quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Como funciona a música

"Outra fonte de rendimento para os artistas que gravam é o licenciamento. Significa que se autoriza que um filme, um programa de TV ou um anúncio use a nossa canção em troca de dinheiro. Eu não licencio canções para anúncios, mas vez vejo mais dinheiro do licenciamento de canções para filmes e TV do que em vendas de discos.
(...)
"Uma licença pode trazer mais rendimento que uma digressão completa e certamente mais do que os royalties da venda de CDs através de uma editora."

David Byrne, in "How Music Works", Capítulo 7 ("Business and Finances")

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Concertos Confortáveis, n.º 2

Para Concerto Confortável desta semana, não precisamos de recuar muito no tempo. Aconteceu há pouco menos de dois meses. E numa sala portuguesa. São os godspeed you! black emperor, ao vivo no Hard Club, a 28 de outubro de 2012, por ocasião da edição deste ano do Amplifest. Há que agradecer a paciência de quem aguentou no ar o telemóvel durante quase duas horas de concerto.

Hope Drone
Mladic
Monheim
Behemoth
(Sophie's Jam)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Set no Bartô/Zona Franca

É o que resulta de uma noite calma. Um set curto e tranquilo, com coisas antigas, bastante antigas até, alguma psicadelia, América do Sul, África, o costume. Uma noite tão calma que até deu para tomar notas. O set do Bartô, de há quase duas semanas:

1. Luis Cília - Contra a ideia da violência a violência da ideia (PT, 1973)
2. Lula Côrtes & Zé Ramalho - Trilha de Sumé (BR, 1975)
3. Som Imaginário - Morse (BR, 1970)
4. Lula Côrtes & Zé Ramalho - Pedra Templo Animal (BR, 1975)
5. Alceu Valença - Maria dos Santos (BR, 1977)
6. Tom Zé - Dor e Dor (BR, 1972)
7. Fabio - Lindo Sonho Delirante (BR, 1968)
8. Os Mutantes - Panis et Circencis (BR, 1968)
9. Banda de Sete Léguas - Dia de Chuva (BR, 1971)
10. Ely - As Turbinas Estão Ligadas (BR, 1971)
11. Creedence Clearwater Revival - Bad Moon Rising (EUA, 1969)
12. Captain Beefheart - Sure 'Nuff 'n Yes I Do (EUA, 1967)
13. Crosby, Stills, Nash & Young - Déjà Vu (EUA, 1970)
14. Jefferson Airplane - White Rabbit (EUA, 1967)
15. Donovan - The Music Makers (Escócia, 1973)
16. Betty Davis - Game is My Middle Name (EUA, 1973)
17. King Curtis & the Kingpins - Whole Lotta Love (EUA, 1970)
18. Shocking Blue - Seven is a Number in Magic (Países Baixos, 1970)
19. Erasmo Carlos - Mundo Deserto (BR, 1971)
20. Big Brother and the Holding Company - Piece of My Heart (EUA, 1968)
21. Shocking Blue - Keep It if You Want It (Países Baixos, 1970)
22. Patti Smith - Dancing Barefoot (EUA, 1979)
23. Donovan - Cosmic Wheels (Escócia, 1973)
24. Bob Dylan - Like a Rolling Stone (EUA, 1965)
25. Googoosh - Talagh (Irão, 197x)
26. The Black Beats - The Mod Trade (Índia, 1971)
27. Ramesh - Sharm-e Boos-e (Irão, 197x)
28. Hemant Bhosle feat. Asha Bhosle - Phir Teri Yaad (Índia, 1980)
29. Dom Thomas - Disco Bomb (Inglaterra, 2010)
30. Asha Bhosle - Dum Maro Dum (Índia, 1971)
31. Zia Atabay - Kofriam (Irão, 197x)
32. The Jeronimo Brothers - The Immigrant (?, ?)
33. Dom Thomas - Kazoo Minus (Inglaterra, 2010)
34. Madeleine Chartrand - Ani Kuni (Quebéque, 1973)
35. Le Groupe Apollo - Les Mystérieuses Cités d'Or (França, 1983)
36. Kollahuara - La Mariposa (Chile, 1975)
37. Abelardo Carbonó y Su Conjunto - Palenque (Colômbia, 1982)
38. Son Palenque - Dame Un Trago (Colômbia, 1983)
39. Cumbia Siglo XX - Naga Pedale (Colômbia, 1979)
40. Les Loups Noirs d'Haïti - Jet Biguine (Haiti, 1972)
41. Les Flammes - Pitrol (Cabo Verde, ?)
42. Bonga - Rumbangóla (Angola, 1990)
43. Lord Shorty - Sweet Music (Sofrito edit) (Trindade e Tobago, 1976)
44. Rob - Boogie On (Gana, 1977)
45. Kabbala - Ashewo Ara (Gana, 1982)
46. Manu Dibango - New Bell (Camarões, 1972)
47. Paul Simon - Boy in the Bubble (EUA, 1986)
48. Miriam Makeba - Pata Pata (África do Sul, 1957)
49. Bhundu Boys - Ring of Fire (Zimbabué, 1993)
50. Four Brothers - Makorokoto (Zimbabué, 1988)
51. Edward Sharpe and the Magnetic Zeros - Home (EUA, 2009)
52. Talking Heads - People Like Us (EUA, 1986)
53. Duo Ouro Negro - Lindeza (Angola, 1979)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O músico independente

