quarta-feira, 30 de junho de 2004

Ficou branco!

O blogue ficou branco!! Faço refresh, refresh e mais refresh e nada. Branco como a cal!
Eu sabia que não devia ter andado por um site do Benfica à procura de imagem para as charadas... BAH! Corrompeu o blogue todo!
Porém, alvo mas não santo!

David Bowie já não vem ao Dragão

David Bowie cancelou os seus concertos de Julho na Europa. Segundo o Cotonete, que cita o site oficial do músico inglês, tal deve-se a uma lesão sofrida num ombro, durante um concerto em Praga, no passado dia 23.
Aguardemos pela reacção da produtora do festival, a Tournée.

Ó da Guarda! 2004

Na sua 8ª edição, o festival de música improvisada e experimental Ó da Guarda vai apresentar na capital da Beira Alta, entre 12 e 18 de Julho próximos, mais um programa interessante.

Concertos:
Dia 16 - Wadada Leo Smith e Ikue Mori
Dia 17 - Rafael Toral
Dia 18 - Z'EV

Workshop:
Dia 17 - Workshop de Música Experimental, por Albrecht Loops

Projecções na mediateca:
Dia 12 - The Work of Director Chris Cunningham
Dia 13 - Twelve Stories About John Zorn
Dia 15 - Mostra da Semana Internacional de Música Experimental de Barcelona ? Metrònom

(para mais informações, contactem cultura@mun-guarda.pt.)

Charadas #19

terça-feira, 29 de junho de 2004

Cantemos, pois!

As crónicas do Miguel Esteves Cardoso, de ontem e de hoje, são na maioria das vezes de dois tipos: óptimas e excelentes. Mas se umas vezes valem apenas pelo traço cativante que o monárquico imprime à sua escrita, isto é, em situações em que não concordamos com a tese em causa ou em que ela nos é, no mínimo, indiferente, há outras vezes, porém, em que tanto o tema como a abordagem se aliam de uma forma absolutamente apaixonante. E a crónica de hoje no Blitz é para mim um deste último tipo de casos. O Miguel foi buscar um tema que porventura mais ninguém se lembraria e que, bem vistas as coisas, aparece fundamentado de forma inapelável. Apesar de vinte anos mais novo, também me recordo de ouvir o povo a cantar na minha meninice e adolescência. A peixeira que andava pelo bairro das colónias a cantar o peixe que tinha para vender. A vizinha do pátio do prédio ao lado, que tinha sempre uma modinha para cantar enquanto pendurava a roupa. As ladaínhas e lenga-lengas que as velhas sentadas à soleira da porta de casa cantavam aos miúdos que brincavam na rua. O amolador que enchia a rua de melodia com a sua flauta de pan. As palavras de ordem que o povo cantava (e não disparava apenas) nas manifestações (bom, isto ao menos está a regressar). Onde pára isso hoje? Nos toques de telemóvel?

Ó Mourinha...

Ainda lhes dás troco?

Fohr-sar!

Em vésperas de dia importante, o Juramento Sem Bandeira propõe -- à semelhança aliás do que já fez mais de meio blogosfera nacional -- que todos cantemos o hino do Euro, originalmente interpretado pela nossa querida Nelinha que tantas alegrias nos dá lá fora. O Juramento Sem Bandeira andou a fazer (*) uma pesquisa pela letra e encontrou amiudemente coisas engraçadas como "Como uma forca" ou "Fora! Fora!", mas aquela que se segue é que é a verdadeira letra da cantiga, pois só ela permite perceber o que ali se ouve.

(*) é giro falar na terceira pessoa do singular, como o Jardel ou como a Ampola :>

Fohr-sar

It is the passion flowing right on through your veins
And it's the feeling that you're oh so glad you came
It is the moment you remember you're alive
It is the air you breathe, the element of fire
It is that flower that you took the time to smell
It is the power that you know you got as well
It is the fear inside that you can overcome
This is the orchestra, the rhythm and the drum

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Como uma fome kei nehn-guim paude matá

It is the soundtrack of your ever-flowing life
It is the wind beneath your feet that makes you fly
It is the beautiful game that you choose to play
When you step out into the world to start your day
You show your face and take it in and scream and pray
You're gonna win it for yourself and us today
It is the gold, the green, the yellow and the grey
The red and sweat and tears, the love you go. Hey!

