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terça-feira, 7 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 6 ao 10


6. ROKIA TRAORÉ (Mali)
Castelo, 26/jul/2008::vídeo::
"Na segunda vez que a bela Rokia Traoré veio a Sines, teve honras de encerramento de noite no castelo. Trazia na bagagem o magnífico Tchamanché e o espectáculo foi, ao contrário do que a actuação de quatro anos antes e o próprio disco novo deixava antever, muito movimentado, ora por culpa dos músicos (recordo o excelente baixista), ora por culpa da postura avassaladora de Traoré em palco."

7. STAFF BENDA BILILI (RD Congo)
Castelo, 31/jul/2010::vídeo::
"Uma máquina de dança e alegria chamada Bilili. E a última grande explosão (literalmente até, pois coube-lhes as honras de fogo de artifício com que o FMM todos os anos se despede do castelo) veio com os Staff Benda Bilili. O disco era estupendo, já se sabia. Mas que os Staff Benda Bilili conseguissem, mesmo que esquecidos ou ignorados todos os problemas físicos que os debilitam, multiplicar a um ponto impensável toda aquela energia para o palco com as suas rumbas diabólicas e fazer transpirar as gentes no castelo daquela forma insana, era algo que nem nas minhas perspectivas mais optimistas encontrava lugar. Mais uma deixa para outra das razões para elogiar o FMM: estar sempre na linha da frente no que há de mais quente a surgir no meio. Foi assim quando trouxe cá os Taraf de Haïdouks, o Tom Zé, a Rokia Traoré, o casal Amadou & Mariam, os Konono nº1, o KNaan, o Cordel do Fogo Encantado, entre tantos outros."

8. BARBEZ (EUA)
Castelo, 30/jul/2010::vídeo::
"A gaja do theremin e os judeus nova-iorquinos. Os Barbez, grupo de Nova Iorque com ligações à Tzadik de John Zorn, apareceram no FMM com toda a pinta de outsiders. O grupo de Dan Kaufman já por cá tinha passado para um concerto na ZDB, para um concerto mediano, mas agora, com formação alargada e com um som perfeito que permitiu a percepção ao detalhe das texturas e frases criadas em palco, misturando klezmer com rock de câmara ou jazz marginal, a lembrar bandas da editora Constellation, tudo foi diferente, para melhor. Muito melhor. Houve algo que se manteve, contudo: o papel central de Pamelia Kurstin na música do grupo. Nunca se viu em Sines alguém a tocar theremin, o estranho instrumento literalmente intocável que os russos desenvolveram nos anos 20 do século passado (e para o qual Lenine chegou a receber aulas), e a estreia coube, felizmente, a uma das suas mais incríveis intérpretes (vejam o vídeo para apanharem breves imagens que testemunham esta afirmação). E os Barbez ofereceram ainda a deixa ideal para apresentar outra das razões pelas quais o FMM é tão particular: a abertura (e o bom gosto) da programação. Por esse país fora, por essa Europa fora, é muito frequente encontrar programadores de festivais de world music de olhos e ouvidos fechados para o que se passa fora daquela gaveta. Antes eram as músicas de tradição europeia, depois, com a globalização das tournées, vieram os africanos extra-PALOPs. E pouco mais do que isso. Festivais como o FMM e o MED Loulé vieram provar que se pode ir muito mais longe. (Já agora, e que tal alguma formação de Masada ou o próprio John Zorn numa próxima edição, hum?)"

9. MÁRIO LÚCIO (Cabo Verde)
Castelo, 30/jul/2011::vídeo::
"É engraçado saber -- foi o próprio que o disse -- que Mário Lúcio, na véspera do concerto, vestiu a pele de ministro da cultura de Cabo Verde, para discutir o Estado da Nação no parlamento do seu país. Um dia, o estado da sua nação. No outro, o mundo todo (mais palavras saídas da sua boca) que se aglomerava em Sines a dançar à sua música. Tivemos em palco alguém que sabe muito bem o que faz. São muitos anos de estrada, de como saber encher um palco, de como saber pôr um público em delírio. E o que temos ali não é apenas o que se pode ouvir nos discos. Há um artista e um grupo que o acompanha que se transformam, que vão além de Cabo Verde, que celebram a África sub-sariana em todo o seu esplendor. A ele ficam-lhe bem estas palavras, ditas perto do final: Sines devia mudar de nome, para... Sinergia. Devia ter sido o Mário Lúcio a festejar o fim dos concertos no castelo com o tradicional fogo-de-artifício."

10. DHAFER YOUSSEF (Tunísia)
Castelo, 27/jul/2012::vídeo::
"Dhafer Youssef e o quarteto do mundo. Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM."



quinta-feira, 2 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 51 ao 60


51. TTUKUNAK (País Basco)
Centro de Artes, 23/jul/2007::vídeo::
"Quem já viu Kepa Junkera ao vivo, já saberia o que é uma txalaparta, mas os outros tiveram oportunidade de a conhecer através das duas irmãs que formam o grupo Ttukunak."

