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quarta-feira, 12 de março de 2014

Um italiano e um alemão que hoje sobem ao palco do Maria Matos

O italiano é Teho Teardo, de 47 anos, compositor de bandas sonoras para cinema, colaborador de gente como Mick Harris, Erik Friedlander, Nurse With Wound ou Lydia Lunch e fundador dos Meathead, nos anos 90. O alemão é Blixa Bargeld, de 55 anos e do qual se dispensa quaisquer outras apresentações. No ano passado juntaram-se para o belíssimo álbum "Still Smiling".

Sobem hoje ao palco do Maria Matos. E porque o Maria Matos gosta sempre de tornar estas ocasiões ainda mais especiais, com eles vai estar também o Quarteto Lopes-Graça para, como se diz na página, "ouvirmos cada canção tal como foi idealizada".

Os bilhetes custam 18€, com os habituais descontos, e o espetáculo começa às 22h.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

10 anos, 10 livros (#2: Einstürzende Neubauten: No Beauty Without Danger)



EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN: NO BEAUTY WITHOUT DANGER
Max Dax, Robert Defcon
Primeira edição: Ed. Autor Limitada (500 ex.), 2005
(Edição alemã: "Nur Was Nicht Ist, Ist Möglich")

"No Beauty Without Danger" é uma biografia redigida num formato pouco comum. O texto é exclusivamente composto por respostas às entrevistas que os autores fizeram aos músicos que passaram pelos Einstürzende Neubauten e por quem com eles conviveu de perto. Imaginem um documentário baseado exclusivamente, como é mais habitual no meio televisivo e cinematográfico, nos testemunhos de homens e mulheres. Devidamente editados e arranjadas, estes testemunhos conseguem agarrar o leitor na descoberta de um percurso notável de um projeto notável. O posfácio é da autoria de Arto Lindsay.

Falei do livro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

[Entrada no goodreads]

sábado, 26 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #11-15

11. LIARS @ LUX
25 de Novembro de 2003
Primeira vez em Portugal, primeira vez de várias ocasiões em que os apanhei. Escrevi, na altura: "Antes de mais, convém esclarecer que o título [Liars Death] não é nenhuma certidão de morte aos Liars. Bem pelo contrário. Quem viu o grupo nova-iorquino esta noite no Lux (ou, presumidamente, no Sá da Bandeira, um dia antes) poderá perceber o trocadilho se contextualizar esta(s) noite(s) com os primeiros discos dos Sonic Youth, nomeadamente com aquele registo ao vivo que o clube de fãs celebrizou com nome aproximado ao do título. É bom começar por dizer estas coisas, pois podemos logo libertar-nos de fantasmas que pairam sobre a narração ou interpretação de algo a que assistimos e que dificilmente se repetirá nas mesmas condições. Isto é, os Liars não fazem nada de particularmente novo. É ponto assente. Já os Sonic Youth e muitas outras bandas, quer americanas, quer europeias (e aquela segunda faixa não fez lembrar os ritmos tribalescos dos Test Department?), o tinham experimentado há cerca de vinte anos. O que fez então do concerto dos Liars desta noite algo de tão especial? Esqueçamos por momentos, passe a redundância, o tempo. Imaginemos -- aqueles que por razões óbvias, ou seja, pela idade, o possam fazer -- que estamos nos anos 80. Os outros que tentem imaginar a situação através dos relatos dos mais velhos. Imaginem que não há nada mais que três tipos a fazer algo em palco que nos é de tal forma compulsivo e arrasador (o zunido nos ouvidos parece querer confirmar a hipótese) que nos faz perder toda a noção de espaço-tempo (desculpem esta pequena intromissão, quase cameo, da variável tempo). Mas... não era isso que um bom concerto de rock conseguia fazer há anos? Muito passa pela bateria firme de Julian Gross (nova aquisição), tal como há vinte anos passava pelas de Richard Edson ou Jim Sclavunos, nos Sonic Youth. Por cima destas compulsivas sequências de bombo e tarola há uma guitarra e uma voz desalmada de Angus Andrew (a propósito, as notáveis semelhanças físicas do vocalista dos Liars com Nick Cave remetem para a estranha coincidência de ambos serem australianos). Às tantas, a descarga sonora é de tal forma assolapante que voltamos a pensar no tempo, como na frase 'e não é que em 2003 podemos voltar a sentir tais sensações?'. O espectáculo durou cerca de quarenta minutos. Talvez um pouco mais do que o espectáculo no Porto, pois de acordo com o que Angus Andrew referiu ao microfone, esta noite era 'especial', já que marcou o encerramento da digressão dos Liars pela Europa. Pouco tempo? Talvez, pois poucos se importariam de continuar a ser alvo da agressão sonora vinda de palco. Mas importa perceber que, como diz um aforismo certeiro, a música não se mede a metro. Quarenta minutos de Liars valeram seguramente por muitas horas de concertos de milhentas bandas. Para terminar, uma pequena provocação. Enquanto os Strokes (sim, tinha que ser) aproveitam a onda para fazer co-brandings com marcas de roupa e afins, os vizinhos Liars apresentaram-se esta noite com as marcas dos amplficadores tapadas com fita adesiva, à semelhança do que, por exemplo, fazem os Mão Morta por cá. Statements políticos como estes deixam perceber que o punk não é já só uma vã categoria nos meandros do marketing musical. Existe, e com postura digna. Ah, falta dizer: concerto do ano!"

