quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os sete pecados capitais do Barreiro Rocks

Vaidade
O Barreiro Rocks também tem um lado social, quando se transforma em palco para o desfile de personagens como aquelas de que o Nick Nicotine falava ao Mário Lopes, "gente que se destaca entre a multidão, que ignora ou desdenha este ar dos tempos que tanto puxa para a banalidade do politicamente correcto e do 'parecer bem'. Gente que, de alguma forma (habitualmente exuberante), deixa marca". E depois também há os hipsters, que não deixam marca alguma, mas também não fazem mal a ninguém e dão colorido ao fim-de-semana.

Inveja
A gente do Barreiro é gente de trabalho, gente que faz as coisas acontecer, gente que organiza três festivais de categoria (além do BRR, o Out.Fest e o Barreiro Outras Músicas), gente que se multiplica por bandas. E se há coisa que um bom português gosta de fazer, além de chorar pelo que não tem ou pelo que julga que não tem, é de invejar a galinha da vizinha. Os mais inveterados neste pecado fazem melhor em não atravessarem o rio neste fim-de-semana.

Ira
Há melhor forma de descarregar as iras da semana de trabalho do que numa maratona de concertos de rock estrepitante? Há: pegar numa caçadeira e desatar a disparar em todas as direcções, mas não é a mesma coisa. E provoca baixas.

Preguiça
Há quem se vanglorie de ir a festivais de rock no estrangeiro mas que nunca tenha atravessado o rio para ir ao Barreiro Rocks. Ok, ok, as dimensões são diferentes. A oferta é diferente. Mas parecem sempre estranhas aquelas alturas em que o Ferroviário aparenta ter mais espanhóis do que lisboetas. GENTE, HÁ UM BARCO QUE DEMORA VINTE MINUTOS A ATRAVESSAR O RIO.

Ganância
Há vezes, como aquelas em que olhamos para a banca dos discos, que os valores materiais invadem todo o desejo. Nessa alturas, o que mais ambicionamos é poder levar todos aqueles discos para casa.

Gula
Quem vai ao Barreiro Rocks, vai porque tem um desejo insaciável por música. Vai ao que sabe, mas também quer do que não sabe. E quando acaba de tocar o nome principal da noite, quer-se o regabofe da after-party, quer-se ouvir os sete polegadas do Shimmy. Quer-se mais, mais, mais. E a organização não pode sequer imaginar que os barris de cerveja cheguem à última gota, porque não há fim à vista para a gula desta gente.

Luxúria
Ora, é um festival de rock, gente. E o rock é carnal desde o dia em que nasceu, na insinuação ou na prática. O Joca (ex-Green Machine, actual Alto!) chega a escrever na Vice que "há pessoas a foder nas casas-de-banho". É apenas rock'n'ROLL.


Sexta-feira e sábado, no Clube Ferroviário, mesmo ao lado da estação de barcos do Barreiro. Mais informações em www.barreirorocks.org.