sábado, 26 de julho de 2008

Por entre o cansaço e a tristeza da despedida

Todos os anos é a mesma coisa. Chega-se ao último sábado do FMM e sente-se na alma (e no corpo!) a marca das dezenas de espectáculos e das centenas de experiências vividas ao longo dos dias que passaram com uma rapidez desumana. Começa também a chegar, por antecipação, a tristeza de saber que amanhã é domingo, dia de regressar à casa de partida, à vida pouco interessante, por comparação com estes dias, do resto do ano. A memória irá então seleccionar os momentos que farão regressar a esta edição do festival. A celebração hipnotizante do paquistanês Faiz Ali Faiz? A dança interminável ao son dos Orchestra Baobab? A cataclísmica Brucia Troia do Vinicio Capossela ou o apocalipse revisitado pelos KTU? A beleza comovente da folk das Winterset da nortumbrianas Rachel Unthank? A opulência harmónica da Flat Earth Society com o Jimi Tenor? A festança servida nas guitarras ngoni de Bassekou Kouyaté? A irresístivel capacidade vocal e dramática da checa Iva Bittová? O blues-cabaret dos Moriarty? A perturbante forja de sons ora contemporâneos ora ancestrais do Moscow Art Trio? E o que irá ainda acontecer hoje, com o quarteto da Erika Stucky a revisitar Hendrix, os israelitas Koby Israelite e Boom Pam, a Rokia Traoré, entre outros? E este nervosismo que começa a chegar por causa do Bailarico Sofisticado...
Dá vontade de ficar neste mundo de mundos todo o ano.