domingo, 1 de março de 2015

100 de 1973, n.º 94, Ash Ra Tempel (rep.)



STARRING ROSI
ASH RA TEMPEL (Alemanha)
Edição original: Kosmische Musik Ohr
Produtor(es): Manuel Göttsching
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Os Ash Ra Tempel de Manuel Göttsching têm dois álbuns em 1973. "Join Inn" e este "Starring Rosi", assim chamado a partir de Rosi Müller, cuja voz se escuta ao longo do disco. Já sem a companhia dos outros fundadores Klaus Schulze e Hartmut Enke, que ainda haviam estado em "Join Inn", Göttsching toca quase todos os instrumentos, num exercício organizado de virtuosismo que quase parece uma aula, como ataca o texto do AMG (mas que, moderando, "se aguenta surpreendentemente bem").

sábado, 28 de fevereiro de 2015

100 de 1973, n.º 95, Led Zeppelin (rep.)



HOUSES OF THE HOLY
LED ZEPPELIN (Inglaterra)
Edição original: Atlantic
Produtor(es): Jimmy Page
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Os Led Zeppelin, os quais confesso ter tido sempre alguma dificuldade em compreender, quase arriscaram a sua reputação neste disco, ao puxarem lustro a um certo ecletismo nas composições e nos arranjos, depois dos álbuns mais roqueiros I, II, III e IV. Há coisas estranhas -- mas, e talvez por isso, deliciosas -- como o reggae de "D'yer Mak'er" (youtube abaixo). Em 2003, a Rolling Stone colocou no 149º posto dos 500 melhores discos de sempre.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Hoje é dia de acertarmos os relógios: há Mão Morta no Lux

Reparem bem, ó lisboetas, qual foi a última vez que puderam ver os Mão Morta em pé -- que é como se deve assistir a um concerto de Mão Morta, porra! -- e com a qualidade de som tão boa como a do PA do Lux? Quando mesmo?

100 de 1973, n.º 96, Thirsty Moon (rep.)



YOU'LL NEVER COME BACK
THIRSTY MOON (Alemanha)
Edição original: Brain
Produtor(es): Jochen Petersen
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E eis que surge, então, o primeiro disco de um grupo alemão nesta lista (preparem-se, que a krautlândia era chão que dava uvas por estas alturas). Fusão de prog clássico com metais do jazz, talvez datada, mas que ainda oferece um gozo de todo o tamanho à escuta.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O novo single dos Blur faz-me pensar nisto e naquilo

Depois de um hiato de 12 anos, os Blur estão aí com "Go Out", o avanço para o novo álbum "Magic Whip", que sai no final de abril próximo. Mas isso já não é novidade nenhuma. O que aqui trago são duas questões:

Na primeira vez que ouvi "Go Out", disse logo para os meus botões e para alguns amigos: não gosto. Parecia, e acho que o verbo é o mais apropriado, parecia demasiado desinspirado, demasiado seco, demasiado mecânico. Parecia a composição pop típica de quem já está farto da pop, de quem o faz por obrigação, de quem já não tem a verve juvenil de outrora, de quem já não perde horas e horas a compor uma canção e se vê remetido a um plano de dois ou três dias num estúdio alugado com o compromisso de criar material novo.

Mas, repito, parecia. Porque agora "Go Out", depois de ouvidas tantas vezes na rádio, já me soa diferente daquela que ouvi à primeira vez. Já consigo sentir uma certa familiaridade. Se antes não ia à bola com a canção, já estou a considerar comprar os bilhetes e dar-lhe um telefonema.

Ora, isto leva então a uma certa pergunta. Não é nova, mas não é discutida com frequência e é, parece-me, cada vez mais atual:

Que oportunidades damos hoje à música nova que ouvimos? E os que já levam alguns anos disto, tentem lá pensar no tempo em que ora tinham mais tempo para escutar música, ora não havia tantas rádios com playlists e programas de qualidade, ora não havia internet e praticamente qualquer disco que se faça no mundo inteiro ao alcance de dois ou três toques...


A segunda questão já é mais uma constatação. Ouve-se o "Go Out" e percebem-se ali técnicas, instrumentos, sons, etc., que nunca fariam parte do mainstream, nem dos Blur, de há 15 ou 20 anos. Talvez porque Brian Eno, Björk, os Radiohead e tantos, tantos outros, trouxeram material dos seus laboratórios (e de outros) para o terreno comum do mainstream, talvez por isso tenhamos coisas como esta "Go Out" em playlists e pronta a lançar os Blur para grandes digressões, a encerrar grandes festivais, para toda a gente.

Mas... sempre foi assim, não? É assim, através destas ondas de contaminação, que evolui a música ao longo dos tempos, não?


100 de 1973, n.º 97, Hugh Masekela (rep.)



