quinta-feira, 31 de maio de 2012
O tio Neil tem novo álbum! E com os Crazy Horse!
É o primeiro álbum que Neil Young grava com os Crazy Horse -- Billy Talbot, Ralph Molina e Frank "Poncho" Sampedro -- desde "Greendale", de 2003. É uma coleção de temas clássicos da folk americana e chama-se, claro está, "Americana" (fora do tema, há ainda que contar com a a interpretação do hino real "God Save the Queen", mesmo a fechar o disco). Sai dia 5 de junho mas pode desde já ser escutado na íntegra via Rolling Stone.
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Salta a telha ao Michael Gira e o Cristiano é que leva nas orelhas
(Foi i-m-p-r-e-s-s-i-o-n-a-n-t-e. Não o episódio, um mero fait-diver que já fez o senhor Gira, que gosta do amplificador no vermelho, desfazer-se em desculpas. O concerto.)
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O MED vai acontecer, afinal
Já não é propriamente novidade que o MED Loulé deu, finalmente, sinais de vida. A duração foi reduzida para dois dias, 29 e 30 de junho. Esta nona edição do festival de músicas do mundo da cidade algarvia traz como grande destaque a estreia mundial do novo projeto A Curva da Cintura, que une o Brasil ao Mali através de Arnaldo Antunes, Toumani Diabaté e Edgard Scandurra (disco bem interessante, atenção). Outros nomes já confirmados são os de SMOD (Mali), DJ Sany Pitbull (Brasil), Norberto Lobo, A Jigsaw e Miguel Araújo. Bilhetes diários a 12€.
100 discos de 1973, n.º 5

TODOS OS OLHOS
TOM ZÉ (Brasil)
Edição original: Continental
Produtor(es): Milton José
discogs allmusic wikipedia
Todo compositor brasileiro é um complexado.
Por que então esta mania danada, esta preocupação de falar tão sério, de parecer tão sério, de ser tão sério, de sorrir tão sério, de chorar tão sério, de brincar tão sério, de amar tão sério?
(in "Complexo de Épico")
Quarto disco de Tom Zé, que por esta altura, depois de ter dado uma importante mão ao avanço do tropicalismo -- ele que talvez fosse o mais tropicalista de todos, acabou sendo ignorado, havendo até quem lhe chamasse "Trotski do tropicalismo" -- entrava na fase mais obscura da sua carreira, que só terminaria já perto dos anos 90, quando David Byrne repôs um pouco de justiça no mundo ao apadrinhá-lo via Luaka Bop. Talvez por aparentar ser mais experimentalista que os álbuns anteriores, "Todos os Olhos" acabou por vender pouco. Mas estão lá todos os elementos pelos quais hoje reconhecemos Tom Zé como uma das maiores forças criativas que o Brasil viu nascer. Tem coisas próximas do samba, tem coisas próximas do forró nordestino ("Quando eu Era Sem Ninguém"), tem coisas próximas dos cantares ao desafio ("Dodó e Zezê"), tem muito de Brasil no que de diversamente rico o Brasil tem, sem nunca soar a "conservador", palavra proibida em todo a carreira de Tom Zé e frequente no reportório de outros artistas da música brasileira, mesmo os mais afoitos. A capa de "Todos os Olhos" é também protagonista de uma história curiosa. Durante anos pensou-se (e talvez ainda por aí circule a ideia) que a imagem na capa era a de um ânus com um berlinde nele depositado. Era essa, contudo, a ideia inicial do poeta Décio Pignatari, um dos fundadores do concretismo brasileiro, como forma de afronta à ditadura militar. O olho do cu. Todos os Olhos. É o que parece, é o que muita gente pensou durante anos que era, até eventualmente o próprio Tom Zé, que terá ajudado a perpetuar o mito. A fotografia original chegou a ser feita, mas como era óbvia demais para enganar os censores, a opção recaiu sobre os lábios da boca (da mesmo modelo). Como se diz aqui, eis que o cu que deveria imitar um olho se torna uma boca que imita o cu.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Hello, hello, it's good to be back
Cuidado a entrar aqui no tasco amarelo, enquanto dou uma limpadela geral ao pó que assentou ao longo destes últimos 20 dias de ausência devido à falta de tempo para aqui vir. Entretanto, alguns pensamentos e ideias soltos:
* Não vão perder mais uma vinda a Portugal do Michael Gira, vão? Hoje e amanhã, na ZDB e no CCVF (Guimarães), respetivamente! Aqui fica um aperitivo.
* Os Memória de Peixe devem ser um dos melhores duos a terem aparecido aqui pelo retângulo nos últimos anos, não?
