segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #71-75

71. PERE UBU @ AULA MAGNA
26 de Setembro de 2000
Já lá vão quase dez anos e as memórias já não são muitas, tirando aquela que me diz que adorei o espectáculo e a do medo que cheguei a sentir pela figura imponente e autoritária de David Thomas no centro do palco. Espectáculo bom para se usar a expressão "foi medonho!".

72. RACHID TAHA @ FMM SINES
27 de Julho de 2007
Uma meia hora antes de subir ao palco, consegui evitar uma rota de choque com Monsieur Taha, no backstage. Logo a seguir, quando ele chegou ao catering, receei que se baldasse para cima do balcão a qualquer instante. "Não vai conseguir subir ao palco", imaginei, quando ainda me lembrava do vídeo que tinha chegado ao youtube semanas antes do espectáculo, com Taha inconsciente em pleno concerto. Enganei-me, porque a actuação do argelino e da sua banda foi uma das mais estrondosas desta edição do FMM. Houve "Barra", houve "Rock in El Casbah" e várias outras razões para não me esquecer desta prestação diabólica.

73. FAIZ ALI FAIZ @ FMM SINES
25 de Julho de 2008
No qawwali, música religiosa dos sufistas paquistaneses trazida ao resto do mundo pela voz de Nusrat Fateh Ali Khan, não é de todo necessário entender-se as palavras com que aqueles homens sentados no chão pretendem levar a comunidade de ouvintes ao wajd, ao estado de êxtase, ao contacto com Alá. Verborreia religiosa à parte, se Alá é aquilo a que a cerimónia de Faiz Ali Faiz desencantou, eu quero ser islamista (e, não vale a pena irem por esse caminho que estão a pensar: ao contrário de outras, aquela noite até foi serena nisso).

74. MÃO MORTA MALDOROR @ THEATRO CIRCO
12 de Maio de 2007
Estes eram os Mão Morta, mas não eram os Mão Morta. Não eram os Mão Morta do rock'n'roll vicioso, eram os Mão Morta de Maldoror, o livro que andava há anos e anos a pedir ao Adolfo e ao Miguel Pedro para ser trabalhado pelo grupo em palco. Destaco a estreia do projecto (ainda que esta tenha sido a segunda das duas noites no Theatro Circo), a primeira que vi Maldoror ao vivo. Escrevi na altura: "Maldoror, o espectáculo, é terrivelmente assombroso. A tarefa impossível de passar para o palco tudo o que é cantado por Maldoror, a personagem, na obra de Isidore Ducasse, encontra neste compromisso assumido pelos Mão Morta a solução ideal e, sem qualquer margem de dúvida, bem sucedida. A elegia do Mal, da repulsa, do nojo ('Estou sujo, roído pelos piolhos e os porcos quando olham para mim vomitam'), do humor mais negro (o comício de 'A Poesia') ilustrada no interminável mostruário (ou monstruário, se quiserem) de vícios e arrazoados de maledicência é capturada no essencial pela selecção de textos feita por Adolfo Luxúria Canibal, cabalmente sublinhada na música dos restantes Mão Morta, nos encadeamentos dramáticos encenados por António Durães e no desempenho de toda a equipa envolvida na produção (os figurinos é que podiam ser menos neo-gótico-industriais, convenhamos).

75. WRAYGUNN @ ZDB
1 de Julho de 2004
Sem coros de gospel, sem grandes produções, Wraygunn em versão rock'n'roll pura, numa sala feita para se suar.