sexta-feira, 22 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 12, Gentle Giant (rep.)



IN A GLASS HOUSE
GENTLE GIANT (Inglaterra)
Edição original: WWA
Produtor(es): Gentle Giant, Gary Martin
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"Tens que levar esse disco", dizia-me o Fernando Magalhães na casa do "vendedor". Esta história já tem mais de 10 anos e o "vendedor" era um melómano que havia perdido o interesse na extensa discografia prog (e não só) da década de 70 que colecionara. "In a Glass House" e outros, como o "Naked Shakespeare" do Peter Blegvad, o "1001º Centigrades" dos Magma, mudavam assim de casa, mas de todo o produto da rapina, seria o disco dos Gentle Giant aquele que maior fascínio viria a despertar nos meus ouvidos. É, provavelmente, o disco prog a que continuo a recorrer com maior frequência, até hoje. São desconcertantes as mudanças de tempos, o encaixe meticuloso dos instrumentos de diferente espécie, a incursão por pequenos trechos folk, medievais até, e a precisão das costuras que unem todos estes retalhos. Por mais que tenha vindo a tentar, nenhum outro disco dos Gentle Giant conseguiu reproduzir o mesmo efeito. Eu bem tinha que ter trazido este disco.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 13, The Modern Lovers



THE MODERN LOVERS
THE MODERN LOVERS (EUA)
Edição original: Beserkley
Produtor(es): John Cale, Robert Appere, Alan Mason
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Um caso de batota -- ou meia batota, convenhamos -- nunca vem só. Se o disco dos Mutantes chegou à luz do dia apenas em 1992, eis aqui outro caso de parto tardio, ainda que a espera não tenha sido tão longa. O primeiro álbum dos Modern Lovers, de Jonathan Richman, saiu em 1976, mas as sessões produzidas na sua maioria por John Cale eram do ano que aqui se anda há meses a destacar. E aqui há que explicitar as sessões produzidas pelo ex-Velvet, que se traduziriam nessa tal edição de 76, pois este debute dos Modern Lovers acabou por vir servido em diferentes versões ao longo dos anos. Até o profícuo Kim Fowley esteve envolvido em produções diferentes das primeiras canções do grupo de Richman. Por outro lado, é curiosa a participação de Cale no disco, já que Richman é provavelmente o músico que melhor soube herdar e prosseguir o legado dos Velvet Underground, até hoje, mais do que o próprio produtor, mais do que a outra força motora, Lou Reed. Aqui, temas como "Roadrunner", o grande hit do disco, "Pablo Picasso", tema obrigatório do reportório de Richman ao longo das décadas, ou "Girl Friend", são daquela afirmação as melhores das evidências. Se uma das maiores tautologias do rock apregoa que a música nunca seria a mesma sem os Velvet na sua história, manda a justiça que também se diga que toda a cena independente que conhecemos seria tremendamente diferente se não fosse por esta criatura diletante que ainda hoje fascina pequenas plateias e que frequentemente a história tende a esquecer: Jonathan Richman.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 14, Os Mutantes (rep.)



O "A" E O "Z"
OS MUTANTES (Brasil)
Edição original: Philips
Produtor(es): Os Mutantes
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«O "A" e o "Z"» surge nesta lista com, enfim, alguma batotice. Afinal, foi editado apenas em 1992, quase 20 anos depois de ter sido gravado. Em 1973, a Polydor não terá encontrado valor comercial num disco que diz-se ter sido composto e executado sob o efeito de LSD e chegou mesmo a despedir a banda. Foi o primeiro álbum dos Mutantes que comprei e devo confessar que, na altura, não suscitou o mesmo entusiasmo que o conseguido na descoberta (posterior) dos álbuns anteriores, em particular os dois primeiros, homónimos, mas com o tempo e com audições mais atentas, o disco veio crescendo. Já sem Rita Lee, os Mutantes assumiam-se definitivamente progs, épicos até, culminando no assombro de faixa que é "Uma Pessoa Só" ou no tema musical de abertura e fecho, os tais A e Z, com que o disco abre e encerra. Era ácido do melhor.

terça-feira, 19 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 15, Vangelis O. Papathanassiou (rep.)



