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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Anominous

Breve interrupção na ausência de animação por estas bandas só para avisar que os Pop Dell'Arte tem tema novo e isso é, claro, acontecimento. Olhai o teledisco acabadinho de estrear:

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dizem os chineses, e com razão, que a palavra é prata e o silêncio é ouro

Começa amanhã, ao fim da tarde na esplanada do Povo, ao Cais do Sodré, mais uma edição do Festival Silêncio. De 26 de junho a 1 de julho, cinco espaços da cidade de Lisboa -- MusicBox, Cinema São Jorge, Pensão Amor, Povo e Fundação José Saramago -- vão receber espetáculos, conversas, sessões de leitura, cinema, etc. Na música, o destaque da edição deste ano vai para os espetáculos dos Irmãos Demónio, grupo formado especialmente para o festival por Filho da Mãe, Hélio Morais, Quim Albergaria e Kalaf, dos Poetas, coletivo recuperado aos anos 90 por Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, entre outros, dos Pop Dell'Arte, com "Neurotycon", um espetáculo de spoken word, e dos Mão Morta, com "Bate Papo", um reportório especialmente inclinado para a spoken word. Mas há muito mais ao longo desta semana. Fica aqui a parte do programa dedicada aos espetáculos:

26 de junho
18h30 - Festa de abertura @ Povo
21h30 - O fado dos poetas @ Povo

27 de junho
23h00 - Irmãos Demónio @ MusicBox

28 de junho
22h30 - A invenção do dia claro @ MusicBox
23h30 - Beat Hotel @ MusicBox

29 de junho
22h00 - Os Poetas, Entre nós e as palavras @ São Jorge
23h30 - 2Morrows Victory @ MusicBox
00h30 - Capicua @ MusicBox
02h00 - Noite Príncipe #5 @ MusicBox

30 de junho
17h00 - Campeonato de Scrabble @ Povo
22h00 - Pop Dell'Arte, Neurotycon @ São Jorge
22h30 - Silva O Sentinela + Poetry Slam Portugal + Joshua Idehen @ MusicBox
01h30 - Combo Nuevo Los Malditos (Festa de encerramento) @ MusicBox

1 de julho
22h00 - Mão Morta, Bate Papo + Joshua Idehen @ São Jorge

Programa completo e outras informações em www.festivalsilencio.com

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Recordando o Ritz

Na sequência ainda da notícia dada há pouco, a respeito da reabertura para breve do Ritz Club, lembrei-me de alguns episódios passados naquela sala, durante os anos 90:

Passagem de ano com os Irmãos Catita, já lá vão uns 20 anos. Absolutamente gloriosa, com tudo o que se quer de uma passagem de ano.

Gaiteiros de Lisboa, em 98 ou 99. Havia pouca gente, tão pouca que o Carlos Guerreiro lembrava ao público que era aquela vida que se arriscavam a ter se se metessem na música. Entre os inúmeros concertos dos Gaiteiros a que assisti, este foi provavelmente o mais íntimo, o mais cómico e, claro, um dos mais interessantes.

Tédio Boys, em 98 ou 99. Aquilo que diziam dos concertos dos Tédio Boys era verdade. A puta da loucura.

Will Oldham, em 97. Ainda não tinha adotado o nome Bonnie 'Prince' Billy e era ainda conhecido como o vocalista desafinado dos Palace Music ou Palace Brothers. Mas o Ritz estava cheio (pode ter ajudado o facto de a entrada ser gratuita...)

Pop Dell'Arte, em 14 de novembro de 1999. Fui com o Adolfo Luxúria Canibal, a quem o João Peste, ao vê-lo na assistência, desafiou para subir ao palco para cantar o "Juramento Sem Bandeira", tantos anos depois da última vez que o fizeram. Não me lembro se o Adolfo subiu, mas se o fez, foi contrariado (acho que subiu). Salvo erro, era também um dos primeiros concertos dos então novos elementos do grupo.

Final do concurso/festival 365, organizado pelo Alvim e ganho pelos Slamo. Fiz parte do júri e, caramba, Alvim, aquilo durou até quase de manhã...

