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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Faltava uma lista do FMM

10 concertos favoritos (obviamente, entre os 35 vistos, entre mais de 50 do programa):

1. BCUC (África do Sul) @ Castelo
2. Ifriqiyya Électrique (França / Itália / Tunísia) @ Praia
3. Richard Bona Mandekan Cubano (Camarões / Cuba) @ Castelo
4. Savina Yannatou & Primavera en Salonico (Grécia) @ Castelo
5. Basel Rajoub Trio (Síria / Itália / Áustria) @ Porto Covo
6. Metá Metá (Brasil) @ Praia
7. Saul Williams (EUA) @ Largo Bocage
8. Gaye Su Akyol (Turquia) @ Castelo
9. Sopa de Pedra (Portugal) @ Castelo
10. Oumou Sangaré (Mali) @ Castelo


Não foram maus, mas deixaram um certo amargo de boca face às grandes expectativas levadas:

Mário Lúcio - Depois do concerto de sala no Trindade, imaginei que o Mário Lúcio podia vir a ser uma das maiores bombas do castelo de Sines. Não foi mau, mas não teve a aula de funaná (compreende-se, não havia tanto tempo para paleio) e estragou quase metade de um espetáculo que estava a correr lindamente com o "funaná heavy metal" e, logo a seguir, o reggae brasileiro.

Mercedes Péon - Foi escusado trazer companhia. Mercedes consegue melhores dinâmicas a solo do que com um acompanhamento que apenas sublinha partes e torna tudo mais compacto e homogéneo.

Fatoumata Diawara & Hindi Zahra - Começou aborrecido demais, mas foi melhorando até ao final. A amiga marroquina foi um completo erro de casting.

Orlando Julius & Bixiga 70 - Os Bixiga foram demasiado monocromáticos em relação à palete de cores funk com que habitualmente se apresentam, talvez por respeito para com o convidado.


Não vistos, pelo menos na íntegra, e com pena:

Waldemar Bastos, Summrá, Aurelio, Tó Trips & João Doce.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 11 ao 20


11. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA (Mali)
Castelo, 18/jul/2013::vídeo::

12. GISELA JOÃO (Portugal)
Castelo, 25/jul/2014::vídeo::
"(...) A Gisela é dona de uma voz incrível, uma das melhores desta nova geração, talvez mesmo a mais apaixonante. Mas há muito mais. O que a Gisela está a fazer pelo fado merece o agradecimento de todos nós que gostamos de música, de todos nós que temos esta relação tímida com a canção portuguesa. As biografias que o futuro lhe escreverá debruçar-se-ão, espero, sobre o meio em que cresceu – Barcelos, uma das três capitais nacionais do rock – enquanto mola determinante para a sua atitude em palco e fora dele. Talvez daí venha a Gisela iconoclasta, que entrou em cena de pernas ao léu, com um vestido branco, uma cor proibida por cartilha, para depois o trocar por um conjunto blusa-calção num chocante colorido de verão (estava demasiado vento para o vestido). Talvez daí venha a Gisela festiva e extrovertida, que contagiou toda a plateia do castelo na dança dos fados corridos e dos malhões. Talvez daí venha a Gisela com tudo de miúda e nada de diva, que improvisa momentos em palco, que não se deixa abalar e até disso tira partido quando um dos músicos se vê obrigado a abandonar por instantes o seu posto de trabalho. Artigo completo: A Gisela (ou barulho, que se vai cantar o fado)"

13. THE SKATALITES (Jamaica)
Castelo, 26/jul/2003
"(…) eis um dos melhores momentos de encerramento do historial do FMM."

