sábado, 12 de julho de 2008

Estágio





O mundo em Sines (sétimo dia)



Justin Adams & Juldeh Camara, ao vivo em Bristol, 2007.

QUARTA-FEIRA, 23 DE JULHO

Waldemar Bastos (Angola) - Castelo de Sines (21h30). Chegou há 26 anos a Portugal para uma participação num festival de teatro e por cá ficou. Por cá e por esse mundo fora onde tem levado a música popular angolana.
Vinicio Capossela (Itália) - Castelo de Sines (23h00). Substituto de penúltima hora para os Kasaï All Stars, o cantor com voz mais parecida com o Tom Waits em Itália, tem arrancado do público dos seus espectáculos as melhores reacções. Portugal, por onde já passou, não tem sido excepção.
Justin Adams & Juldeh Camara (Inglaterra/Gâmbia) - Castelo de Sines (00h30). O inglês é etnomusicólogo, produziu os álbuns dos Tinariwen e é guitarrista na banda de Robert Plant. O gambiano é griot (uma função hereditária em parte equivalente à figura do bardo, na Europa) e é intérprete do riti (um violino de apenas uma corda, comum na África Ocidental). Este ano, a colaboração entre os dois foi premiada nos prestigiados BBC Radio 3 Awards na categoria de "Culture Crossing". Está-se mesmo a ver que vai ser muito bom.
Anthony Joseph & The Spasm Band featuring Joe Bowie (Trindade / EUA) - Avenida da praia (02h30). Mais um caso interessante de fusão, mas agora entre a poesia, o jazz e os ritmos caribenhos. Anthony Joseph, escritor nascido na ilha de Trindade, mas a viver no Reino Unido (onde já é figura de relevo nas letras), junta-se à Spasm Band liderada pelo trombonetista Joe Bowie.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Casa cheia...

...para ver o Will Oldham, hoje, na ZDB. Não se assuste quem não tem reserva, porque amanhã há mais. Mas amanhã, hereges, é dia de Neil Young. Oldham traz banda consigo: Ruby Kash (violino e voz), Joshua Abrams (contrabaixo, lembram-se dos Town & Country, da Thrill Jockey?), Emmet Kelly (guitarra) e Michael Zerang (percussão).

Relato mais do que telegráfico do Alive de ontem

Muita gente. Gente demais. Poucos pontos de venda de cerveja. A lição outros festivais urbanos no passado (e aparentemente aprendida no entretanto) parece não ter servido de nada. Os Vampire Weekend não deixam de ser bons, mas tocam tal e qual como no disco. Os MGMT são uma seca. Os National estiveram quase perfeitos e tiveram um som bastante melhor que o da Aula Magna, que até foi bom para abafar as palminhas e outras histerias do público. Os Gogol Bordello precisam de quatro muralhas e fogo de artifício. Os Hercules and Love Affair são o pastiche dos anos 80 e do mutant disco mais ridículo e mais fútil dos últimos tempos. Os Rage Against the Machine são entediantes.

Não custa nada tentar

Ninguém tem um bilhete para o Neil Young para vender, assim mais barato e coiso, não?

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O mundo em Sines (sexto dia)



Moriarty, "Jimmy"

TERÇA-FEIRA, 22 DE JULHO

Iva Bittová (República Checa) - Auditório do Centro de Artes de Sines (22h00). A solo, com o seu violino e a sua voz, Iva Bittová expõe o seu diverso leque de influências, com a música clássica e popular da Europa de Leste a assumir destaque claro.
Moriarty (EUA/França) - Auditório do CAS (23h30). A voz de Rosemary Moriarty lembra as cantoras folk inglesas dos anos 60 (Vashti Bunyan, Shirley Collins, ...) mas os restantes "irmãos" Moriarty puxam ora pelo blues, ora pela folia das pequenas orquestras de bar franceses.
Dead Combo (Portugal) - Ruas do CAS (01h00). O que começou por ser uma homenagem a Carlos Paredes transformou-se rapidamente num dos projectos mais interessantes da nova música portuguesa. No meio das planícies perigosas dos filmes que Morricone musicou, do clima de cortar à faca do tango de Buenos Aires, ou de música nocturna de tantas cidades desse mundo fora, esconde-se um certo toque de fado vadio, um ar em que se respira em português, seja o que for que isso queira dizer.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Erm... num táxi?



