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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Hoje é dia de... Beautify Junkyards!

Já os conhecíamos pelo nome de Hipnótica. No ano passado, durante um fim de semana passado no Alentejo rural, começaram uma viagem de redescoberta de um património musical que os unia, a folk psicadélica dos anos 60. Sob o nome de Beautify Junkyards, visitaram o legado rico de gente como Vashti Bunyan, Nick Drake, Bridget St. John, Roy Harper, Linda Perhacs ou Donovan, entre outros, que agora se podem escutar num precioso álbum de estreia, lançado esta semana em formato CD. Para setembro, virá a edição internacional em vinil, pela holandesa Clear Spot.

Hoje é dia de apresentação do projeto à sociedade, em concerto no Musicbox. Os Beautify Junkyards sobem ao palco às 22h30. Os bilhetes custam 6 euros. Por mais 6 euros, poder-se-á trazer o disco para casa.





BEAUTIFY JUNKYARDS e o seu álbum de estreia
por Rui Miguel Abreu

Que música traz o vento? E que ritmos se podem adivinhar no quase invisível movimento das folhas das árvores quando apenas uma leve brisa sopra? E que harmonias se adivinham no canto dos pássaros? A relva quando cresce, faz algum som?
De certa maneira, a estreia dos Beautify Junkyards contém, por debaixo das guitarras e dos metalofones, por debaixo das subtis camadas de percussão, dos teclados, as respostas a todas essas perguntas. Mas descobri-­las significa aceitar-­se a imersão, o mergulho, nas canções que gravaram. Façam favor...
Os Beautify Junkyards nasceram como uma ideia paralela aos veteraníssimos Hipnótica, um grupo de pessoas que nunca recusou a experimentação para descobrir até onde afinal nos podem levar as ideias. Enquanto Beautify Junkyards e com formação alargada a novos elementos, J. Monsant, JP Daniel, Sergue, António Watts, Rita Vian e João Branco Kyron, tomaram duas decisões importantes. A primeira: descobrirem-­se em canções alheias, encontrarem uma identidade nos ecos distantes de temas que marcam uma certa tradição folk, mas que se estendem para lá disso também. A segunda decisão passou pela forma de abordagem a esse cancioneiro íntimo. E aqui entra outro elemento da banda, inesperado, mas incontornável: a própria natureza.
Com um estúdio móvel de captação, os Beautify Junkyards fugiram às quatro paredes do estúdio e descobriram, perdidos do mapa no Alentejo rural ou removidos dos caminhos turísticos no meio da serra de Sintra, recantos idílicos tocados pelo sol e aí captaram as bases de todas estas canções, permitindo que os microfones gravassem também tudo o que os rodeava. A expressão «harmonia com a natureza» foi inventada para descrever situações como esta.
Nestas viagens, além das guitarras e dos microfones e demais ferramentas de criar magia, acompanharam os Beautify Junkyards canções de Vashti Bunyan, Nick Drake, Bridget St. John, Roy Harper, Linda Perhacs e Donovan, todos eles nomes centrais na cena folk que adornou a década de 60 de cores ancestrais.
Mas no meio desses temas descobre-­se ainda espaço para uma fuga pelo território psicadélico tropical dos Mutantes, pelo caleidoscópio de cores psych folk dos Heron e ainda para os sonhos de um futuro projectado a partir do passado pelos Kraftwerk que sempre acreditaram, aliás, serem eles próprios os artesãos de um outro tipo de música folk.
Com arranjos planantes, que espelham certamente as cores, os aromas e as amenas temperaturas que serviram de cenário às gravações, Major Tom saiu da cápsula e já no estúdio deu os toques finais à visão dos Beautify Junkyards acrescentando-­lhes um outro tipo de espaço, mais interior e imaginado a partir das máquinas. Uma dimensão psicadélica. Pelo meio, os Beautify Junkyards coleccionaram participações de gente como i-­Wolf dos Sofa Surfers, Erica Buettner, uma cantora folk americana que reside em Portugal, Riz Maslen do projecto britânico Neotropic e ainda da cantora brasileira Karine Carvalho envolvida no projecto 3 na Massa. O resultado final conta com masterização de Ars Lindberg.
Neste álbum de estreia dos Beautify Junkyards há muito de sonho, há pseudónimos e máscaras, alguns segredos mais ou menos bem guardados, mas também há verdades universais e a natureza real que nos rodeia quando se foge do alcatrão e do betão. Há canções eternas e vivas e melodias que assombram as memórias. Há um desejo de partir à descoberta deixando para trás o presente, o futuro e até o passado. Para se descobrir um lugar sem tempo.
Nesse lugar, a música soa assim.

Alinhamento do Álbum

1:::Rose Hip November (Vashti Bunyan)
2:::From the Morning (Nick Drake)
3:::Radioactivity (Kraftwerk)
4:::Yellow Roses (Heron)
5:::Fuga no. 2 (Os Mutantes)
6:::Ask me no Questions (Bridget St John)
7:::Another Day (Roy Harper)
8:::Parallelograms (Linda Perhacs)
9:::Song for the Naturalist´s wife (Donovan)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sangue novo

Chamam-se Beautify Junkyards, são de Lisboa, reúnem elementos dos Hipnótica e deverão lançar álbum este ano.
(E, PORRA, NÃO DEIXEM DE OUVIR A VERSÃO ESTUPIDAMENTE BELA DO "ROSE HIP NOVEMBER", DA VASHTI BUNYAN, QUE ESTÁ NO BANDCAMP!)