* Para quem pensava que já tudo tinha acabado, eis que os Gaiteiros de Lisboa vêm surpreender a malta com um novo álbum. Sai dia 4 do próximo mês, chama-se "Avis Rara" e a edição cabe à d'Orfeu, que os vai ter ao vivo nos palcos do 4º Festim!, que esta boa gente de Águeda organiza em vários concelhos do distrito de Aveiro. Os Gaiteiros vão assim estar em Estarreja (8 Junho), Ovar (22 de Junho), Sever do Vouga (23 de Junho), Albergaria-a-Velha (24 de Junho) e Águeda (26 de Julho). Mais informação aqui.
* O Ritz Clube reabriu há uma semana e começou a bombar forte e feio. Amanhã, a fazer todo o sentido naquela sala, há um concerto especial de Ena Pá 2000. Na sexta, há Matt Elliott. Leram bem? MATT ELLIOTT, sim!
Nos próximos dias, ireis ainda ver por aqui o remate de uma das séries de posts mais trabalhosa (e mais aliciante) destes quase nove anos de tasco amarelo: a lista dos melhores discos de 1973. Em breve, sairão então os últimos, isto é, os primeiros cinco discos mais importantes deste ano para o tipo que escreve isto. Façamos um ponto da situação:
(Como tudo começou: prólogo.)
6. IGGY AND THE STOOGES "Raw Power" (post)
7. GONG "Flying Teapot" (post)
8. JOSÉ MÁRIO BRANCO "Margem de Certa Maneira" (post)
9. KRAFTWERK "Ralf und Florian" (post)
10. TOM WAITS "Closing Time" (post)
11. JOHN CALE "Paris 1919" (post)
12. GENTLE GIANT "In a Glass House" (post)
13. THE MODERN LOVERS "The Modern Lovers" (post)
14. OS MUTANTES "O 'A' e o 'Z'" (post)
15. VANGELIS O. PAPATHANASSIOU "Earth" (post)
16. HAWKWIND "Space Ritual" (post)
17. MAGMA "Mekanïk Destruktïw Kommandöh" (post)
18. LOU REED "Berlin" (post)
19. FAUST "Faust IV" (post)
20. ROXY MUSIC "Stranded" (post)
21. PINK FLOYD "The Dark Side of the Moon" (post)
22. ELIS REGINA "Elis (Oriente)" (post)
23. KING CRIMSON "Larks' Tongues in Aspic" (post)
24. DAVID HOLLAND QUARTET "Conference of the Birds" (post)
25. ROXY MUSIC "For Your Pleasure" (post)
26. MILTON NASCIMENTO "Milagre dos Peixes" (post)
27. JEFFERSON AIRPLANE "Thirty Seconds Over Winterland" (post)
28. DAVID BOWIE "Aladdin Sane" (post)
29. HERMETO PASCOAL "A Música Livre de Hermeto Paschoal" (post)
30. SUN RA "Space Is the Place" (post)
31. KEVIN AYERS "Bananamour" (post)
32. AGITATION FREE "2nd" (post)
33. FRIPP & ENO "(No Pussyfooting)" (post)
34. WITCH "Introduction" (post)
35. SERGE GAINSBOURG "Vu de l'Extérieur" (post)
36. SOM IMAGINÁRIO "Matança do Porco" (post)
37. JOHN FAHEY "Fare Forward Voyagers (Soldier's Choice)" (post)
38. THE WAILERS "Catch a Fire" (post)
39. GAL COSTA "Índia" (post)
40. FAUST "The Faust Tapes" (post)
41. KLAUS SCHULZE "Cyborg" (post)
42. HENRY COW "The Henry Cow Legend" (post)
43. HERBIE HANCOCK "Head Hunters" (post)
44. LEONARD COHEN "Live Songs" (post)
45. DONOVAN "Cosmic Wheels" (post)
46. JOÃO GILBERTO "João Gilberto" (post)
47. BOB DYLAN "Pat Garrett And Billy The Kid" (post)
48. BRYAN FERRY "These Foolish Things" (post)
49. DONOVAN "Essence To Essence" (post)
50. JOHN FAHEY "After the Ball" (post)
51. SOFT MACHINE "Six" (post)
52. FRANK ZAPPA & THE MOTHERS "Over-Nite Sensation" (post)
53. KIM FOWLEY "International Heroes" (post)
54. NOVOS BAIANOS "Novos Baianos F.C." (post)
55. THE INCREDIBLE BONGO BAND "Bongo Rock" (post)
56. FELA KUTI "Afrodisiac" (post)
57. CHICO BUARQUE "Chico Canta" (post)
58. MIKE OLDFIELD "Tubular Bells" (post)
59. NEW YORK DOLLS "New York Dolls" (post)
60. T. REX "Tanx" (post)
61. BETTY DAVIS "Betty Davis" (post)
62. RAUL SEIXAS "Krig-Ha, Bandolo!" (post)
