Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Manual intensivo de instruções para o kwassa kwassa

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Já falta pouco, parte 5 (uma má e uma boa notícia)

Primeiro, a péssima notícia: a doença obrigou o argentino Ramiro Musotto a cancelar o seu espectáculo.
Em sua substituição, surge o nome de Damily, o guitarrista do Madagáscar que promete rebentar com todos os que forem à praia para o último concerto da noite de quinta-feira, dia 23. Aqui há alguns anos, a compilação "Tulear Never Sleeps" trouxe ao mundo o conhecimento dessa explosiva música do Madagáscar, onde guitarras desenfreadas puxam o mais incauto para a dança. Damily, que vem acompanhado do seu grupo, é um dos expoentes máximos do género. O vídeo seguinte é apenas um cheirinho do que vai ser a madrugada de quinta para sexta:

À vossa atenção

Pensar que a nossa colecção de discos -- ou parte dela, por menor que seja -- pode desaparecer de um momento para o outro é um pesadelo que perturba o sono de todos os que passam música. Aliás, de todos os melómanos. De cada vez que isso acontece a um amigo -- e já têm sido vezes demais -- fico paranóico. Na passada madrugada de sábado, a calamidade abateu-se sobre o Hugo Moutinho, dito Mr. Mitsuhirato nas festas magníficas que tem realizado ao longo dos últimos anos. Justamente depois de uma dessas festas, no Cais do Sodré, foi assaltado. Levaram-lhe dois books de CDs -- um preto, de 240, e um beige, de 80 -- e os headphones (Senheiser brancos). Fica aqui o apelo: quem souber de alguma informação ou encontrar este material à venda (feira da ladra, cash converters, etc.), contacte, por favor, o Hugo: hugomoutinho09@gmail.com.

Já falta pouco, parte 4

Domingo, 12 de Julho de 2009

Nova edição de Mão Morta



"Rituais Transfigurados" corresponde à gravação do filme-concerto com que os Mão Morta abriram o 16.º Curtas de Vila do Conde, em 5 de Julho de 2008, apresentação única do trabalho de sonorização efectuado na sequência do convite do Festival para os Mão Morta acompanharem musicalmente uma obra cinematográfica, numa produção comissariada por Dario Oliveira, e que recaiu sobre quatro curtas-metragens da realizadora norte-americana Maya Deren, pioneira do cinema experimental.

Alinhamento CD
1. Um Estudo Coreográfico para a Câmara
2. Na Terra
3. Tramas do Entardecer
4. Ritual no Tempo Transfigurado

Sábado, 11 de Julho de 2009

Já falta pouco, parte 3



A slide guitar pode servir de caminho às ragas indianas? Pode e a resposta tem o nome Debashish Bhattacharya, que vai estar no Castelo de Sines, sexta-feira, dia 24.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Todo o mundo ao CCB!

O programa "CCB Fora de Si" volta a ser grandioso. Na edição deste ano, que decorre entre 16 e 30 de Agosto, vão estar em foco dois continentes, África e Ásia. Entre o rol de artistas agendados, destaque-se a presença de Seun Kuti (filho de Fela Kuti) e Etran Finatawa (Níger). O "CCB Fora de Si" conta ainda, além dos concertos, com oficinas e uma programação de cinema. Mais informações aqui.

Breves de sexta-feira (coisas bonitas que vão acontecer no fim-de-semana)

1. Temos no sábado, por exemplo, os Gala Drop, que fecham, por este Verão, a programação musical do festival Próximo Futuro que a Fundação Gulbenkian está a levar a cabo. Vai ser no belíssimo auditório ao ar livre. Mais informação aqui.

2. No mesmo dia, no Jardim da Estrela, o coreto vai ser okupado. Kumpania Algazarra, Lula Pena, Jorge Ferraz, Guto Pires, Samuel Úria e muitos outros vão estar no jardim entre as 16 e as 24h de sábado. Há um programa detalhado aqui.

3. Ainda no sábado, a ZDB propõe Orquestra VGO (e para a semana, há Telepathe!).

4. Estes dias ficam marcados por mais uma edição de "Uma Casa Portuguesa", na Casa da Música, no Porto. No sábado, há Siba e a Fuloresta (estiveram há poucos dias no MED) e Amélia Muge. Mas há mais (vejam aqui).

5. Também no Norte, e pelas imediações da actual capital do rock'n'roll (Barcelos, para quem ainda não se apercebeu), há mais uma edição do Souto Rock, com The Partisan Seed, Bunnyranch, Mazgani, Black Bombaim, Indignu e Alto!. Mais informação aqui.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Eternal Moonwalk

Finalmente, uma coisa com piada no meio de toda esta histeria:
www.eternalmoonwalk.com
(Obrigado, Laura!)

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Já falta pouco, parte 2



Dele Sosimi e a sua Afrobeat Orchestra foi assim, no ano passado, no Músicas do Mar, na Póvoa de Varzim (a propósito, o festival não se realiza este ano). O antigo teclista dos Egypt 80, a última banda de suporte de Fela Kuti, vai estar em Porto Covo, a mostrar que todo o groove do afrobeat não tem cor, no primeiro sábado do FMM, 18 de Julho. Antes vão tocar os Ukrainians, os tipos que nos anos 80 faziam versões incríveis dos Smiths para o Ivana Pila, aliás, John Peel, e ainda o guitarrista Victor Demé, do Burkina Faso.

