, em resposta à indicação, Hermeto pegou no microfone para deixar a plateia dividida com: "este festival é uma merda!" Banda saiu, banda voltou, Fábio pediu desculpa, Hermeto não, tocaram mais um tema e foram-se embora. Já poucos os aplaudiram. E já ninguém se deve lembrar da "Rua do Capelão" que ali foi tocada.

A autoridade
Nas minhas primeiras incursões ao FMM, trazia para contar aos amigos que ainda não haviam sido contaminados por este vírus de Sines, que uma das diferenças agradáveis do festival era não se ver ou, pelo menos, não se sentir a presença opressora de forças de autoridade ou de gorilas mal encarados e perigosos de empresas privadas de segurança. Muito mudou, contudo, nos últimos anos. Como em 2012, os espetadores com bilhete pago eram sempre vasculhados à entrada do castelo, o que também ajudava a criar filas maiores. Constou, porém, que a revista deixava de ser feita por altura das aberturas de portas ao público sem bilhete, por alturas da última banda do castelo. Claro, alguém chegou ao comentário "mas revistam os que pagam bilhete e que lá estão para ver o concerto, mas já não revistam quem poderá entrar depois só para armar confusão?"
Mais contundente foi o Carlos Guerreiro, dos Gaiteiros de Lisboa, que em palco, a propósito da canção "Avis Rara", usou do microfone para dizer algo que cito de memória, com naturais desvios de vocabulário, mas certeza na ideia: "Tinha 19 anos no 25 de abril. Não me lembro de, antes, ver forças policiais a revistarem a privacidade de quem se preparava para entrar em espetáculos."



Por este ano, acabou. Para o ano... tem que haver mais.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sines aproxima-se: Barbez



BARBEZ
Origem: EUA (Nova Iorque)
Onde e quando: Castelo, dia 19 (sexta-feira), 21h30

Coisas a saber:
1. Passaram pelo FMM em 2010, para um dos concertos de topo daquela edição, na opinião deste vosso. Outras passagens por Portugal incluem a ZDB ou o Lounge (Dan Kaufman a solo).
2. O rock de carácter experimental e vanguardista, a lembrar bandas da Constellation ou os Swans, faz de Barbez o nome que mais se afasta, provavelmente, do habitual circuito da World Music, apesar da imensa influência que diversas linguagens em diáspora, como a música klezmer, o jazz de inspiração judaica ou as canções folk russas, têm nas suas composições.
3. Contam com uma das mais virtuosas intérpretes do theremin, Pamelia Kurstin.
4. Têm covers de Black Sabbath e de Residents no reportório.
5. Têm meia dúzia de álbuns, com o próximo dos quais, editado pela Tzadik de John Zorn, a receber o sugestivo nome de "Bella Ciao".

No spotify: Barbez

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os melhores concertos de 2010 (1 a 10)

1. Staff Benda Bilili @ FMM (31/7)
Escrevi, na altura: "E a última grande explosão (literalmente até, pois coube-lhes as honras de fogo de artifício com que o FMM todos os anos se despede do castelo) veio com os Staff Benda Bilili. O disco era estupendo, já se sabia. Mas que os Staff Benda Bilili conseguissem, mesmo que esquecidos ou ignorados todos os problemas físicos que os debilitam, multiplicar a um ponto impensável toda aquela energia para o palco com as suas rumbas diabólicas e fazer transpirar as gentes no castelo daquela forma insana, era algo que nem nas minhas perspectivas mais optimistas encontrava lugar." VÍDEO