MAN MAN, com "Doo Right", de "Rabit Habbits" (2008), ao vivo... num táxi.

Bom, já havia a boa gente da Blogothèque com a sua série fantástica de concerts à emporter, concertos gravados na rua, em apartamentos, onde calhe, sem grandes preparativos ou artifícios (por falar nisso, já ouviram o do Bon Iver, já? Ide já aqui, caramba... que versões magníficas!).

Agora... concertos num táxi? O projecto chama-se The Black Cab Sessions e já vai no 48º capítulo (ei, se já não é novidade para ninguém, era pelo menos para mim e para a Paula, onde descobri isto). Já passaram pelo táxi pessoas como ilustres como os Man Man (vídeo em destaque ali mais em cima), o Micah P Hinson, o Bon Iver (está em todas o homem, está visto), os Sunset Rubdown, os Death Cab for Cutie, a Lykke Li, o/a Baby Dee, a Scout Nibblet, os National, o Bill Callahan e o Daniel Johnston, entre tantos outros. Fantástico.

(Ficam desde já avisados que comprei já o domínio moshesnacasadebanho.com e que estou a negociar o digressaoporroullotesondesirvamsandesdecouratoemines.net, o que se está a revelar mais difícil, porque alguém já teve a mesma ideia.)

Mão Morta nas Ilhas

Pode parecer estranho, mas vai ser a primeira vez que uma Região Autónoma recebe os Mão Morta para concertos. No dia 8 de Agosto, o grupo toca no festival Semana do Mar, na Horta. No dia seguinte, é a vez da ilha do Pico, com um concerto em São Roque.

O mundo em Sines (quinto dia)



Lo Còr de la Plana no bar La Tor deu Borreu, em Pau, na Aquitânia (Fevereiro de 2008).

SEGUNDA-FEIRA, 21 DE JULHO

Moskow Art Trio (Rússia/Noruega) - Auditório do Centro de Artes de Sines (22h00). Estiveram no ano passado em "Viseu a 15 do 6", na companhia do colectivo de Tuva Huun-Huur-Tu. Apresentam-se agora sozinhos, para um concerto de piano e sopros.
Lo Còr de la Plana (Occitânia) - Auditório do CAS (23h30). São grupos como estes que fazem perdurar a tradição das polifonias nesta antiga nação onde o "sim" se diz "óc". Tal como outros jovens projectos da Occitânia, os Lo Còr de la Plana cruzam as suas raízes com influências externas, transformando as polifonias num convite para a dança.
Danae (Portugal) - Ruas do CAS (01h00). Nasceu em Havana, filha de pai cabo-verdiano e mãe cubana. Cresceu em Cabo Verde e, já em idade de estudos, em Coimbra. Não se estranha que toda esta geografia se revele nos temas que compõe. Ah, e na banda tem dois alemães e um cabo-verdiano.

Por falar em SY



Ao vivo há poucos dias (4 de Julho), no Battery Park de Nova Iorque. "Hei Joni", um dos meus temas-fétiche desde a adolescência.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Viva o carteiro

Acabadinho de chegar:



"Our whole scene is under their shadow. They've remained 'the band' forever. They're royalty. If Sonic Youth had only made three or four records, they might be part of a list of the greatest American bands. Considering they've made 20 years of great records, they pretty much left everybody in the dust." Slim Moon, fundador da Kill Rock Stars Records.