12. HOWE GELB @ MUSICAIS
31 de Março de 2003
A primeira vez que o Codfish Cowboy -- assim o baptizámos depois do jantar -- tocou num palco português. Haverá nesta escolha, claro, algum enviesamento resultante do privilégio que tive de ser uma das várias pessoas envolvidas na produção deste espectáculo, daí que não consiga dissociar aquela actuação (magnífica) dos episódios vividos durante estes dois ou três dias com Howe Gelb. Em todo o caso, todas as reacções que tenho vindo a ter ao longo dos anos são concordantes. Foi uma óptima noite. E ainda há a história dos Dead Combo...

13. TRILOK GURTU & THE MISRA BROTHERS @ FMM SINES
28 de Julho de 2006
Foi a segunda de três vezes que já tive a sorte de ver Trilok Gurtu, indisputavelmente o homem que melhor consegue trabalhar o ritmo neste planeta. Para esta actuação no FMM, a minha preferida da edição desse ano, veio acompanhado pela sua Índia, com as vozes khylal dos Misra Brothers.

14. EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN @ CCB
12 de Abril de 2005
De A a Z, como escrevi na altura, aqui.

15. CYRO BAPTISTA - PAU NA MULA @ FMM SINES
24 de Julho de 2009
Duas posições depois de Trilok Gurtu, eis outro titã da percussão, o brasileiro Cyro Baptista. Se se juntassem os dois, abrir-se-ia uma fenda na Terra, a qual se desviaria da sua rota orbital, e... Bom, escrevi isto há alguns meses: "No topo dos topos, o espectáculo 'Pau na Mula', de Cyro Baptista e da sua companhia de percussionistas, que conquistou facilmente o público com a irreverência, algures a meio caminho entre Tom Zé e Hermeto Pascoal (dois compatriotas igualmente chanfrados que pisaram aquele mesmo palco) e o virtuosismo dos músicos. As partes do sapateado, por Nicholas Young, por exemplo, devem ter sido a coisa mais fora de comum e mais eficiente que já se viu neste festival. (...)"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A marca Neubauten

Excerto da mais recente newsletter dos Einstürzende Neubauten, acabada de receber:

Dear friends of the Einstürzende Neubauten,

We've been pooling our thoughts, screening drafts and rejecting ideas for a long time.
And now, our new and amply full fan shop is finally online!!!
We believe that the result is quite impressive. The shop has much to offer and not just visually, but also with regard to content. So, for example, right on schedule for the start of the “cold season” we have a new logo cap and a logo cup for your hot Christmas punch in the program. A practical new DJ bag, an indispensable key chain and a stylish money clip enhance the varied offerings. Moreover, for all you vinyl junkies out there, we can now announce that a rich selection of “black gold” can be found in our shop, effective immediately.
Convince yourselves! Open your own user account, click through our up-to-date assortment and find unique Christmas presents for your loved ones or even for yourself.
Enjoy shopping at: http://www.einstuerzende-neubauten.org


É tão bom saber que os thoughts, os drafts e as ideas dos Neubauten andam por aqui...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Um bom 09 para todos

Faltam dois dias para que este ano chegue ao fim. 2008 foi tão pródigo em azares, em dissabores e em sinais carregados de pessimismo para o futuro que nem vale a pena fazer retrospectiva do que se passou, nem sequer dos bons momentos. Mais vale esquecê-lo rapidamente, como se de um pesadelo se tratasse, e acordar para o novo calendário que aí vem.

