segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Jackie-O Motherfucker cancelados

Os concertos dos Jackie-O Motherfucker no Porto e em Lisboa, previstos para o final de Dezembro, foram cancelados. A informação é U-Sound Archive, a etiqueta de CD-Rs: «sorry to those in Italy, Spain and Portugal, we had to cancel those shows.»

Mais uma feira do disco na Gare do Oriente

Nos primeiros três fins-de-semana de Dezembro, sexta-feiras incluídas.

Charadas #88

Ver, ouvir e sentir para crer

"Tens que ir lá, tens que ir lá." É uma expressão que gostamos de usar sempre que descobrimos algo que os nossos amigos não conhecem ou, no limite, nunca quiseram conhecer. Podemos estar a falar de uma viagem a um local paradisíaco apenas conhecido por alguns, de um daqueles filmes das nossas vidas que passam numa sala refundida sem que ninguém lhes ligue ou de uma suculenta galinha de cabidela servida numa qualquer tasca com fachada manhosa, algures em Trás-os-Montes.

"Tens que ir lá, tens que ir lá." Por vezes, o mais difícil, no meio de tanto entusiasmo, é conseguir fazer que as nossas palavras tenham um mínimo de credibilidade. Os olhares de desconfiança levantam-se sempre que falo nos Uxu Kalhus e naquele baile no Mercado da Ribeira, em Março deste ano, a minha primeira investida neste cada vez mais popular mundo de danças, música e alegria. Na verdade, também eu terei olhado o L... com desconfiança dessa primeira vez.

"Tens que ir lá, tens que ir lá." No passado sábado, os Uxu Kalhus voltaram ao Mercado. Desta vez, já não era eu o novato, mas deu para sentir a felicidade estampada no rosto daqueles que agora foram os caloiros. O B... já dizia que não queria saber das electrónicas para nada, no intervalo entre uma mazurca e uma chotiça, antes de uma rapariga roliça o puxar para o centro do baile. O P..., que vinha de Almada, assistia com espanto ao rigor estético das centenas de "bailonautas". A C..., repetia insistentemente que não sabia dançar, mas não resistia a um pé de dança no meio dos outros. O N..., que era talvez o mais desconfiado de todos, irradiava um largo sorriso de felicidade. O outro P..., que já não era caloiro, pulava, dançava, gritava, caia...

Hoje, volto a dizer o mesmo que dizia há oito meses. Estar num bailarico destes é uma sensação invulgar. Sem que tenha havido grande promoção, centenas e centenas de excelentes "bailonautas" (a expressão é deles) juntam-se naquela sala do Mercado da Ribeira e durante largas horas entregam-se uns aos outros numa folia imensa de danças europeias (e não só), até que o corpo não possa mais. É o verdadeiro underground que ali acontece, é uma nova face da militância que se os mais velhos recordam da pop nos anos 80. Os principais culpados são os Uxu Kalhus e a associação Pédechumbo. Continuem, se fizerem o favor. De baile para baile, são cada vez mais aqueles que ficam rendidos.

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Notas breves de algo a que chamamos músicas do mundo

O diabo
É já para a semana que o diabólico acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen regressa a Portugal, agora no formato Kluster, que integra ainda Samuli Kosminen (baterista e samplista que já trabalhou com os múm, por exemplo). Dia 1, no TAGV de Coimbra, dia 2, no Forum Lisboa e ainda dia 3, na Casa das Artes de Famalicão.

O planeta dança
Amanhã, sábado, os Uxu Kalhus voltam ao mercado da Ribeira, em Lisboa, para uma noite de viras, corridinhos, mazurcas, chotiças e muito mais. Com selo de garantia aqui do tasco, a noite de amanhã promete dar várias horas de enorme folia.

O encontro das Crónicas
O vizinho Luís Rei, das Crónicas da Terra, volta a promover a sua original iniciativa, um encontro com apreciadores (ou não) das músicas do mundo, onde se poderá ouvir algumas das mais recentes novidades discográficas e, ao mesmo tempo, discutir os mais diversos assuntos, enquanto se bebe um copo. Um ou mais. Amanhã, a partir das 18h30, no Lisboa Bar (entre o largo do Carmo e o da Trindade), ali junto ao Bairro Alto.

Citação gay-mórbida do dia

Rufus Wainwright sobre Jeff Buckley, conforme citado no Y de hoje:
«Não lhe ofereci um broche [risos], mas passei uma noite muito agradável com ele. Nessa noite percebi como a inveja pode ser fútil (*). E, claro, um mês depois ele morreu.»

(*) esta citação vinha em resposta ao facto de Wainwright ter sentido inveja de Buckley no início da sua carreira, num caso que é referido na "breve" do Y.