O músico independente grava os discos que quiser no tempo que quiser.
O músico independente rodeia-se de quem lhe interessa e não de quem lhe é imposto.
O músico independente toca onde lhe paguem desde que lhe apeteça ali tocar.
O músico independente ajuda outros a vender azeite, se quiser, mesmo que não seja compreendido por alguns (eu incluído).
O músico independente passa da viola braguesa aos beats e depois volta às baladas, se quiser.
O músico independente disponibiliza as suas canções gratuitamente para que todos o possam ouvir.
O músico independente tem a coragem de reinterpretar à sua maneira o álbum de estreia de um gigante da nossa história da música. E é o próprio Sérgio Godinho que o desafia.
O músico independente dá-se ao luxo de abandonar os palcos por um ano, porque lhe apetece.

Não é por causa disto que gosto, e bastante, dos discos e dos concertos do B Fachada. Mas é por causa disto que o respeito enquanto músico como a poucos. Antes do abandono prometido, vai estar ao vivo no Teatro Académico Gil Vicente (dia 19), no B.Leza (20) e no Tertúlia Castelense (21). "O Fim", nome do novo álbum, vai estar disponível para descarregamento livre no site.

Concertos confortáveis, n.º 1

A partir de agora, as terças-feiras por aqui são dia de se ver ou ouvir concertos destes ou de outros tempos, tirando proveito da oportunidade que youtubes e outros nos dão de aceder, desde há pouco tempo, a vídeos de longa duração.

A primeira sugestão traz a dupla Nirvana e TAD. Em 1989, quando os Nirvana não andavam ainda a rebentar pelas tabelas de vendas do mundo inteiro, na rampa vertiginosa de sucessos atrás de sucessos que os TAD, igualmente santos da igreja grunge de Seattle, nunca chegaram a conhecer. O concerto teve lugar no Fahrenheit, em Paris (a francesa, não a texana), a 12 de janeiro de 1989.

NIRVANA: 01:33 School 03:21 Scoff 07:55 Love Buzz 10:55 Floyd the Barber 13:23 Dive 17:26 Polly 20:00 Big Cheese 23:50 Spank Thru 26:50 About a Girl 29:26 Immodium (Breed) 33:18 Been a Son 35:38 Stain 38:27 Negative Creep 40:55 Blew
TAD: 44:40 Helot 46:20 Pork Chop 50:13 Wood Goblins 52:57 Daisy 55:40 Behemoth 59:10 Nuts 'n Bolts 1:02:05 Hibernation 1:04:56 Nipple Belt

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Música nas cidades, em segundo volume!