O mundo em Sines (quarto dia)



Asha Bhosle & Michael Stipe, "The Way You Dream" (videoclip amador)

DOMINGO, 20 DE JULHO

Danças Ocultas (Portugal) - Porto Covo (21h30). Regressam ao FMM as concertinas loucas de Artur Fernandes e companhia, agora num espectáculo com especial destaque para a imagem.
Asha Bhosle (Índia) - Porto Covo (23h00). A comunidade hindu já começou a comprar bilhetes e promete encher o recinto de Porto Covo neste domingo, para assistir ao espectáculo de uma das maiores divas da canção de Bollywood, cuja voz entrou em perto de um milhar de filmes...
A Tribute to Andy Palacio feat. Special Guests (Belize/Honduras) - Porto Covo (00h30). O beliziano Andy Palacio foi um dos primeiros nomes confirmados para o FMM 2008, mas, infelizmente, faleceu no início do ano. Em Porto Covo estarão os músicos do Garifuna Collective, que o acompanhavam, e que agora se reúnem para lhe prestar homenagem.

domingo, 6 de julho de 2008

Cartaz de Coura fechado

Já não entra mais ninguém. De 31 de Julho a 3 de Agosto, vão passar pelas margens do Tabuão os seguintes nomes:
31 de Julho - Sex Pistols, Mando Diao, The Bellrays, X-Wife, Bunnyranch, The Mae Shi, DJ Amable.
1 de Agosto - Primal Scream, Editors, The Rakes, Two Gallants, The Long Blondes, Jazz Resort Soundsystem, We Are Standard, D3Ö, These New Puritans, Optimo DJs.
2 de Agosto - The Mars Volta, dEUS, The Pigeon Detectives, Wraygunn, Spiritual Front, Man-Drax, Dorian, Sean Riley and the Slowriders, Woman in Picnic, Surkin.
3 de Agosto - Thievery Corporation, The Lemonheads, Biffy Clyro, Tributo a Joy Division, Au Revoir Simone, Ra Ra Riot, Trio de Afonso Pais, Layabouts, Komodo Wagon, Caribou, Twin Turbo.

(Com Pistols, Primal Scream, dEUS, Thievery Corporation e até -- medo, medo, medo! -- um tributo a Joy Division, o cartaz deste ano é uma autêntica cápsulta do tempo... E nada convidativo.)

Se esta rua fosse minha...

A boa gente do Plano B está a preparar a segunda edição de um festival de animação de rua. É na rua Cândido dos Reis, onde aliás se encontra a sede do Plano B, que tudo acontecerá no próximo feriado do 5 de Outubro. Ainda falta tempo, mas o Plano B está a receber candidaturas de projectos, até ao final do mês. Mais informações em www.planobporto.com ou em www.festivalplanob.com.

O mundo em Sines (terceiro dia)



The Last Poets, "Niggers Are Scared of Revolution", do primeiro álbum (homónimo, 1970)

SÁBADO, 19 DE JULHO

Flat Earth Society & Jimi Tenor (Bélgica/Finlândia) - Porto Covo (21h30). E esta, hein? Jimi Tenor em Sines. E na companhia de uma big band composta por quinze músicos. É também destes encontros que vive o festival.
The Last Poets (EUA) - Porto Covo (23h00). O hip hop não existiria ou seria muito diferente, não fosse este colectivo de músicos e poetas ter aparecido em Nova Iorque no final dos anos 60, no epicentro da luta mais radical pelos direitos civis dos negros na América. É um pedaço enorme da história da música que se desloca até Sines neste sábado.
Enzo Avitabile & Bottari (Itália) - Porto Covo (00h30). Da Campânia, um grupo de bottari (tocadores de pipas de vinho, isso mesmo, pipas de vinho).