14. AMADOU & MARIAM (Mali)
Castelo, 28/jul/2005

15. TRILOK GURTU BAND (Índia)
Castelo, 25/jul/2007::vídeo::

16. CORDEL DO FOGO ENCANTADO (Brasil)
Castelo, 29/jul/2006::vídeo::
"Em Sines, no ano passado, as opiniões sobre o espectáculo do Cordel do Fogo Encantado extremaram-se. Houve quem adorasse os brasileiros (eu! eu! eu!), houve quem os odiasse (cambada de autistas!). Opiniões medianas parece ser coisa que não houve."

17. MERCEDES PEÓN (Galiza)
Castelo, 27/jul/2011::vídeo::

18. OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK (Mali / EUA)
Castelo, 21/jul/2012::vídeo::
"A Oumou e o Béla. Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour."

19. SÍLVIA PÉREZ CRUZ (Espanha)
Centro de Artes, 23/jul/2013::vídeo::
"A maior revelação do cartaz para quem escreve estas linhas, um tipo que agora se sente idiota e ignorante o suficiente por não a ter conhecido mais cedo. Sílvia Pérez Cruz é dona de uma voz ao mesmo tempo doce, ternurenta, mas também forte, interventiva e absolutamente segura, que usa o castelhano, o galego, o catalão e o português para arrebatar os corações do público. Esteve acompanhada por um guitarrista de trejeitos vanguardistas, indie para os dias que correm, adepto do ruído e dos pequenos pormenores, de vistas abertas e capacidades abrangentes (não estou a descrever o Marc Ribot, mas podia). Perto do fim, houve uma versão arrepiante de "Os Gallos", também conhecida por "Gallo Rojo, Gallo Negro", uma fábula anti-franquista. Alguém que disponibilize a gravação nos sítios do costume."

20. DAKHABRAKHA (Ucrânia)
Castelo, 20/jul/2013::vídeo::
"Se calhar, já podemos esquecer os Hedningarna ou as Värttinä ou outros grupos do Norte e Leste da Europa que nos anos 80 e 90 se destacavam no circuito de então, mais estreito e talvez menos global, da chamada world music. Os ucranianos DakhaBrakha, um homem e quatro mulheres, trouxeram a Sines a riqueza das harmonias vocais femininas, ora gentis, ora estridentes, amiúde contaminadas pela energia da dança dirigida tanto ao corpo como ao cérebro, sem nunca deixarem cair uma pinga do azeite aparente nesta fusão. Para muitos dos que me rodearam ao longo destes dias, terão sido mesmo a grande bomba do festival."

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Concertos do ano

Eis a lista mais habitual no fim do ano para quem vem regularmente botar a vista no blogue amarelo. Não tanto pela crise (felizmente), mas antes pelo excesso de trabalho (felizmente) e por outras responsabilidades (felizmente), este foi ano de contenção no que à presença em salas de concertos diz respeito. Ao total, e se não houver mais nada até à próxima passagem de ano, foram pouco mais de 100 concertos. Entre estes, fica uma seleção possível de trinta que se destacaram. E o melhor concerto de 2012 para este que vos escreve, foi...

1. AMADOU & MARIAM, Gulbenkian (18/nov)
«E sentimo-nos felizes por nos terem deixado experimentar o bom que é reparar no que escutamos.» (mais aqui)

2. THURSTON MOORE, ZDB (13/mar)
3. DHAFER YOUSSEF, FMM (27/jul)
4. OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK, FMM (21/jul)
5. MICHAEL GIRA, ZDB (30/mai)
6. RABIH ABOU-KHALIL GROUP & RICARDO RIBEIRO, Maré de Agosto (Santa Maria) (25/ago)
7. ROKIA TRAORÉ, Gulbenkian (21/out)
8. BRUCE SPRINGSTEEN, RiR (3/jun)
9. FATOUMATA DIAWARA, FMM (26/jul)
10. HUGH MASEKELA, FMM (28/jul)

11. ORCHESTRE NATIONAL DE JAZZ (AROUND ROBERT WYATT), CCB (29/mar)
12. STAFF BENDA BILILI, FMM (26/jul)
13. AL-MADAR, FMM (20/jul)
14. BOMBINO, FMM (19/jul)
15. MILTON NASCIMENTO & ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA & ANA MOURA & ANTÓNIO ZAMBUJO & CARMINHO, Alameda D. Afonso Henriques (30/jun)
16. BOMBINO, B.Leza (27/out)
17. L’ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK, FMM (20/jul)
18. MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS, FMM (21/jul)
19. BLACK DICE, Musicbox (20/set)
20. DEAD COMBO FEAT. MARC RIBOT, FMM (21/jul)
21. THE EX, ZDB (14/nov)
22. THE VERY BEST, MexeFest (8/dez)
23. 2SEMICOLCHEIASINVERTIDAS, São Jorge (5/jan)
24. OSSO VAIDOSO, FMM (20/jul)
25. GALA DROP, ZDB (24/mai)
26. MÃO MORTA, São Jorge (1/jul)
27. NARASIRATO, FMM (19/jul)
28. HAMILTON DE HOLANDA & EDMAR CASTAÑEDA, Maré de Agosto (Santa Maria) (24/ago)
29. ASTILLERO, FMM (26/jul)
30. NEY MATOGROSSO, Praça do Comércio (22/set)

Nomeações honrosas, por ordem alfabética:
Batida, Beautify Junkyards, B Fachada, Bigott, Diabo a Sete, Ensemble Notte della Taranta, Jessica Kenney & Eyvind Kang, Kouyaté-Neerman, Lirinha, Mari Boine, Monobloco, Orquestra Todos, Sunflare

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Breves memórias do FMM 2012: África e GNR

Regressado a Lisboa para uma breve escala antes de mais uma semana de férias, deixo aqui algumas das memórias a reter em mais um FMM que terminou. Talvez por desígnio do circuito de digressões dos grupos, este foi um FMM com lanças apontadas especialmente a África:

A Oumou e o Béla

Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour.



Fatoumata Diawara, a linda

Começou como Rokia Traoré, sua compatriota, no primeiro dos seus dois concertos em Sines. Calma, serena, intimista. Acabou como Rokia no segundo. Explosiva, festiva, imparável. Fatoumata Diawara, provavelmente a mulher mais bonita que alguma vez pisou o palco do castelo de Sines, foi a grande revelação deste ano.



Dhafer Youssef e o quarteto do mundo

Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM.



Masekela, o génio de palco

Já anda pelos setentas e afirma-se como músico desde os 5. Todos estes anos de digressões, discos, experiências bem sucedidas por África e pelos EUA, fizeram dele a maior lenda viva da música africana. E é ali no palco que ele o prova. Não só mantém intacta toda a sua capacidade técnica instrumental e vocal, como sabe como poucos como se dirigir a uma audiência, mesmo que seja para a “picar”.

Outros destaques

Há que guardar, uma vez mais, memória dos L’Enfance Rouge, que talvez nunca tenham tido na sua vida um palco tão grande como o do castelo de Sines e que estiveram irrepreensíveis nesta primeira apresentação do projeto com o tunisino Lofti Bouchnak, ele que se mostrou bastante divertido com a experiência de partilhar o palco com o power trio sónico e o pequeno ensemble magrebino.
Há que falar também no Bombino, que no primeiro dia do festival, levou a festa dos blues a todos os que ali estavam, num formato intenso e marcadamente hipnótico, muito diferente daquele que apresentou no ano passado, em Lisboa. O pobre do Otis Taylor, que tocou imediatamente antes, terá inventado “trance-blues”. Talvez tenha ficado envergonhado ao ouvir o trance no blues do guitarrista do Níger.
Junte-se ainda os Staff Benda Bilili, que regressaram àquele palco apenas dois anos depois, por força do cancelamento do concerto de Gurrumul. Houve festa rija, claro, ainda que pudesse ter ajudado ter havido um maior distanciamento face ao anterior concerto dos congoleses.
Mais destaques breves: Marc Ribot esteve impecável, tanto enquanto convidado dos Dead Combo, como na direção dos Cubanos Postizos. Diabo a Sete foi uma excelente revelação para este escriba (ao contrário dos Uxu “Absoluta Desilusão” Kalhus, que agora se perdem num hard rock sem qualquer tipo de piada). A nova banda do Lirinha deixa muito a desejar, mas os poemas do brasileiro continuam a ser explosivos. Os Osso Vaidoso são uma das melhores coisas a terem acontecido à música feita por cá nos últimos anos.