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Como uma fome kei nehn-guim paude matá
Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar!
Fohr-sar!

Closer to the sky, closer way up high,
mais perto do céu, mais perto do céu!

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Fohr-sar! Fohr-sar!
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Fohr-sar! Fohr-sar!
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Fohr-sar! Fohr-sar!
Como uma fome kei nehn-guim paude matá

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Como uma fome kei nehn-guim paude matá

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Fohr-sar! Fohr-sar!
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Fohr-sar! Fohr-sar!
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Fohr-sar! Fohr-sar!
Como uma fome kei nehn-guim paude matá

Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar!
Fohr-sar! Fohr-sar!

Tau grandy, Tau forty,
come on!


(Nem mais! Tau grandy, tau forty, come on!)
(Já agora, se o autor original da letra andar por aí ou alguém o conhecer, que diga, que eu gostava de lhe mandar um abraço e, quem sabe, um rabo de bacalhau.)

Charadas #18

Devendra Banhart confirmado em Portugal

O venezuelano Devendra Banhart, nova coqueluche da "cantautoria", vai estar em Portugal ao vivo. Uma das datas confirmadas, segundo o Blitz de hoje, é a de 2 de Outubro, num festival especialmente dedicado a este género de abordagem musical, o Festival para Gente Sentada (belo nome!), que decorrerá no Teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, neste dia e na véspera. Outra(s) data(s) de Devendra Banhart em Portugal, para este ano, poderão ser ainda confirmadas a seu tempo.

segunda-feira, 28 de junho de 2004

À Sombra de Deus: o volume 3

Vai ser apresentado, no próximo dia 9 de Julho, no Insólito, em Braga, a colectânea "À Sombra de Deus - Vol. 3". O evento está inserido no aniversário da Rádio Universitária do Minho e terá direito a transmissão em directo. "À Sombra de Deus - Vol. 3# é editado pela Câmara Municipal de Braga tem como objectivo a divulgação e promoção de bandas e artistas do concelho de Braga, à semelhança dos dois volumes anteriores, e pretende ser um retrato da música que se faz em Braga (excepto o jazz e a música clássica/contemporânea). Tem o seguinte alinhamento e a seguinte ficha técnica:

1. André Leite - Queen of Fools
2. Big Fat Mamma - Alcoholic Blues
3. Demon Dagger - Away
4. Freequency - Stone
5. Jack in the Box - Empty, Alone, Barren
6. Mão Morta - Sobe, Querida, Desce (comentário pessoal: é um tema que poderá surpreender algumas pessoas... e é muito bom!)
7. Mécanosphère - O Cavalo Branco
8. Os Seis Graus de Separação - Não Lugar Sem Sombra
9. Phi - Electrified
10. Spank The Monkey - Half a Man
11. The Neon Road - The Junkie Park
12. VortexSoundTech - Distances
13. Wave Simulator- Adeus Mutante
14. Zero - Quantas Vezes

Produzido por Miguel Pedro
Co-produzido por Nelson Carvalho
Gravado por Nelson Carvalho, Nuno Couto e Miguel Pedro, na Casa do Rolão
Misturado e masterizado por Nelson Carvalho nos MB Estúdios
Capa de Andreia Alves Mendes (Visual D)
Fotografias do Arquivo Fotografia Aliança/ Museu de Imagem
Editado pela Câmara Municipal de Braga

O CD poderá ser adquirido, numa primeira fase, nos concertos e actuações das bandas
participantes e só posteriormente é que deverá ter distribuição comercial.

Angariação de apoio


Lili Caneças a Ministra da Cultura, já!

