quarta-feira, 22 de julho de 2009

Mais notas, ainda mais telegráficas, do FMM: as noites do Centro de Artes

Ao meu lado, uma mulher batia com a mão no peito. Eu sentia os olhos a lacrimejarem. No palco, a israelita Mor Karbasi começava a cantar os primeiros versos de "Rua do Capelão", de Amália Rodrigues, num português magnífico, com um arrojo vocal de fazer cair os queixos. Foi o momento da noite, será certamente um dos episódios mais notáveis desta edição do FMM, mas o espectáculo da israelita, acompanhada por piano, guitarra eléctrica, baixo e percussão, não se resumiu apenas a tal. Se há noites para a qual a palavra beleza existe é para descrever tanto Mor Karbasi como o seu espectáculo. Vamos a ver o que aí virá, mas este foi, para já, o meu concerto preferido.
Continuando com juventude no cartaz desta segunda-feira, vieram os Portico Quartet, grupo de jazz de Londres que coloca no hang, uma espécie de steel drums com ar de woks fechados, embora muito semelhantes no som ao instrumento tipicamente caribenho. Apesar de todo o groove e virtuosismo do contrabaixista, é pena que nada de arrojado se oiça justamente dos hangs..
Depois de uma belíssima segunda-feira, a noite de ontem foi para esquecer. Os aromenos são provavelmente a pior banda que já passou pelo FMM (alguém se lembrou do Cui Jian, no ano passado, o que faz lançar a dúvida). Já a cabo-verdiana Carmen Souza foi bem mais interessante, sem conseguir porém que o formato cool jazz das suas deslumbrar.
Começam hoje os concertos no castelo e na praia. Vai rebentar!