Há cerca de quatro anos, o professor de matemática e melómano Manuel Fernandes Vicente lançou "Música nas Cidades", uma obra notável na exploração das chamadas cenas musicais, enquanto habitats criativos construídos em ambientes geográficos e temporais comuns. Obra notável, sim, e também rara no mercado português da publicação de reflexões e levantamentos sérios, informados e cativantes sobre o tema da música.

Mais rara ainda é a possibilidade que é dada aos autores de continuarem o seu trabalho. Mas o Manuel, porque o fez bem da primeira vez, porque as duas edições esgotaram, conseguiu voltar à carga. Como ele bem o sabe, o tema é praticamente inesgotável. Assim, será lançado neste próximo sábado, com apresentação pública na Bertrand do Chiado, pelas 17h, o segundo volume de "Música nas Cidades", com a presença do autor, o diretor da Formalpress (a editora) e o professor de português José Ventura.



PR da editora:

O livro Música nas Cidades – Volume 2, de Manuel Fernandes Vicente, é apresentado publicamente a nível nacional no dia 1 de Dezembro, sábado, pelas 17 horas, na livraria Bertrand, em Lisboa. A edição desta nova obra, que tem o selo da editora Formalpress/Rés XXI, dá sequência a um primeiro trabalho do autor, Música nas Cidades, que esgotou as duas edições entretanto saídas a público em 2008 e 2010.
Neste novo trabalho, que denota uma exaustiva pesquisa e compreensão das realidades psicossociais que envolvem a música, o autor, procura, com vários exemplos e histórias sugestivas, abordar as relações de causa-efeito entre diferentes cidades do mundo e os géneros musicais a que deram berço. As investigações, de natureza sociológica, económica, cultural, política, histórica, migratória, arquitetónica, religiosa étnica, de dinâmica de grupos e outras evidenciam a forma como essas influências determinaram estilos musicais, amplamente credores no seu carácter ao carácter mais profundo das cidades que lhes deram origem.
Além de professor na Escola Dr. Ruy de Andrade, o autor é correspondente regional do diário Público desde a sua fundação em 1990. Participou na fundação da Revista Nova e do Notícias do Entroncamento, foi colaborador do extinto jornal musical Blitz, e colabora atualmente com meios de comunicação como o jornal regional Abarca e o jornal digital Entroncamentoonline.pt. Desde muito jovem teve um forte interesse pelo mundo da música, tendo mesmo desenvolvido alguns trabalhos relacionando o paralelismo entre a música e a Matemática, em particular na forte correlação do aproveitamento escolar dos alunos nestas duas áreas. A pesquisa cultural e a reflexão sobre a interdependência entre as características das cidades e a natureza dos estilos musicais nelas surgidos, que estão na base do Música nas Cidades Vol.2, resultam como consequência de uma extensíssima coleção de LP, CD, DVD e outros suportes musicais, que forneceram muitas sugestões e pistas de análise – e que traduzem também o interesse melómano do autor, que a partir da música sempre procurou atingir outras áreas − para a ela, afinal, sempre regressar.
Na apresentação do livro estarão presentes Paulo Faustino, diretor da editora Formalpress, e José Ventura, docente de Português, ambos autores de obras ligadas, respetivamente à comunicação social e literatura.

Sexta-feira há...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Barreiro Rocks 2012!

A austeridade chegou ao financiamento do Barreiro Rocks, mas não é por isso que a 11ª edição do festival vai deixar de ser de romaria obrigatória.
Este ano, o Barreiro Rocks aproxima-se como nunca do natal: está marcado para 22 de dezembro, havendo uma festa especial de abertura no dia anterior, de entrada gratuita. Este ano não há Ferroviários, instalando-se o Barreiro Rocks no Bar d'Os Penicheiros.