EARTH
VANGELIS O. PAPATHANASSIOU (Grécia)
Edição original: Vertigo
Produtor(es): Vangelis O. Papathanassiou
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É a loucura total? Vangelis nesta lista? E em 15º? Vamos com calma. "Earth", tido oficialmente como o primeiro disco a solo de Vangelis, embora para trás houvesse já outros discos -- bandas sonoras e álbuns lançados sem a autorização do músico grego --, é um verdadeiro encanto para os ouvidos, do primeiro ao último minuto. Da explosão rock de "Come On" (youtube abaixo), a faixa de abertura (que outros álbuns conhecem que comecem com toda esta garra?), até à derradeira "A Song", um poema narrado sobre o tapete de sintetizadores que viriam a caracterizar a obra de Vangelis nos anos subsequentes, encontramos em "Earth" inúmeros motivos de interesse que nos fazem ouvi-lo vezes sem conta, tanto por prazer, como por vontade de descobrir pormenores, como quando nos aproximamos e nos afastamos as vezes que queremos de um quadro pendurado numa exposição. "Earth" é um disco rico em pormenores nos ambientes mais ou menos prog (do bom), mais ou menos étnicos e, claro, nas poucas e contidas piscadelas de olho à vindoura new age. Para os ouvidos de hoje, até as harmonias e os ritmos vocais dos Animal Collective ali parecemos ouvir ("Sunny Earth" ou "Ritual"). Vangelis, por onde te meteste tu depois?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 16, Hawkwind (rep.)



SPACE RITUAL
HAWKWIND (Inglaterra)
Edição original: United Artists
Produtor(es): Hawkwind
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In case of Sonic Attack on your district, follow these rules: If you are making love it is imperative to bring all bodies to orgasm simultaneously. Do not waste time blocking your ears. Do not waste time seeking a "sound proofed" shelter. Try to get as far away from the sonic source as possible. Do not panic. Do not panic. Use your wheels. It is what they are for. Small babies may be placed inside the special cocoons and should be left, if possible, in shelters. Do not attempt to use your own limbs. If no wheels are available - metal - not organic - limbs should be employed whenever possible. Remember: In the case of sonic attack survival means "Every man for himself". Statistically more people survive if they think only of themselves. Do not attempt to rescue friends, relatives, loved ones. You have only a few seconds to escape. Use those seconds sensibly or you will inevitably die. Think only of yourself. Think only of yourself. Do not panic. Think only of yourself. Think only of yourself. These are the first signs of sonic attack: You will notice small objects - such as ornaments - oscillating. You will notice vibrations in your diaphragm. You will hear a distand hissing in your ears. You will feel dizzy. You will feel the need to vomit. There will be bleeding from orifices. There will be an ache in the pelvic region. You may be subject to fits of hysterical shouting or even laughter. These are all signs of imminent sonic destruction. Your only protection is flight. If you are less than ten years old remain in your shelter and use your cocoon. Remember - you can help no one else. You can help no one else. You can help no one else. Do not panic. Do not panic. Think only of yourself. Think only of yourself. Think only of yourself. Think only of yourself.
(Sonic Attack)

Mais um álbum ao vivo (e o último, ou melhor dizendo, o primeiro de todos nesta lista). E este é de uma das bandas que, na altura, mais passava tempo em cima de um palco, o que é fácil de perceber quando se escuta o disco. Cem minutos de rock que levam a concluir que os Hawkwind seriam uma das melhores bandas ao vivo de então. Tal como nos Magma ou nos Gong (e em tantos outros trabalhos da época, na música ou fora dela), o espaço, o cosmos, o pânico de uma invasão extra-terrestre, o sonho com algo para além da Terra servia de mote para a produção do grupo e para este espetáculo em particular, um a que chamaram "ópera rock espacial".

domingo, 17 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 17, Magma (rep.)



