quinta-feira, 26 de março de 2015

100 de 1973, n.º 69, Bruce Springsteen (rep.)



THE WILD, THE INNOCENT & THE E STREET SHUFFLE
BRUCE SPRINGSTEEN (EUA)
Edição original: Columbia
Produtor(es): Mike Appel, Jim Cretecos
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Segundo álbum de Springsteen -- a estreia, com "Greetings From Asbury Park, N.J.", foi também neste ano de 1973 e é de esperarem encontrá-la também nesta lista, mais lá para a frente. Tido por muitos como um dos seus melhores trabalhos (e pelo próprio Springsteen que o tocou na íntegra num concerto no Madison Square Garden, há dois anos), ainda que apenas tenha tido reconhecimento comercial quando Springsteen explodiu para o mundo com "Born to Run", em 1975, este "The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle" ajuda, já nesta altura, a definir os contornos daquele que tem sido, na opinião deste vosso escriba, o confronto recorrente na história do músico mais icónico de Nova Jérsei: composições magníficas, algumas delas mesmo praticamente inumanas de tão fora-de-série que são, contra arranjos que frequentemente resvalam para a tina do azeite, daquele que escorre das secções de metais que realçam o que já está realçado por natureza, daquele que é salpicado pelos teclados que surgem mais altos do que tudo o resto apenas para ferirem os nossos ouvidos. E isto é tanto mais provável de acontecer quanto mais está envolvida a E Street Band, que aqui ainda não havia sido batizada como tal. Mas, atenção, nem este é o exemplo mais flagrante deste confronto, nem o azeite sai vencedor, nem o disco deixa de poder ser ouvido do princípio ao fim as vezes que queiramos, na época em que queiramos.

quarta-feira, 25 de março de 2015

100 de 1973, n.º 70, Fela Kuti (rep.)



GENTLEMAN
FELA KUTI (Nigéria)
Edição original: EMI
Produtor(es): Fela Kuti
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Africa hot, I like am so...
I know what to wear
But my friends don't know
E put im socks
E put im shoe
E put im pant
E put im singlet
E put im trouser
E put im shirt
E put im tie
E put im coat
E come cover all with him hat
E be gentle man!
E go sweat all over
E go faint right down
E go smell like shit
E go piss for body, e no go know
I no be gentuluman at all O
I be Africa Man Original


Eis o imperador do afrobeat em todo o seu esplendor de ritmo e afirmação política. Em crioulo nigeriano, Fela Ransome Kuti (aqui ainda não tinha trocado Ransome por Anikulapo) atacava a mentalidade colonial que alguns dos seus conterrâneos continuavam a exibir depois da saída dos ingleses do país, ilustrada pelo ridículo do uso de fato e gravata num continente onde o calor é incontornável, ao mesmo tempo que proclamava a afirmação africana pela qual lutou até ao fim da vida. "Gentleman" marca também a adoção de mais um papel para Kuti, o de saxofonista tenor, ao qual depressa se adaptou depois da saída do saxofonista Igo Chico dos Africa 70, a banda que então acompanhava Kuti. "Gentleman" é essencialmente composto pelo tema que lhe dá título, uma longa improvisação de quase quinze minutos. No lado B, surgem "Fefe Naa Efe" e "Igbe". Este é o segundo disco de Kuti em 1973. O outro foi "Afrodisiac", que também irá aparecer nesta lista.

terça-feira, 24 de março de 2015

100 de 1973, n.º 71, Paul Simon (rep.)



THERE GOES RHYMIN' SIMON
PAUL SIMON (EUA)
Edição original: Columbia-Warner
Produtor(es): Paul Simon, Phil Ramone, Muscle Shoals Rhythm Section, Paul Samwell-Smith, Roy Halee
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Conseguisse todo o álbum alcançar a boa disposição paulsimonesca do tema de abertura, "Kodachrome", e teríamos aqui um clássico. Ainda assim, "There Goes Rhymin' Simon" tem sido muito bem recebido desde que saiu pela crítica generalista: duas nomeações para grammy (melhor voz masculina e álbum do ano), posição 267 na lista dos 500 melhores álbuns de sempre da Rolling Stone, ...

segunda-feira, 23 de março de 2015

100 de 1973, n.º 72, Stevie Wonder (rep.)



INNERVISIONS
STEVIE WONDER (EUA)
Edição original: Tamla
Produtor(es): Stevie Wonder, Robert Margouleff, Malcolm Cecil
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É um dos melhores discos de Stevie Wonder. É também um dos mais pessoais, já que o músico toca todos os instrumentos (ou quase todos) em pelo menos seis das nove faixas que compõem "Innervisions". Ganhou um Grammy para melhor álbum do ano (Wonder já tinha um Grammy para melhor performer masculino com o anterior "Talking Book"), tendo ficado associado ao grave acidente que o músico sofreu apenas três dias após o lançamento do disco. A Rolling Stone escolheu-o para 23º melhor álbum de sempre na lista que publicou em 2003.

domingo, 22 de março de 2015

100 de 1973, n.º 73, Yoko Ono (rep.)