Música actual

Há pouco, passei pelo especial de "informação" que a SIC está a fazer do tributo a Michael Jackson e ouvi alguém dizer que a "música dele continua actual". É verdade, mas fiquei a pensar no que torna actual a música de alguém. Não tenho a resposta, mas estou quase convencido que se deve mais à própria actualidade do que à música de alguém em particular que é objecto de comentários como este. Se a música que se faz hoje em dia, seja por descendência, seja por revivalismo barato, apresenta traços de familiaridade com aquela de alguém, então essa música de alguém será actual, não?

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Já falta pouco, parte 1

Estará Sines preparada para a descarga sonora de L'Enfance Rouge? Vejam o vídeo aqui (não dá para o incorporar nesta página). L'Enfance Rouge, 22 de Julho, já de madrugada, na av. da Praia.

Só pode ser brincadeira

Já não é novidade para ninguém, mas continua a ser difícil de acreditar. Os My Bloody Valentine vão, finalmente, estrear-se ao vivo em Portugal, por ocasião de um novo festival algarvio, que conta, entre outros, com... erm... James Morrison, Gipsy Kings, The Offspring, Fonzie, etc. E parece que ainda estão por confirmar as presenças das Just Girls e dos 4Taste! O festival decorre no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, de 5 a 8 de Agosto (os MBV fecham a última noite). Bom, ao menos quem já ouviu o barulho ensurdecedor dos carros no autódromo não estranhará tanto a banda do Kevin Shields.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Tout puissant

Totalmente poderosos. A "orquestra folclórica toda poderosa Konono nº1 de Mingiedi" voltou a mostrar por cá por que é cada vez mais famosa, por que é que o Congo está de volta ao mapa da música reconhecida pelo Ocidente, depois do soukous e kwassa kwassa dos anos 80. Já o tinham deixado bem claro em Sines, há três anos, mas na noite de ontem conseguiram ir ainda mais longe, tocar mais fundo nos cérebros e corpos de centenas de pessoas que se entregaram ao baile "congotrónico" por ocasião da festa de aniversário da ZDB nos arruamentos do Museu de História Natural.
Não é fácil descrever este poder "congotrónico", que para sempre ficará associado aos Konono, a quem nunca os viu ao vivo. Há temas que se prolongam e conduzem a estados de autêntico transe, no desenvolvimento dos ritmos minimais produzidos pelo veterano e fundador Mawangu Mingiedi. As mbiras (ou likembés) electrificadas e distorcidas, quando entram, criam momentos de euforia que não encontramos noutras músicas de dança. Dança-se -- mesmo o pé de chumbo mais empedernido -- como se não houvesse amanhã.
Concerto do ano, até ver, e um 10/10 sem espinhas, se isso ajudar a explicar o quão bom foi (e eu a pensar que, depois da epifania com o Neil Young, no ano passado, ia demorar eternidades a voltar a ter uma experiência destas...).

Alguém gravou no telemóvel os primeiros oito minutos do espectáculo (obrigado, Nuno). A qualidade da captação não ajuda, mas ainda assim dá para perceber parte do furor da noite de ontem:

Sábado, 4 de Julho de 2009

Companheiros

Soaram tão bem ao vivo os novos temas de Tinariwen, ontem, no Forte de São Filipe, no arranque da primeira edição do Arrábida World Music Festival. Em "Imidiwan Afrik Tendam", por exemplo, uma balada perfeita que remete em parte para o título do álbum, "Imidiwan", não é preciso percebermos a linguagem tamasheq em que Ibrahim Ag Alhabib reúne os "companheiros de toda a áfrica" (a tradução do título) para ali vermos uma canção de reencontros à volta de uma fogueira no meio de um oásis, por excelência o ponto de intersecção nos caminhos de tuaregues como os Tinariwen. E isto tem ainda mais piada quando acontece numa imponente fortificação militar com quase cinco séculos, parecido com muitos daqueles castelos, mais antigos, que pelo país fora marcam os outras intersecções que fomos tendo -- por motivos bélicos, é certo -- com os nossos vizinhos muçulmanos. Mas a História levou para longe esses tempos e hoje só nos podemos sentir privilegiados por partilhar reencontros como este.
O Forte de São Filipe é mesmo um dos protagonistas deste festival, que hoje continua com, entre outros, a Sun Ra Arkestra e os Heavy Trash. Parece até que foi desenhado de propósito para um evento como este (ainda que não permita que o festival cresça muito, contudo). O outro palco, por exemplo, num dos pontos mais altos do forte, de onde aliás se captura uma magnífica vista sobre toda a península, colocou literalmente o Paulo Furtado no céu. É uma visão inesquecível a do Legendary Tiger Man iluminado e recortado na noite da Arrábida.
Um festival como este merece continuar (agradece-se é que se arranje outra pessoa para desenhar as luzes do palco principal -- se não há rede suspensa, que se use luzes laterais... ainda hoje vejo sinais vermelhos quando fecho os olhos...)