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quarta-feira, 8 de julho de 2015

100 de Sines (até ver), 4: Trilok Gurtu and the Misra Brothers


TRILOK GURTU AND THE MISRA BROTHERS
(Índia)
Castelo
28 de julho de 2006



Foi a segunda de três vezes que já tive a sorte de ver Trilok Gurtu, indisputavelmente o homem que melhor consegue trabalhar o ritmo neste planeta. Para esta actuação no FMM, a minha preferida da edição desse ano, veio acompanhado pela sua Índia, com as vozes khylal dos Misra Brothers.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 11 ao 20


11. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA (Mali)
Castelo, 18/jul/2013::vídeo::

12. GISELA JOÃO (Portugal)
Castelo, 25/jul/2014::vídeo::
"(...) A Gisela é dona de uma voz incrível, uma das melhores desta nova geração, talvez mesmo a mais apaixonante. Mas há muito mais. O que a Gisela está a fazer pelo fado merece o agradecimento de todos nós que gostamos de música, de todos nós que temos esta relação tímida com a canção portuguesa. As biografias que o futuro lhe escreverá debruçar-se-ão, espero, sobre o meio em que cresceu – Barcelos, uma das três capitais nacionais do rock – enquanto mola determinante para a sua atitude em palco e fora dele. Talvez daí venha a Gisela iconoclasta, que entrou em cena de pernas ao léu, com um vestido branco, uma cor proibida por cartilha, para depois o trocar por um conjunto blusa-calção num chocante colorido de verão (estava demasiado vento para o vestido). Talvez daí venha a Gisela festiva e extrovertida, que contagiou toda a plateia do castelo na dança dos fados corridos e dos malhões. Talvez daí venha a Gisela com tudo de miúda e nada de diva, que improvisa momentos em palco, que não se deixa abalar e até disso tira partido quando um dos músicos se vê obrigado a abandonar por instantes o seu posto de trabalho. Artigo completo: A Gisela (ou barulho, que se vai cantar o fado)"

13. THE SKATALITES (Jamaica)
Castelo, 26/jul/2003
"(…) eis um dos melhores momentos de encerramento do historial do FMM."

14. AMADOU & MARIAM (Mali)
Castelo, 28/jul/2005

15. TRILOK GURTU BAND (Índia)
Castelo, 25/jul/2007::vídeo::

16. CORDEL DO FOGO ENCANTADO (Brasil)
Castelo, 29/jul/2006::vídeo::
"Em Sines, no ano passado, as opiniões sobre o espectáculo do Cordel do Fogo Encantado extremaram-se. Houve quem adorasse os brasileiros (eu! eu! eu!), houve quem os odiasse (cambada de autistas!). Opiniões medianas parece ser coisa que não houve."

17. MERCEDES PEÓN (Galiza)
Castelo, 27/jul/2011::vídeo::

18. OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK (Mali / EUA)
Castelo, 21/jul/2012::vídeo::
"A Oumou e o Béla. Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour."

19. SÍLVIA PÉREZ CRUZ (Espanha)
Centro de Artes, 23/jul/2013::vídeo::
"A maior revelação do cartaz para quem escreve estas linhas, um tipo que agora se sente idiota e ignorante o suficiente por não a ter conhecido mais cedo. Sílvia Pérez Cruz é dona de uma voz ao mesmo tempo doce, ternurenta, mas também forte, interventiva e absolutamente segura, que usa o castelhano, o galego, o catalão e o português para arrebatar os corações do público. Esteve acompanhada por um guitarrista de trejeitos vanguardistas, indie para os dias que correm, adepto do ruído e dos pequenos pormenores, de vistas abertas e capacidades abrangentes (não estou a descrever o Marc Ribot, mas podia). Perto do fim, houve uma versão arrepiante de "Os Gallos", também conhecida por "Gallo Rojo, Gallo Negro", uma fábula anti-franquista. Alguém que disponibilize a gravação nos sítios do costume."