Ainda assim, deixem-me fazer a brincadeira habitual de fim-de-ano, com a eleição dos meus... cem concertos do ano. E com uma nota muito especial para o espectáculo que encabeça a tabela. Quando, por exagero, pensamos que, aos 35 anos, já vimos tudo que havia para ver e que aquilo que se vive nunca suplantará o que já se viveu (não pensamos, livra, é apenas uma argumentação levada ao absurdo!), eis que aparece algo que nos atira por terra para depois nos encher de vida e de optimismo. Diria mesmo mais: se, num pesadelo, me obrigassem a indicar o concerto favorito de sempre com uma arma apontada à cara, aí estaria a resposta. NEIL YOUNG.

Bom ano para todos.



1. NEIL YOUNG @ ALIVE (12/JUL)

2. rokia traoré @ fmm (26/jul)
3. orchestra baobab @ fmm (24/jul)
4. extra golden @ zdb (2/jul)
5. einstürzende neubauten @ aula magna (4/mai)
6. bassekou kouyaté & ngoni ba @ fmm (17/jul)
7. animal collective @ lux (28/mai)
8. dirty projectors @ zdb (6/jun)
9. faiz ali faiz @ fmm (25/jul)
10. iva bittová @ fmm (22/jul)

11. david thomas broughton @ zdb (5/mar)
12. timbila muzimba @ zdb (26/jun)
13. gala drop @ lounge (26/dez)
14. flat earth society meets jimi tenor @ fmm (19/jul)
15. lightning bolt @ parque de estacionamento do largo camões (23/nov)
16. michael gira @ nimas (25/fev)
17. toumani diabaté @ ccb (2/ago)
18. beach house @ maxime (16/nov)
19. moskow art trio @ fmm (21/jul)
20. dengue fever @ póvoa de varzim (29/ago)
21. mão morta "maldoror" @ culturgest (23/abr)
22. matt elliott @ maxime (21/mar)
23. the national @ alive (10/jul)
24. rachel unthank & the winterset @ fmm (25/jul)
25. loosers @ avenida 211 (19/dez)
26. moriarty @ fmm (22/jul)
27. silvério pessoa @ fmm (24/jul)
28. the national @ aula magna (11/mai)
29. boom pam @ fmm (26/jul)
30. ktu @ fmm (25/jul)
31. sonny simons, bobby few, masa kamaguchi @ zdb (11/out)
32. scout niblett @ zdb (30/mai)
33. dele sosimi afrobeat orchestra @ póvoa de varzim (28/ago)
34. no age @ zdb (23/out)
35. the dodos @ musicbox (6/dez)
36. waldemar bastos @ fmm (23/jul)
37. siba e a fuloresta @ fmm (17/jul)
38. gala drop @ zdb (6/jun)
39. stellar om @ parque de estacionamento do largo camões (23/nov)
40. nick cave and the bad seeds @ coliseu dos recreios (21/abr)
41. dead combo @ zdb (25/jan)
42. pop dell'arte @ maxime (25/dez)
43. gala drop @ museu chiado (5/out)
44. alamaailman vasarat @ póvoa de varzim (29/ago)
45. hazmat modine @ fmm (18/jul)
46. farra fanfarra @ póvoa de varzim (30/ago)
47. josephine foster @ zdb (11/out)
48. toubab krewe @ fmm (24/jul)
49. high places @ zdb (11/dez)
50. ritchaz & kéke @ lounge (26/dez)