Mais em:
beautifyjunkyards.bandcamp.com
facebook.com/beautifyjunkyards

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O novo álbum dos Hipnótica

Os Hipnótica andam outra vez pelos palcos do país, agora com novo álbum, "Twelve-Wired Bird of Paradise". Ainda ontem estiveram na primeira parte dos Broken Social Scene, na Aula Magna, e hoje vão fazer o mesmo no concerto do Porto, na Casa da Música. Há meses, pediram-me para redigir o press release do disco, que aqui reproduzo de seguida. Se é verdade que a linguagem de um PR é quase sempre diferente, mesmo que ligeiramente, de uma crítica propriamente dita, acreditem que o álbum é um autêntico estrondo e que tudo que aqui escrevo é absolutamente fiel à opinião com que fiquei deste novo trabalho dos Hipnótica logo desde o primeiro momento em que o escutei.
Os Hipnótica nunca foram de ambientes especialmente soturnos ou carregados, mas dá quase vontade de dizer que, ao quinto álbum de originais, os rapazes que há 16 anos se lançaram para a música no Palco Oriental, em Lisboa, descobriram… a luz do Sol, os passarinhos a cantarem, as cores de uma paisagem relaxante.

Não seria inteiramente verdade, teimo, mas quanto mais se ouve “Twelve-Wired Bird of Paradise”, mais fica a certeza de que os Hipnótica abriram uma daquelas janelas que esteve sempre fechada na sala de ensaios e deixaram entrar uma brisa de frescura primaveril nas composições. Entraram na pop sem medos, uma pop leve sem ser ligeira (o musiquês permite estes paradoxos linguísticos), uma pop sofisticada. Talvez agora venhamos a preferir vê-los em concerto à tarde, num piquenique no parque, com crianças (que brinquem no “Playground” da primeira faixa). Não quereremos mais Hipnótica à noite, em salas fumarentas.

Temas como “Playground”, “Black Glove”, “It’s OK to Get Lost”, “Sun Palace” ou “Wild Side” ajudam a ilustrar o que há cima designava, algo pomposamente, por pop sofisticada. Sofisticada porque está lá a leveza das canções, mas, afinal de contas, porque as pessoas continuam a ser as mesmas (ou quase: saiu Eduardo Raon e entrou o guitarrista JP Daniel), também se mantém a preocupação com os arranjos, o cuidado quase doentio pelas harmonias e simpatias entre os instrumentos, entre os instrumentos e a voz de João Branco Kyron, cuidado esse que já era notável no álbum anterior, “New Communities for Better Days”.

Procurando manter as metáforas ao largo, que novidades há nestes arranjos que ajudam a explicar a mudança? Há essencialmente duas que ressaltam destas primeiras audições: a guitarra acústica dedilhada do estreante JP Daniel, omnipresente ao longo do disco e integrada de forma absolutamente feliz no espaço que lhe cabe, muitas das vezes em diálogo com a de Bernard Sushi, que para este disco quase largou os teclados, e as apostas nos loops envolventes que transformam as canções em danças para a mente (e para o corpo, por vezes).

Depois de horas e horas a tentar fugir àquele lugar-comum dos press releases e das críticas de discos novos em que se diz que o artista reinventa-se no álbum em causa, devo admitir: desisto. Os Hipnótica reinventaram-se neste disco. Não há como fugir. E é, provavelmente, o melhor álbum que os Hipnótica gravaram até hoje.

Contrapondo o lugar-comum anterior, deixo uma proposta improvável para fechar um press release, se a banda deixar passar o desafio e o ouvinte estiver a fim (e a tempo) de o experimentar: tente ouvir primeiro, antes de tudo o resto, “Bang Bang Steel Drum”, a última faixa do disco. Sou capaz de apostar que vai depressa querer saber o que se passou nas faixas anteriores. Vai, como que houvesse aqui uma aventura que merece a pena ser experimentada. Uma aventura que chega ao fim neste paraíso caribenho desenhado pelo António Watts no steel drum , o instrumento de percussão mais solarengo (e eu acrescentaria mais nostálgico) que o mundo da música já conheceu. Seja qual for a opção tomada pelo ouvinte, ter este “Bang Bang Steel Drum” a começar ou a fechar é uma massagem encantadora aos canais auditivos e a tudo o que há depois deles a caminho do cérebro. É mais ou menos isto a pop sofisticada de que falava.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Arquivismo de concertos, pt. 2 - os portugueses mais vistos

Prosseguindo no que ontem foi aqui apresentado, eis...