2. Sonic Youth @ Coliseu dos Recreios (22/4)
Já vi Sonic Youth umas sete ou oito vezes. Esta é bem capaz de ter sido a melhor. Escrevi, na altura: "Perdoem-me os que não tiveram oportunidade de ver os Sonic Youth, no ano passado, no Primavera Sound, mas não consigo deixar de reagir ao concerto desta noite sem ter por referencial aqueloutro. Como é que dois espectáculos com alinhamentos tão semelhantes, conseguem ser tão diferentes, pelo menos nas reacções que provocaram a mim e, suspeito, a outros que, como eu, também lá estiveram? Será porque hoje estávamos numa sala cheia, comprimida, com muito calor e muito suor, e não numa doca, ao ar livre, entre largos milhares de pessoas, entre horários de dezenas e dezenas de outras actuações? Será porque os temas mais recentes estão agora mais rodados ao vivo? Será porque hoje a banda esteve efectivamente melhor, sem ostentar aquele ar de frete do ano passado? Será porque a empatia com o público foi outra? Será pelo clima de euforia com que toda a gente -- pelo menos ao meu redor -- ansiava pelo concerto de hoje? Não sei. O que sei é que tudo hoje, desde os temas mais recentes até coisas antiquíssimas como «Shadow of a Doubt0«, «Schizophrenia», «Cross the Breeze» ou «Death Valley '69» soava (e fazia suar) de uma forma que me fez sentir um miúdo a ir aos seus primeiros concertos no Coliseu (tal como o André, que tem 14 anos e saiu de lá com um sorriso de orelha a orelha). Estes foram os «meus» Sonic Youth. Os meus e os de muita gente, ao longo de várias gerações. E provavelmente vão por cá andar ainda em 2020 ou 2030, a conquistar novos públicos e a manter estas relações «para a vida» com as gerações mais antigas. Pelo menos, é o que o espectáculo de hoje sugere." VÍDEO

3. Shellac @ ZDB (24/5)
Eu disse que ia haver mais Shellac nesta lista. E de outro concerto na mesma semana que aquele que aqui já apareceu. Escrevi, na altura: "Os Shellac não são uma banda. São um relógio suíço de frontispício em que, no lugar do cuco ou dos paisanos da aldeia surge um power trio clássico. São um metrónomo de três hastes, cada uma delas com um tique-taque sincronizado ao limite do absurdo, mais preciso que o relógio atómico de Greenwich. Eles nem se olham entre si quando acertam entre si as paragens, os arranques, as mudanças de tempos. E Steve Albini, como se tornou hábito dizer-se, é deus. E também é um óptimo guitarrista, que extrai da sua Travis Bean de alumínio o som rude, sujo e áspero do metal com que a maior parte de nós cresceu ao ouvir as bandas que Albini gravou e produziu ao longo das duas últimas décadas. E é ainda um poeta rock, em diferentes momentos do espectáculo, como em "The End of Radio". Nessas alturas, Albini pisa com toda a segurança o caminho de outros poetas americanos de palco como Patti Smith, Jim Morrison ou Jello Biafra. Mas Shellac não é só Albini. Bob Weston, que tem o sangue do hardcore de DC a correr pelas cordas do baixo, e Todd Trainer, um autêntico demónio na bateria (nota: não é figurativo), são as duas outras engrenagens do tal relógio suíço." VÍDEO

4. N'Diale - Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio @ FMM (29/7)
Escrevi, na altura: "Quem imaginaria que a música de tradição europeia a que o bretão Jacky Molard se tem dedicado ao longo da carreira, e que já apresentou por duas outras ocasiões em Sines, casaria tão bem com a música do trio maliano de Founé Diarra? Quem é que é capaz de dizer, sem mais nem menos, que um prato de peixe e de carne, em simultâneo, se pode tornar uma maravilha da gastronomia? A este respeito, aliás, o António Pires dizia que "o gajo que inventou a carne de porco à alentejana deve ter tido uma experiência semelhante". E como é que dançamos isto? Com as pernas para a frente ou com o rabo espetado para trás? Estas eram as interrogações iniciais de muitos, certamente, mas não foram mesmo mais do que isso mesmo: iniciais. Rapidamente, todos atirámos os axiomas etnomusicológicos para trás das costas e abraçámos calorosamente aquela que foi uma das experiências mais incríveis de sempre no palco do castelo." VÍDEO

5. Barbez @ FMM (30/7)
Escrevi, na altura: "Os Barbez, grupo de Nova Iorque com ligações à Tzadik de John Zorn, apareceram no FMM com toda a pinta de outsiders. O grupo de Dan Kaufman já por cá tinha passado para um concerto na ZDB, para um concerto mediano, mas agora, com formação alargada e com um som perfeito que permitiu a percepção ao detalhe das texturas e frases criadas em palco, misturando klezmer com rock de câmara ou jazz marginal, a lembrar bandas da editora Constellation, tudo foi diferente, para melhor. Muito melhor. Houve algo que se manteve, contudo: o papel central de Pamelia Kurstin na música do grupo. Nunca se viu em Sines alguém a "tocar" theremin, o estranho instrumento literalmente intocável que os russos desenvolveram nos anos 20 do século passado (e para o qual Lenine chegou a receber aulas), e a estreia coube, felizmente, a uma das suas mais incríveis intérpretes." VÍDEO

