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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Não há Primavera sem Shellac
Não importa onde se realize o Primavera Sound, que é seguro que os Shellac estarão por lá. Foi hoje anunciada pela Antena 3 a presença do trio demolidor de Steve Albini (e também dos Walkmen) na versão portuguesa do festival Primavera, que vai decorrer na cidade do Porto, entre 7 e 10 de Junho próximos. Shellac e Walkmen juntam-se assim aos nomes já anunciados de Björk, Yo La Tengo, Neon Indian, Other Lives, Jeff Mangum e Codeine. O Primavera vai ter lugar no Parque da Cidade e os bilhetes podem ser comprados por via online ao preço de 75€, mais custos administrativos. Este preço é válido até 31 de Dezembro, aumentando depois, não só porque vai ser revista a tabela do IVA, mas também porque é política do festival praticar uma política de preços diferenciados em função da data de aquisição.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Os melhores concertos de 2010 (1 a 10)
1. Staff Benda Bilili @ FMM (31/7)
Escrevi, na altura: "E a última grande explosão (literalmente até, pois coube-lhes as honras de fogo de artifício com que o FMM todos os anos se despede do castelo) veio com os Staff Benda Bilili. O disco era estupendo, já se sabia. Mas que os Staff Benda Bilili conseguissem, mesmo que esquecidos ou ignorados todos os problemas físicos que os debilitam, multiplicar a um ponto impensável toda aquela energia para o palco com as suas rumbas diabólicas e fazer transpirar as gentes no castelo daquela forma insana, era algo que nem nas minhas perspectivas mais optimistas encontrava lugar." VÍDEO
2. Sonic Youth @ Coliseu dos Recreios (22/4)
Já vi Sonic Youth umas sete ou oito vezes. Esta é bem capaz de ter sido a melhor. Escrevi, na altura: "Perdoem-me os que não tiveram oportunidade de ver os Sonic Youth, no ano passado, no Primavera Sound, mas não consigo deixar de reagir ao concerto desta noite sem ter por referencial aqueloutro. Como é que dois espectáculos com alinhamentos tão semelhantes, conseguem ser tão diferentes, pelo menos nas reacções que provocaram a mim e, suspeito, a outros que, como eu, também lá estiveram? Será porque hoje estávamos numa sala cheia, comprimida, com muito calor e muito suor, e não numa doca, ao ar livre, entre largos milhares de pessoas, entre horários de dezenas e dezenas de outras actuações? Será porque os temas mais recentes estão agora mais rodados ao vivo? Será porque hoje a banda esteve efectivamente melhor, sem ostentar aquele ar de frete do ano passado? Será porque a empatia com o público foi outra? Será pelo clima de euforia com que toda a gente -- pelo menos ao meu redor -- ansiava pelo concerto de hoje? Não sei. O que sei é que tudo hoje, desde os temas mais recentes até coisas antiquíssimas como «Shadow of a Doubt0«, «Schizophrenia», «Cross the Breeze» ou «Death Valley '69» soava (e fazia suar) de uma forma que me fez sentir um miúdo a ir aos seus primeiros concertos no Coliseu (tal como o André, que tem 14 anos e saiu de lá com um sorriso de orelha a orelha). Estes foram os «meus» Sonic Youth. Os meus e os de muita gente, ao longo de várias gerações. E provavelmente vão por cá andar ainda em 2020 ou 2030, a conquistar novos públicos e a manter estas relações «para a vida» com as gerações mais antigas. Pelo menos, é o que o espectáculo de hoje sugere." VÍDEO
3. Shellac @ ZDB (24/5)
Eu disse que ia haver mais Shellac nesta lista. E de outro concerto na mesma semana que aquele que aqui já apareceu. Escrevi, na altura: "Os Shellac não são uma banda. São um relógio suíço de frontispício em que, no lugar do cuco ou dos paisanos da aldeia surge um power trio clássico. São um metrónomo de três hastes, cada uma delas com um tique-taque sincronizado ao limite do absurdo, mais preciso que o relógio atómico de Greenwich. Eles nem se olham entre si quando acertam entre si as paragens, os arranques, as mudanças de tempos. E Steve Albini, como se tornou hábito dizer-se, é deus. E também é um óptimo guitarrista, que extrai da sua Travis Bean de alumínio o som rude, sujo e áspero do metal com que a maior parte de nós cresceu ao ouvir as bandas que Albini gravou e produziu ao longo das duas últimas décadas. E é ainda um poeta rock, em diferentes momentos do espectáculo, como em "The End of Radio". Nessas alturas, Albini pisa com toda a segurança o caminho de outros poetas americanos de palco como Patti Smith, Jim Morrison ou Jello Biafra. Mas Shellac não é só Albini. Bob Weston, que tem o sangue do hardcore de DC a correr pelas cordas do baixo, e Todd Trainer, um autêntico demónio na bateria (nota: não é figurativo), são as duas outras engrenagens do tal relógio suíço." VÍDEO
4. N'Diale - Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio @ FMM (29/7)
Escrevi, na altura: "Quem imaginaria que a música de tradição europeia a que o bretão Jacky Molard se tem dedicado ao longo da carreira, e que já apresentou por duas outras ocasiões em Sines, casaria tão bem com a música do trio maliano de Founé Diarra? Quem é que é capaz de dizer, sem mais nem menos, que um prato de peixe e de carne, em simultâneo, se pode tornar uma maravilha da gastronomia? A este respeito, aliás, o António Pires dizia que "o gajo que inventou a carne de porco à alentejana deve ter tido uma experiência semelhante". E como é que dançamos isto? Com as pernas para a frente ou com o rabo espetado para trás? Estas eram as interrogações iniciais de muitos, certamente, mas não foram mesmo mais do que isso mesmo: iniciais. Rapidamente, todos atirámos os axiomas etnomusicológicos para trás das costas e abraçámos calorosamente aquela que foi uma das experiências mais incríveis de sempre no palco do castelo." VÍDEO
5. Barbez @ FMM (30/7)
Escrevi, na altura: "Os Barbez, grupo de Nova Iorque com ligações à Tzadik de John Zorn, apareceram no FMM com toda a pinta de outsiders. O grupo de Dan Kaufman já por cá tinha passado para um concerto na ZDB, para um concerto mediano, mas agora, com formação alargada e com um som perfeito que permitiu a percepção ao detalhe das texturas e frases criadas em palco, misturando klezmer com rock de câmara ou jazz marginal, a lembrar bandas da editora Constellation, tudo foi diferente, para melhor. Muito melhor. Houve algo que se manteve, contudo: o papel central de Pamelia Kurstin na música do grupo. Nunca se viu em Sines alguém a "tocar" theremin, o estranho instrumento literalmente intocável que os russos desenvolveram nos anos 20 do século passado (e para o qual Lenine chegou a receber aulas), e a estreia coube, felizmente, a uma das suas mais incríveis intérpretes." VÍDEO
6. Yasmin Levy @ FMM (29/7)
Em 2009, o FMM ofereceu-nos Mor Karbasi. Em 2010, tivemos direito a Yasmin Levy, uma voz para a qual faltam adjectivos na língua portuguesa, uma actuação de fazer mexer com todos os sentidos. VÍDEO
7. Master Musicians Of Bukkake @ ZDB (17/10)
O reino dos MMB veio até nós. Antes mesmo do espectáculo começar, o cenário do palco dava desde logo a perceber que aquilo a que ali íamos assistir seria muito diferente do habitual. Em inúmeros aspectos. Hoje, que vivemos cada vez mais o tempo das imagens, o tempo do parecer em detrimento do ser, toda a actuação dos MMB, com todo aquele aparato cénico, podia cair dentro do saco das futilidades com que frequentemente somos brindados na música que vai sendo feita por aí, mas ali há muito mais do que cenário. Há até, pasme-se, profissionalismo e naturalidade em palco, como demonstrou o incidente em que a energia eléctrica foi abaixo e o colectivo continuou a tocar em formato acústico até o fuzz voltar aos amplificadores, sem nunca parar o tema. Houve até quem não se tivesse apercebido do incidente. VÍDEO
8. Faust & James Johnston @ Maria Matos (6/10)
E eis que tivemos a oportunidade de ver os Faust-que-não-eram-os-outros-Faust, os Faust-que-são-mais-malucos-do-que-os-outros-Faust, que o diga quem depois teve que limpar o palco do Maria Matos depois da encenação quase fiel, imaginamos, do apocalipse. Cereja no topo do bolo: a guitarra tresloucada de James Johnston, o eterno Gallon Drunk. VÍDEO
9. Liquid Liquid @ Primavera (29/5)
Já andamos todos um pouco fartos dos regressos de bandas míticas dos anos 70, 80 ou 90, não? Não são poucas vezes que saímos com aquela sensação de "naquele tempo deve ter sido bom, e esta apresentação é um documento importante para nós que não vivemos essa época" -- ao que imediatamente pensamos (ou dizemos entredentes) -- "mas foi uma seca do cacete". Ou, ainda pior, "eh pá, eles só voltaram para meter dinheiro ao bolso por conta dessas mentes nostálgicas que por aí pairam". Mas a actuação dos Liquid Liquid esteve o mais distante possível disso que possa haver. Este foi um dos casos raros em que que saímos a dizer "porra, isto faz todo o sentido hoje; FESTÃO como 99% dos miúdos que por aí andam não sonham conseguir vir a fazer." Ou algo do género. VÍDEO
10. Les Savy Fav @ Primavera (28/5)
