sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Um sábado daqueles, em Lisboa

Para quem estiver por Lisboa e puder, a noite de amanhã oferece dois ou mais motivos para sair e curtir como se não houvesse domingo. Há concerto a não perder no Lounge, há concertos a não perder no Musicbox. Talvez as duas coisas não sejam inteiramente conciliáveis (quase de certeza que serão), mas aqui fica o conselho.

Vamos por partes. Primeiro, o Lounge recebe os franco-italianos L'Enfance Rouge. Quem por aqui passa com alguma regularidade, sabe que nunca poupei palavras a descrever os concertos deste "trio-poder", ora quando estiveram junto à praia de Sines, no FMM 2009, acompanhados dos músicos tunisinos que então ajudaram a fazer o magnífico "Tràpani - Halq Al Waady", penúltimo álbum, ora quando passaram pelo Musicbox, na última edição do Festival Terapêutico do Ruído. Nesta segunda vez, escrevi na altura palavras carregadas de um entusiasmo que até hoje mantenho:

“Os L'Enfance Rouge não são franceses, como dizem por aí. Não são italianos, como sugerem os nomes Locardi e Andreini, a secção rítmica. Não são europeus, como disse o Thurston Moore quando lhe chamou uma das melhores bandas do velho continente. Não são tunisinos, como podia indicar o álbum anterior e a formação com que chegaram há dois anos a Sines. Os L'Enfance Rouge são uma raça alienígena proveniente de um planeta longínquo. Planeta de cujo o mais insigne espécie até cá chegado dá pelo nome de Steve Albini, compreendem? São daquela sociedade em que as crianças aprendem Black Flag na creche, Swans na primária e Big Black no ciclo, enquanto em simultâneo resolvem de cabeça inequações de 967º grau. Na verdade, os L'Enfance Rouge não existem. Ontem, no encerramento do Festival Terapêutico do Ruído, o que houve foi uma magnífica alucinação colectiva que vai ser motivo de conversa para muitos anos.”



Depois, manda este vosso amigo que se ponham a andar para o Musicbox. Em mais uma noite do festival patrocinado por uma marca de uisge beatha de bom gosto (ei, a propósito, hoje há Tom Vek) vão lá estar, entre outros, a Owiny Sigoma Band, os portugueses Tigrala e um DJ set que muito promete, pelas mãos dos The Very Best e com a voz do MC Mo Laudi. A Owiny Sigoma Band é um dos casos mais felizes de interesse ocidental pela música africana, em particular pelo Quénia. Notem que não é música benga, como se escuta na colaboração dos Golden com músicos dos Quénia, que resultou nos Extra Golden, mas é igualmente viciante. Reza a história que, em 2009, um conjunto de músicos londrinos viajaram para Nairobi para colaborar com músicos locais. Houve gravações que chegaram às mãos de Gilles Peterson, que logo as editou através do seu selo Brownswood. Veio depois um álbum (aproveitem a ocasião para comprá-lo, que vale bem a pena) e remisturas de tipos como o Theo Parrish, o Quantic, etc. É um privilégio único poder tê-los aqui num palco próximo de nós. Privilégio também será o de poder dançar às batidas dos The Very Best. Não fiquem de pé atrás por ser DJ set. No ano passado, o Radioclit e TVB Johan Karlberg também passou por um Baile na Lx Factory que, além de desafiar o próprio conceito de DJ set, ajudou a produzir uma festarola inesquecível. Com eles vem Mo-Laudi, MC originário da África do Sul, que rebentou em Londres e agora vive em Paris (escutem-no aqui). E ainda há Tigrala, a superbanda de Norberto Lobo, e mais gente nos pratos (Granada e Medásosangue). Querem mais do que isto para saírem de casa?