63. BRUCE SPRINGSTEEN "Greetings From Asbury Park, N.J." (post)
64. SECOS & MOLHADOS "Secos & Molhados" (post)
65. BUFFY SAINTE-MARIE "Quiet Places" (post)
66. EDU LÔBO "Edu Lôbo [aka Missa Breve]" (post)
67. GONG "Angel's Egg" (post)
68. BERT JANSCH "Moonshine" (post)
69. BRUCE SPRINGSTEEN "The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle" (post)
70. FELA KUTI "Gentleman" (post)
71. PAUL SIMON "There Goes Rhymin' Simon" (post)
72. STEVIE WONDER "Innervisions" (post)
73. YOKO ONO "Feeling the Space" (post)
74. VAN MORRISON "Hard Nose the Highway" (post)
75. RAIL BAND "Buffet Hotel de la Gare Bamako" (post)
76. JETHRO TULL "A Passion Play" (post)
77. AHEHEHINNOU VINCENT & ORCHESTRE-POLY-RYTHMO DE COTONOU DAHOMEY "Ahehehinnou Vincent & Orchestre-Poly-Rythmo De Cotonou Dahomey" (post)
78. BETWEEN "And the Waters Opened" (post)
79. THE WHO "Quadrophenia" (post)
80. AMON DÜÜL II "Vive La Trance" (post)
81. BLACK SABBATH "Sabbath Bloody Sabbath" (post)
82. JOAN BAEZ "Where Are You Now, My Son?" (post)
83. PETER HAMMILL "Chameleon in the Shadow of the Night" (post)
84. EMBRYO "We Keep On" (post)
85. POPOL VUH "Seligpreisung" (post)
86. THE ROLLING STONES "Goats Head Soup" (post)
87. CONRAD SCHNITZLER "Rot" (post)
88. LINK WRAY "Be What You Want To" (post)
89. ELVIS PRESLEY "Elvis" (post)
90. NEIL YOUNG "Time Fades Away" (post)
91. THIN LIZZY "Vagabonds of the Western World" (post)
92. LYNYRD SKYNYRD "(pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd)" (post)
93. PLANXTY "The Well Below the Valley" (post)
94. ASH RA TEMPEL "Starring Rosi" (post)
95. LED ZEPPELIN "Houses of the Holy" (post)
96. THIRSTY MOON "You'll Never Come Back" (post)
97. HUGH MASEKELA "Introducing Hedzoleh Soundz" (post)
98. MOTHER MALLARD'S PORTABLE MASTERPIECE COMPANY "Mother Mallard's Portable Masterpiece Company" (post)
99. PAULINHO DA VIOLA "Nervos de Aço" (post)
100. ELVIS PRESLEY "Aloha from Hawaii" (post)
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Bernardo Sassetti (1970-2012)
Morreu hoje o compositor e pianista mais apreciado dos últimos tempos. Morreu novo, novo demais, num alegado acidente que parece estúpido demais para acreditar. Mas a verdade é que o artista já cá não está. Celebremos a obra. Essa não desaparecerá. Um forte abraço à família, à malta da Clean Feed e a todos os seus amigos.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Número 13, bebé
Amanhã há festa de anos do Lounge, que agora chega aos 13 anos e convida todos os amiguinhos para uma festa de aniversário. Os mais crescidos de entre nós vamos poder chegar, apertar-lhe as bochechas e dizer-lhe que tão crescido está, que ainda ontem andámos com ele ao colo e hoje já anda com um orgulhoso buço. Amanhã, por entre sanduíches de fiambre e queijo em triângulo e os sumos Tang, vamos ter festa desde cedo, com showcases pela tarde e sets dos DJs residentes pela noite fora. Aqui fica o programa:
18h00 - 19h30
Showcase Fungo
DEESTANT ROCKERS (live)
+ dj sets: Sonja + Just jaeckin
19h30 - 21h00:
Showcase Lovers & Lollypops
JIBÓIA (live)
+ dj set: L&L Soundsystem
21h00 - 22h30:
Showcase Pistão
FELTRO (live)
+ dj set: Miguel Sá + Javenger Dourado
22h30 - 23h30:
Showcase Filho Único
PUTAS BÊBADAS (live)
+ dj sets: Filho Único
DJ sets
23h30 - Lucky
23h50 - Les Dindings, Bailarico Sofisticado, Pedro Beça
01h00 - Mário Valente, Photonz (Zonk?), Señor Pelota
02h00 - Jackspot, Calapez, Vahagn
03h00 - Trol2000, Mr. Mitsuhirato, Glam Slam Dance