Para quem gosta de loucos à solta num palco (E FORA DELE!) pouca concorrência haverá para os Les Savy Fav (esperem pelos Monotonix em Fevereiro). Convenhamos, às tantas já não sabemos se é só da performance do Tim Harrington (talvez seja, que os discos não são propriamente interessantes), mas que importa isso? É uma experiência como poucas. Já agora, se viram o vídeo dos Liquid Liquid, no posto acima, hão-de reparar na aparição do Tim. VÍDEO
Escrevi, na altura: "E a última grande explosão (literalmente até, pois coube-lhes as honras de fogo de artifício com que o FMM todos os anos se despede do castelo) veio com os Staff Benda Bilili. O disco era estupendo, já se sabia. Mas que os Staff Benda Bilili conseguissem, mesmo que esquecidos ou ignorados todos os problemas físicos que os debilitam, multiplicar a um ponto impensável toda aquela energia para o palco com as suas rumbas diabólicas e fazer transpirar as gentes no castelo daquela forma insana, era algo que nem nas minhas perspectivas mais optimistas encontrava lugar." VÍDEO
2. Sonic Youth @ Coliseu dos Recreios (22/4)
Já vi Sonic Youth umas sete ou oito vezes. Esta é bem capaz de ter sido a melhor. Escrevi, na altura: "Perdoem-me os que não tiveram oportunidade de ver os Sonic Youth, no ano passado, no Primavera Sound, mas não consigo deixar de reagir ao concerto desta noite sem ter por referencial aqueloutro. Como é que dois espectáculos com alinhamentos tão semelhantes, conseguem ser tão diferentes, pelo menos nas reacções que provocaram a mim e, suspeito, a outros que, como eu, também lá estiveram? Será porque hoje estávamos numa sala cheia, comprimida, com muito calor e muito suor, e não numa doca, ao ar livre, entre largos milhares de pessoas, entre horários de dezenas e dezenas de outras actuações? Será porque os temas mais recentes estão agora mais rodados ao vivo? Será porque hoje a banda esteve efectivamente melhor, sem ostentar aquele ar de frete do ano passado? Será porque a empatia com o público foi outra? Será pelo clima de euforia com que toda a gente -- pelo menos ao meu redor -- ansiava pelo concerto de hoje? Não sei. O que sei é que tudo hoje, desde os temas mais recentes até coisas antiquíssimas como «Shadow of a Doubt0«, «Schizophrenia», «Cross the Breeze» ou «Death Valley '69» soava (e fazia suar) de uma forma que me fez sentir um miúdo a ir aos seus primeiros concertos no Coliseu (tal como o André, que tem 14 anos e saiu de lá com um sorriso de orelha a orelha). Estes foram os «meus» Sonic Youth. Os meus e os de muita gente, ao longo de várias gerações. E provavelmente vão por cá andar ainda em 2020 ou 2030, a conquistar novos públicos e a manter estas relações «para a vida» com as gerações mais antigas. Pelo menos, é o que o espectáculo de hoje sugere." VÍDEO
3. Shellac @ ZDB (24/5)
Eu disse que ia haver mais Shellac nesta lista. E de outro concerto na mesma semana que aquele que aqui já apareceu. Escrevi, na altura: "Os Shellac não são uma banda. São um relógio suíço de frontispício em que, no lugar do cuco ou dos paisanos da aldeia surge um power trio clássico. São um metrónomo de três hastes, cada uma delas com um tique-taque sincronizado ao limite do absurdo, mais preciso que o relógio atómico de Greenwich. Eles nem se olham entre si quando acertam entre si as paragens, os arranques, as mudanças de tempos. E Steve Albini, como se tornou hábito dizer-se, é deus. E também é um óptimo guitarrista, que extrai da sua Travis Bean de alumínio o som rude, sujo e áspero do metal com que a maior parte de nós cresceu ao ouvir as bandas que Albini gravou e produziu ao longo das duas últimas décadas. E é ainda um poeta rock, em diferentes momentos do espectáculo, como em "The End of Radio". Nessas alturas, Albini pisa com toda a segurança o caminho de outros poetas americanos de palco como Patti Smith, Jim Morrison ou Jello Biafra. Mas Shellac não é só Albini. Bob Weston, que tem o sangue do hardcore de DC a correr pelas cordas do baixo, e Todd Trainer, um autêntico demónio na bateria (nota: não é figurativo), são as duas outras engrenagens do tal relógio suíço." VÍDEO
4. N'Diale - Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio @ FMM (29/7)
Escrevi, na altura: "Quem imaginaria que a música de tradição europeia a que o bretão Jacky Molard se tem dedicado ao longo da carreira, e que já apresentou por duas outras ocasiões em Sines, casaria tão bem com a música do trio maliano de Founé Diarra? Quem é que é capaz de dizer, sem mais nem menos, que um prato de peixe e de carne, em simultâneo, se pode tornar uma maravilha da gastronomia? A este respeito, aliás, o António Pires dizia que "o gajo que inventou a carne de porco à alentejana deve ter tido uma experiência semelhante". E como é que dançamos isto? Com as pernas para a frente ou com o rabo espetado para trás? Estas eram as interrogações iniciais de muitos, certamente, mas não foram mesmo mais do que isso mesmo: iniciais. Rapidamente, todos atirámos os axiomas etnomusicológicos para trás das costas e abraçámos calorosamente aquela que foi uma das experiências mais incríveis de sempre no palco do castelo." VÍDEO
5. Barbez @ FMM (30/7)
Escrevi, na altura: "Os Barbez, grupo de Nova Iorque com ligações à Tzadik de John Zorn, apareceram no FMM com toda a pinta de outsiders. O grupo de Dan Kaufman já por cá tinha passado para um concerto na ZDB, para um concerto mediano, mas agora, com formação alargada e com um som perfeito que permitiu a percepção ao detalhe das texturas e frases criadas em palco, misturando klezmer com rock de câmara ou jazz marginal, a lembrar bandas da editora Constellation, tudo foi diferente, para melhor. Muito melhor. Houve algo que se manteve, contudo: o papel central de Pamelia Kurstin na música do grupo. Nunca se viu em Sines alguém a "tocar" theremin, o estranho instrumento literalmente intocável que os russos desenvolveram nos anos 20 do século passado (e para o qual Lenine chegou a receber aulas), e a estreia coube, felizmente, a uma das suas mais incríveis intérpretes." VÍDEO
6. Yasmin Levy @ FMM (29/7)
Em 2009, o FMM ofereceu-nos Mor Karbasi. Em 2010, tivemos direito a Yasmin Levy, uma voz para a qual faltam adjectivos na língua portuguesa, uma actuação de fazer mexer com todos os sentidos. VÍDEO
7. Master Musicians Of Bukkake @ ZDB (17/10)
O reino dos MMB veio até nós. Antes mesmo do espectáculo começar, o cenário do palco dava desde logo a perceber que aquilo a que ali íamos assistir seria muito diferente do habitual. Em inúmeros aspectos. Hoje, que vivemos cada vez mais o tempo das imagens, o tempo do parecer em detrimento do ser, toda a actuação dos MMB, com todo aquele aparato cénico, podia cair dentro do saco das futilidades com que frequentemente somos brindados na música que vai sendo feita por aí, mas ali há muito mais do que cenário. Há até, pasme-se, profissionalismo e naturalidade em palco, como demonstrou o incidente em que a energia eléctrica foi abaixo e o colectivo continuou a tocar em formato acústico até o fuzz voltar aos amplificadores, sem nunca parar o tema. Houve até quem não se tivesse apercebido do incidente. VÍDEO
8. Faust & James Johnston @ Maria Matos (6/10)
E eis que tivemos a oportunidade de ver os Faust-que-não-eram-os-outros-Faust, os Faust-que-são-mais-malucos-do-que-os-outros-Faust, que o diga quem depois teve que limpar o palco do Maria Matos depois da encenação quase fiel, imaginamos, do apocalipse. Cereja no topo do bolo: a guitarra tresloucada de James Johnston, o eterno Gallon Drunk. VÍDEO
9. Liquid Liquid @ Primavera (29/5)
Já andamos todos um pouco fartos dos regressos de bandas míticas dos anos 70, 80 ou 90, não? Não são poucas vezes que saímos com aquela sensação de "naquele tempo deve ter sido bom, e esta apresentação é um documento importante para nós que não vivemos essa época" -- ao que imediatamente pensamos (ou dizemos entredentes) -- "mas foi uma seca do cacete". Ou, ainda pior, "eh pá, eles só voltaram para meter dinheiro ao bolso por conta dessas mentes nostálgicas que por aí pairam". Mas a actuação dos Liquid Liquid esteve o mais distante possível disso que possa haver. Este foi um dos casos raros em que que saímos a dizer "porra, isto faz todo o sentido hoje; FESTÃO como 99% dos miúdos que por aí andam não sonham conseguir vir a fazer." Ou algo do género. VÍDEO
10. Les Savy Fav @ Primavera (28/5)
Para quem gosta de loucos à solta num palco (E FORA DELE!) pouca concorrência haverá para os Les Savy Fav (esperem pelos Monotonix em Fevereiro). Convenhamos, às tantas já não sabemos se é só da performance do Tim Harrington (talvez seja, que os discos não são propriamente interessantes), mas que importa isso? É uma experiência como poucas. Já agora, se viram o vídeo dos Liquid Liquid, no posto acima, hão-de reparar na aparição do Tim. VÍDEO
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Os melhores concertos de 2010 (11 a 20)
11. Prince Rama @ ZDB (1/12)
O mundo só teria a ganhar com mais bandas como os Prince Rama. Ora psicadélicos, ora tribais, vozes bem colocadas à... Kate Bush, composições que parecem ter saído da imaginação do... Brian Eno. Magia, magia, magia. (Ah, e uma guitarrista-teclista linda de morrer.)
