segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Listas 2004 #1: Uncut

Aí estão elas!

ÁLBUNS:

1. Brian Wilson - Smile
2. Wilco - A Ghost Is Born
3. Loretta Lynn - Van Lear Rose
4. Richmond Fontaine - Post To Wire
5. Bob Dylan - The Bootleg Series Vol. 6: Live 1964 Concert At Philharmonic Hall
6. Mark Lanegan Band - Bubblegum
7. The Streets - A Grand Don't Come For Free
8. Elliott Smith - From A Basement On The Hill
9. American Music Club - Love Songs For Patriots
10. Franz Ferdinand

11. Tom Waits - Real Gone
12. Kanye West - The College Dropout
13. Nick Cave & the Bad Seeds - Abbatoir Blues/The Lyre Of Orpheus
14. Ray Lamontagne - Trouble
15. Junior Boys - Last Exit
16. R.E.M. - Around The Sun
17. Leonard Cohen - Dear Heather
18. N*E*R*D - Fly Or Die
19. Todd Rundgren - Liars
20. Lambchop - Aw Cmon/No You Cmon
21. Scissor Sistors
22. The Libertines
23. Drive-By Truckers - The Dirty South
24. Sufjan Stevens - Seven Swans
25. Dizzee Rascal - Showtime
26. Devendra Banhart - Rejoicing In The Hands
27. The Blue Nile - High
28. Laura Veirs - Carbon Glacier
29. Steve Earle - The Revolution Starts Now
30. Micah P. Hinson & The Gospel Of Progress
31. Jesse Malin - The Heat
32. The Dears - No Cities Left
33. Blanche - If We Can't Trust The Doctors...
34. Elvis Costello & The Imposters - The Delivery Man
35. U2 - How To Dismantle An Atomic Bomb
36. TV On The Radio - Desperate Youth, Blood Thirsty Babes
37. Jim White - Drill A Hole In That Substrate And Tell Me What You See
38. The Czars - Goodbye
39. The Shins - Chutes Too Narrow
40. Interpol - Antics
41. Bjork - Medulla
42. Giant Sand - Is All Over...The Map
43. Bonnie "Prince" Billy - Greatest Palace Music
44. Jonathan Richman - Not So Much To be Loved As To Love
45. Morrissey - You Are The Quarry
46. Secret Machines - Now Here Is Nowhere
47. The Cure
48. Mylo - Destroy Rock & Roll
49. Andrew Morgan - Misadventures In Radiology
50. Sondre Lerche - Two Way Monologue
51. Ella Guru - The First Album
52. Kevin Tihista's Red Terror - Wake Up Captain
53. Paul Westerberg - Folker
54. Marianne Faithful - Before The Poison
55. Ed Harcourt - Strangers
56. The Thrills - Let's Bottle Bohemia
57. Lewis Taylor - The Lost Album
58. Air - Talkie Walkie
59. The Killers - Hot Fuss
60. Polly Paulusma - Scissors in My Pocket
61. The Delays - Faded Seaside Glamour
62. Fennesz - Venice
63. Phoenix - Alphabetical
64. Animal Collective - Sung Tongs
65. Iron & Wine - My Endless Numbered Days
66. David Byrne - Grown Backwards
67. Felix Da Housecat - Devin Dazzle And The Neon Fever
68. Ariel Pink - The Doldrums
69. The Concretes
70. A Girl Called Eddy

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

Coisas-rock que irritam #17

JORNALISTAS E RADIALISTAS QUE DIZEM CONSTANTEMENTE: OS U2 DE BONO VOX, OS R.E.M. DE MICHAEL STIPE, ETC.

Notas breves sobre os concertos de ontem

Los Santeros. Começaram bem, os mexicanos do Barreiro. Surf rock nitidamente guacamole. Mas, progressivamente, veio a instalar-se o caos no som trio que não tinha nada mais para apresentar que uma grande desbunda em palco, muitas bocas para o público e pouco rock. Ao fim, não queriam abandonar o palco, o que, levado até às últimas consequências, podia ter-se traduzido num happening digno de se ver.
The Parkinsons. Pensava que era desta, num espaço apropriado como o da ZDB, que ia ver a minha consideração pelos Parkinsons atingir níveis minimamente satisfatórios. Foi, porventura, melhor do que aqueloutro concerto do Garage, tocaram uma versão dos Ramones ("You're Gonna Kill That Girl") e deu para gingar o corpo, mas, ao fim ao cabo, continua tudo a ser muito pouco sofisticado... São infinitamente melhores que os Fonzie, claro, mas este punk chiclete com chispa q.b., mas pouca consistência, acaba por aborrecer. No lugar de baixista tocou um antigo Tédio Boy.

Marretas #4

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

Tenho que rever o meu galego...

Bem sei que falamos a mesma língua, mas, diabo, que dizer deste texto encontrado num site galego, a propósito SBSR e, em particular, do rock praticado pelos Pixies?

Venres 11
E para o final o mellor, xa nun día que permite viaxar de tarde a todos os que dispoñan da tarde do venres libre, a posibilidade de ver un cartel de sons alternativos, rock-hop. A iso das sete, Liars e Hundred Reasons abrirán unha xornada que prepararán para que Pixies dean un broche rock onde eles son pasado e o presente queda para Lenny Kravitz. El será o encargado de poñer final en rock a unha madrugada hop que Massive Attack abrirán ás dúas e pechará con ritmos canallas Fatboy Slim a eso das catro.

Charadas #93

quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Hipnótica: 10 anos



Hoje, no Sandinista Alquiago, a partir das 22h,

FESTA DE LANÇAMENTO DE "BREVES HISTÓRIAS SOB O EFEITO DE HIPNÓTICA 1994-2004", O HÍBRIDO LIVRO-CD QUE ASSINALA OS DEZ ANOS DO GRUPO

Com:
Hipnótica (ao vivo)
Bailarico Sofisticado (o hipa-mega-supa time do giradiscanço)

Charadas #92

Lhasa na Aula Magna (por tópicos)

1. O fenómeno
Casais, pais, filhos e avós encheram ontem a Aula Magna. Lhasa é hoje um fenómeno, com tendência para aumentar. Lhasa tem tudo para ser adorada pelo público português. Fala português, canta um fado e tem agora a sua violoncelista apaixonada pelo cavaquinho. Lhasa tem aquele jeito simpático e frágil que o público da Aula Magna (e dos Coliseus and so on...) tanto gosta, ainda para mais naquele ambiente de cabaret simultaneamente sul-americano e marselhês. Tudo isto não chega a ser uma crítica, mas tão só uma mera observação. A não ser quando o fenómeno redonda em coisas como...

2. O histerismo
Antes que qualquer nota fosse tocada, já o povo estava rendido a Lhasa. Já havia inclusive standing ovations antes que a banda começasse com "Toda a Palabra". Havia palmas por tudo e por nada. De cada vez que Lhasa introduzia um tema, cada palavra que saía da sua boca ouvia-se uma ovação no público. Quando deixavam que acabasse uma frase era, então, a apoteose.

3. As inevitáveis comparações
O concerto de ontem foi muito bom, contudo, mas é inevitável, para quem foi há poucos meses ao Forum Lisboa, a comparação com o que aí aconteceu. E, dessa perspectiva, o espectáculo de ontem acabou por saber muito a déja vu. O alinhamento foi praticamente o mesmo, as palavras que Lhasa usava para introduzir os temas (na maior parte das vezes, através da leitura do que estava escrito em papel) eram as mesmas e o fado de Amália foi novamente cantado. Quase tudo foi o mesmo. Por motivação própria, e depois de ter desancado da outra vez nos arranjos feitos pela banda que acompanha Lhasa, com particular incidência no baterista, prestei redobrada atenção a este aspecto. Há que dar a mão a palmatória. Ou os arranjos mudaram muito ou então pareceram-me bem melhores desta vez. Por coincidência, o meu bom amigo Luís Rei veio dizer-me que o baterista não era o mesmo. A secção rítmica soou-me mais bem desta vez, de facto.

4. O desejo
Lhasa é muito especial. Espero que as portas portuguesas estejam sempre abertas para ela. Mas, por favor, vamos com calma. Não esgotemos o prazer que é ouvi-la ao vivo num ápice. ¿Vale?

A lavagem

"Como lavar vinilos?", "Que tipo de sistema usas para limpar o lazer do CD?", etc., assumem-se como tópicos habituais nas conversas entre amantes da música, no que toca a cuidados e à manutenção que o material requer para dar ao ouvinte a melhor experiência possível. Faltava, porventura, acrescentar a mais importante das manutenções, porque está a montante daquelas acima citadas, já que diz respeito aos nossos próprios ouvidos. Sem o funcionamento desejável destes, que interessa o carbono no vinilo ou o pó no lazer? As perguntas que se colocam agora são: Com que frequência fazes lavagem/limpeza de ouvidos? Que capacidade tens para distinguir frequências mais altas? Não estarás tu a ouvir tudo demasiado baço e já te habituaste a isso de tal forma que nem reparas?
Tudo pode ser facilmente resolvido. Começa-se por um tratamento, ao longo de quatro ou cinco dias, com o Otoceril, à venda nas farmácias (entre três a cinco gotas para cada ouvido, duas vezes por dia). Depois do tratamento, consulte-se um especialista que faça a lavagem/limpeza final. Eu aconselho o enfermeiro na rua do Forno do Tijolo, nº26, 1ºEsq. (aos Anjos). Atenção, que pode não estar presente, por ter tido necessidade de ir fazer tratamentos fora. É uma questão de aguardar ou voltar mais tarde. A consulta custa oito euros e devolve-nos à quase pureza do sentido auditivo. Vale bem a pena.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

De onde raio é que vem o nome? #25: godspeed you! black emperor

(A pedido de várias famílias, sai mais uma rubrica do "De onde raio...", para se perceber melhor a charada de hoje.)

Os godspeed you! black emperor foram roubar o seu nome a uma obra obscura do realizador japonês Mitsuo Yanagimachi. "Godspeed, You Black Emperor" ou "Bararaku Empororu", na transliteração japonesa, realizado em 1976, em película preto e branco de 16mm, é um documentário sobre os Imperadores Negros, um gangue de motoqueiros de Tóquio. Ao terem-se apropriado do nome, os quebequenses godspeed you! black emperor, acabaram por resgatar o filme do esquecimento, o qual pode até ser comprado em DVD (é favor seguir o caminho da imagem abaixo).

Hoje, em Lisboa. Amanhã, em Famalicão.



Lhasa volta a Portugal para mais dois concertos. Recupero as notas escritas na ressaca daquele belíssimo concerto de há meses, no Forum Lisboa:
A ESTRADA VIVA

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.


(Pessoa)

Estava-se sensivelmente a meio da primeira parte do espectáculo. Lhasa, que antes havia dito ter andado a aprender umas «palavras de portugueich'», utilizadas aliás na apresentação dos diversos temas, acercava-se uma vez mais do microfone, agora visivelmente tímida e insegura, para anunciar: «hum... hum... (pausa) hum... a próxima canção é... (pausa) portuguesa.» Para surpresa geral, vieram umas notas de guitarra familiares, com Lhasa a cantar «meu amor / meu corpo em movimento / minha voz à procura / do seu próprio lamento». Ela estava a cometer a ousadia de cantar um belíssimo fado escrito por Ary dos Santos para a Amália, perante uma plateia imensa de portugueses! E, não, não soava mesmo nada mal na sua voz, mesmo que, porém, a guitarra estivesse para aquela canção como a lagoa de Óbidos está para o Oceano Atlântico. Foi a mais longa ovação da noite, mas o espectáculo de ontem teve muitos outros momentos de especial intensidade, como aqueles em que Lhasa recuperou alguns dos melhores temas de "La Llorona", bem como do recente "The Living Road", ao longo de um imenso périplo que chegou até à Chechénia, por exemplo, num inédito que se revelou uma das melhores interpretações musicais da noite. Lhasa é a expressão viva do poema de Pessoa, viaja, perde países, perde músicas, perde culturas, é outra constantemente, não tem raízes. Ou então sente-as todas como se fossem suas, assume, como poucos, a condição de cidadã do mundo, de um mundo em que a música é essência fulcral na vida das pessoas, banda sonora para a alegria, para a tristeza, para o entretenimento, para a reflexão, para um fim de ano, para um fim do mundo.
O espectáculo começou e acabou com "The Living Road". "Con toda Palabra" abriu e, já em segundo encore, "Soon This Place Will Be Too Small" encerrou, depois de uma longa introdução em que Lhasa foi buscar um pensamento do seu pai acerca da vida, que não cabe aqui reproduzir, mas que arrancou dos presentes uma enorme ovação, conquistada que estava a simpatia, desde muito cedo, aliás, desde antes do espectáculo, porventura. O único senão da noite prende-se com o grupo que acompanha Lhasa. Podia ter-se chegado ao êxtase, ao nirvana ou a qualquer outro estado de epifania, mas os músicos -- à excepção, porventura, do teclista-melodista-programador -- dificilmente conseguiriam estar à altura da cantora, para tal ser possível. Lhasa é uma espécie de cruzamento de Tom Waits (ou Arthur H) com Edith Piaf, e a crueza, a rudeza, a emoção que imprime à sua forma de cantar não encontrou paralelo na limpidez asséptica e com pouca alma dos restantes instrumentistas. Foi um processo que teve melhorias graduais ao longo da noite, mas não suficientes. Fosse Lhasa uma maçã biológica portuguesa, saborosa, rica e, provavelmente, com aspecto rude, os seus músicos eram como cachos de uvas envernizadas e insípidas. Não deixou, porém, de ser uma óptima salada de frutas exóticas.
(9/10)