51. vinicio capossela @ fmm (23/jul)
52. negativland @ lx factory (17/mai)
53. tom carter @ zdb (5/mar)
54. bonnie "prince" billy @ zdb (11/jul)
55. danças ocultas @ fmm (20/jul)
56. nobody's bizness @ póvoa de varzim (28/ago)
57. estilhaços @ são jorge (20/nov)
58. jean-paul bourelly @ fmm (26/jul)
59. antony joseph & the spasm band @ fmm (23/jul)
60. mandrágora & special guests @ fmm (24/jul)
61. lo còr de la plana @ fmm (21/jul)
62. danae @ fmm (21/jul)
63. awesome color @ lounge (4/jun)
64. heavy trash @ musicbox (1/mai)
65. anonima nuvolari @ castelo de são jorge (10/mai)
66. ashla bhosle @ fmm (20/jul)
67. cabesssa lacrau @ f*** colombo (20/set)
68. the glockenwise @ avenida 211 (19/dez)
69. familea miranda @ lounge (7/mar)
70. gnu @ lounge (1/fev)
71. health @ zdb (2/jun)
72. liars @ santiago alquimista (9/jun)
73. deolinda @ póvoa de varzim (29/ago)
74. the act-ups @ maxime (4/set)
75. the last poets @ fmm (19/jul)
76. religious knives @ museu chiado (5/out)
77. silver mt. zion @ zdb (30/out)
78. vampire weekend @ alive (10/jul)
79. deolinda @ são jorge (7/mai)
80. silver apples @ zdb (11/mar)
81. loosers @ santiago alquimista (9/jun)
82. rosapaeda @ póvoa de varzim (30/ago)
83. jana hunter @ maxime (16/nov)
84. hoba hoba spirit @ póvoa de varzim (30/ago)
85. toto bona lokua @ fmm (24/jul)
86. a tribute to andy palacio @ fmm (20/jul)
87. marful @ fmm (24/jul)
88. doran - stucky - studer - tacuma @ fmm (26/jul)
89. serra-lhos aí!!! & os rosais @ fmm (17/jul)
90. bypass @ zdb (19/jan)
91. justin adams & juldeh camara @ fmm (23/jul)
92. herminia @ fmm (18/jul)
93. gogol bordello @ alive (10/jul)
94. smartini @ musicbox (5/jan)
95. kumpania algazarra @ 1º de maio na alameda (1/mai)
96. dead combo @ fmm (22/jul)
97. koby israelite @ fmm (26/jul)
98. jorge ferraz trio @ lounge (2/out)
99. lucky dragons @ zdb (23/out)
100. terrible eagle @ lounge (5/dez)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Concertos do 08 (Lista dos leitores)

1. Rokia Traoré @ FMM Sines, 26/7
2. Neil Young @ Alive Festival, 12/7
3. Portishead @ Coliseu do Porto, 26/3 + Coliseu dos Recreios, 27/3
4. Einstürzende Neubauten @ Aula Magna, 4/5
5. Michael Gira @ Teatro Miguel Franco de Leiria, 24/2 + Nimas, 25/2
6. Black Lips @ Porto-Rio, 21/4 + Lux, 22/4
7. Mão Morta ("Maldoror") @ Culturgest, 23/4
8. Animal Collective @ Lux, 28/5
9. Extra Golden @ ZDB, 2/7
10. (ex-aequo) Awesome Color @ Lounge, Björk @ Sudoeste, Leonard Cohen @ Algés, Rage Against the Machine @ Alive, Rickie Lee Jones @ Famalicão, Vampire Weekend @ Casa da Música

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Prova de vida

Houve, por alturas da edição de "Alles Wieder Offen", uma facção da crítica que se propôs a caracterizar os Einstürzende Neubauten como um projecto cristalizado no tempo, sem a ousadia de outrora. Não é novidade. Já o mesmo vinha a ser dito, aqui e ali, sempre que se falava de um álbum novo para os berlinenses. Mesmo a propósito, esta noite, na Aula Magna, ao longo de mais duas horas, quase todos os temas tocados pelos Einstürzende Neubauten foram criados nos anos mais recentes. E o espectáculo foi... tremendo. Não só a maior parte dos temas eram novos (destaque para as magníficas versões ao vivo de "Let's Do it a dada", de "Weil Weil Weil" ou de "Susej", a tal que usava o som percussivo da guitarra de Blixa Bargeld em 1982), como até houve oportunidade para demonstrar ao vivo o sistema de cartas DAVE, do qual Alex Hacke falava aqui, para apresentar ao público um tema inédito por natureza. O público também merece ser destacado. Nem parecia a Aula Magna, palco habitual para urros no meio das músicas, palmas a marcar o ritmo e outras histerias afins. Até o próprio Blixa fez o elogio: "esta já é a nossa 13ª ou 14ª data da digressão e não encontrámos um público tão bom [ok, isto é banal] e tão... disciplinado [isto sim, é novidade] como este".

terça-feira, 29 de abril de 2008

Esse Maio, maldito Maio, que aí vem

Heavy Trash (1 - MusicBox; 2 - TAGV; 3 - Plano B)
Rockabilly nas guitarras de Jon Spencer (da Jon Spencer Blues Explosion) e Matt Verta-Ray (ex-Madder Rose, ex-Speedball Baby).

