terça-feira, 13 de março de 2012

Vamos poder passar a fazer discos em casa?

Já nos anos 60, na Inglaterra ou nos EUA, havia pequenas cabines, parecidas com as das fotos instantâneas que hoje ainda encontramos no metro, e geralmente instaladas em lojas de discos, onde por uma pequena quantia, qualquer um podia colocar a sua cantoria num sete polegadas.

Parece impressionante que tenha passado tanto tempo até podermos (quase) fazê-lo em casa. Talvez a tecnologia nunca a venha a ser barata o suficiente para que possamos também com o vinil -- ou qualquer outro sucedâneo -- fazermos aquilo que já há largos anos podemos fazer com os CDs. Nem talvez haja o interesse suficiente para tornar isto possível, até porque o habitual consumidor de vinil é, ao mesmo tempo, o colecionador que valoriza, ao contrário dos outros, a genuinidade, que aceita pagar mais por uma edição original do que por uma reedição recente, mesmo que esta venha em 180 gramas, com som remasterizado, livro com a contextualização do disco na história da música, senha para descarregar a versão digital e outras regalias que tais. Naturalmente, tudo dependerá do interesse comercial que a tecnologia evolvente das impressoras a três dimensões, para já apontadas para o segmento industrial, especialmente no sector da engenharia da medicina, venha a ter nos consumidores particulares. Mas que há pistas que apontam nesse sentido, há.

Começa a tomar forma a ideia de termos em casa algo que nos devolva este velho apego por coisas materiais que a revolução digital parecia querer fazer abandonar. É, ironia do destino, a própria revolução digital a dar-nos de bandeja um regresso ao lado material da vida. O próprio Pirate Bay, o famoso site de torrents tem agora uma categoria com a designação "Physibles". Isso mesmo. Já se podem descarregar modelos para serem "impressos" numa das novas impressoras 3D disponíveis no mercado. Um boneco como este. Ou até mesmo a famosa máscara do Guy Fawkes. Afinal, por que razão hão de os "anonymous" deste mundo entregar dinheiro à Time Warner, que detém os direitos da imagem, de cada vez que compram uma máscara do Guy Fawkes, quando a podem descarregar livremente e imprimi-la em casa?

Então e discos? No ano passado, era apenas uma brincadeira de primeiro de abril. Mas a piada na tecnologia é mesmo essa. O que no ano passado é brincadeira, no ano que vem é consumo de massas. Ou qualquer coisa assim. Entretanto, vejam algumas das hipóteses para esta tecnologia, neste artigo recente da mashable.