segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O futuro próximo de Lisboa, nos concertos e em tudo o resto

Hoje, uma espécie de conversa de rede social, a propósito das lojas de discos (ainda a respeito do roteiro das lojas de discos para turistas que nos visitam) fez-me lembrar uma outra conversa, esta ao vivo, com um gerente de um bar bem conhecido de Lisboa, tida numa noite em que éramos os únicos portugueses no bar que, àquela hora, se encontrava cheio de ingleses. Ele acredita que está a acontecer a Lisboa, ou melhor, ao centro de Lisboa, o mesmo que encontramos noutras cidades estrangeiras com grande afluxo turístico. Lembrou-se da experiência que tinha tido no centro de Roma. Pensando que iria encontrar in loco a loucura noturna dos italianos, ficou surpreendido por encontrar todos os bares cheios exclusivamente (ou quase) de... turistas estrangeiros. Roma, a cidade aberta, faz-se pelos que a visitam, não pelos que nela vivem. Pelo menos, no centro.

Talvez seja esse o próximo destino para o centro de Lisboa. Já se começa a ver hoje. Bares, salas de concertos, discotecas, lojas de discos, seja o que for, andam cada vez mais cheias de... turistas. O público de festivais urbanos, como o Alive, é cada vez mais composto por... turistas. Os restaurantes do centro estão todos os dias esgotados pelos... turistas. Os donos das lojas de discos vão comentando que aquilo que os safa é o que vendem a... turistas. Chega quase a ser difícil ouvir português nas ruas do Bairro Alto. Cada vez mais se vê reclames das lojas e outras iniciativas comerciais em inglês.

É mau? Não necessariamente. Não há, nestas palavras, uma ponta de xenofobia que seja. Lisboa abre-se e recebe os que vêm de fora, fazendo-os sentir em casa. Só por mesquinhez poderíamos colocar esta ideia em causa. Mas... quando nós, os que aqui vivemos com os nossos rendimentos mais baixos, não formos capazes de acompanhar a subida dos custos, que poderemos vir a fazer? Buscar alternativas. Por enquanto, aproveitemos este boom de bares, de salas de concerto, de festivais. Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos.