terça-feira, 7 de setembro de 2004

Musa Lusa na Resonance FM

O que é a Resonance FM? No seu manifesto, disponível em www.resonancefm.com, pode ler-se que «Resonance 104.4 fm is London's first radio art station, brought to you by London Musicians' Collective. It started broadcasting on May 1st 2002. Its brief? To provide a radical alternative to the universal formulae of mainstream broadcasting.»

E o Musa Lusa? Simples. É um programa de música portuguesa nesta rádio londrina, emitido às segundas-feiras, das 15h30 às 16h30. Pode ser escutado em todo o mundo através da emissão online e o seu responsável é Miguel Santos, actual director do programa de relações culturais anglo-portuguesas da Fundação Gulbenkian e do festival Atlantic Waves (lembram-se de lê-lo, há anos, no bom velho Blitz? lembram-se de um projecto chamado Hesskhé Yadalanah?).

Segue-se a playlist de ontem, de um Musa Lusa dedicado à pop (noutros dias é possível que apanhe fado contemporâneo, música tradicional, jazz, etc.).

Stealing Orchestra "Bugsy Is A Punk Rocker"
Stealing Orchestra "Kung Fu Trunx Girl"
Fat Freddy "Frenesim de Canibalismo Ritual"
Fat Freddy "Lolita (Não Quero Saber Teu Nome)"
Submarine "Mixing Cultures"
Submarine "Why Venus People Don't Spend Their Holidays in Neptune"
Knok Knok "Latin Lover"
Tjak "Viajando"
Rodrigo Leão "Mogan"
António Olaio & João Taborda "Potato Farm"
António Olaio & João Taborda "Telepathic Agriculture"
Double MP "Fadeinho Beunito"
Double MP "Drum Dhalata"
Blasted Mechanism "Karkov (Nadabrovitchka Mix) By DJ Dimitrivzki"

O World Summer Music Quiz das Crónicas

Por manifesto esquecimento, tem faltado aqui uma referência mais do que obrigatória ao desafio que o Luís Rei tem lançado diariamente nas Crónicas da Terra. Há sempre perguntas novas a qualquer momento.

Psychic TV no Sá da Bandeira!

Dia 8 de Outubro. Genesis P-Orridge vai estar no Porto com uma nova formação dos Psychic TV, dois ou três meses depois de ter mostrado em Londres uma nova versão dos Throbbing Gristle. Bestial!

segunda-feira, 6 de setembro de 2004

Charadas #52

Uma visita à Fonoteca de Lisboa

Foi através do cfc que soube desta. O sítio da Fonoteca Municipal de Lisboa está dotado de uma base de dados que permite obter obter informação e até mesmo ouvir excertos de faixas de mais de vinte mil discos, além de permitir ainda a pesquisa a cerca de dois milhares de livros.
Por exemplo, quem quer ouvir e saber mais do "Free Pop", dos Pop Dell'Arte? É favor ir aqui. E se, na página do "Free Pop", clicarmos no Rafael Toral? Ficaremos apenas a um clique, numa lista de várias opções, da página de informação do "NYC Ghosts and Flowers", dos Sonic Youth, por exemplo. Há uma base de dados imensa a explorar e, enquanto não surgir o projecto da enciclopédia online de música portuguesa do meu bom amigo Gonçalo Castro, há que descobrir, se for esse o caso, a Fonoteca Online.

Como é que um gajo pode estar com um sorriso enorme numa segunda-feira de manhã?

