quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ainda se toca nos liceus?

Aqui há dias, por ocasião da festa da Bíblia no MusicBox, recordava com o João Morais (hoje nos Gazua) o nosso tempo de adolescentes, nos anos 80, quando frequentávamos as festas das escolas secundárias, para ver concertos dos Corrosão Caótica (a banda do João, na altura), dos Derniére Cri, dos Fart (do Casanova -- por onde andas, pá?), dos Tropa Morta, dos "meus" Gatos do Telhado, ... Em Lisboa, e estou certo que por todo o país, as associações de estudantes alugavam PAs manhosos, improvisavam palcos e metiam bandas a tocar durante festas que ocorriam, na maior parte das vezes, ao sábado à tarde. Nos pátios ou nos pavilhões das escolas, juntava-se gente do punk, do hardcore, do heavy metal, da pop mais imediata à de aspirações mais épicas, tudo o que havia de fresco a sair das salas de ensaio. A malta ia até à António Arroio, até à secundária dos Olivais, só para citar algumas das que ainda não desapareceram da memória. Dos subúrbios, chegavam ecos de bandas que despontavam precisamente nesse meio escolar, como os Vómito, de Queluz, futuros Peste & Sida. Na minha escola, a dos Anjos, durante os anos em que fiz parte da AE (o cargo de presidente de Conselho Fiscal abria-me portas para poder avacalhar, como então se dizia, com a rádio do bar), cheguei a participar activamente na organização de duas festas com imensos concertos (e também muito de, já sabemos, testosterona a saltar das borbulhas, álcool e outras drogas, a combinação química irresistível de qualquer festa do secundário). E, ao escrever isto, lembro-me do Sr. Mário, porteiro da escola, de ar sempre sério, sempre distinto, de fato e gravata, a preencher todos os espaços possíveis do seu Austin Mini com o kit de bateria que arranjámos para o primeiro desses festivais... Ou dos góticos com ar medonho -- um deles transportava um candelabro -- que apareceram por lá. Ou da polícia, ainda mais medonha, que fechou uma das festas.
Mas não é tanto de nostalgia que pretendia fazer esta postagem respirar. Mais importante, a questão que ficou da conversa com o João, e sem qualquer segundo sentido, é a seguinte: será que ainda existem, hoje, concertos nas escolas? E como são? Sessões de freestylin' e outros apontamentos na área do hip hop ou vai-se além disso?