12. Tinariwen @ FMM (30/7)
De tantas vezes que cá vieram, já não constituem propriamente uma surpresa. Mas também não estamos exactamente fartos. Bem pelo contrário. O que interessa é que conseguiram hipnotizar aqueles que os viam no castelo de Sines com o ritmo e as malhas de guitarra que trouxeram do deserto. VÍDEO
13. Shellac @ Primavera (28/5)
Tinha-os visto dias antes, na ZDB. Tinha-os visto há exactamente um ano, neste mesmo palco ATP, no Primavera. Tinha contra mim um horário pouco contornável do festival. Mas mesmo assim, não era possível deixar escapar mais esta oportunidade de os ver ao vivo. Mais houvesse, mais seriam. VÍDEO
14. Michael Rother & Friends Present Neu! Music @ Primavera (29/5)
O revivalismo do kraut tem destas coisas boas: o lendário Michael Rother junta mais dois músicos, um dos quais o atarefadíssimo Steve Shelley, para reproduzirem ao vivo reportório dos Neu!... As gerações mais novas só podem agradecer. VÍDEO
15. Times New Viking @ ZDB (21/4)
É uma daquelas coisas cheias de frenesi, de ruído, de gritaria e de rebuçados sónicos, em que não se consegue ficar quieto. Times New Viking de volta, já!
16. Tortoise @ Primavera (27/5)
Escrevi na altura: "[Por comparação com os Ui] Mais abertos, mais completos, mais ágeis, mais ricos musicalmente, os Tortoise, com John McEntire e John Herndon a trazerem as suas baterias para a frente do palco, mostraram em palco aquilo que já tinham provado em estúdio com “Beacons of Ancestorship”, isto é, que este combo de músicos exímios e multifacetados merece continuar a prolongar a carreira, já tantos anos depois da euforia do pós-rock." VÍDEO
17. Vashti Bunyan @ Lux (13/5)
Um dos acontecimentos do ano. Termos tido, em 2010, a possibilidade de ver esta lenda (quase) esquecida da folk britânica, é um privilégio intemporal. VÍDEO
18. Johan Karlberg (Radioclit) @ Lx Factory (13/2)
Mais um que desafiaria o conceito de concerto, se ainda vivessemos no século passado.
Festarola até às tantas em mais um magnífico "Baile" da Madame. O que eu lamento não ter visto os Very Best no Sudoeste.
19. Wimme @ FMM (29/7)
"Há mais de dez anos que ansiava por um concerto dele por cá e nunca imaginei que fosse tão bem recebido como foi ali em Sines, no palco da praia, ao fim da tarde, para uma música que se imagina nas montanhas, no frio." VÍDEO
20. Paus com Dj Riot & Dj Ride @ Lux (16/12)
Eu disse que ia haver mais Paus nesta lista. E a mais concertos tivesse assistido, mais Paus aqui haveria. Mas desta vez, só desta vez, Paus e agulhas tanto bateram que até fizeram faúlhas. Tenho pena de ter perdido o primeiro "Só desta vez", mas a segunda oportunidade deu para perceber o quanto esta boa gente se esforça para criar estas apresentações únicas. VÍDEO
O mundo só teria a ganhar com mais bandas como os Prince Rama. Ora psicadélicos, ora tribais, vozes bem colocadas à... Kate Bush, composições que parecem ter saído da imaginação do... Brian Eno. Magia, magia, magia. (Ah, e uma guitarrista-teclista linda de morrer.)
12. Tinariwen @ FMM (30/7)
De tantas vezes que cá vieram, já não constituem propriamente uma surpresa. Mas também não estamos exactamente fartos. Bem pelo contrário. O que interessa é que conseguiram hipnotizar aqueles que os viam no castelo de Sines com o ritmo e as malhas de guitarra que trouxeram do deserto. VÍDEO
13. Shellac @ Primavera (28/5)
Tinha-os visto dias antes, na ZDB. Tinha-os visto há exactamente um ano, neste mesmo palco ATP, no Primavera. Tinha contra mim um horário pouco contornável do festival. Mas mesmo assim, não era possível deixar escapar mais esta oportunidade de os ver ao vivo. Mais houvesse, mais seriam. VÍDEO
14. Michael Rother & Friends Present Neu! Music @ Primavera (29/5)
O revivalismo do kraut tem destas coisas boas: o lendário Michael Rother junta mais dois músicos, um dos quais o atarefadíssimo Steve Shelley, para reproduzirem ao vivo reportório dos Neu!... As gerações mais novas só podem agradecer. VÍDEO
15. Times New Viking @ ZDB (21/4)
É uma daquelas coisas cheias de frenesi, de ruído, de gritaria e de rebuçados sónicos, em que não se consegue ficar quieto. Times New Viking de volta, já!
16. Tortoise @ Primavera (27/5)
Escrevi na altura: "[Por comparação com os Ui] Mais abertos, mais completos, mais ágeis, mais ricos musicalmente, os Tortoise, com John McEntire e John Herndon a trazerem as suas baterias para a frente do palco, mostraram em palco aquilo que já tinham provado em estúdio com “Beacons of Ancestorship”, isto é, que este combo de músicos exímios e multifacetados merece continuar a prolongar a carreira, já tantos anos depois da euforia do pós-rock." VÍDEO
17. Vashti Bunyan @ Lux (13/5)
Um dos acontecimentos do ano. Termos tido, em 2010, a possibilidade de ver esta lenda (quase) esquecida da folk britânica, é um privilégio intemporal. VÍDEO
18. Johan Karlberg (Radioclit) @ Lx Factory (13/2)
Mais um que desafiaria o conceito de concerto, se ainda vivessemos no século passado.
Festarola até às tantas em mais um magnífico "Baile" da Madame. O que eu lamento não ter visto os Very Best no Sudoeste.
19. Wimme @ FMM (29/7)
"Há mais de dez anos que ansiava por um concerto dele por cá e nunca imaginei que fosse tão bem recebido como foi ali em Sines, no palco da praia, ao fim da tarde, para uma música que se imagina nas montanhas, no frio." VÍDEO
20. Paus com Dj Riot & Dj Ride @ Lux (16/12)
Eu disse que ia haver mais Paus nesta lista. E a mais concertos tivesse assistido, mais Paus aqui haveria. Mas desta vez, só desta vez, Paus e agulhas tanto bateram que até fizeram faúlhas. Tenho pena de ter perdido o primeiro "Só desta vez", mas a segunda oportunidade deu para perceber o quanto esta boa gente se esforça para criar estas apresentações únicas. VÍDEO
segunda-feira, 31 de maio de 2010
O meu Primavera Sounds 2010
Enquanto se dá descanso aos pés dos quilómetros percorridos e das horas em pé a ver concertos e a dançar, enquanto se dá descanso aos ouvidos e à cabeça de tanto rock’n’roll, enquanto se dá descanso ao corpo daquela coisa com nome de santo a que os espanhóis chamam cerveja, há tempo para um esforço de rememoração daquilo que se conseguiu ver e ouvir no Primavera Sound 2010. Notem que esta é apenas uma breve apreciação do que foi «o meu Primavera Sounds 2010». Se já quando se assina uma reportagem sobre um mero concerto a subjectividade é, por natureza, inescapável, muito mais próprio se torna o relato de um festival em que mais de meia-dúzia de palcos funcionam praticamente em simultâneo, em que a cada um cabe decidir o alinhamento do que pretende ver. E este ano, por várias razões, a começar pela memória do estouro físico e mental da experiência de 2009, «o meu Primavera Sounds 2010» foi bastante mais compacto. Mas vamos aos destaques destes três dias de festival no Forum de Barcelona:
Os baixos, as baterias e os músicos que tocam que se fartam
Do cartaz do Primavera Sound deste ano fizeram parte inúmeras bandas com sonoridade (e line-ups) assentes nas secções rítmicas. O protagonismo do baixo e da bateria era evidente nas várias correntes e gerações que passaram por estes palcos.
Da terra do kraut, veio Michael Rother acompanhado de Steve Shelley e Aaron Mullan, para uma enérgica e retemperadora revisitação do reportório dos Neu!, no último final de tarde soalheiro do festival. Do kraut também se ouviu revivalismo por parte de músicos mais novos, como foi o caso da bela surpresa chamada Beak>, o novo projecto de Geoff Barrows, dos Portishead.
Da terra do funk-punk, vieram os Liquid Liquid. Quem, como eu, imaginava que se ia apenas prestar tributo a mais um grupo icónico do passado agora regressado aos palcos, de músicos enferrujados pelo tempo, percebeu logo desde o início o engano. Foi, neste meu Primavera, o melhor de todos os espectáculos (em ex aequo com os Les Savy Fav, mas já lá vamos). Esta potente máquina de dança parece não ter parado no tempo, não só por causa do acaso circunstancial do legado da banda fazer todo o sentido nas pistas de dança de hoje, mas também, e ainda mais, porque os próprios músicos tocam com um rigor e uma energia tais que tornam a dança obrigatória desde o início e que, por várias ocasiões, produzem clímaxes de loucura indescritíveis.
Da terra do pós-rock, vieram os Ui e os Tortoise. Os primeiros, dois baixos e bateria, circunspectos mas exímios na linguagem que criaram nos anos 90. Mais abertos, mais completos, mais ágeis, mais ricos musicalmente, os Tortoise, com John McEntire e John Herndon a trazerem as suas baterias para a frente do palco, mostraram em palco aquilo que já tinham provado em estúdio com “Beacons of Ancestorship”, isto é, que este combo de músicos exímios e multifacetados merece continuar a prolongar a carreira, já tantos anos depois da euforia do pós-rock.
Who rocks the party?
Ainda que com pena de ter perdido, por diferentes motivos, os concertos de Monotonix (diz quem foi que a loucura se instalou no palco ATP, com estes punks israelitas a tocarem no meio da assistência), King Khan, Black Lips, Almighty Defenders (grupo que reúne elementos dos dois anteriores), «o meu Primavera Sounds 2010» ficou marcado pela actuação dos nova-iorquinos Les Savy Fav. Tim Harrington, o vocalista, é a grande figura desta edição do festival. Se em mais de vinte anos de concertos pensava que já tinha visto de tudo, eis Tim Harrington a mostrar o contrário. Ainda mal a actuação tinha começado e já ele, apenas em calções, depois de ter retirado o seu fato de panda mutante, se atirava para a plateia. Ele e a sua opulente barriga. Surfava por cima dos espectadores, subia às bancadas, ia o mais longe possível que o cabo permitia, voltava a palco para subir as estruturas laterais e tentar destruir um ou outro holofote, voltava a atirar-se para o público, fazia questão em aleijar-se ao mergulhar de cabeça para o chão ou cobria-se de pó de talco e atirava-se de novo para a plateia, enquanto cantava o perfeitamente explícito “Who Rocks the Party?”. Tudo isto sem se furtar à tarefa de ter a voz nos momentos certos, no decorrer do excelente alinhamento trazido pelos Les Savy Fav. No último crowd-surfing desapareceu no meio do público e já não voltou. Hoje deve estar com hematomas pelo corpo inteiro. Até o Iggy Pop passa por atinado ao lado de Tim Harrington, que ainda atravessou o palco de um lado ao outro no dia seguinte, na actuação dos Liquid Liquid (ver vídeo aqui). Who rocks the party? Who rocks the party?
