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sexta-feira, 10 de julho de 2015

100 de Sines (até ver), o primeiro: CONGOTRONICS VS. ROCKERS




CONGOTRONICS VS. ROCKERS
(RD Congo / EUA / Suécia / Argentina)
Castelo
23 de julho de 2011

"Se o 'vs.' que aparece tanto no título deste espetáculo como no do disco que lhe deu origem aponta para uma batalha entre forças aparentemente opostas, podemos começar por dizer que no disco, saíram vencedores os rockers ocidentais. Podem vir dizer que fizeram batota, porque pegaram no trabalho já feito pelos congoleses e adaptaram-no às suas intenções, aos seus pontos de vista. Mas é um grande disco. Continuando a olhar para o 'vs.', os vencedores no palco já são claramente os congoleses. Juana Molina e os Deerhoof, principalmente a sua vocalista Satomi Matsuzaki, não se dão mal, ainda que na maior parte das vezes tenham os seus instrumentos com o som enfiado para baixo do tapete sónico construído pelas likembes eletrificadas (aquela espécie de pianos de mão ligados à distorção) e pela percussão dos africanos.
Todos estes considerandos sobre os vencedores da batalha interessam apenas para explicar uma diferença grande que opõe disco a espetáculo. Há outra ainda: no disco, são muitos mais os artistas envolvidos, principalmente entre os ocidentais. No palco, ainda que ali estejam 19 músicos (o 20.º encontra-se hospitalizado), o som acaba por ser mais homogéneo, mais coerente, em duas horas de dança obrigatória. Fez recordar, em grande medida, o concerto dos Konono nº 1 no Jardim Botânico de Lisboa, mais até do que outro que há mais tempo deram junto à praia de Sines, também no FMM, ou, ainda no festival, aqueloutro dos seus atuais parceiros de estrada, os Kasaï All Stars. Intenso, esgotante. Talvez o melhor concerto que alguma vez o FMM acolheu."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Konono nº 1 e... Batida?

Pois assim parece. Os congoleses Konono nº1, o grupo de músicos das ruas de Kinshasa que a Crammed ajudou a rebentar por esse mundo fora com o revolucionário "Congotronics", estão a trabalhar com Pedro Coquenão, o senhor Batida. Vem aí álbum e concertos, já muito em breve.
Aguardemos novidades!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

10 anos, 10 concertos

São 10 anos de muitos concertos, estes últimos. Entre perto de dois milhares de espetáculos, eis dez favoritos:

10. AMADOU & MARIAM @ Grande Auditório da Gulbenkian
18 de novembro de 2012
"Se podes ouvir, escuta. Se podes escutar, repara. A citação de Saramago ao "Livro dos Conselhos" não é bem esta, mas assim ajusta-se bem a "Eclipse", o espetáculo que o casal Amadou & Mariam trouxe ontem ao Grande Auditório da Gulbenkian. Um espetáculo que prometia uma experiência multissensorial única, vedado que estava o sentido da visão de se distrair (a sala foi mergulhada durante quase todo o concerto na completa escuridão), deixando livres a audição para a música e os sons ambientes da história subjacente, o olfato para os odores de África e a perceção da temperatura que foi oscilando ao longo do concerto. (...) sentimo-nos felizes por nos terem deixado experimentar o bom que é reparar no que escutamos."


9. SWANS @ Aula Magna
9 de abril de 2011
"Quantas bandas viram vocês que, regressadas ao ativo, gravam um disco tremendo como "My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky", dão concertos tão intensos como o de ontem, onde tocam versões demolidoras de temas antigos, com a segurança perfeita de um relógio suíço, e ainda... surpreendem com dois temas inéditos?"




8. CORDEL DO FOGO ENCANTADO @ Teatro Viriato
15 de junho de 2007
"(...) Se os Mão Morta não tivessem nascido em Braga, mas sim em Pernambuco, na pequena cidade de Arco Verde, talvez tivessem sido como o Cordel. E se Adolfo Lúxuria Canibal não crescesse a ler Lautréamont ou outros autores malditos e tivesse os poemas de cordel do interior brasileiro na mesinha de cabeceira, talvez tivesse sido Lirinha, figura epicêntrica deste abalo de terras que dá pelo nome de Cordel do Fogo Encantado. Foi melhor que em Sines? Foi sim, embora não consiga sequer explicar como é que isso ainda pôde ser possível."