6. Yasmin Levy @ FMM (29/7)
Em 2009, o FMM ofereceu-nos Mor Karbasi. Em 2010, tivemos direito a Yasmin Levy, uma voz para a qual faltam adjectivos na língua portuguesa, uma actuação de fazer mexer com todos os sentidos. VÍDEO

7. Master Musicians Of Bukkake @ ZDB (17/10)
O reino dos MMB veio até nós. Antes mesmo do espectáculo começar, o cenário do palco dava desde logo a perceber que aquilo a que ali íamos assistir seria muito diferente do habitual. Em inúmeros aspectos. Hoje, que vivemos cada vez mais o tempo das imagens, o tempo do parecer em detrimento do ser, toda a actuação dos MMB, com todo aquele aparato cénico, podia cair dentro do saco das futilidades com que frequentemente somos brindados na música que vai sendo feita por aí, mas ali há muito mais do que cenário. Há até, pasme-se, profissionalismo e naturalidade em palco, como demonstrou o incidente em que a energia eléctrica foi abaixo e o colectivo continuou a tocar em formato acústico até o fuzz voltar aos amplificadores, sem nunca parar o tema. Houve até quem não se tivesse apercebido do incidente. VÍDEO

8. Faust & James Johnston @ Maria Matos (6/10)
E eis que tivemos a oportunidade de ver os Faust-que-não-eram-os-outros-Faust, os Faust-que-são-mais-malucos-do-que-os-outros-Faust, que o diga quem depois teve que limpar o palco do Maria Matos depois da encenação quase fiel, imaginamos, do apocalipse. Cereja no topo do bolo: a guitarra tresloucada de James Johnston, o eterno Gallon Drunk. VÍDEO

9. Liquid Liquid @ Primavera (29/5)
Já andamos todos um pouco fartos dos regressos de bandas míticas dos anos 70, 80 ou 90, não? Não são poucas vezes que saímos com aquela sensação de "naquele tempo deve ter sido bom, e esta apresentação é um documento importante para nós que não vivemos essa época" -- ao que imediatamente pensamos (ou dizemos entredentes) -- "mas foi uma seca do cacete". Ou, ainda pior, "eh pá, eles só voltaram para meter dinheiro ao bolso por conta dessas mentes nostálgicas que por aí pairam". Mas a actuação dos Liquid Liquid esteve o mais distante possível disso que possa haver. Este foi um dos casos raros em que que saímos a dizer "porra, isto faz todo o sentido hoje; FESTÃO como 99% dos miúdos que por aí andam não sonham conseguir vir a fazer." Ou algo do género. VÍDEO

10. Les Savy Fav @ Primavera (28/5)
Para quem gosta de loucos à solta num palco (E FORA DELE!) pouca concorrência haverá para os Les Savy Fav (esperem pelos Monotonix em Fevereiro). Convenhamos, às tantas já não sabemos se é só da performance do Tim Harrington (talvez seja, que os discos não são propriamente interessantes), mas que importa isso? É uma experiência como poucas. Já agora, se viram o vídeo dos Liquid Liquid, no posto acima, hão-de reparar na aparição do Tim. VÍDEO

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Os três 10 em 10 do FMM 2010 (e outras coisas)

Foi o melhor Festival de Músicas do Mundo de Sines de sempre? Não tenho a resposta na ponta dos dedos, até porque a comparação com as edições de 2006 a 2009 não é honestamente possível, com a redução no número de dias de música ao vivo neste ano. Mas, em todo o caso, esta foi a edição que, nas minhas contas pessoais (sublinhe-se a subjectividade da coisa), teve mais concertos 10 em 10. Acredito que a expressão "10 em 10" seja suficientemente explícita (além de estupidamente redutora, eu sei). Suficientemente explícita mesmo para quem não esteja habituado a olhar aqui nestas páginas para aquilo que um psicanalista barato diria tratar-se de "uma manifestação de um desejo reprimido de integrar um júri de patinagem artística". Portanto, adiante. Deitando um olhar para o passado do FMM, é verdade que têm havido um número inacreditável de magníficas actuações (não admira que haja tanta gente a tratar o FMM como o "melhor festival do país"), mas aquilo a que eu chamo "10 em 10" verifica-se apenas, no máximo, uma vez por edição (ou nem isso). Lembro-me dos Black Uhuru em 2001, por exemplo, do Tom Zé em 2004, do Trilok Gurtu em 2006, do Cyro Baptista no ano passado. Este ano, houve três destes concertos mágicos. Não um, nem dois, mas três. E depois houve os outros, também... poderosos (para usar uma expressão muito em voga nos músicos do Congo/Zaire, desde há décadas).