Programa:

"Grandiosa festa de abertura"
21 de Dezembro - 23h
Local: Bar d'Os Penicheiros
Entrada gratuita
Los Saguaros
Los Santeros

Barreiro Rocks
22 de Dezembro - 15:30h
Local: Salão d’Os Penicheiros
Entrada: 8€
Asimov
Tracy Lee Summer
Dirty Coal Train
Greasy & Grizzly
ALTO!
Fast Eddie Nelson
The Glockenwise
Jesus Racer R'n'R Trio
The Act-Ups
Los Chicos

Como sempre, o Barreiro Rocks é também uma grande festa ibérica. Aliás, nunca é demais trazer aquele velho aforismo barreirense: "é mais fácil encher a sala de espanhóis do que fazer um lisboeta atravessar o rio". E, como tal, vai também haver Barreiro Rocks em Madrid, dia 1 de dezembro, no Rock Palace. À noite, The Act-Ups, Nicotine's Orchestra, Tracy Lee Summer e Fast Eddie Nelson. À tarde, com entrada gratuita, Nicotine's Orchestra e Greasy & Grizzly.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ensaio sobre a cegueira (mas desta vez sobressai o melhor dos homens e mulheres)



Se podes ouvir, escuta. Se podes escutar, repara.

A citação de Saramago ao "Livro dos Conselhos" não é bem esta, mas assim ajusta-se bem a "Eclipse", o espetáculo que o casal Amadou & Mariam trouxe ontem ao Grande Auditório da Gulbenkian. Um espetáculo que prometia uma experiência multissensorial única, vedado que estava o sentido da visão de se distrair (a sala foi mergulhada durante quase todo o concerto na completa escuridão), deixando livres a audição para a música e os sons ambientes da história subjacente, o olfato para os odores de África e a perceção da temperatura que foi oscilando ao longo do concerto.

E foi, de facto, uma experiência única, incrível, inesquecível.

Já todos passámos pela experiência de fechar os olhos durante um concerto, deixando o som entrar livremente nos ouvidos sem disputar a atenção com o sentido da visão. Ou até em casa: se nunca o fizeram, experimentem pôr um disco a tocar, apagar a luz e deitarem-se no sofá, no chão, onde quer que sintam o corpo relaxado o suficiente para não vos distrair do que sai das colunas. Se nos agrada aquilo que escutamos, essa ligação pura e direta à música pode até fazer-nos transportar por uma viagem onírica. Sem químicos.

Imagine-se agora isto num concerto inteiro (ou quase inteiro). A ajudar, um som em quadrifonia, equilibrado e equalizado de forma perfeita. A Mariam Doumbia a ouvir-se atrás, do lado esquerdo, a kora a surgir do lado direito, o resto da banda lá à frente. Jogamos à cabra-cega e estamos a adorar, sentimos a felicidade das crianças que já fomos. Alguém dançará, certamente, pois já não está ali a vergonha que teria para se levantar sozinha das poltronas nos concertos iluminados. Casais trocarão carícias. Talvez haja quem se sinta desconfortável por não ter sido assim que a MTV ou o youtube a ensinou a ouvir música. Não temos nada para ver, nem para ser visto. Estamos apenas a escutar, a reparar nos sons que habitualmente não reparamos. Sentimo-nos tão perto dos músicos, tão perto da história de amor que uniu Amadou e Mariam e que tem sido levada aos palcos de todo o mundo. Aqui escutámo-la com direito a narração do percurso, desde que perderam a visão, desde que se encontraram na Eclipse Orchestra do Institut des Jeunes Aveugles de Bamako, até se tornarem as estrelas mundiais que são hoje. Temos um breve relance da maneira como os dois veem o mundo.

E sentimo-nos felizes por nos terem deixado experimentar o bom que é reparar no que escutamos.

domingo, 18 de novembro de 2012

Não é só por ser o regresso ansiado de Amadou & Mariam. É uma experiência sensorial incomum.

