terça-feira, 28 de agosto de 2012

Nove

Sintoma da falta de tempo que por aqui vai: há três dias, este tasco amarelo fez nove anos. :)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Um rescaldo rápido, muito rápido, quase tão rápido quanto o furacão Gordon, de uma passagem pelo Maré de Agosto

A ilha, a de Santa Maria, a mais meridional do arquipélago dos Açores, é pequena. E bonita. Numa tarde, e com carro, percorrem-se facilmente todos os seus belíssimos recantos. Pelo menos, aqueles que estão mais facilmente acessíveis. É pequena, mas neste fim-de-semana de agosto, como o que passou, Santa Maria enche-se de miúdos e graúdos, mais os primeiros, vindos de todo o arquipélago e de um e do outro lado do Atlântico.

É o grande festival da região. E no continente, quando se fala de festivais, frequentemente se ignora que este é o mais antigo dos que ainda se encontram em atividade (e não o de Paredes de Coura). Neste passado fim-de-semana, foi a 28ª edição. Vigésima-oitava. A equipa que o produz tem vindo a ser renovada e hoje a ACMA, Associação Cultural Maré de Agosto, é conduzida por jovens que sabem bem o que fazem, têm gosto pelo que fazem e que recebem como bons açorianos quem vem de fora. Sem tubarões à vista, outros que não os patrocinadores do costume. Adiante. O espetador não o vê, mas este é também o grande festival da região quando se percebe que muito do que ali é montado junto à praia Formosa é proveniente de vários pontos do arquipélago. Desta e daquela ilha aparece, por solidariedade regional, o PA, o palco, o material do backline. Um continental estranha.

A programação não é a mais coerente que por aí se vai vendo. O Maré de Agosto não é um festival de rock, não é um festival de world music, não é um festival de música de dança. Não é um festival para miúdos, não é um festival para graúdos. Tem um pouco de tudo, sem grandes preocupações na linha com que as diferentes partes da noite são cosidas. Ter o Hamilton de Holanda com o choro irrepreensivelmente a ser arrancado ao seu bandolim e acompanhado por um harpista colombiano seguido de uma popstar com o Charlie Winston ou, depois, o grupo incrível do libanês Rabih Abou-Khalil pisar o mesmo palco que os Crystal Fighters, lança quem sabe ao que vai, ou quem está habituado a outros enquadramentos, num mar de dúvidas. Mas a verdade é que esta miscelânea esquisita acaba por chegar a bom porto quando se percebe que aquela miudagem que enche o morro frontal à praia aprecia o que vai vendo, mesmo quando pouco ou nada conhece de um cartaz que, felizmente, não resvalou para o facilitismo do mainstream. Assim, vale a pena.

As condições para o público, que varia entre os dois ou os quatro milhares de pessoas, salvo erro, são boas, as bebidas não são caras e não obrigam a grandes filas de espera, durante o dia há praia de água quente como sopa, as próprias bandas sentem-se privilegiadas por estarem a tocar numa ilha tão bela. Que mais se pode querer? Venham mais marés e menos furacões. E sem tubarões. Só cachalotes.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Agora também concertos completos num youtube perto de si

Já se tornou coisa quase corriqueira apanhar filmes completos no youtube. Pelo menos, os filmes de culto antigos, em relação aos quais já não há quem se levante a reclamar propriedade de direitos. O mesmo anda a passar-se na música. A vaga de concertos e home videos que surgiu em VHS nos anos 80 e 90 tem vindo a aparecer no youtube. É só pôr o motor de pesquisa a funcionar e ligar as colunas.

