segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Na próxima sexta-feira, na ressaca do ano novo...



Antes, há passagem-de-ano no Castelo de Sines. Vai haver um longo espectáculo de fogo-de-artifício na baía e Bailarico Sofisticado no castelo, numa tenda montada especialmente para o efeito, a partir das 23h. Apareçam!

Um bom 09 para todos

Faltam dois dias para que este ano chegue ao fim. 2008 foi tão pródigo em azares, em dissabores e em sinais carregados de pessimismo para o futuro que nem vale a pena fazer retrospectiva do que se passou, nem sequer dos bons momentos. Mais vale esquecê-lo rapidamente, como se de um pesadelo se tratasse, e acordar para o novo calendário que aí vem.

Ainda assim, deixem-me fazer a brincadeira habitual de fim-de-ano, com a eleição dos meus... cem concertos do ano. E com uma nota muito especial para o espectáculo que encabeça a tabela. Quando, por exagero, pensamos que, aos 35 anos, já vimos tudo que havia para ver e que aquilo que se vive nunca suplantará o que já se viveu (não pensamos, livra, é apenas uma argumentação levada ao absurdo!), eis que aparece algo que nos atira por terra para depois nos encher de vida e de optimismo. Diria mesmo mais: se, num pesadelo, me obrigassem a indicar o concerto favorito de sempre com uma arma apontada à cara, aí estaria a resposta. NEIL YOUNG.

Bom ano para todos.



1. NEIL YOUNG @ ALIVE (12/JUL)

2. rokia traoré @ fmm (26/jul)
3. orchestra baobab @ fmm (24/jul)
4. extra golden @ zdb (2/jul)
5. einstürzende neubauten @ aula magna (4/mai)
6. bassekou kouyaté & ngoni ba @ fmm (17/jul)
7. animal collective @ lux (28/mai)
8. dirty projectors @ zdb (6/jun)
9. faiz ali faiz @ fmm (25/jul)
10. iva bittová @ fmm (22/jul)

11. david thomas broughton @ zdb (5/mar)
12. timbila muzimba @ zdb (26/jun)
13. gala drop @ lounge (26/dez)
14. flat earth society meets jimi tenor @ fmm (19/jul)
15. lightning bolt @ parque de estacionamento do largo camões (23/nov)
16. michael gira @ nimas (25/fev)
17. toumani diabaté @ ccb (2/ago)
18. beach house @ maxime (16/nov)
19. moskow art trio @ fmm (21/jul)
20. dengue fever @ póvoa de varzim (29/ago)
21. mão morta "maldoror" @ culturgest (23/abr)
22. matt elliott @ maxime (21/mar)
23. the national @ alive (10/jul)
24. rachel unthank & the winterset @ fmm (25/jul)
25. loosers @ avenida 211 (19/dez)
26. moriarty @ fmm (22/jul)
27. silvério pessoa @ fmm (24/jul)
28. the national @ aula magna (11/mai)
29. boom pam @ fmm (26/jul)
30. ktu @ fmm (25/jul)
31. sonny simons, bobby few, masa kamaguchi @ zdb (11/out)
32. scout niblett @ zdb (30/mai)
33. dele sosimi afrobeat orchestra @ póvoa de varzim (28/ago)
34. no age @ zdb (23/out)
35. the dodos @ musicbox (6/dez)
36. waldemar bastos @ fmm (23/jul)
37. siba e a fuloresta @ fmm (17/jul)
38. gala drop @ zdb (6/jun)
39. stellar om @ parque de estacionamento do largo camões (23/nov)
40. nick cave and the bad seeds @ coliseu dos recreios (21/abr)
41. dead combo @ zdb (25/jan)
42. pop dell'arte @ maxime (25/dez)
43. gala drop @ museu chiado (5/out)
44. alamaailman vasarat @ póvoa de varzim (29/ago)
45. hazmat modine @ fmm (18/jul)
46. farra fanfarra @ póvoa de varzim (30/ago)
47. josephine foster @ zdb (11/out)
48. toubab krewe @ fmm (24/jul)
49. high places @ zdb (11/dez)
50. ritchaz & kéke @ lounge (26/dez)

51. vinicio capossela @ fmm (23/jul)
52. negativland @ lx factory (17/mai)
53. tom carter @ zdb (5/mar)
54. bonnie "prince" billy @ zdb (11/jul)
55. danças ocultas @ fmm (20/jul)
56. nobody's bizness @ póvoa de varzim (28/ago)
57. estilhaços @ são jorge (20/nov)
58. jean-paul bourelly @ fmm (26/jul)
59. antony joseph & the spasm band @ fmm (23/jul)
60. mandrágora & special guests @ fmm (24/jul)
61. lo còr de la plana @ fmm (21/jul)
62. danae @ fmm (21/jul)
63. awesome color @ lounge (4/jun)
64. heavy trash @ musicbox (1/mai)
65. anonima nuvolari @ castelo de são jorge (10/mai)
66. ashla bhosle @ fmm (20/jul)
67. cabesssa lacrau @ f*** colombo (20/set)
68. the glockenwise @ avenida 211 (19/dez)
69. familea miranda @ lounge (7/mar)
70. gnu @ lounge (1/fev)
71. health @ zdb (2/jun)
72. liars @ santiago alquimista (9/jun)
73. deolinda @ póvoa de varzim (29/ago)
74. the act-ups @ maxime (4/set)
75. the last poets @ fmm (19/jul)
76. religious knives @ museu chiado (5/out)
77. silver mt. zion @ zdb (30/out)
78. vampire weekend @ alive (10/jul)
79. deolinda @ são jorge (7/mai)
80. silver apples @ zdb (11/mar)
81. loosers @ santiago alquimista (9/jun)
82. rosapaeda @ póvoa de varzim (30/ago)
83. jana hunter @ maxime (16/nov)
84. hoba hoba spirit @ póvoa de varzim (30/ago)
85. toto bona lokua @ fmm (24/jul)
86. a tribute to andy palacio @ fmm (20/jul)
87. marful @ fmm (24/jul)
88. doran - stucky - studer - tacuma @ fmm (26/jul)
89. serra-lhos aí!!! & os rosais @ fmm (17/jul)
90. bypass @ zdb (19/jan)
91. justin adams & juldeh camara @ fmm (23/jul)
92. herminia @ fmm (18/jul)
93. gogol bordello @ alive (10/jul)
94. smartini @ musicbox (5/jan)
95. kumpania algazarra @ 1º de maio na alameda (1/mai)
96. dead combo @ fmm (22/jul)
97. koby israelite @ fmm (26/jul)
98. jorge ferraz trio @ lounge (2/out)
99. lucky dragons @ zdb (23/out)
100. terrible eagle @ lounge (5/dez)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Concertos do 08 (Lista dos leitores)

1. Rokia Traoré @ FMM Sines, 26/7
2. Neil Young @ Alive Festival, 12/7
3. Portishead @ Coliseu do Porto, 26/3 + Coliseu dos Recreios, 27/3
4. Einstürzende Neubauten @ Aula Magna, 4/5
5. Michael Gira @ Teatro Miguel Franco de Leiria, 24/2 + Nimas, 25/2
6. Black Lips @ Porto-Rio, 21/4 + Lux, 22/4
7. Mão Morta ("Maldoror") @ Culturgest, 23/4
8. Animal Collective @ Lux, 28/5
9. Extra Golden @ ZDB, 2/7
10. (ex-aequo) Awesome Color @ Lounge, Björk @ Sudoeste, Leonard Cohen @ Algés, Rage Against the Machine @ Alive, Rickie Lee Jones @ Famalicão, Vampire Weekend @ Casa da Música

Álbuns do 08 (lista dos leitores)



1. "The Mandé Variations", Toumani Diabaté
2. "Fleet Foxes", Fleet Foxes
3. "Third", Portishead
4. "For Emma, Forever Ago", Bon Iver
5. "Saint Dymphna", Gang Gang Dance
6. "Vampire Weekend", Vampire Weekend
7. "Alopecia", Why?
8. "You & Me", The Walkmen
9. "O Amor Dá-me Tesão / Não Fui Eu que Estraguei", Foge Foge Bandido
10. "London Zoo", The Bug

Álbuns portugueses do 08 (lista dos leitores)



1. "Gala Drop", Gala Drop
2. "Black Diamond", Buraka Som Sistema
3. "Maldoror", Mão Morta
4. "Sempre de Mim", Camané
5. "Lusitânia Playboys", Dead Combo

Canções do 08 (lista dos leitores)



1. "In the New Year", The Walkmen
2. "Standing Next to Me", The Last Shadow Puppets
3. "Lights Out", Santogold
4. "Dounia", Rokia Traoré
5. "Lights and Music", Cut Copy

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Álbuns do 08 (lista da gerência)



1. "The Mandé Variations", Toumani Diabaté (Nonesuch)
2. "Saynt Dymphna", Gang Gang Dance (The Social Registry)
3. "Third", Portishead (Island)
4. "Vampire Weekend", Vampire Weekend (XL)
5. "Tchamantché", Rokia Traoré (Nonesuch)
6. "Devotion", Beach House
7. "Fleet Foxes", Fleet Foxes (Sub Pop)
8. "For Emma, Forever Ago", Bon Iver (Jagjaguwar)
9. "Alopecia", Why? (Anticon)
10. "Lie Down in the Light", Bonnie "Prince" Billy (Drag City)

(Reserva-se a asfixiante sensação de que esta lista podia ser completamente diferente se fosse feita em outro dia...)

Álbuns portugueses do 08 (lista da gerência)



1. "Maldoror", Mão Morta (Cobra)
2. "Gala Drop", Gala Drop (ed. autor)
3. "The Act-Ups Play the Old Psychedelic Sounds of Today", The Act-Ups (Hey, Pachuco!/Groovie Records)

Pop Dell'Arte e a ortografia II

O jornal Público já tinha uma longa tradição de comer o E final de Pop Dell'Arte, mas a maneira como o cartaz à porta do Maxime anunciava o concerto natalício é a melhor de todas até agora. POP D'EL ARTE. Viva España!
(Foi um belo espectáculo, a propósito, com muitas novas canções, já apresentadas há um ano, mas ainda sem edição -- deve estar para breve --, e ainda com uma versão arrasadora de "20th Century Boy".)

