(Um grande abraço para o Vasco e para todo o pessoal da Sons em Trânsito.)
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Acabou a viagem de Lhasa
Lhasa de Sela morreu na passada sexta-feira. Com apenas 37 anos, foi vítima de cancro (ver notícia). Ainda há dias a recordava por causa daquele magnífico concerto -- um de vários que deu em Portugal -- no Forum Lisboa (reportagem).
(Um grande abraço para o Vasco e para todo o pessoal da Sons em Trânsito.)
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Os 100 mais de uma década de concertos, #56-60
56. SHELLAC @ PRIMAVERA SOUND
29 de Maio de 2009
Era um dos nomes que aguardava com maior antecipação nesta minha estreia primaveril. Escrevi: "Steve Albini é Deus. Pouco depois de Jarvis Cocker, a quem Albini produziu o mais recente álbum, acabar no palco principal, voltou com os seus parceiros Bob Weston e Todd Trainer ao palco ATP, para ali produzir um dos maiores estrondos do festival. Som perfeito, coisa pouco frequente neste palco (pior ainda era o RockDeluxe, já agora), experiência e técnica a rodos entre os três, permitindo um entrosamento magnífico como banda, coisa também nem sempre frequente em muitas das outras bandas, especialmente as deste palco, e um alinhamento magnífico (fez falta o 'Prayer to God'). Grande final com 'The End of Radio', uma de várias que foram buscar ao último álbum, numa performance apoteótica, onde nem sequer a bateria, que foi desmontada peça a peça por Albini e Weston, sobrou. Memorável. Só por isto já teria valido a pena este Primavera."
57. COMETS ON FIRE @ ZDB
13 de Outubro de 2006
Já os esperávamos desde a saída do magnífico "Blue Cathedral". Ao vivo, são tudo o que se dizia sobre eles. Um intenso combo sónico feito de arremetidas em parte stoner, em parte psicadélicas, em parte do rock mais clássico. E o Ben Chasny (Six Organs of Admittance) a tocar guitarra eléctrica com uma fúria descontrolada.
58. SIGUR RÓS @ CCB
9 de Abril de 2001
Já os tinha visto em Londres, no ano anterior, a aquecerem para os godspeed you black emperor!, mas foi aqui, com palco só para eles, que deu para apanhar, em pleno, os islandeses na sua melhor forma. Mais alguns anos e já não seriam mais do que uma caricatura de si mesmos.
59. GAITEIROS DE LISBOA @ FMM SINES
27 de Julho de 2006
Vi os Gaiteiros o mais que pude nos anos 90. Depois, o grupo deixou de ter uma presença habitual nos palcos, na mesma medida que se levantaram complicações às edições de novos trabalhos. O espectáculo no Castelo de Sines serviu de reencontro com o que continuo a achar ser o que melhor aconteceu à música portuguesa nos tempos recentes. E não falo apenas no ghetto das tradicionais, porque reduzir os Gaiteiros a tal é nunca ter compreendido aquilo que eles fazem.
60. LHASA @ FORUM LISBOA
7 de Julho de 2004
Tem um disco, "La Llorona", que é das coisas mais bonitas que se ouviu no final dos anos 90, e que em muito terá contribuído para que o Forum Lisboa enchesse para assistir a um belo espectáculo, melhor até do que o da Aula Magna. E cantou um fado de Amália, não só aqui mas também nas outras paragens desta digressão. Reportagem do concerto.
29 de Maio de 2009
Era um dos nomes que aguardava com maior antecipação nesta minha estreia primaveril. Escrevi: "Steve Albini é Deus. Pouco depois de Jarvis Cocker, a quem Albini produziu o mais recente álbum, acabar no palco principal, voltou com os seus parceiros Bob Weston e Todd Trainer ao palco ATP, para ali produzir um dos maiores estrondos do festival. Som perfeito, coisa pouco frequente neste palco (pior ainda era o RockDeluxe, já agora), experiência e técnica a rodos entre os três, permitindo um entrosamento magnífico como banda, coisa também nem sempre frequente em muitas das outras bandas, especialmente as deste palco, e um alinhamento magnífico (fez falta o 'Prayer to God'). Grande final com 'The End of Radio', uma de várias que foram buscar ao último álbum, numa performance apoteótica, onde nem sequer a bateria, que foi desmontada peça a peça por Albini e Weston, sobrou. Memorável. Só por isto já teria valido a pena este Primavera."