Por curiosidade, andei à procura daquilo que tinha em cassettes de VHS nessa altura. Eis uma seleção:

BAUHAUS "Shadow of Light" link
BIRTHDAY PARTY "Pleasure Heads Must Burn" link (este foge à regra: está dividido em partes)
BRIAN ENO "Imaginary Landscapes" link
BUTTHOLE SURFERS "Blind Eye Sees All" link
THE CULT "Dreamtime Live at the Lyceum" link
CURRENT 93 "Since Yesterday" link
DAVID BOWIE "Serious Moonlight" link
DEAD KENNEDYS "Live in San Francisco" link
THE DOORS "Live at the Hollywood Bowl" link
EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN "Liebeslieder" link (por partes)
JOY DIVISION "Here Are the Young Men" link
JOHN CALE AND LOU REED "Songs for Drella" link
MINISTRY "In Case You Didn't Feel Like Showing Up" link
NEIL YOUNG... bah, ainda não se encontra nenhum dos VHS online.
NIRVANA "Live and Loud on MTV" link
PJ HARVEY "Reeling with PJ Harvey" link (por partes)
THE POGUES "Live at the Town & Country Club" link (por partes)
REVOLTING COCKS "You Goddamned Son of a Bitch" link (por partes)
SEPULTURA "Under Siege" link
SIOUXSIE AND THE BANSHEES "Nocturne" link
THE SISTERS OF MERCY "Wake" link
THE SMITHS "Live in Madrid" link
TEST DEPARTMENT "Program for Progress" link
TOM WAITS "Big Time" link

Há, ainda assim, alguns nomes que faltam, principalmente entre aqueles que ainda representam negócio significativo para quem quer que seja. E é ainda lamentavelmente notada a ausência do "1991 - The Year that Punk Broke".

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Mil pássaros na mão

"Ascent", o novo álbum de Six Organs of Admittance sai dia 21 deste mês. Eis "One Thousand Birds", o primeiro rock d'oeuvre a aparecer por aí para degustação:

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cinema no terraço em agosto

Este mês de agosto volta a contar com cinema no terraço da ZDB às quartas-feiras. A entrada é livre para sócios (os restantes cidadãos livres pagam dois euros) e os filmes começam a ser projetados às 22h de cada quarta-feira. Eis a programação (informação detalhada aqui):

8 - "Half Japanese – The band that would be king", de Jeff Feuerzeig
15 - "Instrument: Fugazi document", de Jem Cohen e Fugazi
22 - "We Jam Econo – The Story of the Minutemen", de Tim Irwin
29 - "The Decline of the Western Civilization", de Penelope Spheeris

Foi você que pediu o regresso de Um Zero Amarelo?

Pois então, depois do concerto em Guimarães, por ocasião da programação da Capital da Cultura, eis que Lisboa também vai ter direito a regalar-se com o regresso de um dos grupos minhotos mais adoráveis de sempre. Os Um Zero Amarelo vão ao Lounge no dia 4 de outubro!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Breves memórias do FMM 2012: África e GNR

Regressado a Lisboa para uma breve escala antes de mais uma semana de férias, deixo aqui algumas das memórias a reter em mais um FMM que terminou. Talvez por desígnio do circuito de digressões dos grupos, este foi um FMM com lanças apontadas especialmente a África:

A Oumou e o Béla

Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour.



Fatoumata Diawara, a linda

Começou como Rokia Traoré, sua compatriota, no primeiro dos seus dois concertos em Sines. Calma, serena, intimista. Acabou como Rokia no segundo. Explosiva, festiva, imparável. Fatoumata Diawara, provavelmente a mulher mais bonita que alguma vez pisou o palco do castelo de Sines, foi a grande revelação deste ano.



Dhafer Youssef e o quarteto do mundo

Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM.



Masekela, o génio de palco

Já anda pelos setentas e afirma-se como músico desde os 5. Todos estes anos de digressões, discos, experiências bem sucedidas por África e pelos EUA, fizeram dele a maior lenda viva da música africana. E é ali no palco que ele o prova. Não só mantém intacta toda a sua capacidade técnica instrumental e vocal, como sabe como poucos como se dirigir a uma audiência, mesmo que seja para a “picar”.