Ah

Old news.

Como diz que disse?

domingo, 21 de dezembro de 2008

Natais no Maxime e na ZDB

Tradição ou não, a noite do dia 25 vai ter novamente os Pop Dell'Arte no Maxime e o Legendary Tiger Man na ZDB. Na consoada, o Maxime abre portas para os Ena Pá 2000.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 1



"BROTHER SPORT", ANIMAL COLLECTIVE

Tem o groove de uma locomotiva a vapor, logo desde o momento da partida. Pouca terra, pouca terra. Os maquinistas animalescos vão alimentando as fornalhas e a composição ganha balanço aos poucos e poucos, para uma viagem irresistível, por mais ou menos incauto que seja o passageiro. Por mais vezes que na história da música se tenha empregado metáforas ferroviárias para falar de uma canção, poucas terão sido aquelas em que se estivesse perante algo com o andamento desta "Brother Sport". Por estes lados, foi seguramente, a canção-mais-ouvida do ano, a canção-mais-sentida do ano, a canção-mais-dançada-em-casa do ano. Só a podia eleger como, desculpem a repetição, canção do ano. Que venha agora a versão completa em estúdio (ou seja, mais do que aquela que se pode escutar no podcast da Les Inrockuptibles), em Janeiro, quando sair o álbum "Merriweather Post Pavilion". Por "Brother Sport" e não só, é caso para dizer que já há alguns anos que não ansiava tanto por um álbum novo de uma banda.
(O vídeo que ilustra esta escolha tem introdução por parte dos Konono no.1, e foi neste formato que conhecemos pela primeira vez a canção dos Animal Collective, no dia em que o GorillavsBear a apresentou ao mundo.)

Canções do 08. Nº 2



"GILA", BEACH HOUSE
(de "Devotion", Carpark)

A malha da guitarra é soberba, e a maneira como, a páginas tantas, combina com a marcação da voz de Victoria Legrand ajuda a tornar este um dos pontos altos de "Devotion", depois de "Chamber House", já destacado nesta lista. Mesmo quando sabemos que a voz de Victoria desafina que se farta, como ouvimos no mês passado.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Sexta-feira: a última grande festa na casa da avenida



A boa gente da Filho Único prepara-se para aquela que provavelmente será a última grande festa no nº 211 da Avenida da Liberdade. Dois apartamentos, um número de salas difícil de contar e concertos, muito concertos. O formato foi estreado em Julho de 2007 e foi repetido em Dezembro do mesmo ano, e em Julho recente.
Na sexta-feira, as portas vão abrir às 21h, sendo que a música começa meia-hora mais tarde. Não vai haver "Comida do Povo", pelo que é de ir jantado desta vez. Não vai também haver reservas de bilhetes. A casa é enorme, mas a lotação esgotou das últimas duas vezes, pelo que convém estar cedo no 211. Os bilhetes custarão sete euros e começarão a ser vendidos a partir das 21h. Além dos concertos, que serão em número perto das duas dezenas, o Zeca dos Discos vai estar a meter música. A Flur estará também presente com a sua banca, assim como a editora Daemond Daemond.
Segue-se o horário das actuações:

21h30 - Gustavo Sumpta
22h00 - Kazike + Guilherme da Luz; Alexandre Estrela e J. Braima Galissa
22h40 - Rita Braga e Sei Miguel
23h00 - Ritchaz & Kéke e Alexandre Estrela
23h15 - David Maranha e António Contador + Calhau!
23h30 - Aquaparque
23h40 - Os N'Gapas
24h00 - Alexandre Estrela
00h20 - Panda Bear DJ Set; The Glockenwise e Frango
1h00 - Tropa Macaca
1h10 - Lobster e Coclea
1h35 - Zonk
2h00 - Loosers

Para mais informações, há o site da Filho Único.

Canções do 08. Nº 3



"THE RIP", PORTISHEAD
(de "Third", Island)

Sabe tão bem esperar pelo momento, aos 2'14, em que aquela linha de baixo sobrepõe-se ao dedilhado de guitarra, com a voz de Beth Gibbons em suspenso, como que a levar a canção para a estratosfera. Não fosse a marcação do sintetizador se tornar irritante, principalmente nas audições sucessivas, e esta seria a grande canção do ano. Em todo o caso, vale a pena dizer, a propósito deste "The Rip", bem como do álbum "Third", que há dois tipos de regressos tardios: aqueles que são meros cash-ins e o dos Portishead.
Já agora, e que tal a versão acústica e caseira dos Radiohead?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Bailarico Sofisticado na passagem de ano em Sines

No Castelo, entre as 23h e as 2h30. Vai haver fogo-de-artifício e tudo. E durante vinte minutos! Mais informações aqui.
Nesta próxima sexta-feira, há também o regresso do Bailarico ao Left.

Canções do 08. Nº 4



"ELYNE ROAD", TOUMANI DIABATE
(de "Mande Variations", Nonesuch)

Continuamos pelo Mali, agora com uma composição repleta em partes iguais de tristeza e de beleza, e saída dos dedos mágicos de Toumani Diabaté, "le dieu de la kora", como lhe chamava Ali Farka Touré. Pode ser escutada em "Mande Variations", uma das obras maiores deste ano, sem grandes artifícios: é apenas um músico enorme e o instrumento através do qual se exprime como ninguém.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 5



"DOUNIA", ROKIA TRAORE
(de "Tchamantché", Nonesuch)

Agora, sim, as canções a sério. Para inaugurar o quinteto da frente, este blues com que Rokia Traoré abre "Tchamantché". Tem melancolia, como sempre se quis de um blues, mas também possui uma força imensa, especialmente sentida na parte em que a magnífica voz de Rokia salta para a frente dos instrumentos, num tom de raiva contida que contrasta com a doçura precedente. E se "Tchamantché" segue esta linha de contenção, de uma forma geral, que bela surpresa que ela nos deu com o autêntico estrondo que foi o seu concerto deste ano em Sines.

Canções do 08. Nº 6



"FLUME", BON IVER
(de "For Emma, Forever Ago", Jagjaguwar)

Aqui está mais uma que, tecnicamente, pertence a 2007, ano em que Justin Vernon lançou a primeira edição do álbum, a expensas próprias, mas quem é que ouviu isto a não ser neste ano, já na edição da Jagjaguwar? O álbum do ano para as lojas Rough Trade (quarto melhor para as revistas Uncut e Mojo) abre assim, desta forma arrebatadora, nestes arranjos simples, com o falsete arrepiante de Vernom, características comuns ao longo do alinhamento, e que se destacam especialmente neste "Flume". A Blogothéque arranjou aqui uma bela versão, em toada mais lenta, para a sua série de "concerts à emporter".

Canções do 08. Nº 7



"WHITE WINTER HYMNAL", FLEET FOXES
(de "Fleet Foxes", Sub Pop)

Primeiro single do excelente álbum de estreia dos Fleet Foxes. Uma ode ao Inverno, que serve de argumento para atirar à cara de quem acha que a pop é coisa de Verão ou que a música em geral pode ser catalogada de acordo com as estações do ano. Musicalmente, é interessante ouvir mais uma remissão aos coros da folk britânica dos anos 60, sem que deixe de soar genuína nos dias que correm.

Canções do 08. Nº 8



"WATER CURSES", ANIMAL COLLECTIVE
(de "Water Curses", Domino)

Há dois tipos de canções. Aquelas que entram à primeira e as outras que começamos por detestar até que, feito o clique, nos apaixonamos para sempre. No meu caso, esta "Water Curses", que abre o EP com o mesmo nome, foi um dos últimos casos. Porventura mais próxima de "Feels" do que de "Strawberry Jam", este é mais um daqueles temas em que assenta perfeitamente o que, em tempos, a Stylus escreveu sobre os Animal Collective: "play tug of war between typical pop dynamics and the skewed perspective of experimental music".

Canções do 08. Nº 9



"DIG, LAZARUS, DIG!!!", NICK CAVE AND THE BAD SEEDS
(de "Dig, Lazarus, Dig!!!", Mute)

Se não fossem os Grinderman a fornecerem a esperança, quem é que esperaria que Nick Cave e os Bad Seeds voltassem a gingar desta maneira?
(Não reparem, mas a canção até foi apresentada no final de 2007. Pormenores aos quais devemos fechar os olhos, certamente.)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Earth no Porto!

Já não recordo a razão que à última da hora me impediu de ir até à Casa da Música, no Porto, para ver os Earth, num serão que ainda contava com os Sunn O))), aqui há uns dois anos, mas vai haver nova possibilidade. Os Earth vão novamente ao Porto, diz o Bodyspace. O novo espectáculo do projecto de Dylan Carlson, agora com o novo álbum na bagagem, "The Bees Made Honey in the Lion's Skull", está agendado para dia 31 de Março de 2009, no Passos Manuel e estará a cargo da boa gente da Amplificasom, que tem mais uma mão cheia de datas anunciadas (Wolves in the Throne Room, Löbo, This Will Destroy You, Year of no Light, etc.), como se pode ler na notícia do Bodyspace.

E, por falar em David Byrne e em "Everything That Happens Will Happen Today"


David Byrne tem passado os dias a apresentar as canções do álbum, além de outras, por cidades dos EUA. Mas para o próximo ano, a digressão que recebeu o nome "Songs of David Byrne and Brian Eno Tour" vai atravessar a Austrália, alguns países do extremo Oriente e, mais tarde, a Europa. E... DIA 28 DE ABRIL CHEGA AO COLISEU DOS RECREIOS DE LISBOA!
A acompanhar Byrne vão estar músicos como o teclista Mark Degli Antoni (Soul Coughing), o baixista Paul Frazier, o percussionista brasileiro Mauro Refosco (já tocou nos Lounge Lizars e hoje é um dos elementos do projecto Forro in the Dark) e o baterista Graham Hawthorne. Em palco haverá ainda um colectivo de dançarinos. David Byrne tem falado muito sobre os concertos e sobre as cidades por onde tem passado no seu magnífico blogue. Pormenores sobre a digressão podem ainda ser consultados no wikipedia. As datas estão disponiveis no site oficial de David Byrne.