Einstürzende Neubauten (3 - Casa da Música; 4 - Aula Magna)
A brigada de demolição Bargeld & Irmãos regressa, agora com um novo álbum, Alles Wieder Offen. Nem que o concerto tivesse metade da intensidade do último (no CCB), já seria uma experiência absolutamente imperdível. Ainda há muitos bilhetes... Como é que é possível?

Mão Morta "Maldoror" (3 - Theatro Circo)
O adeus definitivo a "Maldoror", que a casa retorna. Depois da estreia, naquele mesmo espaço, há cerca de um ano, "Maldoror" percorreu o país, para agora chegar ao fim. A partir daqui, vai ser sempre... "Foste? Sim? Foi tão bom, não foi? Não foste? Não sabes o que perdeste!".

Diamanda Galás (6 - Theatro Circo; 8 - Casa da Música; 10 - Aula Magna)
A senhora Galás apresenta-se com o espectáculo "Guilty Guilty Guilty", onde no qual abre o seu palco de horrores a composições tornadas populares por Johnny Cash, Edith Piaf e outras vozes.

The National (11 - Aula Magna)
Eles gostaram do nosso país e só este ano vêm cá por três vezes. Ou nós é que gostámos deles e queremos que por cá dêem um salto sempre que vierem visitar os primos na Europa. Este espectáculo na Aula Magna foi literalmente comprado por uma marca de comunicações e já está "esgotado" (com muitas aspas) há muito tempo. Por falar nisso, alguém arranja um bilhetinho?

James Blackshaw & Josef van Wissem (11 - ZDB)
Conheci o Jim quando a amorosa Josephine Foster o trouxe consigo na primeira série de concertos (promovidos aqui pelo tasco) que realizou por cá. Miúdo de poucas falas, deixou toda a gente extasiada com a forma como dedilhava a guitarra de doze cordas.


John Cale (16 - Casa das Artes de Famalicão; 17 - Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre)
A descentralização, a descentralização. Uma figura destas vem a Famalicão e a Portalegre. Nada de Lisboa ou Porto. É bonito!

Negativland (17 - LX Factory)
Alguém me corrija, mas não será esta a primeira vez que os veteranos do corte e colagem vêm ao nosso país, não? O concerto está previsto para o LX Factory, o nome eventualmente provisório de um espaço novo para os lados de Alcântara.

Kronos Quartet (20 - CCB)
Igualmente veteranos, mas já mais vistos por cá, o quarteto de cordas volta com um programa constituído por composições de JG Thirwell (dito Foetus), Rokia Traoré (na companhia da própria), Amon Tobin e John Zorn, entre outros.

Animal Collective (26 - Cinema Batalha; 29 - Lux)
Depois da inesquecível viagem de cacilheiro até à margem sul, o colectivo zoológico traz agora novos pretextos para fazer abanar alma e corpo. Traz também Bradford James Cox, o vocalista dos Deerhunter, no seu projecto Atlas Sound, para as primeiras partes.

Boris (26 - Porto-Rio; 27 - ZDB LX Factory)
Vão ser as noites dos amplificadores. Drones e heavy metal pelas mãos dos japoneses Boris. Nas primeiras partes outros adoradores de amplificadores, os norte-americanos Growing. Vai ser imperdível mas... é aconselhável levar tampões, pela vosse saúde auditiva (sem qualquer tom pejorativo, leia-se).

Cat Power (26 - Coliseu dos Recreios; 28 - Coliseu do Porto)
Mais uma visita da menina Marshall. Agora com direito a coliseus e tudo.

CocoRosie (26 - TAGV)
As manas Casady também estão de volta, agora com passagem por Coimbra.

Toumani Diabaté (28 - Casa da Música; 31 - Culturgest)
Ninguém fez tanto pela kora, guitarra da África Ocidental, nos últimos tempos. O mestre já não é uma cara estranha por cá e até podia cá vir com maior frequência, que a gente não se importa.

Young Marble Giants (30 - Casa da Música)
Reverenciados por muitos ao longo de quase três décadas (eu confesso, correndo o risco de ser agredido: sempre me passaram ao lado), reuniram-se e voltaram aos palcos. E ali estão eles na Casa da Música.

Vampire Weekend (30 - Casa da Música)
No mesmo dia e também na Casa da Música, uma das propostas mais interessantes vindas da pop americana. (Alguém arranja bilhete para estes, também, faxavor?)

É um mês tramado. E nem sequer falei da digressão pelo país dos Irmãos Verdades, entretanto regressados.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Em Maio, concertos comó raio.