Outros destaques

Há que guardar, uma vez mais, memória dos L’Enfance Rouge, que talvez nunca tenham tido na sua vida um palco tão grande como o do castelo de Sines e que estiveram irrepreensíveis nesta primeira apresentação do projeto com o tunisino Lofti Bouchnak, ele que se mostrou bastante divertido com a experiência de partilhar o palco com o power trio sónico e o pequeno ensemble magrebino.
Há que falar também no Bombino, que no primeiro dia do festival, levou a festa dos blues a todos os que ali estavam, num formato intenso e marcadamente hipnótico, muito diferente daquele que apresentou no ano passado, em Lisboa. O pobre do Otis Taylor, que tocou imediatamente antes, terá inventado “trance-blues”. Talvez tenha ficado envergonhado ao ouvir o trance no blues do guitarrista do Níger.
Junte-se ainda os Staff Benda Bilili, que regressaram àquele palco apenas dois anos depois, por força do cancelamento do concerto de Gurrumul. Houve festa rija, claro, ainda que pudesse ter ajudado ter havido um maior distanciamento face ao anterior concerto dos congoleses.
Mais destaques breves: Marc Ribot esteve impecável, tanto enquanto convidado dos Dead Combo, como na direção dos Cubanos Postizos. Diabo a Sete foi uma excelente revelação para este escriba (ao contrário dos Uxu “Absoluta Desilusão” Kalhus, que agora se perdem num hard rock sem qualquer tipo de piada). A nova banda do Lirinha deixa muito a desejar, mas os poemas do brasileiro continuam a ser explosivos. Os Osso Vaidoso são uma das melhores coisas a terem acontecido à música feita por cá nos últimos anos.

Pela lei e pela grei, dizem eles

A Guarda Nacional Republicana apareceu este ano com intenções de estragar a festa. Chegou mesmo a fechá-la quando irrompeu pelos bastidores do palco secundário, junto ao rochedo do Pontal, tendo alegadamente dado voz ao tradicional “acabam a bem ou acabam a mal?”. Mas este triste desfecho não foi o pior. O corpo de segurança pública que na sua insígnia carrega, sem que realmente se entenda porquê, a expressão “pela grei”, fez tudo o que esteve ao seu alcance ao longo de duas semanas para incomodar esse mesmo povo que pretendia estar ali no clima de festa que sempre foi próprio do FMM, ora com mega-operações à entrada da cidade, onde cães farejavam viaturas individuais e autocarros, ora com a barraca preta ao estilo de confessionário à porta do castelo para onde enfiavam o espetador que apresentasse “pinta” que não lhes agradasse, ora com a presença constante, em estilo de ameaça contida, nas imediações dos dois palcos. Como se nestas duas semanas se concentrassem em Sines os piores malfeitores do mundo. Triste e vergonhoso. Nestes dias que se seguem, é a vez do Boom. 1500 militares destacados para Idanha-a-Nova, dizem as notícias. Mil e quinhentos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

20 concertos a não perder no FMM

Por ordem cronológica:



WAZIMBO
(Moçambique)

Dia 19 (quinta-feira), 21h45 - Castelo
Oportunidade para ouvir a voz da mítica Orquestra Marrabenta Star de Moçambique.



OTIS TAYLOR BAND
(EUA)

Dia 19 (quinta-feira), 23h15 - Castelo
Venha o blues de palco grande, para a festa!



BOMBINO
(Níger/Povo Tuaregue)

Dia 19 (quinta-feira), 00h45 - Castelo
E logo a seguir o melhor do blues do deserto. Quem esteve no Jardim das Oliveiras, no ano passado, não vai perder.



AL MADAR
(Líbano/EUA)

Dia 20 (sexta-feira), 21h45 - Castelo
Primeiro episódio da Nova Iorque multicultural neste FMM 2012, com a baterista April Centrone e o violinista Timba Harris a regressarem ao palco do castelo, depois dos Secret Chiefs no ano passado, agora neste projeto de raízes árabes centrado na figura do libanês Bassam Saba. Também vão à ZDB, já amanhã, quarta-feira.



L'ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK
(França/Itália/Tunísia)

Dia 20 (sexta-feira), 23h15 - Castelo
Um dos mais energéticos trios de rock dos últimos tempos volta a Sines, agora com direito a toda a magia do castelo e com um novo convidado tunisino, o cantor Lofti Bouchnak. Da outra vez que os L'ER trouxeram tunisinos, foi um fim de noite arrasador. O trio vai andar pelo país (Portalegre, Lisboa, Milhões de Festa), mas a apresentação com os músicos tunisinos é exclusiva do FMM.