Chokebore, em abril de 1998. O concerto dos americanos serivu à minha primeira reportagem para a Musicnet e o entusiasmo era tanto que foi também a primeira entrevista, ali feita à pressão, no papel e com perguntas da treta.

Na memória, mas num recanto mais difícil de recuperar, ainda pairam outras atuações: Sérgio Godinho, Hipnótica, Rollana Beat, etc.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Hoje e quinta são dias de Pop Dell'Arte

Hoje, porque daqui a nada, pelas 22h, o Henrique Amaro mete os Pop Dell'Arte no estúdio da Antena 3, para no Portugália falarem do "Free Pop", da sua mais recente reedição e de outras coisas sobre as quais mereça a pena serem gastas palavras. Na quinta, porque eles vão estar ao vivo no MusicBox, para o lançamento dessa mesma reedição, e segundo consta, tocarem o álbum na íntegra. Entradas a 12 euros (Adolfo Luxúria Canibal não incluído).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vocês sabiam que...

...a ideia dos concertos Don't Look Back já chegou cá? E da melhor maneira possível: os Pop Dell'Arte vão tocar o "Free Pop" na íntegra, já na próxima semana, dia 9 (é uma quinta-feira), no MusicBox. Não há como perder isto. Os bilhetes custam 12 euros e já estão à venda.

Onde estavam vocês em Dezembro de 1987?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Por falar em preços

Há que saudar o empenho da promoção do espectáculo de hoje a oito dias (*) dos Pop Dell'Arte, na Culturgest, em renovar a base de fãs do grupo, através da aposta na juventude pré-30, que pode assistir ao concerto com um bilhete de cinco euros, ao contrário dos mais velhos que, a menos que tenham um cartão de crédito do banco que gere a instituição ou que sejam mesmo bastante mais avançados na idade, terão de pagar... 20.

(*) Por lapso, induzi em anterior postagem, que o concerto era hoje. Pop Dell'Arte na Culturgest é no dia 17 deste mês, ou seja, na quinta-feira da próxima semana.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Senhoras e senhores, do meu lado esquerdo, vestindo calção preto, os Mão Morta, do meu lado direito, vestindo calção multi-colorido, os Pop Dell'Arte!

Aqui há uns tempos, embalado pela febre do "Don't Look Back", a série de eventos que a boa gente da ATP vem promovendo desde 2005 para cá, com bandas a tocarem ao vivo os seus álbuns de referência, um radialista conhecido achava que devíamos mover influências para termos os Mão Morta e os Pop Dell'Arte, como primeiro exemplo, a actuarem num mesmo palco, tentando recuperar as memórias de outros tempos. Torci desde logo o nariz à ideia. Não só gosto de preservar a ideia de que a água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte, como acho que, naquele exemplo concreto, ao trazer de novo à luz do dia uma boa memória de um passado bonito como foi aquele que juntou as duas bandas no início, e tentar fazê-lo existir de novo, corríamos um certo risco de invocar a... maldição da esfinge.

Mas, entretanto, o reencontro entre Mão Morta e Pop Dell'Arte em palco vai mesmo acontecer. São, à partida, concertos distintos, esperando-se que haja pelo menos um "Juramento Sem Bandeira" a meias entre o Peste e o Adolfo, e vão acontecer em mais uma edição do Clubbing da Casa da Música, no próximo dia 2 de Outubro. E há muito mais a acontecer. Na sala Suggia, há cinco bandas: Sektor 304, The Mad Dogs, OliveTreeDance, Plus Ultra e Pequeno Bandido. Há ainda uma actuação de Sei Miguel, deejaying de Klint Gonzev e Joe K, mais um set especial de Álvaro Costa a meter... kraut! Sim, o Álvaro Costa promete uma noite de kraut! A entrada vai custar 10 euros. Mais informação aqui.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Contra Mundum, Dada Pro Semper



