domingo, 19 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 45, Donovan (rep.)



COSMIC WHEELS
DONOVAN (Escócia)
Edição original: Epic
Produtor(es): Donovan Leitch, Mickie Most
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Era uma espécie de tentativa de regresso de Donovan ao sucesso mundial do single "Atlantis", do final dos anos 60. Donovan andava ausente neste início dos anos 70. Além do recolhimento familiar a que se impôs, os álbuns "Open Road" (1970) e "HMS Donovan" (1971), este último um disco apontado para o público infantil, falharam nas vendas. Para este regresso com "Cosmic Wheels", terá recuado numa decisão importante tomada em 1969, a de cortar relações profissionais com Mickie Most, produtor da maior parte dos discos de Donovan até à altura. Entretanto, o glam fazia sucesso noutros grupos e artistas que reclamavam Donovan como uma das principais influências. "Cosmic Wheels", o 10º álbum de estúdio de Donovan, é produzido neste contexto algo nervoso, repartido por faixas elétricas, a apontar para o glam ou para o hard rock, mas que deixavam algo desejar, e acústicas, essas realmente muito mais interessantes. Não garantiu unanimidade crítica, mas até vendeu bem (top 20 no Reino Unido e nos EUA). Em todo o caso, Donovan não voltaria a conseguir ter a influência e o sucesso dos anos 60. "I Like You" foi o seu último single a entrar nas tabelas de vendas.

sábado, 18 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 46, João Gilberto (rep.)



JOÃO GILBERTO
JOÃO GILBERTO (Brasil)
Edição original: Polydor
Produtor(es): Rachel Elkind
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Há, entre as muitas razões que poderíamos encontrar para voltar a ouvir este segundo homónimo do João Gilberto, uma que eu destaco em particular. Oiçam os arranjos simples (mas nunca pobres) e reparem na contenção (e na clareza) que Gilberto e o percussionista nova-iorquino Sonny Carr imprimem às canções deste disco. Confrontem isto com a tendência que, hoje, os artistas, os arranjadores ou os misturadores finais têm, de uma forma geral, para saturar a música de instrumentos que nada acrescentam e de efeitos que só estão lá para encher e, em última instância, para rapidamente fartar os nossos ouvidos. Talvez por esta razão tenhamos aqui um disco intemporal, que sabe bem ouvir com atenção -- quando foi a última vez que ouvimos um disco com atenção? -- no conforto do lar. Pormenor curioso: o, ou melhor, a engenheira de som que gravou Gilberto e Carr, num estúdio de Nova Jérsei, foi... Wendy Carlos, a pioneira dos Moogs. 47º da lista dos melhores discos brasileiros da Rolling Stone Brasil.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Esta noite, por Lisboa

A estreia da canadiana Jennifer Castle em palcos portugueses vai acontecer esta noite, no Lusitano Clube, em Alfama. 22 horas.


100 de 1973, n.º 47, Bob Dylan (rep.)



PAT GARRETT AND BILLY THE KID
BOB DYLAN (EUA)
Edição original: Columbia
Produtor(es): Gordon Carroll
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Este ainda é o Bob Dylan de que me atrevo a falar. O meu Bob Dylan acabou -- com alguma dose eventualmente generosa de preconceito, admito -- lá por volta do "Blood on the Tracks" (1975). Em todo o caso, este Dylan é naturalmente diferente de todos os outros, na medida em que é uma banda sonora de um filme, coisa que ele nunca tinha experimentado até à altura. O filme era "Pat Garrett and Billy the Kid", de Sam Peckinpah, onde o próprio músico chegou a desempenhar um papel. Como a maior parte das bandas sonoras, tem diferentes variações para um mesmo tema, neste caso "Billy". Pelo meio, encontra-se também, pela primeira vez em disco, aquela que é provavelmente a canção de Dylan mais tocada por outros, "Knockin' on Heaven's Door". (Não, não me façam lembrar o constrangimento que sentia de cada vez que os meus colegas de escola achavam que era um original dos Guns'n'argh'Roses.)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 48, Bryan Ferry (rep.)



