terça-feira, 10 de julho de 2012
Olha o Joãozinho, perdão, o Lil'John, perdão, o J-Wow, perdão, o Branko na Mad Decent
Branko é o novo "moniker" a solo do Lil'John, dos Buraka Som Sistema. De J-Wow mudou para Branko, para evitar confusões com uma apresentadora da televisão norte-americana com nome semelhante, e já com o novo nome lança este tema pela Mad Decent do Diplo (o que já não era inédito para ele, pois já lá estava como O Dedo -- tantos nomes, caramba).
Os festivais de músicas do mundo de verão, cinco anos depois (uma espécie de obituário)
Em julho de 2008, publicava-se aqui a nota "O Verão dos festivais de músicas do mundo e afins", dando-se conta da "febre" que então havia neste circuito específico de música ao vivo. Cinco anos passaram e algo mais mudou além do verão que o acordo ortográfico remeteu para a categoria das palavras normais. Dos festivais ali indicados, a maior parte ficou pelo caminho. Ora vejamos, começando precisamente pelo lado mau desta história:
Galaicofolia (Esposende) - teve aquela edição de 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí.
Festival Ollin Kan (Vila do Conde/Porto) - A extensão portuguesa do festival mexicano realizou-se de 2008 até ao ano passado. Não existe qualquer indicação que venha a realizar-se este ano.
CCB Fora de Si (Lisboa) - A programação de verão de músicas do mundo do CCB, que já ali trouxe Gilberto Gil, Rabih Abou-Khalil ou Toumani Diabaté, foi cancelada este ano, por alegado corte no financiamento do Turismo de Portugal.
Festival M.U.N.D.O. (Viana do Castelo) - Realizou-se em 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí. Entretanto, Viana passou a ter outro festival de verão, este dedicado às eletrónicas e com mais sucesso, o Neopop.
Ecofest (Odeceixe) - 2007, 2008 e, aparentemente, nada mais.
Músicas do Mar (Póvoa de Varzim) - 2007, 2008 e mais nada.
Vinhais Fest (Vinhais) - 2008 e mais nada.
Arraiais do Mundo (Tavira) - Outro festival da PédeXumbo. Fez-se nesse ano de 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí.
E muitos mais houve que tiveram a sua primeira ou segunda edição naquele ano e que a meio do percurso desapareceram. Outros surgiram, outros mantém-se desde então. Entre novos e velhos que se mantém, o destaque:
MED (Loulé) - Já teve lugar, há dois fins-de-semana. A programação tem vindo a descaracterizar-se cada vez mais e o anúncio do festival chegou tão tardiamente que chegou-se a pensar que já não aconteceria em 2012.
Festim (Águeda / Albergaria-a-Velha / Estarreja / Ovar / Sever do Vouga) - A d'Orfeu conseguiu a programação de vários eventos em cidades do distrito de Aveiro, ao longo dos meses de junho e de julho.
FMM (Sines) - Mantém-se desde 1999 e a 14ª edição começa já para a semana. Decorre de 19 a 28 de julho. Mais informação aqui.
Intercéltico de Sendim (Sendim, Miranda do Douro) - Um dos mais antigos festivais do país continua a marcar presença na agenda de 2012, a 3 e 4 de agosto, com um cartaz humilde mas honesto (parece coisa pouca, mas é algo de que nem todos os festivais mais antigos conseguiram manter até hoje). Mais informação aqui.
Andanças (São Pedro do Sul/Celorico da Beira) - O festival de danças que já se realiza desde 1996 está em... mudanças. Diz a PédeXumbo que procura nova localização. Entretanto, para que as danças não parem este ano, vai haver uma edição especial e condensada de 24 horas, entre os dias 4 e 5 de agosto, em Celorico da Beira (mais informação aqui).
Fatt - Festival de Didgeridoo (Ameixial/Estômbar) - É um pouco diferente de todos os outros, mas também se mantém (e já vai para a 10ª ediçã). Realiza-se a 9 e 11 de agosto. Mais aqui.
Maré de Agosto (Santa Maria, Açores) - Um dos mais antigos - já vai para a 28ª edição. Realiza-se entre 23 e 26 de agosto. Mais informação aqui.
Festa do Avante! (Seixal) - A festa continua, claro. Este ano acontece no fim-de-semana de 7 a 9 de setembro. Mais informação aqui.
Galaicofolia (Esposende) - teve aquela edição de 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí.
Festival Ollin Kan (Vila do Conde/Porto) - A extensão portuguesa do festival mexicano realizou-se de 2008 até ao ano passado. Não existe qualquer indicação que venha a realizar-se este ano.
CCB Fora de Si (Lisboa) - A programação de verão de músicas do mundo do CCB, que já ali trouxe Gilberto Gil, Rabih Abou-Khalil ou Toumani Diabaté, foi cancelada este ano, por alegado corte no financiamento do Turismo de Portugal.
Festival M.U.N.D.O. (Viana do Castelo) - Realizou-se em 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí. Entretanto, Viana passou a ter outro festival de verão, este dedicado às eletrónicas e com mais sucesso, o Neopop.
Ecofest (Odeceixe) - 2007, 2008 e, aparentemente, nada mais.
Músicas do Mar (Póvoa de Varzim) - 2007, 2008 e mais nada.
Vinhais Fest (Vinhais) - 2008 e mais nada.
Arraiais do Mundo (Tavira) - Outro festival da PédeXumbo. Fez-se nesse ano de 2008 e, aparentemente, ficou-se por aí.
E muitos mais houve que tiveram a sua primeira ou segunda edição naquele ano e que a meio do percurso desapareceram. Outros surgiram, outros mantém-se desde então. Entre novos e velhos que se mantém, o destaque:
MED (Loulé) - Já teve lugar, há dois fins-de-semana. A programação tem vindo a descaracterizar-se cada vez mais e o anúncio do festival chegou tão tardiamente que chegou-se a pensar que já não aconteceria em 2012.
Festim (Águeda / Albergaria-a-Velha / Estarreja / Ovar / Sever do Vouga) - A d'Orfeu conseguiu a programação de vários eventos em cidades do distrito de Aveiro, ao longo dos meses de junho e de julho.
FMM (Sines) - Mantém-se desde 1999 e a 14ª edição começa já para a semana. Decorre de 19 a 28 de julho. Mais informação aqui.
Intercéltico de Sendim (Sendim, Miranda do Douro) - Um dos mais antigos festivais do país continua a marcar presença na agenda de 2012, a 3 e 4 de agosto, com um cartaz humilde mas honesto (parece coisa pouca, mas é algo de que nem todos os festivais mais antigos conseguiram manter até hoje). Mais informação aqui.
Andanças (São Pedro do Sul/Celorico da Beira) - O festival de danças que já se realiza desde 1996 está em... mudanças. Diz a PédeXumbo que procura nova localização. Entretanto, para que as danças não parem este ano, vai haver uma edição especial e condensada de 24 horas, entre os dias 4 e 5 de agosto, em Celorico da Beira (mais informação aqui).
Fatt - Festival de Didgeridoo (Ameixial/Estômbar) - É um pouco diferente de todos os outros, mas também se mantém (e já vai para a 10ª ediçã). Realiza-se a 9 e 11 de agosto. Mais aqui.
Maré de Agosto (Santa Maria, Açores) - Um dos mais antigos - já vai para a 28ª edição. Realiza-se entre 23 e 26 de agosto. Mais informação aqui.