"Contra Mundum", contra tudo e contra todos, como um manifesto de independência total? É certo que os Pop Dell'Arte nunca foram uma banda comum, uma banda igual a tantas outras. Talvez seja até arriscado falar-se nos Pop Dell'Arte enquanto banda, dada a dificuldade que encontramos na comparação com as carreiras de outros projectos, dados os vários interregnos de percurso, dadas as várias mudanças de formação, dadas as posições de militância à margem do circuito comum. Contra as expectativas que o público e os meios constroem ao redor de uma banda, o projecto de João Peste (e de Zé Pedro Moura, novamente) procurou sobreviver ao longo destas mais de duas décadas, sem nunca se vergar a terceiros, chegando a cair por vezes no esquecimento das gerações mais antigas de fãs, surgindo a parte do público mais jovem como algo que não eram mais do que "uns gajos estranhos do tempo dos irmãos mais velhos", perdendo até, sejamos explícitos no que ao negócio da música diz respeito, valor de mercado. Mas sempre sem vergar. Não é tão raro assim ocorrer-me a expressão "não deixar cair os parentes na lama" quando penso nos Pop Dell'Arte, talvez até porque a tenha chegado a ouvir, em tempos e a propósito da carreira do grupo, da boca do próprio João Peste. Aquelas palavras podem ser expressão de altivez e soberba, quando quem o diz não tem obra que as sustente, ou de mentira, quando todos vemos que a dignidade se perdeu pelo caminho. Mas poucos, pouquíssimos projectos, por cá ou lá fora, conseguiram manter a dignidade, manter os seus parentes enxutos como os Pop Dell'Arte conseguiram.

"Contra Mundum" já seria um álbum brilhante mesmo sem este contexto, mas talvez este próprio percurso pouco comum dos Pop Dell'Arte possa ajudar, pelo menos em parte, a perceber como é que chegámos, quase 23 passados da edição de "Free Pop", a um conjunto tão ímpar de canções como este. Sabe bem ouvi-lo, depois de todos estes anos de espera, depois de avanços e recuos na edição do sucessor de "Sex Symbol" (1995), que chegaram a criar o ritual anedótico da habitual notícia anual do novo álbum de originais dos Pop Dell'Arte. Mas, se a espera serviu para alguma coisa, ajudou pelo menos a que o resultado fosse um disco extremamente cuidado nas composições (sempre o mais importante, não será assim?), na produção, nos mais pequenos detalhes, na voz perfeita de João Peste.

Haverá talvez quem da escuta deste álbum saia aborrecido por aqui não encontrar grandes evidências de rompimento com o passado. Muito do que aqui escutamos já conhecemos de outras vidas do grupo. Mesmo até o namoro, aparentemente recente, com a boémia dançante, em que o novo single "Ritual Trandisco" surge como paradigma perfeito dessa relação, é algo que já os Pop Dell'Arte sabiam fazer, e bem, desde "Querelle". Os temas abordados, amor, sexo, religião, ficção científica e a postura sempre, sempre dada fazem desde há longo tempo parte do código genético dos Pop Dell'Arte.

Voltando atrás, o que, no fundo, torna "Contra Mundum" um disco especial são as composições, as canções. Há aqui canções que valem bem o tempo que se esperou para se poder ouvi-las. Canções que nos levam a ouvir o disco vezes sem fim, numa espécie de ritual antigo, do tempo em que éramos crianças ou adolescentes e de vinte em vinte minutos nos levantávamos para virar a agulha ou o lado da cassette. E de tão boas que são, vale mesmo a pena dissecá-las um pouco mais do que é habitual:

1. Ritual Transdisco. O single de apresentação de "Contra Mundi" arranca em primeiro no alinhamento. Os Pop Dell'Arte voltam ao clube, às pistas de dança, dando seguimento ao percurso iniciado no funk-punk de "Querelle", primeiro disco do grupo (1987), e que passou, entre outras paragens clubísticas, pela house em "MC Holly" (1991) ou na mais recente versão de "No Way Back" (2008), para não falar da atenção que alguns dos temas do grupo tem merecido por parte de editoras e projectos lá fora nos últimos tempos. Mas se Campo de Ourique fosse Brooklyn, já teríamos, mesmo antes do álbum sair, metade do rooster da DFA a fazer versões e remisturas de "Ritual Transdisco" (e de vários outros temas deste disco), acreditem. É um groove de 100 BPMs magnífico.
2. My Rat Ta-Ta. Uma valsa dada, com a voz nasalada de João Peste a encaixar na perfeição. Faz lembrar outros momentos da história do grupo, como a versão de "Little Drummer Boy" ou "Poppa Mundi". Atenção, o refrão vai ficar no ouvido. Dá vontade de o cantar pelas ruas soalheiras destes dias. Dá vontade de pegar nos braços de um(a) estranho(a) para dançar.
3. Wild'n'Chic. Há uma parte da crítica internacional que, sempre que apanha um grupo independente que ao terceiro ou quarto álbum produz uma obra pop de contornos arrojados, faz títulos com "(Nome da banda): os próximos U2?". Aconteceu com os Cure, aconteceu com os Radiohead, aconteceu há pouco tempo com os The National. A que propósito vem isto? É que este "Wild'n'Chic" é, por excelência, um tema que encaixa bem nesta definição. Pop épica, com guitarras em sustain, e outros instrumentos a entrarem, compasso a compasso, e a produzirem crescendos, quase com sabor a hino ("wild'n'chic, we are so wild'n'chic, we are the ones"). O Brian Eno passou pelo estúdio e ninguém se deu conta.
4. Slave for Sale. De volta à pista de dança e ao funk-punk, a baixas BPMs, num terreno que, uma vez mais, não é nada estranho aos Pop Dell'Arte, tanto na música como no tema sexo, que transpira ao longo de toda a faixa. The biggest dick in San Francisco, the biggest dick in San Francisco.
5. Noite de Chuva em Campo-de-Ourique. Algo que também não é nada estranho aos Pop Dell'Arte: João Peste a cantar a capella um poema de amor.
6. Eastern Streets. Mais dança. O baixo e a bateria continuam a mandar, mas agora com um toque latino-exótico-bongolândia nas percussões e numa guitarra que entra de vez em quando e que parece marcar os passos de dança, como se fossem pegadas desenhadas num tapete de aprendizagem. Irresistível. Rituais de tambores, rituais de estranhos prazeres (...) Ao longe oiço os passos de um marinheiro louco, dançando ao luar
7. Mr. Sorry. Surge naturalmente na sequência de "Eastern Streets". Há qualquer coisa neste som da guitarra que lembra os Pop Dell'Arte, bem como outros grupos da Ana Romanta, dos anos 80.
8. Diary of a Soldier (I Saw U Dancin'). Um piano e um ambiente planante de banda sonora e Peste em registo melancólico.
9. (How I Miss Your Furious Kisses) In My Room. Mais funk estrambólico à Pop Dell'Arte, no tema mais curto do álbum.
10. Electric G. Por aqui paira, aposto, Philip K. Dick. E quem fala em K. Dick, tala também em Gary Numan. Talvez. Não é coisa que seja estranha nos Pop Dell'Arte, nem tão pouco a forma de cantar de Peste neste tema.
11. La Nostra Feroce Volontà D'Amore. E por aqui parece pairar outro dos heróis de Peste, Scott Walker, num tema cantado em italiano sobre loops de orquestra, rematado de forma deliciosa por "A Internacional" em versão de caixa de música.
12. Har Megido's Lullaby. É dos temas mais simples e, ao mesmo tempo, mais bonitos que se podem encontrar no disco. Uma canção de embalar, se se conseguir imaginar, para o dia do apocalipse, para o último dos cataclismos, para a batalha de deus contra os homens (Har Megido é o nome hebraico do lugar biblíco que viria a dar origem à palavra "armagedom"). É um tema perfeito para terminar o alinhamento do disco (ainda que haja uma 13ª faixa, sem nome, de curta duração e sem estrutura de canção, a encerrar "Contra Mundum").

Pop Dell'Arte - La Nostra Feroce... from pm on Vimeo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

É uma pena, mas...

