quarta-feira, 11 de abril de 2007

Um café e um tubarão, sff

Aqui há tempos, para mais de quatro anos, eu e um grupo de amigos de Évora e Lisboa, lançámo-nos ao desafio de produzir um festival de música (e não só!), ali para os lados da raia alentejana. Tínhamos a nosso favor -- e não falo tanto por mim, mas pelo grupo -- a experiência de produzir eventos de grandes dimensões, o conhecimento dos canais de comunicação, o conhecimento do meio empresarial potencialmente virado para uma aposta nesta ideia, enfim, tínhamos uma base sólida de experiência para nos arrogarmos ao direito de iniciar tal empreitada.

O conceito do festival resumia-se a uma simples ideia profundamente enraizada nos hábitos quotidianos de qualquer português: o café. Na música, apostar-se-ia essencialmente na vinda de artistas provenientes de países produtores de café. Paralelamente, noutros campos de expressão artística, o plano previa também outras coisas como exposições, peças de teatro, etc. A unir tudo isto, um mínimo denominador comum, o café.

Juntou-se uma equipa de programadores com experiência sólida na área, tendo-se chegado ao contacto com agentes internacionais, dispostos desde logo a garantir confirmações dos seus representados num festival com esta filosofia. Esboçaram-se business plans. Chegou-se a avaliar duas ou três hipóteses de espaços com potencial para a realização do evento. Fizeram-se diversas reuniões com a Brandia, responsável pela gestão de imagem da Delta Cafés, aquela que foi a primeira opção -- embora não a única -- para um eventual patrocínio. Um patrocínio que seria mais proveitoso do ponto de vista da utilização da imagem reconhecida da marca, dos canais de comunicação que eficientemente usa, do que propriamente do ponto de vista financeiro. Estabeleceram-se contactos com a Região de Turismo, com a presidência da câmara da cidade alentejana onde se desenrolaria o festival e com outros agentes locais. Em nenhuma destas apresentações nos foi fechada a porta. Pelo contrário, houve sempre interesse na ideia, ainda que, do ponto de vista prático, e para nossa pena, a realização viesse a ser adiada de ano para ano, à espera que todos os envolvidos passassem do interesse à vontade. Até que a equipa acabou por se ir desmotivando aos poucos e poucos.

Vem isto agora à tona da água por causa da notícia recentemente revelada no site do Blitz: a Delta vai patrocinar este ano um festival com artistas oriundos de países produtores de café, numa organização pertencente à Música no Coração. Chamaram-lhe Festival Delta Tejo, talvez porque não gostassem do nome anterior, talvez porque esse fosse intocável, já que se encontra registado.

É a vida.