DEAD COMBO & MARC RIBOT
(Portugal/EUA)

Dia 21 (sábado), 19h00 - Castelo
Sines é fértil em encontros de músicos e de culturas. E este é um dos mais especiais de toda o historial do festival.



OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK
(Mali/EUA)

Dia 21 (sábado), 21h45 - Castelo
Outro encontro impossível de perder.



MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS
(EUA)

Dia 21 (sábado), 23h15 - Castelo
Mais um episódio da Nova Iorque multicultural. Marc Ribot volta a Sines, com o seu projeto mais famoso. Da outra vez foi tremendo. Agora pode ainda ser melhor.



JESSIKA KENNEY & EYVIND KANG
(EUA)

Dia 24 (terça-feira), 22h00 - Centro de Artes de Sines
Mais Nova Iorque (ou quase), no único concerto marcado para o CAS, numa atmosfera que se pretende mais intimista.



ENSEMBLE NOTTE DELLA TARANTA
(Itália)

Dia 25 (quarta-feira), 22h00 - Castelo
Noite especial com uma orquestra apuliana para fazer a malta dançar a pizzica.



STAFF BENDA BILILI
(RD Coongo)

Dia 26 (quinta-feira), 00h45 - Castelo
O cancelamento do concerto do aborígene Gurrumul veio precipitar o regresso, passado tão pouco tempo, deste grupo de músicos de Kinshasa, protagonista de um dos melhores momentos do historial do FMM, há dois anos.



KOUYATÉ-NEERMAN
(Mali/França)

Dia 27 (sexta-feira), 20h00 - Pontal
Espécie de encontro entre o balafon do Mali e o vibrafone europeu, acompanhados de uma secção rítmica que parece ter saído do pós-rock ou do jazz-rock. Promete!



DHAFER YOUSSEF
(Tunísia)

Dia 27 (sexta-feira), 21h45 - Castelo
O alaúde árabe no jazz europeu/escandinavo. Isto vai fazer estremecer as paredes do castelo.



MARI BOINE
(Noruega/Sápmi)

Dia 27 (sexta-feira), 23h15 - Castelo
Finalmente, porra. Mari Boine em Sines!



ZITA SWOON GROUP
(Bélgica/Burkina Faso)

Dia 27 (sexta-feira), 00h45 - Castelo
Também a Stef Kamil Carlens chegou o chamamento de África.



JUJU
(Gâmbia/Inglaterra)

Dia 27 (sexta-feira), 02h30 - Pontal
Mais um encontro Europa-África. Diz-se que o projeto está a funcionar melhor desde que surgiu em Sines pela primeira vez, já lá vão quatro anos.



ORQUESTRA TODOS
(Portugal/...)

Dia 28 (sábado), 18h45 - Castelo
O primeiro concerto da Orquestra Todos, no Largo do Intendente, no passado, foi uma experiência bonita a todos os níveis. O modelo adotado da Orchestra di Piazza Vittorio, é o de pôr em palco músicos residentes em Lisboa e provenientes dos mais diversos cantos e culturas do mundo. Não podia fazer mais sentido em Sines.



HUGH MASEKELA
(África do Sul)

Dia 28 (sábado), 21h45 - Castelo
O nome maior desta edição do FMM. Aos 73 anos, Masekela traz a Portugal um dos trompetes mais iconográficos da história da música africana, do jazz norte-americano e das lutas políticas do seu país.



TONY ALLEN FEAT. AMP FIDDLER
(Nigéria)

Dia 28 (sábado), 23h15 - Castelo
Agora, no castelo, a oportunidade para o Tony Allen se refazer, na companhia de Amp Fiddler (antigo companheiro de estrada de George Clinton), da fraca prestação de há anos, junto à praia. A secção de metais tem marca local: é constituída pelos professores da Escola de Artes de Sines. E deverá ser a primeira vez que se verá uma keytar (a de Amp Fiddler) em Sines.