20. DAKHABRAKHA (Ucrânia)
Castelo, 20/jul/2013::vídeo::
"Se calhar, já podemos esquecer os Hedningarna ou as Värttinä ou outros grupos do Norte e Leste da Europa que nos anos 80 e 90 se destacavam no circuito de então, mais estreito e talvez menos global, da chamada world music. Os ucranianos DakhaBrakha, um homem e quatro mulheres, trouxeram a Sines a riqueza das harmonias vocais femininas, ora gentis, ora estridentes, amiúde contaminadas pela energia da dança dirigida tanto ao corpo como ao cérebro, sem nunca deixarem cair uma pinga do azeite aparente nesta fusão. Para muitos dos que me rodearam ao longo destes dias, terão sido mesmo a grande bomba do festival."

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Trilok Gurtu, Bombino, Manu Dibango e outros em Lisboa

Vai ser lá mais para o fim do mês que decorrerá mais uma edição do festival Lisboa Mistura, que se desdobrará entre o Largo do Intendente, o Martim Moniz, o cinema São Jorge e o MusicBox. A partir de 19 de junho, a cidade vai receber nomes grandes como o de Trilok Gurtu (esta será, salvo erro, a primeira vez que o melhor percussionista do mundo vem a Lisboa), Bombino (também vai ao MED Loulé) ou Manu Dibango, e alguns dos concertos -- aqueles que são ao ar livre -- vão ter entrada livre.

Programa:

Castelo de São Jorge
(Bilhetes a 8€)

19 de Junho, 22h
Trilok Gurtu Band (Índia)

20 de Junho, 22h
Manu Dibango (Camarões/França)

21 de Junho, 22h
Fanfarai (Argélia/Marrocos/França/Turquia)

Largo do Intendente
(Entrada livre)

23 a 25 de Junho
19h - Apresentações Palco OPA

26 de Junho, 20h
20h - Espetáculo OPA "20/40 – 20 anos de Hip Hop em Portugal/40 anos do 25 de Abril"
22h - Bombino (Niger)

27 de Junho
22h - Kazimoto (Alemanha/Tanzânia)
23h15 - Jupiter & Okwess International (Congo)

28 de Junho
22h - General D (Portugal/Moçambique)

Eletrónicas do Mundo
MusicBox, 00h

26 de Junho
Gebrueder Teichmann e Jorge Caiado (Alemanha/Portugal)

27 de Junho
French Beat: Baadman e Don Rimini

28 de Junho
Nova Eletrónica

Cozinha Popular da Mouraria
19 a 21 e 26 a 28 de Junho, a partir das 19h
Cozinha do Mundo Mistura Popular

Martim Moniz
29 de Junho, 19h
Festa Intercultural

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sines aproxima-se: Trilok Gurtu & Tigran Hamasyan



TRILOK GURTU & TIGRAN HAMASYAN
Origem: Índia / Arménia
Onde e quando: Castelo, dia 26 (sexta-feira), 21h45

Coisas a saber:
1. Trilok Gurtu devia dispensar apresentações. É o homem que neste planeta mais bem consegue trabalhar o ritmo e as suas atuações são explosivas, como foram as de 2006 (13º na minha lista de melhores concertos da década passada) e 2007, no mesmo palco que vai agora pisar.
2. O pianista arménio Tigran Hamasyan tem apenas 24 anos e é tido como um prodígio no jazz, onde no qual frequentemente incorpora os modos e escalas que conhecemos da Arménia e do Médio Oriente (e bem sabemos que isso só pode ser bom).

No spotify: Trilok Gurtu / Tigran Hamasyan

sexta-feira, 22 de março de 2013

Trilok, Rachid e Hermeto no FMM!

