terça-feira, 28 de abril de 2015

100 de 1973, n.º 36, Som Imaginário (rep.)



MATANÇA DO PORCO
SOM IMAGINÁRIO (Brasil)
Edição original: Odeon
Produtor(es):
discogs allmusic YOUTUBE

Esta é uma das bandas com carreira mais curta e mais valiosa que o Brasil já conheceu. Nascidos no estado de Minas Gerais, como a banda de suporte de Milton Nascimento no início da carreira deste, os Som Imaginário chegaram a lançar por si próprios três álbuns de originais. O primeiro, homónimo, é uma daquelas obras imensas, incontornáveis, obrigatórias. Prog altamente chanfrado, lembrando a cena de Canterbury ou outros ingleses da altura como os Gentle Giant, mas com o toque local que os (bons) músicos brasileiros tão bem sabem imprimir ao que fazem. Neste "Matança do Porco", terceiro e último disco (não contando, portanto, com "Milagre dos Peixes - Ao Vivo", gravado com Milton Nascimento), a linguagem muda consideravelmente. O guitarrista e ocasional vocalista Frederyko, também conhecido por Fredera, estava de saída e Wagner Tiso assume a liderança do projeto. "Matança do Porco" é um disco essencialmente instrumental, à exceção do tema homónimo onde Milton Nascimento se entrega a uma arrepiante interpretação, característica daquela fase da sua carreira. É em várias partes um disco de orquestra, muito por culpa do tema "Armina", que se repete ao longo de três "vinhetas", mas, no essencial, "Matança do Porco" é um disco de fusão entre o jazz e o rock. Fusão que deixaria provavelmente envergonhada muita banda americana de pós-rock dos anos 90.