E eis que chega o dia em que a dupla Amadou & Mariam regressa ao nosso convívio. Já seria por isso um dia especial, mas o espetáculo que o casal traz ao Grande Auditório da Gulbenkian, ao fim da tarde, promete ser uma experiência sensorial rara. "Eclipse", assim se chama o espetáculo, vai decorrer totalmente às escuras, colocando o público um pouco mais próximo da realidade que os amblíopes Amadou Bagayoko e Mariam Doumbia vivem desde muito cedo nas suas vidas. Mais, a sinopse do espetáculo promete outros tipos de experiências sensoriais, ao nível do olfato e da perceção da temperatura ambiente, a qual poderá oscilar entre os 15 e os 30 graus.
Ainda há uma meia dúzia de bilhetes disponíveis.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dead Can Dance: os bilhetes voam (e há quem tire todo o proveito disso)

E a história repete-se. Neste momento, já restam poucos bilhetes para o concerto dos Dead Can Dance, no Coliseu dos Recreios, a 28 de maio do ano que vem. Falta mais de meio ano para o espetáculo e dos milhares de lugares que a bilheteira disponibilizou há pouco, já restam apenas algumas dezenas (um pouco mais se contarmos com o espaço da galeria, o tal galinheiro que devia, a bem do respeito pelo público que cai no erro de lá ir parar, nunca ser aberto).

Eram caros, não eram? Não interessa. Fazemos com que voem num instante. Mesmo que com a pressa de carregar nos links da bilheteira online, quase nem nos apercebamos de um passo muito curioso e seguramente importante para este negócio. O custo de operação. A bem da verdade, a maior parte de nós já se habituou a isto, mais ou menos desde a altura em que as bilheteiras dos espetáculos (online e físicas) passaram a ser centralizadas em duas ou três empresas.

A concentração do negócio de bilhetagem, bem como o avanço tecnológico que veio a permitir a compra dos bilhetes sem a deslocação dos compradores (nem mesmo do bilhete!), devia trazer uma maior eficiência ao sistema, uma redução de custos de operação, certo? Errado. Como em qualquer outro negócio, se é o cliente a suportar os custos de operação, não é a operação que determina o valor destes, mas o cliente, que os paga. Nem tuge, nem muge.

Reparem, por exemplo, nos bilhetes para Dead Can Dance. 40 ou 50 euros já é um preço de uma extravagância fora de comum, mas atenção que a estes valores ainda tem que somar mais 6% de custos de operação. Seis por cento. É realmente uma operação muito complexa, para custar tanto.

E, atenção, são mais do que 6%. Porque a estes 6% o cliente ainda tem que somar o IVA, à taxa de 23%. O que leva a uma constatação curiosa: já repararam que vão pagar IVA de IVA?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

The Ex: é impossível perder isto hoje



"Eoleyo", versão de um tema etíope, retirada do último álbum, "Catch My Shoe", do ano passado. 33 anos de punk, free rock, math rock, free jazz, e, agora, África. Os The Ex, de Amesterdão, tocam esta noite na ZDB. 33 anos de história que, finalmente, chegam a um palco português.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Preços dos bilhetes de Dead Can Dance

São preços para quem se encontra no último decil da distribuição de rendimento, seguramente. Em linguagem comum, para os ricos entre os ricos. A Pic-Nic, promotora do concerto dos Dead Can Dance no Coliseu de Lisboa, hoje anunciado, já divulgou o preço dos bilhetes para os diferentes lugares da sala. Uma galeria em pé, naquele lugar em que serve essencialmente para ver o palco e o público da plateia (e não para ouvir) custa... 35 euros. São postos à venda na sexta, aqui.

Cadeiras de orquestra - 55€
1ª plateia - 50€
2ª plateia - 40€
Balcão central - 40€
Balcão lateral - 35€
Camarote 1ª (frente) - 40€
Camarote 1ª (lado) - 35€
Camarote 2ª (frente) - 40€
Camarote 2ª (lado) - 35€
Galeria em pé - 35€

Dead Can Dance também em Lisboa

Depois da passagem pela Casa da Música, no Porto, há poucas semanas, chega a notícia de novas datas para a digressão de "Anastasis", que agora incluem Lisboa. Os Dead Can Dance vão estar no Coliseu dos Recreios, no dia 28 de maio. Os bilhetes são postos à venda na próxima sexta-feira (e se acontecer como na vez do Porto, são bem capazes de voar em horas).