É uma pena, mas ao contrário do que chegou a estar previsto, a edição de "Contra Mundum", o novo álbum de Pop Dell'Arte, agendada para o próximo dia 14 de Junho, não vai contar com o formato LP. Será apenas um CD de edição limitada e numerada com um booklet de 24 páginas ilustradas e um poster de face dupla, de acordo com a promoção ao disco.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Do tempo em que fazia colecção de setlists, nº5


Pop Dell'Arte, Ritz Club (?) Forum Lisboa

Esta é uma de várias dos Pop Dell'Arte. Por ali ver o "Juramento...", sou levado a pensar, sem grandes certezas, que terá sido no Ritz, porque estava com o Adolfo Luxúria Canibal e lembro-me de como ele foi quase obrigado a subir ao palco para cantar o tema com o João Peste. Entre os concertos de Pop Dell'Arte que vi por esta altura, não me recordo de outra situação em que o Adolfo estivesse também presente para o dueto.

ACTUALIZAÇÃO: Por outro lado, tenho quase a certeza que o "Little Drummer Boy" foi estreado no Ritz e não aparece ali. Portanto, a menos que tenha havido dois concertos de Pop Dell'Arte no Ritz durante os anos 90 (a memória é complicada, mas há algo que me puxa para o sim), esta setlist terá pertencido a outro espectáculo.

ACTUALIZAÇÃO 2: Quase de certeza que é Forum Lisboa (ver comentários)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

14 de Junho de 2010

Pop Dell'Arte - Slave for Sale from pm on Vimeo.



Este é um de dois vídeos que servem de apresentação ao próximo álbum dos Pop Dell'Arte, "Contra Mundum", por aqui já falado, e que podem ser vistos em popdellarte.posterous.com, onde também já se pode escutar o single "Ritual Transdisco". A saída do disco está agendada para 14 de Junho e a festa de lançamento, que decorrerá, em princípio, dois dias antes, promete.

terça-feira, 16 de março de 2010

Há longo tempo prometido: aí vem o novo álbum de Pop Dell'Arte

Os Pop Dell'Arte estão desde o ano passado a trabalhar naquele que será o primeiro álbum de originais desde... há quinze anos (à parte do EP "So Goodnight" e da compilação "POPlastik", o último trabalho, "Sex Symbol", tinha sido lançado em 1995). É uma longa espera e o cumprimento de uma promessa com mais de dez anos (por volta de 1998, da primeira vez que entrevistei João Peste, ficou desde logo aí marcada a promessa de um novo disco no ano seguinte...)

Mas tudo indica que é em 2010 que o problema se vai resolver. De acordo com a Cotonete (ver notícia), "Contra Mundum" (e não "After the Future", como chegou a ser dito em tempos) será lançado depois de Maio pela Filmebase, empresa de Joaquim Pinto, velho colaborador da banda no capítulo da imagem, tendo também aqui, na companhia de Nuno Leonel (outro colaborador habitual) desenhado a capa do disco. Ao todo, farão parte dele 12 temas, gravados por uma banda cuja actual formação se estende, para além de João Peste, por Zé Pedro Moura (baixo), Paulo Monteiro (guitarra), Nuno Castedo (bateria) e Eduardo Vinhas (teclas e percussão). Vai ainda haver apresentação do disco no cinema Nimas, assim que aquele seja lançado.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #26-30

26. TORTOISE @ PARADISE GARAGE
31 de Março de 2001
Era a primeira vez que os Tortoise, um dos meus grupos favoritos na altura, cá vinham. Tendo acordado na manhã daquele dia em Chefchaouen, em Marrocos, fiz-me à estrada a toda a brida. Ainda furei um pneu em Sevilha e tive outros percalços pelo caminho, mas consegui ainda chegar a tempo do início do concerto no Garage (onde voltariam, um ano depois, para a festa da Thrill Jockey). Se já era imperdível a priori, nunca me perdoaria, sabendo o que sei do que vi e ouvi, por ter faltado à chamada.