O primeiro dos 10 em 10: Um casamento perfeito



("Primeiro" porque aconteceu na quinta-feira, enquanto os outros foram nos dias seguintes.) Quem imaginaria que a música de tradição europeia a que o bretão Jacky Molard se tem dedicado ao longo da carreira, e que já apresentou por duas outras ocasiões em Sines, casaria tão bem com a música do trio maliano de Founé Diarra? Quem é que é capaz de dizer, sem mais nem menos, que um prato de peixe e de carne, em simultâneo, se pode tornar uma maravilha da gastronomia? A este respeito, aliás, o António Pires dizia que "o gajo que inventou a carne de porco à alentejana deve ter tido uma experiência semelhante". E como é que dançamos isto? Com as pernas para a frente ou com o rabo espetado para trás? Estas eram as interrogações iniciais de muitos, certamente, mas não foram mesmo mais do que isso mesmo: iniciais. Rapidamente, todos atirámos os axiomas etnomusicológicos para trás das costas e abraçámos calorosamente aquela que foi uma das experiências mais incríveis de sempre no palco do castelo.
E, mesmo que este encontro não tenha sido realizado de propósito para o festival (já existe até um disco), está aqui também patente mais uma das inúmeras razões pelas quais, todos os anos, fico a contar os dias até à última semana de Julho: Sines enquanto forum mundial de músicas e tradições, Sines enquanto oficina da música moderna. Não mais nada assim por cá.

O segundo dos 10 em 10: A gaja do theremin e os judeus nova-iorquinos



Os Barbez, grupo de Nova Iorque com ligações à Tzadik de John Zorn, apareceram no FMM com toda a pinta de outsiders. O grupo de Dan Kaufman já por cá tinha passado para um concerto na ZDB, para um concerto mediano, mas agora, com formação alargada e com um som perfeito que permitiu a percepção ao detalhe das texturas e frases criadas em palco, misturando klezmer com rock de câmara ou jazz marginal, a lembrar bandas da editora Constellation, tudo foi diferente, para melhor. Muito melhor. Houve algo que se manteve, contudo: o papel central de Pamelia Kurstin na música do grupo. Nunca se viu em Sines alguém a "tocar" theremin, o estranho instrumento literalmente intocável que os russos desenvolveram nos anos 20 do século passado (e para o qual Lenine chegou a receber aulas), e a estreia coube, felizmente, a uma das suas mais incríveis intérpretes (vejam o vídeo para apanharem breves imagens que testemunham esta afirmação).
E os Barbez ofereceram ainda a deixa ideal para apresentar outra das razões pelas quais o FMM é tão particular: a abertura (e o bom gosto) da programação. Por esse país fora, por essa Europa fora, é muito frequente encontrar programadores de festivais de world music de olhos e ouvidos fechados para o que se passa fora daquela gaveta. Antes eram as músicas de tradição europeia, depois, com a globalização das tournées, vieram os africanos extra-PALOPs. E pouco mais do que isso. Festivais como o FMM e o MED Loulé vieram provar que se pode ir muito mais longe. (Já agora, e que tal alguma formação de Masada ou o próprio John Zorn numa próxima edição, hum?)

O terceiro dos 10 em 10: Uma máquina de dança e alegria chamada Bilili



E a última grande explosão (literalmente até, pois coube-lhes as honras de fogo de artifício com que o FMM todos os anos se despede do castelo) veio com os Staff Benda Bilili. O disco era estupendo, já se sabia. Mas que os Staff Benda Bilili conseguissem, mesmo que esquecidos ou ignorados todos os problemas físicos que os debilitam, multiplicar a um ponto impensável toda aquela energia para o palco com as suas rumbas diabólicas e fazer transpirar as gentes no castelo daquela forma insana, era algo que nem nas minhas perspectivas mais optimistas encontrava lugar.
Mais uma deixa para outra das razões para elogiar o FMM: estar sempre na linha da frente no que há de mais "quente" a surgir no meio. Foi assim quando trouxe cá os Taraf de Haïdouks, o Tom Zé, a Rokia Traoré, o casal Amadou & Mariam, os Konono nº1, o K'Naan, o Cordel do Fogo Encantado, entre tantos outros.