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O mundo em Sines (segundo dia)



HAZMAT MODINE tocando "Bahamut" na televisão russa

SEXTA-FEIRA, 18 DE JULHO

A Naifa (Portugal) - Porto Covo (21h30). Luís Varatojo e João Aguardela a meterem electrónica por baixo de uma guitarra portuguesa.
Herminia (Cabo Verde) - Porto Covo (23h). A outra grande voz do Mindelo, que o mundo só descobriu depois dos 60 anos.
Hazmat Modine (EUA) - Porto Covo (00h30). São um grupo de jazz de Nova Orleães? São judeus a tocar klezmer? Jamaicanos a levantar poeira? Não, são uma bela banda sonora para o caldeirão de culturas da cidade de onde vem, Nova Iorque. E se o líder Wade Schuman, que também é um pintor com nome cada vez mais reconhecido, se puser a tocar harmónica sozinho, o comboio vai chegar a Porto Covo (vejam este outro vídeo, por favor).

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O fim da world music tal como a conhecemos?

Esta questão decorre de uma conversa ocasional com o director artístico do FMM Sines. Para onde vai a world music? Falamos na mesma coisa quando falamos de world music hoje ou como quando falávamos há 10 anos? E como será daqui a outros tantos? Continuaremos a colocar eventos magníficos como o FMM e o MED (oxalá resistam à passagem do tempo!) na categoria da world music?

Nos anos 80, as lojas de discos introduziram nos escaparates a secção da world music, a partir de um termo originalmente usado pelo etnomusicólogo Robert E. Brown (o primeiro grande divulgador das tradições indonésias do gamelão), para ali disporem tudo o que não fosse produção não ocidental. O interesse crescente do público e dos próprios músicos ocidentais, foi aproveitado pelo mercado e a especialização tornou-se uma realidade viável: nasceram as publicações, as editoras europeias e americanas, as lojas, os festivais, etc. Tal como jazz ou no heavy metal, por exemplo, havia um nicho do mercado que sustentava a especialização.

Hoje, o retrato que se tira à cena das músicas do mundo é diferente. A especialização deixou de ser assim tão clara como era há dez anos. Os públicos, os festivais, as publicações, as lojas, as editoras e os próprios músicos demonstram ser cada vez mais heterogéneos. E no que antes era dedicado apenas ao rock, à música nova ocidental, o mesmo se sucede. A secção da loja de discos está cada vez mais diluída pelas restantes e vice-versa.

Talvez a principal razão para esta evolução se deva à desfragmentação ou liberalização, se assim lhe quisermos chamar, do mercado da música, tal como proporcionada pela internet. A instituição de uma rede social com grande impacto na divulgação da música como o myspace.com ou a generalização do download gratuito de todo o tipo de música, trouxe uma nítida alteração nos comportamentos de todos os agentes envolvidos neste negócio, desde a origem, os músicos, até ao destino, os ouvintes. E se o mercado discográfico quase pede a extrema unção, o mercado dos espectáculos cresce a olhos vistos, o que explica que haja cada vez mais bandas a aparecer, cada vez mais digressões, cada vez mais festivais, cada vez mais promotores, cada vez mais público. Seja no rock, seja nas músicas do mundo. E este crescimento rápido em todas direcções estéticas está a trazer consequências para as antigas fronteiras de géneros e de mercados específicos. O fim do mainstream, de que tanto se fala, encontra o reflexo na diluição dos nichos.

Veja-se o caso dos festivais. Em Portugal, o MED trouxe este ano a lenda da soul Solomon Burke e os belgas Zita Swoon, dois nomes que dificilmente entrariam no clube fechado da world music de há dez anos. O FMM traz nomes como os Last Poets, o Nortec Collective ou os Firewater. Em Inglaterra, o Womad de Charlton Park apresenta o regresso dos Chic (sim, os do disco dance dos anos 70) e o Roni Size no cartaz. Nos festivais de rock é também cada vez mais frequente encontrar por lá artistas associados às músicas do mundo. O Sudoeste, por exemplo, tem feito aposta todos os anos no reggae. Os Gogol Bordello tocaram em 2007 no FMM, mas também em Paredes de Coura, e este ano regressam para o Alive. No fim-de-semana que passou, Glastonbury teve um palco que contou com Rachel Unthank, Justin Adams & Juldeh Camara (tocam ambos no FMM deste ano), Balkan Beat Box (estiveram no MED), etc.