A organização do FMM continua a apostar com força no regresso dos melhores artistas que passaram pelos palcos do festival ao longo das últimas 14 edições. Soube-se hoje que a 15ª, que tem lugar em Sines entre os dias 18 e 27 de julho, vai contar com o indiano Trilok Gurtu, por várias vezes considerado como o melhor percussionista do mundo e que agora surge acompanhado do pianista arménio Tigran Hamasyan. Vai também ter o enfant terrible do raï rock, monsieur Rachid Taha, e ainda a lenda viva brasileira Hermeto Pascoal. Estes nomes vêm juntar-se aos malianos Amadou & Mariam, Bassekou Kouyaté e Rokia Traoré.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #11-15

11. LIARS @ LUX
25 de Novembro de 2003
Primeira vez em Portugal, primeira vez de várias ocasiões em que os apanhei. Escrevi, na altura: "Antes de mais, convém esclarecer que o título [Liars Death] não é nenhuma certidão de morte aos Liars. Bem pelo contrário. Quem viu o grupo nova-iorquino esta noite no Lux (ou, presumidamente, no Sá da Bandeira, um dia antes) poderá perceber o trocadilho se contextualizar esta(s) noite(s) com os primeiros discos dos Sonic Youth, nomeadamente com aquele registo ao vivo que o clube de fãs celebrizou com nome aproximado ao do título. É bom começar por dizer estas coisas, pois podemos logo libertar-nos de fantasmas que pairam sobre a narração ou interpretação de algo a que assistimos e que dificilmente se repetirá nas mesmas condições. Isto é, os Liars não fazem nada de particularmente novo. É ponto assente. Já os Sonic Youth e muitas outras bandas, quer americanas, quer europeias (e aquela segunda faixa não fez lembrar os ritmos tribalescos dos Test Department?), o tinham experimentado há cerca de vinte anos. O que fez então do concerto dos Liars desta noite algo de tão especial? Esqueçamos por momentos, passe a redundância, o tempo. Imaginemos -- aqueles que por razões óbvias, ou seja, pela idade, o possam fazer -- que estamos nos anos 80. Os outros que tentem imaginar a situação através dos relatos dos mais velhos. Imaginem que não há nada mais que três tipos a fazer algo em palco que nos é de tal forma compulsivo e arrasador (o zunido nos ouvidos parece querer confirmar a hipótese) que nos faz perder toda a noção de espaço-tempo (desculpem esta pequena intromissão, quase cameo, da variável tempo). Mas... não era isso que um bom concerto de rock conseguia fazer há anos? Muito passa pela bateria firme de Julian Gross (nova aquisição), tal como há vinte anos passava pelas de Richard Edson ou Jim Sclavunos, nos Sonic Youth. Por cima destas compulsivas sequências de bombo e tarola há uma guitarra e uma voz desalmada de Angus Andrew (a propósito, as notáveis semelhanças físicas do vocalista dos Liars com Nick Cave remetem para a estranha coincidência de ambos serem australianos). Às tantas, a descarga sonora é de tal forma assolapante que voltamos a pensar no tempo, como na frase 'e não é que em 2003 podemos voltar a sentir tais sensações?'. O espectáculo durou cerca de quarenta minutos. Talvez um pouco mais do que o espectáculo no Porto, pois de acordo com o que Angus Andrew referiu ao microfone, esta noite era 'especial', já que marcou o encerramento da digressão dos Liars pela Europa. Pouco tempo? Talvez, pois poucos se importariam de continuar a ser alvo da agressão sonora vinda de palco. Mas importa perceber que, como diz um aforismo certeiro, a música não se mede a metro. Quarenta minutos de Liars valeram seguramente por muitas horas de concertos de milhentas bandas. Para terminar, uma pequena provocação. Enquanto os Strokes (sim, tinha que ser) aproveitam a onda para fazer co-brandings com marcas de roupa e afins, os vizinhos Liars apresentaram-se esta noite com as marcas dos amplficadores tapadas com fita adesiva, à semelhança do que, por exemplo, fazem os Mão Morta por cá. Statements políticos como estes deixam perceber que o punk não é já só uma vã categoria nos meandros do marketing musical. Existe, e com postura digna. Ah, falta dizer: concerto do ano!"