Pela lei e pela grei, dizem eles

A Guarda Nacional Republicana apareceu este ano com intenções de estragar a festa. Chegou mesmo a fechá-la quando irrompeu pelos bastidores do palco secundário, junto ao rochedo do Pontal, tendo alegadamente dado voz ao tradicional “acabam a bem ou acabam a mal?”. Mas este triste desfecho não foi o pior. O corpo de segurança pública que na sua insígnia carrega, sem que realmente se entenda porquê, a expressão “pela grei”, fez tudo o que esteve ao seu alcance ao longo de duas semanas para incomodar esse mesmo povo que pretendia estar ali no clima de festa que sempre foi próprio do FMM, ora com mega-operações à entrada da cidade, onde cães farejavam viaturas individuais e autocarros, ora com a barraca preta ao estilo de confessionário à porta do castelo para onde enfiavam o espetador que apresentasse “pinta” que não lhes agradasse, ora com a presença constante, em estilo de ameaça contida, nas imediações dos dois palcos. Como se nestas duas semanas se concentrassem em Sines os piores malfeitores do mundo. Triste e vergonhoso. Nestes dias que se seguem, é a vez do Boom. 1500 militares destacados para Idanha-a-Nova, dizem as notícias. Mil e quinhentos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

20 concertos a não perder no FMM

Por ordem cronológica:



WAZIMBO
(Moçambique)

Dia 19 (quinta-feira), 21h45 - Castelo
Oportunidade para ouvir a voz da mítica Orquestra Marrabenta Star de Moçambique.



OTIS TAYLOR BAND
(EUA)

Dia 19 (quinta-feira), 23h15 - Castelo
Venha o blues de palco grande, para a festa!



BOMBINO
(Níger/Povo Tuaregue)

Dia 19 (quinta-feira), 00h45 - Castelo
E logo a seguir o melhor do blues do deserto. Quem esteve no Jardim das Oliveiras, no ano passado, não vai perder.



AL MADAR
(Líbano/EUA)

Dia 20 (sexta-feira), 21h45 - Castelo
Primeiro episódio da Nova Iorque multicultural neste FMM 2012, com a baterista April Centrone e o violinista Timba Harris a regressarem ao palco do castelo, depois dos Secret Chiefs no ano passado, agora neste projeto de raízes árabes centrado na figura do libanês Bassam Saba. Também vão à ZDB, já amanhã, quarta-feira.



L'ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK
(França/Itália/Tunísia)

Dia 20 (sexta-feira), 23h15 - Castelo
Um dos mais energéticos trios de rock dos últimos tempos volta a Sines, agora com direito a toda a magia do castelo e com um novo convidado tunisino, o cantor Lofti Bouchnak. Da outra vez que os L'ER trouxeram tunisinos, foi um fim de noite arrasador. O trio vai andar pelo país (Portalegre, Lisboa, Milhões de Festa), mas a apresentação com os músicos tunisinos é exclusiva do FMM.



DEAD COMBO & MARC RIBOT
(Portugal/EUA)

Dia 21 (sábado), 19h00 - Castelo
Sines é fértil em encontros de músicos e de culturas. E este é um dos mais especiais de toda o historial do festival.



OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK
(Mali/EUA)

Dia 21 (sábado), 21h45 - Castelo
Outro encontro impossível de perder.



MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS
(EUA)

Dia 21 (sábado), 23h15 - Castelo
Mais um episódio da Nova Iorque multicultural. Marc Ribot volta a Sines, com o seu projeto mais famoso. Da outra vez foi tremendo. Agora pode ainda ser melhor.



JESSIKA KENNEY & EYVIND KANG
(EUA)

Dia 24 (terça-feira), 22h00 - Centro de Artes de Sines
Mais Nova Iorque (ou quase), no único concerto marcado para o CAS, numa atmosfera que se pretende mais intimista.



ENSEMBLE NOTTE DELLA TARANTA
(Itália)

Dia 25 (quarta-feira), 22h00 - Castelo
Noite especial com uma orquestra apuliana para fazer a malta dançar a pizzica.



STAFF BENDA BILILI
(RD Coongo)

Dia 26 (quinta-feira), 00h45 - Castelo
O cancelamento do concerto do aborígene Gurrumul veio precipitar o regresso, passado tão pouco tempo, deste grupo de músicos de Kinshasa, protagonista de um dos melhores momentos do historial do FMM, há dois anos.



KOUYATÉ-NEERMAN
(Mali/França)

Dia 27 (sexta-feira), 20h00 - Pontal
Espécie de encontro entre o balafon do Mali e o vibrafone europeu, acompanhados de uma secção rítmica que parece ter saído do pós-rock ou do jazz-rock. Promete!



DHAFER YOUSSEF
(Tunísia)

Dia 27 (sexta-feira), 21h45 - Castelo
O alaúde árabe no jazz europeu/escandinavo. Isto vai fazer estremecer as paredes do castelo.



MARI BOINE
(Noruega/Sápmi)

Dia 27 (sexta-feira), 23h15 - Castelo
Finalmente, porra. Mari Boine em Sines!



ZITA SWOON GROUP
(Bélgica/Burkina Faso)

Dia 27 (sexta-feira), 00h45 - Castelo
Também a Stef Kamil Carlens chegou o chamamento de África.



JUJU
(Gâmbia/Inglaterra)

Dia 27 (sexta-feira), 02h30 - Pontal
Mais um encontro Europa-África. Diz-se que o projeto está a funcionar melhor desde que surgiu em Sines pela primeira vez, já lá vão quatro anos.



ORQUESTRA TODOS
(Portugal/...)

Dia 28 (sábado), 18h45 - Castelo
O primeiro concerto da Orquestra Todos, no Largo do Intendente, no passado, foi uma experiência bonita a todos os níveis. O modelo adotado da Orchestra di Piazza Vittorio, é o de pôr em palco músicos residentes em Lisboa e provenientes dos mais diversos cantos e culturas do mundo. Não podia fazer mais sentido em Sines.



HUGH MASEKELA
(África do Sul)

Dia 28 (sábado), 21h45 - Castelo
O nome maior desta edição do FMM. Aos 73 anos, Masekela traz a Portugal um dos trompetes mais iconográficos da história da música africana, do jazz norte-americano e das lutas políticas do seu país.



TONY ALLEN FEAT. AMP FIDDLER
(Nigéria)

Dia 28 (sábado), 23h15 - Castelo
Agora, no castelo, a oportunidade para o Tony Allen se refazer, na companhia de Amp Fiddler (antigo companheiro de estrada de George Clinton), da fraca prestação de há anos, junto à praia. A secção de metais tem marca local: é constituída pelos professores da Escola de Artes de Sines. E deverá ser a primeira vez que se verá uma keytar (a de Amp Fiddler) em Sines.