57. COMETS ON FIRE @ ZDB
13 de Outubro de 2006
Já os esperávamos desde a saída do magnífico "Blue Cathedral". Ao vivo, são tudo o que se dizia sobre eles. Um intenso combo sónico feito de arremetidas em parte stoner, em parte psicadélicas, em parte do rock mais clássico. E o Ben Chasny (Six Organs of Admittance) a tocar guitarra eléctrica com uma fúria descontrolada.
58. SIGUR RÓS @ CCB
9 de Abril de 2001
Já os tinha visto em Londres, no ano anterior, a aquecerem para os godspeed you black emperor!, mas foi aqui, com palco só para eles, que deu para apanhar, em pleno, os islandeses na sua melhor forma. Mais alguns anos e já não seriam mais do que uma caricatura de si mesmos.
59. GAITEIROS DE LISBOA @ FMM SINES
27 de Julho de 2006
Vi os Gaiteiros o mais que pude nos anos 90. Depois, o grupo deixou de ter uma presença habitual nos palcos, na mesma medida que se levantaram complicações às edições de novos trabalhos. O espectáculo no Castelo de Sines serviu de reencontro com o que continuo a achar ser o que melhor aconteceu à música portuguesa nos tempos recentes. E não falo apenas no ghetto das tradicionais, porque reduzir os Gaiteiros a tal é nunca ter compreendido aquilo que eles fazem.
60. LHASA @ FORUM LISBOA
7 de Julho de 2004
Tem um disco, "La Llorona", que é das coisas mais bonitas que se ouviu no final dos anos 90, e que em muito terá contribuído para que o Forum Lisboa enchesse para assistir a um belo espectáculo, melhor até do que o da Aula Magna. E cantou um fado de Amália, não só aqui mas também nas outras paragens desta digressão. Reportagem do concerto.
quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Depois do Kimmo...
...eis mais uma óptima notícia: também Lhasa vai regressar a Portugal, para dois concertos, no Forum Lisboa e na Casa das Artes de Famalicão, nos dias 6 e 7 de Dezembro, respectivamente. A notícia é avançada em primeira mão pelas Crónicas da Terra.
Parabéns à Sons em Trânsito.
CORRECÇÃO: o concerto de Lisboa realizar-se-á na Aula Magna e não no Forum Lx.
Parabéns à Sons em Trânsito.
CORRECÇÃO: o concerto de Lisboa realizar-se-á na Aula Magna e não no Forum Lx.
segunda-feira, 19 de julho de 2004
E, já que se fala de Lhasa
A apresentação que Lhasa fez de um fado de Amália, como vimos há dias, não é exclusiva de Portugal. Num outro concerto, em Cartagena, no festival La Mar de Músicas 2004, aconteceu o mesmo, conforme se pode ler numa reportagem do jornal La Verdad:
«(...)Igualmente hay ese encantador toque francés (J'arrive a la ville) y hasta se atreve con una canción chechena y con un fado de Amália Rodríguez que, atención, descubrió hace unos días en su visita a Portugal. ¿No es una osadía adorable, al tiempo que un bello modo de hacer girar la música? Pues además lo borda, haciéndolo suyo.(...)»(texto completo aqui)
Segue-se uma série de datas pela Europa (Suíça, França, Alemanha, Hungria, França, etc.) e pelo Canadá. Portugueses, espanhóis e outros (através da transmissão online de uma rádio espanhola), ficaram rendidos à versão de "Com que Voz" por Lhasa, como se pode ler também no forum do site francês da artista. Vejamos o que acontece aos outros.