52. MAHMOUD AHMED (Etiópia)
Centro de Artes, 26/jul/2007::vídeo::

53. BELLOWHEAD (Inglaterra)
Castelo, 25/jul/2007::vídeo::

54. TARTIT (Mali)
Castelo, 26/jul/2007::vídeo::

55. K'NAAN (Somália)
Praia, 26/jul/2006::vídeo::
"O K'Naan é o maior. Ontem, junto à praia, e depois do prog celta do Jacques Pellen, tivemos direito a assistir a uma das maiores explosões do festival. Chama-se Keinan Warsame, mas é mais conhecido por K'Naan. Nasceu na Somália, mas vive "exilado" no Canadá. Usa o hip hop como arma, com letras arrepiantes como "não se supunha que eu passasse dos 14" ou como naquela em que ele fala da infância em Mogadíscio enquanto pergunta "is this hardcore?" (com bocas ao 50 Cent e a outros pelo meio). Foi muito, muito forte, lirica e musicalmente."

56. BALOJI (RD Congo)
Castelo, 19/jul/2013::vídeo::
"(…) que animal de palco"

57. FEMI KUTI (Nigéria)
Castelo, 31/jul/2004
"(…) e para o fim um Femi Kuti em grande forma"

58. ROKIA TRAORÉ (Mali)
Castelo, 25/jul/2013::vídeo::

59. AYARKHAAN (Iacútia)
Castelo, 29/jul/2011::vídeo::
"Já se sabia que o espetáculo das Ayarkhaan não iria deixar ninguém indiferente. As técnicas de canto usadas, em aliança com o estranho efeito que retiram do khomus, um berimbau de boca típico daquelas paragens orientais, penetram fundo nos sentidos que usamos durante um concerto. A perícia com que o grupo da veterana Albina Degtyareva o faz, expressa ora nos guinchos e relinchares que julgávamos estarem no campo das impossibilidades da voz humana, ora nos jogos rítmicos guturais feitos no berimbau, fazem elevar a consideração por este trio."

60. MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA (Marrocos)
Castelo, 30/jul/2005

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sines aproxima-se: Rokia Traoré



ROKIA TRAORÉ
Origem: Mali
Onde e quando: Castelo, dia 25 (quinta-feira), 23h15

Coisas a saber:
1. A miúda mais querida do FMM já passou duas vezes pelo festival, em 2004 e 2008. No ano passado, esteve também na Gulbenkian. Em 2009 passou pela Casa da Música e pelo Lux.
2. Tem álbum novo. Chama-se "Beautiful Africa" e foi produzido por John Parish, que conhecemos das colaborações habituais com PJ Harvey. Anda a ser corrido a cinco estrelas por todo lado (e dificilmente podia ser de outra forma). Tuit Tuit!

No spotify: Rokia Traoré

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Concertos do ano

Eis a lista mais habitual no fim do ano para quem vem regularmente botar a vista no blogue amarelo. Não tanto pela crise (felizmente), mas antes pelo excesso de trabalho (felizmente) e por outras responsabilidades (felizmente), este foi ano de contenção no que à presença em salas de concertos diz respeito. Ao total, e se não houver mais nada até à próxima passagem de ano, foram pouco mais de 100 concertos. Entre estes, fica uma seleção possível de trinta que se destacaram. E o melhor concerto de 2012 para este que vos escreve, foi...

1. AMADOU & MARIAM, Gulbenkian (18/nov)
«E sentimo-nos felizes por nos terem deixado experimentar o bom que é reparar no que escutamos.» (mais aqui)

2. THURSTON MOORE, ZDB (13/mar)
3. DHAFER YOUSSEF, FMM (27/jul)
4. OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK, FMM (21/jul)
5. MICHAEL GIRA, ZDB (30/mai)
6. RABIH ABOU-KHALIL GROUP & RICARDO RIBEIRO, Maré de Agosto (Santa Maria) (25/ago)
7. ROKIA TRAORÉ, Gulbenkian (21/out)
8. BRUCE SPRINGSTEEN, RiR (3/jun)
9. FATOUMATA DIAWARA, FMM (26/jul)
10. HUGH MASEKELA, FMM (28/jul)

11. ORCHESTRE NATIONAL DE JAZZ (AROUND ROBERT WYATT), CCB (29/mar)
12. STAFF BENDA BILILI, FMM (26/jul)
13. AL-MADAR, FMM (20/jul)
14. BOMBINO, FMM (19/jul)
15. MILTON NASCIMENTO & ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA & ANA MOURA & ANTÓNIO ZAMBUJO & CARMINHO, Alameda D. Afonso Henriques (30/jun)
16. BOMBINO, B.Leza (27/out)
17. L’ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK, FMM (20/jul)
18. MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS, FMM (21/jul)
19. BLACK DICE, Musicbox (20/set)
20. DEAD COMBO FEAT. MARC RIBOT, FMM (21/jul)
21. THE EX, ZDB (14/nov)
22. THE VERY BEST, MexeFest (8/dez)
23. 2SEMICOLCHEIASINVERTIDAS, São Jorge (5/jan)
24. OSSO VAIDOSO, FMM (20/jul)
25. GALA DROP, ZDB (24/mai)
26. MÃO MORTA, São Jorge (1/jul)
27. NARASIRATO, FMM (19/jul)
28. HAMILTON DE HOLANDA & EDMAR CASTAÑEDA, Maré de Agosto (Santa Maria) (24/ago)
29. ASTILLERO, FMM (26/jul)
30. NEY MATOGROSSO, Praça do Comércio (22/set)