MEKANÏK DESTRUKTÏW KOMMANDÖH
MAGMA (França)
Edição original: Vertigo
Produtor(es): Giorgio Gomelsky
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Por falar em óperas (rock) dos anos 70, a propósito da entrada anterior ("Berlin", de Lou Reed), eis o álbum mais aclamado de uns dos mais "sinfónicos" (e mais chanfrados) da altura, os franceses Magma. Em "Mekanïk Destruktïw Kommandöh", está lá tudo o que definiu os Magma: o jazz, o prog e a sinfonia rock ou até mesmo as sementes do death metal, tudo isto carregado de virtuosismos técnicos e de ideias desconcertantes que nos fazem ouvir os discos vezes sem conta à procura de pormenores escondidos, num todo que é extensivamente coral, cantado na língua "kobaïan", a tal que foi inventada por Christian Vander, baterista e principal ideólogo do grupo, que aqui dava prosseguimento à epopeia da colónia terrestre no planeta Kobaïa. Alguém chamou a isto, e foi muito feliz na expressão, "gospel extra-terrestre".

sábado, 16 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 18, Lou Reed (rep.)



BERLIN
LOU REED (EUA)
Edição original: RCA
Produtor(es): Bob Ezrin
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«Lou Reed's Berlin is a disaster, taking the listener into a distorted and degenerate demimonde of paranoia, schizophrenia, degradation, pill-induced violence and suicide. There are certain records that are so patently offensive that one wishes to take some kind of physical vengeance on the artists that perpetrate them. Reed's only excuse for this kind of performance (which isn't really performed as much as spoken and shouted over Bob Ezrin's limp production) can only be that this was his last shot at a once-promising career. Goodbye, Lou.»
(Crítica devastadora da Rolling Stone, em 1973, que 30 anos mais tarde o colocaria no 344º posto da sua lista dos 500 melhores discos de sempre)

Sempre joguei na equipa dos que preferem "Transformer" (1972) a "Berlin". E foi só até muito recentemente que comecei a perceber e a gostar mais (muito mais) deste terceiro álbum a solo de Lou Reed, destas orquestras e destes arranjos um tanto ou quanto megalómanos. "Berlin" é daqueles discos, como tantos na época, que tem de ser ouvido do primeiro ao último minuto, sem saltos nos temas e sem distrações, para poder ser devidamente apreciado. Afinal de contas, ainda que esteja relativamente longe do conceito da ópera rock então em voga, "Berlin" apresenta um alinhamento conceptual, a história de Caroline e Jim e do caminho em direção ao abismo de drogas e violência que o romance de ambos toma. Reed e Bob Ezrin, o pianista e produtor do disco, quiseram desde o início levar a obra em todo o seu esplendor para o palco, mas as críticas e as vendas fizeram com que o projeto fosse arquivado para apenas 33 anos depois ser posto em prática na "Berlin Tour", que ficou documentada num filme de Julian Schnabel.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 19, Faust (rep.)



FAUST IV
FAUST (Alemanha)
Edição original: Virgin
Produtor(es): Uwe Nettelbeck
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Segunda aparição dos Faust nesta colheita de 1973, agora com um álbum propriamente digno do nome, pelo menos na opinião dos próprios Faust, que nunca deram muito crédito pela coleção de gravações que era "Faust Tapes". E os Faust não estavam aqui para enganarem ninguém, como se percebe ao chamarem "Krautrock" à faixa de abertura, uma torrente de guitarras em que a bateria entra apenas aos sete minutos, em que o baixo sincopado à maneira do kraut a que ainda hoje imediatamente assim chamamos quando vemos qualquer banda atual a pisar semelhantes terrenos. Os trajetos seguidos no remanescente do álbum são quase sempre, à boa maneira dos Faust, diversos e imprevisíveis, de uma forma que noutro contexto poderia até soar a uma banda incapaz de encontrar o caminho, e que aqui não é mais do que a expressão excêntrica do grupo. E até desconcertante, no que de desafiante tem o adejtivo, como no momento em que estamos deliciados a ouvir a segunda parte do "Picnic on a Frozen River", uma daquelas jóias do tesouro krautiano, e somos abruptamente interrompidos. "Faust IV" é o último álbum desta primeira encarnação do grupo. Dois anos mais tarde, a Virgin recusar-e-ia a lançar o quinto álbum e o grupo acabaria, para renascer mais tarde, nos anos 90, em sucessivas formações (hoje até existem duas em paralelo), que continuaram a tocar ao vivo e a editar.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 20, Roxy Music (rep.)