THESE FOOLISH THINGS
BRYAN FERRY (Inglaterra)
Edição original: Virgin
Produtor(es): Bryan Ferry, John Porter, John Punter
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Os Roxy Music estavam no auge mas Bryan Ferry aventurava-se já em nome próprio (ainda que com o pessoal da banda, à exceção de Andy Mackay e Brian Eno). É um disco de covers, mas um dos melhores discos de covers de sempre. O formato das versões não é, aliás, estranho para o cantor. Repeti-lo-ia no seguinte, "Another Time, Another Place" (1974), no terceiro, "Let's Stick Together" (1976), em "Taxi" (1993), "As Time Goes By" (1999), "Frantic" (2002) e "Dylanesque" (2007). Mesmo nos outros discos, é frequente encontrar versões e adaptações de temas de outros em convivência com os seus. Curiosamente, "These Foolish Things" saiu apenas duas semanas antes do que "Pin Ups", outro álbum de covers, este de outra figura proeminente do glam... David Bowie.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 49, Donovan (rep.)



ESSENCE TO ESSENCE
DONOVAN (Escócia)
Edição original: Epic
Produtor(es): Donovan, Andrew Loog Oldham
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É ideia mais ou menos estabelecida de que, em 1973, Donovan Leitch já tinha entrado na fase descendente da sua carreira. Lançou dois álbuns, "Cosmic Wheels", mais glam (esperem-no nesta lista alguns furos acima), e este "Essence to Essence", uma espécie de reencontro com formas de compor e de arranjar do passado, que não teve, apesar disso, grande sucesso comercial. Na produção do disco teve a ajuda de Andrew Loog Oldham, o homem sem o qual talvez não soubessemos hoje quem são ou foram os... Rolling Stones.

terça-feira, 14 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 50, John Fahey (rep.)



AFTER THE BALL
JOHN FAHEY (EUA)
Edição original: Reprise
Produtor(es): John Fahey, Denny Bruce
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Segundo e último álbum pela "major" Reprise, "After the Ball" apresenta Fahey numa curiosa (e arriscada) aventura pelos terrenos mais acessíveis aos ouvidos do grande público. Tal como no anterior disco para a Reprise, "Of Rivers and Religion", há aqui muito dixieland, com Fahey acompanhado por uma extensa equipa de músicos de sessão (alguns dos quais já tinham trabalhado no disco anterior), há humor em todo o lado (a começar na capa) e, claro, uma nostalgia pelos anos 30 que não colheu frutos nas lojas. Depois disto, Fahey retornaria à sua editora Takoma, com "Fare Forward Voyagers (Soldier's Choice)", que vai também aparecer nesta lista.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 51, Soft Machine (rep.)



SIX
SOFT MACHINE (Inglaterra)
Edição original: CBS
Produtor(es): Soft Machine
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Os Soft Machine da cena de Canterbury já não eram bem, por esta altura, os Soft Machine da cena de Canterbury, os Soft Machine da chanfradice sofisticada, do rock trabalhado à imagem do jazz mais livre, da paternidade do prog. Robert Wyatt já tinha saído há muito, Kevin Ayers ainda há mais tempo (esperem por um disco dele nesta lista), Daevid Allen nem se fala (esperem também por mais Gong por aqui). Karl Jenkins, ex-Nucleus, trazia o oboé e composições mais convencionais, mais estruturadas, mais próximas do jazz de fusão estabelecido (o Melody Maker chegou a consagrar este disco como o melhor de jazz neste ano). Em resumo, as rédeas já não estavam tão soltas como nos primeiros discos, mas "Six" não deixa por isso de ser um trabalho notável e ambicioso (já o mesmo não se dirá de "Seven", também saído em 1973, mas isso é a opinião deste escriba).

domingo, 12 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 52, Frank Zappa (rep.)



OVER-NITE SENSATION
FRANK ZAPPA & THE MOTHERS (EUA)
Edição original: DiscReet
Produtor(es): Frank Zappa
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Eis mais uma figura extraordinária da música norte-americana nesta lista: Frank Vincent Zappa. "Over-Nite Sensation" foi gravado cerca de um ano depois do famoso acidente de Londres, em que um elemento do público empurrou Zappa para o fosso da orquestra e para uma morte que parecia certa. Recuperado das pernas, mas não inteiramente da laringe (o registo vocal alterou-se consideravalmente), Zappa relançou a sua carreira com uma nova editora, a DiscReet, e este disco. Foi o segundo disco de ouro nos EUA para Zappa.

sábado, 11 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 53, Kim Fowley (rep.)