Nomeações honrosas, por ordem alfabética:
Batida, Beautify Junkyards, B Fachada, Bigott, Diabo a Sete, Ensemble Notte della Taranta, Jessica Kenney & Eyvind Kang, Kouyaté-Neerman, Lirinha, Mari Boine, Monobloco, Orquestra Todos, Sunflare

domingo, 21 de outubro de 2012

Rokia

Há de haver alguém com mais tempo para escrever como foi o concerto da Rokia Traoré no final desta tarde, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian. Para escrever que foi diferente, em vários aspetos, de outras passagens da maliana pelos nossos palcos. Mas também para escrever o quão bom foi.
A mim, cabe-me notar apenas uma das muitas pequenas coisas deste concerto. Há uma altura em que Rokia cede o lugar e o microfone da frente a uma das cantoras do coro. Com um gesto de humildade que não se costuma ver nos palcos, habitats frequentes dos mais disparatados egos, Rokia assume o lugar da cantora no coro enquanto dura a canção. Mais adiante, faz o mesmo com as outras duas cantoras e explica ao público que esta ideia faz parte do projeto desenvolvido para este espetáculo.
Já perto do fim, no início do encore, quando todos os elementos da banda já estão nos seus lugares, ao invés de seguir a auto-estrada de luz que conduz, neste como noutros milhões de palcos por todo o mundo, noutras milhões de ocasiões por toda a história da música ao vivo, dizia, Rokia entra por trás do coro.
É uma pequena coisa, uma entre muitas que possivelmente poderão passar despercebidas por entre quem escrever o quão bom foi o concerto. Mas estas pequenas coisas fazem a diferença.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A música como a grande celebridade africana

A revista Forbes, que também tem um apreço especial (doentio, talvez) pela produção de listas, convidou os seus leitores a escolherem as 40 celebridades mais poderosas de África. A lista está compilada e pode ser consultada em detalhe neste sítio, com fotografias e biografias curtas de cada um dos eleitos. Em 40 posições, cinco pertencem a escritores (com destaque para o primeiro lugar do nigeriano Chinua Achebe), duas para futebolistas e... 27 para músicos. 27 em 40.
(Obrigado, Luís Rei, pela dica.)

1. Chinua Achebe, 80 anos, Nigéria, Letras
2. Youssou N'dour, 51, Senegal, Música
3. Didier Drogba, 33, Costa de Marfim, Futebol
4. Angelique Kidjo, 51, Benin, Música
5. Akon, 38, Senegal, Música
6. Wole Soyinka, 77, Nigéria, Letras (teatro)
7. Salif Keita, 62, Mali, Música
8. Yvonne Chaka Chaka, 46, África do Sul, Música
9. Oumou Sangaré, 43, Mali, Música
10. Femi Kuti, 49, Nigéria, Música
11. Toumani Diabaté, Mali, Música
12. Oliver Mtukudzi, 59, Zimbabué, Música
13. Haile Gebrselassie, 38, Etiópia, Atletismo
14. Khaled Hadj Ibrahim, 51, Argélia, Música
15. Samuel Eto'o, 30, Camarões, Futebol
16. Alek Wek, 34, Sudão, Moda
17. Liya Kebede, 33, Etiópia, Moda
18. Dobet Gnahoré, 29, Costa de Marfim, Música
19. Genevieve Nnaji, 32, Nigéria, Cinema
20. Koffi Olomidé, 55, Congo-Kinshasa, Música
21. Neill Blomkamp, 32, África do Sul, Cinema
22. Souad Massi, 39, Argélia, Música
23. Baaba Maal, 58, Senegal, Música
24. Hugh Masekela, 72, África do Sul, Música
25. K'Naan, 33, Somália, Música
26. Amadou and Mariam, Mali, Música
27. Awilo Longomba, Congo-Kinshasa, Música
28. Eric Wainaina, 38, Quénia, Música
29. Binyavanga Wainaina, 40, Quénia, Letras
30. Ngugi Wa Thiongo, 73, Quénia, Letras
31. Freshlyground, África do Sul, Música
32. Chimamanda Adichie, 34, Nigéria, Letras
33. Rokia Traoré, 37, Mali, Música
34. Tuface Idibia, 36, Nigéria, Música
35. P-Square, 29, Nigéria, Música
36. Don Jazzy, 30, Nigéria, Música
37. D'Banj, 31, Nigéria, Música
38. Neka, 31, Nigéria, Música
39. Asa, 29, Nigéria, Música
40. Patricia Amira, 33, Quénia, Televisão


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #16-20

16. SHARON JONES AND THE DAP KINGS @ SANTIAGO ALQUIMISTA
11 de Julho de 2005
O que faz um tipo que não consegue compreender a maior parte do funk colocar nesta lista, e em posição tão cimeira, o espectáculo da senhora Sharon Jones com os seus Dap Kings? A resposta só a sabe quem lá esteve. Numa tirada muito breve, escrevi na altura: "Fui atingido pelo grande cometa funk que ontem caiu no Santiago Alquimista. A Sharon Jones e os seus Dap Kings funkam mesmo que se farta, como alguém dizia."