Veja-se os músicos. Os Balkan Beat Box, por exemplo, que levam os Balcãs para a pista de dança. Os Extra Golden, que hoje tocam na ZDB, que promovem um encontro entre o rock e a música benga queniana. Os israelitas Boom Pam, que metem no mesmo saco o klezmer, a música cigana e as guitarras surf do rock'n'roll dos anos 60. Os Vampire Weekend que recuperam o legado deixado por Paul Simon em "Graceland", um exemplo perfeito de outra era de como a mestiçagem pode produzir excelentes resultados. O caso de Beirut ou do amigo Hawk and a Hacksaw, que transportam para a sua visão ocidental elementos que outrora faziam apenas parte da cena da world music. Os exemplos são infindáveis.

Veja-se o público. O castelo e toda a cidade de Sines enche-se de gente das mais diversas idades, das mais diversas "tribos", no último fim-de-semana de Julho. Os Tinariwen esgotam numa hora ou pouco mais o São Jorge, com um público que não é apenas o público da world music, no conceito que tínhamos até aqui. O público típico dos festivais de rock, outrora mais fechado e mais preconceituoso, ouve com mais respeito a "contaminação" das músicas do mundo.

Veja-se as publicações. Já repararam como, em publicações mais generalistas, já não se chuta um artigo sobre um qualquer artista do Mali para a secção das músicas do mundo? E que já não é sempre o mesmo especialista a assinar esses artigos?

Daqui a dez anos, estará tudo definitivamente diluído?

terça-feira, 1 de julho de 2008

O mundo em Sines (primeiro dia)



SIBA E A FULORESTA no Auditório Ibirapuera

QUINTA-FEIRA, 17 DE JULHO

Siba e a Fuloresta (Brasil) - ruas do Centro de Artes de Sines (19h00). Sérgio Veloso (Siba), um dos fundadores dos incontornáveis Mestre Ambrósio leva a paixão pelo samba rural nordestino ainda mais longe, com a revitalização do colectivo Fuloresta. É, por assim dizer, a primeira parte de um espectáculo dedicado à reinvenção das tradições do Nordeste que se complementa em Sines, uma semana depois, com o novo forró de Silvério Pessoa.
Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali) - Auditório do Centro de Artes (22h00). "Segu Blue", provavelmente o melhor disco africano do ano passado, volta a ser apresentado em Portugal, depois do excelente concerto junto à Torre de Belém, no último África Festival.
Serra-lhe Aí!!! & Os Rosales (Galiza) - Ruas do Centro de Artes (00h00). Dois acordeões, uma gaita, alguns metais e vozes, para animar a noite em Sines com música de tasca galega.

Brancos a tocarem música de pretos?

O meu bom amigo Carlos mandou-me este artigo do Alex Minoff, dos Extra Golden (e dos Weird War, dos Golden, dos Make-up e, uff, dos Six Finger Sattelite), colectivo americano-queniano que se encontra actualmente em Portugal, prevendo-se para amanhã noite de arromba na ZDB, alguns dias depois do espectáculo oferecido ao público do Mestiço, na Casa da Música. No artigo, Minoff aborda, não só no caso dos Extra Golden como num contexo mais global, a questão da autenticidade, da mistura da música africana com o rock, dos Toubab Krewe (grupo de música africana composto por americanos, a não perder na edição deste ano do FMM), das inovações dos Konono no.1, enfim, de mestiçagens e de racismos. O texto foi originalmente publicado na revista MungBeing (cujo site se encontra, aparentemente, inacessível). Já agora, parte disto faz-me lembrar a magnífica citação do compositor Gustav Mahler que o camarada António Pires tem no seu Raízes & Antenas: "A tradição é a transmissão do fogo e não a veneração das cinzas".

