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domingo, 13 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #76-80

76. UXU KALHUS @ MERC. RIBEIRA
13 de Março de 2004
Ah, as saudades dos bailes promovidos pelos Uxu Kalhus no Mercado da Ribeira. E a surpresa de ver tanta, tanta gente, a seguir ao pormenor as mazurcas, jigas e várias outras danças de tradição europeia. Bailarico sempre até às tantas da noite.

77. JACKY MOLLARD ACOUSTIC QUARTET @ FMM SINES
24 de Julho de 2007
Escrevi, na altura: "Foi, para mim, o primeiro grande estrondo do FMM deste ano. É certo que, em Porto Covo, os Etran Finatawa e o Darko Rundek já tinham rendido bastante, mas na segunda-feira, no Centro de Artes de Sines, o Acoustic Quartet do bretão Jacky Mollard produziu a primeira das grandes maravilhas ao vivo do festival. A canção irlandesa tem andado um pouco arredada dos festivais de música do mundo, se exceptuarmos naturalmente os intercélticos que se vão realizando pelo Norte do país. Quando se encontra um "fiddler" como o Jacky Mollard (parecido com o Fausto como qualquer outro bretão) é motivo de grande regozijo. Já para não falar do encontro de novo com ele na companhia do seu acordeonista na esplanada do bar do Salão Musical, para uma jam até às tantas da manhã..."

78. VIRGÍNIA RODRIGUES @ COLISEU DOS RECREIOS
22 de Abril de 2000
Raramente se ouve falar de Virgínia Rodrigues, pelo menos por cá. Já sabemos que a grande massa de público português está mais interessado noutros andamentos da música brasileira, mas a baiana nem tão pouco surge como tema nos meios mais atentos ou mais exigentes. Virgínia Rodrigues tinha sido descoberta por Caetano Veloso pouco tempo antes deste concerto em Lisboa, o que lhe terá provavelmente aberto as portas para concertos em salas como o nosso Coliseu dos Recreios. Não me consigo recordar se estaria cheio, se o público aderiu. Mas tenho a certeza que fui dominado, in loco, por aquela impressionante voz de cantora erudita a visitar temas escritos e popularizados por outros, tal como conhecia do magnífico disco de estreia, "Sol Negro", lançado pela Natasha, editora de Caetano.

79. OQUESTRADA @ INCRÍVEL TASCA MÓVEL (no CCB)
10 de Agosto de 2007
Escrevi, na altura, que era a festa do ano. "Esta é uma noite de e para gente alegre que se senta à volta das mesas, que bebe um copo, dois, três e por aí fora, enquanto sorri à candura de Miranda, à viagem estética dos Oquestrada (....)". Há mais do que Oquestrada na "Incrível Tasca Móvel", o espaço que os velhos não esquecem e os jovens adoram, mas o grupo de Miranda e Jean Pablo surge como o principal impulsionador. E mesmo quando não é no âmbito da Incrível Tasca Móvel, são uma das melhores opção para uma noite bem passada que por cá temos (enquanto não saltarem de vez a fronteira e porem-se a mostrar aos outros o que é esta maneira divertida de se ser português).

80. HARRY MANX @ FMM SINES
26 de Julho de 2007
À medida que o sol ia ameaçando desaparecer até ao dia seguinte, o manês (espécie de gentílico inventado à pressa para quem provém da Ilha de Man) Harry Manx cativou o público junto à praia, com o seu blues impregnado de raga, com uma mohan veena (uma guitarra adaptada à música clássica indiana. Aprendi a cortar na palavra sublime como quem corta no açúcar para o café, mas aqui vou ter que dar uma facadinha e usar o termo. Sublime.

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Ver, ouvir e sentir para crer

"Tens que ir lá, tens que ir lá." É uma expressão que gostamos de usar sempre que descobrimos algo que os nossos amigos não conhecem ou, no limite, nunca quiseram conhecer. Podemos estar a falar de uma viagem a um local paradisíaco apenas conhecido por alguns, de um daqueles filmes das nossas vidas que passam numa sala refundida sem que ninguém lhes ligue ou de uma suculenta galinha de cabidela servida numa qualquer tasca com fachada manhosa, algures em Trás-os-Montes.

"Tens que ir lá, tens que ir lá." Por vezes, o mais difícil, no meio de tanto entusiasmo, é conseguir fazer que as nossas palavras tenham um mínimo de credibilidade. Os olhares de desconfiança levantam-se sempre que falo nos Uxu Kalhus e naquele baile no Mercado da Ribeira, em Março deste ano, a minha primeira investida neste cada vez mais popular mundo de danças, música e alegria. Na verdade, também eu terei olhado o L... com desconfiança dessa primeira vez.