LIRINHA
(Brasil)

Dia 28 (sábado), 02h30 - Pontal
Há seis anos, deixou o castelo de Sines semi-destruído na companhia dos já míticos Cordel do Fogo Encantado. Veio depois a separação e só agora José Paes de Lira volta aos palcos de música, a solo, apresentando um disco menos tribal, mais rock, mais eletrónica, a mesma carga emocional. Vai ser um encerramento bonito para o FMM 2012.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Entrevista ao sr. FMM, parte 7

(Continuação da entrevista ao diretor artístico e de produção do FMM Sines, Carlos Seixas)
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7. Falemos então da edição deste ano. Quais são, para o programador do FMM, os principais destaques destes dois fins-de-semana de música?

Vítor, seria a última pessoa a quem poderias fazer uma pergunta destas! Mas, que fazer? Respondo sob protesto. Para mim não há destaques! O FMM funciona como um todo. Respondo-te de outro modo, sobre a 14ª, sem respeitar datas ou radiografar competências. Vou mais pelas emoções!

Como já tens notícia, o Gurrumul está doente e cancelou a digressão europeia. Estou desolado porque era para mim um dos concertos de maior expectativa. E não por ser estreia, mas porque gosto tanto daquelas canções, a voz emotiva, brilhante, apetece-me dizer a face identitária atual do povo aborígene! Tão maltratado e tão longe de nós.

Os blues americanos. E há tanto tempo que não vinham cá! Logo com o senhor Otis Taylor. Conheci-o, e ao dizer conhecer digo a sua música, alguns anos atrás através de um amigo que não me disse nada... Só me ofereceu um disco – "White African” – e logo ali me interroguei: como é que das montanhas rochosas me aparece este homem branco conhecedor da cultura afroamericana, inovador, multi-instrumentista, respeitado no meio como poucos, autêntico!

Hugh Masekela. Tantos anos a querer que ele viesse e sempre algum obstáculo, por vezes digressões fora de época, outras por negociações adiadas! Mas sempre a vontade presente de ver esta personagem lendária no palco do castelo. E de repente, outubro passado em Copenhaga, um encontro de minutos com o senhor Hugh Ramopolo Masekela. Sorrisos, um abraço, duas ou três palavras em português e um sim de convicção, final feliz! Vasco da Gama que se cuide!

Era uma ou a outra! Gosto tanto das duas mas tinha de ter calma como a que tive durante os anos que se passavam sem as poder ver nos palcos FMM. Mari Boine ou June Tabor? A folk na sua dimensão universal. O poder xamânico do joik adiantou-se à antiga "silly sister" de Maddy Prior e aí está para pôr à prova o público no terreiro do castelo. Atenção meus senhores, muita atenção ao voo dos pássaros!

E por falar em pássaros, que bom poder receber mais uma vez a senhora de Wassoulou num encontro que espero memorável com o galáctico do banjo, senhor de todos os grammys! Que felicidade ter o privilégio de ouvir o alaúde e a voz dos tunisinos Dhafer Youssef e Lotfi Bouchnak, do libanês Bassam Saba, este com um trabalho notável com a Orquestra Árabe de Nova Iorque. A vinda de repetentes como a April Centrone e o Timba Harris dos Secret Chiefs 3, do casal nómada François e Chiara de guitarras em punho, do sempre jovem Tony Allen, master drummer of afrobeat...

Que o público apareça em força. Há sempre lugar para mais um! A festa começa já para a semana, são 36 concertos 36, cinema, encontros, praia, peixe ou carne?, ateliês, vai e vem castelo - pontal - centro de artes, ervas de cheiro, compra de discos, olha o Bombino! E a vida é tão curta!


[Ali mais acima, o Carlos Seixas referia-se a isto. Toma cuidado, Vasquinho...]