LIRINHA
(Brasil)

Dia 28 (sábado), 02h30 - Pontal
Há seis anos, deixou o castelo de Sines semi-destruído na companhia dos já míticos Cordel do Fogo Encantado. Veio depois a separação e só agora José Paes de Lira volta aos palcos de música, a solo, apresentando um disco menos tribal, mais rock, mais eletrónica, a mesma carga emocional. Vai ser um encerramento bonito para o FMM 2012.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os primeiros nomes do fêmêmê são grandes demais

Primeiro, uma pequena historieta. Andava eu, aqui há meses, pelas ruas frias de Riga, quando vejo cartazes para um espetáculo a acontecer em breve com o mítico trompetista sul-africano Hugh Masekela, sucesso nos meios do jazz norte-americano, músico de Bob Marley nos seus primeiros discos, figura incontornável do afrobeat ao lado de Fela Kuti, companheiro de estrada de Paul Simon durante a digressão de "Graceland", marido durante algum tempo da não menos mítica Miriam Makeba, etc. "Mas estes cabrões destes letões têm o Masekela por cá e nós não?", pensava eu com a inveja de habitante de país pequenino e periférico para com outro país pequenino e periférico. Pois esse desequilíbrio vai ser desfeito e a inveja vai sumir porque, aos 73 anos, virá a Portugal, para um concerto no FMM Sines. Esta é uma das duas primeiras revelações do programa do festival. Masekela toca no castelo, dia 28 de Julho, o último sábado. Seria perfeito se do alinhamento do concerto constasse o tema... "Vasco da Gama":



Mas há mais. O segundo nome anunciado para o cartaz do FMM 2012, neste caso, um par de nomes, é outra bomba. Desde há muito considerado como o melhor intérprete de banjo do mundo, o norte-americano Béla Fleck junta-se a um nome gigantesco da música africana, que já passou pelo palco do FMM: a maliana Oumou Sangaré. A colaboração conjunta resulta de um projeto que Fleck tem levado a cabo em África desde 2005 e que resultou em vários discos, um dos quais "Throw Down Your Heart, Africa Sessions Part 2", com Sangaré, que ganhou o Grammy para melhor álbum de world music no ano passado. Fleck e Sangaré tocam no castelo, no primeiro sábado, 21 de Julho. (Ah, o Fleck não vem com os seus Flecktones, pelo que ainda não será desta que teremos oportunidade de deixar cair o queixo no chão ao ver ao vivo o baixista Victor Wooten...)



O FMM Sines tem lugar, como já é habitual, nos últimos dois fins-de-semana de Julho. Mais informações aqui.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A música como a grande celebridade africana

A revista Forbes, que também tem um apreço especial (doentio, talvez) pela produção de listas, convidou os seus leitores a escolherem as 40 celebridades mais poderosas de África. A lista está compilada e pode ser consultada em detalhe neste sítio, com fotografias e biografias curtas de cada um dos eleitos. Em 40 posições, cinco pertencem a escritores (com destaque para o primeiro lugar do nigeriano Chinua Achebe), duas para futebolistas e... 27 para músicos. 27 em 40.
(Obrigado, Luís Rei, pela dica.)