Algumas curiosidades do audioscrobbler

Percorrendo algumas das páginas do audioscrobbler (o que é o audioscrobbler? é favor ler mais abaixo), deparamos com algumas curiosidades:

Top de artistas ouvidos pelo "group" Sonic Youth (onde estão inscritos, teoricamente, os admiradores dos SY, portanto):

1 Clutch 8719
2 Sonic Youth 8558
3 Radiohead 6280
4 The Beatles 5046
5 Pixies 3617

Já no "group" dos godspeed you! black emperor:
1 Radiohead 13638
2 Clutch 8150
3 The Smashing Pumpkins 6285
4 Modest Mouse 5554
5 Mogwai 5431

(a pergunta natural que se coloca é: mas que raio fazem os Clutch nestas duas listas?)

E no "group" de Lightning Bolt ouve-se... Beatles:
1 explosions in the sky 623
2 The Advantage 613
3 Elliott Smith 605
4 Neutral Milk Hotel 576
5 The Beatles 522

Que também são ouvidos no "group" dos Einstürzende Neubauten:
1 Sonic Youth 942
2 Einstürzende Neubauten 722
3 The Beatles 638
4 Depeche Mode 591
5 The Flaming Lips 561

Este é o top de faixas, desta semana, em todo o universo audioscrobbler:
1. Franz Ferdinand - Take Me Out (mantém-se)
2. Green Day - Boulevard of Broken Dreams (subiu)
3. The Postal Service - Such Great Heights (desceu)
4. Modest Mouse - Float On (subiu)
5. Green Day - American Idiot (desceu)

Para aceder ao group do Juramento sem Bandeira, basta ir aqui.

Marretas #2

quinta-feira, 25 de novembro de 2004

Ocasião rara para rever a Sétima Legião

Charadas #87

Rockmusic Challenge 2004: semana três

O tema "O papel das editoras independentes na edição de novos projectos" vai hoje ser debatido na FNAC Norteshopping, a partir das 22h, em mais uma conversa promovida pela corrente edição do concurso Rockmusic Challenge. Na mesa vão estar presentes: Rodrigo Cardoso, da Bor Land, Martinêz, da Matarroa, e Marco Azevedo, da Volume. Isidro Lisboa, da Rádio Nova, vai moderar o debate.
No sábado, decorrerá mais uma eliminatória do concurso. Ao palco do Hard Club vão subir os Pitch Black (Porto), os Quetzal's Feather (Porto) e os Hyubris (Tramagal). Os padrinhos da noite vão ser os aveirenses Anger. A partir das 22h.

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

Charadas #86

O audioscrobbler

Há poucos dias, interrogava-me no Forum Sons pelo real significado de um conceito como o TOP da Associação Fonográfica Portuguesa, quando sabemos que meio mundo copia discos que o outro mundo já havia copiado sabe-se lá de onde, que quase toda a gente sabe ir ao pássaro azul ou a qualquer outro p2p descarregar as últimas novidades. Não seria mais interessante, ainda que nada praticável, ter-se o top dos CD-Rs gravados ou dos mp3s descarregados?

Não há dia em que não apareça pela internet um gadget novo que nos permite fazer isto ou aquilo. Alguns são francamente inúteis, outros, pelo contrário, correspondem a necessidades existentes ou abrem ainda novas perspectivas na utilização das tecnologias.

O audioscrobbler é um desses tais novos gadgets que promete dar consistência prática, fácil e eficaz a determinado conceito do dia-a-dia dos amantes da música que poderíamos prosaicamente denominar por "Que estás tu a ouvir?".

«Audioscrobbler is a computer system that builds up a detailed profile of your musical taste. After installing an Audioscrobbler Plugin, your computer sends the name of every song you play to the Audioscrobbler Server. With this information, the Audioscrobbler server builds you a 'Musical Profile'. Statistics from your Musical Profile are shown on your Audioscrobbler User Page, available for everyone to view.»
(in www.audioscrobbler.com)

Mas há mais para além do "Que estás tu a ouvir?". Podemos, com a ajuda do audioscrobbler saber "O que estão ELES a ouvir?", onde o "ELES" pode ser um qualquer grupo de pessoas que, ora se registaram num "group" específico (vejam o que anda a ouvir o Forum Sons, por exemplo), ora partilhem de semelhanças em determinados critérios (vejam, por exemplo, o top dos portugueses registados... argh, evanescence).