Outras coisas
No palco principal, apenas prestei atenção a três actuações. Primeiro, The Fall, que tiveram um arranque enérgico, proporcionado por um dos temas-título do novo álbum “Your Future Our Clutter”, e a esperada sobranceria de Mark E. Smith, que se entreteve por várias vezes a mexer nos amplificadores dos seus músicos. Excelente versão do “Strychnine”, dos Sonics, uma vez gravada para uma Peel Session e depois tornada habitual ao vivo. Mais tarde, vieram os Pavement, com um alinhamento mais ou menos esperado, alguns convidados de ocasião (dos Monotonix e dos Broken Social Scene) e algumas histórias ao microfone: “I got in the elevator with Mark E. Smith, Colin Newman from Wire and two members of Mission of Burma – It was a punk rock wet dream”, dizia o Scott “Spiral Stairs” Kannberg. Na sexta-feira, foi o dia de Pixies. Tal como nos Pavement, ouviu-se aquilo que mais ou menos se esperava (exceptuando a magnífica versão de “Winterlong”) e também se ouviu muitos pregos de Kim Deal (e diz quem estava mais perto do palco que, perante os risos da baixista nestas ocasiões, Frank Black reagia com cara de poucos amigos...).
Um susto chamado Gary Numan: ao princípio, imaginei tratar-se de uma qualquer banda dos círculos góticos espanhóis. Não era de se supor que houvesse alguém a tocar àquela hora no palco Vice, sabendo-se que neste festival os horários são respeitados de forma absolutamente escrupulosa, mas era mesmo o Gary Numan que ali estava naqueles preparos. Entrou logo directamente para o lugar de pior experiência n’«o meu Primavera Sounds 2010».
É muita gente
Há uma razão, entre outras, para não gostar, de uma forma geral, do conceito de festival. As multidões. E se, no ano passado, a experiência do Primavera tinha sido interessante por justamente não ter sido afectada por este problema, à excepção do último dia, por causa da presença em cartaz de Neil Young, este ano teve multidões compactas todos os dias e logo desde bem cedo. Em vários dos espectáculos, principalmente nos mais apelativos do palco principal ou nos do palco ATP, tornou-se complicado conseguir bons lugares, com um mínimo de boa visibilidade. Para ajudar ao clima de caos que rapidamente se instalava com o movimento das massas, as redes de telemóvel deixavam de funcionar. Comunicação por voz tornava-se impossível, e por texto havia atrasos de 10 ou 20 minutos na entrega das mensagens. Estamos em 2010 e problemas de comunicações em situações de grandes aglomerações de povo são coisa que já nem sequer por cá existe.
Por este andar, não vai haver «o meu Primavera Sounds 2011».
O TOP 10 d’«o meu Primavera Sounds 2010»
1º Liquid Liquid
Les Savy Fav (ex aequo)
3º Michael Rother & Friends present Neu! Music
4º Shellac
5º Tortoise
6º Diplo
7º Lee ‘Scratch’ Perry
8º Beak>
9º Pavement
10º The Fall
(O que mais pena me deu de não ter visto: The Almighty Defenders, Monotonix, Apse, Scout Niblett, Thee Oh Sees, The King Khan & BBQ Show, Major Lazer, Dum Dum Girls, Atlas Sound)
Os baixos, as baterias e os músicos que tocam que se fartam
Do cartaz do Primavera Sound deste ano fizeram parte inúmeras bandas com sonoridade (e line-ups) assentes nas secções rítmicas. O protagonismo do baixo e da bateria era evidente nas várias correntes e gerações que passaram por estes palcos.
Da terra do kraut, veio Michael Rother acompanhado de Steve Shelley e Aaron Mullan, para uma enérgica e retemperadora revisitação do reportório dos Neu!, no último final de tarde soalheiro do festival. Do kraut também se ouviu revivalismo por parte de músicos mais novos, como foi o caso da bela surpresa chamada Beak>, o novo projecto de Geoff Barrows, dos Portishead.
Da terra do funk-punk, vieram os Liquid Liquid. Quem, como eu, imaginava que se ia apenas prestar tributo a mais um grupo icónico do passado agora regressado aos palcos, de músicos enferrujados pelo tempo, percebeu logo desde o início o engano. Foi, neste meu Primavera, o melhor de todos os espectáculos (em ex aequo com os Les Savy Fav, mas já lá vamos). Esta potente máquina de dança parece não ter parado no tempo, não só por causa do acaso circunstancial do legado da banda fazer todo o sentido nas pistas de dança de hoje, mas também, e ainda mais, porque os próprios músicos tocam com um rigor e uma energia tais que tornam a dança obrigatória desde o início e que, por várias ocasiões, produzem clímaxes de loucura indescritíveis.
Da terra do pós-rock, vieram os Ui e os Tortoise. Os primeiros, dois baixos e bateria, circunspectos mas exímios na linguagem que criaram nos anos 90. Mais abertos, mais completos, mais ágeis, mais ricos musicalmente, os Tortoise, com John McEntire e John Herndon a trazerem as suas baterias para a frente do palco, mostraram em palco aquilo que já tinham provado em estúdio com “Beacons of Ancestorship”, isto é, que este combo de músicos exímios e multifacetados merece continuar a prolongar a carreira, já tantos anos depois da euforia do pós-rock.
Who rocks the party?
Ainda que com pena de ter perdido, por diferentes motivos, os concertos de Monotonix (diz quem foi que a loucura se instalou no palco ATP, com estes punks israelitas a tocarem no meio da assistência), King Khan, Black Lips, Almighty Defenders (grupo que reúne elementos dos dois anteriores), «o meu Primavera Sounds 2010» ficou marcado pela actuação dos nova-iorquinos Les Savy Fav. Tim Harrington, o vocalista, é a grande figura desta edição do festival. Se em mais de vinte anos de concertos pensava que já tinha visto de tudo, eis Tim Harrington a mostrar o contrário. Ainda mal a actuação tinha começado e já ele, apenas em calções, depois de ter retirado o seu fato de panda mutante, se atirava para a plateia. Ele e a sua opulente barriga. Surfava por cima dos espectadores, subia às bancadas, ia o mais longe possível que o cabo permitia, voltava a palco para subir as estruturas laterais e tentar destruir um ou outro holofote, voltava a atirar-se para o público, fazia questão em aleijar-se ao mergulhar de cabeça para o chão ou cobria-se de pó de talco e atirava-se de novo para a plateia, enquanto cantava o perfeitamente explícito “Who Rocks the Party?”. Tudo isto sem se furtar à tarefa de ter a voz nos momentos certos, no decorrer do excelente alinhamento trazido pelos Les Savy Fav. No último crowd-surfing desapareceu no meio do público e já não voltou. Hoje deve estar com hematomas pelo corpo inteiro. Até o Iggy Pop passa por atinado ao lado de Tim Harrington, que ainda atravessou o palco de um lado ao outro no dia seguinte, na actuação dos Liquid Liquid (ver vídeo aqui). Who rocks the party? Who rocks the party?
Outras coisas
No palco principal, apenas prestei atenção a três actuações. Primeiro, The Fall, que tiveram um arranque enérgico, proporcionado por um dos temas-título do novo álbum “Your Future Our Clutter”, e a esperada sobranceria de Mark E. Smith, que se entreteve por várias vezes a mexer nos amplificadores dos seus músicos. Excelente versão do “Strychnine”, dos Sonics, uma vez gravada para uma Peel Session e depois tornada habitual ao vivo. Mais tarde, vieram os Pavement, com um alinhamento mais ou menos esperado, alguns convidados de ocasião (dos Monotonix e dos Broken Social Scene) e algumas histórias ao microfone: “I got in the elevator with Mark E. Smith, Colin Newman from Wire and two members of Mission of Burma – It was a punk rock wet dream”, dizia o Scott “Spiral Stairs” Kannberg. Na sexta-feira, foi o dia de Pixies. Tal como nos Pavement, ouviu-se aquilo que mais ou menos se esperava (exceptuando a magnífica versão de “Winterlong”) e também se ouviu muitos pregos de Kim Deal (e diz quem estava mais perto do palco que, perante os risos da baixista nestas ocasiões, Frank Black reagia com cara de poucos amigos...).
Um susto chamado Gary Numan: ao princípio, imaginei tratar-se de uma qualquer banda dos círculos góticos espanhóis. Não era de se supor que houvesse alguém a tocar àquela hora no palco Vice, sabendo-se que neste festival os horários são respeitados de forma absolutamente escrupulosa, mas era mesmo o Gary Numan que ali estava naqueles preparos. Entrou logo directamente para o lugar de pior experiência n’«o meu Primavera Sounds 2010».
É muita gente
Há uma razão, entre outras, para não gostar, de uma forma geral, do conceito de festival. As multidões. E se, no ano passado, a experiência do Primavera tinha sido interessante por justamente não ter sido afectada por este problema, à excepção do último dia, por causa da presença em cartaz de Neil Young, este ano teve multidões compactas todos os dias e logo desde bem cedo. Em vários dos espectáculos, principalmente nos mais apelativos do palco principal ou nos do palco ATP, tornou-se complicado conseguir bons lugares, com um mínimo de boa visibilidade. Para ajudar ao clima de caos que rapidamente se instalava com o movimento das massas, as redes de telemóvel deixavam de funcionar. Comunicação por voz tornava-se impossível, e por texto havia atrasos de 10 ou 20 minutos na entrega das mensagens. Estamos em 2010 e problemas de comunicações em situações de grandes aglomerações de povo são coisa que já nem sequer por cá existe.