17. MOGWAI @ PARADISE GARAGE
5 de Fevereiro de 2004
Fez-me fugir, de noite, a um daqueles retiros profissionais, em que se juntam todos os camaradas de trabalho para um fim-de-semana de "entrosamento". E em boa hora o fiz, porque a actuação dos escoceses numa sala tão íntima como era a do Garage, tudo justificava. Dias antes, tinha rebentado com uma coluna do carro enquanto ouvia o "My Father My King". No concerto, fui eu que rebentei com o tema. Escrevi, na altura: "Por vezes passamos por situações de tal forma fascinantes, de tal forma arrebatadoras, que não encontramos no vocabulário mais à mão um suporte à altura para as descrevermos. Por mais arte que empreguemos na escrita, achamos que ficaremos sempre aquém do testemunho real do que presenciámos. Por mais confiança que tenhamos na nossa palavra, sentimos uma aura de injustiça a pairar sobre o texto... O concerto de Mogwai, ontem no Paradise Garage, foi uma dessas situações. O culminar do espectáculo naqueles mais de vinte minutos do 'My Father My King' ficará para sempre gravado na minha memória. Obrigado Mogwai, ah'm friggin' overwhelmed, aye ah am."

18. ROKIA TRAORÉ @ FMM SINES
26 de Julho de 2008
Na segunda vez que a bela Rokia Traoré veio a Sines, teve honras de encerramento de noite no castelo. Trazia na bagagem o magnífico "Tchamanché" e o espectáculo foi, ao contrário do que a actuação de quatro anos antes e o próprio disco novo deixava antever, muito movimentado, ora por culpa dos músicos (recordo o excelente baixista), ora por culpa da postura avassaladora de Traoré em palco.

19. ANIMAL COLLECTIVE @ CACILHAS, ANTIGO CLUBE NAVAL
20 de Outubro de 2005
Ainda se pensou que o concerto viesse a ser no próprio cacilheiro, em pleno Tejo, a recordar aquela vez, meia dúzia de anos antes, em que Felix Kubin deu um concerto num daqueles barcos. Mas as pessoas viriam a ser encaminhadas para as antigas instalações do clube naval local. Só isto já fazia um "happening". Só que, além disso, estávamos ali para ver os Animal Collective pela primeira vez, na prática, se não contarmos com aquela outra presença de Avey Tare e Panda Bear numa das edições do Número Festival. Era, ou melhor, é a banda da década. Escrevi, então: "(...) Depois das avarias ocorridas em dois cacilheiros, a organização preferiu não fazer o concerto no terceiro navio colocado à disposição, um ferry com poucas condições, onde quase não cabiam as várias centenas de pessoas que ontem apareceram no terminal do Cais do Sodré. Havendo, como se sabe, males que vêm por bem, a mudança de planos proporcionou assim a utilização de um magnífico local, o antigo Clube Naval, pavilhão decrépito à beira-rio (será aquele o espaço que os responsáveis do Hard Club de Gaia andaram a sondar há tempos?), a poucos metros do Espaço Ginjal. A experiência já estava a deixar marcas indeléveis na nossa memória e ainda estavam para vir os Animal Collective, depois do aquecimento com a chinfrineira de Anla Curtis. E as expectativas viriam a ser ultrapassadas. Talvez se perceba isto de melhor forma num concerto do que em disco: os Animal Collective são um corpo único, uma unidade orgânica completamente solidária nas suas partes, onde tudo faz sentido quando interage. Por mais fútil que possam parecer quando examinados à parte, aquele grito sincopado, aquele eco do timbalão, aquela voz proibidamente carregada de delay, só para citar alguns dos milhares de ingredientes que esta receita usa, fundem-se em algo que singulariza em absoluto o som dos Animal Collective. É nestes termos que se desenvolve o concerto. Como uma criatura viva, o som que é criado no palco, desenvolve-se, ganha diversas formas ao longo do processo: pequenas, redondas e singelas estimulam o espírito; grandes, fortes e crispadas fazem o corpo dançar. E sem pausas, promovendo a evolução ininterrupta destas diversas formas e dos diferentes temas apresentados, vários deles novos. E quando o corpo assumiu a forma de 'Grass' (de 'Feels', o novo álbum)? Lamento, mas receio que seja impossível de descrever esse momento em poucas palavras..."

20. EXTRA GOLDEN @ ZDB
2 de Julho de 2008
Começaram por ser Golden. Meteram-se na música (e com músicos) do Quénia e passaram a Extra Golden. Apareceram na ZDB numa noite quente de Julho e fizeram toda a gente suar ao som daquele magnífico híbrido rock-benga, que se destaca entre outras recentes experiências de diálogo entre música dita ocidental e géneros africanos. Talvez voltem novamente em breve.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sete essenciais do MED Loulé (começa amanhã!)


Ricardo Ribeiro & Rabih Abou-Khalil "Como um Rio"
Quarta-feira, 21h30


Moriarty "Jimmy"
Quarta-feira, 23h


Horace Andy & Dub Asante Band "Skylarking"
Quinta-feira, 00h30


Orquestra Buena Vista Social Club "El Carretero"
Sexta-feira, 22h


Siba & A Fuloresta
Sábado, 00h


Rokia Traoré "Dounia"
Domingo, 21h30


Kimmo Pohjonen - Uniko
Domingo, 00h30

quarta-feira, 27 de maio de 2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

Rokia Traoré de volta!