INTERNATIONAL HEROES
KIM FOWLEY (EUA)
Edição original: Capitol
Produtor(es): Jeffrey Cheen
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Ajudou um número quase infindável de artistas, enquanto produtor, compositor de canções, manager, editor e tudo o mais, tanto na América como em Inglaterra. O rock'n'roll nunca teria sido como foi se não fosse esta personagem frequentemente esquecida. Fowley, recentemente falecido, deixou uma discografia a solo impossível de desprezar (e de encontrar, por vezes) e tinha que aparecer nesta colheita de 73 com este disco magnífico, recheado de muita pop americana, muito glam, o que é sublinhado na própria capa do disco, e já com muitas piscadelas de olho ao que seria, muitos anos depois, o pós-punk e a new wave britânica, atestando o seu reconhecido estatuto de visionário e pioneiro. "International Heroes" nunca foi reeditado, pelo menos oficialmente, em CD. Há cópias à venda por 80 dólares no eBay. É o problema que enfrentam habitualmente os colecionistas de Fowley.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Djumbai Jazz no Desterro e "Syd Barrett" no Lux

Os sempre bons Djumbai Jazz, de Maio Coopé, Braima Galissá e Sadjo Cassamá, vão tocar esta noite ao Desterro. Onde? O Desterro é um espaço inaugurado há pouco tempo, precisamente na zona do Desterro (Calçada do Desterro, n.º 7), em Lisboa, ali perto do Intendente. A entrada custa cinco euros (mais três para a quota anual de sócio).

Também em Lisboa, no Lux, a sessão Black Ballon desta noite traz uma proposta curiosa: os Capitão Fausto vão prestar tributo a Syd Barrett e vão tocar, entre outros, temas de "The Piper at the Gates of Dawn", dos Pink Floyd. A primeira parte cabe aos Cave Story.

Quando foram os anos 80?

"Quando foram os anos 80?" é o nome dado ao ciclo de eventos que hoje se inicia e que vai até 21 de abril, com reflexões, recordações e revisitações àquela época.

Programa:

—MÚSICA NOS ANOS 80 | Sessões de música comentada10 de Abril, 18h00-20h30, Galeria ZDB

—VER TELEVISÃO | Maratona de TVdia 11 (18h às 24h) e dia 12 (11h00 às 24h00) de Abril, Atelier Real

— QUANDO FORAM OS ANOS 80? | Colóquio 16 e 17 de Abril, 09h00-17h30, MUDE – Museu do Design e da Moda. Coleção Francisco Capelo

— ANOS 80 PORQUÊ? | Mesa-redonda organizada pela rede de Museus L’Internationale com o projecto _The Uses of Art – The Legacy of 1848 and 1989. 18 de Abril,12h00-18h00, MUSEU DO FADO

— UMA TARDE NOS ANOS 1980 | caminhada com Manuel Graça Dias 19 de Abril, 16h00, ponto de encontro no Largo Trindade Coelho, em frente ao quiosque.

— A IMAGEM DA MULHER PORTUGUESA DOS ANOS OITENTA | cinema 20 e 21 de Abril, 19h30, Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema

Informação mais detalhada em whenwerethe1980s.com

100 de 1973, n.º 54, Novos Baianos (rep.)



NOVOS BAIANOS F.C.
NOVOS BAIANOS (Brasil)
Edição original: Continental
Produtor(es):
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Para pito, para grito e o menino deixa a vida pela bola...
Só se não for brasileiro nessa hora


Música e futebol. O grande cliché brasileiro. Nesta altura, os Novos Baianos viviam em comunidade numa quinta, ou melhor, num sítio, o sítio do vovô, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Vinham da Bahia e tinham a fama de não se deixarem levar por empresários ou editoras, consagrando a independência no seu estatuto. Tinham já dois álbuns, "É Ferro na Boneca" e "Acabou Chorare" (o primeiro lugar da lista dos 100 melhores discos brasileiros de sempre da Rolling Stone Brasil). Naquele sítio, passavam o tempo a fazer música e a jogar à bola. Dizia-se que mais do que uma banda, mais do que uma família, os Novos Baianos eram uma equipa de futebol. Vale muito a pena ver o documentário gravado com base neste disco.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 55, The Incredible Bongo Band (rep.)