27. KID606 @ CASTELO DE TRANCOSO
27 de Julho de 2002
Neste Verão de 2002, a cidade serrana de Trancoso albergou no seu castelo um festival de dois dias dedicado às electrónicas e afins. O evento, integrado na Bienal Internacional de Poesia de Vila Nova de Foz Côa, juntou nomes como os de Chicks on Speed, People Like Us, Ladytron (DJ set), Hipnótica, Rafael Toral, etc. Entre estes, encontrava-se ainda Miguel Trost De Pedro, o venezuelano que se abriga sob o nome Kid606, e que se apresentaria com um arsenal de batidas e ruído que deixaram marca. O terrorismo sónico de Kid606 voltaria depois, designadamente para uma actuação na ZDB, em Outubro de 2004, mas sem conseguir superar a prestação no castelo.

28. THE SKATALITES @ FMM SINES
26 de Julho de 2003
Por falar em castelo, mas agora no de Sines, eis um dos melhores momentos de encerramento do historial do FMM. O portugalreggae.com tem uma reportagem rigorosa do espectáculo.

29. POP DELL'ARTE @ FORUM LISBOA
27 de Julho de 2005
Salvo erro, estava-se há bastante tempo sem um concerto de Pop Dell'Arte e esta foi uma bela ocasião para apaziguar as saudades. Há reportagem do Rodrigo no Bodyspace.

30. STARS OF THE LID @ NIMAS
6 de Dezembro de 2007
Nunca por cá tivemos os Labradford (a não ser que a memória me esteja a pregar a mais habitual das partidas), mas há cerca de dois anos fomos abençoados pela vinda de outro nome maior do universo de adoradores de estrelas, estetas e dos drones, escultores do ruído e do silêncio, os Stars of the Lid. E com trio de cordas. E no antigo cinema Nimas, espaço ideal não só para ouvir e sentir as melopeias planantes do duo mas também para ver as imagens que as acompanhavam.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sofa Surfers e música de Lisboa numa revista austríaca

Esta aqui ao lado é a capa do novo número da Fleisch, uma revista austríaca de artes, tendências, política, etc. Traz na capa os Sofa Surfers, que vão ter novo álbum em Janeiro do próximo ano. Mas este número da Fleisch traz também várias páginas dedicadas a Lisboa, por encomenda da publicação a Wolfgang Schlögl, o Sofa Surfer mais lisboeta do grupo, pelas várias vezes que por cá tem estado, boa parte delas para trabalhar com os Hipnótica, os quais, a propósito, também já têm novo álbum gravado e que vai uma vez contar com a ajuda do austríaco na produção e masterização.

O que há aqui então sobre Lisboa? Primeiro, uma compilação em CD, com Coldfinger, DJ Ride, Cacique 97, Cool Hipnoise, Dead Combo, Hipnótica, Noiserv, Micro Audio Waves, Gnu e B Fachada. Depois, um texto de Wolfgang Schlögl sobre a cidade. Finalmente, um texto sobre bandas actuais de Lisboa, aqui deste sempre vosso.

Aproveito para reproduzir o texto aqui, já que a Fleisch não é distribuída por cá, nem tão pouco haverá lojas de importação que a tenham. Na revista, tudo aparece, claro está, em alemão, mas deixo aqui a versão original em inglês, sem quaisquer cortes da edição. (Reparem que o texto foi escrito em Julho, antes da notícia do fim dos Vicious Five, e quando o Musicbox tinha aquelas quintas-feiras de afro beat.


Lisbon beyond the Fado
By Vítor Junqueira
July 2009

Nearly 500 thousand people live in the inner skirts of the city of Lisbon, a number that hits almost three million in the greater metropolitan area factsheet. There’s no surprise that most of the music acts that come from Lisbon were in fact raised over its suburbs. Take out the first name from the Lisbon band you’ll probably know best in these days: Buraka Som Sistema. Buraca, spelled with a C, is one of these suburbs. There lives a vast community of first through third generation African immigrants and it is a very common place to hear kuduro, the urban Angolan dance beats that BSS are taking all around the world. The hip hop scene, fronted by long lived Da Weasel or the producer and MC Sam the Kid, amongst endless other examples, also lives in suburbs of the same kind.