7. DIRTY THREE @ Lux
2 de junho de 2007
"(...) é sobre o violino de Warren Ellis que acaba por recair, na maior parte das vezes, a atenção. Ele não fez um pacto com o diabo. Ele é mesmo o diabo. Não que seja o mais virtuoso dos violinistas. (...) Ellis é o 'fiddler' que anima uma tasca barulhenta algures no meio do deserto australiano, acompanhado de bouzukis num numa aldeia grega, musicando lendas de lobos algures na Europa de Leste. E ainda tem a lata de tirar feedbacks do instrumento. O concerto desta noite conseguiu ser, por diversos momentos, e não se tenha pejo em usar a palavra quando ela deve ser efectivamente usada, epifânico. Foi a celebração plena daquilo que a música consegue por vezes produzir ao vivo: um rapto violento da consciência do ouvinte (e tão bem que sabe fechar os olhos e facilitar essa captura) para uma terra de ninguém, onde se experimentam sensações que só algumas drogas poderão produzir."




6. CONGOTRONICS VS. ROCKERS @ FMM Sines (Castelo)
23 de julho de 2011
"Intenso, esgotante. Talvez o melhor concerto que alguma vez o FMM acolheu."




5. KONONO n.º 1 @ Museu de História Natural
4 de julho de 2009
"Totalmente poderosos. A 'orquestra folclórica toda poderosa Konono nº1 de Mingiedi' voltou a mostrar por cá por que é cada vez mais famosa, por que é que o Congo está de volta ao mapa da música reconhecida pelo Ocidente, depois do soukous e kwassa kwassa dos anos 80. (...) Dança-se -- mesmo o pé de chumbo mais empedernido -- como se não houvesse amanhã."




4. DAMO SUZUKI NETWORK @ ZDB
19 de julho de 2004
"(...) A 'comunicação' tinha acontecido e, ao fim da noite, entendia-se melhor o que Damo antes explicava acerca da sua forma de ver a música. Afinal, não se tratava de meros símbolos, de meras teorias de 'proggie'. Era mesmo a música a assumir o seu mais ancestral desígnio, amplamente disseminado pelas civilizações desde a idade da pedra. Magnífica comunhão de espaço e tempo."


3. TOM ZÉ @ FMM Sines (Castelo)
30 de julho de 2004
"(...) Por vezes rimos, por vezes chorámos, por vezes dançámos, por vezes saltámos e a toda a hora fomos levados por um moleque safado de 67 anos. Não há palavras suficientemente justas para Tom Zé, para as suas palavras, para as suas músicas, para a sua banda."


2. AKRON/FAMILY @ MusicBox
22 de abril de 2007
"(...) como não haveremos nós de reagir perante tipos simples e humildes que tocam bem e suam em palco (conseguido com que a plateia os acompanhe nessa missão), enquanto esticam os limites da imaginação melómana ao jogarem os Can e os Faust com a free folk marada norte-americana, as polifonias do gospel com as polifonias das guitarras?"


1. NEIL YOUNG @ Alive
12 de julho de 2008
"(...) Não é uma banda nova que promete vir a revolucionar a música e que provavelmente estará esquecida daqui a poucos anos. E também não é (só) uma lenda que está ali em palco. É, genuinamente, um músico vivo e transbordante de energia que, à frente da sua banda, mostra, quase como se fosse a primeira vez que o fizesse, uma pequena parte de um reportório tão rico que devia ser património mundial da UNESCO."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os melhores concertos de 2011

Antes que, por qualquer distração, o ano de 2011 chegue ao fim, e abrindo aqui uma brecha neste desconfortável silêncio imposto pela falta de tempo de aqui vir arejar o tasco amarelo, eis o alinhamento dos meus 50 concertos prediletos deste ano. Como sempre, muita coisa ficou por ver e ouvir. Bom 2012 para quem quiser, mesmo que não possa, continuar a frequentar as salas de concertos por esse país fora (e arredores).