FEELING THE SPACE
YOKO ONO (Japão)
Edição original: Apple
Produtor(es): John Lennon, Yoko Ono
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"Feeling the Space" não é um disco de experiências como tinham sido os primeiros dois álbuns. A mudança já se apercebia no anterior "Approximately Infinite Universe", também de 1973. É um disco de canções, que ainda assim demora um pouco a colar aos ouvidos. É atravessado, do início ao fim, pelo tema do feminismo.

sábado, 21 de março de 2015

100 de 1973, n.º 74, Van Morrison (rep.)



HARD NOSE THE HIGHWAY
VAN MORRISON (Irlanda do Norte)
Edição original: Warner Bros.
Produtor(es): Van Morrison
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"Hard Nose the Highway" é um dos álbuns de Van Morrison mais atacados pela crítica. Convenhamos que fica a léguas de distância dos discos anteriores, como o hiper-badalado "Astral Weeks" (1968) ou "Moondance" (1970), e que dificilmente o irlandês veio a recuperar desta quebra criativa. Mas o primeiro lado deste disco, quanto mais não seja, composto por faixas como "Snow in San Anselmo", "Warm Love", que se tornou um favorito do cantor, ou a faixa que dá título ao álbum, continuam a ouvir-se muito bem.

sexta-feira, 20 de março de 2015

100 de 1973, n.º 75, Rail Band (rep.)



BUFFET HOTEL DE LA GARE BAMAKO
RAIL BAND (Mali)
Edição original: RCAM
Produtor(es):
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Criada em 1970, a Rail Band (ou Super Rail Band ou Bamako Rail Band ou ainda Super Rail Band of the Buffet Hotel de la Gare, Bamako) era uma banda... pública. Trabalhavam para os caminhos de ferro malianos, sob a tutela do Ministério da Informação e tocavam no bar Buffet do hotel da estação de Bamako para os viajantes cansados, como parte da estratégia para a preservação e difusão das tradições mandingas, ainda que a banda misturasse as formas ancestrais com as sonoridades cubanas que estavam em voga naquela zona de África desde os anos 40, com guitarras eléctricas e secção de metais, isto sem tirar destaque privilegiado a instrumentos enraizados na cultura mandinga como a kora ou o balafon. Por ela passaram, reparem só, Salif Keita (o primeiro vocalista, quando tinha apenas 21 anos) e, sucedendo-lhe, Mory Kanté.

Supersilent, hoje no Maria Matos!

A toda a hora e de todo o lado nos chegam lembretes de que o tempo corre rápido. Parece que foi apenas ontem que os noruegueses Supersilent rebentaram com um, perdão, com três magníficos discos de estreia, reunidos sob o título "1-3", numa edição da prestigiada Rune Grammofon. Foi já em 1997. Quase 20 anos. Seguiu-se o "4" e uma passagem por um Jazz em Agosto, na Gulbenkian, a 6 de agosto de 2000. Seguiu-se "5", um disco ao vivo. Seguiu-se "6" e depois o "7", um DVD. E depois o "8", o "9" e hoje, que é como quem diz "no ano passado", vimos sair o "12".

Quinze anos depois, temo-los de novo por cá. Vai ser hoje, no Maria Matos, a partir das 22h.

Há uma entrevista a ler, no Público.

quinta-feira, 19 de março de 2015

100 de 1973, nº 76, Jethro Tull (rep.)



A PASSION PLAY
JETHRO TULL (Inglaterra)
Edição original: Chrysalis
Produtor(es): Ian Anderson
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Como um disco conceptual, com uma única faixa repartida por ambos os lados de uma banda de progs ingleses, chega ao primeiro lugar da billboard americana (em Inglaterra ficou-se pelo 13º) é um mistério difícil de perceber, pelo menos à luz dos dias de hoje, passados quase quarenta anos. Mas tal já tinha acontecido com o outro álbum conceptual do grupo, a obra prima "Thick as a Brick", de 1972, na altura tido como o primeiro disco de rock a apresentar uma única faixa. Eram os tempos gloriosos do prog.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Mão Morta, em modo integral na RUM

Na emissão desta quinta-feira da Rádio Universitária do Minho só vai dar Mão Morta. Entre as 9h da manhã e as 8h da noite, vai ser percorrida toda a discografia, de "Mão Morta" (1988) a "Pelo Meu Relógio São Horas de Matar" (2014), vai haver participação em estúdio de vários dos atuais e dos antigos elementos e muitos testemunhos de gente associada ao universo da banda bracarense.