Extra Golden is a musical group consisting of two Americans (myself and Ian Eagleson) and two Kenyans (Opiyo Bilongo and Onyango Wuod Omari). The story of our formation is well-documented in other places, so I won't go into it here. The issue of how four musicians from such disparate economic and cultural backgrounds are able to create sounds sympathetic to each other's ears doesn't matter now. Instead, what I hope to address are the questions of Authenticity that relate to Extra Golden and our audience, as well as the general presentation of, and critical approach to, African music.

One of the most frequent questions asked of me is: "How do Africans react when they see a couple of white guys up on stage playing African music?" This is really just a coded way of asking, "Do they think you're fake or do they accept you as one of them?"

When I'm asked this question I usually explain that, at first, the Kenyans in the audience express a friendly disbelief, a sort of "I gotta see this!" mentality. But, after a few moments, any skepticism disappears, and they quickly revert to what they are there to do in the first place - have fun. That, of course, is the goal of the band. However, it is also the goal of the audience, which is why you'll never find a patron at a Kenyan bar watching the band from a distance with their arms folded, scratching their chin.

But there is more to this question than meets the ear. To a lot of people, nothing oozes Authenticity more than a couple of poor, African musicians ("These guys are the real deal, man!"). There is a subtle racism at work here, presupposing some sort of initiation into a mystical cult of Africanness, which would explain why I've never been asked, "How do Americans react when they see a couple of Africans playing rock music?"

Questions of Authenticity also arise when it comes to language. On our upcoming record, Hera Ma Nono, all four members of Extra Golden sing in English, Luo and Swahili. This raises all sorts of red flags with studious, world music types, and a recent review of a group called Toubab Krewe illuminates this point.

Toubab Krewe is a quintet from North Carolina who perform songs from the West African repertoire, incorporating the indigenous instruments of the region (kora, kamelengoni, etc.). They honed these difficult skills through various trips to Mali, Guinea and the Ivory Coast. This hard work is not lost on the critic, who compliments the group for the results of their travails. However, an interesting comment is added at the end of the review:

"The decision to include no singing on the album was both brave and wise. When Americans add English lyrics to African music, or sing in African languages, a line is crossed and a whole new set of compromises must be breached."

I am wondering about this. Earlier, the critic notes that Toubab Krewe, "have made this music their own with inventive, natural sounding arrangements that never lag or fall back on clichés." What is it about singing that would make Toubab Krewe's efforts inauthentic? The irony, of course, is that this group is performing using the instruments and songs of cultures far removed from their own.

It would be easy for a cynic to label them inauthentic without ever hearing a note. Yet, to this critic, the line between authenticity and inauthenticity is a lyrical one. What is it about the voice that makes it sonically more expressive than a guitar or kamelengoni? More important than a drum?

In Extra Golden, everybody sings together because we are a team. Sound is the most important thing, and everybody knows a chorus sounds better with four voices rather than two, no matter what language it is - it is called a chorus after all! (A quick sidenote: English happens to be an official language, not only of Kenya, but of such world music titans as Nigeria and Ghana, too.) To me, only allowing vocals to be sung by native speakers would be the real "compromise". Would it be a problem for me to sing in French? Probably not. This point of view is consistent with the one that exoticizes the African musician as possessing some form of inherent purity or Authenticity, ignoring the fact that most would put a bagpipe solo on their record in exchange for a new set of guitar strings!

So, does Extra Golden stand any real chance of being considered "authentic"? Well, if the above sentiments are any indication, then the answer would have to be a resounding "NO". Of course, these assumptions, and what they imply, would mean that nothing really could be. Too often, Authenticity is really just a synonym for cultural ignorance or misunderstanding. Fodeba Keita, who almost single-handedly modernized (inauthenticated?) Guinean music in the 1950s and 1960s, asked:

"How often do we hear the word authentic used here, there, and everywhere to describe folkloric performances? Come to the point! Authentic compared to what? To a more or less false idea which one has conceived about the sensational primitiveness of Africa?"