Festa do Avante! (Seixal) - A festa continua, claro. Este ano acontece no fim-de-semana de 7 a 9 de setembro. Mais informação aqui.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Detesto world music
"I Hate World Music" é o título de uma crónica de David Byrne a que o diretor do FMM Sines se refere mais abaixo. Foi publicada no New York Times, em 1999. Já passaram quase 13 anos, mas o texto do músico e do dono da Luaka Bop, a editora que nos EUA mais fez por tentar apagar as fronteiras que ainda hoje existem no mapa da música, continua perfeitamente atual. E tanto estas palavras tem para serem lidas com atenção e para serem usadas no confronto com a realidade dos dias de hoje, que o próprio texto vai servir de mote a duas sessões especiais de debate no âmbito das sessões paralelas do FMM, nos dias 24 e 25 de julho, assim organizadas:
24 de julho (terça)
17h30 – Abertura, pela Unipop
18h30 – Mesa-redonda, com Manuel Deniz Silva (musicólogo), JP Simões (músico), Raquel Bulha (jornalista e apresentadora do programa «Planeta 3», da Antena 3), Afonso Cortez (investigador e editor da coletânea Portuguese Nuggets) e Marta Lança (editora e programadora do projeto Buala)
25 de julho (quarta)
17h30 – Assembleia/seminário de discussão do texto «Transpor as fronteiras da música: I hate world music», de David Byrne
Aqui fica a reprodução do texto, também consultável no site do David Byrne:
I HATE WORLD MUSIC
David Byrne
New York Times, 3 de Outubro de 1999
I hate world music. That's probably one of the perverse reasons I have been asked to write about it. The term is a catchall that commonly refers to non-Western music of any and all sorts, popular music, traditional music and even classical music. It's a marketing as well as a pseudomusical term — and a name for a bin in the record store signifying stuff that doesn't belong anywhere else in the store. What's in that bin ranges from the most blatantly commercial music produced by a country, like Hindi film music (the singer Asha Bhosle being the best well known example), to the ultra-sophisticated, super-cosmopolitan art-pop of Brazil (Caetano Veloso, Tom Zé, Carlinhos Brown); from the somewhat bizarre and surreal concept of a former Bulgarian state-run folkloric choir being arranged by classically trained, Soviet-era composers (Le Mystère des Voix Bulgares) to Norteño songs from Texas and northern Mexico glorifying the exploits of drug dealers (Los Tigres del Norte).
Albums by Selena, Ricky Martin and Los Del Rio (the Macarena kings), artists who sell millions of records in the United States alone, are racked next to field recordings of Thai hill tribes. Equating apples and oranges indeed.
So, from a purely democratic standpoint, one in which all music is equal, regardless of sales and slickness of production, this is a musical utopia.
So Why Am I Complaining?
In my experience, the use of the term world music is a way of dismissing artists or their music as irrelevant to one's own life. It's a way of relegating this "thing" into the realm of something exotic and therefore cute, weird but safe, because exotica is beautiful but irrelevant; they are, by definition, not like us. Maybe that's why I hate the term. It groups everything and anything that isn't "us" into "them." This grouping is a convenient way of not seeing a band or artist as a creative individual, albeit from a culture somewhat different from that seen on American television. It's a label for anything at all that is not sung in English or anything that doesn't fit into the Anglo-Western pop universe this year. (So Ricky Martin is allowed out of the world music ghetto — for a while, anyway. Next year, who knows? If he makes a plena record, he might have to go back to the salsa bins and the Latin mom and pop record stores.) It's a none too subtle way of reasserting the hegemony of Western pop culture. It ghettoizes most of the world's music. A bold and audacious move, White Man!
There is some terrific music being made all over the world. In fact, there is more music, in sheer quantity, currently defined as world music, than any other kind. Not just kinds of music, but volume of recordings as well. When we talk about world music we find ourselves talking about 99 percent of the music on this planet. It would be strange to imagine, as many multinational corporations seem to, that Western pop holds the copyright on musical creativity.
No, the fact is, Western pop is the fast food of music, and there is more exciting creative music making going on outside the Western pop tradition than inside it. There is so much incredible noise happening that we'll never exhaust it. For example, there are guitar bands in Africa that can be, if you let them, as inspiring and transporting as any kind of rock, pop, soul, funk or disco you grew up with. And what is exciting for me is that they have taken elements of global (Western?) music apart, examined the pieces to see what might be of use and then re-invented and reassembled the parts to their own ends. Thus creating something entirely new. (Femi Kuti gave a great show the other night that was part Coltrane, part James Brown and all African, just like his daddy, Fela Kuti, the great Nigerian musical mastermind.)
To restrict your listening to English-language pop is like deciding to eat the same meal for the rest of your life. The "no-surprise surprise," as the Holiday Inn advertisement claims, is reassuring, I guess, but lacks kick. As ridiculous as they often sound, the conservative critics of rock-and-roll, and more recently of techno and rave, are not far off the mark. For at it's best, music truly is subversive and dangerous. Thank the gods.
Hearing the right piece of music at the right time of your life can inspire a radical change, destructive personal behavior or even fascist politics. Sometimes all at the same time.
On the other hand, music can inspire love, religious ecstasy, cathartic release, social bonding and a glimpse of another dimension. A sense that there is another time, another space and another, better, universe. It can heal a broken heart, offer a shoulder to cry on and a friend when no one else understands. There are times when you want to be transported, to get your mind around some stuff it never encountered before. And what if the thing transporting you doesn't come from your neighborhood?
Why Bother?
This interest in music not like that made in our own little villages (Dumbarton, Scotland, and Arbutus, Md., in my own case) is not, as it's often claimed, cultural tourism, because once you've let something in, let it grab hold of you, you're forever changed. Of course, you can also listen and remain completely unaffected and unmoved — like a tourist. Your loss. The fact is, after listening to some of this music for a while, it probably won't seem exotic any more, even if you still don't understand all the words. Thinking of things as exotic is only cool when it's your sister, your co-worker or wife; it's sometimes beneficial to exoticize that which has become overly familiar. But in other circumstances, viewing people and cultures as exotic is a distancing mechanism that too often allows for exploitation and racism.
Maybe it's naïve, but I would love to believe that once you grow to love some aspect of a culture — its music, for instance — you can never again think of the people of that culture as less than yourself. I would like to believe that if I am deeply moved by a song originating from some place other than my own hometown, then I have in some way shared an experience with the people of that culture. I have been pleasantly contaminated. I can identify in some small way with it and its people. Not that I will ever experience music exactly the same way as those who make it. I am not Hank Williams, or even Hank Jr., but I can still love his music and be moved by it. Doesn't mean I have to live like him. Or take as many drugs as he did, or, for that matter, as much as the great flamenco singer Cameron de la Isla did.
That's what art does; it communicates the vibe, the feeling, the attitude toward our lives, in a way that is personal and universal at the same time. And we don't have to go through all the personal torment that the artist went through to get it. I would like to think that if you love a piece of music, how can you help but love, or at least respect, the producers of it? On the other hand, I know plenty of racists who love "soul" music, rap and rhthym-and-blues, so dream on, Dave.
The Myth of the Authentic
The issue of "authenticity" is such a weird can of worms. Westerners get obsessed with it. They agonize over which is the "true" music, the real deal. I question the authenticity of some of the new-age ethnofusion music that's out there, but I also know that to rule out everything I personally abhor would be to rule out the possibility of a future miracle. Everybody knows the world has two types of music — my kind and everyone else's. And even my kind ain't always so great.
What is considered authentic today was probably some kind of bastard fusion a few years ago. An all-Japanese salsa orchestra's record (Orquestra de la Luz) was No. 1 on the salsa charts in the United States not long ago. Did the New York salseros care? No, most loved the songs and were frankly amazed. African guitar bands were doing their level best to copy Cuban rumbas, and in their twisted failure thay came up with something new. So let's not make any rules about who can make a specific style of music.
Mr. Juju himself, King Sunny Adé, name-checks the country and western crooner Jim Reeves as an influence. True. Rumor has it that the famous Balinese monkey chant was coordinated and choreographed by a German! The first South African pop record I bought was all tunes with American car race themes — the Indy 500 and the like. With sound effects, too! So let's forget about this authenticity bugaboo. If you are transported by the music, then knowing that the creators had open ears can only add to the enjoyment.