Em jeito de antecipação, o "Uma Vez na Vida", que Rui Portulez leva ao ar a partir do GNRation, em Braga, vai contar com a presença de Adolfo Luxúria Canibal. Já nesta noite de quarta-feira, a partir das 21h30.

100 de 1973, n.º 77, Orchestre-Poly-Rythmo (rep.)



VINCENT AHEHEHINNOU
& ORCHESTRE-POLY-RYTHMO DE COTONOU DAHOMEY

VINCENT AHEHEHINNOU & ORCHESTRE-POLY-RYTHMO DE COTONOU DAHOMEY (Benim)
Edição original: Albarika Store
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O Benim, antigo Dahomey, é aquele pequeno país africano da costa norte do golfo da Guiné, ladeado por Togo (e um pouco mais para ocidente pelo Gana) e pela Nigéria. Ou seja, estávamos em plena afrobeatlândia e a Orchestre Poly-Rythmo (ou Orchestre Poly-Disco ou Orchestre El Ritmo ou ainda Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou) era uma das bandas mais importantes daquela região e daquele género. Era, não. Continua a ser e continua a fazer digressões pelo mundo inteiro. A edição original deste disco era composta por quatro faixas de dança absolutamente arrebatadoras. A boa gente da Analog Africa reeditou o disco no ano passado, com o título "The First Album" e a designação atual da banda, Orchestre Poly-Rythmo.

terça-feira, 17 de março de 2015

100 de 1973, n.º 78, Between (rep.)



AND THE WATERS OPENED
BETWEEN (Alemanha)
Edição original: Vertigo
Produtor(es): Ulrich Kraus
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Mais um grupo semi-obscuro dos tempos gloriosos do krautrock. A sua composição era de uma variedade excêntrica, o que trouxe repercussões óbvia à música que faziam. Entre os principais, havia: Peter Michael Hamel, compositor clássico, tocava sintetizador nos Agitation Free (há de vir um disco destes nesta lista); Robert Eliscu, americano, era o oboé convidado na Berliner Philharmoniker e oboista dos Popol Vuh; Cotch Black, outro americano, percussionista, havia tocado com Bob Dylan; Roberto Detrée, argentino, guitarrista, harpista e "motocelista" (de "motocelo", um violoncelo de uma única corda friccionada por uma roda motorizada), costumava tocar música latina. O resultado desta miscelânea de origens e de posturas pode-se escutar facilmente neste belo disco de composições simultaneamente clássicas, cósmicas, orientais, vanguardistas.

segunda-feira, 16 de março de 2015

100 de 1973, n.º 79, The Who (rep.)



QUADROPHENIA
THE WHO (Inglaterra)
Edição original: Track/Polydor
Produtor(es): The Who, Kit Lambert
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E eis os The Who, um dos grupos mais (sobre)valorizados dos anos 70, com o seu álbum mais ambicioso, "Quadrophenia", segunda ópera rock de um grupo que nesta ideia foi pioneiro (a primeira havia sido "Tommy", de 1969).

Os cartazes bonitos são para serem vistos

(autor: Francisco Ferreira)

domingo, 15 de março de 2015

100 de 1973, n.º 80, Amon Düül II (rep.)



VIVE LA TRANCE
AMON DÜÜL II (Alemanha)
Edição original: United Artists
Produtor(es): Olaf Kübler, Amon Düül II
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Parte da dinâmica criativa da música alemã (e das artes em geral) no final dos anos 60, início dos 70s, deveu-se às comunas que brotavam um pouco por todas as grandes cidades do lado ocidental (incluindo Berlim). Os Amon Düül II, de Munique, pioneiros na cena art rock, representam um dos resultados mais bem sucedidos desta história de vivências em comum, de partilha e intercâmbio de ideias entre diferentes formas de expressão artística. Ao sétimo álbum de estúdio, os Amon Düül II já andavam mais perto da canção do que das deambulações prog de trabalhos anteriores, mas "Vive la Trance" fica para sempre como um dos melhores discos do grupo, só talvez ultrapassado pelo debutante "Phallus Dei" ou pelo "Tanz der Lemminge". A faixa aqui escolhida, "Mozambique", é dedicada à ativista alemã Monika Ertl, assassinada nesse ano e que havia ficado conhecida por "vingadora de Guevara", embora nunca tenha ficado provado que tenha morto o executor de El Comandante.

sábado, 14 de março de 2015

100 de 1973, n.º 81, Black Sabbath (rep.)