12. HOWE GELB @ MUSICAIS
31 de Março de 2003
A primeira vez que o Codfish Cowboy -- assim o baptizámos depois do jantar -- tocou num palco português. Haverá nesta escolha, claro, algum enviesamento resultante do privilégio que tive de ser uma das várias pessoas envolvidas na produção deste espectáculo, daí que não consiga dissociar aquela actuação (magnífica) dos episódios vividos durante estes dois ou três dias com Howe Gelb. Em todo o caso, todas as reacções que tenho vindo a ter ao longo dos anos são concordantes. Foi uma óptima noite. E ainda há a história dos Dead Combo...

13. TRILOK GURTU & THE MISRA BROTHERS @ FMM SINES
28 de Julho de 2006
Foi a segunda de três vezes que já tive a sorte de ver Trilok Gurtu, indisputavelmente o homem que melhor consegue trabalhar o ritmo neste planeta. Para esta actuação no FMM, a minha preferida da edição desse ano, veio acompanhado pela sua Índia, com as vozes khylal dos Misra Brothers.

14. EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN @ CCB
12 de Abril de 2005
De A a Z, como escrevi na altura, aqui.

15. CYRO BAPTISTA - PAU NA MULA @ FMM SINES
24 de Julho de 2009
Duas posições depois de Trilok Gurtu, eis outro titã da percussão, o brasileiro Cyro Baptista. Se se juntassem os dois, abrir-se-ia uma fenda na Terra, a qual se desviaria da sua rota orbital, e... Bom, escrevi isto há alguns meses: "No topo dos topos, o espectáculo 'Pau na Mula', de Cyro Baptista e da sua companhia de percussionistas, que conquistou facilmente o público com a irreverência, algures a meio caminho entre Tom Zé e Hermeto Pascoal (dois compatriotas igualmente chanfrados que pisaram aquele mesmo palco) e o virtuosismo dos músicos. As partes do sapateado, por Nicholas Young, por exemplo, devem ter sido a coisa mais fora de comum e mais eficiente que já se viu neste festival. (...)"

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Rescaldo do FMM (A-I)

Ando desde ontem a abrir e fechar a página de edição de posts do blogger. Há naturalmente que falar destes nove dias fantásticos passados em Sines, mas tem sido doloroso recordar esta experiência. Mas antes que isto se arraste mais, aqui vai o rescaldo, servido através de um truque jornalístico frequentemente utilizado (e um tudo nada idiota):

A de Amigos.
Ninguém alguma vez pense ir para e estar em Sines sozinho. O FMM é para ir com amigos, é para estar com amigos, é para fazer novos amigos, é para celebrar esta capacidade tão engraçada que mulheres e homens têm de se relacionar uns com os outros.

B de Bellowhead.
Festa. Canções inglesas, ritmos irlandeses e muita festa no dia em que o castelo abriu as portas pela primeira vez à edição deste ano do festival.

C de Castelo.
Lá continua a servir de sala principal ao festival. Agora tem uma porta adicional, que facilita as entradas e saídas. No sábado à noite encheu ao ponto de ficar insuportável. Uma viagem da frente do palco até às casas de banho demorava imenso tempo.

D de Djambés.
Esta mania de alguns levarem djambés, pandeiretas, megafones e outros instrumentos para os recintos para com eles participarem nos concertos para os quais não foram convidados tem que acabar. Não foi nada que estivesse sempre a acontecer, mas se isto continua, ainda vou ficar com saudades do pessoal que bate palmas a acompanhar os temas por tudo e por nada.

E de Estrelas do céu de Porto Covo.
Nos primeiro fim-de-semana do FMM, que teve lugar em Porto Covo, o céu estrelado dava um ambiente magnífico aos concertos. A Lua, por sua vez, foi sempre crescendo até chegar à sua plenitude no último dia do festival.

F de Festival.
O FMM (ainda) é um festival na acepção mais genuína do termo. É sinónimo de festa entre todos, no público, na produção, nos artistas. É neste ambiente que acontecem de forma natural encontros como aquele que juntou Harry Manx com o percussionista da orquestra latina do Señor Coconut, numa improvisação que decorre da descontracção da festa.