Canções do 08. Nº 10



"STRANGE OVERTONES", BRIAN ENO & DAVID BYRNE
(de "Everything That Happens Will Happen Today", ed. autor)

Passaram 27 anos desde o histórico "My Life in the Bush of Ghosts". Brian Eno e David Byrne voltaram a unir as suas torrentes criativas e... could they do it? Yes, they could. É daquelas canções que fazem ligação directa entre os ouvidos e aquela recôndita parte do cérebro que tem por função deixar-nos bem disposto.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 11



"FIRST COMMUNION", GANG GANG DANCE
(de "Saint Dymphna", Social Registry)

Um dos maiores vícios dos últimos tempos, num álbum grandioso.

Canções do 08. Nº 12



"DANCE, DANCE, DANCE", LYKKE LI
(de "Youth Novels", LL/EMI)

É sueca, é loura como se sonha numa sueca, tem todo o fashionismo daquilo a que os miúdos de hoje chamam indie, mas consegue neste "Dance, Dance, Dance" reunir a energia de algo que mais parece uma dança africana. Mui aconselhável também é a versão tocada na rua com os El Perro del Mar Justin Vernom e os restantes Bon Iver, captada pela Blogothéque (NOTA SOBRE ESTA CORRECÇÃO: eu bem tinha a ideia que havia uma colaboração com Bon Iver e era essa que pretendia aqui linkar, originalmente. Obrigado à Susana e obrigado à Joana por me corrigir - a ter que usar artigo, nunca seria *os* El Perro del Mar, mas *a* El Perro del Mar.)
(Por coincidência macaca, descobri a canção quando estava a ler um dos meus livros do ano, justamente com o mesmo título.)

Canções do 08. Nº 13



"HEART OF CHAMBERS", BEACH HOUSE
(de "Devotion", Carpark)

Pop sonhadora, como lhe chamam os americanos. Mazzy Star, como lembram os mais velhos. Querem melhor banda sonora para tardes de temporal?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 14



"IN THE NEW YEAR", THE WALKMEN
(de "You & Me", Gigantic)

Todos os anos precisamos de, pelo menos, uma canção como esta. Não deixando de ser ligeira na composição, tem instrumentos bonitos e disciplinados q.b., a coabitarem em perfeita harmonia com voz incrível de Hamilton Leithauser, em diferentes cadências alternadas, como sucessivas ilustrações de uma história, uma história que é relatada em tons quase épicos ao longo da canção. Muitos tentam fazê-lo, mas são pouquíssimos os que conseguem atingir este nível.

Canções do 08. Nº 15



"BONELESS (PANDA BEAR REMIX)" THE NOTWIST
(de "Boneless", 7", Domino)

Creditar esta canção, neste formato, aos Notwist, ainda que com o rótulo de remistura para o Panda Bear é, no mínimo, descabido. Oiça-se o lado A do single, o tema original dos alemães, para se perceber a distância que separa as duas versões, para se perceber o quanto de Panda Bear se encontra nesta "remistura".

Tributo aos Crise Total

A editora londrina Subsoundz está a convidar grupos a participarem no álbum de tributo aos Crise Total. Já se encontram inscritos Factor C, Tiro no Escuro, Artigo 19, Simbiose (com "Derrame de Sangue"), Revolta, Cães Portugueses (com "Sociedade Degradada"), Konad, Crise Quase Total (com "Pátria Amada"), Reltih (com "Holocausto"), Coluna de Ferro, Ervas Daninhas, Evil Class, Albert Fish ("Autista"), Estado de Sítio ("Foi Portugal"), Renegados de Boliqueime ("Assassinos no Poder"), Subcaos, Dawnrider, Corvos Anais ("Crise Total"), The Sadists, R12 ("Santa Inocência") e Barafunda Total. Os restantes interessados devem contactar a Subsoundz através do mail smoothal@fsmail.net ou o próprio Manolo dos Crise Total em myspace.com/manoloxines.

Canções do 08. Nº 16



"ALL I WANTED IS THE MOON", JOSEPHINE FOSTER
(de "This Coming Gladness", Bo'Weavil)

Em "This Coming Gladness" a folk de eco britânico de Josephine Foster voltou a encontrar-se com a angularidade dos arranjos que já havia conhecido na sua grande obra prima, o álbum "All the Leaves Are Gone", de 2004. E o resultado é de novo extraordinário. Na composição, há também belíssimos momentos e este "All I Wanted is the Moon" é o que mais se destaca. O vídeo que acima se apresenta foi gravado no Meu Mercedes é Maior que o Teu, no Porto, durante o espectáculo ali realizado a 12 de Outubro deste ano.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 17



"SHAKE SHAKE SHAKE", WHITE DENIM
(de "Workout Holiday", Full Time Hobby)

Claro que é mais música do passado levada ao micro-ondas, para ser servida a comensais sem preconceitos, mas uma linha de baixo como esta e os riffs de guitarra que a acompanham não podiam passar sem destaque. E o álbum "Workout Holliday" está cheio de excelentes malhas (é o termo ideal), nem sempre no mesmo registo que este "Shake Shake Shake". É ouvir.

Canções do 08. Nº 18



"TELL THE WORLD", VIVIAN GIRLS
(de "Vivian Girls", Mauled by Tigers)

E eis que Brooklyn entra em cena. O segundo single do álbum homónimo -- bonito álbum, por sinal -- é mais uma revisitação às memórias auditivas de há 15 ou 20 anos, porventura mais copista e menos genuína que o caso dos No Age, mas não deixa de ser uma bela canção, que é o que importa nesta lista.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 19



"TEEN CREEPS", NO AGE
(de "Nouns", Sub Pop)

Os No Age são o maior nome da pop guitarras de sónicas e adolescentes dos últimos anos, se é que faz sentido a caracterização nestes termos toscos. Quem os viu ao vivo, este ano, percebeu que não há só a experimentação ruidosa dos álbuns. Há nestas guitarras um espírito juvenil, agridoce, que era muito comum em bandas que surgiam a cada esquina, então chamadas bandas indie, já lá vão mais de 15 anos. Algo que muito se viveu por cá, até, como nas bandas que gravaram para a Bee Keeper, lembram-se? Até o título e o tema das letras deste "Teen Creeps" ajudam a reforçar a ideia. Soa a revisitação, mas também soa a genuíno.

Canções do 08. Nº 20



"THE HOLLOWS", WHY?
(de "Alopecia", anticon)

Do Jonathan Richman, passamos para o Jonathan Wolf, dos Why?, que estão cada vez mais longe do hip hop da casa anticon do que nunca, assumindo-se esta canção como uma das principais provas. "The Hollows" foi o primeiro single de "Alopecia", um dos melhores discos deste ano (houvesse rigor e este "The Hollows" não podia entrar nesta lista, já que foi publicado enquanto single em 2007, mas esqueçamos esses detalhes, ok?).

Festival Musicnet: oito anos

Passam hoje oito anos do Festival Musicnet. Entre 10 e 14 de Dezembro do ano 2000, nas instalações da FIL, por ocasião de uma feira em que o grupo Terravista participou, a Musicnet contou com um pequeno palco ao qual levou alguns projectos portugueses que se encontravam a dar os primeiros passos. Recordo a ocasião como uma das mais embaraçosas pelas quais passei na vida profissional. Na minha incipiente experiência de produção, tinha conseguido, quase sozinho, providenciar tudo a tempo e horas. Havia material de som, havia o backline mínimo, havia horários de load-in, de soundcheck, etc., tudo definido ao pormenor. Mas esta cabeça de amendoim não se lembrou, nem qualquer outro gestor do grupo o previu, que estávamos numa feira e que, encontrando-se o imenso stand do Terravista montado no meio de outros stands comuns, fazer barulho ia ser uma tarefa complicada. A tarola e os timbalões da bateria estavam cobertos de pensos higiénicos. Os guitarristas tinham ordens expressas, embora nem todos as respeitassem, como é natural, para não puxar pelo volume dos amplificadores. Os grupos com sonoridades dentro do metal preferiram, claro, não participar. Num dos dias, a visita do secretário de estado da Educação (ou o seria ministro) obrigou à interrupção da actuação de uma das bandas, tornando ainda mais feio o pesadelo... Mas nem tudo foi mau. Entre as bandas participantes houve um clima de cumplicidade notável e foi pelo interesse delas em participar que o festival não foi, afinal, cancelado.

Passados que estão estes anos, fiquei com curiosidade para saber o que aconteceu a estas bandas. Os Fusion Lab foram um dos primeiros (senão o primeiro) projectos do João Barbosa e do Rui Pité, hoje mais conhecidos por Lil'John e DJ Riot, os Buraka Som Sistema (acho que ainda vos vou chantagear para não divulgar a maqueta :>). Os Fat Freddy perderam o contrabaixista doido, mas continuam por aí a rockar. Os Bypass continuam também em actividade, o mesmo acontecendo com os Funkoffandfly, os sUBMARINe ou os The Temple (estes não tocaram, creio). Os Abstract Circle tiveram uma mudança na formação e no nome, sendo hoje conhecidos por Abstract Sir Q. Os Polaroid, que não chegaram a tocar, acabaram e julgo que os músicos não continuaram as suas carreiras. Falta saber -- é apenas uma manifestação de curiosidade pessoal -- o que aconteceu a grupos como Hamble Glue, Clark, Colourblind, Brigada, Doomed, The Atoms, Candy Forest, Kaleidoscope, Plobe, Mother Tongue, Many More, Fluid, Fade Out, A Forest, Spam, Nua e Temple of Noise.

O velho Blitz!