Mais -- muito mais, claro -- se passou nos palcos do FMM ao longo destes quatro dias:

A novidade dos concertos gratuitos no castelo ao fim da tarde
A aposta parece ter sido ganha. Ao fim da tarde, quando os raios de sol ainda afrontavam as muralhas do castelo, tinha-se um cenário bem bonito para se assistir, com o rabo sentado na palha e hortelã espalhadas, a actuações como as dos manos Salomé com os Cantadores de Redondo (que por várias vezes foi arrepiante), dos 34 Puñaladas (tango em guitarras clássicas, numa passagem por estas bandas muito mais bem conseguida que aquela de há cinco anos atrás, em Porto Covo) ou a do genial Kimi Djabaté (é mesmo tempo de as pessoas começarem a prestar-lhe atenção e este foi um passo importante).

Um festival de vozes
Começou com Vitorino e Janita Salomé (já disse que houve momentos arrepiantes, não já?), e prolongou-se no canto yoik de Wimme Saari (há mais de dez anos que ansiava por um concerto dele por cá e nunca imaginei que fosse tão bem recebido como foi ali em Sines, no palco da praia, ao fim da tarde, para uma música que se imagina nas montanhas, no frio), a voz quente de Alejandro Guyot, dos 34 Puñaladas, a voz de uma diva do flamenco (Lole Montoya) e, a mais impressionante, a mais esmagadora, a mais arrebatadora de todas, a voz incrível de Yasmim Levy, israelita que tem vindo a trabalhar em reportório de influência e tradição ora ladina (os judeus que habitavam a Península Ibérica até ao século XV), ora flamenca.

Os menos bons e os maus
Depois de Cui Jian, há dois anos, houve mais um azar com chineses, agora com a cantora Sa Dingding. Usar um ou outro instrumento tradicional num aparato de música ligeira com arranjos perfeitamente desinteressantes parece mais cenário de festival da Eurovisão.
Os Galaxy, de Timor Leste, já muito fazem, para aquilo que estes miúdos viveram enquanto cresceram, para o país jovem e onde tudo está por fazer em que vivem neste momento, o mesmo país em que, por diversas razões, as tradições musicais são muito pobres, quase inexistentes (mas não deixam de soar a uma banda de reggae e de metal da margem sul a dar um dos seus primeiros concertos num palco refundido da festa do Avante! -- e, dias após ter visitado aquele magnífico país, acreditem que me custa dizê-lo).
As Rubias del Norte, o outro projecto de Olivier Conan, que no ano passado ali trouxe os Chicha Libre, perdem-se numa estilização (a palavra roubo-a ao Rui Neves) demasiado plástica do que é o reportório latino que vieram reciclar. Se os Chicha Libre conseguiam fazer dessa mesma reciclagem um ponto forte (nesse caso, sobre as chichas peruanas), as Rubias deitam quase tudo a perder.


Agora, é arranjar forma de entreter o tempo enquanto se espera, por 51 semanas, pela próxima edição do FMM.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O cartaz completo do FMM 2010

Foi hoje avançado o cartaz completo da 11ª edição do Festival de Músicas do Mundo de Sines. O evento, que este ano ficou reduzido à cidade de Sines e a quatro dias de concertos, devido a restrições orçamentais, apresenta como cabeças-de-cartaz principais os congoleses Staff Benda Bilili, autores, no ano passado, de um disco fora-de-série, e de prestações ao vivo contagiantes, a avaliar pelo que se pode ver no youtube.
Vitorino faz as habituais honras de abertura do castelo em português, desta vez com um concerto pela tarde, numa quarta-feira especialmente dedicada à música de expressão latina (excepção feita à celebração afro-beat dos Cacique 97 pela praia, à hora em que o Sol se começa a deitar).
Na quinta-feira, há a destacar, entre as novidades hoje anunciadas, a presença do finlandês Wimme Saari, praticante do canto yoik e um nome que por aqui há muito se desejava ver ao vivo. Há também que celebrar o regresso do sempre simpático, sempre eficaz Jacky Mollard, agora acompanhado pelo seu quarteto e pelo Foune Diarra Trio, do Mali. Este é também o dia dos Mekons, os antigos punks convertidos ao alt-country, e mais música de expressão latina, com os argentinos 34 Puñaladas a abrirem e os norte-americanos Grupo Fantasma a fechar.
A sexta-feira começa em grande com o "nosso" guineense preferido, Kimi Djabaté, num programa que conta ainda, entre outros, com Barbez (atenção à menina do theremin!), os sempre magníficos Tinariwen e a grande expectativa em redor da actuação dos Forro in the Dark.
Para o último dia, destaca-se no cartaz, além dos Bilili, uma surpresa (e incógnita) vinda de Timor-Leste, Galaxy, o histórico jamaicano U-Roy e, para fechar a festa em grande, os Batida.

