sábado, 13 de janeiro de 2007

Uma nova vida para a ZDB?

Já lá vão mais de 12 anos desde que um grupo de artistas fundou a Galeria Zé dos Bois. Ao longo de todo este tempo, o projecto tem vindo a albergar e a promover iniciativas artísticas e intercâmbios culturais de uma forma que sempre foi além da simples exposição de objectos, como o nome Galeria poderia erradamente deixar pressupor. Linguagens como a da música ao vivo, da performance dramática, entre muitas outras, têm tido o seu espaço pelos diversos locais em que a ZDB já se instalou. E, muita das vezes, permite-se (e, mais, estimula-se) o cruzamento sadio entre estas mesmas linguagens e até entre os diferentes públicos. E depois ainda há o trabalho de retaguarda, como as residências para criadores (e os intercâmbios com projectos congéneres no estrangeiro), a criação de raiz de projectos artísticos ou as salas de ensaio para bandas como os Cool Hipnoise ou os Dead Combo, entre várias outras que por ali já passaram.

Desde o início, como dizia acima, a ZDB tem sabido dar espaço à música ao vivo. Mas certamente que não passa despercebido o trabalho que veio a ser desenvolvido desde, mais coisa, menos coisa, o Verão de 2003. Aquilo que antes eram apresentações mais ou menos regulares de alguns músicos, essencialmente portugueses, transformou-se numa programação recheada de inúmeros concertos todas as semanas, com alguns dos nomes mais cativantes da música subterrânea europeia ou norte-americana, atravessada por vezes, por algumas piscadelas de olho às músicas provenientes de África e não só. Nem toda a gente o saberá, mas esta etapa da vida da ZDB teve dois rostos, os dos programadores Pedro Gomes e Nélson Gomes, que agora deixam a casa. Eles já prometeram que vão continuar a apostar com garra na vinda de bons nomes a Portugal. O corte com a ZDB não é também total, já que vão continuar a produzir uma noite por mês (Hospitals e Lobster, a 8 de Fevereiro, tem a mão deles, e muita coisa boa, daquela que ainda não se pode dizer, virá em breve, tomem nota).

Resta deixar uma nota de incentivo aos Gomes para continuarem com o bom trabalho, por um lado, e também ao Manuel Poças, sobre o qual recai agora a responsabilidade de continuar a tocar o barco da ZDB para a frente. Força Manel, o povo está contigo!