White folks needed to see Leadbelly in prison garb to feel they were getting the real thing. They need to be assured that rappers are "keeping it real," they need their Cuban musicians old and sweet, their Eastern and Asian artists "spiritual." The myths and clichés of national and cultural traits flourish in the marketing of music. There is the myth of the untutored, innocent savant whose rhymes contain funky Zen-like pearls of wisdom — the myth that exotic "traditional" music is more honest, more soulful and more in touch with a people's real and true feelings than the kid wearing jeans and the latest sports gear on Mexican television.
There is a perverse need to see foreign performers in their native dress rather than in the T-shirts and baggies that they usually wear off stage. We don't want them looking too much like us, because then we assume that their music is calculated, marketed, impure. Heaven forbid they should be at least as aware of the larger world as we are. All of which might be true, but more important, their larger awareness might also be relevant to their music, which in turn might connect it to our own lives and situations. Heaven forbid.
La Nueva Generación
In the last couple of years, there have been any number of articles in newspapers and magazines about how Latin music in particular was finally going to become hugely popular in the U.S. of A. Half — yes, half — of the current top 10 singles in Britain, that hot and sweaty country, are sort of Latin, if you count Geri Halliwell's "Mi Chico Latino," and why not? The others are watered-down remakes of Perez Prado's hits from the 50's and 60's. The Buena Vista Social Club record is the No. 1 selling record, in any category, in funky Germany. Les Nubians, a French-African group, is getting played on urban (translate as "black") radio in America. So is this a trend or what? Are these more than summer novelty tunes for anglos? Are we really going to learn to dance, or is this some kind of aberration?
But what about the alterna-Latino bands that are touring the United States and Europe in increasing numbers. The Columbian band Bloque (which, I confess, is on my label) was named best band of the year by a Chicago critic; Los Fabulosos Cadillacs won a Grammy last year. Both bands, and many, many others, mix the grooves of their neighborhoods with the sounds and attitudes of the North American tunes they also grew up with. They are a generation with a double heritage, and their music expresses it.
It's tough for this bunch to crack the American market: they're not always cute, safe or exotic. Their music is often more innovative than that of their northern counterparts, which is intimidating. And as cool as they are, they insist on singing in their own language, to an audience that identifies completely with them, thereby making it more difficult to gain a foothold in the States.
These bands are the musical equivalent of a generation of Latin American writers, including Gabriel García Márquez, Isabel Allende, José Amado and Mario Vargas Llosa, that was referred to as the Boom. These musicians are defining their generation, finding a unique voice, and will influence countless others outside their home countries. Here, I believe, is where change will happen. Although they don't sell very many records yet, these and others (for things analogous to this are happening everywhere, in Africa, in Morocco, in Turkey) will plant the seeds, and while I enjoy hearing Ricky Martin's merengue on the radio, these others will change my life.
24 de julho (terça)
17h30 – Abertura, pela Unipop
18h30 – Mesa-redonda, com Manuel Deniz Silva (musicólogo), JP Simões (músico), Raquel Bulha (jornalista e apresentadora do programa «Planeta 3», da Antena 3), Afonso Cortez (investigador e editor da coletânea Portuguese Nuggets) e Marta Lança (editora e programadora do projeto Buala)
25 de julho (quarta)
17h30 – Assembleia/seminário de discussão do texto «Transpor as fronteiras da música: I hate world music», de David Byrne
Aqui fica a reprodução do texto, também consultável no site do David Byrne:
I HATE WORLD MUSIC
David Byrne
New York Times, 3 de Outubro de 1999
I hate world music. That's probably one of the perverse reasons I have been asked to write about it. The term is a catchall that commonly refers to non-Western music of any and all sorts, popular music, traditional music and even classical music. It's a marketing as well as a pseudomusical term — and a name for a bin in the record store signifying stuff that doesn't belong anywhere else in the store. What's in that bin ranges from the most blatantly commercial music produced by a country, like Hindi film music (the singer Asha Bhosle being the best well known example), to the ultra-sophisticated, super-cosmopolitan art-pop of Brazil (Caetano Veloso, Tom Zé, Carlinhos Brown); from the somewhat bizarre and surreal concept of a former Bulgarian state-run folkloric choir being arranged by classically trained, Soviet-era composers (Le Mystère des Voix Bulgares) to Norteño songs from Texas and northern Mexico glorifying the exploits of drug dealers (Los Tigres del Norte).
Albums by Selena, Ricky Martin and Los Del Rio (the Macarena kings), artists who sell millions of records in the United States alone, are racked next to field recordings of Thai hill tribes. Equating apples and oranges indeed.
So, from a purely democratic standpoint, one in which all music is equal, regardless of sales and slickness of production, this is a musical utopia.
So Why Am I Complaining?
In my experience, the use of the term world music is a way of dismissing artists or their music as irrelevant to one's own life. It's a way of relegating this "thing" into the realm of something exotic and therefore cute, weird but safe, because exotica is beautiful but irrelevant; they are, by definition, not like us. Maybe that's why I hate the term. It groups everything and anything that isn't "us" into "them." This grouping is a convenient way of not seeing a band or artist as a creative individual, albeit from a culture somewhat different from that seen on American television. It's a label for anything at all that is not sung in English or anything that doesn't fit into the Anglo-Western pop universe this year. (So Ricky Martin is allowed out of the world music ghetto — for a while, anyway. Next year, who knows? If he makes a plena record, he might have to go back to the salsa bins and the Latin mom and pop record stores.) It's a none too subtle way of reasserting the hegemony of Western pop culture. It ghettoizes most of the world's music. A bold and audacious move, White Man!
There is some terrific music being made all over the world. In fact, there is more music, in sheer quantity, currently defined as world music, than any other kind. Not just kinds of music, but volume of recordings as well. When we talk about world music we find ourselves talking about 99 percent of the music on this planet. It would be strange to imagine, as many multinational corporations seem to, that Western pop holds the copyright on musical creativity.
No, the fact is, Western pop is the fast food of music, and there is more exciting creative music making going on outside the Western pop tradition than inside it. There is so much incredible noise happening that we'll never exhaust it. For example, there are guitar bands in Africa that can be, if you let them, as inspiring and transporting as any kind of rock, pop, soul, funk or disco you grew up with. And what is exciting for me is that they have taken elements of global (Western?) music apart, examined the pieces to see what might be of use and then re-invented and reassembled the parts to their own ends. Thus creating something entirely new. (Femi Kuti gave a great show the other night that was part Coltrane, part James Brown and all African, just like his daddy, Fela Kuti, the great Nigerian musical mastermind.)
To restrict your listening to English-language pop is like deciding to eat the same meal for the rest of your life. The "no-surprise surprise," as the Holiday Inn advertisement claims, is reassuring, I guess, but lacks kick. As ridiculous as they often sound, the conservative critics of rock-and-roll, and more recently of techno and rave, are not far off the mark. For at it's best, music truly is subversive and dangerous. Thank the gods.
Hearing the right piece of music at the right time of your life can inspire a radical change, destructive personal behavior or even fascist politics. Sometimes all at the same time.
On the other hand, music can inspire love, religious ecstasy, cathartic release, social bonding and a glimpse of another dimension. A sense that there is another time, another space and another, better, universe. It can heal a broken heart, offer a shoulder to cry on and a friend when no one else understands. There are times when you want to be transported, to get your mind around some stuff it never encountered before. And what if the thing transporting you doesn't come from your neighborhood?
Why Bother?
This interest in music not like that made in our own little villages (Dumbarton, Scotland, and Arbutus, Md., in my own case) is not, as it's often claimed, cultural tourism, because once you've let something in, let it grab hold of you, you're forever changed. Of course, you can also listen and remain completely unaffected and unmoved — like a tourist. Your loss. The fact is, after listening to some of this music for a while, it probably won't seem exotic any more, even if you still don't understand all the words. Thinking of things as exotic is only cool when it's your sister, your co-worker or wife; it's sometimes beneficial to exoticize that which has become overly familiar. But in other circumstances, viewing people and cultures as exotic is a distancing mechanism that too often allows for exploitation and racism.