L'Enfance Rouge também em Lisboa

Parecia que já não havia interesse dos promotores lisboetas em voltar a ter por cá uma das bandas mais explosivas dos últimos tempos, mas eis que afinal não é de todo assim.
Os L'Enfance Rouge, que vão passar por Sines com o novo projeto em que se juntam ao tunisino Lofti Bouchnak (20 de julho), e, já em formato de trio, pelo Milhões de Festa (22 de julho), vão também aproveitar a passagem por Portugal para tocarem em Lisboa. Vai também ser no formato de trio e precisamente entre aquelas duas datas, ou seja, 21 de julho. A sala que os acolhe é o Clube Ferroviário e a primeira parte vai estar a cargo dos dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, que através da sua Associação Terapêutica do Ruído, promovem o concerto. A entrada custa seis euros, com direito a duas imperiais ou uma bebida branca.

ATUALIZAÇÃO: Os L'ER vão também passar por Portalegre, no Centro de Artes do Espetáculo, no dia 18.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

E o que se ouve hoje na NPR? O novo de The Very Best!



Chama-se "MTMTMK" -- tem piada, porque ao contrário de "The Very Best", arranjaram agora um título facilmente googlável -- e sai já no dia 16 deste mês. É o novo álbum dos The Very Best e pode ser escutado na íntegra através da NPR. Alguém que dê um prémio de reconhecimento à NPR.


Entrevista ao sr. FMM, parte 6

(Continuação da entrevista ao diretor artístico e de produção do FMM Sines, Carlos Seixas)
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6. O FMM tem sido terreno fértil para encontros de artistas, de músicas, de culturas. Este ano, os Dead Combo vão estar em palco com o Marc Ribot. Como surgiu esta colaboração inédita? Que papel jogou o FMM (ou o seu programador) nesta e noutras ocasiões no passado?

A colaboração foi concretizada de uma forma pacífica no princípio do ano em conjunto com os agentes de ambos. Havia o "Lisboa Mulata" e eu tinha acabado de negociar a presença do Marc Ribot com os Cubanos Postizos. Andava desde há anos interessado em apresentar este projeto e, em 2005, na altura dos The Young Philadelphians, falei com o Marc sobre essa intenção. Felizmente que conseguimos este encontro que podemos nomear "em estreia mundial" :)

Sabes que o circuito da música ao vivo relacionado com músicos de outros continentes, sobretudo nos festivais de verão, depende muito das digressões europeias. Embora a oferta seja maioritariamente de "grupos formatados", há sempre a oportunidade de negociar alguns encontros. Com anos de contacto no meio e a confiança estabelecida com agentes, managers e músicos, estas situações começam a ser cada vez mais fáceis de concretizar.

No historial do FMM há exemplos de "encomendas", nem todas de caráter único e exclusivo, mas cozinhadas entre vários cúmplices, onde nós também tivemos a palavra. O caso do Trilok Gurtu com The Misra Brothers, a apresentação da Flat Earth Society com o Jimi Tenor, o David Murray com Pharoah Sanders, Jean-Paul Bourelly meets Melvin Gibbs & Will Calhoun, Cheick Tidiane Seck com Mamani Keita, Tuba Project com Bob Stewart e, para dar mais um exemplo onde entram músicos portugueses, Mandrágora & Special Guests (os Mandrágora estiveram durante um mês na Bretanha a trabalhar com músicos locais e a preparar esta apresentação). E para o ano há já pelo menos dois encontros em preparação! Afinal não é habitual um festival desta natureza, enquanto serviço público cultural, comemorar o 15º aniversário.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Saiu hoje o novo do Delicate Steve e isso é motivo de festa por aqui



Por aqui, já sabe quem regularmente espreita estas letras em fundo amarelo, gosta-se muito do Delicate Steve. Muito. E o David Byrne também, porque a Luaka Bop volta a apostar no guitarrista de Nova Jérsei com um segundo álbum, "Positive Force", que sai precisamente hoje. O disco está em escuta na NPR. Já no site do músico pode-se descarregar desde há algum tempo o mp3 do "Afria Talks to You" (assim mesmo, Afria; não é erro).