STRANDED
ROXY MUSIC (Inglaterra)
Edição original: Island
Produtor(es): Chris Thomas
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Brian Eno chamou a "Stranded" o melhor álbum dos Roxy Music, apesar de já não ter trabalhado nele (saiu na sequência do anterior, "For Your Pleasure", também de 73 e possível de encontrar mais abaixo nesta lista). Ao terceiro álbum, os Roxy Music chegam às imediações da perfeição na pop, com canções mais estruturadas em prol da voz de Bryan Ferry, cada vez melhor no seu papel de crooner maldito. "Stranded" está por isso cheio de excelentes canções que nunca perderam a sua validade. Uma delas, "A Song for Europe", é um monumento intemporal.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 21, Pink Floyd (rep.)



THE DARK SIDE OF THE MOON
PINK FLOYD (Inglaterra)
Edição original: Harvest
Produtor(es): Pink Floyd
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Não há muito que dizer. Toda a gente conhece "The Dark Side of the Moon". Todas as palavras que ao longo destes quase 40 anos foram usadas para descrever o oitavo álbum dos Pink Floyd dariam várias voltas ao mundo, mesmo a tamanho 1. Afinal de contas, vendeu 34 milhões de cópias em todo o mundo, manteve-se no Billboard 200 durante... 741 semanas (15 anos, portanto). "Dark Side of the Moon" fez os Pink Floyd saltarem em definitivo para outra liga, sem que por isso deixassem cair os parentes na lama. Isso veio mais tarde. Depois de lançarem para as lojas o resultado de um longo processo de composição e acerto dos arranjos em espetáculos ao vivo e de um meticuloso trabalho de estúdio com os melhores meios técnicos da altura, os Pink Floyd tornavam-se multimilionários (ironicamente, é aqui que se encontra "Money"), compravam casas de campo (Roger Waters) ou Ferraris (Nick Mason) e até financiavam os Monty Python ("Monty Python and the Holy Grail"). "The Dark Side of the Moon" passou a ser figura habitual das listas de melhores discos de sempre e, com o tempo, foram sucedendo-se inúmeros tributos por outras bandas. No início dos anos 90, foi protagonista de um dos primeiros e mais celebrados celebrados mitos da internet, aquele em que se dizia que o disco era, afinal, uma banda sonora alternativa para o... "Feiticeiro de Oz".

terça-feira, 12 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 22, Elis Regina (rep.)



ELIS (ORIENTE)
ELIS REGINA (Brasil)
Edição original: Philips
Produtor(es): Roberto Menescal
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Entre os vários álbuns que na sua discografia surgem com o nome "Elis", este tornou-se conhecido como "Oriente", o título da faixa de abertura. Não me lembro de ter prestado atenção a outro disco completo de Elis Regina, mas fiquei apaixonado por este assim que lhe encostei os ouvidos. Há temas da autoria de Gilberto Gil, outros da dupla João Bosco/Aldir Blanc, e ainda dois sambas clássicos, "Folhas Secas" e "É Com Esse que eu Vou".

segunda-feira, 11 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 23, King Crimson (rep.)



LARKS' TONGUES IN ASPIC
KING CRIMSON (Inglaterra)
Edição original: Island
Produtor(es): King Crimson
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Os King Crimson tinham surgido a 30 de Novembro de 1968, mas, a bem do rigor, há que dizer que esta já era a terceira incarnação do grupo, estabelecida a meio de 1972. Fiel ao seu posto desde o início e até à mais recente interrupção, em 2009, estava o guitarrista Robert Fripp (já nesta lista surgiu a propósito do disco a meios com Brian Eno e há de voltar aqui a aparecer, bem mais lá para cima). Ao lado de Fripp, surgiam dois bateristas (esta era a primeira versão dos King Crimson com duas baterias), Jamie Muir (hoje artista plástico) e Bill Bruford, que tinha trocado os Yes, que entretanto explodiam de sucesso, pelas improvisações nos King Crimson. Na voz e no baixo, estava John Wetton (futuro Asia) e, no violino e nos teclados, David Cross. Os King Crimson renasciam mais instrumentais e menos vocais, com mais de violino e menos de metais, mais de improvisação rock e menos das piscadelas de olho ao jazz, com mais de Fripp do que até aí. Talvez seja um exagero, mas a escuta atenta e prolongada do disco quase que leva a dizer que se não fosse por "Larks' Tongues in Aspic" não teria havido, vários anos depois, o grunge ou o math rock, pelo menos como hoje conhecemos os géneros que tanto devem aos desbravamentos de terreno conduzidos pelos King Crimson nas suas diferentes encarnações, particularmente nesta. Experimentem a segunda parte do tema-título, que encerra o disco, e tentem tirar da cabeça que são os Shellac que estão ali a tocar.