Por este andar, não vai haver «o meu Primavera Sounds 2011».
O TOP 10 d’«o meu Primavera Sounds 2010»
1º Liquid Liquid
Les Savy Fav (ex aequo)
3º Michael Rother & Friends present Neu! Music
4º Shellac
5º Tortoise
6º Diplo
7º Lee ‘Scratch’ Perry
8º Beak>
9º Pavement
10º The Fall
(O que mais pena me deu de não ter visto: The Almighty Defenders, Monotonix, Apse, Scout Niblett, Thee Oh Sees, The King Khan & BBQ Show, Major Lazer, Dum Dum Girls, Atlas Sound)
terça-feira, 25 de maio de 2010
Shellac da Nort'América
Os Shellac não são uma banda. São um relógio suíço de frontispício em que, no lugar do cuco ou dos paisanos da aldeia surge um power trio clássico. São um metrónomo de três hastes, cada uma delas com um tique-taque sincronizado ao limite do absurdo, mais preciso que o relógio atómico de Greenwich. Eles nem se olham entre si quando acertam entre si as paragens, os arranques, as mudanças de tempos. E Steve Albini, como se tornou hábito dizer-se, é deus. E também é um óptimo guitarrista, que extrai da sua Travis Bean de alumínio o som rude, sujo e áspero do metal com que a maior parte de nós cresceu ao ouvir as bandas que Albini gravou e produziu ao longo das duas últimas décadas. E é ainda um poeta rock, em diferentes momentos do espectáculo, como em "The End of Radio". Nessas alturas, Albini pisa com toda a segurança o caminho de outros poetas americanos de palco como Patti Smith, Jim Morrison ou Jello Biafra. Mas Shellac não é só Albini. Bob Weston, que tem o sangue do hardcore de DC a correr pelas cordas do baixo, e Todd Trainer, um autêntico demónio na bateria (nota: não é figurativo), são as duas outras engrenagens do tal relógio suíço. O alinhamento teve vários pontos de contacto com o concerto do ano passado, no Primavera, e ainda mais terá certamente com o deste ano no mesmo local. Quem nunca passou pela experiência Shellac e na próxima sexta-feira, em Barcelona, se propuser a trocar parte dos Pixies ou dos The King Khan & BBQ Show, que tocam quase à mesma hora noutros palcos, não ficará seguramente a perder.
Assistiu-se, esta noite, a um dos maiores concertos deste ano. (Mission of Burma foi bom, óptimo até, mas depois do estrondo shellaquiano, fica-se com pouco para se dizer.)
Assistiu-se, esta noite, a um dos maiores concertos deste ano. (Mission of Burma foi bom, óptimo até, mas depois do estrondo shellaquiano, fica-se com pouco para se dizer.)
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Quem se atreve a perder isto, hoje?
Hoje, na ZDB, a partir das 22h.
Como é que alguém no seu perfeito juízo se atreve a perder estes dois colossos do rock americano num cenário tão intimista (e tão sudorífero também) como o do aquário da ZDB?
sexta-feira, 12 de março de 2010
PÁRA TUDO. Shellac em Lisboa e no Porto!
Dias 24 e 25 de Maio (segunda e terça-feira), primeiro na ZDB e depois em Serralves. O trio de Steve Albini vem a Portugal para concertos dias antes de mais uma actuação no Primavera Sound de Barcelona. O concerto na ZDB será, à partida, no aquário, pelo que é melhor estarem atentos à colocação dos bilhetes à venda. Vão desaparecer num ápice.
No ano passado, em Barcelona, foi assim (e foi tão bom):
No ano passado, em Barcelona, foi assim (e foi tão bom):
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Os 100 mais de uma década de concertos, #56-60
56. SHELLAC @ PRIMAVERA SOUND
29 de Maio de 2009
Era um dos nomes que aguardava com maior antecipação nesta minha estreia primaveril. Escrevi: "Steve Albini é Deus. Pouco depois de Jarvis Cocker, a quem Albini produziu o mais recente álbum, acabar no palco principal, voltou com os seus parceiros Bob Weston e Todd Trainer ao palco ATP, para ali produzir um dos maiores estrondos do festival. Som perfeito, coisa pouco frequente neste palco (pior ainda era o RockDeluxe, já agora), experiência e técnica a rodos entre os três, permitindo um entrosamento magnífico como banda, coisa também nem sempre frequente em muitas das outras bandas, especialmente as deste palco, e um alinhamento magnífico (fez falta o 'Prayer to God'). Grande final com 'The End of Radio', uma de várias que foram buscar ao último álbum, numa performance apoteótica, onde nem sequer a bateria, que foi desmontada peça a peça por Albini e Weston, sobrou. Memorável. Só por isto já teria valido a pena este Primavera."
57. COMETS ON FIRE @ ZDB
13 de Outubro de 2006
Já os esperávamos desde a saída do magnífico "Blue Cathedral". Ao vivo, são tudo o que se dizia sobre eles. Um intenso combo sónico feito de arremetidas em parte stoner, em parte psicadélicas, em parte do rock mais clássico. E o Ben Chasny (Six Organs of Admittance) a tocar guitarra eléctrica com uma fúria descontrolada.
58. SIGUR RÓS @ CCB
9 de Abril de 2001
Já os tinha visto em Londres, no ano anterior, a aquecerem para os godspeed you black emperor!, mas foi aqui, com palco só para eles, que deu para apanhar, em pleno, os islandeses na sua melhor forma. Mais alguns anos e já não seriam mais do que uma caricatura de si mesmos.
59. GAITEIROS DE LISBOA @ FMM SINES
27 de Julho de 2006
Vi os Gaiteiros o mais que pude nos anos 90. Depois, o grupo deixou de ter uma presença habitual nos palcos, na mesma medida que se levantaram complicações às edições de novos trabalhos. O espectáculo no Castelo de Sines serviu de reencontro com o que continuo a achar ser o que melhor aconteceu à música portuguesa nos tempos recentes. E não falo apenas no ghetto das tradicionais, porque reduzir os Gaiteiros a tal é nunca ter compreendido aquilo que eles fazem.
60. LHASA @ FORUM LISBOA
7 de Julho de 2004
Tem um disco, "La Llorona", que é das coisas mais bonitas que se ouviu no final dos anos 90, e que em muito terá contribuído para que o Forum Lisboa enchesse para assistir a um belo espectáculo, melhor até do que o da Aula Magna. E cantou um fado de Amália, não só aqui mas também nas outras paragens desta digressão. Reportagem do concerto.
29 de Maio de 2009
Era um dos nomes que aguardava com maior antecipação nesta minha estreia primaveril. Escrevi: "Steve Albini é Deus. Pouco depois de Jarvis Cocker, a quem Albini produziu o mais recente álbum, acabar no palco principal, voltou com os seus parceiros Bob Weston e Todd Trainer ao palco ATP, para ali produzir um dos maiores estrondos do festival. Som perfeito, coisa pouco frequente neste palco (pior ainda era o RockDeluxe, já agora), experiência e técnica a rodos entre os três, permitindo um entrosamento magnífico como banda, coisa também nem sempre frequente em muitas das outras bandas, especialmente as deste palco, e um alinhamento magnífico (fez falta o 'Prayer to God'). Grande final com 'The End of Radio', uma de várias que foram buscar ao último álbum, numa performance apoteótica, onde nem sequer a bateria, que foi desmontada peça a peça por Albini e Weston, sobrou. Memorável. Só por isto já teria valido a pena este Primavera."
57. COMETS ON FIRE @ ZDB
13 de Outubro de 2006
Já os esperávamos desde a saída do magnífico "Blue Cathedral". Ao vivo, são tudo o que se dizia sobre eles. Um intenso combo sónico feito de arremetidas em parte stoner, em parte psicadélicas, em parte do rock mais clássico. E o Ben Chasny (Six Organs of Admittance) a tocar guitarra eléctrica com uma fúria descontrolada.
58. SIGUR RÓS @ CCB
9 de Abril de 2001
Já os tinha visto em Londres, no ano anterior, a aquecerem para os godspeed you black emperor!, mas foi aqui, com palco só para eles, que deu para apanhar, em pleno, os islandeses na sua melhor forma. Mais alguns anos e já não seriam mais do que uma caricatura de si mesmos.
59. GAITEIROS DE LISBOA @ FMM SINES
27 de Julho de 2006
Vi os Gaiteiros o mais que pude nos anos 90. Depois, o grupo deixou de ter uma presença habitual nos palcos, na mesma medida que se levantaram complicações às edições de novos trabalhos. O espectáculo no Castelo de Sines serviu de reencontro com o que continuo a achar ser o que melhor aconteceu à música portuguesa nos tempos recentes. E não falo apenas no ghetto das tradicionais, porque reduzir os Gaiteiros a tal é nunca ter compreendido aquilo que eles fazem.
60. LHASA @ FORUM LISBOA
7 de Julho de 2004
Tem um disco, "La Llorona", que é das coisas mais bonitas que se ouviu no final dos anos 90, e que em muito terá contribuído para que o Forum Lisboa enchesse para assistir a um belo espectáculo, melhor até do que o da Aula Magna. E cantou um fado de Amália, não só aqui mas também nas outras paragens desta digressão. Reportagem do concerto.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Records catalans
Aproveito para partilhar alguns dos momentos vividos ao longo de um fim-de-semana com tanto de inesquecível quanto de cansativo:
U. Os dez melhores concertos, por ordem de preferência: Neil Young, Shellac, My Bloody Valentine, Jason Lyttle, Liars, Black Lips, The Jesus Lizard, Spectrum, Sonic Youth, The Vaselines.