G de Gogol Bordello.
Sábado à noite, a gogolândia instalou-se no Castelo. Não foi preciso muito para que aqueles milhares de pessoas começassem a suar abundamente aos pulos com que acompanhavam a música. Continuo a achar os Gogol Bordello demasiado azeiteiros, da voz a alguns padrões rítmicos muito semelhantes ao nosso "pimba", continuo a achar que estão muito longe de serem uma versão balcânica dos Pogues ou dos Ukrainians (porque estes sabiam tocar a sério e sem puxar alarvemente pelo lado "cheesy" da coisa), mas, porra, incendiaram o castelo (calhou-lhes bem o tradicional fogo de artifício do FMM). Fizeram aquilo que era pedido para terminar os concertos no castelo: uma enorme festarola.

H de Hypnotic Brass Ensemble.
Andaram pela praia, andaram pelas tasquinhas, andaram pelas ruas de Sines. Uma das mais belas surpresas deste FMM foi a brass band formada na sua maioria por filhos do trompetista da Arkestra de Sun Ra.

I de Instrumentos.
Todos os anos, o festival (como outros do género) ajuda a conhecer novas culturas e, com elas, novos instrumentos. Quem já viu Kepa Junkera ao vivo, já saberia o que é uma txalaparta, mas os outros tiveram oportunidade de a conhecer através das duas irmãs que formam o grupo Ttukunak. Outros instrumentos foram também protagonistas ao longo do festival, como as gaitas (no pun intended) dos Galandum Galundaina, a flauta (no pun intended again) do Rão Kyao, as percussões do Trilok Gurtu, a "sitarra" do Harry Manx, os gira-discos do DJ Ill Vibe, os saxofones de David Murray e amigos do WSQ, a voz de Erika Stucky, etc.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Que festival este, pá.

É sexta-feira, acho. O ritmo vertiginoso que se tem vivido aqui por Sines ao longo destes últimos sete dias esgotou o discernimento necessário para se poder afirmar com certeza que hoje é sexta-feira. Mas se assim é, de facto, se hoje é sexta-feira, temos um problema entre mãos. Está prestes a descer o pano do FMM 2007. Estes dias de música, praia, música, copos, música, festa, música, (des)amores e (des)humores e música, vão terminar amanhã. Os amigos que por aqui se encontram todos os anos, bem como os novos que aqui se fazem, vão regressar às suas terras de origem. Amanhã, dir-se-á "até para o ano, pá, e, olha, que festival este, pá".

Que festival este, pá. O festival das irlandices trazidas pelo Jacky Mollard (tanto no Centro de Artes como na jam no Salão Musical) ou pelos Bellowhead ou até mesmo pelo fiddler da banda de Trilok Gurtu. O festival do apelo irresistível do Mali e do deserto com os Etran Finatawa, os Tartit e a Oumou Sangaré. O festival das actuações explosivas do Hypnotic Brass Ensemble pelas ruas de Sines, o tal dos sete ou oito filhos do trompetista da Arkestra de Sun Ra. O festival do encontro improvisado em palco -- e só possível em ambientes como este -- do bluesman Harry Manx e um percussionista da orquestra latina de Señor Coconut. O festival da folia dos Galandum Galundaina e dos pauliteiros. O festival das fronteiras abertas do Azul de Carlos Bica (melhor concerto até agora?). O festival dos discos da Raquel, do António, do Gonçalo e do Álvaro pela madrugada fora.

