quarta-feira, 9 de abril de 2008

Maldoror: a entrevista #3


(Ilustração de Isabel Lhano que acompanha a edição em CD de "Maldoror")

3. Falavas, na resposta anterior, nas salas que existem actualmente no nosso país, por contraponto com a situação de 1997. "Maldoror" não passou pelo Porto ou por Coimbra. Isso deve-se à inexistência de condições técnicas, de programação ou de interesse?

ALC: Um pouco de tudo!... O Porto está sem salas: a Casa da Música não tem condições técnicas (palco sem fundo e teia inexistente) para receber um espectáculo como o Maldoror; o Teatro Nacional de S. João e o Teatro Carlos Alberto têm a sua programação vocacionada exclusivamente para teatro e não têm condições técnicas (potência de som) para receberem grupos musicais; o Teatro Rivoli está entregue a um privado (La Féria) que o utiliza exclusivamente para as suas produções; o Teatro Sá da Bandeira não tem política de programação, para além de ser vetusto e estar sem manutenção; o Coliseu não tem política de programação... Quanto a Coimbra, o Teatro Académico Gil Vicente está descapitalizado (o que levou, inclusivé, o seu director a despedir-se na semana passada, por falta de condições para conseguir programar espectáculos para a sala - só tinha a dotação da própria Universidade, que cobre apenas as despesas correntes, e tanto a Câmara Municipal de Coimbra como o Ministério da Cultura contribuem com zero Euros!...) e não há mais nada!