1. Congotronics vs. Rockers @ FMM (23/7)
2. Swans @ Aula Magna (9/4)
3. Black Dice @ ATP Minehead (13/5)
4. Mário Lúcio @ FMM (30/7)
5. Mercedes Peón @ FMM (27/7)
6. Gang Gang Dance @ ATP Minehead (15/5)
7. The Brothers Unconnected @ ATP Minehead (14/5)
8. L'Enfance Rouge @ Musicbox (5/2)
9. Beach House @ ATP Minehead (14/5)
10. Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble @ FMM (28/7)
11. Mercedes Peón @ Alcochete, Forum Cultural (8/10)
12. Oneida @ Barreiro, Ferroviários (8/10)
13. Ayarkhaan @ FMM (29/7)
14. Prince Rama @ ATP Minehead (15/5)
15. Le Trio Joubran @ FMM (22/7)
16. Chain and the Gang @ Musicbox (28/4)
17. Six Organs Of Admittance @ Maria Matos (10/9)
18. Eric Copeland @ ATP Minehead (14/5)
19. Om @ ZDB (30/1)
20. Tony Conrad @ ATP Minehead (15/5)
21. Prince Rama @ Lounge (8/6)
22. Pop Dell'Arte @ Musicbox (9/6)
23. Spectrum @ ATP Minehead (14/5)
24. Mão Morta @ T** Ao Vivo (1/10)
25. L'Enfance Rouge @ Lounge (29/10)
26. Akron/Family @ ZDB (19/11)
27. Orquestra Todos @ Intendente (11/9)
28. Max Richter @ Maria Matos (5/11)
29. Group Doueh @ ATP Minehead (15/5)
30. The Entrance Band @ ATP Minehead (15/5)
31. António Zambujo @ FMM (22/7)
32. Berrogüetto @ FMM (23/7)
33. Owiny Sigoma Band @ Musicbox (29/10)
34. Bombino @ Ccb (7/8)
35. Soldiers Of Fortune @ ATP Minehead (13/5)
36. Shangaan Electro @ Gulbenkian (3/7)
37. Secret Chiefs 3 @ FMM (22/7)
38. Nisennenmondai @ ZDB (7/12)
39. Damo Suzuki Network c/Sunflare @ Barreiro, Ferroviários (8/10)
40. De Tangos y Jaleos @ FMM (24/7)
41. Actress @ ATP Minehead (13/5)
42. Murcof & AntiVJ @ Maria Matos (21/12)
43. Meat Puppets @ ATP Minehead (14/5)
44. Graveola E O Lixo Polofônico @ FMM (28/7)
45. Khaira Arby and Band @ ATP Minehead (15/5)
46. Terry Riley & Gian Riley @ ATP Minehead (13/5)
47. Animal Collective @ ATP Minehead (15/5)
48. U.S.S. w/Steve Mackay & Mike Watt @ ZDB (6/7)
49. Lobster @ ZDB (7/12)
50. Gala Drop @ ZDB (4/7)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

FMM Sinergia 2011

Prestes que está a terminar a ressaca de Sines e com o distanciamento adequado para recordar e resumir para palavras esta magnífica semana e meia de concertos e de férias com os amigos, eis um apanhado rápido dos meus momentos prediletos do FMM 2011:

1. CONGOTRONICS vs. ROCKERS (Congo-Kinshasa/Ocidente)



Se o "vs." que aparece tanto no título deste espetáculo como no do disco que lhe deu origem aponta para uma batalha entre forças aparentemente opostas, podemos começar por dizer que no disco, saíram vencedores os rockers ocidentais. Podem vir dizer que fizeram batota, porque pegaram no trabalho já feito pelos congoleses e adaptaram-no às suas intenções, aos seus pontos de vista. Mas é um grande disco. Continuando a olhar para o "vs.", os vencedores no palco já são claramente os congoleses. Juana Molina e os Deerhoof, principalmente a sua vocalista Satomi Matsuzaki, não se dão mal, ainda que na maior parte das vezes tenham os seus instrumentos com o som enfiado para baixo do tapete sónico construído pelas likembes eletrificadas (aquela espécie de pianos de mão ligados à distorção) e pela percussão dos africanos.
Todas estes considerandos sobre os vencedores da batalha interessam apenas para explicar uma diferença grande que opõe disco a espetáculo. Há outra ainda: no disco, são muitos mais os artistas envolvidos, principalmente entre os ocidentais. No palco, ainda que ali estejam 19 músicos (o 20º encontra-se hospitalizado), o som acaba por ser mais homogéneo, mais coerente, em duas horas de dança obrigatória. Fez recordar, em grande medida, o concerto dos Konono nº 1 no Jardim Botânico de Lisboa, mais até do que outro que há mais tempo deram junto à praia de Sines, também no FMM, ou, ainda no festival, aqueloutro dos seus atuais parceiros de estrada, os Kasaï All Stars. Intenso, esgotante. Talvez o melhor concerto que alguma vez o FMM acolheu.
Soube-se, em Sines, que anda a ser gravado um DVD com material resultante destes espetáculos. Vicent Kenis, o ex-Honeymoon Killers que descobriu para a Crammed e para o mundo estes músicos das ruas de Kinshassa e que com eles tem subido ao palco nesta espécie de união entre mundos diferentes, tão cara a um sítio como o Castelo de Sines, onde viveu Vasco da Gama, planeia ainda entrar com esta formação do espetáculo em estúdio, e daí produzir novo disco, mas talvez não venha a haver agenda para tal.

2. MÁRIO LÚCIO (Cabo Verde)



É engraçado saber -- foi o próprio que o disse -- que Mário Lúcio, na véspera do concerto, vestiu a pele de ministro da cultura de Cabo Verde, para discutir o "Estado da Nação" no parlamento do seu país. Um dia, o estado da sua nação. No outro, o mundo todo (mais palavras saídas da sua boca) que se aglomerava em Sines a dançar à sua música. Tivemos em palco alguém que sabe muito bem o que faz. São muitos anos de estrada, de como saber encher um palco, de como saber pôr um público em delírio. E o que temos ali não é apenas o que se pode ouvir nos discos. Há um artista e um grupo que o acompanha que se transformam, que vão além de Cabo Verde, que celebram a África sub-sariana em todo o seu esplendor. A ele ficam-lhe bem estas palavras, ditas perto do final: "Sines devia mudar de nome, para... Sinergia."
Devia ter sido o Mário Lúcio a festejar o fim dos concertos no castelo com o tradicional fogo-de-artifício.

3. MERCEDES PEÓN (Galiza)



Mercedes é a mulher mais musical, mais bonita, mais corajosa, mais desconcertante, mais arrepiante e mais comovente que pisou o palco do castelo nos últimos anos. Arrepia-nos a pele dos braços quando leva a sua voz para planos a que não estamos habituados, mareja-nos os olhos quando fala como fala das tradições em que pega para "desarranxar" ou da política que abraça com coragem. Foi a única artista a solo nesta edição do FMM, mas é de uma dimensão mais do que suficiente para encher todo o palco.

4. VISHWA MOHAN BHATT & THE DIVANA ENSEMBLE "DESERT SLIDE" (Índia)



Qualquer que seja a origem, qualquer que seja o credo, qualquer que seja a raça, há todo um mundo unido pela música das sete notas... Disse-o, mais ou menos assim, o mestre Vishwa Mohan Bhatt algures a meio da interpretação irrepreensível da sua slide guitar modificada com cordas simpáticas, ao jeito de instrumentos indianos como a sitar. Como se não bastasse o virtuosismo do mestre, o grupo de músicos ciganos do Rajastão que o acompanhava deu mais uma lição sobre a diáspora da música, de como o canto do flamenco não é assim tão diferente destes antigos músicos dos rajás. Até uma espécie de prima das castanholas mediterrânicas estava lá para ajudar à festa. Fica para a memória de momentos singulares deste festival -- eu estou quase a chamar-lhe-ia epifanias -- aquele em que o mestre fazia ditados rítmicos cada vez mais rápidos para os seus companheiros de palco...

5. LE TRIO JOUBRAN (Palestina)



Como dizia antes do festival, ouvir um alaúde bem tocado já é inebriante. Ora, torna-se difícil dizer o que é ouvir três tipos a fazerem-no ao mesmo tempo e, ainda por cima, a manterem diálogos vertiginosos e frequentemente improvisados, talvez possíveis apenas a quem cresceu junto, como estes irmãos Joubran.