OS PORTUGUESES MAIS VISTOS

Mão Morta - 44 vezes
Bypass - 18 vezes
Hipnótica e Pop Dell'Arte - 15 vezes
Anonima Nuvolari (*), Gaiteiros de Lisboa e Gatos do Telhado (**) - 11 vezes
Loosers e Caveira (***) - 10 vezes
10º More República Masónica - 9 vezes
11º Mécanosphère (****), Wraygunn e The Legendary Tiger Man (*****) - 7 vezes
14º Cool Hipnoise, D3Ö, Da Weasel, Dead Combo, Gala Drop, Oquestrada, Tina and The Top Ten e Vicious Five - 6 vezes

(*) Ok, eles são italianos, mas vivem e trabalham cá...
(**) Eram uma banda dos tempos do liceu
(***) Incluindo uma data de suporte a Damo Suzuki
(****) A mesma justificação dos Nuvolari
(*****) Incluindo uma actuação a meias com a Rita Redshoes

sábado, 12 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #81-85

81. ANONIMA NUVOLARI @ CATACUMBAS
19 de Setembro de 2007
Em pouco mais de dois anos, já vi por mais de dez vezes os Anonima Nuvolari, pandilha absolutamente chanfrada de italianos a viverem em Lisboa. O alinhamento não tem mudado muito -- excepção feita a uma memorável véspera de 25 de Abril na ZDB, em que, sob o nome de Anarchica Nuvolari, se puserem a tocar temas revolucionários -- mas, por mais que já se conheça de trás para a frente aquelas canções napolitanas de meio do século passado, tocadas de uma maneira muito especial, a festa está sempre garantida. E neste concerto nas Catacumbas, cometeu-se a proeza -- arriscaria, inédita -- de se tirar as mesas e cadeiras da sala principal, para que toda a gente pudesse dançar. E dançaram que se fartaram. E ouviram a bela voz de Chiara, que nem sempre aparece no meio dos outros italianos.

82. SIX ORGANS OF ADMITTANCE @ ZDB
10 de Junho de 2004
Era capaz de ficar horas a ver Ben Chasny a dedilhar a guitarra. Este os vários espectáculos a que assisti, destaco o primeiro de todos. Três meses depois, viria novamente a Lisboa, desta vez com os Current 93. Se fosse futebol, dir-se-ia que Chasny trazia a magia que o esoterismo da equipa de Tibet precisava.

83. HIPNÓTICA @ ZDB
4 de Abril de 2003
Já perdi a conta ao número de vezes que vi Hipnótica ao vivo. E ao número das que gostei do que vi e ouvi, que é quase sensivelmente o mesmo. Destaco este, em que o grupo fez, ao vivo, a banda sonora de um filme, o qual me escapa neste momento.

84. DAVID THOMAS BROUGHTON @ ZDB
5 de Março de 2008
Quando um gajo já estava farto de artistas a abusarem dos loopers para recriarem camadas sonoras de suporte ao vivo, ora porque lhes saía mais barato do que andar com outros músicos a acompanhá-los, ora porque se achavam especialistas na inovação artística (ei, o Matt Elliott não entra nestas contas), surge este inglês, com uma abordagem ao processo, absoluta e hilariantemente criativa.

85. THE GO! TEAM @ ALIVE
9 de Junho de 2007
Eles pulam, trocam de instrumentos a toda a hora (já aqui disse que gosto de ver bandas em que os músicos trocam de instrumentos, desde que nisso se mostrem competentes?), puxam pelo público. Festa, festa!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sofa Surfers e música de Lisboa numa revista austríaca

Esta aqui ao lado é a capa do novo número da Fleisch, uma revista austríaca de artes, tendências, política, etc. Traz na capa os Sofa Surfers, que vão ter novo álbum em Janeiro do próximo ano. Mas este número da Fleisch traz também várias páginas dedicadas a Lisboa, por encomenda da publicação a Wolfgang Schlögl, o Sofa Surfer mais lisboeta do grupo, pelas várias vezes que por cá tem estado, boa parte delas para trabalhar com os Hipnótica, os quais, a propósito, também já têm novo álbum gravado e que vai uma vez contar com a ajuda do austríaco na produção e masterização.

O que há aqui então sobre Lisboa? Primeiro, uma compilação em CD, com Coldfinger, DJ Ride, Cacique 97, Cool Hipnoise, Dead Combo, Hipnótica, Noiserv, Micro Audio Waves, Gnu e B Fachada. Depois, um texto de Wolfgang Schlögl sobre a cidade. Finalmente, um texto sobre bandas actuais de Lisboa, aqui deste sempre vosso.

Aproveito para reproduzir o texto aqui, já que a Fleisch não é distribuída por cá, nem tão pouco haverá lojas de importação que a tenham. Na revista, tudo aparece, claro está, em alemão, mas deixo aqui a versão original em inglês, sem quaisquer cortes da edição. (Reparem que o texto foi escrito em Julho, antes da notícia do fim dos Vicious Five, e quando o Musicbox tinha aquelas quintas-feiras de afro beat.


Lisbon beyond the Fado
By Vítor Junqueira
July 2009

Nearly 500 thousand people live in the inner skirts of the city of Lisbon, a number that hits almost three million in the greater metropolitan area factsheet. There’s no surprise that most of the music acts that come from Lisbon were in fact raised over its suburbs. Take out the first name from the Lisbon band you’ll probably know best in these days: Buraka Som Sistema. Buraca, spelled with a C, is one of these suburbs. There lives a vast community of first through third generation African immigrants and it is a very common place to hear kuduro, the urban Angolan dance beats that BSS are taking all around the world. The hip hop scene, fronted by long lived Da Weasel or the producer and MC Sam the Kid, amongst endless other examples, also lives in suburbs of the same kind.