«(...)Igualmente hay ese encantador toque francés (J'arrive a la ville) y hasta se atreve con una canción chechena y con un fado de Amália Rodríguez que, atención, descubrió hace unos días en su visita a Portugal. ¿No es una osadía adorable, al tiempo que un bello modo de hacer girar la música? Pues además lo borda, haciéndolo suyo.(...)»(texto completo aqui)
Segue-se uma série de datas pela Europa (Suíça, França, Alemanha, Hungria, França, etc.) e pelo Canadá. Portugueses, espanhóis e outros (através da transmissão online de uma rádio espanhola), ficaram rendidos à versão de "Com que Voz" por Lhasa, como se pode ler também no forum do site francês da artista. Vejamos o que acontece aos outros.
quinta-feira, 8 de julho de 2004
Meu amor, meu amor
Encontrei o poema que Ary dos Santos escreveu, Alain Oulman musicou e Amália Rodrigues gravou para o seu disco "Com que Voz" e que ontem Lhasa ofereceu à plateia do Forum Lisboa, sendo de esperar que o mesmo se repita durante os restantes concertos desta mini-digressão por Portugal:
Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.
Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.
A estrada viva
Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
(Pessoa)
Estava-se sensivelmente a meio da primeira parte do espectáculo. Lhasa, que antes havia dito ter andado a aprender umas «palavras de portugueich'», utilizadas aliás na apresentação dos diversos temas, acercava-se uma vez mais do microfone, agora visivelmente tímida e insegura, para anunciar: «hum... hum... (pausa) hum... a próxima canção é... (pausa) portuguesa.» Para surpresa geral, vieram umas notas de guitarra familiares, com Lhasa a cantar «meu amor / meu corpo em movimento / minha voz à procura / do seu próprio lamento». Ela estava a cometer a ousadia de cantar um belíssimo fado escrito por Ary dos Santos para a Amália, perante uma plateia imensa de portugueses! E, não, não soava mesmo nada mal na sua voz, mesmo que, porém, a guitarra estivesse para aquela canção como a lagoa de Óbidos está para o Oceano Atlântico. Foi a mais longa ovação da noite, mas o espectáculo de ontem teve muitos outros momentos de especial intensidade, como aqueles em que Lhasa recuperou alguns dos melhores temas de "La Llorona", bem como do recente "The Living Road", ao longo de um imenso périplo que chegou até à Chechénia, por exemplo, num inédito que se revelou uma das melhores interpretações musicais da noite. Lhasa é a expressão viva do poema de Pessoa, viaja, perde países, perde músicas, perde culturas, é outra constantemente, não tem raízes. Ou então sente-as todas como se fossem suas, assume, como poucos, a condição de cidadã do mundo, de um mundo em que a música é essência fulcral na vida das pessoas, banda sonora para a alegria, para a tristeza, para o entretenimento, para a reflexão, para um fim de ano, para um fim do mundo.
O espectáculo começou e acabou com "The Living Road". "Con toda Palabra" abriu e, já em segundo encore, "Soon This Place Will Be Too Small" encerrou, depois de uma longa introdução em que Lhasa foi buscar um pensamento do seu pai acerca da vida, que não cabe aqui reproduzir, mas que arrancou dos presentes uma enorme ovação, conquistada que estava a simpatia, desde muito cedo, aliás, desde antes do espectáculo, porventura. O único senão da noite prende-se com o grupo que acompanha Lhasa. Podia ter-se chegado ao êxtase, ao nirvana ou a qualquer outro estado de epifania, mas os músicos -- à excepção, porventura, do teclista-melodista-programador -- dificilmente conseguiriam estar à altura da cantora, para tal ser possível. Lhasa é uma espécie de cruzamento de Tom Waits (ou Arthur H) com Edith Piaf, e a crueza, a rudeza, a emoção que imprime à sua forma de cantar não encontrou paralelo na limpidez asséptica e com pouca alma dos restantes instrumentistas. Foi um processo que teve melhorias graduais ao longo da noite, mas não suficientes. Fosse Lhasa uma maçã biológica portuguesa, saborosa, rica e, provavelmente, com aspecto rude, os seus músicos eram como cachos de uvas envernizadas e insípidas. Não deixou, porém, de ser uma óptima salada de frutas exóticas.
