quarta-feira, 23 de agosto de 2006
Vicious Five à boleia dos... Eagles of Death Metal?
Concertos em conjunto, nos EUA? Quem o diz é o vizinho Pedro Gonçalves, no seu 1 Pouco Mouco: «E constou-me que os Eagles of Death Metal gostaram tanto ou tão pouco dos portugas Vicious Five que lhe propuseram uns concertos conjuntos lá pelos Estados Unidos, onde há tempo demasiado andaram os Tédio Boys.»
Charadas #258
"Coisinha linda, só uma Primavera feita, enfrentaste o mundo, pronta para tudo."
terça-feira, 22 de agosto de 2006
As duzentas dos sessenta
Mais uma lista da Pitchfork, agora com as 200 melhores canções dos anos 60.
Lambchop em Dezembro
O último mês no ano está-se a fazer. Depois do tímido anúncio (quase boato, mas mais do que isso) do concerto de Yo La Tengo a dia 3 (local ainda por confirmar), regista-se a vinda, a dia 10, dos Lambchop. Aula Magna, com primeira parte de Hands Off Cuba.
(Actualização: diz o Diário Digital que o concerto de YLT será igualmente na Aula Magna.)
(Actualização: diz o Diário Digital que o concerto de YLT será igualmente na Aula Magna.)
Nunca mais acaba Agosto
Quero ver os Liars, quero ver Sunburned Hand of Man, quero ir ao Barreiro Rocks, não quero perder o Chico Buarque... Anda calendário.
Ontem vi o Louis Armstrong
Não, não era o Louis Armstrong. Era o Pugsley Buzzard e já fiz esta piada esta semana. Não percam na próxima quarta-feira, nas Catacumbas. Não se vão arrepender, estou certo.
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
Pugsley, hoje de novo
Mr. Pugsley Buzzard (ver um pouco mais abaixo) vai tocar hoje nas Catacumbas, no Bairro Alto. E na próxima quarta-feira e ainda na quarta-feira da semana seguinte (dia 30). Não convém perder, fiquem já avisados.
Charadas #257
"Todo o mundo dança ao longo dos subúrbios. Ela corre. Que circunstância a fará regressar..."
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Charadas #256
"Primeira, tudo bem. Segunda, segura-te..."
Ontem vi o Tom Waits
Não, não era o Tom Waits. Mas a voz era a mesma. Falo do Pugsley Buzzard, músico australiano que ontem apareceu, por acaso (?), pelas Catacumbas, acabando por se juntar ao trio de Fred Barreto. Que magníficos dedos, incluindo os polegares (!), passaram pelo piano das Catacumbas...
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Charadas #255
"Sentado à porta do flamingo cor-de-rosa..."
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
A malta quer é festa
Na ressaca da festa de Sines, o Bailarico Sofisticado foi convidado para giradiscar num... casamento. Vai ser um casamento entre dois ingleses (bom, um inglês e uma inglesa), numa festa que promete ser rija e que incluirá também a música ao vivo dos Contratempos (banda portuguesa de ska). Sem uma ponta de ironia, e tentando ser o mais sério possível, fica já o aviso de que também fazemos baptizados, funerais (ena pá, que território por explorar!), festinhas de aniversário, despedidas de solteira, bar mitzvahs, festas da santa e do santo, almoços de primeira comunhão, festas de móveis, festas de canudos, jantares de jubileu, festas de natal nas empresas, recepções em embaixadas, beberetes vários, coffee breaks, orgias privadas, qualquer coisa.
Portugal Aloha 4 no Maxime
Para os renegados de Paredes de Coura, fica a sugestão, a Lisboa, do festival de rockabilly no Cabaret Maxime:
PORTUGAL ALOHA 4
Sexta-feira
Eddie Clendening (EUA), Clipjoint Cutups (Espanha), Carl & The Rhythm All Stars (França), Ruby Ann (Portugal)
Sábado
The Starliters (Itália), Be Bops (Bélgica), Charlie Thompsom (Reino Unido), Nelson & The Hi-Rockin Trio (Portugal)
(Por falar em rockabilly, passam hoje 29 anos da morte do Elvis...)
PORTUGAL ALOHA 4
Sexta-feira
Eddie Clendening (EUA), Clipjoint Cutups (Espanha), Carl & The Rhythm All Stars (França), Ruby Ann (Portugal)
Sábado
The Starliters (Itália), Be Bops (Bélgica), Charlie Thompsom (Reino Unido), Nelson & The Hi-Rockin Trio (Portugal)
(Por falar em rockabilly, passam hoje 29 anos da morte do Elvis...)