For rock matters, the river Tagus’ south bank has always been a fertile ground for new and enduring acts. Barreiro, a town in the old industrial belt south of Lisbon, is today’s rock’n’roll and avant rock place par excellence. That’s where growingly acclaimed festivals like Barreiro Rocks and Out.Fest are manned every year by groups of young people who amongst themselves play in several bands, many of the times with almost the same line-ups. That’s the case of Los Santeros, three manic Mexican-wannabes playing surf rock, The Act-Ups, psych-garage, or Frango, a noisy experimental act. And if you’re into avant rock, you should check Os Loosers, fronted by Lux DJ and bassist-guitarist Tiago Miranda, who along people from Out.Fest also started Gala Drop, whose dub-infected grooves are being acclaimed everywhere (check out their self-titled debut record).

Communities like these help to describe the way most bands are born all around Lisbon. In fact, it’s just a small capital and everyone knows each other. Even if not, there’s always a friend of a friend. Everyone ends up at the same venues, like the Galeria Zé dos Bois (ZDB for short), MusicBox, Lux, Lounge, Bacalhoeiro, to name a few of the ever growing list of places where bands can play live in Lisbon. The development in the Lisbon music scene owes significantly to this increase and diversification of venues over the last 10 years. People from Lisbon, and from all around Portugal in a broader sense, have more places to play but, perhaps more important, they also have more places to learn from bands that come more and more from everywhere in the world, and more places to hang out, to discuss their methods and ideas, to form new projects with akin souls.

One of the most peculiar communities to rise recently in Lisbon comes out from the Baptist Christian Church grounds. FlorCaveira (SkullFlower) is the name of the religion meets rock movement which nowadays comprises almost 20 acts that have been gaining an increasing space in the radio waves, a territory that, believe it or not, has been uncharted waters for the most of the new Portuguese bands for several years. Amongst these acts, the most acclaimed are Os Pontos Negros (The Strokes’ kind of mainstream rock) and singer songwriters Tiago Guillul, B Fachada, Samuel Úria and Bruno Morgado. “The new wave of Portuguese rock”, as every newspaper is now calling it, also embraces the Amor Fúria label, whose acts, Os Golpes being the most celebrated, share stages regularly with those from FlorCaveira.

All these bands from this “new wave of Portuguese rock” sing in Portuguese, something that became out of fashion since the eighties wide explosion of rock. Apart from groups like Madredeus and some few other bands, mostly of them coming from outside Lisbon, shame of being Portuguese was the most striking anathema for Portuguese rock in the nineties. The nation was still suffering from years of enclosure from the outside world, and it was adhering to everything it could that came from abroad. And that also showed up in the music itself. But the times are changing again. A project like Dead Combo (electric guitar and doublebass only) does hold on to Ennio Morricone spaghetti western kind of landscapes, but there is a quite subtle inner feeling of Portuguese sound coming from it, tracing out to common memories like those left by the late great guitarist Carlos Paredes. Also Norberto Lobo, a young, celebrated, and crafted fingerpicker does bring something evoking Paredes. In a clearer way, groups like Deolinda, who take the Madredeus heritage to present days, and O’Questrada are also making people realize that Fado – or some of its essence – it’s not only sorrow. It can also mean partying; it can also mean dancing with a shinny happy smile.

Over the last years, Lisbon also became home sweet home for a growing community of European young people, mostly Spaniards and Italians, who also started to create interesting bands, like the Italian-Swiss Anonima Nuvolari, who play old Italian songs in a Pogues-ish way. In the same scene, Farra Fanfarra and Kumpania Algazarra take the fit of the Balkan brass bands to play the streets and parties everywhere around town. On the grounds of noise and experimental music, Mécanosphère is one band living in Lisbon and it’s mainly operated by French artists. Panda Bear, from Animal Collective fame, also lives in the city.

As a matter of fact, in the recent years, if not always in its history, Lisbon became home for many cultures. For instance, it’s common to cross by excellent players from the old African colonies (Angola, Cape Verde, Guinea-Bissau, …) who live in the city. Take Kimi Djabaté and Braima Galissá, for instance, from the young generation of “griots” from Guinea-Bissau to come by. Music from Africa and other continents is also present in some other interesting bands from Lisbon, like Terrakota or Cacique ’97, whose members gather up regularly along with those of Cool Hipnoise, a quite interesting and nearly veteran funk local band, to produce the most intense afrobeat party (every second Thursday of the month, at MusicBox, if you’re thinking dropping by).

I’ve been talking mostly of new bands from Lisbon. There are also, of course, the veteran ones, the mainstream rockers Xutos & Pontapés being the most celebrated one with a 30 year old career. Emerging from the eighties, the dadaists Pop Dell’Arte, one of the most interesting acts to arise in Lisbon, are still running up, playing gigs and recording tracks. From the nineties, there’s Hipnótica, who started with the trip hop explosion and evolved to a kind of post rock, post jazz stuff over which Wolfgang Schlögl of Sofa Surfers collaborated.

Two final namedrops for The Vicious Five, who started around in the hardcore underground, developing a faithful mass of fans ever since, and for Bypass, scholar post rockers who deserve to jump out borders anytime soon.