domingo, 10 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 24, David Holland Quintet (rep.)



CONFERENCE OF THE BIRDS
DAVID HOLLAND QUARTET (Inglaterra)
Edição original: ECM
Produtor(es): Manfred Eicher
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Primeiro álbum do baixista Dave Holland enquanto líder. Consigo estão Anthony Braxton e Sam Rivers, ambos nas madeiras e nas flautas, e o percussionista Barry Altschul, numa espécie de recriação do trio/quarteto Circle, sem Chick Corea, que entretanto tinha partido para os terrenos da fusão. O álbum tornou-se clássico na história do avant-jazz dos anos 70.

sábado, 9 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 25, Roxy Music (rep.)



FOR YOUR PLEASURE
ROXY MUSIC (Inglaterra)
Edição original: Island
Produtor(es): Chris Thomas, John Anthony, Roxy Music
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Ao segundo álbum, os Roxy Music, que prosseguiam o combate Bryan vs Brian, procuravam equilibrar-se entre a pop experimental, como em "Bogus Man", que Eno aparentava aos Can, e as canções mais estruturadas, como os singles "Do The Strand" e "Editions of You". É talvez por terem conseguido sobreviver à tensão da forma como o fizeram, aqui espelhada, que "For Your Pleasure" é um disco tão curioso e interessante. Há pouco tempo, Morrissey dizia que apenas se lembrava de um álbum britânico verdadeiramente grande. Este, precisamente.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 26, Milton Nascimento (rep.)



MILAGRE DOS PEIXES
MILTON NASCIMENTO (Brasil)
Edição original: Odeon
Produtor(es): Milton Miranda
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O duplo "Clube da Esquina", que lançou Milton Nascimento para fora do Brasil, havia saído no ano anterior. Em 1973, rodeado novamente de um extenso grupo de músicos de excelência, entre os quais, Naná Vasconcelos e o habitual Wagner Tiso, Milton volta a conseguir um disco desconcertante. A censura levou a que a maior parte de "Milagre dos Peixes" surgisse rarefeito de letras cantadas, o que confere ainda uma dimensão extra ao caráter experimental do disco. No ano seguinte, Milton juntar-se-ia aos Som Imaginário para uma versão do álbum ao vivo.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 27, Jefferson Airplane (rep.)



THIRTY SECONDS OVER WINTERLAND
JEFFERSON AIRPLANE (EUA)
Edição original: Grunt
Produtor(es): Jefferson Airplane
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Segundo álbum ao vivo nesta lista (e ainda vai haver mais um). Também é o segundo álbum ao vivo dos Jefferson Airplane, depois de "Bless Its Pointed Little Head" (1969). Documenta os últimos concertos do coletivo, antes do regresso em 1989. É um dos melhores álbuns ao vivo da história do rock.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

100 de 1973, nº 28, David Bowie (rep.)



ALADDIN SANE
DAVID BOWIE (Inglaterra)
Edição original: RCA
Produtor(es): Ken Scott, David Bowie
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"Ziggy goes to America." A expressão é do próprio David Bowie, que escreveu boa parte das canções de "Aladdin Sane" durante a parte que a Ziggy Tour passou pelos EUA. Na edição original, no alinhamento das canções, há referências a nome de cidades e até a um navio transatlântico (no tema-título). No baile de máscaras em que Bowie se divertia nestes tempos, a nova personagem Aladdin Sane (jogo de palavras com "A Lad Insane") era muito parecida com a anterior, Ziggy Stardust, embora sem a mesma obsessão futurista. Musicalmente, continua o glam, ainda que se escute uma maior aproximação de Bowie aos Stones da altura (há até mesmo uma versão, "Let's Spend the Night Together"), mas há também uma maior dispersão por outros estilos pouco habituais, que a crítica teve dificuldades em compreender na altura.

terça-feira, 5 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 29, Hermeto Pascoal (rep.)