18h00 - 19h30
Showcase Fungo
DEESTANT ROCKERS (live)
+ dj sets: Sonja + Just jaeckin
19h30 - 21h00:
Showcase Lovers & Lollypops
JIBÓIA (live)
+ dj set: L&L Soundsystem
21h00 - 22h30:
Showcase Pistão
FELTRO (live)
+ dj set: Miguel Sá + Javenger Dourado
22h30 - 23h30:
Showcase Filho Único
PUTAS BÊBADAS (live)
+ dj sets: Filho Único
DJ sets
23h30 - Lucky
23h50 - Les Dindings, Bailarico Sofisticado, Pedro Beça
01h00 - Mário Valente, Photonz (Zonk?), Señor Pelota
02h00 - Jackspot, Calapez, Vahagn
03h00 - Trol2000, Mr. Mitsuhirato, Glam Slam Dance
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Morrissey, Manu Chao, Antony, Erykah Badu e outros em Cascais
Chama-se Cascais Music Festival e acontece entre 16 e 29 de julho, no Hipódromo Manuel Possolo. O João Gonçalves avança com as datas:
16 de Julho - Keane (30€)
18 de Julho - Melody Gardot (18€ a 25€)
19 de Julho - Erykah Badu (30€)
20 de Julho - Carlos do Carmo (20€ a 30€)
22 de Julho - Manu Chao (27€)
23 de Julho - Xavier Rudd + Donavon Frankenreiter (22€)
24 de Julho - Morrissey (32€)
25 de Julho - Antony and the Johnsons com a Sinfonietta de Lisboa (25€ a 55€)
26 de Julho - Pink Martini (20€)
29 de Julho - Mariza (22€ a 40€)
16 de Julho - Keane (30€)
18 de Julho - Melody Gardot (18€ a 25€)
19 de Julho - Erykah Badu (30€)
20 de Julho - Carlos do Carmo (20€ a 30€)
22 de Julho - Manu Chao (27€)
23 de Julho - Xavier Rudd + Donavon Frankenreiter (22€)
24 de Julho - Morrissey (32€)
25 de Julho - Antony and the Johnsons com a Sinfonietta de Lisboa (25€ a 55€)
26 de Julho - Pink Martini (20€)
29 de Julho - Mariza (22€ a 40€)
Um Zero Amarelo de regresso de propósito para a Guimarães 2012
Longa se tornou a espera. No dia 19 de maio, a "Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura" serve de pretexto para o regresso aos palcos dos Um Zero Amarelo, de Tó Cunha, Carlos Fortes, António Rafael e Zé Pedro Moura, entre outros. E há mais na Guimarães 2012 para os próximos tempos, no que à música diz respeito e num pequeno apanhado:
* Atualmente, e até 12 de maio, decorre o O Sonores, um projeto de residência artística coletiva cujo epicentro físico é uma estação de rádio, instalada na fábrica ASA, expandindo-se pontualmente a outros lugares da cidade, com instalações sonoras, arte rádio, performances, música, conferências, etc. A programação pode ser consultada em www.sonores2012.org.
* Concertos no Centro Cultural Vila Flor: Dead Combo com Camané, Alexandre Frazão, a Royal Orquestra das Caveiras e as Víboras do Chiado como convidados (próximo sábado); Filho da Mãe (dia 12); Eleanor Friedberger (dia 15); Yacht (dia 19); Laurie Anderson (dia 22); Laurel Halo (25); Michael Gira (dia 31); Hype Williams (dia 1 de junho).
Há muito mais para consultar em www.guimaraes2012.pt
* Atualmente, e até 12 de maio, decorre o O Sonores, um projeto de residência artística coletiva cujo epicentro físico é uma estação de rádio, instalada na fábrica ASA, expandindo-se pontualmente a outros lugares da cidade, com instalações sonoras, arte rádio, performances, música, conferências, etc. A programação pode ser consultada em www.sonores2012.org.
* Concertos no Centro Cultural Vila Flor: Dead Combo com Camané, Alexandre Frazão, a Royal Orquestra das Caveiras e as Víboras do Chiado como convidados (próximo sábado); Filho da Mãe (dia 12); Eleanor Friedberger (dia 15); Yacht (dia 19); Laurie Anderson (dia 22); Laurel Halo (25); Michael Gira (dia 31); Hype Williams (dia 1 de junho).