Charadas #91

domingo, 5 de dezembro de 2004

Que semanas estas...

Se a passada semana já foi diabólica, no que diz respeito às propostas de concertos, veja-se então a que se segue, numa perspectiva lisboeta, como se compreende:

Segunda: LHASA na Aula Magna
Terça: HIPNÓTICA no Santiago Alquimista
Quarta: (descanso?)
Quinta: THE PARKINSONS e SALEROS na Zé dos Bois
Sexta: RABBI KLAVARTS no Mercado da Ribeira

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Será desta?

Será desta que a Casa da Música recebe, já em pleno funcionamento, um concerto rock? Dia 15 de Abril, Lou Reed na Casa da Música, no Porto.

Marretas #3

(psiuu...)

Eu não disse nada, mas vai haver aí nova sala de concertos, com condições (e dimensões) em Lisboa... Mas é segredo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Charadas #90

Sobre o diabo

Ontem peguei no carro e juntei amigos para fazermos uns quilómetros até Coimbra, para ver o Kimmo Pohjonen ao vivo. À medida que a cidade dos estudantes se ia aproximando, a ansiedade por ver pela primeira vez o acordeonista finlandês ia ganhando proporções maiores, o que nem sempre é bom, já que expectativas demasiado altas rotundam, muitas das vezes, em desilusões proporcionalmente esmagadoras. "Quanto mais alto se é, maior é o tombo." Não foi o caso. Se algo houve de esmagador foi mesmo a actuação de Kimmo e do também finlandês Samuli Kosminen, no projecto que ganhou o nome Kluster, sob o qual foi no ano passado editado um álbum.

O concerto começou da maneira porventura mais difícil, com Pohjonen a tratar o acordeão num improvável estilo para quem é já rotulado como um virtuoso (e ele é mesmo, como se testemunharia ao longo do concerto), afagando as teclas e o corpo do instrumento ao de leve, progressivamente criando as bases para uma amálgama sonora, cada vez mais amplificada, transformada e soberbamente pontilhada pelos bleeps e clicks de Kosminen. Estávamos mais perto de uma sessão de noise improvisado do que de um espectáculo de um acordeonista. Como ponto de partida, como instrumento de choque para uma plateia que aguardava com atenção o que se ia desenrolar, não estava nada mal. Mas o melhor viria daí para a frente.

Pohjonen está para a tradição europeia do acordeão como Diamanda Galás está para os cabarets de Berlim. Está tão distante de Kepa Junkera, para nos situarmos em terrenos dos foles, como a israelita Meira Asher está, no terreno da voz, da inglesa June Tabor. É um autêntico diabo em palco. Ou melhor, é um Dr. Fausto perdido, com a alma já vendida a Méphistophélès, e que em palco tenta esconjurar o demónio. Tal como aconteceu naquela brilhante performance conduzida sensivelmente a meio do espectáculo. Dando, porventura, a ideia que todo o vício que habita a alma daquela personagem perdida se concentrava no acordeão, o tocador liberta-se do instrumento maldito enquanto faz esgares de horror e de exorcismo que fariam corar Linda Blair de vergonha. Mas o processo de fuga é infrutífero... Os dedos de Pohjonen começam a tremer e a sentir a falta das teclas, como se de uma dor fantasma posterior a uma amputação se tratasse, e depressa o instrumento volta ao seu colo. O vício é irreversível and the show must go on.

O concerto não termina sem dois encores e longas ovações em pé. O público de Coimbra mostrou que ficou rendido ao Fausto de Pojohnen. Hoje e amanhã será a vez de Lisboa e Famalicão.