sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dead Can Dance: os bilhetes voam (e há quem tire todo o proveito disso)

E a história repete-se. Neste momento, já restam poucos bilhetes para o concerto dos Dead Can Dance, no Coliseu dos Recreios, a 28 de maio do ano que vem. Falta mais de meio ano para o espetáculo e dos milhares de lugares que a bilheteira disponibilizou há pouco, já restam apenas algumas dezenas (um pouco mais se contarmos com o espaço da galeria, o tal galinheiro que devia, a bem do respeito pelo público que cai no erro de lá ir parar, nunca ser aberto).

Eram caros, não eram? Não interessa. Fazemos com que voem num instante. Mesmo que com a pressa de carregar nos links da bilheteira online, quase nem nos apercebamos de um passo muito curioso e seguramente importante para este negócio. O custo de operação. A bem da verdade, a maior parte de nós já se habituou a isto, mais ou menos desde a altura em que as bilheteiras dos espetáculos (online e físicas) passaram a ser centralizadas em duas ou três empresas.

A concentração do negócio de bilhetagem, bem como o avanço tecnológico que veio a permitir a compra dos bilhetes sem a deslocação dos compradores (nem mesmo do bilhete!), devia trazer uma maior eficiência ao sistema, uma redução de custos de operação, certo? Errado. Como em qualquer outro negócio, se é o cliente a suportar os custos de operação, não é a operação que determina o valor destes, mas o cliente, que os paga. Nem tuge, nem muge.

Reparem, por exemplo, nos bilhetes para Dead Can Dance. 40 ou 50 euros já é um preço de uma extravagância fora de comum, mas atenção que a estes valores ainda tem que somar mais 6% de custos de operação. Seis por cento. É realmente uma operação muito complexa, para custar tanto.

E, atenção, são mais do que 6%. Porque a estes 6% o cliente ainda tem que somar o IVA, à taxa de 23%. O que leva a uma constatação curiosa: já repararam que vão pagar IVA de IVA?