A voz mais doce do Mali vai voltar aos palcos portugueses. Rokia Traoré tem concertos agendados para Lisboa e Porto, em Maio, no âmbito da digressão europeia cujas datas podem ser observadas no seu site. Dia 27, toca na Casa da Música, sendo que no dia seguinte desce até à capital para um concerto no Lux.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Um bom 09 para todos

Faltam dois dias para que este ano chegue ao fim. 2008 foi tão pródigo em azares, em dissabores e em sinais carregados de pessimismo para o futuro que nem vale a pena fazer retrospectiva do que se passou, nem sequer dos bons momentos. Mais vale esquecê-lo rapidamente, como se de um pesadelo se tratasse, e acordar para o novo calendário que aí vem.

Ainda assim, deixem-me fazer a brincadeira habitual de fim-de-ano, com a eleição dos meus... cem concertos do ano. E com uma nota muito especial para o espectáculo que encabeça a tabela. Quando, por exagero, pensamos que, aos 35 anos, já vimos tudo que havia para ver e que aquilo que se vive nunca suplantará o que já se viveu (não pensamos, livra, é apenas uma argumentação levada ao absurdo!), eis que aparece algo que nos atira por terra para depois nos encher de vida e de optimismo. Diria mesmo mais: se, num pesadelo, me obrigassem a indicar o concerto favorito de sempre com uma arma apontada à cara, aí estaria a resposta. NEIL YOUNG.

Bom ano para todos.



1. NEIL YOUNG @ ALIVE (12/JUL)

2. rokia traoré @ fmm (26/jul)
3. orchestra baobab @ fmm (24/jul)
4. extra golden @ zdb (2/jul)
5. einstürzende neubauten @ aula magna (4/mai)
6. bassekou kouyaté & ngoni ba @ fmm (17/jul)
7. animal collective @ lux (28/mai)
8. dirty projectors @ zdb (6/jun)
9. faiz ali faiz @ fmm (25/jul)
10. iva bittová @ fmm (22/jul)

11. david thomas broughton @ zdb (5/mar)
12. timbila muzimba @ zdb (26/jun)
13. gala drop @ lounge (26/dez)
14. flat earth society meets jimi tenor @ fmm (19/jul)
15. lightning bolt @ parque de estacionamento do largo camões (23/nov)
16. michael gira @ nimas (25/fev)
17. toumani diabaté @ ccb (2/ago)
18. beach house @ maxime (16/nov)
19. moskow art trio @ fmm (21/jul)
20. dengue fever @ póvoa de varzim (29/ago)
21. mão morta "maldoror" @ culturgest (23/abr)
22. matt elliott @ maxime (21/mar)
23. the national @ alive (10/jul)
24. rachel unthank & the winterset @ fmm (25/jul)
25. loosers @ avenida 211 (19/dez)
26. moriarty @ fmm (22/jul)
27. silvério pessoa @ fmm (24/jul)
28. the national @ aula magna (11/mai)
29. boom pam @ fmm (26/jul)
30. ktu @ fmm (25/jul)
31. sonny simons, bobby few, masa kamaguchi @ zdb (11/out)
32. scout niblett @ zdb (30/mai)
33. dele sosimi afrobeat orchestra @ póvoa de varzim (28/ago)
34. no age @ zdb (23/out)
35. the dodos @ musicbox (6/dez)
36. waldemar bastos @ fmm (23/jul)
37. siba e a fuloresta @ fmm (17/jul)
38. gala drop @ zdb (6/jun)
39. stellar om @ parque de estacionamento do largo camões (23/nov)
40. nick cave and the bad seeds @ coliseu dos recreios (21/abr)
41. dead combo @ zdb (25/jan)
42. pop dell'arte @ maxime (25/dez)
43. gala drop @ museu chiado (5/out)
44. alamaailman vasarat @ póvoa de varzim (29/ago)
45. hazmat modine @ fmm (18/jul)
46. farra fanfarra @ póvoa de varzim (30/ago)
47. josephine foster @ zdb (11/out)
48. toubab krewe @ fmm (24/jul)
49. high places @ zdb (11/dez)
50. ritchaz & kéke @ lounge (26/dez)

51. vinicio capossela @ fmm (23/jul)
52. negativland @ lx factory (17/mai)
53. tom carter @ zdb (5/mar)
54. bonnie "prince" billy @ zdb (11/jul)
55. danças ocultas @ fmm (20/jul)
56. nobody's bizness @ póvoa de varzim (28/ago)
57. estilhaços @ são jorge (20/nov)
58. jean-paul bourelly @ fmm (26/jul)
59. antony joseph & the spasm band @ fmm (23/jul)
60. mandrágora & special guests @ fmm (24/jul)
61. lo còr de la plana @ fmm (21/jul)
62. danae @ fmm (21/jul)
63. awesome color @ lounge (4/jun)
64. heavy trash @ musicbox (1/mai)
65. anonima nuvolari @ castelo de são jorge (10/mai)
66. ashla bhosle @ fmm (20/jul)
67. cabesssa lacrau @ f*** colombo (20/set)
68. the glockenwise @ avenida 211 (19/dez)
69. familea miranda @ lounge (7/mar)
70. gnu @ lounge (1/fev)
71. health @ zdb (2/jun)
72. liars @ santiago alquimista (9/jun)
73. deolinda @ póvoa de varzim (29/ago)
74. the act-ups @ maxime (4/set)
75. the last poets @ fmm (19/jul)
76. religious knives @ museu chiado (5/out)
77. silver mt. zion @ zdb (30/out)
78. vampire weekend @ alive (10/jul)
79. deolinda @ são jorge (7/mai)
80. silver apples @ zdb (11/mar)
81. loosers @ santiago alquimista (9/jun)
82. rosapaeda @ póvoa de varzim (30/ago)
83. jana hunter @ maxime (16/nov)
84. hoba hoba spirit @ póvoa de varzim (30/ago)
85. toto bona lokua @ fmm (24/jul)
86. a tribute to andy palacio @ fmm (20/jul)
87. marful @ fmm (24/jul)
88. doran - stucky - studer - tacuma @ fmm (26/jul)
89. serra-lhos aí!!! & os rosais @ fmm (17/jul)
90. bypass @ zdb (19/jan)
91. justin adams & juldeh camara @ fmm (23/jul)
92. herminia @ fmm (18/jul)
93. gogol bordello @ alive (10/jul)
94. smartini @ musicbox (5/jan)
95. kumpania algazarra @ 1º de maio na alameda (1/mai)
96. dead combo @ fmm (22/jul)
97. koby israelite @ fmm (26/jul)
98. jorge ferraz trio @ lounge (2/out)
99. lucky dragons @ zdb (23/out)
100. terrible eagle @ lounge (5/dez)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Concertos do 08 (Lista dos leitores)