Há muito mais para consultar em www.guimaraes2012.pt
quarta-feira, 2 de maio de 2012
A discaria do Peel para todos espreitarmos
São mais de 25 mil LPs, mais de 40 mil singles e vários milhares de CDs. A viúva e presidente do John Peel Centre for Creative Arts, Sheila Ravenscroft (ou Pig, como o marido carinhosamente a chamava) abriu as portas do escritório lá de casa e começou a mostrar ao mundo a extensa coleção de discos do apresentador de rádio. Aos poucos e poucos, a coleção vai ficando disponível através do thespace.org, um site de outro mundo promovido pelo Arts Council, a agência pública britânica para a cultura, e pela BBC. Para cada disco, pode-se ver as capas, conhecer o alinhamento e ouvir faixas, entre outras informações disponíveis. Para já, vamos apenas em 100 discos por cada letra até ao M, o que ainda é, para o tamanho da coleção, muito pouco. No A, por exemplo, 100 significa dizer que só se chega ao Adam Ant. Comecem por aqui.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
100 discos de 1973, n.º 6

RAW POWER
IGGY AND THE STOOGES (EUA)
Edição original: CBS
Produtor(es): Iggy Pop, David Bowie
discogs allmusic wikipedia
Entre todos estes discos, "Raw Power" é provavelmente o que conheço há mais tempo, de uma velhinha cassette que tanto terá rodado que ainda hoje recordo, quase nota por nota, o fuzz do James Williamson, quase berro por berro, a verborreia do Iggy Pop. Reza a história que, por esta altura, os Stooges já tinham acabado. A Elektra já não queria saber deles. O álbum homónimo de estreia (1969) e "Fun House" (1970) tinham vendido pouco. É neste contexto que Iggy Pop conhece David Bowie. Muda para a mesma empresa de management do inglês e viaja para Londres com Williamson para gravar um disco a solo. Não encontra músicos ingleses que o satisfaçam e chama os irmãos Ron e Scott Asheton. Os Stooges voltavam assim a gravar, mas agora o grupo chamar-se-ia, de forma honesta, Iggy & Stooges. Bowie produziu num só dia sete das oito faixas, a partir de... três pistas que Iggy Pop lhe passou, banda na primeira, guitarra solo na segunda e a voz na terceira. O resultado, ainda que com a limitada cirurgia plástica que Bowie conseguiu fazer, não deixa de ser uma amálgama sonora de fuzz e berraria puxados aos limites, que, para a altura, mesmo para o contexto de Detroit de onde vinham os Stooges, metia medo. Parecia que queriam destruir tudo o que lhes aparecesse pela frente. Parecia tudo aquilo que anos mais tarde se encontraria na explosão do punk em Inglaterra. Mas, muitos anos depois, Iggy Pop, talvez para destruir ainda mais, voltaria a colocar "Raw Power" na história por outros motivos. À produção de Bowie sucedeu-se, em 1995, uma versão pirata, com a primeira mistura de Pop. Mas em 1997, numa reedição em CD da Columbia, Pop pegaria em tudo de novo para produzir aquele que é, mesmo para os dias de hoje, um dos discos com volume permanentemente mais alto de sempre, um trabalho que desagradou meio mundo, incluindo os próprios James Williamson e Ron Asheton. E, convenhamos, é uma merda.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
L'Enfance Rouge de volta a Sines (e mais)
Já sabem que muito por aqui se fala dos L'Enfance Rouge. É tão só porque são bons, bons, bons como tudo, mesmo que meio mundo ande... distraído. Nem mesmo com o apadrinhamento do Thurston Moore, que um dia terá dito serem a melhor banda da Europa, ou do Mike Patton, para quem são um dos melhores grupos ao vivo. Mas adiante. A motivo para mais uma alusão aos L'Enfance Rouge prende-se com a confirmação pela organização do FMM Sines da vinda do grupo à próxima edição do festival. Três anos depois de terem deixado sangue, suor e lágrimas no palco da praia, François Cambuzat (voz e guitarra), Chiara Locardi (voz e baixo) e Jacopo Andreini (bateria) voltam a Sines, desta vez com direito ao palco do castelo e na companhia do tunisino Lofti Bouchnak, com o qual o grupo tem vindo a trabalhar para o próximo álbum, "At-tufuula al-hamra" e do qual já se tem aqui falado. O espetáculo está marcado para o dia 20 de julho.
Nas novidades hoje dadas pela organização do FMM, há ainda dois outros nomes, estes a estrearem-se em Portugal. Dos Estados Unidos da América, vem o bluesman Otis Taylor. Também do continente americano, mas mais acima, vem o canadiano Socalled, que cruza hip hop com tradições klezer dos seus antepassados judeus. A Ottis Taylor Band sobe ao castelo no dia 19 e Socalled toca no dia 28.