1. Chinua Achebe, 80 anos, Nigéria, Letras
2. Youssou N'dour, 51, Senegal, Música
3. Didier Drogba, 33, Costa de Marfim, Futebol
4. Angelique Kidjo, 51, Benin, Música
5. Akon, 38, Senegal, Música
6. Wole Soyinka, 77, Nigéria, Letras (teatro)
7. Salif Keita, 62, Mali, Música
8. Yvonne Chaka Chaka, 46, África do Sul, Música
9. Oumou Sangaré, 43, Mali, Música
10. Femi Kuti, 49, Nigéria, Música
11. Toumani Diabaté, Mali, Música
12. Oliver Mtukudzi, 59, Zimbabué, Música
13. Haile Gebrselassie, 38, Etiópia, Atletismo
14. Khaled Hadj Ibrahim, 51, Argélia, Música
15. Samuel Eto'o, 30, Camarões, Futebol
16. Alek Wek, 34, Sudão, Moda
17. Liya Kebede, 33, Etiópia, Moda
18. Dobet Gnahoré, 29, Costa de Marfim, Música
19. Genevieve Nnaji, 32, Nigéria, Cinema
20. Koffi Olomidé, 55, Congo-Kinshasa, Música
21. Neill Blomkamp, 32, África do Sul, Cinema
22. Souad Massi, 39, Argélia, Música
23. Baaba Maal, 58, Senegal, Música
24. Hugh Masekela, 72, África do Sul, Música
25. K'Naan, 33, Somália, Música
26. Amadou and Mariam, Mali, Música
27. Awilo Longomba, Congo-Kinshasa, Música
28. Eric Wainaina, 38, Quénia, Música
29. Binyavanga Wainaina, 40, Quénia, Letras
30. Ngugi Wa Thiongo, 73, Quénia, Letras
31. Freshlyground, África do Sul, Música
32. Chimamanda Adichie, 34, Nigéria, Letras
33. Rokia Traoré, 37, Mali, Música
34. Tuface Idibia, 36, Nigéria, Música
35. P-Square, 29, Nigéria, Música
36. Don Jazzy, 30, Nigéria, Música
37. D'Banj, 31, Nigéria, Música
38. Neka, 31, Nigéria, Música
39. Asa, 29, Nigéria, Música
40. Patricia Amira, 33, Quénia, Televisão


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Oumou Sangaré vous aime!

Ninguém devia deixar escapar esta oportunidade de rever uma das maiores vozes do Mali (e eu coço-me todo ao saber que, por motivos que não vêm ao caso, o terei de fazer.) Oumou Sangaré, 41 anos, vai estar amanhã, sábado, no CCB, a apresentar o seu novo álbum, "Seya". O espectáculo tem início marcado para as 21h e os preços variam entre os 18€ e os 35€.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Que festival este, pá.

É sexta-feira, acho. O ritmo vertiginoso que se tem vivido aqui por Sines ao longo destes últimos sete dias esgotou o discernimento necessário para se poder afirmar com certeza que hoje é sexta-feira. Mas se assim é, de facto, se hoje é sexta-feira, temos um problema entre mãos. Está prestes a descer o pano do FMM 2007. Estes dias de música, praia, música, copos, música, festa, música, (des)amores e (des)humores e música, vão terminar amanhã. Os amigos que por aqui se encontram todos os anos, bem como os novos que aqui se fazem, vão regressar às suas terras de origem. Amanhã, dir-se-á "até para o ano, pá, e, olha, que festival este, pá".

Que festival este, pá. O festival das irlandices trazidas pelo Jacky Mollard (tanto no Centro de Artes como na jam no Salão Musical) ou pelos Bellowhead ou até mesmo pelo fiddler da banda de Trilok Gurtu. O festival do apelo irresistível do Mali e do deserto com os Etran Finatawa, os Tartit e a Oumou Sangaré. O festival das actuações explosivas do Hypnotic Brass Ensemble pelas ruas de Sines, o tal dos sete ou oito filhos do trompetista da Arkestra de Sun Ra. O festival do encontro improvisado em palco -- e só possível em ambientes como este -- do bluesman Harry Manx e um percussionista da orquestra latina de Señor Coconut. O festival da folia dos Galandum Galundaina e dos pauliteiros. O festival das fronteiras abertas do Azul de Carlos Bica (melhor concerto até agora?). O festival dos discos da Raquel, do António, do Gonçalo e do Álvaro pela madrugada fora.

Ainda que estejamos perto do fim, há tanto para acontecer nestas duas últimas noites: o raï chunga do Rachid Taha, o hip hop africano do K'Naan, a punk azeiteira dos Gogol Bordello, o jazz político do World Saxophone Quartet do David Murray, os merengues, salsas e chachachas sofisticados do Señor Coconut. E, claro, o bailarico de fim de festa até depois do sol nascer pela última vez na edição deste ano deste festival. E que festival este, pá.