sábado, 13 de março de 2004

UXU KALHUS: declaração de admiração incondicional

Sabe muito bem ser assaltado por surpresas como a que ontem apanhámos no Mercado da Ribeira. O Luís Rei tinha já dito que era imperdível e que, nesta área, poucos eram tão bons quanto os Uxu Kalhus, em Portugal. A primeira surpresa: a sala do mercado da Ribeira estava muito bem composta -- algumas duzentas ou trezentas pessoas -- quando lá chegámos, o que, para um concerto a pagar (5 euros) já começava a ser extraordinário. O público era essencialmente constituído pela juventude entre os 16-22 anos, mas foi progressivamente acolhendo os mais velhos, possivelmente habitués do festival Andanças, de S.Pedro do Sul. Segunda surpresa: (quase) toda a gente dançava. E bem! Todos sabiam o tipo de passo, o tipo de gestos a fazer, as alturas certas para as mudanças, etc. Ah, falta, claro, explicar que os Uxu Kalhus são um colectivo que interpreta várias danças de tradição portuguesa e europeia (e não só) e que tem uma capacidade imensa de transmitir a sensação de folia e animação ao público. Todas as pessoas que ali estavam (com o tempo, a assistência deve ter chegado às mais de cinco centenas), das mais novas às menos novas, dançando ou no descanso, transportavam nos rostos sorrisos rasgados. Parar era palavra quase proibida ontem. Os Uxu Kalhus devem ter tocado mais de três horas e terminaram (terão mesmo terminado?) com uma jam session de mais de meia hora assente numa linha de baixo reggae para o "Seven Nation Army", dos White Stripes...!! Antes, além dos viras, dos corridinhos, das valsas, dos jigs e dos reels, e de uma série infindável de diferentes danças, já tinha sido tocada a música árabe que Del Shannon recupera na banda sonora do Pulp Fiction, aquela outra francesa (?) que inspirou Riny Luyks para um dos melhores temas dos Lucretia Divina ("Romagem") e até mesmo o Dartacão! Foi uma noite incrível.
O que mais importa saber agora é onde que é a próxima!
(Desculpai o tom atabalhoado da escrita, mas o entusiasmo ainda é tão grande quanto a ressaca, e a mistura de ambos não permite muito mais que um amontoado de palavras...)