Dia 28 (quarta-feira)
Castelo, 18h00
VITORINO (Portugal)
Avenida, 19h30
CACIQUE 97 (Portugal/Moçambique)
Castelo, 21h30
NAT KING COLE PROJECT (EUA/Cuba/Portugal)
RUBIAS DEL NORTE (USA)
CÉU (Brasil)
Avenida, 02h30
NOVALIMA (Peru)

Dia 29 (quinta-feira)
Castelo, 18h00
34 PUÑALADAS (Argentina)
Avenida, 19h30
WIMME (Finlândia)
Castelo, 21h30
YASMIN LEVY (Israel)
JACKY MOLARD QUARTET & FOUNE DIARRA TRIO (Bretanha/Mali)
THE MEKONS (Reino Unido/EUA)
Avenida, 02h30
GRUPO FANTASMA (EUA)

Dia 30 (sexta-feira)
Castelo, 18h00
KIMI DJABATÉ (Guiné-Bissau)
Avenida, 19h30
THE RODEO (França)
Castelo, 21h30
BARBEZ (EUA)
SA DINGDING (China)
TINARIWEN (Mali)
Avenida, 02h30
FORRO IN THE DARK (Brasil)
BAILARICO SOFISTICADO convida SELECTA ALICE (Portugal)

Dia 31 (sábado)
Castelo, 18h00
GUADI GALEGO (Galiza)
Avenida, 19h30
GALAXY (Timor Leste)
Castelo, 21h30
LOLE MONTOYA (Espanha)
CHEICK TIDIANE SECK & MAMANI KEITA (Mali)
STAFF BENDA BILILI (RD Congo)
Avenida, 02h30
U-ROY (Jamaica)
BATIDA (Portugal/Angola)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Novidades FMM: Barbez, U-Roy, Tinariwen e Cheick Tidiane

Já há mais nomes para o cartaz do FMM, que este ano se realiza entre 28 e 31 de Julho, na cidade de Sines.

U-ROY (Jamaica). Aos 67 anos de idade, o mítico toaster (e, mais tarde, artista completo do reggae) vem a Sines para um concerto no dia 31 de Julho, o último do FMM, junto à praia.
myspace.com/uroyreggae

TINARIWEN (Mali). O blues do deserto que os Tinariwen trazem na bagagem já não é propriamente uma novidade, mas ninguém ficará indiferente ao espectáculo que estes antigos guerrilheiros irão apresentar no castelo, no dia 30.
myspace.com/tinariwen

CHEICK TIDIANE SECK feat. MAMANI KEITA (Mali). Continuando no Mali, vamos também ter entre nós Cheick Tidiane, pianista da histórica Rail Band, ao lado de Salif Keita e Mory Kanté. A acompanhá-lo, Mamani Keita, a antiga cantora de Salif Keita, vai regressar ao FMM, depois de um belo espectáculo em 2007, para acompanhar Tidiane. Vai ser no último dia do FMM, no castelo.
myspace.com/cheicktidianeseck

BARBEZ (EUA). Não fez parte do lote de três nomes hoje anunciados organização do FMM, mas o site oficial do grupo nova-iorquino já avança com a novidade. O super-colectivo de Dan Kaufman, que chegaram a gravar para a Tzadik de Zorn um álbum baseado no poeta judeu Paul Celan e que passaram pela ZDB há cerca de cinco anos (recordam-se daquela incrível intérprete de theremin que um dia viram no palco do aquário?), têm vindo a colaborar com imensa gente boa: Cat Power, Sun Ra Arkestra, godspeed you! black emperor, Faun Fables, Sleepytime Gorilla Museum, DKT/MC5, Devendra Banhart, Dresden Dolls, Lonesome Organist, Shelley Hirsch, Faun Fables, Angels of Light. Vão estar no FMM no dia 30 de Julho. Vão também passar por Paredes de Coura no dia seguinte e vão ainda tocar em lugar a anunciar a 1 de Agosto, com a portuense F.R.I.C.S. (Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa).
myspace.com/barbez