(9/10)
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
(Pessoa)
Estava-se sensivelmente a meio da primeira parte do espectáculo. Lhasa, que antes havia dito ter andado a aprender umas «palavras de portugueich'», utilizadas aliás na apresentação dos diversos temas, acercava-se uma vez mais do microfone, agora visivelmente tímida e insegura, para anunciar: «hum... hum... (pausa) hum... a próxima canção é... (pausa) portuguesa.» Para surpresa geral, vieram umas notas de guitarra familiares, com Lhasa a cantar «meu amor / meu corpo em movimento / minha voz à procura / do seu próprio lamento». Ela estava a cometer a ousadia de cantar um belíssimo fado escrito por Ary dos Santos para a Amália, perante uma plateia imensa de portugueses! E, não, não soava mesmo nada mal na sua voz, mesmo que, porém, a guitarra estivesse para aquela canção como a lagoa de Óbidos está para o Oceano Atlântico. Foi a mais longa ovação da noite, mas o espectáculo de ontem teve muitos outros momentos de especial intensidade, como aqueles em que Lhasa recuperou alguns dos melhores temas de "La Llorona", bem como do recente "The Living Road", ao longo de um imenso périplo que chegou até à Chechénia, por exemplo, num inédito que se revelou uma das melhores interpretações musicais da noite. Lhasa é a expressão viva do poema de Pessoa, viaja, perde países, perde músicas, perde culturas, é outra constantemente, não tem raízes. Ou então sente-as todas como se fossem suas, assume, como poucos, a condição de cidadã do mundo, de um mundo em que a música é essência fulcral na vida das pessoas, banda sonora para a alegria, para a tristeza, para o entretenimento, para a reflexão, para um fim de ano, para um fim do mundo.
O espectáculo começou e acabou com "The Living Road". "Con toda Palabra" abriu e, já em segundo encore, "Soon This Place Will Be Too Small" encerrou, depois de uma longa introdução em que Lhasa foi buscar um pensamento do seu pai acerca da vida, que não cabe aqui reproduzir, mas que arrancou dos presentes uma enorme ovação, conquistada que estava a simpatia, desde muito cedo, aliás, desde antes do espectáculo, porventura. O único senão da noite prende-se com o grupo que acompanha Lhasa. Podia ter-se chegado ao êxtase, ao nirvana ou a qualquer outro estado de epifania, mas os músicos -- à excepção, porventura, do teclista-melodista-programador -- dificilmente conseguiriam estar à altura da cantora, para tal ser possível. Lhasa é uma espécie de cruzamento de Tom Waits (ou Arthur H) com Edith Piaf, e a crueza, a rudeza, a emoção que imprime à sua forma de cantar não encontrou paralelo na limpidez asséptica e com pouca alma dos restantes instrumentistas. Foi um processo que teve melhorias graduais ao longo da noite, mas não suficientes. Fosse Lhasa uma maçã biológica portuguesa, saborosa, rica e, provavelmente, com aspecto rude, os seus músicos eram como cachos de uvas envernizadas e insípidas. Não deixou, porém, de ser uma óptima salada de frutas exóticas.
(9/10)
quarta-feira, 7 de julho de 2004
Lhasa: começa hoje!
Começa hoje, em Lisboa, uma das mini-digressão mais esperadas do ano. Lhasa, ou como agora lhe chamam, Lhasa de Sela, sobe esta noite ao palco do Forum Lisboa (antigo cinema Roma) para apresentar o seu segundo álbum, "The Living Road". A cantora, que nasceu nos EUA, já viveu no México e mantém desde há algum tempo residência em Montréal, no Quebeque, surpreendeu o mundo em 1997 com "La Llorona", magnífica obra-prima cantada em espanhol que arrebatou paixões tanto entre os aficcionados das músicas do mundo como no meio pop alternativo. Depois de alguns anos de silêncio, seguiu-se "The Living Road", onde Lhasa já utiliza também o francês e o inglês, mantendo-se fiel ao estilo ecléctico e apaixonante que lhe conhecíamos. A não perder (se ainda houver bilhetes), a partir de hoje:
Dia 7 - Lisboa, Forum Lisboa
Dia 8 - Coimbra, Teatro Académico Gil Vicente
Dia 9 - Aveiro, Teatro Aveirense
Dia 10 - Porto, Jardins do Palácio de Cristal
quinta-feira, 20 de maio de 2004
Lhasa: datas confirmadas
Já estão confirmadas em definitivo as datas de Lhasa em Portugal:
7 de Julho
Lisboa, Forum Lisboa
8 de Julho
Coimbra, Teatro Académico Gil Vicente
9 de Julho
Aveiro, Teatro Aveirense
10 de Julho
Porto, Jardins do Palácio de Cristal
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