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Na próxima quinta-feira...

Na próxima quinta-feira, dia 1 de novembro, há festa no Ritz Clube. A Nicotine's Orchestra vai apresentar o novo álbum, "Gipsycalia", e este vosso escrevinhador tem a honra de pôr discos pelo resto da noite.

(A propósito, há uma nova página no facebook para quem quiser ir acompanhando o trajeto desta nova experiência atrás dos pratos: O Junqueira.)

De "Gipsycalia", o single "Tropic of Capricorn", com a ajuda na voz de... Marcelo Camelo:



domingo, 21 de outubro de 2012

Rokia

Há de haver alguém com mais tempo para escrever como foi o concerto da Rokia Traoré no final desta tarde, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian. Para escrever que foi diferente, em vários aspetos, de outras passagens da maliana pelos nossos palcos. Mas também para escrever o quão bom foi.
A mim, cabe-me notar apenas uma das muitas pequenas coisas deste concerto. Há uma altura em que Rokia cede o lugar e o microfone da frente a uma das cantoras do coro. Com um gesto de humildade que não se costuma ver nos palcos, habitats frequentes dos mais disparatados egos, Rokia assume o lugar da cantora no coro enquanto dura a canção. Mais adiante, faz o mesmo com as outras duas cantoras e explica ao público que esta ideia faz parte do projeto desenvolvido para este espetáculo.
Já perto do fim, no início do encore, quando todos os elementos da banda já estão nos seus lugares, ao invés de seguir a auto-estrada de luz que conduz, neste como noutros milhões de palcos por todo o mundo, noutras milhões de ocasiões por toda a história da música ao vivo, dizia, Rokia entra por trás do coro.
É uma pequena coisa, uma entre muitas que possivelmente poderão passar despercebidas por entre quem escrever o quão bom foi o concerto. Mas estas pequenas coisas fazem a diferença.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

"Allelujah! Don't Bend! Ascend!" em pré-escuta

Ainda aqui há dias se dava conta do novo álbum dos godspeed you! black emperor. Sai na próxima semana mas já pode ser escutado através do Guardian, mais precisamente aqui.

Para tudo! The Ex na ZDB, em Novembro!

Já levam mais de três décadas e nunca pisaram -- alguém me corrija -- um palco português. Começaram nas ondas de propagação do punk, escreveram as páginas mais importantes do pós-punk europeu, misturaram-se com música e gente de todo o mundo, deixaram um pé bem marcado no jazz de vanguarda. Dia 14 de novembro, a ZDB recebe os neerlandeses The Ex!
O bilhete custa 12 euros.

Texto do José Marmeleira para a promoção ZDB:

Chegar a este dia, ano e século e celebrar um concerto dos The Ex é motivo de intenso e imenso júbilo. Nenhuma banda moldada pelos anos de chumbo do punk vive hoje com a mesma liberdade e juventude. E agita os corpos e as consciências com o mesmo vigor. Alguns músicos já partiram (o lendário vocalista G.W. Sok, os baixistas René e Luc), mas o som nunca parou de se expandir com a presença de amigos e convidados, para outros universos.

Volvidas mais de três décadas, a obra The Ex é a expressão de um estilo de vida feito música e vice-versa. Começaram nos finais dos anos 1970, na cena punk holandesa, empenhados em usar a energia da música popular ao serviço de uma militância política. Sem o radicalismo dos Crass ou o lirismo dos Minutemen, abraçaram a poética musical das Raincoats, das Slits ou dos The Fall: “punk” convulso e frágil, suspenso em arames, mas directo e abrasivo, como se ouve nos três primeiros discos.