There are a lot of bands in Lisbon. A great lot of good bands, indeed. This is only a tiny shortlist. Many of them were ignored over the above lines, due to lack of remembering, due to lack of space, due to intention on not letting this grow to a mere namedropping. Still, the best way to know bands from Lisbon (and Portugal) is to stay for sometime in the city and to attend to the venues cited above whenever you can.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Maquinista



O João dos Hipnótica pediu-me para escrever algumas palavras para a promoção do seu álbum de estreia a solo, «O Maquinista», que sai para as lojas no próximo dia 2 de Fevereiro:
(Conheçam mais em myspace.com/omaquinista)

O disco d'«O Maquinista» parece coisa do passado. Primeiro, pelo interesse que coloca nas palavras. Portuguesas, ainda por cima. Coisa rara no meio artístico nacional, esta de ouvir palavras assim, poemas sofisticados, palavras faladas com um respeito fundamental por algo que é, aqui, mais do que apenas um instrumento (também o é), mais do que uma peça do puzzle harmónico (também o é). É coisa do passado quando nos monopoliza a atenção e nos obriga a escutá-lo sem que nada mais nos distraia. Qual foi o último disco que nos pôs assim, a largar tudo aquilo que habitualmente fazemos quando ouvimos música, como se à música apenas reservássemos a função de banda sonora do quotidiano? É coisa do passado quando ouvimos que «A vida não é mais que uma colecção de polaroids, onde colo um selo e envio a todos os amigos e irmãos que me foram». É coisa do passado quando, no tempo da desmaterialização, nos dá o prazer de abrir uma embalagem diferente do comum, onde encontramos uma fotografia numerada, única, como sinal da ligação pessoal, nada industrializada e nada maquinal (!), que «O Maquinista» pretende estabelecer com o ouvinte. Mas aqui a coisa do passado, afinal, é também moderna, ainda que no sentido que os modernistas lhe deram no século passado. As artes, as da palavra, as da música e as da imagem, fundem-se num objecto rico, de formas multifacetadas, como quando ouvimos a voz dizer-nos «sou o anjo perdido nas ruas de Wender (...), sou a estrada sem fim de Kerouac, sou a rouquidão na voz de Tom Waits (...), sou o violino cavalgante de Venus in Furs (...), sou a árvore imóvel de Ginsberg (...), sou o cavalo de corrida de Bukowski». É também coisa moderna nos loops e demais elementos sonoros, como a bela harpa de Eduardo Raon ou o contrabaixo de Sergue, entre outros retalhos de som com que João Branco Kyron, o vocalista dos Hipnótica e o maquinista deste projecto a solo cose os temas onde se sustentam (e se amparam mutuamente) as palavras. Autêntica poesia sonora.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

O MySpace da semana #1

(Isto é uma tentativa arriscada de manter uma rubrica regularmente, sobre novos projectos de músicos portugueses que mereçam destaque. Vamos a ver.)



www.myspace.com/gnulx
Projecto: GNU
Cidade: Lisboa
Elementos: João Pinheiro (bateria e percussão), Pedro Soares (baixo, guitarra, teclado), Filipe Bernardo (sintetizadores).
Ligações: o Filipe Bernardo é o Sushi, o teclista dos Hipnótica.
Descrição tola de tão breve que é: os Aavikko começaram a dar no math-rock e continuam divertidos à mesma.
Tema a ouvir já: Formiga
Próximos concertos: 11 Jan - Clinic, Alcobaça; 25 Jan - Lugar Comum-Fábrica da Pólvora, Oeiras

domingo, 30 de dezembro de 2007

Um bom 08 para todos!

Falta pouco mais de um dia para que este velho 07 chegue ao fim. Foi um ano intenso para mim. As reviravoltas na minha vida pessoal, que entretanto julgo ter estabilizado da melhor forma, os abraços, as risadas e as lágrimas dos e com os amigos (vós sabeis quem sois, famigliares), os inúmeros concertos (ainda assim menos que em 2005), os bailaricos sofisticados e outros que tais. 07 foi o grande ano dos festivais de world music (Sines, Sines, Sines, sempre inesquecível, mas também Viseu e Póvoa do Varzim e todos os outros que não pude ir), foi o ano em que poucas pessoas estiveram a ver os incríveis Akron/Family (quero mais em 08, Luís!), foi o ano em que toda a gente foi para o Primavera e eu a Joana delirámos com os Dirty Three, foi o ano de foi o ano para fazer crowd surfing nos braços dos Maiorais ao som dos d3ö, foi o ano para estar cara-a-cara com o exorcismo dos demónios do Lirinha do Cordel, foi o ano do campeonato decidido até ao final (valeu a taça), foi o ano do encore dos Mudhoney com o "Fix Me" dos Black Flag, foi o ano da brincadeira com a Internacional na esplanada da SMURSS pelo Jacky Mollard e compinchas bretões, foi o ano do sim à IVG (finalmente, porra), foi o ano do Shortbus, foi o ano do Control, foi o ano em que o meu filho mais vezes disse que "gochto muito do meu pai", foi o ano da Passarola, foi o ano dos Anonima Nuvolari um pouco por todo o lado, foi o ano de mais um estrondo criativo de Robert Wyatt, foi o ano para voltar a interessar-me por música feita de propósito para as pistas, foi o ano de muitas leituras interessantes, foi o ano do novo livro da Naomi Klein (bom, está a ser, na verdade), foi o ano do Death Proof, foi o ano das festas incríveis dos Filho Único no 211 da avenida da Liberdade...
Por outro lado, 07 foi também o ano em que vi menos cinema, menos teatro, menos exposições, foi o ano em que menos vontade tive de ir à ZDB, foi o ano que cheguei a pensar ser o pior de sempre, foi o último ano em que se pode fumar em liberdade (não confundir com respeito por outrém), foi o ano em que menos viajei, foi o ano das perspectivas iludidas ao nível da situação profissional (cercear as liberdades pessoais é mais fácil do que acabar com os recibos verdes), foi o ano do calafrio mais ou menos esperado com o fim-não-fim dos Mão Morta...
Mas, como dizia, 07 foi intenso. E como intenso que foi, há muitos momentos que já ficaram esquecidos. Há uma certa brincadeira habitual nesta altura que apenas não fica esquecida porque vou tomando nota ao longo do tempo. É a lista dos meus... cem melhores concertos do ano. Desde o concerto dos Vicious Five no Alquimista, na primeira parte do Marky Ramone, a 3 de Janeiro, até ao dos Caveira nesta passada sexta, no Lounge (o Quim Albergaria acaba por ser aqui um elemento comum curioso...), 07 ofereceu-me um total de 149 concertos (caramba, devia ter ido ontem ver os Alla Pollaca para chegar a um número redondo, mas estava estourado...), mais que em 06, menos que em 05 (a culpa é dos Gomez Brothers terem deixado a ZDB). Na lista dos mais assistidos estão os grandes Anonima Nuvolari (seis concertos), Caveira (quatro), d3ö, Green Machine, Norberto Lobo e Ó'questrada (três), Born a Lion, Hipnótica, Nicotine's Orchestra, Pop Dell'Arte e Vicious Five (dois). Aqui vão, então, os 100+, de trás para a frente:

100. marcel kanche @ sines (23 jul)
99. human league @ terreiro do paço (4 ago)
98. capitán entresijos @ barreiro (10 nov)
97. mojo hand @ catacumbas (20 dez)
96. caveira @ zdb (27 set)
95. andrew bird @ são jorge (31 mai)
94. señor coconut @ sines (28 jul)
93. rob k & uncle butcher @ barreiro (9 nov)
92. gala drop @ espaço avenida (13 jul)
91. norman @ lounge (13 set)
90. mayra andrade @ belém (28 jun)
89. [d-66] @ lounge (5 out)
88. marky ramone and friends @ santiago alquimista (3 jan)
87. pop dell'arte @ maxime (25 dez)
86. the white stripes @ oeirasalive (9 jun)
85. green machine @ music box (26 mai)
84. d3ö @ oeirasalive (9 jun)
83. josephine foster @ zdb (8 mar)
82. traumático desmame @ casa da avenida (21 dez)
81. ó qu'estrada @ zdb (24 nov)
80. the black lips @ barreiro (10 nov)
79. jesus and mary chain @ sbsr (4 jul)
78. bunnyranch @ music box (21 set)
77. green machine @ zdb (13 jan)
76. lobster @ zdb (9 fev)
75. vicious five @ santiago alquimista (3 jan)
74. haydamaky @ porto covo (22 jul)
73. caveira @ lounge (28 dez)
72. caveira @ lux (3 mai)
71. the mojomatics @ barreiro (10 nov)
70. rão kyao & karl seglem @ porto covo (22 jul)
69. d3ö @ rio maior, in a bar (8 dez)
68. anonima nuvolari @ póvoa de varzim (1 set)
67. hypnotic brass ensemble @ sines (26 jul)
66. born a lion @ barreiro (9 nov)
65. bypass @ santiago alquimista (13 abr)
64. músicos do nilo @ belém (28 jun)
63. nobody's bizness @ teatro viriato (16 jun)
62. caveira & jorge martins @ espaço avenida (13 jul)
61. young gods acústicos @ são jorge (16 nov)
60. green machine @ barreiro (10 nov)
59. wraygunn @ oeirasalive (10 jun)
58. beastie boys @ oeirasalive (10 jun)
57. ó qu'estrada @ zdb (20 jan)
56. the hospitals @ zdb (9 fev)
55. la etruria criminale banda @ sines (27 jul)
54. wraygunn @ lux (4 mai)
53. nicotine's orchestra @ lounge (3 fev)
52. world saxophone quartet @ sines (27 jul)
51. hamilton de holanda quinteto @ sines (27 jul)
50. oumou sangaré @ sines (25 jul)
49. mamany keita & nicolas repac @ porto covo (21 jul)
48. don byron @ porto covo (21 jul)
47. dead combo @ santiago alquimista (30 jan)
46. darko rundek & cargo orkestar @ porto covo (20 jul)
45. galandum galundaina @ porto covo (20 jul)
44. d3ö @ culto club (11 jul)
43. tó trips @ maxime (9 dez)
42. bassekou kouyate & ngoni ba @ belém (29 jun)
41. hypnotic brass ensemble @ sines (26 jul)
40. hipnótica @ restart (29 mar)
39. nicotine's orchestra @ zdb (31 mai)
38. norberto lobo & iancarlo mendonza @ soc. guilherme cossoul (8 fev)
37. howe gelb @ santiago alquimista (30 jan)
36. pop dell'arte @ lux (11 mai)
35. panda bear @ b.leza (11 abr)
34. anonima nuvolari @ incrível tasca móvel (10 ago)
33. k'naan @ sines (28 jul)
32. tartit @ sines (26 jul)
31. bellowhead @ sines (25 jul)
30. anonima nuvolari @ clube de viseu (16 jun)
29. mahmoud ahmed @ sines (26 jul)
28. ttukunak @ sines (23 jul)
27. anonima nuvolari @ zdb (19 fev)
26. hipnótica @ music box (13 out)
25. etran finatawa @ porto covo (20 jul)
24. mountain tale @ teatro viriato (16 jun)
23. anonima nuvolari @ b.leza (30 mai)
22. djumbai jazz @ zdb (26 jan)
21. kap bambino @ lounge (19 out)
20. vicious five @ oeirasalive (10 jun)
19. erika stucky @ sines (28 jul)
18. trilok gurtu band @ sines (25 jul)
17. the go! team @ oeirasalive (9 jun)
16. anonima nuvolari @ catacumbas (19 set)
15. harry manx @ sines (26 jul)
14. o'questrada @ incrível tasca móvel (10 ago)
13. jacky mollard acoustic quartet @ sines (24 jul)
12. mão morta maldoror @ theatro circo (12 mai)
11. rachid taha @ sines (27 jul)