INTRODUCING HEDZOLEH SOUNDZ
HUGH MASEKELA (África do Sul)
Edição original: Blue Thumb
Produtor(es): Hugh Masekela, Rik Pekkonen
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Depois de se fartar da aventura pelo jazz americano, o trompetista Hugh Masekela regressou à sua África natal, para um disco de jazz que não é só jazz, para um disco de afrobeat que não é só afrobeat. Chamaram-lhe afrojazz e tornou-se um clássico na discografia de Masekela, mesmo não sendo a maior parte do disco da sua autoria, mas dos Hedzoleh Soundz, a banda ganesa que o imperador do afrobeat, Fela Kuti, apresentou a Masekela, quando este andava à procura de músicos para o acompanharem no seu reencontro com África. E, a propósito de Hedzoleh Soundz, há aí uma reedição recente da Soundway...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

100 de 1973, n.º 98, Mother Mallard's Portable Masterpiece Company (rep.)



MOTHER MALLARD'S PORTABLE
MASTERPIECE COMPANY
MOTHER MALLARD'S PORTABLE MASTERPIECE COMPANY (EUA)
Edição original: Earthquack
Produtor(es): Mother Mallard's Portable Masterpiece Company
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A Mother Mallard's Portable Masterpiece Company, que ainda hoje dá concertos, foi um dos primeiros grupos de sintetizadores. Aliás, o fundador David Borden foi um dos primeiros músicos a utilizar o minimoog, de Robert Moog, de quem aquele era próximo. Este é o álbum de estreia do grupo, tendo sido iniciado em 1970 e apenas editado em 1973.

-- não existe youtube ou spotify disponível para este álbum --

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

100 de 1973, n.º 99, Paulinho da Viola (rep.)



NERVOS DE AÇO
PAULINHO DA VIOLA (Brasil)
Edição original: Odeon
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Se todas as faixas tivessem uma parte, quanto mais não fosse, da força de "Roendo as Unhas" (quarta faixa), uma pedra no charco do samba e do choro, este "Nervos de Aço" estaria muito mais para cima na lista. Mas, ainda assim, outros temas, como o que lhe dá título, ou "Sonho de Carnaval" ou ainda o rematador "Choro Negro", fazem deste disco uma referência óbvia na história daqueles géneros brasileiros.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

100 de 1973, n.º 100, Elvis Presley (rep.)



ALOHA FROM HAWAII
ELVIS PRESLEY (EUA)
Edição original: RCA
Produtor(es): Joan Deary, Marty Pasetta
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Uma coisa à grande, à americana, o concerto de Elvis no Hawaii em Janeiro de 73, foi transmitido via satélite, tecnologia que ia dando os primeiros passos na altura, para Europa e Ásia (os americanos só o viram mais tarde, porque, apesar de tudo, o superbowl daquela mesma noite continuava a ser mais importante). Ainda é hoje o evento mais visto da história da televisão, estimando-se que 1,5 mil milhões de pessoas o tenham acompanhado. Apanha Elvis ainda em grande forma, mesmo à beira do início do fim da sua carreira.

100 de 73, reprise

Para ver se animamos um pouco o tasco amarelo, volta a lista dos 100 melhores álbuns de 1973, agora com a promessa de a levar até ao fim, e agora também privilegiando fontes de áudio que permitam a escuta completa do disco em causa.
O n.º 100 vêm aí já a seguir.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Hoje temos aula de matemática na ZDB com os Equations

Hoje, o coletivo de Braga (e de Lisboa e do Porto, ok), vem à ZDB apresentar o seu segundo álbum, "SSSUUUNNN", uma lição de matemática prog que parece estar cada vez mais bem estudada. Primeira parte: Kilimanjaro e Marvel Lima. Bilhetes a 6 e 12 euros (este incluindo o disco dos Equations). Mais informação aqui.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Hoje e nos próximos dias: Putan Club

Está de regresso ao nosso país o duo franco-italiano Putan Club, de François R. Cambuzat (L'Enfance Rouge) e de Gianna Greco. Hoje não serão acompanhados de Lydia Lunch, a menos que haja alguma surpresa. Além do concerto no Lounge, hoje, o duo, que já esteve em Viseu na passada segunda-feira, vai ainda passar pelos seguintes locais:

sexta feira | 20 de Fevereiro | 23h
Quina das Beatas
Centro de Artes e Espectáculo
Praça da República, 39 - Portalegre
entrada: 3 euros

sábado | 21 de Fevereiro | 21h30
(+ Los Saguaros)
Casa da Cultura
Rua Detrás da Guarda, 26-34 - Setúbal
entrada: 3 euros

segunda feira | 23 de Fevereiro | 22h30
Projectil
Travessa da Rua do Caires, 39 - Braga
entrada: contribuições livres

terça feira | 24 de Fevereiro | 22h
(+ Tren Go! Sound System)
Cave 45
Rua das Oliveiras, 45 - Porto
entrada: 6 euros

quarta feira | 25 de Fevereiro | 22h
Mercado Negro
Rua João Mendonça, 17 - Aveiro
entrada: ?

quinta feira | 26 de Fevereiro | 22h
TBA
Beja

Duas geografias, duas realidades, duas belas crónicas

À partida, estes dois textos não têm nada a ver um com o outro, tirando o facto de os ter lido um após o outro, tirando o facto de descreverem realidades locais bastante distintas. Mas são de serem lidos:

No Rede Angola, a minha querida Aline Frazão, que anda em digressão por terras africanas, fala com paixão de Addis Abeba, capital da Etiópia, em "O segredo de Addis".

