sábado, 18 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 46, João Gilberto (rep.)



JOÃO GILBERTO
JOÃO GILBERTO (Brasil)
Edição original: Polydor
Produtor(es): Rachel Elkind
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Há, entre as muitas razões que poderíamos encontrar para voltar a ouvir este segundo homónimo do João Gilberto, uma que eu destaco em particular. Oiçam os arranjos simples (mas nunca pobres) e reparem na contenção (e na clareza) que Gilberto e o percussionista nova-iorquino Sonny Carr imprimem às canções deste disco. Confrontem isto com a tendência que, hoje, os artistas, os arranjadores ou os misturadores finais têm, de uma forma geral, para saturar a música de instrumentos que nada acrescentam e de efeitos que só estão lá para encher e, em última instância, para rapidamente fartar os nossos ouvidos. Talvez por esta razão tenhamos aqui um disco intemporal, que sabe bem ouvir com atenção -- quando foi a última vez que ouvimos um disco com atenção? -- no conforto do lar. Pormenor curioso: o, ou melhor, a engenheira de som que gravou Gilberto e Carr, num estúdio de Nova Jérsei, foi... Wendy Carlos, a pioneira dos Moogs. 47º da lista dos melhores discos brasileiros da Rolling Stone Brasil.