10. CARLOS BICA TRIO AZUL C/DJ ILL VIBE @ SINES (26 JUL)
9. GOGOL BORDELLO @ SINES (28 JUL)
8. MUDHONEY @ CULTO CLUB (11 JUL)
7. PATTI SMITH @ COLISEU DOS RECREIOS (28 OUT)
6. TINARIWEN @ SÃO JORGE (5 JUL)
5. STARS OF THE LID @ NIMAS (6 DEZ)
4. LCD SOUNDSYSTEM @ SBSR (4 JUL)
3. CORDEL DO FOGO ENCANTADO @ TEATRO VIRIATO (15 JUN)
2. DIRTY THREE @ LUX (2 JUN)
1. AKRON/FAMILY @ MUSICBOX (22 ABR)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Listas 2007: os melhores álbuns portugueses para os leitores

Por larga vantagem (dificilmente se esperaria outra coisa), o álbum de estreia do Norberto Lobo é o mais votado dos álbuns portugueses de 2007 para os leitores do tasco.



1. NORBERTO LOBO "Mudar de Bina" (Bor Land)
2. HIPNÓTICA "New Communities for Better Days" (Som Livre)
3. LOBSTER "Sexually Transmited Electricity" (Bor Land)
4. WRAYGUNN "Shangri-La" (EMI)
5. JP SIMÕES "1970" (Nortesul)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Que é feito desse tributo?

Há por aí, metido dentro de uma gaveta qualquer, um tributo aos Velvet Underground feito por bandas portuguesas. Há versões muito interessantes (a dos Hipnótica é uma, a dos Rose Blanket, que aqui pode ser escutada, é outra), mas o tempo passa a olhos vistos e nada sai cá para fora. O que se passa? Aquisição dos direitos?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O que faz um público?

Público? O que é, o que o cria, o que o move? Comunidades? O que são, o que as cria, o que as move? O observador mais atento consegue, com ou maior ou menor esforço, chegar a estas respostas, mas... sempre? Talvez não. Tem que haver uma margem de erro que tolde sempre qualquer análise mais determinista. Senão, o que justifica, por exemplo, que um grupo como os Hipnótica não seja hoje seguido nos seus concertos por centenas ou até mesmo milhares de pessoas?

Serem difíceis? Não pode ser. Talvez nem todos os ouvidos tenham a predisposição (ou a formação) necessária para absorverem com maior profundidade os elementos mais complexos e quase inexpugnáveis das actuais composições do grupo, mas a música é inteiramente acessível à partida.

Terem passado da moda por estarem ainda rotulados com o downtempo e o trip hop? Também não pode ser, não só porque o downtempo e o trip hop já não estão de novo assim tão fora de moda, mas até porque os Hipnótica estão cada vez mais roqueiros (a guitarra voltou a ser um instrumento essencial, por exemplo) e cada vez mais bombásticos ao vivo, o que corresponde já mais aos actuais padrões de moda da música popular.

Serem músicos diletantes? Até o podem ser por definição, mas estão em processo constante de criação. Lançam álbuns com regularidade, dão os concertos que podem, musicam filmes e dão-se até ao luxo de tocarem temas inéditos em apresentações de álbuns, como se não houvesse tempo a perder, dando o rótulo de proibido à palavra comodismo.

O que pode estar, então, na origem do underrating dos Hipnótica? Como é que não houve mais gente a assistir ao fantástico concerto deste sábado no Music Box? No ouvido ainda ressoam os temas deste belíssimo novo álbum "New Communities For Better Days", os inéditos e a quase epifânica versão para "Song to the Siren", do Tim Buckley, ou a forma como o concerto acabou, ao jeito dos Akron/Family, com toda a gente a cantar "Women of the World", de Ivor Cutler, mas redescoberta no "Eureka" de Jim O'Rourke (olhem, outro génio que nunca teve o reconhecimento merecido do público).

