terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Grande Baile da República na Alameda

Quase não há há lisboetas que se refiram a ela na toponímia completa, alameda D. Afonso Henriques. Basta "Alameda" e todos sabem situar o rectângulo verde coroado pela Fonte Luminosa que o Estado Novo ali construiu. O relvado amplo, que os locais utilizam para o desporto, desde o futebol até ao críquete, para fazer piqueniques ou juntar as diversas comunidades imigrantes que ali residem e que recentemente regressou à plenitude de outros tempos, com a parte ocidental reaberta depois de fechado o estaleiro das obras do Metro, é também utilizado com frequência para manifestações artísticas, principalmente concertos. Lembro-me, já lá vão mais de vinte anos, de uma Alameda repleta de gente para ver os GNR, então na curva ascendente da fama. Lembro-me de uma final de um concurso promovido pela RFM, em que os Ik Mux, um trio onde apareciam Armando Teixeira e Paulo Sousa Coelho, o vocalista dos More República Masónica, levaram o prémio depois de um concerto memorável. Lembro-me das celebrações da CGTP do 1º de Maio, que agora regressaram ali depois de um exílio forçado pelas obras, em particular de um concerto dos Sitiados. E tem havido muito mais. Recentemente, a Alameda tem servido também de palco para festivais e eventos de promoção da diversidade cultural, com grupos vindos do Brasil, do Leste europeu, dos países africanos de expressão portuguesa. E é bonito ver a zona em moro tirar proveito dos seus espaços comuns desta forma. É (qualidade de) vida.



Serviu esta introdução para informar que, no próximo dia 4, segunda-feira, véspera de um feriado muito particular, a Alameda vai receber mais uma grande festa. A Alameda que recebeu o nome de um rei, do primeiro dos monarcas, vai celebrar a república. A Câmara Municipal de Lisboa, a EGEAC e a Comissão do Centenário da República organizam ali o "Grande Baile da República", comandado pela música de Pedro Burmester, da Banda Sinfónica da GNR, do Real Combo Lisbonense, que convida Vitorino, Lenita Gentil, Jaime Nascimento e B Fachada, e dos brasileiros Orquestra Imperial. No papel de mestre de cerimónias desta festa da república, vai estar um ex-candidato a presidente, Manuel João Vieira.