Dia 3 - Einstürzende Neubauten @ Casa da Música
Dia 3 - Maldoror, pelos Mão Morta @ Theatro Circo
Dia 4 - Einstürzende Neubauten @ Aula Magna
Dia 8 - Diamanda Galás @ Casa da Música
Dia 10 - Diamanda Galás @ Aula Magna
Dia 11 - The National @ Aula Magna
Dia 16 - John Cale @ Casa das Artes de Famalicão
Dia 17 - John Cale @ Centro das Artes e do Espectáculo de Portalegre
Dia 20 - Kronos Quartet @ CCB
Dia 26 - Cat Power @ Coliseu dos Recreios
Dia 27 - Animal Collective @ Cinema Batalha
Dia 28 - Animal Collective @ Theatro Circo
Dia 28 - Cat Power @ Coliseu do Porto
Dia 29 28 - Animal Collective @ Lux
Dia 31 - Young Marble Giants @ Casa da Música

(Sim, sim. Os Young Marble Giants vêm mesmo cá.)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Listas 2007: os melhores álbuns para os leitores

LCD Soundsystem e Panda Bear, pois claro. :)



1. LCD SOUNDSYSTEM "Sound of Silver"
2. PANDA BEAR "Person Pitch"
3. ARCTIC MONKEYS "Favourite Worst Nightmare"
4. CHROME HOOF "Pre-Emptive False Rapture"
5. ARCADE FIRE "Neon Bible"
6. BATTLES "Mirrored"
7. EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN "Alles Wieder Offen"
8. M.I.A. "Kala"
9. RADIOHEAD "In Rainbows"
10. ANDREW BIRD "Armchair Apocrypha"

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Pára tudo!

(Conforme deixava antever a resposta de Alex Hacke relativamente a próximos concertos...) Einstürzende Neubauten na Casa da Música e na Aula Magna, dias 3 e 4 de Maio de 2008, respectivamente.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Abertura total, de novo #6 (Einstürzende Neubauten em Portugal e depois, descanso...)

(Conclusão da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen", que saiu hoje para os escaparates das lojas.)

Q6. Quando saiu "Perpetuum Mobile", disse-se que era essencial para que pudesse acontecer uma digressão mundial. Este novo "Alles Wieder Offen" vai também dar origem a uma digressão do mesmo género?

ALEX HACKE: Sim, vamos fazer uma digressão intensiva a partir de Abril do próximo ano e Portugal vai estar de certeza incluído.

Q7. Pensam voltar, depois disto, aos álbuns exclusivos para os supporters?

ALEX HACKE: Não. Nem sequer temos sessões de estúdio planeadas a breve prazo. Após a digressão do próximo ano, vamos deixar os Neubauten descansarem um pouco. Pensaremos em qualquer coisa para o nosso 30º aniversário, em 2010...

Q8. Passaram, mais ou menos, 10 anos desde que Mufti e Marc Chung deixaram o grupo, abrindo caminho para Jochen Arbeit e Rudi Moser. Como avalia estes anos a trabalhar com eles?

ALEX HACKE: Fizemos muitas coisas na última década que teriam sido impossíveis com o line-up antigo e tem sido muito bom.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Abertura total, de novo #5

(Continuação da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen".)

Q5. A primeira leitura que se faz ao título do álbum (algo como "Tudo aberto de novo") é a de que, depois de mais de dez discos lançados em exclusivo para os supporters, vocês estão de volta a uma audiência alargada. Abertura total, de novo?

ALEX HACKE: Quando tudo se abre de novo, fica também tudo por resolver, de novo. Algo que está exposto de novo deixa de estar protegido. Isso também implica uma certa obrigação de revermos uma decisão que tomámos ou de escolher seguir uma qualquer de outras opções.

(Continua. O álbum sai para as lojas no dia 19.)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Abertura total, de novo #4

(Continuação da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen".)

Q4. A maior parte das faixas deste disco têm partes retiradas dos vossos arquivos sonoros, de gravações ao vivo (como "Von Wegen", que aproveita um improviso do último concerto em Lisboa), destes álbuns exclusivos dos supporters ou, recuando mais no tempo, de gravações como a que foi usada em "Susej", que recupera o Blixa a tocar guitarra em 1982. É correcto dizer-se que "Alles Wieder Offen" é, por excelência, o disco de estúdio dos Neubauten, aquele em que houve menos tempo passado na sala de gravações?