E-X-T-R-A-O-R-D-I-N-Á-R-I-O. Alguém se está a dar ao trabalho -- que o grande leão africano o proteja -- de digitalizar as primeiras edições do Blitz (era um jornal, lembram-se?), a começar precisamente por aquela que saiu em 6 de Novembro de 1984, com a capa de Siouxsie Sioux que aqui se transpõe ao lado. A tarefa está visível no blogue ovelhoblitz.blogspot.com. Aqui encontram-se retratos de um tempo em que as terças-feiras eram o dia mais importante da semana para muitos de nós, os tempos do nosso "Diário da República".

Ipsílon online

O suplemento ípsilon, que o Público inclui na sua edição das sextas-feiras, passou a ter versão online em ipsilon.publico.pt. Aparentemente, todos os conteúdos do papel são publicados na versão electrónica.

Canções do 08. Nº 21

"WHEN WE REFUSE TO SUFFER", JONATHAN RICHMAN
(de "Because Her Beauty is Raw and Wild", Vapour)

É pena, mas aparentemente não está disponível vídeo ou áudio desta canção nos canais habituais (talvez tenha sorte quem esteja registado no imeem.com). "When We Refuse..." vem servida em nada mais, nada menos, que três versões. Duas encontram-se no álbum, a terceira encontra-se no lado B do single. Guitarra eléctrica a mais, guitarra eléctrica a menos, flamenco a mais, flamenco a menos, em qualquer uma das versões encontramos o característico espírito baladeiro gozão de Jonathan Richman, que, mesmo a cantar sobre sofrimento, vidas cinzentas ou prozac, invade o ouvinte de boa disposição.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 22



"50 YEAR OLD MAN", THE FALL
(de "Imperial Wax Solvent", Castle)

É The Fall vintage. 27º álbum de estúdio e continuamos a encontrar temas desassossegados como este. É daqueles em que vale a pena acompanhar a letra, escrita por um Mark E. Smith cáustico como sempre, arrogante como sempre, genial como sempre:

Computer doesn't work for me
I had a Sinclair back in 1983
OL2QU, pre-warranty
And don't forget he's still up to it
That Steve Albini
He's in collusion with Virgin trains
Against me

I'm a fifty year old man
I'm a fifty year old man

But it won't get me

Go down Manchester town
Can't navigate it
The club scene, man
You can't compare with it
One third of securities count
I can't understand that
Again

You're not real boy
I say you're not real boy
You're a gym [teacher]
You're a Cancer and I expect
A little shit

I'm a fifty year old man
And I like it

I got a three foot rock hard on
But I'm too busy to use it

I'm a fifty year old man

I'm a fifty year old man
What you gonna do about it?

I go round a hotel
I see "Throw the towel on the floor"
On The Green Man
I throw it on the floor and
I piss in it

I'm a fifty year old man
And I like it

I'm trying to...

And don't forget
You try to destroy me
You're in collusion with the trains
Don't try and kid me

I'm a fifty year old man

Go down to the town
Can't navigate it
The club scene, man
You can't get in there

[Banjo interlude]

[Backing vocals repeat: 50 year old man]

I'm a fifty year old man
And I like it
I'm a fifty year old man
What're you gonna do about it?

And don't forget, you tried to destroy me
Steve Albini
You're in collusion with the trains
Don't try and kid me

I'm a fifty year old man
And I like it
I'm a fifty year old man
What're you gonna do about it?

I've got a three foot rock hard on
But I'm too busy to use it

I'm a fifty year old man
And I like it
I'm a fifty year old man
What're you gonna do about it?

Go down Manchester town
Can't navigate it
The club scene, man
You can't compare with it

I'm a fifty year old man
And I like it
I'm a fifty year old man
What're you gonna do about it?

And don't forget he's still up to it

[Interlude]

An inferior product mess
An inferior product man
Just over two thirds the price
I'm proud of it
I'm proud of it

I'm a type of guy who knows what is on CD
And then they lecture me on turning rubbish out
While shouting themselves out of existence

If they care so much, why don't they try eating
some of those cardboard cut-outs themselves
And they stuff the complimentary catering down their neck
Do the fifth re-take of their attempt to be scruffy
On a train
And go back to counselling and communicating

I'm an inferior product man
I'm an inferior product mix
They call me "Bad Head"
Don't ever forget it
And here is the fade out
Fade out
Fade out

Canções do 08. Nº 23



"GAMMA RAY", BECK
(de "Modern Guilt", XL)

A carreira do outrora miúdo maravilha Beck Hansen tem sido pouco profícua em grandes "malhas", nos últimos tempos. Este "Gamma Ray", cheio de ritmo beat à anos 60, que, convenhamos, é capaz de fartar de morte a partir da 20ª audição (ou da primeira, dirão alguns), reverte essa tendência. E o single traz, como um dos lados B, algo que não é de todo habitual: uma cover do mesmo tema, num modo mais sujo, mais garagem, gravada por Jay Reatard, que pode ser ouvida aqui... Será melhor ou não, mas fica a prova: é uma filha-da-mãe de malha.

Canções do 08. Nº 24



"THE BRIDGE IS BROKEN", THE DØ
(de "A Mouthful", Cinq7)

Têm nome meio inglês, meio escandinavo. São meio franceses, meio finlandeses, e juntaram-se para isto depois de trabalharem em conjunto em bandas sonoras de filmes. O álbum é um pãozinho sem sal, mas a meio pode-se escutar esta pérola.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 25



"DIVINE", SEBASTIEN TELLIER
(de "Sexuality", Record Makers)

Houvesse justiça e esta teria sido a canção ganhadora do Festival da Eurovisão deste ano. Ficou-se pelo 19º lugar, com 47 pontos, seis postos atrás, imagine-se, daquela xaropada horrível que era canção portuguesa. Tem toque de um meio português (o produtor do álbum "Sexuality" é Guy-Manuel de Homem-Christo, dos Daft Punk) e causou enorme controvérsia em França, por ter sido a primeira canção com letra em inglês que o país levou ao festival. Este vídeo é das coisas mais cómicas que se realizaram este ano.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Brooklyn is the new Leeds

É coincidência, certamente. Já tínhamos os Gang Gang Dance, pefeitamente góticos quando, sem o saberem, recuperam Siouxsie and the Banshees, Cocteau Twins ou Cranes. Sem o saberem, quase de certeza. Também de Brooklyn, e também na editora Social Registry, apareceram os também magníficos Telepathe. Mais reminiscências das mesmas correntes mais etéreas da música popular inglesa do início dos anos 80. Não devem faltar outros exemplos. Mas se quisermos continuar nos góticos de Brooklyn, ainda que virando agulhas para outros caminhos, também temos estes Terribe Eagle que hoje vêm tocar ao Lounge. (A avaliar pelas fotografias, talvez estes já tenham noção das referências que fazem na sua música...)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Em busca dos clubes recreativos - parte V

Os frequentadores mais habituais do tasco já estarão familiarizados com a lista que se segue. Trata-se de um rol de clubes recreativos lisboetas que tenho vindo a actualizar desde Agosto de 2003, praticamente desde os primeiros passos do blogue. Muitos não sabem, porventura, que é possível encontrar em cada recanto da capital uma casa, criada na maior parte das vezes por núcleos bairristas ou por grupos corporativistas, que traz até hoje muito da história da cidade dos últimos dois séculos. Trata-se de casas onde as pessoas se reuniam (e ainda reunem, em alguns casos) e sob o estatuto de associadas na maior parte das vezes, para desfrutarem de noitadas culturais, das peças de teatro aos bailaricos, da poesia aos concertos, para desenvolverem actividades desportivas e até políticas ou para viverem experiências possíveis através do associativismo outrora fértil e hoje quase desaparecido. Naturalmente, encontramos exemplos como os que se seguem em todas as grandes cidades do país ou até no meio rural. Pela proximidade, pela facilidade e pela preocupação de não dispersar a atenção, esta recolha recai apenas sobre a cidade de Lisboa, o que não impede que no futuro, havendo disponibibilidade, havendo tempo e havendo interesse, este roteiro venha a ser alargado a todo o país.
A lembrança para actualizar esta lista veio do mail que entretanto me chegou e que dá conta de mais uma associação recreativa, a Academia de Recreio Artístico, que fica na rua dos Fanqueiros e onde, amanhã, sexta-feira, há uma festa com discos de uma dupla com o nome Duopólio. A ocasião serviu para acrescentar ainda outras sugestões previamente deixadas pelos leitores e ainda para juntar a este rol os melhores exemplos actuais de clubes recreativos, se quisermos transpor o conceito para os dias de hoje, como é o caso do Bacalhoeiro ou da ZDB.
Outro motivo para a actualização da lista prende-se com a possibilidade que agora temos de marcar geograficamente todas estas casas no googlemaps. O mapa está disponível aqui:


View Larger Map

Como sempre, a caixa de comentários fica à vossa disposição para correcções ou para a sugestão de mais exemplos (faltam tantos...).