For rock matters, the river Tagus’ south bank has always been a fertile ground for new and enduring acts. Barreiro, a town in the old industrial belt south of Lisbon, is today’s rock’n’roll and avant rock place par excellence. That’s where growingly acclaimed festivals like Barreiro Rocks and Out.Fest are manned every year by groups of young people who amongst themselves play in several bands, many of the times with almost the same line-ups. That’s the case of Los Santeros, three manic Mexican-wannabes playing surf rock, The Act-Ups, psych-garage, or Frango, a noisy experimental act. And if you’re into avant rock, you should check Os Loosers, fronted by Lux DJ and bassist-guitarist Tiago Miranda, who along people from Out.Fest also started Gala Drop, whose dub-infected grooves are being acclaimed everywhere (check out their self-titled debut record).

Communities like these help to describe the way most bands are born all around Lisbon. In fact, it’s just a small capital and everyone knows each other. Even if not, there’s always a friend of a friend. Everyone ends up at the same venues, like the Galeria Zé dos Bois (ZDB for short), MusicBox, Lux, Lounge, Bacalhoeiro, to name a few of the ever growing list of places where bands can play live in Lisbon. The development in the Lisbon music scene owes significantly to this increase and diversification of venues over the last 10 years. People from Lisbon, and from all around Portugal in a broader sense, have more places to play but, perhaps more important, they also have more places to learn from bands that come more and more from everywhere in the world, and more places to hang out, to discuss their methods and ideas, to form new projects with akin souls.

One of the most peculiar communities to rise recently in Lisbon comes out from the Baptist Christian Church grounds. FlorCaveira (SkullFlower) is the name of the religion meets rock movement which nowadays comprises almost 20 acts that have been gaining an increasing space in the radio waves, a territory that, believe it or not, has been uncharted waters for the most of the new Portuguese bands for several years. Amongst these acts, the most acclaimed are Os Pontos Negros (The Strokes’ kind of mainstream rock) and singer songwriters Tiago Guillul, B Fachada, Samuel Úria and Bruno Morgado. “The new wave of Portuguese rock”, as every newspaper is now calling it, also embraces the Amor Fúria label, whose acts, Os Golpes being the most celebrated, share stages regularly with those from FlorCaveira.

All these bands from this “new wave of Portuguese rock” sing in Portuguese, something that became out of fashion since the eighties wide explosion of rock. Apart from groups like Madredeus and some few other bands, mostly of them coming from outside Lisbon, shame of being Portuguese was the most striking anathema for Portuguese rock in the nineties. The nation was still suffering from years of enclosure from the outside world, and it was adhering to everything it could that came from abroad. And that also showed up in the music itself. But the times are changing again. A project like Dead Combo (electric guitar and doublebass only) does hold on to Ennio Morricone spaghetti western kind of landscapes, but there is a quite subtle inner feeling of Portuguese sound coming from it, tracing out to common memories like those left by the late great guitarist Carlos Paredes. Also Norberto Lobo, a young, celebrated, and crafted fingerpicker does bring something evoking Paredes. In a clearer way, groups like Deolinda, who take the Madredeus heritage to present days, and O’Questrada are also making people realize that Fado – or some of its essence – it’s not only sorrow. It can also mean partying; it can also mean dancing with a shinny happy smile.

Over the last years, Lisbon also became home sweet home for a growing community of European young people, mostly Spaniards and Italians, who also started to create interesting bands, like the Italian-Swiss Anonima Nuvolari, who play old Italian songs in a Pogues-ish way. In the same scene, Farra Fanfarra and Kumpania Algazarra take the fit of the Balkan brass bands to play the streets and parties everywhere around town. On the grounds of noise and experimental music, Mécanosphère is one band living in Lisbon and it’s mainly operated by French artists. Panda Bear, from Animal Collective fame, also lives in the city.

As a matter of fact, in the recent years, if not always in its history, Lisbon became home for many cultures. For instance, it’s common to cross by excellent players from the old African colonies (Angola, Cape Verde, Guinea-Bissau, …) who live in the city. Take Kimi Djabaté and Braima Galissá, for instance, from the young generation of “griots” from Guinea-Bissau to come by. Music from Africa and other continents is also present in some other interesting bands from Lisbon, like Terrakota or Cacique ’97, whose members gather up regularly along with those of Cool Hipnoise, a quite interesting and nearly veteran funk local band, to produce the most intense afrobeat party (every second Thursday of the month, at MusicBox, if you’re thinking dropping by).