O sistema ainda está longe de ser perfeito. O winamp (ou outro leitor da simpática lista de possibilidades que o audioscrobbler oferece) não envia para lá informação a respeito de IDtags que não estejam bem definidas no MP3 (aconteceu-me há pouco com um mp3 de um longínquo tema do Pedro Ayres Magalhães) ou, no caso dos CDs, não reconhece discos que não tenham CD-text ou qualquer registo nas bases de dados internacionais (ou é uma ou outra situação, o que sei é que estou a ouvir a compilação da última Wire e o audioscrobbler não está a registar nada). Já para não falar, obviamente, nos casos em que ouvimos música noutros meios que não o computador... Mas, ainda assim, como aproximação, e perante uma amostra tão grande de melómanos que ouvem discos no PC do trabalho ou de casa, os resultados podem ser, como dizem os estatísticos, representativos.

Deixo-vos duas ligações adicionais, a minha playlist e a playlist agregada do Juramento Sem Bandeira, grupo que está aberto à inscrição de qualquer um dos leitores aqui do tasco:
www.audioscrobbler.com/user/junqueira/
www.audioscrobbler.com/group/Juramento%2BSem%2BBandeira

terça-feira, 23 de novembro de 2004

Cabeças do futuro


"The Futureheads" (Sire, 2004)

Estes ainda vão deixar os Franz Ferdinand, para os quais, aliás, já abriram concertos, na sombra do campeonato dos revivalistas. O álbum de estreia, produzido pelo Gang of Four Andy Gill respira The Jam, The Jam, The Jam, The Jam, The Jam, The Jam e ainda The Jam por todos os poros. Jovem, se também achas que o Paul Weller anda perdido em cançonetas sensaboronas que te deixam deprimido, eis o teu remédio ideal. As primeiras audições fazem um tipo pôr-se aos pulos. Amanhã, como no caso dos Franz Ferdinand, poderemos ficar cansados. Mas que se lixe.

O drone que veio do frio

Querem mais texturas, depois dos Dead Texan, aqui ontem abordados? Pois oiçam então o terceiro álbum do projecto Es, do finlandês Sami Sänpäkkilä, um habitué do festival Avanto, quer enquanto músico, quer enquanto realizador. Ao contrário das melopeias dos Dead Texan, ideais para se trautearem com todo o tempo do mundo algures na imensidão de um deserto quente americano, daqueles onde a única coisa que se passa é o vento a empurrar velhos arbustos secos, o trabalho de Es remete para uma visão mais sombria, inconsequente e regularmente regular de uma paisagem rural europeia (nórdica?) de outros tempos, onde não faltam sequer os badalos dos rebanhos de animais e os sinos de igreja. Se, e continuando no domínio das imagens que os drones têm por hábito fazer disparar no nosso cérebro, Dead Texan é um western em câmara lentíssima, Es é um Carl Dreyer com muito grão filmado no campo. "Kaikkeuden Kauneus Ja Käsittämättömyys", que segundo Yari, o finlandês mais português que eu conheço, significa qualquer coisa como "A beleza e a inconcebibilidade do todo" (ena!), merece a escuta por ouvidos pouco apressados.
(Es é um dos projectos abordados no artigo da última Wire sobre o underground finlandês, o que deixa perceber que pode ainda haver mais surpresas interessantes a descobrir no país nórdico...)
Site oficial: www.escycle.com

Charadas #85

The Wire #250

Já chegou a Wire de Dezembro. A capa não será imediatamente reconhecível, mas a opção estética escolhida aponta directamente para o principal trabalho desta edição, uma selecção de setenta dos melhores riffs da história da música, desde os Bad Brains aos Stooges, desde o Aphex Twin aos Matmos. Com este número vem ainda mais um Wire Tapper, o nº12 (há uma faixa dos portugueses @c), e ainda artigos sobre a nova vaga underground finlandesa, Marshall Allen, John Peel, Greg Davis, entre outros assuntos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

The Dead Texan em Janeiro



Adam Wiltzie, dos Stars of the Lid (e também técnico de som ao vivo para grupos como Labradford, Flaming Lips ou Mercury Rev), está de volta. A ele junta-se a realizadora Christina Vantzos, no complemento visual das texturas sonoras de Wiltzie, no projecto The Dead Texan, com álbum homónimo acabadinho de sair pela Kranky. Absolutamente recomendado para quem se delicia com as texturas dos Labradford ou dos Stars of the Lid.
E, já agora, fica também a notícia, confirmada via página das digressões da Southern (a distribuidora para a Europa da Kranky), que o duo vai estar em Portugal para três concertos no início do ano que vem: 14 de Janeiro, na ZDB, em Lisboa; e os dias seguintes nas cidades do Porto e de Faro, em locais a anunciar.
Site oficial dos Dead Texan: www.brainwashed.com/sotl/deadtexan/

Charadas #84