- ACADEMIA DE RECREIO ARTÍSTICO (rua dos Fanqueiros, 286 - 1º andar) - Fica mesmo ao lado da Pollux e tem site: academiaderecreio.ning.com.
- ACADEMIA MUSICAL JOAQUIM XAVIER PINHEIRO (alameda das Linhas de Torres, 45) - Apesar de ficar ao lado do Estádio de Alvalade, não conheço este espaço :). Quem mo sugeriu lembrou-se dos concertos de punk que por lá já aconteceram.
- ACADEMIA DE SANTO AMARO (rua da Academia de Santo Amaro, 9) - Fica em Alcântara, perto do Hotel Carlton. Segundo um leitor, "é um espaço óptimo. Teatro/sala à antiga, tipo Ritz Club (mas sem aquela entrada toda). Fui lá ver o concerto de lançamento do disco dos Room 74 em Junho, acho eu, e posso assegurar que o espaço é excelente. Fica perto de Alcântara, lá mais para cima, ao pé do Hotel Carlton."
- ATENEU COMERCIAL DE LISBOA (rua das Portas de Santo Antão, 110) - É comparável à Voz do Operário, em termos de dimensão, de propósitos e de actividades que actualmente desenvolve. É um grande espaço nas portas de Santo Antão, onde decorrem diversas actividades desportivas e culturais. Tem muitas salas onde se podem realizar concertos, por exemplo.
- BACALHOEIRO (rua dos Bacalhoeiros, 125) - Esta casa destaca-se de todas as outras por uma razão nobre. Não foi fundada há cento e tal anos. Foi criada há apenas dois anos por um grupo de estudantes de Erasmus, cidadãos estrangeiros que nos vieram mostrar, pela experiência do dia a dia que ali se vive, que o conceito de associativismo e de clube recreativo não é algo que tem de ficar necessariamente perdido na memória dos tempos da cidade. O Bacalhoeiro promove diversas actividades, com especial destaque para os concertos e para as festas com DJs (o Bailarico Sofisticado tem por lá uma residência mensal, a propósito), que envolvem cada vez mais público, que por natureza é associado da causa. É o exemplo vivo do clube recreativo dos nossos dias. Tem um blogue com informação actualizada da programação em bacalhoeiro.blog.com.
- CAIXA ECONÓMICA OPERÁRIA (rua Voz do Operário, 64) - Já por lá trabalhei, como elemento da Associação O Grito. O espaço tem uma sala com palco e um mezanino. Lotação: aí umas 500 pessoas. Tem bar e um pequeno PA de som e luz. Tem servido de palco a espectáculos e festas de uma forma (muito) irregular. Tem um site (desactualizado): www.caixaeconomicaoperaria.web.pt
- CASA DO ALENTEJO (rua das Portas de Santo Antão, 58) - A caber no conceito de clube recreativo, trata-se de um dos maiores de Lisboa. Funciona essencialmente como restaurante, existindo ainda a secção de bar, um espaço muito agradável, bastante amplo, com um palco que ameaça ruir a qualquer instante. Possui ainda uma área utilizada para reuniões ou eventos culturais. Apesar do estado avançado de decadência, a Casa do Alentejo está sempre cheia de pessoas, muitas delas turistas, e possui uma vida que nenhum dos outros espaços têm. Envolve-se ainda em diversas outras actividades, como a edição da Revista do Alentejo. Tem um site: www.casadoalentejo.pt
- COLECTIVIDADE DOS VENDEDORES DE JORNAIS (rua das Trinas, 55) - Tem um amplo salão com palco. O espaço está também servido de bar.
- CLUBE RECREATIVO DOS ANJOS (rua dos Anjos, 17) - Tem um pequeno palco que, volta e meia, serve para os bailaricos.
- CLUBE PRIMEIRO DE JANEIRO (Bairro Alto - Rua da Atalaia, 124?) - Fica em frente ao Portas Largas, na esquina oposta ao Frágil. Há mais de 15 anos assisti por lá a um concerto de Tina & The Top Ten e Ena Pá 2000, se não me falha a memória. É pena que não tenha sido aproveitado para muito mais coisas - aquele ringue de boxe dá-lhe um toque muito especial.
- COMUNA (Praça de Espanha) - Tal como o Ritz, o café-concerto da Comuna não entra a 100% na definição de clube recreativo, mas acaba por ter muitas semelhanças, entre as quais o facto de estar sub-aproveitado. Tem uma sala aí para umas 600 pessoas, com palco e bar. Creio que existe um PA mínimo de som e luz. Tem site: www.comunateatropesquisa.pt
- CREW HASSAN (rua das Portas de Santo Antão, 159) - Tal como o Bacalhoeiro, este é mais um exemplo vivo da movida verdadeiramente actual do que podemos continuar a chamar de clubes recreativos. Tem um site em www.crewhassan.org.
- GALERIA ZÉ DOS BOIS (rua da Barroca, 59) - Como o Bacalhoeiro, como a Crew Hassan, a ZDB, que já passou pelo 14º aniversário, não poderia ficar ausente desta lista. Embora se tenha perdido o fulgor associativista do início, a galeria continua a ter sócios, que obtém vantagens nas entradas para as diversas actividades. Possui, como meio mundo sabe, uma programação verdadeiramente invejável, com destaque para os concertos, para as exposições e para as peças de teatro mais ou menos regulares. Tem um site em www.zedosbois.org e um myspace em myspace.com/galeriazedosbois.
- GCD TRABALHADORES DO BES (rua D. Luís, 27) - Não conheço. Foi-me indicada por um leitor, que não conhecendo também o estado actual do espaço, se lembrava dele como "uma sala razoavelmente grande e bem equipada". Outro leitor lembrou que "tem regularmente peças de teatro de Gil Vicente com apresentações para os alunos das escolas secundárias".
- GRUPO DRAMÁTICO ESCOLAR OS COMBATENTES (Rua do Possolo, 7) - Fica ali entre a Estrela e os Prazeres. Tem uma sala, com palco, para umas 500 pessoas. Tem bar bem equipado ao lado. Está vedada a concertos, desde há algum tempo.
- KILOMBO (av. Gomes Pereira, nº11) - Armazém 13. Fica nas traseiras do Auditório Carlos Paredes, ou seja, mesmo ao pé da Junta de Freguesia de Benfica.
- PADARIA DO POVO (Campo de Ourique, rua Luís Derouet, 20) - A casa tem dois ou três andares. No piso térreo, existe um espaço agradável para festas e concertos, sem palco, onde no qual ainda estão instalados os antigos fornos de pão.
- RITZ CLUB (Rua da Glória, 57) - Um dos mais conhecidos, embora não se trate propriamente de uma colectivade como as restantes, dada a actividade que por lá existiu há anos. Há obras que teimam em ser acabadas e um desentendimento entre os sócios que exploravam o espaço que já chegou ao tribunal. Encontra-se fechado ao público. Vai servindo de sala de ensaios para algumas bandas.
- SOCIEDADE FILARMÓNICA JOÃO RODRIGUES CORDEIRO (Rua da Fé, 46A) - Fica na freguesia de São José, perto da avenida da Liberdade. É onde se instalou a mais recente (já com uns largos anos) versão da Jukebox. Do que me recordo, tem um palco e uma sala bem grande.
- SOCIEDADE GUILHERME COUSSOUL (avenida D. Carlos I, 61) - Tem um belo auditório e ainda uma sala de bar que pode servir para café concerto. Tem sido utilizado com alguma frequência nos últimos tempos.
- VOZ DO OPERÁRIO (rua Voz do Operário, 13) - Esta será provavelmente a maior associação recreativa de Lisboa, senão mesmo do país, tanto em termos de espaço como ao nível das actividades que continua a desenvolver nos dias de hoje e que lhe merecem o estatuto de Sociedade de Instrução de Utilidade Pública. Já serviu de palco para inúmeros concertos de grande envergadura. Tem um site: www.vozoperario.pt.
- ? (rua da Fraternidade Operária) - Fica na zona de Marvila/Braço de Prata/Poço do Bispo, perto da Universidade Internacional (?). Tem uma sala, com palco, para umas 500 pessoas. Não sei como aquilo está agora. Aqui há 20 anos, na altura em que eu ia lá frequentemente, pois duas bandas amigas lá ensaiavam, encontrava-se já num estado avançado de decadência.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Quem ganha?

Com o apoio logístico da Música no Coração, a empresa de cerveja de Leça do Balio produz hoje e amanhã, na cidade de Lisboa, mais um evento de promoção da sua principal marca. Um ou vários eventos, se quisermos, já que a ideia passa pela realização, em espaços diferentes e a horas coincidentes, de concertos de diversas bandas, nacionais e internacionais. Se, por um lado, é de aplaudir que o sector institucional da música ao vivo em Portugal explore novas ideias, custa por outro lado entender como se pode, mesmo que este até possa vir a ser visto como o ano zero do festival, dar tanto destaque a algo que pouco ou quase nada traz ao público, sem que haja uma voz na imprensa que fuja do alinhamento ovino.

Imitação do SXSW? A própria organização admite a ligação, ainda que tendo consciência da distância (só faltava que assim não fosse). Mas porquê tentar imitar? Porquê esta tendência eminentemente portuguesinha de forçar por cá o que lá fora surge com naturalidade ou, pelo menos, de forma previamente trabalhada? Só para a marca aparecer com mais destaque nos jornais?

Tudo à mesma hora? Tirando as vezes que o nome da marca de cerveja surge por toda a imprensa, quando esta última relata com entusiasmo a suposta originalidade do festival, qual a vantagem de se ter espectáculos a acontecerem à mesma hora ou em horas praticamente coincidentes, que obrigam à opção entre Santogold e Rui Reininho, por exemplo? Quem é que fica a ganhar com isso, além, claro, da empresa de Leça do Balio? Se fosse o caso de um cartaz extenso, como num festival como o que a mesma empresa produz no Verão... Dirão que agora temos mais de duas dezenas de nomes em dois dias. Claro, mas mais de metade estão lá para encher e vender o conceito...

40 euros? Quem vai gastar 40 euros (!) para ver nem que seja apenas um dos concertos? Dirão que isso já acontece num festival tradicional. Reformulando a questão, quem vai gastar 40 euros (!), nesta altura de falta de liquidez generalizada e de gastos natalícios, pela pulseira mágica para o festival, sabendo que apenas pode escolher dois ou três nomes por dia e que, mesmo para isso, vai ter que andar ao frio e à chuva a subir e a descer a avenida para conseguir ver qualquer coisa, ao mesmo tempo que vai torcendo para que a sala já não esteja esgotada? Talvez o perfil do consumidor do evento de logo e de amanhã não seja muito diferente daquele que vai aos festivais de Verão mais badalados da nossa terra: pertence à classe média alta, não conhece as bandas, foi bombardeado por uma imprensa acrítica e vai, claro, porque se quer divertir com os seus amigos, que pertencem à classe média alta, não conhecem as bandas e foram bombardeados por uma imprensa acrítica. E esses, de facto, não se importam com nada disto. Quem é que se importa pelas bandas, afinal?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

José Cid e os F.R.I.C.S.