Maybe it's naïve, but I would love to believe that once you grow to love some aspect of a culture — its music, for instance — you can never again think of the people of that culture as less than yourself. I would like to believe that if I am deeply moved by a song originating from some place other than my own hometown, then I have in some way shared an experience with the people of that culture. I have been pleasantly contaminated. I can identify in some small way with it and its people. Not that I will ever experience music exactly the same way as those who make it. I am not Hank Williams, or even Hank Jr., but I can still love his music and be moved by it. Doesn't mean I have to live like him. Or take as many drugs as he did, or, for that matter, as much as the great flamenco singer Cameron de la Isla did.
That's what art does; it communicates the vibe, the feeling, the attitude toward our lives, in a way that is personal and universal at the same time. And we don't have to go through all the personal torment that the artist went through to get it. I would like to think that if you love a piece of music, how can you help but love, or at least respect, the producers of it? On the other hand, I know plenty of racists who love "soul" music, rap and rhthym-and-blues, so dream on, Dave.
The Myth of the Authentic
The issue of "authenticity" is such a weird can of worms. Westerners get obsessed with it. They agonize over which is the "true" music, the real deal. I question the authenticity of some of the new-age ethnofusion music that's out there, but I also know that to rule out everything I personally abhor would be to rule out the possibility of a future miracle. Everybody knows the world has two types of music — my kind and everyone else's. And even my kind ain't always so great.
What is considered authentic today was probably some kind of bastard fusion a few years ago. An all-Japanese salsa orchestra's record (Orquestra de la Luz) was No. 1 on the salsa charts in the United States not long ago. Did the New York salseros care? No, most loved the songs and were frankly amazed. African guitar bands were doing their level best to copy Cuban rumbas, and in their twisted failure thay came up with something new. So let's not make any rules about who can make a specific style of music.
Mr. Juju himself, King Sunny Adé, name-checks the country and western crooner Jim Reeves as an influence. True. Rumor has it that the famous Balinese monkey chant was coordinated and choreographed by a German! The first South African pop record I bought was all tunes with American car race themes — the Indy 500 and the like. With sound effects, too! So let's forget about this authenticity bugaboo. If you are transported by the music, then knowing that the creators had open ears can only add to the enjoyment.
White folks needed to see Leadbelly in prison garb to feel they were getting the real thing. They need to be assured that rappers are "keeping it real," they need their Cuban musicians old and sweet, their Eastern and Asian artists "spiritual." The myths and clichés of national and cultural traits flourish in the marketing of music. There is the myth of the untutored, innocent savant whose rhymes contain funky Zen-like pearls of wisdom — the myth that exotic "traditional" music is more honest, more soulful and more in touch with a people's real and true feelings than the kid wearing jeans and the latest sports gear on Mexican television.
There is a perverse need to see foreign performers in their native dress rather than in the T-shirts and baggies that they usually wear off stage. We don't want them looking too much like us, because then we assume that their music is calculated, marketed, impure. Heaven forbid they should be at least as aware of the larger world as we are. All of which might be true, but more important, their larger awareness might also be relevant to their music, which in turn might connect it to our own lives and situations. Heaven forbid.
La Nueva Generación
In the last couple of years, there have been any number of articles in newspapers and magazines about how Latin music in particular was finally going to become hugely popular in the U.S. of A. Half — yes, half — of the current top 10 singles in Britain, that hot and sweaty country, are sort of Latin, if you count Geri Halliwell's "Mi Chico Latino," and why not? The others are watered-down remakes of Perez Prado's hits from the 50's and 60's. The Buena Vista Social Club record is the No. 1 selling record, in any category, in funky Germany. Les Nubians, a French-African group, is getting played on urban (translate as "black") radio in America. So is this a trend or what? Are these more than summer novelty tunes for anglos? Are we really going to learn to dance, or is this some kind of aberration?
But what about the alterna-Latino bands that are touring the United States and Europe in increasing numbers. The Columbian band Bloque (which, I confess, is on my label) was named best band of the year by a Chicago critic; Los Fabulosos Cadillacs won a Grammy last year. Both bands, and many, many others, mix the grooves of their neighborhoods with the sounds and attitudes of the North American tunes they also grew up with. They are a generation with a double heritage, and their music expresses it.
It's tough for this bunch to crack the American market: they're not always cute, safe or exotic. Their music is often more innovative than that of their northern counterparts, which is intimidating. And as cool as they are, they insist on singing in their own language, to an audience that identifies completely with them, thereby making it more difficult to gain a foothold in the States.
These bands are the musical equivalent of a generation of Latin American writers, including Gabriel García Márquez, Isabel Allende, José Amado and Mario Vargas Llosa, that was referred to as the Boom. These musicians are defining their generation, finding a unique voice, and will influence countless others outside their home countries. Here, I believe, is where change will happen. Although they don't sell very many records yet, these and others (for things analogous to this are happening everywhere, in Africa, in Morocco, in Turkey) will plant the seeds, and while I enjoy hearing Ricky Martin's merengue on the radio, these others will change my life.
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Entrevista ao sr. FMM, parte 5
(Continuação da entrevista ao diretor artístico e de produção do FMM Sines, Carlos Seixas)
Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4
5. Deixemos os números para trás. O saxofonista norte-americano David Murray esteve no FMM em 2001. Voltou em 2002 e 2004. Arranjou até casa em Sines e hoje é uma figura fácil de encontrar pela cidade. É o caso extremo de uma relação que os músicos constroem com o festival, com a zona. Que outras histórias há para contar?
Vítor, o David já esteve em mais edições! Também em 2007 e 2010. As cinco vezes com projetos diferentes, que revelam a criatividade e trabalho de composição notável deste músico maior. Vive em Paris mas passa aqui em Sines alguns meses por ano, intervalo entre palcos. Comprou casa com vista para o mar, sedimentou amizades e sente-se integradíssimo na comunidade local.
Penso que um festival com objetivos bem definidos como este tem uma palavra a dizer quanto à ligação da comunidade com os artistas que a visitam. Como sabes, durante o período da festa há alguns músicos que se misturam facilmente com a população e os visitantes. Outros ficam pela região mais uns dias para férias. Há pequenas histórias, histórias simples com gente afável e sem vedetismo! Que gostam tanto de nós como nós gostamos deles. Profundamente!
E tudo isto me leva ao texto do Byrne, "i hate world music", ficando feliz porque isso acontece aqui:
"…Talvez esteja a ser ingénuo, mas gostaria de acreditar que assim que passamos a amar certos aspetos de uma cultura – a sua música, por exemplo –, nunca mais poderemos pensar no povo dessa cultura como menor do que nós próprios. Gostaria de acreditar que se me emocionar profundamente com uma canção que tenha origem num lugar diferente do sítio onde vivo, terei, em certo sentido, partilhado uma experiência com o povo dessa cultura. Terei sido agradavelmente contaminado..."

(Na fotografia, Carlos Seixas e David Murray)
Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4
5. Deixemos os números para trás. O saxofonista norte-americano David Murray esteve no FMM em 2001. Voltou em 2002 e 2004. Arranjou até casa em Sines e hoje é uma figura fácil de encontrar pela cidade. É o caso extremo de uma relação que os músicos constroem com o festival, com a zona. Que outras histórias há para contar?
Vítor, o David já esteve em mais edições! Também em 2007 e 2010. As cinco vezes com projetos diferentes, que revelam a criatividade e trabalho de composição notável deste músico maior. Vive em Paris mas passa aqui em Sines alguns meses por ano, intervalo entre palcos. Comprou casa com vista para o mar, sedimentou amizades e sente-se integradíssimo na comunidade local.