E ainda há mais gente boa a gostar. Os Akron/Family, os Ra Ra Riot, a Tune-Yards, os Javelin, os Givers, os Wild Belle, o Janka Nabay, os Yeasayer, os Fang Island e os Yellow Ostrich participaram numa ação de marketing inédita (ou perto disso), o "Friendship Stream", divulgando, cada um, uma das faixas do novo disco do amigo Delicate Steve, através das suas páginas no facebook.

Faltam só nove dias para o Milhões

Está aí quase a chegar mais uma edição do Milhões de Festa. Dia 19 começa a maratona de concertos e mergulhos na piscina. Ao final do dia 22 contaremos os sobreviventes. Os bilhetes diários custam 25€ e os passes para o fim-de-semana 45€, sendo que a partir desta próxima quinta-feira aumentam para 52€ e na véspera do festival passam para 60€.

Segue-se a programação completa (via Blitz):

19 de julho

Patuscada
Pedro Santos 02h00
Ana 01h00
Gnod 00h00
The Glockenwise 23h00
Johnny Sem Dente 22h00
Pedro Santos 21h00

Red Bull City Gang
Cálculo 19h30
Aspen 18h30
Käil 17h30
The Glockenwise 16h30

20 de julho

Palco Milhões
Throes + The Shine 00h45
Baroness 23h00
Sensible Soccers 21h30
La La La Ressonance 20h00

Palco Vice
Glam Slam Dance 03h00
Meneo 02h15
Youthless 01h30
Holy Other 00h00
League 22h15
Ra / Löbo 20h45

Palco Piscina
Lovers & Lollypops SS 17h30
ALTO! 16h45
Equations 15h30
Jibóia 14h30

Palco Taina
Savanna 18h00
Burning Man 17h00
New Kind of Mambo 16h00
Tren Go! Soundsystem 15h00

21 de julho

Palco Milhões
Weedeater 01h00
Connan Mockasin 23h15
El Perro Del Mar 21h30
Blues Pills 20h00

Palco Vice
Hoy! 04h45
XXXY 03h30
Publicist 02h45
Ghunagangh 02h00
Gala Drop 00h15
Prinzhorn Dance School 22h30
Lüger 20h45

Palco Piscina
Da Chick (live act) 18h30
Moullinex + Xinobi 17h30
Bro-X 16h45
Revengeance 15h30
Gnod 14h30

Palco Taina
Unicornibot 18h00
Hunted Scriptum 17h00
Was An Outsider 16h00
Jorge Coelho 15h00

22 de julho

Palco Milhões
Red Fang 01h00
Alt-J 23h00
L'Enfance Rouge 21h30
Al-Madar 20h00

Palco Vice
Zombies For Money 03h45
Shangran Electro 02h45
The Discotexas Band 02h00
Black Bombaim / Gnod 00h00
Memória de Peixe 22h15
Riding Pânico 20h45

Palco Piscina
DJ Fitz 18h00
Moon Duo 17h00
Naytronix 15h45
Grup Ses Beats 14h30

Palco Taina
Quartel 469 18h00
Midnight Priest 17h00
Amazonas 16h00
Killimanjaro 15h00

O Tiago Sousa e o povo queixam-se no Maria Matos

Em 2005, os artistas finlandeses Tellervo Kalleinen e Oliver Kochta-Kalleinen montaram o primeiro Complaints Choir em Birmingham, Inglaterra. A ideia, que tem vindo a ser replicada por várias cidades do mundo (vejam aqui), é a de juntar o contributo, ou seja, as queixas dos cidadãos que queiram participar, os quais se podem depois juntar ao coro que, a dia e hora marcados, cantarão para o público em geral. A partir desta ideia, o Teatro Maria Matos encomendou a Tiago Sousa que encabeçasse um projeto semelhante em Lisboa. A apresentação vai decorrer já neste próximo sábado, dia 14, a partir das 20h30, podendo os bilhetes (gratuitos) ser levantados a partir das 15h. Mais informação aqui.