Charadas #17

domingo, 27 de junho de 2004


DOMINGO
27 DE JUNHO
19 HORAS
EM FRENTE AO PALÁCIO DE BELÉM
ELEIÇÕES ANTECIPADAS JÁ!

sexta-feira, 25 de junho de 2004

Um exercício em redor das listas pitchforkianas

Percorrendo as listas das décadas de 70, 80 e 90 do pitchforkmedia.com, é possível conceber um novo rol de discos, agora com os trabalhos mais importantes, segundo o site, para cada ano, de 70 a 99 (qualquer dia -- haja tempo para tal -- faço a minha):

1970: The Stooges "Funhouse"
1971: Sly & The Family Stone "There's a Riot Goin' On"
1972: Rolling Stones "Exile on Main Street"
1973: Stevie Wonder "Innervisions"
1974: Brian Eno "Here Come the Warm Jets"
1975: Bob Dylan "Blood on the Tracks"
1976: Ramones "Ramones"
1977: David Bowie "Low"
1978: Wire "Chairs Missing"
1979: The Clash "London Calling"
1980: Talking Heads "Remain in Light"
1981: This Heat "Deceit"
1982: Michael Jackson "Thriller"
1983: R.E.M. "Murmur"
1984: Prince and the Revolution "Purple Rain"
1985: Tom Waits "Rain Dogs"
1986: The Smiths "The Queen is Dead"
1987: Sonic Youth "Daydream Nation"
1988: Pixies "Surfer Rosa"
1989: Beastie Boys "Paul's Boutique"
1990: Public Enemy "Fear of a Black Planet"
1991: My Bloody Valentine "Loveless"
1992: Pavement "Slanted & Enchanted"
1993: Nirvana "In Utero"
1994: Pavement "Crooked Rain, Crooked Rain"
1995: Radiohead "The Bends"
1996: DJ Shadow "...Endtroducing"
1997: Radiohead "OK Computer"
1998: Neutral Milk Hotel "In the Aeroplane Over the Sea"
1999: The Flaming Lips "Soft Bulletin"

(A metodologia empregue -- percorrer a lista a partir do 1º lugar em busca do disco melhor classificado para cada um dos anos -- pode não ser a mais católica, mas os resultados são interessantes...)

Bola em Glastonbury, ontem

(in http://www.nme.com/festivals/news_story.htm?ID=108933)
FOOTBALL MANIA AT GLASTO!
This year's GLASTONBURY FESTIVAL has started off with a bang with tens of thousands of music fans cheering on ENGLAND's football team in EURO 2004.
Because of England's success in the tournament, the group were drawn against hosts Portugal in the quarter final, which kicked off this evening at 7.45pm (June 24).
Festival organisers played the game on video screens at the side of the Pyramid Stage, and tens of thousands of fans turned up to watch the match - a crowd comparable to most headline acts who have appeared at Glastonbury over the years.
One fan at the festival told NME.COM: "The atmosphere was amazing in front of the stage, I think there's probably more people here than an at the actual game in Lisbon. My guess is 60,000 people, it was like having another headliner at the festival this year, just brilliant."
Within the first five minutes Glastonbury-goers were given a boost, when Michael Owen scored and put England in front.
However, the mood was dampened when Portugal equalised, forcing the game into extra time. The game eventually finished 2-2 in normal time, with Portugal winning the game after a penalty shoot-out.
A fan told NME.COM: "If I was anywhere else but Glastonbury I'd be too annoyed for words. As it is, I'm going to have a wander around the site and try to find some hippies to feel my pain!"
(...)

A lista do pitchforkmedia.com: os 20 primeiros

E chega ao fim a publicação da lista dos melhores discos da década de 70 para o pitchforkmedia.com. "Low", de David Bowie, é o álbum que encabeça as escolhas, assumindo portanto a posição de "melhor disco dos anos 70". Entende-se.
Já agora, a respeito das apostas de ontem e dos cerca de dez discos que sugeri, há que acabaram mesmo por estar nestes vinte mais: "Electric Warrior" (20º), dos T-Rex, "Unknown Pleasures" (9º), da Joy Division, "IV" (7º), dos Led Zeppelin, e o já referido "Low" (1º). Esqueci-me ingloriosamente do "Funhouse", dos Stooges, do "Another Green World", do Brian Eno, do "Trans-Europe Express", dos Kraftwerk, do "Marquee Moon", dos Television, e, finalmente, do "London Calling", dos Clash. Por outro lado, é inteiramente descabido que o pitchforkmedia.com não considere o "Horses", da Patti Smith, nos cem melhores discos dos anos 70...