Ainda que estejamos perto do fim, há tanto para acontecer nestas duas últimas noites: o raï chunga do Rachid Taha, o hip hop africano do K'Naan, a punk azeiteira dos Gogol Bordello, o jazz político do World Saxophone Quartet do David Murray, os merengues, salsas e chachachas sofisticados do Señor Coconut. E, claro, o bailarico de fim de festa até depois do sol nascer pela última vez na edição deste ano deste festival. E que festival este, pá.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Os meus concertos de 2006 (#1 - #10)

1. 4 mai - tom zé @ culturgest
2. 28 jul - trilok gurtu & the misra brothers @ sines
3. 20 jan - damo suzuki network damo suzuki + caveira) @ zdb
4. 29 jul - cordel do fogo encantado @ sines
5. 2 dez - lisa germano @ santiago alquimista

6. 21 jan - estilhaços adolfo luxúria canibal + antónio rafael) @ zdb
7. 13 out - comets on fire @ zdb
8. 28 jun - think of one @ teatro variedades
9. 27 jul - gaiteiros de lisboa @ sines
10. 18 fev - pop dell'arte @ zdb

segunda-feira, 31 de julho de 2006

O rescaldo possível

Foi uma semana louca, incrível, inesquecível. Os concertos, a convivência com os amigos, o clima de festa permanente... Ao último som do FMM, quando já eram quase oito horas da manhã de domingo, uma rapariga dizia para outra que aquele era o melhor festival do país; perto dela, os outros resistentes pediam por mais e, pouco depois, o meu amigo PL, quarenta anos feitos de muitos concertos e rock'n'róis, dizia-me que este tinha sido o maior festival de sempre a que ele tinha ido. Para mim também. E lembro-me daquele texto laudatório ao festival, no Notícias de Sines, que às tantas dizia, certamente por inadvertência, uma coisa como estas: "a world music não consegue ter a energia do rock". Pois não. O FMM mostrou que ela ainda pode é produzir mais força junto até dos mais incréus...

Seguem-se alguns comentários soltos, breves e sem grandes explicações ou justificações desta semana que passou. Ainda não tenho net por casa, nem muito tempo para estar aqui, frente a um computador...

1. Concertos preferidos:
1) Trilok Gurtu & The Misra Brothers
2) Seun Kuti & Egypt 80
3) Gaiteiros de Lisboa
4) Toumani Diabaté & Symmetric Orchestra
5) Cordel do Fogo Encantado

2. Grandes surpresas: K'Naan e Mariem Hassan.

3. A desilusão: Tony Allen (embora haja quem me diga que ele tenha estado às 7 da manhã a tocar com os friques do djembé... não é qualquer um, ainda por cima com a sua idade e o seu estatuto, que alinha numa coisa destas...)

4. Coisas que não vi e gostaria muito de ter visto: Boris Kovac, Mayra Andrade e Actores Alidos (diziam-me, por lá, que estes deram uma das maiores actuações do festival).

5. Gente, gente, gente. O FMM é um fenómeno cada vez mais popular. 50 mil espectadores-descobridores, como lhes chama a organização, é o número deste ano. Na última noite, quando o Bailarico Sofisticado estava a passar discos, vi a avenida da Praia de uma forma como nunca tinha visto. Até onde conseguia vislumbrar (uns 500 metros?), havia magotes intermináveis de gente, a dançarem, a pularem, a fazerem a festa.

6. Queria também agradecer a todos os amigos com quem partilhei esta magnífica semana (Bruno, Pedro, Pedro, Nuno, António, Dário, Petra, Neusa, Vítor, Jorge, João, Cristina, Rita, Gonçalo, Cristiano, Ana, Luís, Tânia, Pedro, Ana, e... porra, vocês eram tantos que me vou esquecer de algum, com certeza). O meu FMM também foi assim tão bom por vossa culpa, naturalmente. O mesmo agradecimento vai para para a Câmara de Sines e para a equipa de produção (Carlos, Carmen, Massimo, Mário, a malta do Estádio, etc.)

7. Já agora, se tiverem fotografias do festival, enviem-mas, que farei por publicá-las aqui, quando voltar a um computador, para a semana que vem. A que aqui aparece, com o Trilok Gurtu, pertence à Câmara de Sines e é da autoria do meu amigo Cameraman Metálico, também conhecido por António Melão.

8. Faltam trezentos e cinquenta e tal dias para o próximo FMM.