As guitarras e o baixo foram sempre objectos privilegiados – o encontro com os Sonic Youth nos anos 1980 e a cumplicidade com Steve Albini atestam esse traço – mas os The Ex não se limitaram a importar uma linguagem. Esta foi desde cedo um meio aberto a outros instrumentos (trombone, acordeão, gaita de foles, trompete) e idioma musicais (Hungria, Turquia´, África, Irão). Poucos podem reivindicar com a mesma justeza a condição de banda do Quarto Mundo, o que não atrapalha (pelo contrário) a filiação europeia. A ironia das letras, a melancolia a contaminar as melodias, uma certa consciência história e política (patente em “Joggers and Smoggers”, de 1992, ou em Scrabbling at the Lock, com Tom Cora, de 1911) inscrevem os The Ex no lastro do pós-punk europeu (é possível descobrir afinidades com gente tão diversa quanto os Minimal Compact, os Bad Seeds de Nick Cave, 23 Skidoo, Pop Group ou os The Mekons, com quem aliás gravaram).

No século XXI, continuaram em movimento com a mesma generosidade e grandeza, afinando os riffs, os refrões e as vozes contra a mercantilização da vida, a violência das (grandes) instituições e sanha da competição e do lucro. Basta recordar a urgência que atravessa “Dizzy Spells”. Entretanto, foram-se furtando definitivamente a géneros ou categorias que os pudessem identificar. Em 2004, com “Turn”, emularam os ritmos dos Konono Nº1 e em 2010 convocaram os sopros de Mats Gustafsson, Roy Paci, Ken Vandermark and Wolter Wierbos para uma digressão europeia. Indiferentes a centros e as periferias, ou a prontos a redesenhá-los, viajaram à Etiópia, colaboraram e gravaram com o saxofonista Getatchew Mekuria, professando um amor pela música africana que se materializa em discos soberbos (“Moa Anbessa” e “Y’Anbessaw Tezeta”).

O mundo nunca foi demasiado grande para a festa instalada pelo poder seco e tenso das canções desta banda de nome pequeno. E aqui está ela, hoje. Celebrem-na como se não houvesse amanhã. JM

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ele existe, ele vai aparecer por aí daqui a duas semanas

Não só voltaram a juntar-se para tocar um pouco por toda a América e por toda a Europa, como gravaram novo álbum. Thierry Amar, David Bryant, Bruce Cawdron, Aidan Girt, Efrim Manuel Menuck, Mauro Pezzente, Sophie Trudeau e o regressado Mike Moya, que se tornaram conhecidos como godspeed you! black emperor, gravaram "ALLELUJAH! DON'T BEND! ASCEND!", passados praticamente 10 anos de "Yanqui U.X.O.", que muitos julgavam que ia ficar para a história como o último álbum do coletivo.

O disco vai ter o selo n.º 81 da Constellation, que o vai lançar a 15 e 16 de outubro próximos, na Europa e nos EUA, respetivamente (alguns sortudos já o apanharam na digressão americana). Como sempre, há edição em CD e em LP (e agora também em MP3 e FLAC). Como sempre, a opção vinílica traz mariquices bonitas para quem aprecia.

Entre os temas, encontram-se -- finalmente em disco! -- temas fantásticos como "Albanian" e "Gamelan", que aqui ganham os títulos "Mladic" e "We Drift Like Worried Fire", respetivamente.

Já toda a gente o sabe: os godspeed vão estar por cá, mais precisamente no Hard Club do Porto, a 28 de outubro, por ocasião do Amplifest'12.



O blurb da Constellation:

We are proud to announce the first new recordings by Godspeed You! Black Emperor in a decade. Featuring two twenty-minute slabs of epic instrumental rock music and two six-and-a-half minute drones, ‘ALLELUJAH! DON’T BEND! ASCEND! provides soaring, shining proof of the band’s powerful return to form.