L'Enfance Rouge, Otis Taylor Band e Socalled juntam-se assim a um cartaz já composto por estes nomes (e muitos mais estão ainda por anunciar):
19 JUL: NARASIRATO (ILHAS SALOMÃO)
19 JUL: OTIS TAYLOR BAND (EUA)
20 JUL: BOMBINO (NÍGER – CULTURA TUAREGUE)
20 JUL: L'ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK ENSEMBLE (FRANÇA/ITÁLIA/TUNÍSIA)
21 JUL: MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS (EUA)
21 JUL: OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK (MALI / EUA)
26 JUL: ASTILLERO (ARGENTINA)
26 JUL: GURRUMUL (AUSTRÁLIA – CULTURA ABORÍGENE)
26 JUL: FATOUMATA DIAWARA (MALI)
27 JUL: DHAFER YOUSSEF QUARTET (TUNÍSIA)
27 JUL: MARI BOINE (NORUEGA – POVO SAMI)
27 JUL: JUJU (GÂMBIA / REINO UNIDO)
28 JUL: SOCALLED (CANADÁ)
28 JUL: HUGH MASEKELA (ÁFRICA DO SUL)
28 JUL: JUPITER & OKWESS INTERNATIONAL (R. D. CONGO)
Nas novidades hoje dadas pela organização do FMM, há ainda dois outros nomes, estes a estrearem-se em Portugal. Dos Estados Unidos da América, vem o bluesman Otis Taylor. Também do continente americano, mas mais acima, vem o canadiano Socalled, que cruza hip hop com tradições klezer dos seus antepassados judeus. A Ottis Taylor Band sobe ao castelo no dia 19 e Socalled toca no dia 28.
L'Enfance Rouge, Otis Taylor Band e Socalled juntam-se assim a um cartaz já composto por estes nomes (e muitos mais estão ainda por anunciar):
19 JUL: NARASIRATO (ILHAS SALOMÃO)
19 JUL: OTIS TAYLOR BAND (EUA)
20 JUL: BOMBINO (NÍGER – CULTURA TUAREGUE)
20 JUL: L'ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK ENSEMBLE (FRANÇA/ITÁLIA/TUNÍSIA)
21 JUL: MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS (EUA)
21 JUL: OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK (MALI / EUA)
26 JUL: ASTILLERO (ARGENTINA)
26 JUL: GURRUMUL (AUSTRÁLIA – CULTURA ABORÍGENE)
26 JUL: FATOUMATA DIAWARA (MALI)
27 JUL: DHAFER YOUSSEF QUARTET (TUNÍSIA)
27 JUL: MARI BOINE (NORUEGA – POVO SAMI)
27 JUL: JUJU (GÂMBIA / REINO UNIDO)
28 JUL: SOCALLED (CANADÁ)
28 JUL: HUGH MASEKELA (ÁFRICA DO SUL)
28 JUL: JUPITER & OKWESS INTERNATIONAL (R. D. CONGO)
100 discos de 1973, n.º 7

FLYING TEAPOT
GONG (França/Inglaterra)
Edição original: Virgin
Produtor(es): Giorgio Gomelsky
discogs allmusic wikipedia
Se isto fosse a lista dos discos mais chanfrados de 1973, este estava batido no topo. A chanfradice não vem só do tema cósmico que atravessa todo o disco, apesar de ser uma história que merece a pena ser contada. Inspirada numa alegada visão do vocalista australiano Daevid Allen durante uma lua cheia na páscoa de 66, a história de "Flying Teapot" fala de um egiptologista suinicultor, Mista T Being, a quem um vendedor de rua de bules antigos e colecionador de rótulos de chá, Fred the Fish, vende um brinco mágico, o qual é capaz de captar mensagens do planeta Gong através de uma estação pirata de rádio chamada Radio Gnome Invisible. Os dois viajam para o Tibete onde se encontram com o abominável homem da cerveja, Banana Ananda, que passa o tempo a cantar "Banana Nirvana Mañana" e se embebeda com Foster's... Só por isto, já merece a pena ir até ao fim do mundo à procura deste disco. Esta história está então na base da trilogia aqui iniciada e prosseguida em "Angel's Egg" -- 64º nesta lista -- e em "You" (1974). Mas, dizia atrás, a chanfrandice não vem só da história. Musicalmente, "Flying Teapot" é um disco de loucos. Só tipos completamente fora do registo de lucidez que a sociedade entenda como normal seriam capazes de chegar a composições e a arranjos desta natureza, um autêntico frenesi de géneros (jazz, rock, prog e muito mais), de instrumentos, de ritmos, de tempos. É o melhor, a par com "Camembert Electrique" (1971), da fase Daevid Allen dos Gong. Pode não chegar para dar alucinações como a que Allen teve naquela tal páscoa, mas poucas vezes a música consegue chegar tão perto de ser assim tão alucinante.
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sexta-feira, 20 de abril de 2012
A Mor Karbasi vai voltar, desta vez a Turres Veteras, perdão, Torres Vedras
Anunciam as Crónicas da Terra que a israelita Mor Karbasi vai regressar a Portugal, pouco menos de três anos após aquela atuação arrepiante no FMM Sines. Desta vez, Karbasi vem ao "TURRES VETERAS - Encontro Internacional de História", que terá lugar na cidade de Torres Vedras entre 17 e 19 de maio. O concerto da cantora sefardita está agendado para a cerimónia de organização, no primeiro dia, às 21h30, no Teatro-Cine.