Graças ao Pedro Gomes.
Obrigado, pá!

domingo, 5 de setembro de 2004

Euronevralgia #8: 1972



Carlos Mendes, "A Festa da Vida"
Ninety points, quatre-vingt-dix points, noventa pontos (7º lugar)

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

Sines prossegue na aposta

Sines não é apenas sinónimo do maior e melhor festival de músicas do mundo em Portugal, de Vasco da Gama ou da feijoada de búzios. Lugares comuns à parte, a localidade alentejana parece determinada em continuar a aposta na cultura e na animação, como vem demonstrar o festival "Sines - Ritmos Urbanos", que no final de Setembro ali vai levar -- ao castelo e à capela da Misericórdia, tal como no FMM -- um conjunto de bandas e DJs portugueses. Vejam o programa:

Sexta-feira, dia 24
19h00 - Abertura da feira de discos e da exposição do Clube Português de Artes e Ideias (capela)
20h00 - Mola Dudle (capela)
21h30 - Flux
22h30 - Micro Audio Waves
23h30 - Gomo
01h30 - Cindy Cat (live act), DJs Zig Zag Warriors (Zé Pedro e Miguel Quintão)


Sábado, dia 25
17h00 - Debate sobre a actual situação da indústria discográfica (capela)
21h30 - Dead Combo (capela)
22h00 - DJ Mee_k
23h00 - Nicorette
23h45 - Quinteto Tati
00h45 - Rádio Macau
02h00 - DJ Mee_k, DJs Budah & PTV

Domingo, dia 26
17h00 - Rodrigo Amado e Pedro Gonçalves (capela)

Haverá ainda dois workshops: "Produção e Edição Discográfica" e "Produção Musical e Edição Pro Tools". Mais informações em www.mun-sines.pt.

Charadas #51

Piadas-rock-chunga do dia

1) Durante um concerto realizado no Hollywood Bowl, em Los Angeles, Rod Stewart pontapeou uma bola de futebol que acertou na cabeça do sogro do DJ Paul Oakenfold. O senhor, de 61 anos, entrou em convulsões e teve que ser assistido no hospital. Oakenfold pondera um processo ao cantor inglês se este não pedir, entretanto, desculpas pelo sucedido.
2) Robbie Williams vira electro-clasher. Fica o aviso para se afastarem de um disco que vai sair em Outubro creditado a um tal de Pure Francis.
3) Weird Al Yankovic foi atacado por um enxame imenso de borboletas verdes, que aproveitaram para fazer ninho na sua cabeleira.

quinta-feira, 2 de setembro de 2004

As primeiras memórias musicais

(advertência: as linhas que se seguem possuem um elevado teor de nostalgia e de diário íntimo, duas coisas que estão na moda ultimamente aqui pelo tasco... nota mental: parar com esta lamechice de uma vez por todas.)

José Adriano Rodrigues Barata-Moura. Intelectual. Comunista. Reitor da Universidade de Lisboa. Sinto orgulho ao lembrar-me que foi dele o primeiro concerto a que assisti na minha vida. Teria uns seis ou sete anos e com a minha mãe fui a uma festa de Natal (?) para, salvo erro, os filhos dos trabalhadores públicos, no Pavilhão do Restelo. Mas ainda antes disso, a mais longínqua memória musical que guardo é a de ouvir os meus pais cantarem-me "Olha a Bola, Manel". Hoje, o meu filho de oito meses ri-se de alegria quando ouve "Era uma Vez um Rei". Por tudo isto e pelo que ainda há-de vir, um grande obrigado, professor Barata-Moura.
(fotografia: "Clube de Leitura")

Uma história folk

Em 1965, Vashti Bunyan, recém-expulsa de uma escola de arte, andava de guitarra a tiracolo a subir e a descer a Tin Pan Alley, como é melhor conhecida a Denmark Street, no Soho londrino. Numa noite, numa festa de um clube nocturno da zona, conheceu um amigo do manager de então dos Rolling Stones, Andrew Loog Oldham. Veio o conhecimento com Mick Jagger e Keith Richards, que escreviaram aquele que seria o primeiro single da jovem cantora folk, "Some Things Just Stick in Your Mind". Dizia-se, na altura, que era "a nova Marianne Faithfull" ou "um Bob Dylan feminino".

