domingo, 24 de agosto de 2008

O Kubik está de volta

Há nove anos, mais coisa, menos coisa, subi ao palco do cinema Trindade para entregar ao Victor Afonso, dito Kubik, o prémio que cabia à Musicnet atribuir no âmbito dos saudosos Prémios Maqueta. Naquela primeira maqueta, ainda gravada em cassette (que aqui guardo religiosamente), achei que o Victor, cujo traço biográfico que lhe conhecia na altura era o de ter sido baixista dos bizarros Nihil Aut Mors, já demonstrava uma competência técnica apurada na arte do corte e costura de sons provenientes de diferentes fontes e um sentido de humor sofisticado (e literalmente hitchcockiano) de tal forma que obrigava a ouvir os temas vezes sem conta, ora por puro prazer, ora por curiosidade em descobrir pedaços de sons e de ambientes que só ressaltavam depois de várias audições. Depois dessa altura, o Victor veio a evoluir nos discos que lançou e nos sucessivos trabalhos no cinema (na execução de bandas sonoras ao vivo para filmes de culto), nunca saindo muito do seu quartel-general na Guarda. Várias vezes o tentei trazer a Lisboa, mas quem acabou por ter essa sorte foi Mike Patton, que o convidou para a primeira parte dos Fantômas na Aula Magna. Falta agora o próximo passo, a edição de Kubik pela Ipecac, algo que já chegou a ser uma hipótese séria. Talvez este novo EP de Kubik ajude. Chama-se "How Blue Was My Sky", foi editado pela netlabel portuguesa MiMi e confirma aquilo que sempre vi no trabalho do Victor. Para o descarregar é ir por aqui.
(Já agora, o blogue do Victor: ohomemquesabiademasiado.blogspot.com)