Penso que um festival com objetivos bem definidos como este tem uma palavra a dizer quanto à ligação da comunidade com os artistas que a visitam. Como sabes, durante o período da festa há alguns músicos que se misturam facilmente com a população e os visitantes. Outros ficam pela região mais uns dias para férias. Há pequenas histórias, histórias simples com gente afável e sem vedetismo! Que gostam tanto de nós como nós gostamos deles. Profundamente!
E tudo isto me leva ao texto do Byrne, "i hate world music", ficando feliz porque isso acontece aqui:
"…Talvez esteja a ser ingénuo, mas gostaria de acreditar que assim que passamos a amar certos aspetos de uma cultura – a sua música, por exemplo –, nunca mais poderemos pensar no povo dessa cultura como menor do que nós próprios. Gostaria de acreditar que se me emocionar profundamente com uma canção que tenha origem num lugar diferente do sítio onde vivo, terei, em certo sentido, partilhado uma experiência com o povo dessa cultura. Terei sido agradavelmente contaminado..."

(Na fotografia, Carlos Seixas e David Murray)
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quinta-feira, 5 de julho de 2012
PARA JÁ TUDO! godspeed no Porto, em outubro!
Parece que os godspeed you! black emperor, que recentemente voltaram a dar concertos, dizendo-se por aí que vão gravar novo álbum, estão escalados para atuarem no Amplifest, o festival organizado pela Amplificasom, no Porto. Vai ser no dia 28 de outubro e é a primeira data da digressão europeia do coletivo no outono, como se pode ver no site da constellation.
Entrevista ao sr. FMM, parte 4
(Continuação da entrevista ao diretor artístico e de produção do FMM Sines, Carlos Seixas)
<< Parte 1
<< Parte 2
<< Parte 3
4. A propósito de números, o crescimento trouxe ou virá a trazer ao FMM sustentabilidade financeira ou a sua realização estará sempre dependente do financiamento da autarquia? Como é que a crise das finanças públicas tem afetado, nesse contexto, o FMM?
A sustentabilidade de qualquer serviço público cultural é problema sério! Exceto se há mecenato forte e duradouro por trás ou pela frente! Ou então uma qualquer candidatura específica a financiamento de Bruxelas! Mas sempre a prazo. Como sabes basta haver uma leve crise financeira ou, em caso extremo, uma delegação externa a dirigir um baile mandado e o primeiro setor a levar com restrições é o da cultura.
Quanto ao FMM afina por este diapasão. Para simplificar, digo direto: a produção é cara e tem qualidade, o bilhete é barato e mesmo assim com algum público renitente em comprá-lo preferindo assistir através dos ecrãs ou reservando-se para os concertos gratuitos. As receitas de bilheteira vão um pouco mais além de um terço do orçamento global. O apoio e mecenato de empresas com outras receitas provenientes de licenciamento de vendas ao público, merchandising e afins dão para outro terço. O restante dos custos era suportado pela autarquia.
No entanto, desde 2010 e até 2013, o FMM é cofinanciado pela Rede Urbana Mobilidade Inovação e Memória / Rede de Cidades do Litoral Alentejano, no âmbito do programa operacional INALENTEJO do QREN 2007-2013, com fundos FEDER/UE. O que garante uma comparticipação financeira da autarquia muito leve. E após 2013??
Mas, sem espanto, as estatísticas oficiais servem para reativar memórias: "em 2010, realizaram-se 30 088 sessões de espetáculos ao vivo, com um total de 10,2 milhões de espetadores, dos quais 4,6 milhões pagaram bilhete"! Afinal esta coisa até é relevante para a economia nacional. No caso específico da música: número de espectadores a roçar os quatro milhões e receitas de bilheteira na ordem dos cinquenta milhões de euros.
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4. A propósito de números, o crescimento trouxe ou virá a trazer ao FMM sustentabilidade financeira ou a sua realização estará sempre dependente do financiamento da autarquia? Como é que a crise das finanças públicas tem afetado, nesse contexto, o FMM?
A sustentabilidade de qualquer serviço público cultural é problema sério! Exceto se há mecenato forte e duradouro por trás ou pela frente! Ou então uma qualquer candidatura específica a financiamento de Bruxelas! Mas sempre a prazo. Como sabes basta haver uma leve crise financeira ou, em caso extremo, uma delegação externa a dirigir um baile mandado e o primeiro setor a levar com restrições é o da cultura.
Quanto ao FMM afina por este diapasão. Para simplificar, digo direto: a produção é cara e tem qualidade, o bilhete é barato e mesmo assim com algum público renitente em comprá-lo preferindo assistir através dos ecrãs ou reservando-se para os concertos gratuitos. As receitas de bilheteira vão um pouco mais além de um terço do orçamento global. O apoio e mecenato de empresas com outras receitas provenientes de licenciamento de vendas ao público, merchandising e afins dão para outro terço. O restante dos custos era suportado pela autarquia.
No entanto, desde 2010 e até 2013, o FMM é cofinanciado pela Rede Urbana Mobilidade Inovação e Memória / Rede de Cidades do Litoral Alentejano, no âmbito do programa operacional INALENTEJO do QREN 2007-2013, com fundos FEDER/UE. O que garante uma comparticipação financeira da autarquia muito leve. E após 2013??
Mas, sem espanto, as estatísticas oficiais servem para reativar memórias: "em 2010, realizaram-se 30 088 sessões de espetáculos ao vivo, com um total de 10,2 milhões de espetadores, dos quais 4,6 milhões pagaram bilhete"! Afinal esta coisa até é relevante para a economia nacional. No caso específico da música: número de espectadores a roçar os quatro milhões e receitas de bilheteira na ordem dos cinquenta milhões de euros.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012
Entrevista ao sr. FMM, parte 3
(Continuação da entrevista ao diretor artístico e de produção do FMM Sines, Carlos Seixas)
<< Parte 1
<< Parte 2
3. Falavas atrás, a propósito de Sines, de "uma comunidade aberta ao mundo". Todos os anos se vê a simpatia com que os locais recebem, de uma forma geral, pessoas que lhes são tão diferentes. Como vês a região a receber o festival e em que é que o festival mudou a região?
Olha, já que ambos gostamos de números respondo-te com eles.
De 1999 até agora a estimativa de espetadores ronda os seiscentos mil. Uma grande fatia proveniente de outras paragens que não a cidade de Sines. A economia local e regional beneficia! Mesmo que o nosso público, que não é esbanjador, seja comedido com a oferta gastronómica da região e não seja demasiado exigente com o alojamento, a coisa já ultrapassa as centenas de milhares de euros. Basta fazer contas!
Depois há a imagem da cidade. No site FMM referimo-nos a isso. Desde as primeiras edições temos recebido jornalistas de vários órgãos de comunicação europeus, a crítica especializada, a blogosfera, e todos são unânimes na qualidade do festival. Publicações como o Libération, o L'Humanité, o Courrier International, o The Sunday Times, a revista Songlines têm destacado a qualidade da programação, os músicos participantes consideram-no um dos melhores festivais da Europa e toda a imprensa portuguesa tem dado relevo à sua excelência como evento cultural. E Sines lá está! Com todo o seu charme e localização apetecível. O complexo petroquímico ou as indústrias pesadas passam a segundo plano.
E para terminar mais um dado relevante: segundo um estudo efetuado pela Cision, em 2011, a cobertura mediática do FMM só nos meses de julho e agosto representava um valor publicitário correspondente a mais de um milhão de euros.
(Resposta atualizada com mais detalhe às 15:46)
<< Parte 1
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3. Falavas atrás, a propósito de Sines, de "uma comunidade aberta ao mundo". Todos os anos se vê a simpatia com que os locais recebem, de uma forma geral, pessoas que lhes são tão diferentes. Como vês a região a receber o festival e em que é que o festival mudou a região?
Olha, já que ambos gostamos de números respondo-te com eles.
De 1999 até agora a estimativa de espetadores ronda os seiscentos mil. Uma grande fatia proveniente de outras paragens que não a cidade de Sines. A economia local e regional beneficia! Mesmo que o nosso público, que não é esbanjador, seja comedido com a oferta gastronómica da região e não seja demasiado exigente com o alojamento, a coisa já ultrapassa as centenas de milhares de euros. Basta fazer contas!