Having emerged from hiatus at the end of 2010, GYBE picked up right where they left off, immediately re-capturing the sound and material that had fallen dormant in 2003 and driving it forward with every show of their extensive touring over the last 18 months. The new album presents the fruits of that labour: evolved and definitive versions of two huge compositions previously known to fans as “Albanian” and “Gamelan”, now properly titled as “MLADIC” and “WE DRIFT LIKE WORRIED FIRE” respectively. Accompanied by the new drones (stitched into the album sequence on CD; cut separately on their own 7″ for the LP version), GYBE have offered up a fifth album that we feel is as absolutely vital, virulent, honest and heavy as anything in their discography.


We don’t have much time for mythology, but we’d be lying if we said the return of Godspeed You! Black Emperor in 2010 didn’t signify a whole lot to us as a marker from which to look back on the past decade, to reflect on what’s been gained or lost within the confines of independent music culture and what’s been gained or lost in the socio-political landscape writ large. Godspeed’s music will do that to you. It is music that bears witness to, channels and transforms this predominantly terrible, infuriating, venal and nihilistically sad story we’re all living, sharing, resisting, protesting, deconstructing and trying to change for the better. We think GYBE has once again provided a uniquely moving and compelling soundtrack for these acts of analysis, defiance and ascension.

* * *

Hard to believe a full decade has passed since the release of Yanqui U.X.O., the last album by GYBE. Never a band to care for conventional industry wisdom, Yanqui was released shortly before xmas 2003 with little publicity and no press availability, no marketing plans or cross-promotions or brand synergies, with back cover artwork tracing the inextricable links between major music labels and the military-industrial complex. Driven by word-of-mouth from a passionate and committed fanbase galvanized by the group's sonic vision and its dedication to unmediated, unsullied musical communication, the album found it's rightful audience.

To suggest that such simple principles and goals have become harder to maintain and enact a decade later is an understatement. For all the contents and discontents – for all the "content" – of our present cultural moment, the idea of circumventing the glare of exposure, the massaging of media cycles and the calculus of identity management appears quaint, if not futile.

But Godspeed is looking to try all the same. The band wants people to care about this new album, without telling people they should or talking about themselves. They want to hold on to some part of that energy that comes with the thrill of anonymous discovery and unmediated transmission, knowing full well that these days, anti-strategy risks being tagged as a strategy, non-marketing framed as its opposite, and deeply held principles they consider fundamental to health as likely to be interpreted as just another form of stealth.

Truly, thanks for being open to hearing it.

Release date: 15 October 2012 (Europe), 16 October 2012 (rest of world)
Running time: 53:09

PACKAGING NOTES
CD comes in a custom gatefold jacket printed on 100% recycled paperboard in 4-colour process plus spot metallic ink and spot matte varnish. CD dust sleeve is also 4-colour print.

LP is pressed on 180 gram virgin vinyl at Optimal (Germany) and comes in a tipped-on heavyweight gatefold jacket printed in full-colour process plus a spot metallic ink and spot matte varnish. LP dust sleeve is also 4-colour print. Package includes a 7 inch in printed dust sleeve (same audio appears in a different sequence on the CD) and a 12"x48" pull-out poster (printed full colour on both sides) featuring a collage of film stills specially-photographed and captured from the GYBE live 16mm projections.

TRACKLIST
1. MLADIC
2. THEIR HELICOPTERS' SING
3. WE DRIFT LIKE WORRIED FIRE
4. STRUNG LIKE LIGHTS AT THEE PRINTEMPS ERABLE

CREDITS
PERSONNEL
Thierry Amar, David Bryant, Bruce Cawdron, Aidan Girt, Efrim Manuel Menuck, Michael Moya, Mauro Pezzente, Sophie Trudeau, Karl Lemieux.

Tracks 1 and 3 recorded at Hotel2Tango by Howard Bilerman. Tracks 2 and 4 recorded at the band's jamspace, mixed by Amar, Menuck, Bryant and Moya at The Pines.

Mastered by Harris Newman at Greymarket.

Cover photograph by Charles-André Coderre. Burnt 16mm frames by Karl Lemieux, re-photographed by Yannick Grandmont. "Atonal Canada" photo by Timothy Herzog. Others images by Bryant/Menuck/Lemieux.