Olha o Joãozinho, perdão, o Lil'John, perdão, o J-Wow, perdão, o Branko na Mad Decent

Branko é o novo "moniker" a solo do Lil'John, dos Buraka Som Sistema. De J-Wow mudou para Branko, para evitar confusões com uma apresentadora da televisão norte-americana com nome semelhante, e já com o novo nome lança este tema pela Mad Decent do Diplo (o que já não era inédito para ele, pois já lá estava como O Dedo -- tantos nomes, caramba).

Os festivais de músicas do mundo de verão, cinco anos depois (uma espécie de obituário)

Em julho de 2008, publicava-se aqui a nota "O Verão dos festivais de músicas do mundo e afins", dando-se conta da "febre" que então havia neste circuito específico de música ao vivo. Cinco anos passaram e algo mais mudou além do verão que o acordo ortográfico remeteu para a categoria das palavras normais. Dos festivais ali indicados, a maior parte ficou pelo caminho. Ora vejamos, começando precisamente pelo lado mau desta história:

Galaicofolia (Esposende) - teve aquela edição de 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí.

Festival Ollin Kan (Vila do Conde/Porto) - A extensão portuguesa do festival mexicano realizou-se de 2008 até ao ano passado. Não existe qualquer indicação que venha a realizar-se este ano.

CCB Fora de Si (Lisboa) - A programação de verão de músicas do mundo do CCB, que já ali trouxe Gilberto Gil, Rabih Abou-Khalil ou Toumani Diabaté, foi cancelada este ano, por alegado corte no financiamento do Turismo de Portugal.

Festival M.U.N.D.O. (Viana do Castelo) - Realizou-se em 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí. Entretanto, Viana passou a ter outro festival de verão, este dedicado às eletrónicas e com mais sucesso, o Neopop.

Ecofest (Odeceixe) - 2007, 2008 e, aparentemente, nada mais.

Músicas do Mar (Póvoa de Varzim) - 2007, 2008 e mais nada.

Vinhais Fest (Vinhais) - 2008 e mais nada.

Arraiais do Mundo (Tavira) - Outro festival da PédeXumbo. Fez-se nesse ano de 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí.


E muitos mais houve que tiveram a sua primeira ou segunda edição naquele ano e que a meio do percurso desapareceram. Outros surgiram, outros mantém-se desde então. Entre novos e velhos que se mantém, o destaque:

MED (Loulé) - Já teve lugar, há dois fins-de-semana. A programação tem vindo a descaracterizar-se cada vez mais e o anúncio do festival chegou tão tardiamente que chegou-se a pensar que já não aconteceria em 2012.

Festim (Águeda / Albergaria-a-Velha / Estarreja / Ovar / Sever do Vouga) - A d'Orfeu conseguiu a programação de vários eventos em cidades do distrito de Aveiro, ao longo dos meses de junho e de julho.

FMM (Sines) - Mantém-se desde 1999 e a 14ª edição começa já para a semana. Decorre de 19 a 28 de julho. Mais informação aqui.

Intercéltico de Sendim (Sendim, Miranda do Douro) - Um dos mais antigos festivais do país continua a marcar presença na agenda de 2012, a 3 e 4 de agosto, com um cartaz humilde mas honesto (parece coisa pouca, mas é algo de que nem todos os festivais mais antigos conseguiram manter até hoje). Mais informação aqui.

Andanças (São Pedro do Sul/Celorico da Beira) - O festival de danças que já se realiza desde 1996 está em... mudanças. Diz a PédeXumbo que procura nova localização. Entretanto, para que as danças não parem este ano, vai haver uma edição especial e condensada de 24 horas, entre os dias 4 e 5 de agosto, em Celorico da Beira (mais informação aqui).

Fatt - Festival de Didgeridoo (Ameixial/Estômbar) - É um pouco diferente de todos os outros, mas também se mantém (e já vai para a 10ª ediçã). Realiza-se a 9 e 11 de agosto. Mais aqui.

Maré de Agosto (Santa Maria, Açores) - Um dos mais antigos - já vai para a 28ª edição. Realiza-se entre 23 e 26 de agosto. Mais informação aqui.

Festa do Avante! (Seixal) - A festa continua, claro. Este ano acontece no fim-de-semana de 7 a 9 de setembro. Mais informação aqui.