Charadas #254
Se procuras um amante, eu farei tudo o que pedires. Se procuras outra forma de amar, eu usarei uma máscara por ti."
A semana da frustração...
Está meio mundo em Paredes de Coura e eu por aqui. Bom, eu já me contentava em ir apenas amanhã, para ver apenas um concerto (Cramps!), mas ninguém alinha na aventura. Restam as transmissões em directo da Antena 3 e, talvez, embora se diga que têm sido horríveis, as reportagens da MTV...
Para os sortudos, hoje é dia de We Are Scientists (00h45), Bloc Party (23h15), Yeah Yeah Yeahs (21h45), Gang Of Four (20h30), Eagles of Death Metal (19h15) e The Vicious Five (18h20). Vicious Five, Gang of Four e Yeah Yeah Yeahs no mesmo dia é forte.
Para os sortudos, hoje é dia de We Are Scientists (00h45), Bloc Party (23h15), Yeah Yeah Yeahs (21h45), Gang Of Four (20h30), Eagles of Death Metal (19h15) e The Vicious Five (18h20). Vicious Five, Gang of Four e Yeah Yeah Yeahs no mesmo dia é forte.
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
E, para continuar...
Esta versão de "Você Não Entende Nada / Cotidiano", gravada para um programa da Globo em 1986, está já muito distante daquela que era o grande momento do disco que Caetano Veloso e Chico Buarque gravaram ao vivo, no início dos anos 70 (in "Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo"). Apresenta, porém, a curiosidade dos dois cantores inverterem os papéis de então: agora, é Chico que canta "Você Não Entende Nada", de Caetano, e Caetano que se intromete com "Cotidiano", de Chico. E a transição continua a ser arrepiante.
Verdade tropical #2
Algumas das muitas referências a Chico Buarque, em "Verdade Tropical":
[Sobre as primeiras reuniões entre músicos organizadas por Gilberto Gil, na génese do tropicalismo] Se, por um lado, Chico, boêmio e desconfiado de programas, embriagava-se e ironizava o que mal ouvia (...). Enfim, Gil não chegou a desistir de se fazer entender, pois os outros é que desistiram de tentar segui-lo. Restava-nos seguir sozinhos.
[Sobre os tempos em São Paulo] Naquela mesma noite eu estreava na TV e a partir de então meu conhecimento de letras de canções brasileiras e minha memória se tornaram lendários. Chico Buarque era o meu maior competidor, com uma vantagem: seu reportório era extenso como o meu e sua memória igualmente fresca, mas ele era ainda capaz de inventar na hora canções tão bem-feitas que pareciam jóias da nossa tradição aos ouvidos dos responsáveis pelo programa. Ganhámos vários automóveis Gordini -- que vendíamos automaticamente sem averiguar se perdíamos alguma coisa nessa venda -- nos meses que se seguiram à minha estréia. E eu fiquei, além de famoso, rico, para os meus padrões. Passei a ir quase semanalmente a São Paulo. As noitadas com Chico e Toquinho eram deliciosas, e com isso São Paulo deixou de ser o lugar detestável da minha primeira experiência. (...) Chico tinha um carro e sabia tudo da cidade onde crescera e estudara. Muitas vezes ele bebia demais, e nós tínhamos que acordá-lo para que nos levasse de volta para casa. Não nos dava medo o fato de ele ir praticamente dormindo até o assento do carro no qual, uma vez dada a partida, ele exibia uma destreza surpreendente. (...) Chico, com seus lindos olhos verdes que fixavam-se em nós com uma dureza diabólica, era dono de um humor mais sádico do que o de Capinan. Nessa época, sua beleza era extraordinária, mas entre angelical e demoníaca, quase divina em todo o caso, não me parecia sexualmente atraente (...), o que me levou a brincar de chamá-lo, sem que isso causasse constrangimento, "meu noivo". Na verdade, as meninas eram o tema mais freqüente das nossas conversas. Chico fazia ciúmes de suas namoradas comigo e por vezes chegava a dizer a Dedé, no Rio, que eu as assediava. (...) Uma vez, foi aos nossos amigos em São Paulo que Chico assustou com uma história a meu respeito. Assim como eu ia muito a São Paulo, ele vinha muito ao Rio. Numa de suas voltas, ele contou, com grave discrição, que eu tinha enlouquecido. Manteve a mentira até que eu aparecesse por lá. A notícia se espalhou entre os conhecidos, naturalmente, e Chico chegou ao requinte de detalhar para Toquinho, que ficara consternado, uma visita que Bethânia me teria feito no sanatório: quase chorando, ele repetia o que eu teria dito ao vê-la na porta do quarto: "Sai, carcará! sai, carcará!". Quando voltei a São Paulo, encontrei diversas pessoas que se surpreendiam ao me ver, me olhavam demoradamente, prestavam demasiada atenção no que eu dizia. Muitos me perguntavam: "Você está bem?".
[Sobre "Alegria, Alegria", do próprio Caetano] Mas o que ninguém nunca disse -- nem mesmo eu, que até aqui só falei em Beatles, Gilberto Gil e Franklin Dario quando tratei da gênese de "Alegria, alegria" -- é que "Alegria, alegria" foi em parte decalcada exatamente de "A banda" [de Chico Buarque].
(...) Minha primeira lição sobre armadilhas de imprensa se deu exatamente por causa disso. Uma moça simpática, entrevistando-me para a revista InTerValo (...), perguntou-me como eu via a diferença entre mim e Chico. Eu, estimulado pela oportunidade (...), expliquei-lhe que o que eu fazia era expor o aspecto de mercadoria do cantor de TV. Que tanto eu quanto Chico estávamos dizendo muitas coisas com nossas canções, mas que, do ponto de vista da televisão, eu era um cara de cabelo grande e Chico era um rapaz bonito de olhos verdes; e que quanto mais desmascarado estivesse esse jogo, mais nossas canções e nossas pessoas estariam livres. Poucos dias depois saiu a reportagem com minha declaração sumária de que "Chico Buarque não passa de um belo rapaz de olhos verdes". Tom Zé (...) não tinha esses cuidados com Chico Buarque. Perguntado num programa de televisão sobre o confronto tropicalistas versus Chico, respondeu que, de sua parte, respeitava muito Chico Buarque "pois ele é nosso avô". Lembro de, ao ser informado dessa história (...), rir às gargalhadas com Guilherme, comentando o fato de eu ser dois anos mais velho que Chico -- e Tom Zé seis anos mais velho do que eu. (...) Um episódio, no entanto, me pareceu inaceitável. Já no final de 68, Gil estava com Sandra (...), numa frisa do Teatro Paramount, onde se realizava uma eliminatória do festival da Record daquele ano. Um grupo de pessoas na platéia recebeu a entrada de Chico no palco aos gritos de "superado!, superado!". Gil comentou com Sandra que aquilo era inadmissível. Levantou-se investiu contra os manifestantes. Um jornalista quis ver -- e assim publicou depois no seu jornal -- que Gil havia liderado uma vaia ao Chico. (...) Hoje todo o mundo que escreve sobre os acontecimentos de então se compraz em dizer que havia dois lados que se confrontavam nesses festivais: um a nosso favor, outro a favor de Chico. As coisas não eram assim.
"Verdade Tropical", Caetano Veloso (Companhia das Letras, 1997; Quasi Edições, 2003)
[Sobre as primeiras reuniões entre músicos organizadas por Gilberto Gil, na génese do tropicalismo] Se, por um lado, Chico, boêmio e desconfiado de programas, embriagava-se e ironizava o que mal ouvia (...). Enfim, Gil não chegou a desistir de se fazer entender, pois os outros é que desistiram de tentar segui-lo. Restava-nos seguir sozinhos.
[Sobre os tempos em São Paulo] Naquela mesma noite eu estreava na TV e a partir de então meu conhecimento de letras de canções brasileiras e minha memória se tornaram lendários. Chico Buarque era o meu maior competidor, com uma vantagem: seu reportório era extenso como o meu e sua memória igualmente fresca, mas ele era ainda capaz de inventar na hora canções tão bem-feitas que pareciam jóias da nossa tradição aos ouvidos dos responsáveis pelo programa. Ganhámos vários automóveis Gordini -- que vendíamos automaticamente sem averiguar se perdíamos alguma coisa nessa venda -- nos meses que se seguiram à minha estréia. E eu fiquei, além de famoso, rico, para os meus padrões. Passei a ir quase semanalmente a São Paulo. As noitadas com Chico e Toquinho eram deliciosas, e com isso São Paulo deixou de ser o lugar detestável da minha primeira experiência. (...) Chico tinha um carro e sabia tudo da cidade onde crescera e estudara. Muitas vezes ele bebia demais, e nós tínhamos que acordá-lo para que nos levasse de volta para casa. Não nos dava medo o fato de ele ir praticamente dormindo até o assento do carro no qual, uma vez dada a partida, ele exibia uma destreza surpreendente. (...) Chico, com seus lindos olhos verdes que fixavam-se em nós com uma dureza diabólica, era dono de um humor mais sádico do que o de Capinan. Nessa época, sua beleza era extraordinária, mas entre angelical e demoníaca, quase divina em todo o caso, não me parecia sexualmente atraente (...), o que me levou a brincar de chamá-lo, sem que isso causasse constrangimento, "meu noivo". Na verdade, as meninas eram o tema mais freqüente das nossas conversas. Chico fazia ciúmes de suas namoradas comigo e por vezes chegava a dizer a Dedé, no Rio, que eu as assediava. (...) Uma vez, foi aos nossos amigos em São Paulo que Chico assustou com uma história a meu respeito. Assim como eu ia muito a São Paulo, ele vinha muito ao Rio. Numa de suas voltas, ele contou, com grave discrição, que eu tinha enlouquecido. Manteve a mentira até que eu aparecesse por lá. A notícia se espalhou entre os conhecidos, naturalmente, e Chico chegou ao requinte de detalhar para Toquinho, que ficara consternado, uma visita que Bethânia me teria feito no sanatório: quase chorando, ele repetia o que eu teria dito ao vê-la na porta do quarto: "Sai, carcará! sai, carcará!". Quando voltei a São Paulo, encontrei diversas pessoas que se surpreendiam ao me ver, me olhavam demoradamente, prestavam demasiada atenção no que eu dizia. Muitos me perguntavam: "Você está bem?".
[Sobre "Alegria, Alegria", do próprio Caetano] Mas o que ninguém nunca disse -- nem mesmo eu, que até aqui só falei em Beatles, Gilberto Gil e Franklin Dario quando tratei da gênese de "Alegria, alegria" -- é que "Alegria, alegria" foi em parte decalcada exatamente de "A banda" [de Chico Buarque].
(...) Minha primeira lição sobre armadilhas de imprensa se deu exatamente por causa disso. Uma moça simpática, entrevistando-me para a revista InTerValo (...), perguntou-me como eu via a diferença entre mim e Chico. Eu, estimulado pela oportunidade (...), expliquei-lhe que o que eu fazia era expor o aspecto de mercadoria do cantor de TV. Que tanto eu quanto Chico estávamos dizendo muitas coisas com nossas canções, mas que, do ponto de vista da televisão, eu era um cara de cabelo grande e Chico era um rapaz bonito de olhos verdes; e que quanto mais desmascarado estivesse esse jogo, mais nossas canções e nossas pessoas estariam livres. Poucos dias depois saiu a reportagem com minha declaração sumária de que "Chico Buarque não passa de um belo rapaz de olhos verdes". Tom Zé (...) não tinha esses cuidados com Chico Buarque. Perguntado num programa de televisão sobre o confronto tropicalistas versus Chico, respondeu que, de sua parte, respeitava muito Chico Buarque "pois ele é nosso avô". Lembro de, ao ser informado dessa história (...), rir às gargalhadas com Guilherme, comentando o fato de eu ser dois anos mais velho que Chico -- e Tom Zé seis anos mais velho do que eu. (...) Um episódio, no entanto, me pareceu inaceitável. Já no final de 68, Gil estava com Sandra (...), numa frisa do Teatro Paramount, onde se realizava uma eliminatória do festival da Record daquele ano. Um grupo de pessoas na platéia recebeu a entrada de Chico no palco aos gritos de "superado!, superado!". Gil comentou com Sandra que aquilo era inadmissível. Levantou-se investiu contra os manifestantes. Um jornalista quis ver -- e assim publicou depois no seu jornal -- que Gil havia liderado uma vaia ao Chico. (...) Hoje todo o mundo que escreve sobre os acontecimentos de então se compraz em dizer que havia dois lados que se confrontavam nesses festivais: um a nosso favor, outro a favor de Chico. As coisas não eram assim.
"Verdade Tropical", Caetano Veloso (Companhia das Letras, 1997; Quasi Edições, 2003)
Charadas #253
"Se alguma vez planeares meter-te à estrada até ao Oeste, vai por mim e toma a auto-estrada, que é melhor."
(Pede-se compositor original ou primeiro intérprete, sff.)
(Pede-se compositor original ou primeiro intérprete, sff.)
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