No Drowned in Sound, Dave Harper tem um texto hilariante sobre o circuito de salas independentes do Reino Unido: "What's it really like to tour around the UK's independent venues?"

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Konono nº 1 e... Batida?

Pois assim parece. Os congoleses Konono nº1, o grupo de músicos das ruas de Kinshasa que a Crammed ajudou a rebentar por esse mundo fora com o revolucionário "Congotronics", estão a trabalhar com Pedro Coquenão, o senhor Batida. Vem aí álbum e concertos, já muito em breve.
Aguardemos novidades!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

"A música, mesmo em condições de mercado relativamente adversas, continua a ter um papel central na vida das pessoas e na escala dos seus gostos e interesses"

Vale a pena ler a nota do José Jorge Letria, lutador de sempre e atual presidente da SPA, a respeito do estudo "Creating Growth-Measuring Cultural and Creative Markets in the EU", que o Grupo Europeu de Sociedades de Autores (GESAC) entregou recentemente à Comissão Europeia.
Depois, com mais tempo e mais calma, sempre se pode ir à procura do próprio estudo (por exemplo, aqui.)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Os dez mais dos poucos concertos deste meu ano

Foram poucos perante a oferta colossal que houve no ano. Pelas mais diversas razões -- umas boas, outras não tão boas, uma delas absolutamente indesejável -- falhei a maior parte do FMM, falhei o Valada, falhei o Primavera, falhei um rol imenso de datas individuais. Ainda assim, dá para fazer um topezito com dez momentos que me encheram os ânimos. Um topezito de concertaços:

1. TEHO TEARDO & BLIXA BARGELD @ Maria Matos, 12 de março
2. TRILOK GURTU BAND @ Castelo de São Jorge, 19 de junho
3. SUN RA ASKESTRA @ B.Leza, 2 de junho
4. GISELA JOÃO @ Castelo de Sines (FMM), 25 de julho
5. NICK GARRIE @ Musicbox, 11 de dezembro
6. THURSTON MOORE @ ZDB, 30 de março
7. THE EX @ Clube dos Ferroviários (OUT.FEST), 4 de outubro
8. PERE UBU @ ZDB, 4 de dezembro
9. KIMMO POHJONEN @ Tivoli, 11 de novembro
10. BOMBINO @ Largo do Intendente, 26 de junho

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A cidade vai arder esta noite

Tanta coisa boa (e obrigatória) a que ir:

Os PERE UBU regressam a Lisboa, 14 anos depois. Vai ser na ZDB e a lotação, a menos que haja desistência de reservas, está esgotada.

Os DEAD COMBO dão um daqueles concertos que promete ser inesquecível, no Coliseu de Recreios. O palco vai estar montado na plateia, o público vai dispor-se ao redor. (Curiosamente, já os vi neste formato, mas num espaço várias centenas de vezes mais pequeno.)

O MUSICBOX celebra os sete anos e a festa vai ser de partir os quadris. Destaque total para a presença de Brian Shimkovitz -- o autor do blogue mais notável de sempre, o AWESOME TAPES FROM AFRICA --, mas também para os FUMAÇA PRETA. A festa do Musicbox continua ainda pelo fim de semana (ver mais aqui).

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Até sempre, Sardinha

Morreu esta manhã Eduardo Sardinha.

A notícia acabou de chegar aos meus olhos neste momento. O choque é impossível de descrever e as razões para o sucedido desconheço-as. Só sei que o Sardinha era novo demais para desaparecer.

Conheci o Sardinha por volta de 1998, quando se ofereceu para ser o correspondente nortenho da Musicnet, que então eu dirigia. Desde essa altura e até ao fim do projeto, construímos cumplicidades e uma amizade fortíssima. Cada vez que ia ao Porto, encontrava um amigo que parecia conhecer desde sempre, um amigo que me recebia como poucos. Havia um respeito mútuo notável. E se o Sardinha era assim no conhaque, nem sei se vos consigo dizer como era no trabalho. Apesar de receber tuta e meia para fazer reportagens de vez em quando, ele era, de todos os colaboradores da casa, o verdadeiro jornalista, aquele que estava sempre atento à notícia, aquele que sabia o boato antes de ser boato, aquele que confirmava o boato antes de este já ser notícia por todo o lado. Desde o fim do projeto, afastámo-nos, Eduardo, e fui sentindo pena disso ao longo dos anos, mas que queres, é a vida, e a vida está sempre a andar para a frente. Até que pára, como agora parou para ti... Cedo demais.

Até sempre, meu amigo.

(Tem sido um ano difícil, este. Da família, dos amigos, as pessoas vão-me desaparecendo.)