1. Rokia Traoré @ FMM Sines, 26/7
2. Neil Young @ Alive Festival, 12/7
3. Portishead @ Coliseu do Porto, 26/3 + Coliseu dos Recreios, 27/3
4. Einstürzende Neubauten @ Aula Magna, 4/5
5. Michael Gira @ Teatro Miguel Franco de Leiria, 24/2 + Nimas, 25/2
6. Black Lips @ Porto-Rio, 21/4 + Lux, 22/4
7. Mão Morta ("Maldoror") @ Culturgest, 23/4
8. Animal Collective @ Lux, 28/5
9. Extra Golden @ ZDB, 2/7
10. (ex-aequo) Awesome Color @ Lounge, Björk @ Sudoeste, Leonard Cohen @ Algés, Rage Against the Machine @ Alive, Rickie Lee Jones @ Famalicão, Vampire Weekend @ Casa da Música

Canções do 08 (lista dos leitores)



1. "In the New Year", The Walkmen
2. "Standing Next to Me", The Last Shadow Puppets
3. "Lights Out", Santogold
4. "Dounia", Rokia Traoré
5. "Lights and Music", Cut Copy

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Álbuns do 08 (lista da gerência)



1. "The Mandé Variations", Toumani Diabaté (Nonesuch)
2. "Saynt Dymphna", Gang Gang Dance (The Social Registry)
3. "Third", Portishead (Island)
4. "Vampire Weekend", Vampire Weekend (XL)
5. "Tchamantché", Rokia Traoré (Nonesuch)
6. "Devotion", Beach House
7. "Fleet Foxes", Fleet Foxes (Sub Pop)
8. "For Emma, Forever Ago", Bon Iver (Jagjaguwar)
9. "Alopecia", Why? (Anticon)
10. "Lie Down in the Light", Bonnie "Prince" Billy (Drag City)

(Reserva-se a asfixiante sensação de que esta lista podia ser completamente diferente se fosse feita em outro dia...)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Canções do 08. Nº 5



"DOUNIA", ROKIA TRAORE
(de "Tchamantché", Nonesuch)

Agora, sim, as canções a sério. Para inaugurar o quinteto da frente, este blues com que Rokia Traoré abre "Tchamantché". Tem melancolia, como sempre se quis de um blues, mas também possui uma força imensa, especialmente sentida na parte em que a magnífica voz de Rokia salta para a frente dos instrumentos, num tom de raiva contida que contrasta com a doçura precedente. E se "Tchamantché" segue esta linha de contenção, de uma forma geral, que bela surpresa que ela nos deu com o autêntico estrondo que foi o seu concerto deste ano em Sines.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Alguns flashes de Sines

Dez espectáculos favoritos. (1) ROKIA TRAORÉ. (2) Orchestra Baobab. (3) Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba. (4) Faiz Ali Faiz. (5) Iva Bittová. (6) Flat Earth Society meets Jimi Tenor. (7) Moskow Art Trio. (8) Rachel Unthank & The Winterset. (9) Moriarty. (10) Silvério Pessoa.

Estouro físico. Não foi nada fácil aguentar concertos a acabarem às seis da manhã, depois do sobe e desce entre a praia e o castelo, depois de tanto ritmo a puxar a dança. E dos 40 espectáculos em cartaz, só perdi três (A Naifa, Nortec Collective e Dizu Plaatjies).

Público. Porto Covo com mais gente que no ano passado, Centro de Artes sempre a abarrotar, Castelo mais tranquilo, tal como o próprio centro da cidade, e praia sempre cheia.

Surpresas pela positiva. Waldemar Bastos, Moriarty.

Momento mais bonito do festival. Rachel Unthank e as Winterset a cantarem, com as crianças mais bonitas do festival a brincarem em frente ao palco.

Festa popular. Siba e a Fuloresta no exterior do Centro de Artes, com o Siba a improvisar versos dedicados a Sines, às pessoas e ao festival. O público hindu que dançava com toda a alegria ao concerto de Asha Bhosle, em Porto Covo.

