terça-feira, 8 de abril de 2008

Maldoror: a entrevista #2


(Ilustração de Isabel Lhano que acompanha a edição em CD de "Maldoror")

2. Havendo já a experiência tida com "Müller no Hotel Hessischer Hof", tem sido mais fácil levar este espectáculo à cena, bem como tudo o que lhe está intimamente associado (disco e DVD)? Ou existem novos desafios agora colocados?

ALC: Bem, tendo em conta que o "Müller..." teve apenas seis apresentações em quatro cidades e que o "Maldoror" já leva oito apresentações e vai chegar às 11, visitando oito cidades, parece óbvio concluir que tem sido mais fácil levar este espectáculo à cena... E é verdade que, a nivel de equipamentos, o Portugal de 2007/2008 não é o mesmo Portugal de 1997: há muitas mais salas, embora grande parte sem condições mínimas, estruturais ou técnicas, para receber o "Maldoror" e a maioria sem dotação orçamental para fazer programação! Mas o que parece uma conclusão óbvia não é verdadeira: este espectáculo é muito mais complicado de montar, torna-se muito mais caro fazê-lo circular e é muito mais exigente quer física quer intelectualmente, obrigando a um grande esforço de todos os envolvidos. E se o duplicar do número de espectáculos em relação ao "Müller..." só foi possível pelo aumento de salas no país, há que acrescentar também, ou principalmente, uma maior teimosia em querer fazer o máximo de datas, e um grande empenho em o conseguir por parte da Chave do Som [NE: a agência dos Mão Morta], a ponto de se aguardar quase um ano desde a estreia para que as condições se propiciassem...