Depois há a imagem da cidade. No site FMM referimo-nos a isso. Desde as primeiras edições temos recebido jornalistas de vários órgãos de comunicação europeus, a crítica especializada, a blogosfera, e todos são unânimes na qualidade do festival. Publicações como o Libération, o L'Humanité, o Courrier International, o The Sunday Times, a revista Songlines têm destacado a qualidade da programação, os músicos participantes consideram-no um dos melhores festivais da Europa e toda a imprensa portuguesa tem dado relevo à sua excelência como evento cultural. E Sines lá está! Com todo o seu charme e localização apetecível. O complexo petroquímico ou as indústrias pesadas passam a segundo plano.
E para terminar mais um dado relevante: segundo um estudo efetuado pela Cision, em 2011, a cobertura mediática do FMM só nos meses de julho e agosto representava um valor publicitário correspondente a mais de um milhão de euros.
(Resposta atualizada com mais detalhe às 15:46)
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terça-feira, 3 de julho de 2012
Entrevista ao sr. FMM, parte 2
(Continuação da entrevista ao diretor artístico e de produção do FMM Sines, Carlos Seixas)
<< Parte 1
2. A primeira edição, em 1999, tinha apenas sete nomes, quatro deles portugueses. Durou três dias e realizou-se apenas no castelo. Nessa altura, passava-te pela cabeça que o FMM podia vir a dar o salto que deu alguns anos mais tarde, em público, em organização, em dimensão do cartaz?
Como sabes, naquela altura a oferta cultural na periferia era reduzida e muitas vezes redutora, embora quanto a festivais de matriz similar houvesse as referências dos Encontros Musicais da Tradição Europeia, promovidos pela Etnia em várias cidades do país; o Cantigas do Maio, organizado pela Associação José Afonso, iniciado em Setúbal e depois consolidado no Seixal; o Viva a Rua em Évora, organizado pela câmara local; o Tom de Festa em Tondela, promovido pela Acert; o Festival Intercéltico do Porto, entre outros. Alguns destes já com bastante público e divulgação mediática.
A primeira edição curiosamente foi realizada no mês de agosto. Tinha sido preparada em poucos meses. Havia algumas reservas por parte de alguns membros do executivo da câmara mas uma vontade firme do presidente, um orçamento reduzido e uma grande ansiedade para saber como o público reagiria. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde o Festival de Sines poderia dar o salto! Seria uma questão de tempo e de afinação organizativa, mesmo que nos primeiros anos fosse difícil.
Mas queríamos uma programação mais abrangente, que o FMM não se resumisse ao "reino do exótico" como escreveria o David Byrne em outubro desse ano. Da tradição ao jazz, do tango ao reggae, da fusão ao folk. Mas também da erudita ao rock!
Pretendíamos um festival que servisse de ponte cultural entre o norte e o sul, o oriente e o ocidente, que motivasse o diálogo intercultural. Que desse importância ao trabalho criativo de artistas que normalmente são afastados dos grandes circuitos mediáticos, independentemente do género musical e da geografia dominantes. Três anos mais tarde acontecia a primeira grande enchente do castelo!
<< Parte 1
2. A primeira edição, em 1999, tinha apenas sete nomes, quatro deles portugueses. Durou três dias e realizou-se apenas no castelo. Nessa altura, passava-te pela cabeça que o FMM podia vir a dar o salto que deu alguns anos mais tarde, em público, em organização, em dimensão do cartaz?
Como sabes, naquela altura a oferta cultural na periferia era reduzida e muitas vezes redutora, embora quanto a festivais de matriz similar houvesse as referências dos Encontros Musicais da Tradição Europeia, promovidos pela Etnia em várias cidades do país; o Cantigas do Maio, organizado pela Associação José Afonso, iniciado em Setúbal e depois consolidado no Seixal; o Viva a Rua em Évora, organizado pela câmara local; o Tom de Festa em Tondela, promovido pela Acert; o Festival Intercéltico do Porto, entre outros. Alguns destes já com bastante público e divulgação mediática.
A primeira edição curiosamente foi realizada no mês de agosto. Tinha sido preparada em poucos meses. Havia algumas reservas por parte de alguns membros do executivo da câmara mas uma vontade firme do presidente, um orçamento reduzido e uma grande ansiedade para saber como o público reagiria. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde o Festival de Sines poderia dar o salto! Seria uma questão de tempo e de afinação organizativa, mesmo que nos primeiros anos fosse difícil.
Mas queríamos uma programação mais abrangente, que o FMM não se resumisse ao "reino do exótico" como escreveria o David Byrne em outubro desse ano. Da tradição ao jazz, do tango ao reggae, da fusão ao folk. Mas também da erudita ao rock!
Pretendíamos um festival que servisse de ponte cultural entre o norte e o sul, o oriente e o ocidente, que motivasse o diálogo intercultural. Que desse importância ao trabalho criativo de artistas que normalmente são afastados dos grandes circuitos mediáticos, independentemente do género musical e da geografia dominantes. Três anos mais tarde acontecia a primeira grande enchente do castelo!
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O novo dos Dirty Projectors
"Swing Lo Magellan", o novo álbum dos Dirty Projectors, sai para a semana, pela Domino. Se ainda não o apanharam por aquela via do costume, podem ouvi-lo através do Guardian.
As quintas-feiras de verão no Museu do Chiado
No Jardim das Esculturas do Museu Nacional de Arte Contemporânea, o final de tarde das quintas-feiras volta a ser preenchido com programação da Filho Único. Sempre a partir das 19h30, haverá concertos ou gente a passar discos. Na próxima quinta-feira vai por lá estar B Fachada, em concerto. A entrada é livre. Programa:
5/7: B Fachada
12/7: IKB
19/7: Dolphins Into The Future
26/7: Éme
2/8: Slight Delay (DJ Set)
9/8: Rui Miguel Abreu (DJ Set)
16/8: João Peste (DJ Set)
23/8: Norberto Lobo (DJ Set)
30/8: B Fachada (DJ Set)
5/7: B Fachada
12/7: IKB
19/7: Dolphins Into The Future
26/7: Éme
2/8: Slight Delay (DJ Set)
9/8: Rui Miguel Abreu (DJ Set)
16/8: João Peste (DJ Set)
23/8: Norberto Lobo (DJ Set)
30/8: B Fachada (DJ Set)
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Entrevista ao Sr. FMM, parte 1
Chegámos a julho. Todos os anos, quando no calendário o L toma o lugar do N, há muitos portugueses que entram de férias, há os que delas regressam, há ainda os que se lembram do que era ter um emprego e do que era terem agora o descanso, há os que bulem todo o ano para que não lhes aconteça o mesmo, há os que se queixam do calor, há os que se queixam que o verão ainda não chegou, há os que desesperam porque o futebol parou ou porque não há amigos com quem sair para os copos. Entre estes e além destes, há os que anseiam pela chegada iminente de mais um FMM Sines, que desde 1999 vem conquistando corações e multidões.