Grandes vozes. Iva Bittová, com grande empenho dramático e solta de compromissos líricos, num registo que vai do demoníaco ao pueril, do soturno ao cómico. Faiz Ali Faiz. Sergey Starostin, dos Moskow Art Trio. As irmãs Unthank.

Virtuosos de outro planeta. A Flat Earth Society, enquanto colectivo. Qualquer um dos músicos do Moskow Art Trio. Iva Bittová, na voz. Wade Schuman, dos Hazmat Modine, na harmónica. Richard Bona, o baixista dos Toto Bona Lokua. Qualquer um dos KTU. Christophe "Disco" Minck, o baixista de Rokia Traoré. Jean-Paul Bourelly, Melvin Gibbs e Will Calhoun.

Pedra nos rins do baterista valente. O baterista dos Mandrágora, entrou em colapso durante o concerto. Ainda voltou para duas ou três músicas mas viu-se de novo forçado a abandonar o palco, sendo posteriormente conduzido ao hospital. Mereceu todos os aplausos.

Mulheres mais bonitas do cartaz. Stef Conner, pianista das Winterset, e Rokia Traoré.

Azeite. Por um lado, o puro, extra-virgem, como dizia um amigo, servido pelo grupo da indiana Asha Bhosle. Por outro, o mais impróprio para consumo, saído do lagar do italiano Enzo Avitabile (ou Evitabile, como passou a ser chamado ao longo da semana).

sábado, 26 de julho de 2008

Por entre o cansaço e a tristeza da despedida

Todos os anos é a mesma coisa. Chega-se ao último sábado do FMM e sente-se na alma (e no corpo!) a marca das dezenas de espectáculos e das centenas de experiências vividas ao longo dos dias que passaram com uma rapidez desumana. Começa também a chegar, por antecipação, a tristeza de saber que amanhã é domingo, dia de regressar à casa de partida, à vida pouco interessante, por comparação com estes dias, do resto do ano. A memória irá então seleccionar os momentos que farão regressar a esta edição do festival. A celebração hipnotizante do paquistanês Faiz Ali Faiz? A dança interminável ao son dos Orchestra Baobab? A cataclísmica Brucia Troia do Vinicio Capossela ou o apocalipse revisitado pelos KTU? A beleza comovente da folk das Winterset da nortumbrianas Rachel Unthank? A opulência harmónica da Flat Earth Society com o Jimi Tenor? A festança servida nas guitarras ngoni de Bassekou Kouyaté? A irresístivel capacidade vocal e dramática da checa Iva Bittová? O blues-cabaret dos Moriarty? A perturbante forja de sons ora contemporâneos ora ancestrais do Moscow Art Trio? E o que irá ainda acontecer hoje, com o quarteto da Erika Stucky a revisitar Hendrix, os israelitas Koby Israelite e Boom Pam, a Rokia Traoré, entre outros? E este nervosismo que começa a chegar por causa do Bailarico Sofisticado...
Dá vontade de ficar neste mundo de mundos todo o ano.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O mundo em Sines (décimo e último dia)



Boom Pam no Off Festival

SÁBADO, 26 DE JULHO

Dizu Plaatjies' Ibuyambo Ensemble (África do Sul) - Avenida da praia (19h30). Fusão de várias tradições sub-sarianas, pela mão do antigo líder dos Amampondo.
Koby Israelite (Israel) - Castelo de Sines (21h30). Depois de Kimmo Pohjonen na noite anterior, mais um acordeonista maldito. Free jazz com lugar na Tzadik? Klezmer? Balcãs?
Rokia Traoré (Mali) - Castelo de Sines (23h00). Mais um regresso aguardado ao FMM. Traz novo álbum, "Tchamanché".
Doran-Stucky-Studer-Tacuma (Irlanda / Suíça / EUA) - Castelo de Sines (00h30). É ao som de uma super banda que o fogo de artifício vai rebentar nesta edição do FMM. Os intervenientes são a inenarrável Erika Stucky, que proporcionou a maior surpresa na edição do ano passado do festival, o guitarrista Christy Doran, o baterista Fredy Studer e o baixista Jamaaladeen Tacuma. O motivo? Um tributo a... Jimi Hendrix!
Jean-Paul Bourelly meets Melvin Gibbs & Will Calhoun (EUA). Avenida da praia (02h30). A última noite na praia começa com o blues arraçado de jazz, de funk e de África do guitarrista Bourelly, que já colaborou com Miles Davis, Elvin Jones, Roy Haynes, Cassandra Wilson, entre outros nomes, e com a companhia de peso nos nomes de Melvin Gibbs, baixista da Rollins Band, e de Will Calhoun, baterista dos Living Colour.
Boom Pam (Israel). Avenida da praia (04h00). O cartaz das bandas do FMM termina em apoteose com o surf rock balcânico e médio-oriental dos Boom Pam. É para partir tudo. E, se ainda houver pernas, há Bailarico Sofisticado a seguir, pelo resto da madrugada fora.