Dos. Neil Young curto demais. Houve vários pontos de contacto com o concerto em Lisboa, no ano passado. Das canções mais conhecidas, não houve (e foi uma pena) o "Words" e várias outras, mas houve "Cinnamon Girl", "Down by the River", "Mansion on the Hill" e, a única nova, "Get Behind the Wheel". Mas do que mais se notou a falta, e daí também o concerto ter sido relativamente curto face ao que se esperava, foi dos temas longos, daqueles em que Young abraça a guitarra, explora a distorção, procura o feedback, sem pressa de terminar a relação de amor com as seis cordas. Alinhamento: Mansion on the Hill, Hey Hey My My, Are you Ready for the Country, Everybody Knows this is Nowhere, Pocahontas, Spirit Road, Cortez the Killer, Cinnamon Girl, Oh Mother Earth (Natural Anthem), Needle and the Damage Done, Unknown Legend, Heart of Gold, Old Man, Down by the River, Get Behind the Wheel, Rockin' in the Free World, A Day in the Life (encore).
Tres. A maior desilusão do festival? Sonic Youth. Foi, em matéria de pesos e medidas, um bom espectáculo. Ouvir o "Brother James", o "Hei Joni" ou o "Tom Violence", só para citar algumas das mais antigas, num mesmo concerto, é coisa pela qual um tipo se deve sentir privilegiado. Mas, e é um grande "mas", estando-se num festival em que metade do cartaz deve a sua existência aos Sonic Youth e usa mesmo o palco, como filhos de peixe que sabem nadar, para desafiar algumas das convenções que estes vieram a derrubar ao longo dos anos é, no mínimo, decepcionante ver os progenitores, para mais elevados a cabeças-de-cartaz principais, pouco capazes de arriscar fosse o que fosse (uma ausência total de coragem se nos lembrarmos da actuação dos My Bloody Valentine, por exemplo) ou de mostrarem algo mais do que aquele ar de tédio com que enfrentaram o palco (parecia até haver algum desconforto entre os elementos do grupo, quem sabe sintoma do regresso a uma editora independente). Foi tudo tão diferente quando, há oito anos, os vi nesta mesma Barcelona, a apresentarem o projecto "Goodbye 20th Century". Agora, no Primavera, foram apenas mais uma banda... como as outras, com um bom concerto... como os outros. Alinhamento (com * os temas do novo álbum, "The Eternal"): Brother James, Sacred Trickster*, Hey Joni, No Way*, Calming The Snake*, Antenna*, The Sprawl, Cross The Breeze, Anti-Orgasm*, Leaky Lifeboat*, What We Know*, Tom Violence, Pink Steam, Bull In The Heather (encore), Expressway To Yr Skull (encore).
Quatre. Steve Albini é Deus. Pouco depois de Jarvis Cocker, a quem Albini produziu o mais recente álbum, acabar no palco principal, voltou com os seus parceiros Bob Weston e Todd Trainer ao palco ATP, para ali produzir um dos maiores estrondos do festival. Som perfeito, coisa pouco frequente neste palco (pior ainda era o RockDeluxe, já agora), experiência e técnica a rodos entre os três, permitindo um entrosamento magnífico como banda, coisa também nem sempre frequente em muitas das outras bandas, especialmente as deste palco, e um alinhamento magnífico (fez falta o "Prayer to God"). Grande final com "The End of Radio", uma de várias que foram buscar ao último álbum, numa performance apoteótica, onde nem sequer a bateria, que foi desmontada peça a peça por Albini e Weston, sobrou. Memorável. Só por isto já teria valido a pena este Primavera.
Cinc. Os tampões para My Bloody Valentine. À entrada, nos dois primeiros dias, respectivamente os dos concertos dos irlandeses no palco principal e no auditório, a organização distribuía aos participantes tampões para os ouvidos. É que -- e eu só vi o concerto do palco principal -- o volume e o ruído que ali se produziram desafiou tudo o que até hoje já se viu, perdão ouviu, à frente de um palco. Não espanta que haja quem fique com a audição reduzida depois destes concertos de regresso da banda de Kevin Shields (a começar pelo próprio). A demonstração de maior coragem, tanto por parte da banda como do público, veio com "You Made Me Realise", com que os MBV têm encerrado estes concertos, onde no meio surgem quase vinte minutos de ruído intenso, só eventualmente comparável ao que se ouvirá no interior de um reactor de um avião ou pairando por entre nuvens em permanente colisão.
Sis. Outros concertos, outros barulhos. Houve outros momentos dignos de nota. Os Spectrum a tocarem Mudhoney; O stage diving de David Yow, dos Jesus Lizard, que apareceram em grande forma, mesmo passados todos estes anos; A simpatia dos Vaselines; A estranheza de ver Lightning Bolt num palco e com som baixo, o que foi uma pena, o que também afectou os Sunn O))); A presença em palco de Jarvis Cocker, que bastou para agarrar o público mesmo antes de cantar fosse o que fosse (nota curiosa - a dada altura, Cocker dirigiu-se ao público em castelhano macarrónico, que depois traduziu para "my hovercraft is full of eels", do célebre "Dirty Hungarian Phrasebook" dos Monty Python, sendo que pouco depois Bob Weston, baixista dos Shellac, repetiria a piada no palco ATP; A pop country do Jason Lyttle, que ainda tocou vários temas dos Grandaddy; a irreverência ié-ié dos Black Lips no final do festival, os quais ainda cheguei a ver num pequeno e surpreendente set acústico na tenda da Ray Ban; A bebedeira dos dois putos dos Wavves, que levou a que o concerto se tornasse, possivelmente, no mais caótico do festival; O nervosismo dos chineses Carsick Cars, que possivelmente nem tinham idade para entrar no festival sem ser acompanhados por adultos; O enorme colectivo -- parecia quase uma banda de afrobeat, de tantos que eram -- que acompanhava o Dan Deacon, outro espectáculo que ameaçou o caos, quando o músico fazia birra para que o público fizesse o círculo de dança; etc.
Não foi fácil conseguir ver-se tudo o que se queria, num festival como estes. Alguns tiveram que ficar de fora (Gang Gang Dance é o caso que mais me custou), outros foram apanhados a meio e/ou abandonados antes do final. Só não houve silêncio. Mesmo nos poucos momentos em que não havia ninguém a tocar nos palcos mais cercanos, era o barulho, curioso por sinal, dos copos de plástico a serem pisados e chutados por quem caminhava pelos acessos. E as conversas dos espanhóis.
Set. ¿Por qué no te callas? No público, ninguém conseguia comunicar, a não ser por gestos, durante o final do concerto dos My Bloody Valentine. Ninguém? Bom, talvez os espanhóis conseguissem. Como todos sabemos desde há muitos anos, o desporto favorito dos nossos vizinhos é falar, falar, falar, falar, falar o mais alto possível, do erguer ao deitar. É impressionante como, às cinco da manhã, no interior das carruagens de metro ou dos autocarros de Barcelona, se continua a ouvir a mesma cacofonia que já se ouvia durante o dia. A estas horas, qualquer português vai cansado, calado, mono, a dormir até. Mas em toda a Espanha escuta-se sempre o mesmo matraquear, seja que horas forem. Ora, nos concertos, especialmente aqueles em que o som é mais baixo ou nas periferias da plateia, nos outros, é impossível ignorar o adstrato sonoro produzido por estes grupos de espanhóis, que só param de falar no intervalo dos temas, para levantarem os braços e aplaudirem algo que não estiveram a escutar antes. É tão cómico que quase nos faz esquecer não nos terem deixado ouvir a música.
Vuit. O Forum cheira mal. A zona do Forum, junto ao mar que banha Barcelona, é um espaço cuja dimensão e configuração oferecem características ideais para se organizar um festival como este. Mas fede que se farta. Não é o mau cheiro típico de Barcelona. É um pivete proveniente ora de descargas de dejectos químicos, ora de esgotos, que se torna insuportável por vezes.
Nou. Primavera Marcas. Apesar de vocacionado para os públicos afectos a círculos mais independentes na música -- ou talvez mesmo por causa disso... -- o Primavera não deixa de ser um palco enorme para as duas principais marcas do festival, a da cerveja e a dos óculos escuros. A primeira é das piores bebidas que a Catalunha tem para oferecer (até a San Miguel sabe a cerveja por comparação). E se aquela andava nas mãos do público, a segunda outra marca omnipresente tinha o seu público nas mãos. Em cada um destes três dias, parecia que estávamos não num festival de rock, mas numa qualquer concentração ibérica de wayfarers...
Deu. Me duelen las rodillas, tio. Aguentar três dias de um festival como estes até ao fim é pôr à prova o corpo, principalmente dos joelhos para baixo. Percorrem-se quilómetros de palco em palco, da banca de cerveja às casas-de-banho, sem contar com as as caminhadas sempre obrigatórias pelas ruas de Barcelona. E, ao cansaço físico, junta-se o intelectual. Obrigamos o cérebro a mudar rapidamente de um Jason Lyttle, por exemplo, para uns Sunn O))) ou de um Jarvis Cocker para uns Shellac. Não é fácil, mas o esforço é recompensador e a vontade de voltar é algo que surge assim que os primeiros sinais de cansaço se dissipam.
U. Os dez melhores concertos, por ordem de preferência: Neil Young, Shellac, My Bloody Valentine, Jason Lyttle, Liars, Black Lips, The Jesus Lizard, Spectrum, Sonic Youth, The Vaselines.