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mor karbasi
Vem aí o RSD, ou seja, o DLD
"Folks who work here are professors. Don't replace all the knowers with guessors. Keep'em open. They're the ears of the town"
(Tom Waits)
É já neste sábado que se celebra mais um Record Store Day, ou se quisermos, o Dia das Lojas de Discos. Desde 2008 que o terceiro sábado de abril é celebrado de uma forma especial por lojas, compradores e, claro, por músicos e pelas suas editoras, um pouco por todo o mundo. Há um número exaustivo de edições especiais lançadas neste dia e as lojas, em vias de extinção, apresentam programas especiais, que passam por concertos, festas, ou, simplesmente, por aplicação de descontos nas vendas desse sábado.
Em Portugal, há várias lojas a celebrarem o RSD. A Flur, em Lisboa, vai ter uma tarde especial com concertos de Tó Trips e de malta da Cafetra. Também na capital, a Trem Azul celebra o dia com o último dia do festival Rescaldo, com concertos de Cangarra e do quarteto Guilherme Canhão / Pedro Sousa / Rui Nogueiro / Gabriel Ferrandini, e ainda oferece 15% de desconto em todos os artigos. No Porto, a CDGo junta-se uma vez mais à festa, prometendo concertos de We Trust, Blac Koyote, Memória de Peixe, Evols, Keso e Ghuna X, e ainda descontos de 20% em discos, DVDs e merchandising, e 10% nos livros. A Quebra Orelha, nova loja em Coimbra, vai ter concertos com os espanhóis Emma Get Wild e os portugueses Birds Are Indie (portugal), oferecendo descontos de 10% nos discos, estando prevista uma edição especial do 10 polegadas de "Amateur", dos Wraygunn. A Louie Louie, que tem lojas em Lisboa e Braga, vai oferecer descontos, com especial destaque nos discos de música portugesa. Outras lojas ainda, como a Matéria Prima (Lisboa e Porto), Wah Wah (Aveiro), prometem um dia diferente.
(Tom Waits)
É já neste sábado que se celebra mais um Record Store Day, ou se quisermos, o Dia das Lojas de Discos. Desde 2008 que o terceiro sábado de abril é celebrado de uma forma especial por lojas, compradores e, claro, por músicos e pelas suas editoras, um pouco por todo o mundo. Há um número exaustivo de edições especiais lançadas neste dia e as lojas, em vias de extinção, apresentam programas especiais, que passam por concertos, festas, ou, simplesmente, por aplicação de descontos nas vendas desse sábado.
Em Portugal, há várias lojas a celebrarem o RSD. A Flur, em Lisboa, vai ter uma tarde especial com concertos de Tó Trips e de malta da Cafetra. Também na capital, a Trem Azul celebra o dia com o último dia do festival Rescaldo, com concertos de Cangarra e do quarteto Guilherme Canhão / Pedro Sousa / Rui Nogueiro / Gabriel Ferrandini, e ainda oferece 15% de desconto em todos os artigos. No Porto, a CDGo junta-se uma vez mais à festa, prometendo concertos de We Trust, Blac Koyote, Memória de Peixe, Evols, Keso e Ghuna X, e ainda descontos de 20% em discos, DVDs e merchandising, e 10% nos livros. A Quebra Orelha, nova loja em Coimbra, vai ter concertos com os espanhóis Emma Get Wild e os portugueses Birds Are Indie (portugal), oferecendo descontos de 10% nos discos, estando prevista uma edição especial do 10 polegadas de "Amateur", dos Wraygunn. A Louie Louie, que tem lojas em Lisboa e Braga, vai oferecer descontos, com especial destaque nos discos de música portugesa. Outras lojas ainda, como a Matéria Prima (Lisboa e Porto), Wah Wah (Aveiro), prometem um dia diferente.