No próximo dia 19, começa mais uma edição. Até dia 28, cumprindo a tradição do encerramento no último fim-de-semana do mês, os palcos do FMM vão receber gente de todas as paragens, engrossando um vasto e nobre currículo que atira com este festival para as melhores páginas das publicações estrangeiras dedicadas às músicas das várias latitudes e longitudes. Este ano, vamos ali ter, entre muitos outros, a Oumou Sangaré a partilhar o Mali com o Béla Fleck; o Marc Ribot, que traz os seus fantásticos Cubanos Postizos, a partilhar a sua guitarra com os “nossos” Dead Combo; os L’Enfance Rouge que trocam receitas de explosão sónica com as melodias árabes da voz do tunisino Lotfi Bouchnak; também da Tunísia, o Dhafer Youssef que empresta a magia do toque no seu Alaúde ao jazz; a Orquestra Todos que reúne parte do mundo que Lisboa alberga; o Ensemble Note della Taranta que prepara um espetáculo nunca antes visto em Sines; a Amélia Muge, que se junta ao grego Michales Loukovikas num périplo mediterrânico; e mais o Tony Allen com o afro beat, o Otis Taylor com o blues americano, o Bombino com o blues do Saara, o Hugh Masekela com todo o peso de uma carreira notável no jazz africano e norte-americano, o Nortec Collective com eletrónica Cal-Mex, a Imperial Tiger Orchestra com a Etiópia gloriosa, os Shangaan Electro com a velocidade estonteante das novas batidas sul africanas, a Mari Boine, que é sempre tão bem vinda, o Lirinha que regressa depois do cataclismo que protagonizou em Sines com o Cordel do Fogo Encantado, o Zita Swoon Group, que agora se virou também para África, o Eyvind Kang, o Gurrumul, os Astillero, os Uxu Kalhus, os Osso Vaidoso, o Lirinha. Estes e tantos, tantos mais.

Thank you, Carlos. Quem vai ao FMM já se habituou a ouvir esta frase, pequena mas sentida, da boca dos músicos que por ali vão passando e que ano após ano perguntam se podem regressar. Mas, ainda assim, pouca gente entre o público conhece o diretor artístico do festival. Carlos Seixas, o homem ao leme do FMM desde o seu início, pai e avô, fez 60 anos há poucas semanas, mas tem o entusiasmo, o gosto pelo que faz e o espírito de risco que poucos conseguem ainda conservar quando atingem metade daquela idade. Além de meter inveja a todos com a jovialidade que transporta no rosto. Diz-se que tem o retrato de Dorian Gray em casa.
Nasceu em Viseu e viveu a primeira juventude no Porto, onde estudou Economia. Foi professor de matemática de liceu entre 73 e 84, do norte ao sul de Portugal e, pelo meio, em Angola. Como qualquer pessoa que se preze nesta geração, também ele esteve ligado ao famoso movimento dos cine clubes, primeiro o CCP (Porto), depois o Cine Clube e Cooperativa Livreira de Viseu, ajudando ainda a fundar o Cine Clube de Lagos. Viveu em Sines, onde colaborou com o Teatro do Mar e fez parte da comissão instaladora do Centro Cultural Emmerico Nunes. Em 1987, foi para a Guiné-Bissau, onde trabalhou para o Centro Cultural Francês e para a UNICEF. Em Angola, liderou um projeto da ONU para a reintegração de militares. No regresso a Portugal, em 1998, Manuel Coelho, o presidente até hoje da Câmara Municipal de Sines, convida-o para a programação cultural da autarquia, dando início, no ano seguinte, ao FMM. Hoje é ainda responsável pela programação do Centro de Artes de Sines e integra a Associação Pró-Artes desde a fundação da Escola das Artes de Sines. O FMM não foi o único festival em que trabalhou em Portugal. Também o "Músicas do Mar", na Póvoa de Varzim (2007 e 2008) e o "Viseu a 15 do 6" (2007), contaram com a sua ajuda na programação.
Ao longo destes próximos dias, enquanto não chega o FMM, o Carlos Seixas vai responder aqui a algumas perguntas a respeito do festival. O que já passou, o que passará este ano, o que se passa na sua cabeça para o futuro do festival. Para primeira pergunta, um clássico das entrevistas. Como é que tudo começou.
1. Como é que surgiu o FMM? Como é que surges ao leme desta aventura, sem teres experiência, pelo menos por cá, na produção deste tipo de eventos?
Numa conversa prévia com o Manuel Coelho, constatou-se que a cidade tinha todas as condições para acolher um festival de música. Um porto milenar e cosmopolita; uma personagem histórica que embora controversa nasceu aqui; um espaço nobre, uma estrutura urbana e envolvente adequada; uma comunidade aberta ao mundo e recetiva à diferença.
Não havia dúvidas quanto ao formato do festival. É nos portos que o mundo se encontra após travessia de oceanos ou de um sem fim de cruzamentos aleatórios numa terra que não é a nossa. Os contactos interculturais existiam de há séculos, mesmo anteriores às viagens do capitão no século XVI e continuaram após a implantação dos portos industriais na zona.
O festival teria de ser um ponto de encontro da diversidade cultural, acontecimento e montra das expressões musicais do mundo! O nome embora ambíguo surgiu de uma forma óbvia: FMM.
A minha experiência africana foi determinante. Já tinha programado e produzido, durante vários anos, eventos para o Centro Cultural Francês e para a Unicef. Como exemplo em relação à música, um concerto ao ar livre do senegalês Youssou N’Dour, em 1992, na praça Che Guevara, na cidade de Bissau.
No próximo dia 19, começa mais uma edição. Até dia 28, cumprindo a tradição do encerramento no último fim-de-semana do mês, os palcos do FMM vão receber gente de todas as paragens, engrossando um vasto e nobre currículo que atira com este festival para as melhores páginas das publicações estrangeiras dedicadas às músicas das várias latitudes e longitudes. Este ano, vamos ali ter, entre muitos outros, a Oumou Sangaré a partilhar o Mali com o Béla Fleck; o Marc Ribot, que traz os seus fantásticos Cubanos Postizos, a partilhar a sua guitarra com os “nossos” Dead Combo; os L’Enfance Rouge que trocam receitas de explosão sónica com as melodias árabes da voz do tunisino Lotfi Bouchnak; também da Tunísia, o Dhafer Youssef que empresta a magia do toque no seu Alaúde ao jazz; a Orquestra Todos que reúne parte do mundo que Lisboa alberga; o Ensemble Note della Taranta que prepara um espetáculo nunca antes visto em Sines; a Amélia Muge, que se junta ao grego Michales Loukovikas num périplo mediterrânico; e mais o Tony Allen com o afro beat, o Otis Taylor com o blues americano, o Bombino com o blues do Saara, o Hugh Masekela com todo o peso de uma carreira notável no jazz africano e norte-americano, o Nortec Collective com eletrónica Cal-Mex, a Imperial Tiger Orchestra com a Etiópia gloriosa, os Shangaan Electro com a velocidade estonteante das novas batidas sul africanas, a Mari Boine, que é sempre tão bem vinda, o Lirinha que regressa depois do cataclismo que protagonizou em Sines com o Cordel do Fogo Encantado, o Zita Swoon Group, que agora se virou também para África, o Eyvind Kang, o Gurrumul, os Astillero, os Uxu Kalhus, os Osso Vaidoso, o Lirinha. Estes e tantos, tantos mais.

Thank you, Carlos. Quem vai ao FMM já se habituou a ouvir esta frase, pequena mas sentida, da boca dos músicos que por ali vão passando e que ano após ano perguntam se podem regressar. Mas, ainda assim, pouca gente entre o público conhece o diretor artístico do festival. Carlos Seixas, o homem ao leme do FMM desde o seu início, pai e avô, fez 60 anos há poucas semanas, mas tem o entusiasmo, o gosto pelo que faz e o espírito de risco que poucos conseguem ainda conservar quando atingem metade daquela idade. Além de meter inveja a todos com a jovialidade que transporta no rosto. Diz-se que tem o retrato de Dorian Gray em casa.