Dos. Neil Young curto demais. Houve vários pontos de contacto com o concerto em Lisboa, no ano passado. Das canções mais conhecidas, não houve (e foi uma pena) o "Words" e várias outras, mas houve "Cinnamon Girl", "Down by the River", "Mansion on the Hill" e, a única nova, "Get Behind the Wheel". Mas do que mais se notou a falta, e daí também o concerto ter sido relativamente curto face ao que se esperava, foi dos temas longos, daqueles em que Young abraça a guitarra, explora a distorção, procura o feedback, sem pressa de terminar a relação de amor com as seis cordas. Alinhamento: Mansion on the Hill, Hey Hey My My, Are you Ready for the Country, Everybody Knows this is Nowhere, Pocahontas, Spirit Road, Cortez the Killer, Cinnamon Girl, Oh Mother Earth (Natural Anthem), Needle and the Damage Done, Unknown Legend, Heart of Gold, Old Man, Down by the River, Get Behind the Wheel, Rockin' in the Free World, A Day in the Life (encore).
Tres. A maior desilusão do festival? Sonic Youth. Foi, em matéria de pesos e medidas, um bom espectáculo. Ouvir o "Brother James", o "Hei Joni" ou o "Tom Violence", só para citar algumas das mais antigas, num mesmo concerto, é coisa pela qual um tipo se deve sentir privilegiado. Mas, e é um grande "mas", estando-se num festival em que metade do cartaz deve a sua existência aos Sonic Youth e usa mesmo o palco, como filhos de peixe que sabem nadar, para desafiar algumas das convenções que estes vieram a derrubar ao longo dos anos é, no mínimo, decepcionante ver os progenitores, para mais elevados a cabeças-de-cartaz principais, pouco capazes de arriscar fosse o que fosse (uma ausência total de coragem se nos lembrarmos da actuação dos My Bloody Valentine, por exemplo) ou de mostrarem algo mais do que aquele ar de tédio com que enfrentaram o palco (parecia até haver algum desconforto entre os elementos do grupo, quem sabe sintoma do regresso a uma editora independente). Foi tudo tão diferente quando, há oito anos, os vi nesta mesma Barcelona, a apresentarem o projecto "Goodbye 20th Century". Agora, no Primavera, foram apenas mais uma banda... como as outras, com um bom concerto... como os outros. Alinhamento (com * os temas do novo álbum, "The Eternal"): Brother James, Sacred Trickster*, Hey Joni, No Way*, Calming The Snake*, Antenna*, The Sprawl, Cross The Breeze, Anti-Orgasm*, Leaky Lifeboat*, What We Know*, Tom Violence, Pink Steam, Bull In The Heather (encore), Expressway To Yr Skull (encore).
Quatre. Steve Albini é Deus. Pouco depois de Jarvis Cocker, a quem Albini produziu o mais recente álbum, acabar no palco principal, voltou com os seus parceiros Bob Weston e Todd Trainer ao palco ATP, para ali produzir um dos maiores estrondos do festival. Som perfeito, coisa pouco frequente neste palco (pior ainda era o RockDeluxe, já agora), experiência e técnica a rodos entre os três, permitindo um entrosamento magnífico como banda, coisa também nem sempre frequente em muitas das outras bandas, especialmente as deste palco, e um alinhamento magnífico (fez falta o "Prayer to God"). Grande final com "The End of Radio", uma de várias que foram buscar ao último álbum, numa performance apoteótica, onde nem sequer a bateria, que foi desmontada peça a peça por Albini e Weston, sobrou. Memorável. Só por isto já teria valido a pena este Primavera.
Cinc. Os tampões para My Bloody Valentine. À entrada, nos dois primeiros dias, respectivamente os dos concertos dos irlandeses no palco principal e no auditório, a organização distribuía aos participantes tampões para os ouvidos. É que -- e eu só vi o concerto do palco principal -- o volume e o ruído que ali se produziram desafiou tudo o que até hoje já se viu, perdão ouviu, à frente de um palco. Não espanta que haja quem fique com a audição reduzida depois destes concertos de regresso da banda de Kevin Shields (a começar pelo próprio). A demonstração de maior coragem, tanto por parte da banda como do público, veio com "You Made Me Realise", com que os MBV têm encerrado estes concertos, onde no meio surgem quase vinte minutos de ruído intenso, só eventualmente comparável ao que se ouvirá no interior de um reactor de um avião ou pairando por entre nuvens em permanente colisão.
Sis. Outros concertos, outros barulhos. Houve outros momentos dignos de nota. Os Spectrum a tocarem Mudhoney; O stage diving de David Yow, dos Jesus Lizard, que apareceram em grande forma, mesmo passados todos estes anos; A simpatia dos Vaselines; A estranheza de ver Lightning Bolt num palco e com som baixo, o que foi uma pena, o que também afectou os Sunn O))); A presença em palco de Jarvis Cocker, que bastou para agarrar o público mesmo antes de cantar fosse o que fosse (nota curiosa - a dada altura, Cocker dirigiu-se ao público em castelhano macarrónico, que depois traduziu para "my hovercraft is full of eels", do célebre "Dirty Hungarian Phrasebook" dos Monty Python, sendo que pouco depois Bob Weston, baixista dos Shellac, repetiria a piada no palco ATP; A pop country do Jason Lyttle, que ainda tocou vários temas dos Grandaddy; a irreverência ié-ié dos Black Lips no final do festival, os quais ainda cheguei a ver num pequeno e surpreendente set acústico na tenda da Ray Ban; A bebedeira dos dois putos dos Wavves, que levou a que o concerto se tornasse, possivelmente, no mais caótico do festival; O nervosismo dos chineses Carsick Cars, que possivelmente nem tinham idade para entrar no festival sem ser acompanhados por adultos; O enorme colectivo -- parecia quase uma banda de afrobeat, de tantos que eram -- que acompanhava o Dan Deacon, outro espectáculo que ameaçou o caos, quando o músico fazia birra para que o público fizesse o círculo de dança; etc.
Não foi fácil conseguir ver-se tudo o que se queria, num festival como estes. Alguns tiveram que ficar de fora (Gang Gang Dance é o caso que mais me custou), outros foram apanhados a meio e/ou abandonados antes do final. Só não houve silêncio. Mesmo nos poucos momentos em que não havia ninguém a tocar nos palcos mais cercanos, era o barulho, curioso por sinal, dos copos de plástico a serem pisados e chutados por quem caminhava pelos acessos. E as conversas dos espanhóis.
Set. ¿Por qué no te callas? No público, ninguém conseguia comunicar, a não ser por gestos, durante o final do concerto dos My Bloody Valentine. Ninguém? Bom, talvez os espanhóis conseguissem. Como todos sabemos desde há muitos anos, o desporto favorito dos nossos vizinhos é falar, falar, falar, falar, falar o mais alto possível, do erguer ao deitar. É impressionante como, às cinco da manhã, no interior das carruagens de metro ou dos autocarros de Barcelona, se continua a ouvir a mesma cacofonia que já se ouvia durante o dia. A estas horas, qualquer português vai cansado, calado, mono, a dormir até. Mas em toda a Espanha escuta-se sempre o mesmo matraquear, seja que horas forem. Ora, nos concertos, especialmente aqueles em que o som é mais baixo ou nas periferias da plateia, nos outros, é impossível ignorar o adstrato sonoro produzido por estes grupos de espanhóis, que só param de falar no intervalo dos temas, para levantarem os braços e aplaudirem algo que não estiveram a escutar antes. É tão cómico que quase nos faz esquecer não nos terem deixado ouvir a música.
Vuit. O Forum cheira mal. A zona do Forum, junto ao mar que banha Barcelona, é um espaço cuja dimensão e configuração oferecem características ideais para se organizar um festival como este. Mas fede que se farta. Não é o mau cheiro típico de Barcelona. É um pivete proveniente ora de descargas de dejectos químicos, ora de esgotos, que se torna insuportável por vezes.
Nou. Primavera Marcas. Apesar de vocacionado para os públicos afectos a círculos mais independentes na música -- ou talvez mesmo por causa disso... -- o Primavera não deixa de ser um palco enorme para as duas principais marcas do festival, a da cerveja e a dos óculos escuros. A primeira é das piores bebidas que a Catalunha tem para oferecer (até a San Miguel sabe a cerveja por comparação). E se aquela andava nas mãos do público, a segunda outra marca omnipresente tinha o seu público nas mãos. Em cada um destes três dias, parecia que estávamos não num festival de rock, mas numa qualquer concentração ibérica de wayfarers...
Deu. Me duelen las rodillas, tio. Aguentar três dias de um festival como estes até ao fim é pôr à prova o corpo, principalmente dos joelhos para baixo. Percorrem-se quilómetros de palco em palco, da banca de cerveja às casas-de-banho, sem contar com as as caminhadas sempre obrigatórias pelas ruas de Barcelona. E, ao cansaço físico, junta-se o intelectual. Obrigamos o cérebro a mudar rapidamente de um Jason Lyttle, por exemplo, para uns Sunn O))) ou de um Jarvis Cocker para uns Shellac. Não é fácil, mas o esforço é recompensador e a vontade de voltar é algo que surge assim que os primeiros sinais de cansaço se dissipam.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Fins després
Quinta-feira. THE VASELINES. She said she'll take me anyway, She'll take me everyway, As long as she stays with me. She said she'll take me everywhere, She'll take me anywhere, As long as I'm good and clean. Kiss kiss Molly's lips. Kiss kiss Molly's lips. Kiss kiss Molly's lips. Kiss kiss Molly's lips. She said she'll take me everytime, She'll take me anytime, As long as she stays with me. She said she'll take me everyday, She'll take me anyday, And it would be free..
Sexta. SHELLAC. To the one true God above: here is my prayer - not the first you've heard, but the first I wrote. (not the first, but the others were a long time ago). There are two people here, and I want you to kill them. Her - she can go quietly, by disease or a blow to the base of her neck, where her necklaces close, where her garments come together, where I used to lay my face... That's where you oughta kill her, in that particular place. Him - just fucking kill him, I don't care if it hurts. Yes I do, I want it to, fucking kill him but first make him cry like a woman, (no particular woman), let him hold out, hold back (someone or other might come and fucking kill him). Fucking kill him. Kill him already, kill him. Fucking kill him, fucking kill him, Kill him already, kill him, Just fucking kill him!