ALEX HACKE: Não... "Von Wegen", tal como "Redukt", "Alles", "Seltener Vogel" e muitas outras faixas nossas derivam meramente de um "rampe", uma improvisação ao vivo. Como gravamos cada espectáculo que fazemos, voltamos a ouvir as gravações e analisamos essas improvisações, de forma a construírmos canções propriamente ditas a partir daí. No caso da gravação do Blixa, a bater com o pé e a tocar guitarra, nós voltámos a isso inúmeras vezes ao longo destes anos, mas até agora nunca tínhamos conseguido retirar daí algo com sentido e, daí, nunca a usámos de uma forma construtiva.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Abertura total, de novo #3

(Continuação da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen".)

Q3. Em alguns dos discos destinados em exclusivo aos supporters, vocês criaram um método de trabalho, através da utilização de cartões tirados à sorte. Li que também está presente neste "Alles Wieder Offen". Do que se trata, afinal de contas?

ALEX HACKE: O oráculo divinatório (ou sistema de navegação, se quisermos), ao qual demos o nome Dave foi aplicado na criação das "Jewels" de que falava há pouco. É uma caixa com 600 cartões contendo informação como: "algo suave", "arranhar", "Fa #", "Vegetais" e outras especificações úteis como estas ou ainda mais confusas. Cada elemento da banda pega em algumas cartas e usa-as para se inspirar no que tocar nessa peça em particular.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Abertura total, de novo #2

(Continuação da entrevista a Alexander Hacke, dos Einstürzende Neubauten, a propósito do novo álbum, "Alles Wieder Offen".)

Q2. Levaram cerca de 200 dias a gravar este disco. Não é muito tempo?

ALEX HACKE: Até foi muito rápido, tendo em conta que antes de começarmos estes projectos exclusivos para os "supporters", os Neubauten produziam discos em períodos que nunca eram inferiores a dois anos, em média. Ao longo destes duzentos dias, gravámos, na verdade, dez álbuns. Este de que estamos a falar, oito edições da série "Musterhaus" e quinze das chamadas "Jewels", que serão editadas em CD no próximo ano.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Abertura total, de novo #1

"Alles Wieder Offen", que é como quem diz "tudo aberto, de novo", é o título do mais recente álbum dos alemães Einstürzende Neubauten, que deverá chegar às lojas a 19 de Outubro. Nos três anos que o separam de "Perpetuum Mobile", muito aconteceu na história do grupo. Mais de dez discos foram lançados exclusivamente para o clube restrito dos "supporters" que têm contribuído financeiramente para a independência do grupo da tradicional indústria discográfica. O disco de regresso, por assim dizer, ao grande público, é mais um sinal da independência adquirida pelos Neubauten: o selo é da Potomak, editora constituída pelos próprios. É um belíssimo disco. E a digressão vem a seguir. Preparem-se.

Ao longo dos próximos dias, deixarei as respostas de Alexander Hacke, um dos Neubauten, às perguntas que lhe fiz.



Q1. Este disco parece dar um passo em frente no processo de maturação dos Einstürzende Neubauten, tal como se tem visto desde "Silence is Sexy" ou, indo mais longe, desde "Tabula Rasa". É um disco Einstürzende Neubauten, não haja dúvida, mas parece ter mais instrumentos convencionais, a voz do Blixa soa ainda mais suave e todos os arranjos parecem estar perfeitos. Faz isto algum sentido para si? Discutiram isto no processo de composição, gravação e mistura do disco?

ALEX HACKE: Estou contente por saber que existe alguma espécie aparente e reconhecível de progresso. Nós apenas trabalhamos com todas as ferramentas disponíveis para criar a música que entendemos. Desta vez, não aplicámos nenhuma forma conceptual como no "Perpetuum Mobile", onde o tema era o ar, a perspectiva dos pássaros, viagens e assim. Apenas tentámos fazer a música que gostamos de ouvir. O resultado é um álbum muito pessoal, que leva em linha de conta e acarinha a nossa história enquanto um grupo de indivíduos que passaram a maior parte das suas vidas juntos.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Adolescência revisitada