SABBATH BLOODY SABBATH
BLACK SABBATH (Inglaterra)
Edição original: World Wide Artists
Produtor(es): Black Sabbath
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Foi com "Sabbath Bloody Sabbath", já havia saído "Paranoid" (1970) e outros discos dos Sabbath hoje considerados como marcos da então incipiente história do heavy metal, que os críticos começaram a perceber que havia ali qualquer coisa de importante a nascer das mãos de Ozzy Osbourne, Tony Iommi e companhia. E já era o quinto platina consecutivo nos EUA, em cinco possíveis. Eram os Black Sabbath no pico de forma. "Sabotage", o seguinte, viria iniciar a tendência descendente que se seguiria. Mais tarde, Ozzy seria trocado por Dio, que veio a falecer há pouco menos de dois anos.

sexta-feira, 13 de março de 2015

E lá vai Daevid para o planeta Gong

Ficámos a saber, há pouco tempo, que ele não ia estar muito mais tempo entre os vivos. Hoje chega-nos a notícia, pelo facebook do seu filho, de que Daevid Allen, fundador dos Soft Machine e dos Gong, sucumbiu ao cancro que lhe havia sido diagnosticado no ano passado. Tinha 77 anos.

«And so dada Ali, bert camembert, the dingo Virgin, divided alien and his other 12 selves prepare to pass up the oily way and back to the planet of love. And I rejoice and give thanks. Thanks to you dear dear daevid for introducing me to my family of magick brothers and mystic sisters, for revealing the mysteries, you were the master builder but now have made us all the master builders. As the eternal wheel turns we will continue your message of love and pass it around. We are all one, we are all gong. Rest well my friend, float off on our ocean of love. The gong vibration will forever sound and its vibration will always lift and enhance. You have left such a beautiful legacy and we will make sure it forever shines in our children and their children. Now is the happiest time of yr life. Blessed be.»

Vemos a música popular perder uma dose imensurável de loucura, irreverência e poesia (e tanta falta que lhe fazem todos estes ingredientes indispensáveis, nos dias formatados e sérios que vivemos). Precisamos tanto de mais Daevids e outros camemberts chanfrados...


(Daevid Allen em 1961, à porta da casa de Robert Wyatt, em Canterbury.)

100 de 1973, n.º 82, Joan Baez (rep.)



WHERE ARE YOU NOW, MY SON?
JOAN BAEZ (EUA)
Edição original: A&M
Produtor(es): Joan Baez, Norbert Putnam, Henry Lewy
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Uma das maiores vozes a fazerem-se ouvir contra a guerra do Vietname, ora na rua, ora em palcos, Joan Baez integrou uma comitiva de paz que visitou os territórios do norte daquela região, no final de 1972. Quis o destino que testemunhasse os famosos "Ataques de Dezembro", traduzidos num intenso bombardeamento a Hanói, que durou ao longo de 11 dias, então o maior ataque levado a cabo pela força aérea norte-americana desde o final da segunda grande guerra. O segundo lado deste disco, constituído apenas pela longa faixa que dá nome ao disco, foi gravado justamente em Hanói, e nele se pode escutar o som dos bombardeamentos e as vozes das vítimas, enquanto Baez canta e declama o seu testemunho. É o resultado das quinze horas de gravações com que Baez regressou ao seu país, para um projeto que ela própria apelidou de "pesadelo para a companhia discográfica". O primeiro lado do disco apresenta a cantora no formato de canção mais tradicional. É um disco notável, a todos os níveis.

E quem é que vai ao Milhões deste ano? O Michael Rother!

Estrondo de hoje: o Michael Rother, ex-Neu!, ex-Harmonia, ex-Kraftwerk, vai a Barcelos para o Milhões de Festa 2015, que este ano decorre entre 23 e 26 de julho. (Para mais informações e para uma bela apresentação da lenda kraut feita pelo Gonçalo, é ir aqui ao Ípsilon.)

quinta-feira, 12 de março de 2015

100 de 1973, n.º 83, Peter Hammill (rep.)



CHAMELEON IN THE SHADOW OF THE NIGHT
PETER HAMMILL (Inglaterra)
Edição original: Charisma
Produtor(es): John Anthony
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Segundo álbum da carreira a solo de Peter Hammill, embora, tal como no anterior "Fool's Mate" e no posterior "The Silent Corner and the Empty Stage", todos os outros membros dos Van der Graaf Generator participem nas gravações. Há quem o considere, na realidade, o primeiro disco a solo de Hammill, já que "Fool's Mate", de 1970, tinha sido feito com material que foi sendo guardado ao longo do tempo e numa altura em que os VDGG ainda estavam no ativo, e é este que, depois do fim daqueles, marca efetivamente o início da aventura em nome próprio do compositor. É um disco de mudança de idade, ou de mudança em geral, tema que se escuta ao longo do disco e se lê no próprio título.