In coveting what is essentially a colonialist's concept of foreign cultures, Authenticity discourages innovation. In its place is a preference for stasis or genre music. Even though Africa contains thousands of cultures, each with their own unique traditions, it is much easier to understand a continent of aural oddities populated with half-naked men creating rhythmic cacophony. In fact, when I explain to people that I play with African musicians, the typical response is: "So you guys have a bunch of drums?"

Lost in all of these discussions are the musicians themselves. I can confidently say that, for the African half of Extra Golden, music is a true passion - however, it is also a job. This point cannot be emphasized enough, especially as it is ultimately the determining factor behind most decisions. Authenticity can be a diverting topic for scholars to kick about, but for the working African musician economics will usually defeat academics.

No finer example of economics factoring into the lives of African musicians (only to be misunderstood by Western critics) exists than the Congolese group Konono No. 1. Founded almost 30 years ago, Konono play a form of traditional Bazombo music that features several likembes (thumb pianos). In order to compete with the urban noise pollution of Kinshasa, the group devised their own collection of microphones and amplifiers built from spare auto parts and the like. This helped create a unique sound but also, more importantly, kept the group working feverishly. It also allowed the band to gain exposure in Europe, where their inventiveness earned them the dubious classification of "Afro-punk". While it has undoubtedly done wonders for the group's wallets, this odious appellation is condescending and confused, representative of commercial considerations and unrealistic expectations.

If a rock group from Atlanta or Amsterdam built their own amplification system, as Konono did, then they might be acting in the DIY spirit often equated with the "punk" movement. This implies a choice. Could they have opted for a complete backline of vintage Fender tube amplifiers? Yes, but they made a conscious decision about their own identity by going against the perceived mainstream. Many Western groups define themselves through decisions like this, their music a decorative afterthought. Konono, like most African groups, did not have the luxury of this kind of fashionable declaration. For them, the choice was get louder or lose business. Konono did what they had to do, and Western critics have placed them at the forefront of a punk/industrial/trance/experimental/electronica movement for it. Won't they be surprised!?!

Before I conclude, I must mention something that has been playing around in my head ever since I started contemplating the Authenticity issue. Almost a decade before they became the Hollywood cocaine consorts of Stevie Nicks and Lindsey Buckingham, Fleetwood Mac were a rocking, British band led by the incomparable Peter Green. They specialized in faithful renditions of the blues, exactly the sort of formulaic genre music that proponents of Authenticity tend to champion. Of course, until the sixties, blues had generally been the exclusive domain of African-American musicians. In this writer's opinion, Fleetwood Mac's first couple of records stand as some of the finest recordings of blues music of the decade - from either side of the Atlantic. While the idea of "British Blues" has always ruffled the feathers of true blues purists, anyone who has spent January in Birmingham (Midlands, not Alabama) can surely sympathize.

Somewhere around 1968, Peter Green seemed to decide that a purely blues template was becoming a bit limiting. He started to incorporate elements of pop, rock and even African music into the group's work, culminating in one of the greatest albums of the decade, 1969's Then Play On. Hints of Green's boredom with the blues could be found on the single "Albatross", an astonishingly beautiful instrumental paean to the ambient resplendence of the guitar, released a mere eight months before what would be his last LP as a member of the group. The song was a huge success in England reaching #1 on the charts in February of that year.

Why do I mention all of this? On Samba Gaye, his 1997 collaboration with wife Djanka, Guinean guitarist Sekou Diabate Bembeya recorded his own version of Peter Green's "Albatross". While most critics reviled it as "tasteless" and "inauthentic", one could imagine Diamond Fingers (one of the many sobriquets Diabate's sparkling guitar work has earned him over the years) revelling in it, perhaps eliciting one of his trademark laughs that pepper the album. You see, Mr. Diabate gets it. The question shouldn't be is it Authentic, but, rather, is it good?

Isto sim, é nostalgia

myspace.com/beekeeperlx
(Beijinhos, Elsa.)