domingo, 19 de julho de 2009

Primeiras notas telegráficas do FMM: Porto Covo

(...que não há tempo para grandes elaborações neste FMM, Frenesi das Músicas do Mundo. Neste preciso momento, por exemplo, está o colectivo numeroso da Orquesta Típica Fernández Fierro em palco.)

O ponto alto destes primeiros dias em que o FMM desce à localidade de Porto Covo foi certamente Dele Sosimi, o nigeriano que transporta a ideia do afrobeat universal (kick race out of music, dizia-me ele há pouco). Esteve radiante perante a imensa plateia -- têm estado muita gente por aqui, contrariando as expectativas pessimistas da crise e da gripe --, aproveitou aqui e ali para comunicar em português (a minha amiga Lúcia tem dedo nisso, já sei também) e pôs quase todos a dançarem sem parar.
Os Ukrainians começaram por parecer uma banda mal ensaiada -- pareciam, aliás, duas bandas: secção rítmica para um lado, restantes músicos para o outro -- mas foram-se encontrando ao longo de um concerto em crescendo. E quando se puseram a tocar temas mais antigos, daqueles que hoje percebo terem de alguma forma ajudado a modelar os meus gostos na música, até arrepios senti. Não houve versões dos Smiths, mas foi tocado o "Anarchy in the UK". Ainda a respeito de ontem, sábado, uma referência ao magnífico guitarrista que acompanhava Victor Demé.
Na sexta-feira, os O'Questrada enfrentaram um palco que ainda não é o habitat deles, mas estiveram em grande forma (se calhar, até já se dão bem com este tipo de palcos). E, diga-se: só o sorriso de Miranda bastava para colorir esta abertura do FMM 09. Depois, no cabaret sofisticado de Rupa & The April Fishes couberam muitas músicas, cantadas em três ou quatro línguas diferentes e os Circo Abusivo continuaram com o ritmo em grandes revoluções, num terreno ora ska, ora surf, ora cigano, ora Manu Chao, ora Gogol Bordello.

(Despachando, que os argentinos estão quase a chegar ao fim, e também do fim se aproxima esta passagem do FMM por Porto Covo. Seguem-se dois dias calmos, com música apenas no Centro de Artes, para depois a coisa começar a crescer de dia para dia, cada vez com mais gente, ora no castelo, ora na praia. Vêm aí a melhor semana do ano.)