No ano seguinte deu um passo atrás no caminho que estava a seguir e decidiu passar a tocar sozinha, sem grandes promoções. Assim continuaria pelos anos seguintes. Tocar, gravar coisas que acabavam por não sair ou então terem uma edição limitada ou esquecida. Chegou a trabalhar num veterinário da King's Road e a viver numa barraca improvisada por baixo de um rododendro, num espaço verde do Bank of England. Em 1968, deixaria Londres numa carroça puxada a cavalo, em direcção à magnífica ilha de Skye, na Escócia, no desejo de encontrar Donovan, o maior nome de sempre da folk britânica e dono de uma das pequenas ilhas (Clett).

A viagem demorou cerca de dois anos e quando Vashti chegou à ilha, já Donovan tinha partido. Optou então por ir mais longe, e ir mais longe só podia ser seguir em direcção às Hébridas. A ilha de Berneray seria a sua nova residência, numa casa comprada com a ajuda do seguro recebido na sequência do acidente onde um carro atirou a sua carroça para as praias do Loch Ness.

Pouco depois, regressaria a Londres para gravar o álbum "Just Another Diamond Day", com o produtor Joe Boyd, que convidaria para o disco Robin Williamson, da Incredible String Band, e Dave Swarbrick e Simon Nicol dos Fairport Convention. Depois de gravado o disco, Vashti voltou às Hébridas, de onde se veria obrigada a sair, para procurar novo poiso, agora na costa ocidental da Irlanda, onde tem vivido todos estes anos desde então para cá, sem qualquer contacto com a música.

Em 2000, "Just Another Diamond Day", obra-prima injustamente esquecida pelo tempo, seria alvo de reedição em CD. Nem a própria Vashti conseguia acreditar:

«This was hard for me to believe. Nobody seemed to give it a second thought when it was released in 1970. In fact it was not really released, it just edged its way out, blushed and shuffled off into oblivion. I abandoned it, and music, forever as I went on to travel more with horses and wagons, with children and more dogs and chickens, eventually finding a place to make a more permanent home.
Hearing somebody say - 'I like it, it sounds distinctive, it should come out again' was a shock. I listened to it again with different ears, trying to hear it as it might sound thirty years on to people who were not around when the album was made - when it was possible to live as we lived, to have those sixties dreams and to be able to make them real. Some of the songs may sound childlike, but that was the way we were. Life on the road had a glow. It was hard and wet and mud-filled a lot of the time, and I would not do it again by choice probably, but I am proud of what we did. We had no home and no money and so made it up as we went along.»


Vashti merece ser redescoberta. Como ela própria se redescobriu a si própria, depois destes 30 anos de retiro, numa história caricata: Alguém lhe pôs um computador com internet à frente e a outrora cantora lembrou-se -- porque lhe terão dito que é o que toda a gente faz quando chega pela primeira vez à internet -- de utilizar num motor de busca o seu próprio nome. «Over the next few weeks I found to my happy surprise that recordings I had made 30 years before were on CDs here and there, and that the album I made with Joe Boyd was now a rare and sought after creature, and not long forgotten as I had thought.»

Outros já começaram a tarefa de redescobrir Vashti Bunyan. Stephen Malkmus, o ex-Pavement, convidou-a para participar, em 2003, num festival por si organizado. Os Animal Collective convidaram-na para gravar três canções. O menino bonito da nova folk, Devendra Banhart, gravou com ela um dueto inter-atlântico. Talvez Vashti regresse mesmo à música, como dizia em 2000: «People have asked if there will be any more music from me. Maybe, if I can find it amongst the life I have now. I am looking. I left my old Martin guitar hanging on walls for twenty five years before giving it to my eldest son. My daughter gave me a new guitar for my last birthday.»

(Nota: citações e informação coligida a partir do site oficial de Vashti Bunyan - www.anotherday.co.uk)

Charadas #50

Gie us a goal!