Tem piada, que numa postagem ali mais atrás, falasse dos Mudhoney e dos Young Gods. Hoje deve ser o dia N, de nostalgia. Talvez porque logo à noite vão subir ao palco do Super Rock os Jesus and Mary Chain, aquela que foi uma das minhas maiores paixões de adolescência. Tal como os Young Gods e os Mudhoney, entre muitos outros. Mas os escoceses foram especiais no crescimento auditivo. Literalmente, porque a eles se deve grande parte dos estragos feitos nos meus ouvidos. A eles e aos Sonic Youth e aos Neubauten, claro, ou ainda, noutro departamento, aos Hafler Trio, por exemplo. Num tempo em que a mesada dava -- com algum jeito e se não gastasse dinheiro noutras coisas -- para apenas um disco a cada mês e meio, os Jesus and Mary Chain foram aquela primeira banda em cujos LPs investi mais. Não é por isso de estranhar que hoje seja um dia especial. E que não tenha ouvido outra coisa desde manhã que não seja as Peel Sessions deles. Primeiro, porque era o que estava mais à mão. Segundo, porque cobre, de forma mais ou menos interessante, boa parte da carreira do grupo. Terceiro, porque o despojamento de produção das Peel Sessions relega estas canções para o habitat primário dos Jesus and Mary Chain: muito feedback e melodias simples. E é isso que se quer logo à noite. Nostalgia ou nevralgia, vai ser bom voltar a vê-los quinze anos depois da chinfrineira no Carlos Lopes.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Europa fora de moda, parte II

Aqui há cerca de três meses, alinhavei algumas ideias em torno da forma como o rock feito na Europa, excluindo Inglaterra, corria o risco de ser mais ou menos ignorado pelos actuais canais de divulgação. Havia ali uma certa hiperbole argumentativa, é certo. Não estamos inteiramente virados de costas para o que vai sendo feito pela Europa, mas continuo a achar que já estivemos mais atentos e mais informados sobre o que se passa neste espaço cada vez mais "comum" do que estamos hoje.

Faltava, nesse conjunto de ideias, abordar uma outra questão. A história. Para a geração dos 30 e mais anos, há coisas do passado que não ficarão esquecidas, quanto mais não seja porque temos na prateleira estes ou aqueles discos ou cassettes a apanharem pó, enquanto aguardam por um daqueles acessos de nostalgia da nossa parte. Mas para os mais novos, que se interessem hoje por compreender o passado da música popular, vão deparar com uma história particularmente enviesada em direcção ao eixo anglo-saxónico.

Já não falo sequer no caso português, que, pelas razões que conhecemos e com as quais temos de viver, designadamente a falta de mercado, muito pouco se conhece efectivamente sobre o que foi o rock dos anos 70 e 80. Felizmente, porém, temos um valoroso trabalho como o do Aristides Duarte, aqui já falado, no seu blogue, rockemportugal.blogspot.com, e que em breve será concretizado no formato de livro.

Existe, portanto, um domínio claro de um certo anglo-saxonismo não só no que diz respeito à divulgação do que se passa hoje, mas igualmente no que está documentado relativamente ao que se passou para trás. O jornalista inglês Simon Reynolds, que através do livro "Rip it Up and Start Again" (ver capa numa posta mais abaixo) veio preencher uma lacuna na história documentada da música popular das últimas décadas (a fase do pós-punk), lembra num parêntesis aberto logo na introdução, e de forma bastante humilde: "For reasons of sanity and space, I have regretfully decided not to grapple with European post-punk or Australia's fascinating but deep underground scene, except for certain key groups such as DAF, Einstürzende Neubauten and the Birthday Party, all of whom significantly impacted on Anglo-American rock culture."

A história transporta sempre consigo este defeito da parcialidade. Diz-se dela que é a história dos vencedores. Retrata os povos vencidos como "bárbaros", dos quais o mundo precisou de se ver livre, tarefa na qual interviram "os mais nobres e valorosos heróis", do lado dos vencedores. Faz tabula rasa das virtudes dos vencidos, sublimando, na outra face da moeda, todos os seus podres. Nisto a que podemos chamar de história da música popular, os vencidos não chegam sequer a ver expostos os seus podres. São apenas ignorados. As batalhas de hoje disputam-se em terrenos económicos (mais do que no passado, entenda-se) e os vencidos são aqueles que perderam capacidade de serem ou de gerarem mercados. Um livro como o do Simon Reynolds tem e terá a aceitação global que um mesmo trabalho sobre as reacções ao punk por essa Europa fora, dos franceses Téléphone aos alemães Abwärts, por exemplo, dificilmente terá (até mesmo junto dos europeus, cada vez mais virados, como já se disse, para fora). Mas a música fez-se, os movimentos e as bandas também existiram. A história vai é, provavelmente, esquecê-los...