Os F.R.I.C.S. juntam-se a José Cid já amanhã, quarta-feira, no Porto. Depois do cancelamento à última da hora, em Outubro, desta é mesmo de vez. A boa gente do colectivo Soopa leva a cabo mais um encontro inédito entre músicos provenientes de universos distantes. Os F.R.I.C.S., criaturas da jovem galáxia da improvisação encontram-se num buraco negro com o senhor do universo entre Vénus e Marte, José Cid. Vai ser no Passos Manuel, a partir das 22h30. Mais informação aqui ou aqui.

Por falar em mapa de salas, aqui vai uma actualização do roteiro de lojas vinílicas do Bairro Alto e Chiado

Desaparece a anterior loja por identificar da rua da Condessa. É que... o prédio já não existe. Entra na lista a Magic Bus, das escadinhas do Duque, que por grave lapso não surgiu da vez anterior. Entra também a SoundCraft, da rua do Século. Para ver o roteiro no google é favor ir aqui.

A. Prog CD
Calçada do Carmo, ?

B. Magic Bus
Calçada do Duque, 17-A

C. Discolecção
Calçada do Duque, 53-A

D. Vinyl for Life
Largo da Trindade, nº 10

E. Louie Louie
www.louielouie.biz
Rua Nova da Trindade, nº 8

F. Vynil Experience
Rua do Loreto, 61 - 1º esq

G. AnAnAnA
www.ananana.pt
Rua do Diário de Notícias, 9

H. Embassy Sound
Rua da Atalaia, nº 17

I. V-Records
Travessa dos Inglesinhos, 41

J. Matéria Prima
www.materiaprima.pt
Rua da Rosa, 197

K. SoundCraft
Rua do Século, 19

Mapa das salas de espectáculo

O António Torres do Vai uma Gasosa? uniu esforços com o Rui Dinis d'A Trompa na promoção de um mapa online de salas de espectáculo em Portugal. É dar uma espreitadela aqui (e contribuir).

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Mais uma compilação



Contribuições:
Shocking Blue "Love Buzz" (Países Baixos, 1969)
Tartit "Houmeissa" (Mali, 2006)
Faiz Ali Faiz "Mera Piya Ghar Aya" (Paquistão, 2002)
CAN "Chain Reaction" (Alemanha, 1974)
David Bowie "Waiting for the Man" (Inglaterra, 1972)
Lee Perry "Inspector Gadget 2004" (Jamaica, 2004)
The Mods "Spring Dance" (Paquistão, 1968?)
Dirty Projectors "Hyperballad" (EUA, 2008)
Opiyo Bilongo & Bilongo Golden Stars "Yuak Debe Sauti Moja" (Quénia, 2006)
43'24" / 99,3MB
Fica já o aviso de que a fidelidade sonora não é das melhores em certas partes...

Disponível aqui ou aqui.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ontem

Pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá falta o ar falta o ar pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá oxigénio oxigénio pá pum pá pá pum pá pá pum pá pá pum pá!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

E, claro, ...

Lightning Bolt esgotou novamente, mesmo após a passagem para o espaço do Parque Subterrâneo do largo Camões. Para quem tem reserva, deve levantá-la até amanhã na ZDB (horários - hoje, até ao final do concerto da Tara Jane O'Neil; amanhã, das 14h30 às 23h).

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

E depois ainda há as festas

Hoje há 2manydjs e Dezperados no Lux. No sábado, além de mais uma festa do Vespa Gang Mod Club com discos do Professor X (o Xavier) e do Milkshake (o Futre), há também a enorme festa de aniversário de Madame, a manager do Rui da Silva e dos Stereo Addiction, que se realiza ali para os lados do Beato. Entre as 23h e as 00h30, vai por lá estar o Bailarico Sofisticado e, depois, o Cabaret Madame passa para as mãos dos Banana Split (Macacos do Chinês em versão DJ) e dos Stereo Addiction.
(E ainda há o Open Day do Lx Factory, sexta e sábado.)

Fim-de-semana repleto de música ao vivo

Algumas recomendações para o fim-de-semana:

Quinta-feira
Começa hoje, às 23h, o ciclo de concertos do festival de cinema Periférico 08, no cinema São Jorge. A abrir, Estilhaços. Ou seja, Adolfo Luxúria Canibal na leitura de alguns dos seus textos reunidos na colectânea "Estilhaços" e António Rafael, outro Mão Morta, a contribuir com a base sonora. Altamente recomendável, tendo em conta as memórias de há quase três anos (foi até um dos meus espectáculos preferidos nesse ano). Os californianos Swell regressam ao nosso país, onde começam hoje uma mini-digressão de quatro datas. O Mercado Negro, em Aveiro, é quem os recebe primeiro. A eles e ainda a Tara Jane O'Neil e aos portugueses Noiserv.

Sexta-feira
Adolfo e Rafael seguem para Norte e juntam-se aos restantes Mão Morta, porque este dia marca o início de mais uma série de concertos do grupo, entretanto baptizada de "Tour Ventos Animais". Para trás ficou "Maldoror", volta agora o longo reportório a rasgar. Vai ser em Barcelos, no novo auditório montado na antiga e famosa Casa Amarela, e está integrado no festival Subscuta. Por Lisboa, o Periférico continua com Legendary Tiger Man. Os Swell sobem ao Porto, para um concerto no Armazém do Chá DESLOCAM-SE A COIMBRA, enquanto a Tara Jane O'Neil desce à capital para dar um concerto na ZDB, onde também estará presente Tom Greenwood, dos Jackie-O Motherfucker.

Sábado
Enquanto os Swell vão a Coimbra ATÉ AO PORTO, a Lisboa deslocam-se os conimbricenses Sean Riley and The Slowriders para mais uma noite do Periférico. Também por Lisboa, no Musicbox, os Hipnótica e os Loto dão por terminada a digressão que vieram a realizar em conjunto pelo país. Em Leiria, há mais uma proposta Fade In, com espectáculos das inglesas Bela Emerson e Lianne Hall, no Orfeão Velho. Em Portalegre, no Centro de Artes do Espectáculo (onde mais?), há Norberto Lobo.

Domingo
E aqui está o grande dia para os lisboetas, com um dos concertos mais esperados dos últimos cinco anos. Lightning Bolt finalmente, porra (as gentes do Norte vão poder vê-los em Vigo, no dia seguinte, mas num auditório). No piso -5 do parque de estacionamento subterrâneo do largo Camões, as hostilidades são abertas pela holandesa Christelle Gualdi, dita Stellar Om Source. Pouco depois, atacam os Lightning Bolt. Atenção às horas, portanto, já que não vai haver atrasos e tudo vai acabar relativamente cedo. Mais tarde, no Lounge, actuam os Swell. Entrada gratuita para outro concerto imperdível neste domingo (e vai dar para conciliar LB com Swell). Voltando atrás, há também Kubik no São Jorge, no âmbito do Periférico, em concerto-filme especialmente marcado para as 19h30 (tudo quer ver os Lightning Bolt, pois claro).

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Jóhann Jóhannsson



Entre o final dos anos 90 e o dealbar deste novo século, a editora islandesa Kitchen Motors lançou três discos que serviram de documento ao ponto principal do seu manifesto, a criação de espaços comuns a artistas provenientes de diferentes backgrounds, islandeses na sua maioria. Estes discos, autênticos testemunhos de genialidade na improvisação, ganharam o nome "Motorlab" e reuniram projectos como os Stilluppsteypa, Múm, Apparat Organ Quartet, Barry Adamson e Pan Sonic, entre muitos outros. Há um nome que é transversal às três edições: Jóhann Jóhannsson. No Motorlab #1, trabalhou com Hilmar Jensson, Úlfar Haraldsson e o ensemble de jovens músicos Caput. No Motorlab #2, fazia (e ainda faz) parte integrante dos magníficos Apparat Organ Quartet (se não conhecem, façam o favor de ouvir imediatamente este projecto). Finalmente, em Motorlab #3, ajudou a misturar a peça "The Hymn of the 7th Illusion", composta entre Barry Adamson e Pan Sonic.
Ora, vem a propósito dizer que Jóhann Jóhannsson tem álbum a solo recente, "Fordlândia", o primeiro a sair com selo 4AD, que deve ser ouvido com toda a urgência por quem ficou com a Islândia nos ouvidos desde o final dos anos 90. Como seria de esperar, até pelo próprio contexto estético dos Motorlabs, "Fordlândia" remete para paisagens sonoras com tanto de electrónica como de música de câmara, lembrando, claro, os Sigur Rós e tantos outros projectos que se destacaram na ilha nórdica há cerca de uma década. É uma bela banda sonora para se atingir a estratosfera enquanto o diabo esfrega o olho.

CORRECÇÃO: Não é o primeiro álbum de Jóhannsson pela 4AD, mas sim o segundo. "Fordlândia" é, aliás, o segundo de uma trilogia baseada em tecnologia e em nomes de marcas históricas norte-americanas. A 4AD já havia lançado "IBM 1401, A User's Manual" em 2006. Obrigado pela atenção, Jorge Pinho.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Lightning Bolt no parque de estacionamento!

Os espectáculos de Lightning Bolt e Steller Om Source já não vão, afinal, realizar-se no aquário da ZDB, tendo mudado para... o piso -5 do parque de estacionamento subterrâneo do largo Camões!

A ZDB informa ainda que as reservas devem ser levantadas na rua da Barroca, na quarta, quinta e sexta (depois das 19h00) ou sábado (depois das 14h00).

Entretanto, a mudança para o novo espaço leva a que um concerto que estava esgotado venha a ter novamente bilhetes à venda, pois a lotação é agora maior. A partir de amanhã, vai então haver mais bilhetes à venda na Ananana, na Louie Louie e na Flur.

What a swell party

Ainda a propósito dos Swell, descobri um texto meu com dez anos, a reportagem àquele fantástico concerto do São Luiz, de 20 de Setembro de 1998:

Foi num clima de festa de amigos que decorreu o concerto dos Swell no São Luiz. Logo ao fim do segundo tema, e a convite do vocalista David Freel, cerca de metade da plateia do teatro subiu para o palco e sentou-se no espaço livre que havia entre a linha dos monitores e o início do palco, ficando aí sentada até ao final do concerto como se banda e público fossem amigos de longa data e o que houvesse ali não fosse mais um concerto mas sim um serão entre amigos com muita música e muita conversa à mistura.