Nasceu em Viseu e viveu a primeira juventude no Porto, onde estudou Economia. Foi professor de matemática de liceu entre 73 e 84, do norte ao sul de Portugal e, pelo meio, em Angola. Como qualquer pessoa que se preze nesta geração, também ele esteve ligado ao famoso movimento dos cine clubes, primeiro o CCP (Porto), depois o Cine Clube e Cooperativa Livreira de Viseu, ajudando ainda a fundar o Cine Clube de Lagos. Viveu em Sines, onde colaborou com o Teatro do Mar e fez parte da comissão instaladora do Centro Cultural Emmerico Nunes. Em 1987, foi para a Guiné-Bissau, onde trabalhou para o Centro Cultural Francês e para a UNICEF. Em Angola, liderou um projeto da ONU para a reintegração de militares. No regresso a Portugal, em 1998, Manuel Coelho, o presidente até hoje da Câmara Municipal de Sines, convida-o para a programação cultural da autarquia, dando início, no ano seguinte, ao FMM. Hoje é ainda responsável pela programação do Centro de Artes de Sines e integra a Associação Pró-Artes desde a fundação da Escola das Artes de Sines. O FMM não foi o único festival em que trabalhou em Portugal. Também o "Músicas do Mar", na Póvoa de Varzim (2007 e 2008) e o "Viseu a 15 do 6" (2007), contaram com a sua ajuda na programação.
Ao longo destes próximos dias, enquanto não chega o FMM, o Carlos Seixas vai responder aqui a algumas perguntas a respeito do festival. O que já passou, o que passará este ano, o que se passa na sua cabeça para o futuro do festival. Para primeira pergunta, um clássico das entrevistas. Como é que tudo começou.
1. Como é que surgiu o FMM? Como é que surges ao leme desta aventura, sem teres experiência, pelo menos por cá, na produção deste tipo de eventos?
Numa conversa prévia com o Manuel Coelho, constatou-se que a cidade tinha todas as condições para acolher um festival de música. Um porto milenar e cosmopolita; uma personagem histórica que embora controversa nasceu aqui; um espaço nobre, uma estrutura urbana e envolvente adequada; uma comunidade aberta ao mundo e recetiva à diferença.
Não havia dúvidas quanto ao formato do festival. É nos portos que o mundo se encontra após travessia de oceanos ou de um sem fim de cruzamentos aleatórios numa terra que não é a nossa. Os contactos interculturais existiam de há séculos, mesmo anteriores às viagens do capitão no século XVI e continuaram após a implantação dos portos industriais na zona.
O festival teria de ser um ponto de encontro da diversidade cultural, acontecimento e montra das expressões musicais do mundo! O nome embora ambíguo surgiu de uma forma óbvia: FMM.
A minha experiência africana foi determinante. Já tinha programado e produzido, durante vários anos, eventos para o Centro Cultural Francês e para a Unicef. Como exemplo em relação à música, um concerto ao ar livre do senegalês Youssou N’Dour, em 1992, na praça Che Guevara, na cidade de Bissau.
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
Primavera Club, agora também por cá
Marquem nos calendários o fim de semana de 30 de novembro a 2 de dezembro. O Primavera Club, versão de outono, reduzida e em sala fechada, do festival Primavera Sound, que Madrid e Barcelona se habituaram a conhecer todos os anos, vai também ter versão em Portugal. Neste primeiro ano, a cidade eleita é Guimarães, que atualmente celebra o programa da Capital da Cultura 2012, devendo as próximas edições do Primavera Club português estabelecer-se noutra cidade, provavelmente o Porto, que este já recebeu a primeira edição do "nosso" Primavera Sound. Para a edição de 2013 deste são também já conhecidas as datas: 30 de maio a 2 de junho.
Dizem os chineses, e com razão, que a palavra é prata e o silêncio é ouro
Começa amanhã, ao fim da tarde na esplanada do Povo, ao Cais do Sodré, mais uma edição do Festival Silêncio. De 26 de junho a 1 de julho, cinco espaços da cidade de Lisboa -- MusicBox, Cinema São Jorge, Pensão Amor, Povo e Fundação José Saramago -- vão receber espetáculos, conversas, sessões de leitura, cinema, etc. Na música, o destaque da edição deste ano vai para os espetáculos dos Irmãos Demónio, grupo formado especialmente para o festival por Filho da Mãe, Hélio Morais, Quim Albergaria e Kalaf, dos Poetas, coletivo recuperado aos anos 90 por Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, entre outros, dos Pop Dell'Arte, com "Neurotycon", um espetáculo de spoken word, e dos Mão Morta, com "Bate Papo", um reportório especialmente inclinado para a spoken word. Mas há muito mais ao longo desta semana. Fica aqui a parte do programa dedicada aos espetáculos:
26 de junho
18h30 - Festa de abertura @ Povo
21h30 - O fado dos poetas @ Povo
27 de junho
23h00 - Irmãos Demónio @ MusicBox
28 de junho
22h30 - A invenção do dia claro @ MusicBox
23h30 - Beat Hotel @ MusicBox
29 de junho
22h00 - Os Poetas, Entre nós e as palavras @ São Jorge
23h30 - 2Morrows Victory @ MusicBox
00h30 - Capicua @ MusicBox
02h00 - Noite Príncipe #5 @ MusicBox
30 de junho
17h00 - Campeonato de Scrabble @ Povo
22h00 - Pop Dell'Arte, Neurotycon @ São Jorge
22h30 - Silva O Sentinela + Poetry Slam Portugal + Joshua Idehen @ MusicBox
01h30 - Combo Nuevo Los Malditos (Festa de encerramento) @ MusicBox
1 de julho
22h00 - Mão Morta, Bate Papo + Joshua Idehen @ São Jorge
Programa completo e outras informações em www.festivalsilencio.com
26 de junho
18h30 - Festa de abertura @ Povo
21h30 - O fado dos poetas @ Povo
27 de junho
23h00 - Irmãos Demónio @ MusicBox
28 de junho
22h30 - A invenção do dia claro @ MusicBox
23h30 - Beat Hotel @ MusicBox
29 de junho
22h00 - Os Poetas, Entre nós e as palavras @ São Jorge
23h30 - 2Morrows Victory @ MusicBox
00h30 - Capicua @ MusicBox
02h00 - Noite Príncipe #5 @ MusicBox
30 de junho
17h00 - Campeonato de Scrabble @ Povo
22h00 - Pop Dell'Arte, Neurotycon @ São Jorge
22h30 - Silva O Sentinela + Poetry Slam Portugal + Joshua Idehen @ MusicBox
01h30 - Combo Nuevo Los Malditos (Festa de encerramento) @ MusicBox
1 de julho
22h00 - Mão Morta, Bate Papo + Joshua Idehen @ São Jorge
Programa completo e outras informações em www.festivalsilencio.com
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Quando o Raul Solnado queria que o Caetano explicasse o que era o Tropicalismo
Chega aos cinemas brasileiros no mês de agosto.
Sinopse:
Um dos maiores movimentos artísticos do Brasil ganha vida nesse documentário. Numa época em que a liberdade de expressão perdia força, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé, entre outros, misturaram desde velhas tradições populares a muitas das novidades artísticas ocorridas pelo mundo e criaram o Tropicalismo, abalando as estruturas da sociedade brasileira e influenciando a várias gerações. Com depoimentos reveladores, raras imagens de arquivo e embalado pelas mais belas canções do período, "Tropicália" nos dá um panorama definitivo de um dos mais fascinantes movimentos culturais do Brasil.
sábado, 9 de junho de 2012
Volta a haver Primavera em 2013
No meio da chuva que hoje encharcou meio mundo que assistia à primeira edição do Primavera Sound no Parque da Cidade, no Porto, a organização veio já avisar, como manda a praxe nestas coisas, uue em 2013 o festival regressará (ver notícia Blitz). Nos tempos que correm, não é nada má esta notícia.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Para tudo! Kim Gordon e Ikue Mori na ZDB!
A ZDB, que está determinada em completar a caderneta de cromos dos Sonic Youth, acabou de anunciar concerto de Kim Gordon, acompanhada da baterista japonesa mais adorada de Nova Iorque, Ikue Mori. Vai ser no dia 31 de julho. A primeira parte vai estar a cargo da Margarida Garcia. A vinda de Kim Gordon ao aquário é a terceira de um músico dos "pendurados" Sonic Youth, depois de Lee Ranaldo (21 de abril de 2010) e de Thurston Moore (13 de março passado).
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domingo, 3 de junho de 2012
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