Sábado. NEIL YOUNG. Oh, Mother Earth, With your fields of green, Once more laid down, by the hungry hand. How long can you give and not receive And feed this world ruled by greed, And feed this world ruled by greed. Oh, ball of fire, In the summer sky, Your healing light, your parade of days, Are they betrayed by the men of power Who hold this world in their changing hands. They hold the world in their changing hands. Oh, freedom land, Can you let this go, Down to the streets, where the numbers grow, Respect Mother Earth and her giving ways Or trade away our children's days Or trade away our children's days. Respect Mother Earth and her giving ways Or trade away our children's days.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Pedidos para o 09, nº 7
SHELLAC
myspace.com/shellacofnorthamerica
Mais um pedido repetido dos anos anteriores. Nunca cá vieram, o que até parece mal. Alguém que traga o Steve Albini a comer bacalhau com todos. (E também vem ao ATP.)
myspace.com/shellacofnorthamerica
Mais um pedido repetido dos anos anteriores. Nunca cá vieram, o que até parece mal. Alguém que traga o Steve Albini a comer bacalhau com todos. (E também vem ao ATP.)
domingo, 6 de abril de 2008
Viva o Primavera
...porque mesmo que não consiguemos lá ir, parte dele vem cá. Vampire Weekend, na Casa da Música, Porto, a 30 de Maio.
Pela mesma altura, dão cá também um salto: Boris, Animal Collective, Atlas Sound, Dirty Projectors, Young Marble Giants, Scout Niblett, Cat Power, ...
(TRAGAM TAMBÉM OS SHELLAC, O BON IVER, O EL GUINCHO E OS FUCK BUTTONS!)
(E OS DEVO E OS SONICS!)
(TRAGAM TODOS!)
Pela mesma altura, dão cá também um salto: Boris, Animal Collective, Atlas Sound, Dirty Projectors, Young Marble Giants, Scout Niblett, Cat Power, ...
(TRAGAM TAMBÉM OS SHELLAC, O BON IVER, O EL GUINCHO E OS FUCK BUTTONS!)
(E OS DEVO E OS SONICS!)
(TRAGAM TODOS!)
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Dez discos do semestre

Electrelane
"No Shouts No Calls"
(Too Pure)

Grinderman
"Grinderman"
(Mute)

LCD Soundsystem
"Sound of Silver"
(Capitol)

The National
"Boxer"
(Beggars Banquet)

Panda Bear
"Person Pitch"
(Paw Tracks)

Shellac
"Excellent Italian Greyhound"
(Touch & Go)

Tomahawk
"Anonymous"
(Ipecac)

Von Südenfed
"Tromatic Reflexxions"
(Domino)

White Stripes
"Icky Thump"
(Warner)

Young Gods
"Super Ready/Fragmenté"
(PIAS)
quinta-feira, 28 de junho de 2007
A "reunião" que eu mais gostaria de ver por cá...
...e não contando com as que já vêm (Jesus and Mary Chain e Mudhoney, por exemplo):

SHELLAC. Ou SHELLAC OF NORTH AMERICA, se quiserem. Steve Albini, Bob Weston e Todd Trainer. Não é exactamente uma "reunião", mas a distância que vai desde "1000 Hurts" (2000) e este novíssimo e magnífico "Excelent Italian Greyhound" quase remete os Shellac para a categoria das bandas regressadas. E se passassem por cá, não seria óptimo?

SHELLAC. Ou SHELLAC OF NORTH AMERICA, se quiserem. Steve Albini, Bob Weston e Todd Trainer. Não é exactamente uma "reunião", mas a distância que vai desde "1000 Hurts" (2000) e este novíssimo e magnífico "Excelent Italian Greyhound" quase remete os Shellac para a categoria das bandas regressadas. E se passassem por cá, não seria óptimo?
terça-feira, 7 de setembro de 2004
All Tomorrow's Parties em versão natalícia
(Obrigado, Marmeleira, pela dica.)
O ATP vai ter este ano um evento natalício. Ocorre entre 3 e 5 de Dezembro, nas praias de Camber Sands, no Reino Unido, sob a designação "The Nightmare Before Christmas". O cartaz conta com alguns dos melhores nomes que já passaram pelo festival e não só: Mercury Rev, Throbbing Gristle, Peaches, Shellac, Lightning Bolt (que assim vão voltar à Europa, adiando provavelmente para mais tarde os rumores acerca da sua dissolução), The Fall, Mike Watt/George Hurley Minutemen Duet, Wolf Eyes, Violent Femmes e ainda showcases das editoras Mego e Skam.
Os bilhetes já estão à venda.
Mais informações em www.atpfestival.com.
O ATP vai ter este ano um evento natalício. Ocorre entre 3 e 5 de Dezembro, nas praias de Camber Sands, no Reino Unido, sob a designação "The Nightmare Before Christmas". O cartaz conta com alguns dos melhores nomes que já passaram pelo festival e não só: Mercury Rev, Throbbing Gristle, Peaches, Shellac, Lightning Bolt (que assim vão voltar à Europa, adiando provavelmente para mais tarde os rumores acerca da sua dissolução), The Fall, Mike Watt/George Hurley Minutemen Duet, Wolf Eyes, Violent Femmes e ainda showcases das editoras Mego e Skam.
Os bilhetes já estão à venda.
Mais informações em www.atpfestival.com.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004
Viagens #2: ATP
Continuando as viagens por essa Europa de festivais de Primavera, eis o All Tomorow's Parties, que este ano tem seis mordomos (Mogwai, Tortoise, Shellac, Stephen Malkmus, Sonic Youth e a fundação ATP) para dois fins-de-semana (26 a 28 de Março e 2 a 4 de Abril). No mundo, só mesmo outro festival poderá rivalizar com este, e é o All Tomorow's Parties de Los Angeles.
Vejamos então quem vai ao campo de férias da praia de Camber Sands, em Inglaterra:
Primeiro fim-de-semana:
MOGWAI, SHELLAC, TORTOISE, BOREDOMS, CAT POWER, ISIS, TRANS AM, PART CHIMP, MIKE WATT + THE SECONDMEN, MIKE WATT + THE JOM & TERRY SHOW, LIGHTNING BOLT, KID606, TODD, BOBBY CONN, ENVY, JAMES ORR COMPLEX, ATOMBOMBPOCKETKNIFE, THE DISHES, MCLUSKY, A WHISPER IN THE NOISE, ENTRANCE, UZEDA, STINKING LIZAVETA, FRENCH TOAST, AZITA, CONVERGE, THE SECONDS, LUNGFISH, GROWING, TURBONEGRO, ACID MOTHERS TEMPLE e SUN CITY GIRLS.
Segundo fim-de-semana:
ERASE ERRATA, BARDO POND, JACKIE-O MOTHERFUCKER, THRENODY ENSEMBLE, STEPHEN MALKMUS AND THE JICKS, SONIC YOUTH, THE SHINS, CAT POWER, DEERHOOF, THE NOTWIST, HAR MAR SUPERSTAR, MIIGHTY FLASHLIGHT, FURSAXA,
MODEST MOUSE, OOIOO, DOUBLE LEOPARDS, VIBRACATHEDRAL ORCHESTRA, SOPHIA, CASS MCCOMBS, LIGHTNING BOLT (é a primeira vez que vêm à Europa!), THE TINDERSTICKS, FUCK, WOLF EYES, LOVE, LE TIGRE, BLACK DICE, TRAD GRAS, OCH STENAR, CHARALAMBIDES, THE FIERY FURNACES, LCD SOUNDSYSTEM, POLMO POLPO/HANGED UP, VINCENT GALLO, ARAB STRAP, ANGELBLOOD, DREAM/AKTION UNIT, CARLA BOZULICH RED HEADED STRANGER SHOW, ESG, DIZZEE RASCAL, MISSION OF BURMA, SACCHARINE TRUST, JAMES YORKSTON e EXPLOSIONS IN THE SKY.
Mais informação em www.atpfestival.com.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004
Viagens #1
A Primavera vai trazer uma boa mão cheia de festivais por essa Europa fora com óptimos cartazes. Comecemos pelo Domino, que se realiza em Bruxelas, no Ancienne Belgique. Shellac (na foto), Neubauten e Black Dice... Que vontade de ir comer umas batatas fritas...
30/3: Belle & Sebastian
31/03: Peaches + De Portables
01/04: Shellac
02/04: Einstürzende Neubauten
03/04: Hangedup
04/04: Lars Hornveth + Soledad Brothers
05/04: Black Dice
06/04: Lali Puna
07/04: Le Tigre
sábado, 21 de fevereiro de 2004
Zu Zu Zu Zu Zu!!!
Ainda apenas vamos em Fevereiro e 2004 já conheceu uma série de óptimos concertos. A actuação de ontem dos Zu, um trio de free-hardcore-jazz italiano composto por Massimo Pupillo (baixo), Jacopo Battaglia (bateria) e Luca Tommaso Mai (saxofone alto e barítono), na Galeria Zé dos Bois, foi mais uma dessas ocasiões. Pense-se em Painkiller, pense-se em Shellac (não é estranho que os Zu estejam envolvidos com gente de Chicago, como o próprio Steve Albini), pense-se em Nomeansno, pense-se numa secção rítmica tremendamente forte e irrepreensivelmente sincronizada, pense-se numa postura sempre dirigida por uma excelente disposição (o descambanço no final em "Beat on the Brat", dos Ramones, é apenas uma pequena ilustração disto), e talvez se consiga imaginar um pouco do que foi o concerto de ontem. Ou então não, e o melhor mesmo é não perder a oportunidade de (voltar a) vê-los este domingo, no Porto, no Maus Hábitos. Façam o favor de não perder um dos melhores concertos dos últimos tempos.
(a fotografia não é do concerto de ontem; faz parte da galeria do site oficial dos Zu: www.zuism.com)
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