020: T.Rex: Electric Warrior [Reprise; 1971]
019: Can: Ege Bamyasi [United Artists; 1972]
018: Miles Davis: Bitches' Brew [Columbia; 1970]
017: Funkadelic: Maggot Brain [Westbound; 1971]
016: Buzzcocks: Singles Going Steady [IRS; 1979]
015: The Who: Who's Next [Decca; 1971]
014: The Velvet Underground: Loaded [Cotillion/Atlantic; 1971]
013: Nick Drake: Pink Moon [Island; 1972]
012: The Stooges: Funhouse [Elektra; 1970]
011: Rolling Stones: Exile on Main Street [Rolling Stones; 1972]
010: Brian Eno: Another Green World [Island; 1975]
009: Joy Division: Unknown Pleasures [Factory; 1979]
008: Gang of Four: Entertainment! [Warner Bros; 1979]
007: Led Zeppelin: IV [Atlantic; 1971]
006: Kraftwerk: Trans-Europe Express [Capitol; 1977]
005: Bob Dylan: Blood on the Tracks [Columbia; 1975]
004: Sly & The Family Stone: There's a Riot Goin' On [Epic; 1971]
003: Television: Marquee Moon [Elektra; 1977]
002: The Clash: London Calling [CBS; 1979]
001: David Bowie: Low [RCA; 1977]

Charadas #16

quinta-feira, 24 de junho de 2004

De onde raio é que vem o nome? #15: Laibach

Laibach foi o nome que os nazis deram à capital da Eslovénia, Ljubljana (ou Liubliana, se preferirem) durante os anos de ocupação da 2ª Guerra Mundial. Os Laibach sempre se manifestaram apolíticos, invocando que a utilização de simbologia nazi na sua obra apenas tinha que ver com a recolha de memórias visuais, tal como acontecia na música, com as suas reinterpretações de Opus ("Life is Life"), Queen ou Beatles. Na verdade, muitos dos artistas que trabalharam com eles nas capas dos discos eram activistas anti-nazi.
(Fica aqui a explicação para o passatempo das "Charadas" de hoje.)

Obituário & Bizarrário

Soube há pouco, através do mais recente número da Wire, das mortes de vários artistas na área da improvisada, do rock ou do jazz. O saxofonista Steve Lacy, que por várias vezes esteve em Portugal, morreu de cancro no passado dia 4. Robert Quine, guitarrista e uma das figuras fundamentais de Nova Iorque, que trabalhou com Richard Hell nos Voidoids, com Lydia Lunch, Tom Waits, Lou Reed (as suas gravações piratas de concertos dos Velvet Underground foram editadas há pouco tempo pela Universal, sob o nome de "The Quine Tapes"), entre muitos outros, suicidou-se no dia 31 do mês passado. Já não tanto novidade para mim, há também a nota da morte de Elvin Jones, baterista de Coltrane, e ainda de John Mayer.
No capítulo das bizarrias, há o regresso a um palco, neste caso ao Astoria de Londres, dos Throbbing Gristle. As fotografias de Genesis P. Orridge são no mínimo assustadoras :), mesmo sendo quem é, que sempre gostou de se enfiar dentro de roupas de mulher. Aqui há uns anos, encontrei o Genesis P. Orridge na banca de acreditações do Sonar. A dentuça de prata, aquele penteado de tigela e a garrafa de whisky na mão não assustavam ninguém, mas se o visse tal como aparece nas fotos da Wire, acho que... fugia!
Excelente parece estar a entrevista ao Damo Suzuki, também nas páginas desta edição. Não é difícil, sei por experiência própria.

Charadas #15