O espectáculo do grupo de São Francisco fez lembrar outros grandes concertos de estreia em Lisboa de bandas como os Spain, os Soul Coughing, dEUS, etc. Não no que diz respeito à música propriamente dita mas sim pelo facto de ainda serem projectos relativamente desconhecidos do público em geral e que na altura eram promovidas por uma rádio então extinta. Sim, os Swell também faziam parte dos grupos com forte airplay na Xfm.

David Freel, vocalista e guitarrista, e Monte Valier, baixista, são o "núcleo duro" de um grupo que desde o início do espectáculo rejeitou qualquer ponta de vedetismo, deixando que a música falasse por si. Nem mesmo as próprias luzes do espectáculo iam além de uns sóbrios focos imóveis de luz branca. Ficaram excelentes momentos proporcionados por músicas como "Make Up Your Mind" ou "Oh My My", do último álbum, "For all the Beautiful People" e "Sunshine Everyday", "What I Always Wanted" ou aquele outro tema tocado num dos três encores da noite, com Freel e Valier a solo, em que o jack da guitarra acústica de Freel não estava nas melhores condições, problema o que o próprio resolveu de forma eficiente, puxando o microfone para a boca da guitarra. Ao fim de quase duas horas o público não queria deixar os Swell acabarem o concerto e o grupo já não tinha mais temas ensaiados para tocar (os próprios pareciam estar tão sensibilizados com a recepção que até chegaram a tocar músicas improvisadas, onde não faltou uma cómica referência aos Led Zeppelin...). What a swell party! (*)

(*) Que festa formidável

Por falar em sobreposição de espectáculos... (parte II)

Depois disto (e ainda não me conformei que para ver os Beach House -- concerto magnífico, a propósito -- tive de perder os Radar Bros. no Lounge), chega a notícia de mais uma sobreposição domingueira.
Poderão dizer, e com alguma razão, que os públicos são diferentes. Poderão dizer que esta novidade já cá veio uma série de vezes, ao São Luiz, ao Garage, ao T-99 no Jamor... Mas, caramba. Eu gostava de rever os Swell, mesmo que pela quarta vez, no dia 23 de Novembro, no Lounge, mas claro que não vou perder os Lightning Bolt na ZDB. Irra, que já chateia.

(Os Swell têm uma mini-digressão agendada para Portugal, começando a dia 20 no Mercado Negro, em Aveiro, passando no dia seguinte pelo Armazém do Chá, no Porto, a 22 por Coimbra, em local a anunciar, e terminando a 23 no Lounge, em Lisboa.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Pontiak

Ok, a Thrill Jockey já nos havia dado os Trans Am. Agora, temos os... Pontiak (!). Três irmãos de Virginia. Embora não trazendo novidade nenhuma ao mundo, soam tão bem...


Have You Heard Session: Pontiak from HaveYouHeard on Vimeo.

"Periférico 08" com Estilhaços, Kubik, Tigerman e outros no São Jorge

O cinema São Jorge prepara-se para receber mais um festival de cinema, o "Periférico 08", que ocupará aquele espaço nos dias 20 a 23 de Novembro próximos. No evento serão apresentados não só produções da própria promotora do evento, a Periferia Filmes, mas também outros filmes independentes que não tenham chegado ao nosso circuito comercial. Além das estreias de filmes de Edgar Pêra, João Canijo, Rodrigo Areias e outros, o Perifério 08 vai também contar com vários concertos:

QUINTA, 20 NOV. 23h00
ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL + ANTÓNIO RAFAEL - "ESTILHAÇOS"
A banda sonora de "O Coveiro", de André Gil Mata, e de "Cronos", de Rodrigo Areias, contam com a voz de Adolfo Luxúria Canibal e serão editadas em 2009 em formato de 10" com selo conjunto entre Periferia Filmes e Subotnick. "O Coveiro" conta ainda com música dos Dead Combo.

SEXTA, 21 NOV.23h00
THE LEGENDARY TIGER MAN
O concerto servirá também para o lançamento do novo disco, a banda sonora de "Tebas", de Rodrigo Areias, em formato de 10" (edição Periferia Filmes / Subotnick Enterprises).

SÁBADO, 22 NOV. 23h00
SEAN RILEY & THE SLOWRIDERS
O grupo apresenta a banda sonora de "Corrente", de Rodrigo Areias, que também será editado em 10" no próximo ano.

DOMINGO, 23 NOV. 19h30
KUBIK – "A FELICIDADE" DE ALEKSANDRE MEDVEDKINE
Kubik em Lisboa (boa!), para apresentar um cine-concerto: Victor Afonso vai dar sons ao filme a "A Felicidade" do realizador russo Aleksandr Medvedkine (1900-89).

Mogwai em Fevereiro

MOGWAI NA AULA MAGNA STOP DIA 5 DE FEVEREIRO STOP ANFITEATRO 22 EUROS STOP DOUTORAIS 30 EUROS STOP PRODUÇÃO EVERYTHING IS NEW STOP

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Recuperação da noite



Aphex Twin "Alberto Balsam"

Há mais de dez anos, este tema brincava com os meus neurónios. E não era o único. "Ventolin" é, até hoje, o meu tema fétiche da electrónica dos anos 90 (e o meu mau trato aos ouvidos preferido...). Havia o divertido "Donkey Rhubarb" e outros mais, sob a designação de Caustic Window, AFX, Aphex Twin, etc. Já mais tarde vieram "Windowlicker" e "Comme to Daddy", com dois magníficos vídeos do Chris Cunningham. Nada maus estes anos 90, agora que me lembro.

Imagens históricas #9



The Smiths, Salford Lads Club, Dezembro de 1985
Autor: Stephen Wright

Esta, que é provavelmente a imagem mais famosa dos Smiths, foi usada para o interior do álbum "The Queen is Dead", e, à sua custa, o Salford Lads Club -- um clube de rapazes (e raparigas) de Salford, na área metropolitana de Manchester, onde os Hollies chegaram a ensaiar, curiosamente -- tornou-se mesmo num local de "peregrinação" de fãs da banda. A fotografia de Stephen Wright reside hoje na Manchester Art Gallery e faz parte da colecção da National Portrait Gallery.

Asian Dub Foundation no Santiago Alquimista



A 16 de Dezembro, os Asian Dub Foundation regressam a Lisboa, para um concerto no Santiago Alquimista. Bilhetes à venda a 25 euros.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

As iBatalhas

Nunca ouvi falar de tal coisa por cá, mas parece que rebentou noutras cidades mundiais o fenómeno das iPod Battles: em duas ou três palavras, as pessoas levam os leitores de mp3 para os clubes e entram numa espécie de concurso pela melhor animação da noite. A Laura Alves fez um especial para o Mundo Universitário, a partir da opinião de algumas pessoas, entre as quais este vosso escriba, que pode ser lido aqui ou aqui (jornal completo, em formato pdf)

Compilação!



É favor descarregar aqui ou aqui.

Contribuições: UFO, LCD Soundsystem, The Dutchess and the Duke, The Puppini Sisters, Zaiko Langa Langa, Pablo Lubadika "Porthos" (*), Zengo+Kapangala+Mimi+Lipanda, José Afonso.

(*) Já agora, é o senhor que aparece no flyer do Bailarico da próxima sexta.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Jandek em Janeiro... em Serralves!

Uma pessoa vai ver a que horas começa a série de concertos na Caixa Económica Operária, mais logo, e dá de caras com esta notícia no site da Filho Único: o historicamente recatado Jandek tem concerto agendado para a Fundação de Serralves, a 10 de Janeiro. Na véspera, há exibição do documentário "Jandek on Corwood". Os bilhetes para o concerto custam 15 euros.

A aflição

Tenta uma pessoa explicar a outra, que não aprecie música mais do que aquilo que se possa convencionar como normal, a angústia em que se encontra por ter perdido quase uma centena de CDs. Ainda para mais, discos absolutamente essenciais. Não o consegue explicar. Nem a angústia, nem a aflição que se sente ao esperar por um telefonema que confirme ou não a perda definitiva daquele património. É pelo dinheiro? Não, não é pelo dinheiro. Não o conseguimos explicar. Mais, corremos o risco de passar a ser observados, se é que já não o éramos, como se num planeta diferente houvéssemos sido criados. Enfim, não é preciso levar todo este melodrama ao limite das personagens do Nick Hornby, mas é um desconsolo enorme.
Esta história, porém, é das que acabam bem. Penso nos desgraçados DJs que me contam dos casos, bastante frequentes até, em que foram vítimas de assalto. Para esses não há finais felizes. Neste há e à angústia segue-se uma alegria desmedida. A agência de aluguer de automóveis confirmou-me que encontraram a bolsa dos CDs. Haja alegria na Terra e paz entre os povos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Por falar em sobreposição de espectáculos...

Nem era preciso haver o festival de Dezembro a forçar o conceito. Ele já acontece por razões naturais:

Por exemplo, na sexta-feira, como é que alguém que goste de ver um bom intérprete de guitarra dedilhada, na escola do "primitivismo americano" de Fahey, vai decidir entre o Ben Chasny, dito Six Organs of Admittance, na Caixa Económica Operária, ou o miúdo maravilha inglês James Blackshaw, na ZDB? Bom, no primeiro caso, há sempre a hipótese de ver a estreia dos Wooden Shjips ou o regresso dos Sic Alps, assim como na segunda há o bónus dos portugueses München. A escolha não é fácil e ainda por cima invalida a deslocação ao Musicbox para rever o one-man-band [D-66] e os barreirenses Act-Ups, naquela que será a noite de apresentação do Barreiro Rocks. Se quisermos ser quadrados o suficiente, diríamos que não é exactamente o mesmo tipo de público... Ou é?