BONGO ROCK
THE INCREDIBLE BONGO BAND (EUA)
Edição original: Mr. Bongo
Produtor(es):
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The Incredible Bongo Band nunca foi, na verdade, uma verdadeira banda, mas sim um daqueles projetos de laboratório, com sucesso, que acabou por estabelecer a patente de uma fórmula revisitada ao longo das décadas e frequentemente constituída por alguns, senão mesmo pela totalidade, destes ingredientes: surf, exotismo, muitos bongos ou congas e muitos metais. Michael Viner era gestor na MGM Records, em 1972, quando lhe foi atribuída a tarefa de acrescentar alguma música à banda sonora do filme de terror de série B "The Thing with Two Heads". Com o compositor Perry Botkin Jr., criou "Bongo Rock" e "Bongolia", canções cujo sucesso comercial fizeram a dupla levar o trabalho à edição deste álbum. Em 1974 houve outro álbum e a fake band ficou-se por aí, tendo o material vindo a assistir, mais tarde, os pioneiros do sample no hip hop, ou, ainda muito mais tarde, no drum'n'bass.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Hoje, do coro das vontades a um piano nas barricadas, por Tiago Sousa

Em 2012, Tiago Sousa compôs e apresentou "Coro das Vontades", a partir de manifestos solicitados ao público. A obra volta esta noite a ser apresentada no Maria Matos. Como complemento, serão também apresentados temas inéditos, o dueto com Tó Trips em "A Conquista do Pão" e ainda parte do que virá a ser "Um Piano nas Barricadas", o próximo álbum do Tiago. A entrada custa entre 5€ e 12€, sendo oferecido aos espetadores uma cópia de "Coro das Vontades". Mais informações aqui.

Músicos:
piano, harmónio, órgão elétrico: Tiago Sousa
voz: Beatriz Nunes
voz: Inês Nogueira
violoncelo: Ulrich Mitzlaff
clarinete: Ricardo Ribeiro
percussão: Baltazar Molina
guitarra: Tó Trips

100 de 1973, n.º 56, Fela Kuti (rep.)



AFRODISIAC
FELA KUTI (Nigéria)
Edição original: Regal Zonophone
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E aqui está o outro álbum de Fela Kuti nesta lista. Resulta da compilação de singles lançados previamente na Nigéria e regravados, de propósito para este álbum, em Londres. Todos os temas são cantados numa língua local. "Jeun Ko Ku (Chop and Quench)" (faixa 2) foi o primeiro grande hit de Fela na Nigéria, tendo vendido 200 mil discos em meio ano. "Alu Jon Jonki Jon" (faixa de abertura) baseia-se numa história africana a respeito de um cão que esconde a sua progenitora no céu durante uma época de fome (leiam-na aqui).

terça-feira, 7 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 57, Chico Buarque (rep.)



CHICO CANTA
CHICO BUARQUE (Brasil)
Edição original: Phonogram/Philips
Produtor(es): Roberto Menescal
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A minha tristeza não é feita de angústias
A minha tristeza não é feita de angústias
A minha surpresa
A minha surpresa é só feita de fatos
De sangue nos olhos e lama nos sapatos
Minha fortaleza
Minha fortaleza é de um silêncio infame
Bastando a si mesma, retendo o derrame
A minha represa

(In "Fortaleza")

É um disco à parte na carreira de Chico Buarque. É a banda sonora da peça "Calabar: o Elogio da Traição", escrita por Chico Buarque e Ruy Guerra. Censurada na altura da estreia -- tal como o próprio disco, que teve de sair com o nome que é conhecido até hoje e não com o mesmo da peça, e com dois dos temas, "Anna de Amsterdam" e "Vence na Vida Quem Diz Sim", em versão instrumental, desprovida da voz e das letras que não agradaram aos censores -- a peça contava a história de Domingos Calabar (séc. XVII) numa versão diferente daquela que a história guardou: a de um traidor à pátria portuguesa na altura das invasões neerlandesas do Nordeste brasileiro. Pela habitual via da metáfora, a peça questionava a propaganda oficial do regime militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. "Chico Canta" é, portanto, uma banda sonora de uma peça, não tendo porém um tema musical central e recorrente, mas uma mistura generosa de géneros -- até fado aqui se encontra -- e de ideias diferentes para arranjos. Dificilmente entrará nas listas dos melhores discos de Chico Buarque, e até há quem se dedique a tecer-lhe duras críticas, mas se entendermos que este é um daqueles artistas em que até as obras menores se destacam entre as de outros menos propensos ao toque de génio, "Chico Canta" tem que aparecer nesta colheita de 73.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 58, Mike Oldfield (rep.)