"Tens que ir lá, tens que ir lá." No passado sábado, os Uxu Kalhus voltaram ao Mercado. Desta vez, já não era eu o novato, mas deu para sentir a felicidade estampada no rosto daqueles que agora foram os caloiros. O B... já dizia que não queria saber das electrónicas para nada, no intervalo entre uma mazurca e uma chotiça, antes de uma rapariga roliça o puxar para o centro do baile. O P..., que vinha de Almada, assistia com espanto ao rigor estético das centenas de "bailonautas". A C..., repetia insistentemente que não sabia dançar, mas não resistia a um pé de dança no meio dos outros. O N..., que era talvez o mais desconfiado de todos, irradiava um largo sorriso de felicidade. O outro P..., que já não era caloiro, pulava, dançava, gritava, caia...

Hoje, volto a dizer o mesmo que dizia há oito meses. Estar num bailarico destes é uma sensação invulgar. Sem que tenha havido grande promoção, centenas e centenas de excelentes "bailonautas" (a expressão é deles) juntam-se naquela sala do Mercado da Ribeira e durante largas horas entregam-se uns aos outros numa folia imensa de danças europeias (e não só), até que o corpo não possa mais. É o verdadeiro underground que ali acontece, é uma nova face da militância que se os mais velhos recordam da pop nos anos 80. Os principais culpados são os Uxu Kalhus e a associação Pédechumbo. Continuem, se fizerem o favor. De baile para baile, são cada vez mais aqueles que ficam rendidos.

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Notas breves de algo a que chamamos músicas do mundo

O diabo
É já para a semana que o diabólico acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen regressa a Portugal, agora no formato Kluster, que integra ainda Samuli Kosminen (baterista e samplista que já trabalhou com os múm, por exemplo). Dia 1, no TAGV de Coimbra, dia 2, no Forum Lisboa e ainda dia 3, na Casa das Artes de Famalicão.

O planeta dança
Amanhã, sábado, os Uxu Kalhus voltam ao mercado da Ribeira, em Lisboa, para uma noite de viras, corridinhos, mazurcas, chotiças e muito mais. Com selo de garantia aqui do tasco, a noite de amanhã promete dar várias horas de enorme folia.

O encontro das Crónicas
O vizinho Luís Rei, das Crónicas da Terra, volta a promover a sua original iniciativa, um encontro com apreciadores (ou não) das músicas do mundo, onde se poderá ouvir algumas das mais recentes novidades discográficas e, ao mesmo tempo, discutir os mais diversos assuntos, enquanto se bebe um copo. Um ou mais. Amanhã, a partir das 18h30, no Lisboa Bar (entre o largo do Carmo e o da Trindade), ali junto ao Bairro Alto.

sábado, 13 de março de 2004

UXU KALHUS: declaração de admiração incondicional

Sabe muito bem ser assaltado por surpresas como a que ontem apanhámos no Mercado da Ribeira. O Luís Rei tinha já dito que era imperdível e que, nesta área, poucos eram tão bons quanto os Uxu Kalhus, em Portugal. A primeira surpresa: a sala do mercado da Ribeira estava muito bem composta -- algumas duzentas ou trezentas pessoas -- quando lá chegámos, o que, para um concerto a pagar (5 euros) já começava a ser extraordinário. O público era essencialmente constituído pela juventude entre os 16-22 anos, mas foi progressivamente acolhendo os mais velhos, possivelmente habitués do festival Andanças, de S.Pedro do Sul. Segunda surpresa: (quase) toda a gente dançava. E bem! Todos sabiam o tipo de passo, o tipo de gestos a fazer, as alturas certas para as mudanças, etc. Ah, falta, claro, explicar que os Uxu Kalhus são um colectivo que interpreta várias danças de tradição portuguesa e europeia (e não só) e que tem uma capacidade imensa de transmitir a sensação de folia e animação ao público. Todas as pessoas que ali estavam (com o tempo, a assistência deve ter chegado às mais de cinco centenas), das mais novas às menos novas, dançando ou no descanso, transportavam nos rostos sorrisos rasgados. Parar era palavra quase proibida ontem. Os Uxu Kalhus devem ter tocado mais de três horas e terminaram (terão mesmo terminado?) com uma jam session de mais de meia hora assente numa linha de baixo reggae para o "Seven Nation Army", dos White Stripes...!! Antes, além dos viras, dos corridinhos, das valsas, dos jigs e dos reels, e de uma série infindável de diferentes danças, já tinha sido tocada a música árabe que Del Shannon recupera na banda sonora do Pulp Fiction, aquela outra francesa (?) que inspirou Riny Luyks para um dos melhores temas dos Lucretia Divina ("Romagem") e até mesmo o Dartacão! Foi uma noite incrível.
O que mais importa saber agora é onde que é a próxima!
(Desculpai o tom atabalhoado da escrita, mas o entusiasmo ainda é tão grande quanto a ressaca, e a mistura de ambos não permite muito mais que um amontoado de palavras...)