segunda-feira, 8 de Setembro de 2003

Regresso ao passado #2: Crise Total

Conforme prometido, regresso a esta rubrica, não com a periodicidade inicialmente desejada mas antes a um ritmo quinzenal (assim espero). Para hoje escolhi uma das mais míticas bandas punk portuguesas de sempre, os Crise Total.
A informação acerca do grupo não é propriamente abundante nos dias de hoje (*), mas em meados dos anos 80, os Crise Total, juntamente com outras bandas, como os Ku de Judas ou os Grito Final, dominavam a cena lisboeta (e não só) do punk/hardcore. Vinham do Algueirão e, fazendo parte, se assim se puder dizer, de uma segunda vaga de punk na capital, depois do boom no final dos anos 70 com os Faíscas, os UHF ou os Xutos & Pontapés, eram, no entanto, dos primeiros a trazer o hardcore da costa Oeste norte-americana para salas de concertos nacionais como o Rock Rendez-Vous.
A formação inicial contava com Ampola, na voz, João Filipe, na bateria, Rui Ramos, na guitarra, e Pejó, no baixo. Tirando algumas participações em compilações, como uma do Rock Rendez-Vous onde entravam com o tema "Assassinos no Poder", nunca chegaram a editar um álbum nesta primeira fase de vida. Anos depois, já em meados da década de 90, alguns dos elementos regressaram com a banda e aí, então, gravaram o único álbum, "A Crise Continua" (a somlivre.pt ainda o tem à venda, na secção de hip hop... :>), integrando músicos dos Subcaos, que hoje estão noutros projectos como os The Mayhem Doctrine of the No Counts. O guitarrista da formação original dos Crise Total tem actualmente outro projecto, os Rolls Rockers, depois de ter passado pelos Profilaxia e pelos Feijão Freud (juntamente com Pejó).
Deixo-vos um mp3 de um tema ao vivo, gravado em 1984 no Rock Rendez-Vous. Esta foi uma das gravações piratas dos Crise Total com maior circulação. O tema chama-se "Autista" e, apesar de não ser um dos mais representativos do som da banda, era, creio, um dos mais requisitados. Lembrem-se, vai estar apenas disponível até ao próximo "Regresso ao passado" (o espaço não dá para mais).
(*) Valeu a preciosa ajuda do meu amigo João Rolo, que foi manager do grupo na sua "ressureição" nos anos 90.