I’ve been talking mostly of new bands from Lisbon. There are also, of course, the veteran ones, the mainstream rockers Xutos & Pontapés being the most celebrated one with a 30 year old career. Emerging from the eighties, the dadaists Pop Dell’Arte, one of the most interesting acts to arise in Lisbon, are still running up, playing gigs and recording tracks. From the nineties, there’s Hipnótica, who started with the trip hop explosion and evolved to a kind of post rock, post jazz stuff over which Wolfgang Schlögl of Sofa Surfers collaborated.

Two final namedrops for The Vicious Five, who started around in the hardcore underground, developing a faithful mass of fans ever since, and for Bypass, scholar post rockers who deserve to jump out borders anytime soon.

There are a lot of bands in Lisbon. A great lot of good bands, indeed. This is only a tiny shortlist. Many of them were ignored over the above lines, due to lack of remembering, due to lack of space, due to intention on not letting this grow to a mere namedropping. Still, the best way to know bands from Lisbon (and Portugal) is to stay for sometime in the city and to attend to the venues cited above whenever you can.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cápsula nostálgica de Verão, nº5


Pop Dell'Arte, "Querelle", 1991 (Ano do videoclip, realizado por José Pinheiro; o tema foi gravado em 1986)
(...aproveitando a deixa dada da anterior cápsula.)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Concertos em casa

Já são 1850 concertos que se podem assistir no centralmusical.pt, um portal português integrante de um projecto ibérico que aposta na transmitissão e na disponibilização de espectáculos em forma de vídeo. A este projecto aderiram salas como o Maxime e o Musicbox, entre outras, além de festivais como o Alive. Ainda que, por um lado, a navegação possa não ser a mais simples e mais intuitiva, principalmente num contexto de oferta de conteúdos que começa a ganhar uma dimensão considerável, ou que, por outro, a ideia de produção de conteúdos "de dentro para fora" pareça coisa economicamente insustentável, própria da internet dos anos 90, está aqui está um projecto que merece ser seguido com atenção. Dá para ver, por exemplo, coisas como o último concerto de Natal dos Pop Dell'Arte:

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Pop Dell'Arte e a ortografia II

O jornal Público já tinha uma longa tradição de comer o E final de Pop Dell'Arte, mas a maneira como o cartaz à porta do Maxime anunciava o concerto natalício é a melhor de todas até agora. POP D'EL ARTE. Viva España!
(Foi um belo espectáculo, a propósito, com muitas novas canções, já apresentadas há um ano, mas ainda sem edição -- deve estar para breve --, e ainda com uma versão arrasadora de "20th Century Boy".)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Natais no Maxime e na ZDB

Tradição ou não, a noite do dia 25 vai ter novamente os Pop Dell'Arte no Maxime e o Legendary Tiger Man na ZDB. Na consoada, o Maxime abre portas para os Ena Pá 2000.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Pop Dell'Arte, Sérgio Godinho, Xutos, GNR e outros em BD

A editora Tugaland prepara-se para lançar no 19º FIBDA o primeiro volume de uma colecção de biografias em BD de bandas e artistas do rock português. Cada livro virá acompanhado de uma reedição em CD de um álbum. Neste primeiro volume, os visados são os Xutos & Pontapés, com BD de Alex Gozblau, e "Dados Viciados", o álbum de 1997, e dois temas gravados ao vivo, como bónus. Na colecção, organizada por João Paulo Cotrim, haverá ainda outros 13 nomes: Pop Dell'Arte, Sérgio Godinho, GNR, António Variações, Sétima Legião, Jorge Palma, José Cid, Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, UHF, Heróis do Mar, Trovante e Da Weasel.
Paralelamente, serão editadas duas outras colecções, uma dedicada ao fado e outra aos compositores mais famosos da música clássica.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Pop Dell'Arte

O novo álbum já está quase pronto. Deve sair no início de 2009.