O hino da selecção escocesa para o próximo mundial (Alemanha'06) vai ser escrito pelos Franz Ferdinand. Enquanto não surge o tema, aqui ficam alguns cânticos para uma das selecções preferidas aqui do tasco:

We're the best behaved supporters in the world
We're the best behaved supporters in the world
We're a shower of dirty bleepers when we lose
We're a shower of dirty bleepers when we lose

--
We hate Coca-Cola,
We hate Fanta too..... it's shite!
We come from Scotland,
and we drink Irn Bru.

--
Cheer up David Beckham,
Oh what can it mean,
To a....
Sad English Bastard and a...
SHITE Football teeaaamm

--
Can you hear the English sing?
NOOO NOOO
Can you hear the English sing?
I can't hear a fucking thing...
Woooaaaaahhhh

--
Oh Diego Maradona
Oh Diego Maradona
Oh Diego Maradona
He put the English out out out

--
We'll be coming....
We'll be coming....
We'll be coming down yer road
When ya hear the noise of the tartan army boys
We'll be coming down yer road!!!


E a melhor das actuais:

Roon ate all the pies,
Roon ate all the pies,
You Fat Bastard,
You Fat Bastard,
Roon ate all the pies,

quarta-feira, 1 de setembro de 2004

Coisas-rock que irritam #10

BANDAS ACTUAIS QUE VENDEM COM ETIQUETA PUNK, QUANDO TÊM TANTO A VER COM O ESPÍRITO GENUÍNO DA COISA QUANTO A RAINHA DE INGLATERRA TEM A VER COM O SAPO COCAS (ex: os Offspring, os Fonzie)

Novo álbum de Black Francis (err... Pixies?)

Vai ser um duplo-disco e incluirá demos a solo prévias aos Pixies e um conjunto de regravações dos temas da banda por Black Francis com o auxílio dos Two Pale Boys (Andy Diagram e Keith Moliné), o duo que acompanha Dave Thomas no seu projecto paralelo aos Pere Ubu. Já não é a primeira vez que o vocalista dos Pixies trabalha com colaboradores de David Thomas, pois já há alguns anos aconteceu o mesmo com Eric Drew Feldman (estão a notar o padrão entre as duas figuras, Black e Thomas?). Voltando ao disco, fiquem a saber que se chamará "Frank Black Francis" (trará um narciso na capa?) e que sai em Outubro. Eis o alinhamento:

Disco 1 (demos antigas de Pixies)
1 - The Holiday Song
2 - I'm Amazed
3 - Rock a My Soul
4 - Isla De Encanta
5 - Caribou
6 - Broken Face
7 - Build High
8 - Nimrod's Son
9 - Ed Is Dead
10 Subbacultcha
11 Boom Chickaboom
12 Break My Body
13 I've Been Tired
14 Oh My Golly
15 Vamos

Disco 2 (regravações Black Francis + Two Pale Boys)
1 - Caribou
2 - Where Is My Mind?
3 - Cactus
4 - Nimrod's Son
5 - Levitate Me
6 - Wave of Mutilation
7 - Monkey Gone to Heaven
8 - Velouria
9 - The Holiday Song
10 - Into the White
11 - Is She Weird?
12 - Subbacultcha
13 - Planet of Sound

6ª Mega-Feira Internacional do Disco em Outubro

De 1 a 5 de Outubro próximos, o piso -2 da Gare do Oriente, em Lisboa, vai voltar a receber a animação de mais uma mega-feira do disco, com a presença de expositores nacionais e internacionais, com raridades de toda a espécie, novidades a preços convidativos, merchandising, etc. É altura de começar a juntar dinheiro.

Charadas #49




Isto não é natural...



Uma orquestra com mais de cinquenta elementos que toca apenas clássicos do punk? De Dead Kennedys, Black Flag, Sex Pistols?
Mais informações em www.punkrockorchestra.com

Coisas-rock que irritam #9

MÚSICOS A VENDEREM SABONETES