A MÚSICA LIVRE DE HERMETO PASCHOAL
HERMETO PASCOAL (Brasil)
Edição original: Sinter
Produtor(es): Rubinho Barsotti
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"Gaio da Roseira", o tema com que encerra o disco, havia sido composto por seu pai, "seu Pascoal". Em 1971, Airto Moreira, que havia sido companheiro de Hermeto no Quarteto Novo e que nesta altura iniciava a sua carreira bem sucedida pelos EUA, incluía-o em "Seeds on the Ground", sob as designações de "Galho da Roseira" ou "Branches", para sucesso que ainda perdura até hoje nas colectâneas que vão saindo. Hermeto voltou a usá-lo em 1973, numa versão com uma introdução arrepiante e arranjos ainda mais arrojados (escute-se, por exemplo, a parte da orquestra de garrafas, tocadas por todos os elementos do grupo). Bastaria este tema final para "A Música Livre de Hermeto Paschoal" ser já um disco fundamental. Mas há mais. Há coisas mais facilmente audíveis, como o jazz de raça latina de "Bebê", há as versões incríveis de "Asa Branca", de Gonzaguinha, e de "Carinhoso", do ícone do choro Pixinguinha, há "Sereiarei", um tema absolutamente chanfrado onde até os porcos, os gansos, os coelhos e os patos, provavelmente os mesmos que se dizia que Pascoal levava para os palcos, participam. Ao lado de "Missa dos Escravos", de 1977, é o melhor que o imenso génio de Pascoal produziu.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 30, Sun Ra (rep.)



SPACE IS THE PLACE
SUN RA (EUA)
Edição original: Blue Thumb
Produtor(es): Alton Abraham, Ed Michel
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There's no limit
To the things that you can do
There's no limit
To the things that you can be


Importa apenas o longo tema-título com que abre o disco. Nada mais interessa, seja bom, seja mau. O ícone do jazz mais estranho de todos os tempos, que acreditava provir de Saturno e que tocava e punha os outros a tocar sem os pés assentarem na Terra, alcançava aqui um momento fundamental na sua já longa carreira. O tema, que expõe em música a filosofia de Sun Ra, é também tratado num filme com o mesmo nome (vejam-no aqui, por exemplo).

domingo, 3 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 31, Kevin Ayers (rep.)



BANANAMOUR
KEVIN AYERS (Inglaterra)
Edição original: Harvest
Produtor(es): Kevin Ayers, Andrew King
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É o mais acessível, mas também o mais eclético, o mais completo e, provavelmente, o melhor disco a solo de Kevin Ayers, um dos fundadores dos Soft Machine, o homem de cujo talento John Peel disse ser "tão aguçado que se pode fazer cirurgia ocular profunda com ele". Ao quarto álbum, Ayers exprime-se das mais diversas formas. Anda pela soul à Van Morrison, pela pop freak à Robert Wyatt, pelo blues rock e até pelo ska (num dos temas bónus da reedição). Mas o tema central de "Bananamour", diferente de tudo o resto no disco, e que deixa todos os ouvidos estupefactos, é a majestosa composição épica "Decadence", um poema dedicado a Nico e uma cópia chapada, não fosse ter sido escrito muitos anos antes, daquilo que os Spiritualized viriam a fazer. Jason Pierce deve ter passado anos inteiros da sua vida a ouvir "Decadence". Só pode. "Bananamour" é também um ponto de encontro de velhos amigos de Ayers: Robert Wyatt participa nos coros de "Hymn"; Mike Ratledge, outro Soft Machine, toca orgão em "Interview"; Steve Hillage, guitarrista dos Gong, participa em "Souting In A Bucket Blues"; David Bedford, o maestro da versão orquestral de "Tubular Bells", dirige "Beware Of The Dog" (Bedford e Oldfield tinham feito parte da primeira banda de suporte de Ayers, The Whole World).