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Song to the Siren pelos Hipnótica



Aqui há uns tempos, por ocasião da apresentação ao vivo do mais recente álbum dos portugueses Hipnótica, "New Communities For Better Days", falei da surpreendente versão do "Song to the Siren", original de Tim Buckley, com que o concerto terminou. Ora aqui está o youtubo que faltava para documentar convenientemente a ocasião. Sublime.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Um vídeo por dia traz cor e alegria #25



HIPNÓTICA "NICO" (Videoclip)

Data: Março de 2007
Saiu para as lojas, na semana passada, o novo álbum dos Hipnótica. Chama-se "New Communities for Better Days", é editado pela SomLivre e, como indica o título, explora liricamente o tema das novas comunidades que a tecnologia tem permitido criar e destas novas portas sofisticadas que se abrem todos os dias para os músicos e artistas em geral. O primeiro single é este "Nico" (o nome e a música não enganam ninguém, diga-se). "New Communities..." é provavelmente o disco dos Hipnótica onde a atenção aos detalhes e à harmonia foi mais longe. E é também aquele onde se notam mais as cadências rock, especialmente os acidentes geográficos mais conhecidos por "vai acima, vai abaixo", ao que não será estranha a integração de um dos multi-instrumentistas dos Bypass, Eduardo Raon. É um belíssimo disco.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Novas comunidades para dias melhores



No próximo mês é lançado "New Communities for Better Days", o novo álbum dos Hipnótica. Aqui o gerente do tasco já teve oportunidade de ouvir o disco e assegura que há ali material muito, muito interessante. Mantenham-se atentos.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Concertos alfacinhas de fim-de-semana

- Chico Buarque, hoje, amanhã e por aí adiante, no Coliseu dos Recreios (faço loas a quem me oferecer um bilhete, aviso desde já).
- Número-Projecta'06, que hoje leva ao São Jorge os Hipnótica para fazerem ao vivo a banda sonora de "A Queda da Casa de Usher" (filme de Jean Epstein e Luís Buñuel, baseado no conto de Edgar Allan Poe) e ainda a dupla Neoangin/Nova Huta e o português Tam. Amanhã é o grande dia de Fennesz, Bodycode aka Portable e Katsumoto, e ainda a banda-sonora ao vivo para "Tron", nos pratos ao comando de Rui Miguel Abreu. Mais info em www.numero-projecta.com
- Gregory Isaacs, amanhã, no armazém C2 de Alcântara.
- Noite às novas, na ZDB, amanhã, com a presença da inenarrável Nicotine's Orchestra (vão por mim: este tipo ainda consegue, como se tal fosse possível, fazer esquecer o Tigerman...), entre outros projectos em fase de arranque.
- Cosmopolis, no Santiago Alquimista, com os Wraygunn (hoje) e os X-Wife (amanhã), entre outros nomes.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Hipnótica em estúdio

Está já a ser preparado o sucessor de "Reconciliation" (ou, em rigor, de "Breves histórias sob o efeito de Hipnótica", o livro-CD que celebrou os 10 anos dos Hipnótica, ou, ainda com mais rigor, da banda sonora do filme "Pele"). O álbum vai ter, uma vez mais, a produção a cargo de Wolfgang Shloegl (Sofa Surfers, i-Wolf).
Entretanto, o grupo gravou também uma versão para "Venus in Furs", dos Velvet, que será incluída num tributo a editar pela editora portuguesa Skud&Smarty.
www.myspace.com/hipnoticapt

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Últimas breves da semana

- Os Hipnótica vão produzir a banda sonora do próximo filme de Fernando Vendrell, "Pele". Também JP Simões e Sérgio Costa (Quinteto Tati) participarão com quatro temas originais na música do filme. Vendrell realizou filmes como "Fintar o Destino", "O Gotejar da Luz" e "Jogo da Glória". Escreveu também o argumento de "O Herói", filme que ganhou recentemente o Grande Prémio do Júri para Melhor Ficção na secção de World Cinema do Sundance Festival. "Pele" tem como pano de fundo a Lisboa dos anos 70.

- Malta de Évora: é favor não perderem o baile que os Uxu Kalhus vão provocar (a palavra ajusta-se bem) na Praça do Giraldo, na véspera do dia da revolução. Quem vos avisa, vosso amigo é.

- Vem aí mais uma vaga de grandes concertos na ZDB. Hoje há Nina Nastasia, amanhã Colleen.

- O Juramento vai à academia, amanhã na Universidade da Beira Interior, na Covilhã (14h - painel "Jornalismo Cultural e Blogosfera").

- E viva a Revolução! Até terça-feira.

sexta-feira, 4 de março de 2005

Esta sexta-feira à noite

1. Montijo, no Oficina do Cais, com Hipnótica a actuar e o Bailarico Sofisticado a giradiscar antes e depois do concerto.

2. Lisboa, na ZDB, com DJ Olive (colaborador habitual de Kim Gordon e dos Sonic Youth) e outros.

3. Porto, no Auditório da Reitoria da Universidade do Porto, para um concerto de música clássica do Norte da Índia, com Yogendra Jens Eckert, em Sitar, e Ravi Srinivasan, em tablas.

4. Lisboa, no café concerto de um teatro conhecidíssimo, sito numa praça com nome de país, a festa habitual da primeira sexta de cada mês (e a que eu nunca fui, nem vou poder ir hoje... já chateia ouvir falar da "festa" sem saber o que é).

ACTUALIZAÇÃO:

5. Lisboa, no Mercado da Ribeira, músicas e danças europeias com os portuenses Mú (não confundir com a japonesa da Output que há poucas semanas passou pelo Lux).

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Hipnótica: 10 anos



Hoje, no Sandinista Alquiago, a partir das 22h,

FESTA DE LANÇAMENTO DE "BREVES HISTÓRIAS SOB O EFEITO DE HIPNÓTICA 1994-2004", O HÍBRIDO LIVRO-CD QUE ASSINALA OS DEZ ANOS DO GRUPO

Com:
Hipnótica (ao vivo)
Bailarico Sofisticado (o hipa-mega-supa time do giradiscanço)