Avancemos uma semana e dois dias, para chegar ao Domingo, 16. No Lounge, há Radar Bros. No Maxime, há Beach House e Jana Hunter. Ok, dois nomes importantes do slowcore dos últimos anos e só vamos poder ver um. A entrada é gratuita no caso dos Radar Bros. Boa. Mas os Beach House até chamam mais e vêm acompanhados da Jana Hunter. E agora? E é um domingo, senhores.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Walkmen, Santogold, Lykke Li, Jack Rose e outros numa espécie de SXSW para lisboeta ver

Nos próximos dias 3 e 4 de Dezembro, o São Jorge, o Maxime, o Teatro Variedades e o Tivoli vão servir de palco a um festival que pretende ser uma adaptação (erm... é o que eles dizem) da ideia do SXSW de Austin, nos EUA, com concertos a acontecerem à mesma hora e com o público baralhado (ou não) para saber o que vai ver. É a este festival que vem a sueca Lykke Li, afinal, mas não só: também Santogold, Walkmen, Jack Rose, e portugueses como os Deolinda, Norberto Lobo e Rui Reininho, entre outros, vão estar nestas duas noites de espectáculos sobrepostos sem aparente necessidade com que a cervejeira do costume pretende chamar a atenção para a sua marca. Eis os nomes já confirmados, conforme divulgado pelo Blitz:

3 de Dezembro
Maxime : A Fine Frenzy, El Perro del Mar
Tivoli : José James, Santogold
São Jorge : Ladyhawke, Rui Reininho
Sala 2 do São Jorge : doismileoito, Os Pontos Negros
Teatro Variedades : Caravan Palace, Guys From The Caravan, Tanya Stephens

4 de Dezembro
Maxime : Norberto Lobo + Jack Rose, The Profilers
Tivoli : The Walkmen, Marcelo Camelo
São Jorge : Phoebe, Deolinda
Sala 2 : Peixe : Avião. João Coração
Teatro Variedades : Lykke Li, Zita Swoon - A Band In A Box, X-Wife

Ora, adeuzinho, pá

sábado, 1 de novembro de 2008

Tour "Ventos Animais"

Depois de "Maldoror", os Mão Morta estão de volta ao reportório rock com mais de vinte anos. Para já, estão confirmadas as próximas datas para a tour "Ventos Animais":

21 de Novembro (22h) - Barcelos, Auditório S. Bento Menni (Festival Subscuta / Bilhetes: 10€)
28 de Novembro - Montijo, Parque de Exposições (FestiRock 08)
19 de Dezembro (21h30)- Sesimbra, Cine Teatro João Mota
17 de Março - Portalegre, Centro de Artes do Espectáculo

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A banda de Efrim Menuck já não é uma orquestra, é uma redução

Confesso que, na expectativa que levava para este espectáculo, transportava a memória saudável do tempo dos godspeed you black emperor! ou, para não ser tão injusto na comparação, a dos primeiros álbuns da banda de Efrim Menuck, que também conhece nomes como The Silver Mt. Zion Memorial Orchestra e afins. Mas, convenhamos que o que ontem subiu ao palco da ZDB (subir é a palavra, a propósito; finalmente, um estrado alto que permite ver a banda de qualquer ponto da plateia) não foi mais do que uma amostra em formato demasiado reduzido da banda de Efrim Menuck. A começar pela própria formação. A acompanhá-lo, apenas as violinistas Sophie Trudeau e Jessica Moss, o (contra)baixista Thierry Amar e o baterista Eric Craven. Sejamos justos e deixemos a memória dos godspeed para trás, para dizer que, porém, já mesmo num contexto silvermountziano, isto soube a pouco. Na redução dos arranjos, perde-se a opulência harmónica, essencial para a sustentação dos edifícios sónicos criados pela banda de Efrim Menuck nos primeiros álbuns. Perde-se também o magnífico efeito dos jogos de vozes, característica essencial no contexto pós-godspeed, restando ontem apenas algum sucesso em "1,000,000 Died to Make This Sound", à custa da repetição, técnica que se tornou aliás via fácil, de forma mais geral, para a banda de Efrim Menuck suportar as baterias de lamentos deste. E, já que se fala nisso, fica-se mesmo com a impressão de que todo o espectáculo se reduz ao lamento de Efrim. Além de soar sempre ao mesmo (excepto nas vezes em que desafina), é acompanhado quase sempre da mesma forma e é transversal a todo o alinhamento.
Enfim, as expectativas eram exageradas, que é como dizer que o monte de Sião pariu um rato ou que a banda de Efrim Menuck não é menos aborrecida do que os exércitos de imitadores que seguiram as suas pisadas ao longo dos últimos anos. Não que tenha sido propriamente uma má noite. Mas a sensação que ficou não anda muito longe daquela do espectador de futebol que vê a equipa ganhar os três pontos numa maçada de jogo...
Nota positiva para o humor de Efrim, que, apesar de já ser evidente, ainda que de forma discreta, até mesmo no tempo dos godspeed, não era algo que se esperasse nesta forma directa, em palco, com intervenções sempre a propósito nas pausas entre os temas. Ao início, apresentou-se como Sting e disse que "13 Blues..." era sobre uma rapariga chamada Roxanne. No final, depois do "nooooo" do público a "this is goin' to be our last song", saiu-se com um "but it'll be looooong!". Quem sabe brincar consigo próprio não é má pessoa.
Alinhamento:
13 Blues for Thirteen Moon
1,000,000 Died to Make This Sound
God Bless Our Dead Marines
Take These Hands And Throw Them In A River
There's a Light
Microphones in the Trees (encore)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quem? A MTV?

Finalmente, alguma coisa de positivo com marca MTV nos últimos anos:



Imagens históricas #8


"The Nixon-Presley Meeting"
Richard Nixon e Elvis Presley, na Casa Branca, a 21 de Dezembro de 1970
Autor: Oliver F. Atkins

O rock ainda tinha pouco mais de duas décadas de vida e o impulso radical inicial já mostrava sinais de corrupção, como testemunha este encontro entre o maior dos ícones do rock'n'roll e um dos piores símbolos da política, um aperto de mãos amplamente desejado por ambos, como demonstra a documentação arquivada da época.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Um testemunho de admirador

Fa e La sustenidos até ao infinito. Já não tenho bem presente, mas creio que era o meu aniversário, a Maio de 1999, e o meu amigo Rui trazia-me o primeiro álbum de uns tipos do Quebeque chamados godspeed you black emperor!, assim mesmo, com nome comprido e com ponto de exclamação no final para nenhum de nós confundi-los com os God Speed My Aeroplane do Jorge Ferraz ou com os God is My Co-Pilot, que então beneficiavam de uma certa popularidade nos meios mais hardcore. O disco já era de 1998 ou até mais antigo, porque esta era a edição trabalhada para CD de algo que já havia saído em formato LP no ano anterior. Ainda estávamos no século passado e nem havia as possibilidades de conhecer novos projectos como hoje, nem a música era um mero acto de moda, que perdesse a validade de um ano para o outro. Mas, caramba, não deixava de sentir um certo nó na garganta por, ainda assim, não os ter conhecido mais cedo. Nas semanas (meses?) que se seguiram, o disco não sairia do leitor nem à lei da bala. Em pouco tempo, tal foi o impacte produzido, tornou-se na minha resposta preferida para a pergunta do disco favorito de sempre. Embora nem sempre conseguisse convencer os amigos quarentões e cinquentões disto, para mim, aquele estava a ser o "Saucerful of Secrets" ou o "Atom Heart Mother", o "Pawn Hearts" ou o "Tago Mago" da minha geração. Como viria a fazer sempre daí para a frente, comprei também a edição em LP, que é diferente da versão digital e que levava ao cúmulo o cuidado posto na embalagem do disco, a tal ponto de vir a acompanhar uma moeda esmagada por um comboio (a capa interior do disco e uma das imagens dilectas dos godspeed) nos carris que passam junto ao Hotel2Tango, que começou por servir de residência, sala de concertos e de ensaios, para se tornar em estúdio e em quartel-general da editora Constellation. Depois, consegui obter o EP "slow riot for new zero kanada", em que as guitarras do épico "Moya" ainda hoje me fazem perder o tino. Vieram mais discos, veio a obsessão pela colecção dos discos com selo Constellation, veio o concerto de Londres (eu e os outros camaradas do Bailarico Sofisticado fomos em 2000 até Londres, ainda não havia low-costs, para os ver de propósito), vieram os concertos de Lisboa e, como era já previsível, veio o fim. Um sobe e desce, tal como na fórmula típica de uma boa parte dos temas do colectivo.

Alguns dos elementos mais resistentes dos godspeed -- há que lembrar que o colectivo chegou a ser constituído por cerca de 20 pessoas, apesar de ter estabilizado no noneto na fase da edição de discos -- continuaram a tocar o barco para a frente, nos Silver Mt. Zion (com todas as designações daqui evolventes) que, apesar de partir de uma matriz de instrumentos muito semelhante, ameaçou desde logo apontar por caminhos diferentes. Para já, a voz. Nos godspeed, as vozes existiam no plural e eram quase sempre resultado de field recordings, complementos à música, já nos Mt. Zion a voz é singular e pertence a Efrim Menuck. O timoneiro do projecto encontra aqui a liberdade que não encontrava nos godspeed, que era um projecto comunal na sua raiz, para conferir aos temas um cunho lírico e marcadamente melancólico (ainda que imbuído de notas de esperança, tal como nos godspeed). Agora, na maior parte das vezes, a música transporta as letras e é por isso mesmo mais repetitiva, menos desenvolvida, mais ligeira por definição. Se os godspeed eram rock de câmara, os Mt. Zion aparecem como uma versão lírica e ligeira daqueles. Não é por isso que são piores ou melhores que os godspeed, note-se. Admiro um e outro projecto por razões que não são inteiramente coincidentes. São projectos diferentes. A ansiedade por ver pela primeira vez em palco esta segunda experiência é enorme, mas admito que, sem dúvida, preferia voltar a ver os godspeed novamente.

Narradores da esperança. Amanhã e depois.

Na pedinchice do costume...

...ninguém tem um bilhete (à venda!) para o espectáculo de sexta-feira do José Mário Branco, não?