TUBULAR BELLS
MIKE OLDFIELD (Inglaterra)
Edição original: Virgin
Produtor(es): Tom Newman, Simon Heyworth, Mike Oldfield
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Estreia em disco de Mike Oldfield, multi-instrumentista que ficou famoso por duas coisas, essencialmente: este "Tubular Bells" e aquele "otoverme", para usar o termo perfeito do Miguel Esteves Cardoso, que é "Moonlight Shadow", single lançado dez anos depois. Esqueçamos rapidamente o segundo, se possível, tanto para mais quando temos no prato este "Tubular Bells", uma obra única na galeria essencial do prog, ou, quanto mais não seja, um lado A que merece ficar bem guardado na história da música feita nos anos 70. É o prog no seu formato menos obscuro, menos virado para dentro, chegando até a ter elementos pedagógicos e, simultaneamente, lúdicos, como mostram os momentos finais da primeira parte, em que a voz de Vivian Stanshall apresenta os instrumentos que se seguem no processo de aplicação e/ou substituição de camadas sonoras de Oldfield. É um disco que carrega consigo um número infindável de trivialidades trazidas com o tempo. O seu número de catálogo original é "V2001", o que o define como o primeiro lançamento da Virgin, de Richard Branson, que apostou no que outras editoras tinham rejeitado com o receio de não o saberem vender ("Tubular Bells" acabou por permanecer na tabela de vendas britânica durante... 279 semanas e é o 34º disco mais vendido de sempre no Reino Unido). Branson usou até o nome do disco para batizar alguns dos seus aviões. A capa do álbum rapidamente se tornou um ícone e há dois anos foi escolhida para ser um dos dez selos da restrita coleção com capas famosas dos correios britânicos, lado a lado com "London Calling", "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", "Screamadelica", "Division Bell" ou "Parklife", entre outros. Muito do sucesso alcançado deveu-se, há que dizê-lo, à exposição mediática conseguida através do filme "Exorcista", do mesmo ano, onde se podia escutar o solo de piano que abre o disco.

domingo, 5 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 59, New York Dolls (rep.)



NEW YORK DOLLS
NEW YORK DOLLS (EUA)
Edição original: Mercury
Produtor(es): Todd Rundgren
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Quaisquer meia dúzia de palavras que se escrevam sobre a origem do punk terão que meter os New York Dolls ao barulho. Havia ali algo, logo neste disco de estreia, que lembrava os primeiros discos dos Rolling Stones, o glam de Marc Bolan (na música e no visual claramente andrógino) ou o rock pesado dos MC5 ou dos Stooges, mas os Dolls estavam a oferecer algo que, ao mesmo tempo, era substancialmente diferente do que se fazia à altura. Diferente e polémico: numa votação levada a cabo pela Creem (a influente revista de rock'n'roll, da qual se diz ter inventado o termo "punk rock" e que na altura tinha como editor o mítico Lester Bangs), o grupo ganhava em ambas as categorias de melhor e... de pior grupo de 1973.

sábado, 4 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 60, T.Rex (rep.)



TANX
T. REX (Inglaterra)
Edição original: EMI / T.Rex Wax Co
Produtor(es): Tony Visconti
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Diz-se que Marc Bolan queria deixar para trás o glam, que na altura reinava no Reino Unido e do qual foi um dos principais impulsionadores, com o intuito de se aproximar das audiências americanas. Em "Tanx" surgiam novos efeitos de guitarra, coros femininos, metais, novos truques de estúdio. Mas seria a queda no abismo, com a formação dos T. Rex a desintegrar-se durante as próprias gravações e Bolan cada vez mais sozinho. Mais discos viriam a ser editados até à morte de Bolan a 16 de setembro de 1977, mas "Tanx" foi o desfecho de uma carreira de sucessos atrás de sucessos.