6. BERROGÜETTO (Galiza)



Festival de world music sem um grupo da Galiza não é um festival de world music. Ainda que este FMM não seja, e ainda bem, o típico festival de world music. Os Berrogüetto são, ainda hoje, e com as mudanças de formação ocorridas, uma das propostas mais interessantes. Conservadores em disco e em palco, é certo, mas com todos os ingredientes habituais que tornam a música tradicional da Galiza tão apaixonante.

7. SECRET CHIEFS 3 (EUA)



Quem pensar que Trey Spruance é um monstro intratável, bem pode tirar daí a ideia. Nos bastidores, abundava não só em simpatia e humildade, como em curiosidade pelo que havia sido estas 13 edições de festival. Sentiu-se até "estúpido" por tocar a seguir ao Trio Joubran, como se pode ouvir no vídeo, na "flash interview" dada ao Mário Dias. Em formato de quinteto, surpreendeu muita gente que não esperava a música pesada dos SC3 no festival. E poderia ter sido um espetáculo ainda melhor, não fosse o longo tempo que perdia entre cada tema, a afinar a guitarra, por exemplo, e que fazia arrefecer o público, já por si apanhado nas noites frias do primeiro fim de semana do FMM.

8. ANTÓNIO ZAMBUJO (Portugal)



Na abertura do festival, não se podia exigir mais. De repente, havia um sorriso estampado na cara de todos. E o António Zambujo é o culpado. Ali temos, sem tiques de copista e sem que aqui se leia uma colagem-excessiva-de-que-os-artistas-portugueses-nunca-gostam, o nosso Chico Buarque, título pronto a ser degladiado com o também legítimo proprietário do título, ainda que menos versátil que o Zambujo, JP Simões.

9. DE TANGOS Y JALEOS (Espanha)



Quando El Peregrino, o senhor que aparentava 70 ou mais anos de idade, se levantava para dançar, o público explodia de alegria.

10. EBO TAYLOR & AFROBEAT ACADEMY (Gana)



Por pouca paciência que haja já para tanto afrobeat, o estilo funciona quase sempre bem no palco do castelo. E com Ebo Taylor, um dos nomes grandes do highlife ganês, a festa foi enorme, a dança foi irresistível do princípio ao fim.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Os 13 concertos que mais vou querer ver na 13ª edição do FMM - n.º 1

1. CONGOTRONICS VS. ROCKERS (Congo-Kinshasa/EUA/Argentina/Suécia)
Castelo de Sines
Sábado, 23 de Julho, 00h45



Falemos então de laboratórios, uma das essências fundamentais que todos os anos esperamos do FMM. Sob a égide da Crammed, a editora belga que desde os anos 80 tem vindo a firmar com força o seu lugar no mercado das músicas do mundo, sem nunca deixar fechar-se na autarcia que outras editoras ou agentes deram ao termo, reuniram-se músicos do Congo dos Kasaï Allstars e dos Konono nº1, projetos ligados à "revolução" congotrónica, nome derivado dos títulos das compilações que os trouxeram para a ribalta do mundo ocidental, com outros da música popular independente dos EUA e de outros países (Deerhoof, Animal Collective, Micachu, Oneida e tantos outros). O resultado desta experiência laboratorial concretizou-se na compilação "Tradi-Mods vs Rockers: Alternative Takes On Congotronics" que a Crammed lançou no ano passado. Do disco ao concerto, foi um passo. Para os palcos, juntaram-se 10 músicos das bandas congolesas, com dez outros das restantes, a saber: os quatro Deerhoof, Juana Molina, elementos dos Skeleton, dos Wildbirds & Peacedrums e ainda Vincent Kenis, o produtor da série "Congotronics". A digressão do espetáculo parece estar a correr muito bem, a avaliar pelo que se vai vendo no blogue que a acompanha. É impossível perder isto.

(ADENDA: Por lapso e por distração -- ou por parvoíce -- desta lista dos 13 concertos aguardados com maior ansiedade ficou de fora o projeto Desert Slide, que reúne Vishwa Mohan Bhatt, mais um intérprete de sitar adaptada ao slide, com os Divana Ensemble, um grupo de ciganos descendentes dos músicos que antigamente tocavam para os rajás. Duas Índias em diálogo, na quinta-feira, 28 de Julho, às 23h15, no castelo.)