ENCONTRAMO-NOS POR LÁ, QUE É ALTURA DE BOTAR O PÉ NA ESTRADA!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Rokia Traoré de volta a Sines



A cantora maliana Rokia Traoré está de volta ao palco do castelo de Sines, para a noite de encerramento do FMM deste ano, a 26 de Julho. Aquela que é uma das vozes mais apaixonantes das que foram ouvidas entre os muros daquele castelo, traz consigo o novo álbum, "Tchamanché", onde aproveita para namoriscar com o blues e o rock (diz-se que até toca com uma Gretsch!).
Mas há mais, embora esta já não seja uma novidade: Rokia Traoré vai também subir ao palco do Grande Auditório do CCB já na próxima terça-feira, dia 20, enquanto convidada do Kronos Quartet, para a interpretação dos dois temas que gravou com estes para o álbum "Bowmboï", que mereceu o prestigiado BBC 3 World Music Award em 2003.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Esse Maio, maldito Maio, que aí vem

Heavy Trash (1 - MusicBox; 2 - TAGV; 3 - Plano B)
Rockabilly nas guitarras de Jon Spencer (da Jon Spencer Blues Explosion) e Matt Verta-Ray (ex-Madder Rose, ex-Speedball Baby).

Einstürzende Neubauten (3 - Casa da Música; 4 - Aula Magna)
A brigada de demolição Bargeld & Irmãos regressa, agora com um novo álbum, Alles Wieder Offen. Nem que o concerto tivesse metade da intensidade do último (no CCB), já seria uma experiência absolutamente imperdível. Ainda há muitos bilhetes... Como é que é possível?

Mão Morta "Maldoror" (3 - Theatro Circo)
O adeus definitivo a "Maldoror", que a casa retorna. Depois da estreia, naquele mesmo espaço, há cerca de um ano, "Maldoror" percorreu o país, para agora chegar ao fim. A partir daqui, vai ser sempre... "Foste? Sim? Foi tão bom, não foi? Não foste? Não sabes o que perdeste!".

Diamanda Galás (6 - Theatro Circo; 8 - Casa da Música; 10 - Aula Magna)
A senhora Galás apresenta-se com o espectáculo "Guilty Guilty Guilty", onde no qual abre o seu palco de horrores a composições tornadas populares por Johnny Cash, Edith Piaf e outras vozes.

The National (11 - Aula Magna)
Eles gostaram do nosso país e só este ano vêm cá por três vezes. Ou nós é que gostámos deles e queremos que por cá dêem um salto sempre que vierem visitar os primos na Europa. Este espectáculo na Aula Magna foi literalmente comprado por uma marca de comunicações e já está "esgotado" (com muitas aspas) há muito tempo. Por falar nisso, alguém arranja um bilhetinho?

James Blackshaw & Josef van Wissem (11 - ZDB)
Conheci o Jim quando a amorosa Josephine Foster o trouxe consigo na primeira série de concertos (promovidos aqui pelo tasco) que realizou por cá. Miúdo de poucas falas, deixou toda a gente extasiada com a forma como dedilhava a guitarra de doze cordas.


John Cale (16 - Casa das Artes de Famalicão; 17 - Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre)
A descentralização, a descentralização. Uma figura destas vem a Famalicão e a Portalegre. Nada de Lisboa ou Porto. É bonito!

Negativland (17 - LX Factory)
Alguém me corrija, mas não será esta a primeira vez que os veteranos do corte e colagem vêm ao nosso país, não? O concerto está previsto para o LX Factory, o nome eventualmente provisório de um espaço novo para os lados de Alcântara.

Kronos Quartet (20 - CCB)
Igualmente veteranos, mas já mais vistos por cá, o quarteto de cordas volta com um programa constituído por composições de JG Thirwell (dito Foetus), Rokia Traoré (na companhia da própria), Amon Tobin e John Zorn, entre outros.

Animal Collective (26 - Cinema Batalha; 29 - Lux)
Depois da inesquecível viagem de cacilheiro até à margem sul, o colectivo zoológico traz agora novos pretextos para fazer abanar alma e corpo. Traz também Bradford James Cox, o vocalista dos Deerhunter, no seu projecto Atlas Sound, para as primeiras partes.

Boris (26 - Porto-Rio; 27 - ZDB LX Factory)
Vão ser as noites dos amplificadores. Drones e heavy metal pelas mãos dos japoneses Boris. Nas primeiras partes outros adoradores de amplificadores, os norte-americanos Growing. Vai ser imperdível mas... é aconselhável levar tampões, pela vosse saúde auditiva (sem qualquer tom pejorativo, leia-se).

Cat Power (26 - Coliseu dos Recreios; 28 - Coliseu do Porto)
Mais uma visita da menina Marshall. Agora com direito a coliseus e tudo.

CocoRosie (26 - TAGV)
As manas Casady também estão de volta, agora com passagem por Coimbra.

Toumani Diabaté (28 - Casa da Música; 31 - Culturgest)
Ninguém fez tanto pela kora, guitarra da África Ocidental, nos últimos tempos. O mestre já não é uma cara estranha por cá e até podia cá vir com maior frequência, que a gente não se importa.

Young Marble Giants (30 - Casa da Música)
Reverenciados por muitos ao longo de quase três décadas (eu confesso, correndo o risco de ser agredido: sempre me passaram ao lado), reuniram-se e voltaram aos palcos. E ali estão eles na Casa da Música.

Vampire Weekend (30 - Casa da Música)
No mesmo dia e também na Casa da Música, uma das propostas mais interessantes vindas da pop americana. (Alguém arranja bilhete para estes, também, faxavor?)

É um mês tramado. E nem sequer falei da digressão pelo país dos Irmãos Verdades, entretanto regressados.