100 discos de 1973, n.º 8

MARGEM DE CERTA MANEIRA
JOSÉ MÁRIO BRANCO (Portugal)
Edição original: Guilda da Música
Produtor(es): José Mário Branco
discogs allmusic wikipedia
«Não foi por vontade nem por gosto que deixei a minha terra»
(in "Por Terras de França")
Segundo álbum do exilado José Mário Branco e, em certa medida, continuação do primeiro, "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades" (1970). Em jeito de parêntesis, tenho aqui um pequeno, minúsculo problema entre mãos. É que "Margem de Certa Maneira" não saiu, tecnicamente, em 73. Foi gravado em novembro de 72, em França, e foi lançado poucos dias antes do Natal. Pormenores. Fim de parêntesis e avante com o que interessa. Algumas destas canções vinham de um projeto anterior de José Mário Branco com o escritor e jornalista Álvaro Guerra, "Crónicas". A censura, que andava mais atenta desde 71, rejeitou dois terços do trabalho, que foi assim posto de lado e aqui recuperado em parte. Nos arranjos (não será José Mário Branco o melhor arranjador que este país alguma vez conheceu?), nos instrumentos (o estranho cromorno em "Engrenagem" ou no tema-título remete os ouvidos atuais para outros iconoclastas geniais, os Gaiteiros de Lisboa), na reconstrução de uma certa musicalidade portuguesa, se assim lhe podemos chamar, ainda para mais num disco que, curiosamente, é gravado essencialmente por músicos franceses, "Margem de Certa Maneira" é tanto ou mais revolucionário que o seu antecessor, é tão ou mais digno de figurar para sempre na galeria das melhores obras de autores portugueses. Como em Zeca Afonso, com quem José Mário Branco tantas vezes trabalhou, a música popular portuguesa dava um passo gigantesco em frente. E nos temas abordados, "Margem de Certa Maneira" parece tão atual como então. Ou ainda mais.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Recordando o Ritz
Na sequência ainda da notícia dada há pouco, a respeito da reabertura para breve do Ritz Club, lembrei-me de alguns episódios passados naquela sala, durante os anos 90:
Passagem de ano com os Irmãos Catita, já lá vão uns 20 anos. Absolutamente gloriosa, com tudo o que se quer de uma passagem de ano.
Gaiteiros de Lisboa, em 98 ou 99. Havia pouca gente, tão pouca que o Carlos Guerreiro lembrava ao público que era aquela vida que se arriscavam a ter se se metessem na música. Entre os inúmeros concertos dos Gaiteiros a que assisti, este foi provavelmente o mais íntimo, o mais cómico e, claro, um dos mais interessantes.
Tédio Boys, em 98 ou 99. Aquilo que diziam dos concertos dos Tédio Boys era verdade. A puta da loucura.
Will Oldham, em 97. Ainda não tinha adotado o nome Bonnie 'Prince' Billy e era ainda conhecido como o vocalista desafinado dos Palace Music ou Palace Brothers. Mas o Ritz estava cheio (pode ter ajudado o facto de a entrada ser gratuita...)
Pop Dell'Arte, em 14 de novembro de 1999. Fui com o Adolfo Luxúria Canibal, a quem o João Peste, ao vê-lo na assistência, desafiou para subir ao palco para cantar o "Juramento Sem Bandeira", tantos anos depois da última vez que o fizeram. Não me lembro se o Adolfo subiu, mas se o fez, foi contrariado (acho que subiu). Salvo erro, era também um dos primeiros concertos dos então novos elementos do grupo.
Final do concurso/festival 365, organizado pelo Alvim e ganho pelos Slamo. Fiz parte do júri e, caramba, Alvim, aquilo durou até quase de manhã...
Chokebore, em abril de 1998. O concerto dos americanos serivu à minha primeira reportagem para a Musicnet e o entusiasmo era tanto que foi também a primeira entrevista, ali feita à pressão, no papel e com perguntas da treta.
Na memória, mas num recanto mais difícil de recuperar, ainda pairam outras atuações: Sérgio Godinho, Hipnótica, Rollana Beat, etc.
Passagem de ano com os Irmãos Catita, já lá vão uns 20 anos. Absolutamente gloriosa, com tudo o que se quer de uma passagem de ano.
Gaiteiros de Lisboa, em 98 ou 99. Havia pouca gente, tão pouca que o Carlos Guerreiro lembrava ao público que era aquela vida que se arriscavam a ter se se metessem na música. Entre os inúmeros concertos dos Gaiteiros a que assisti, este foi provavelmente o mais íntimo, o mais cómico e, claro, um dos mais interessantes.
Tédio Boys, em 98 ou 99. Aquilo que diziam dos concertos dos Tédio Boys era verdade. A puta da loucura.
Will Oldham, em 97. Ainda não tinha adotado o nome Bonnie 'Prince' Billy e era ainda conhecido como o vocalista desafinado dos Palace Music ou Palace Brothers. Mas o Ritz estava cheio (pode ter ajudado o facto de a entrada ser gratuita...)
Pop Dell'Arte, em 14 de novembro de 1999. Fui com o Adolfo Luxúria Canibal, a quem o João Peste, ao vê-lo na assistência, desafiou para subir ao palco para cantar o "Juramento Sem Bandeira", tantos anos depois da última vez que o fizeram. Não me lembro se o Adolfo subiu, mas se o fez, foi contrariado (acho que subiu). Salvo erro, era também um dos primeiros concertos dos então novos elementos do grupo.
Final do concurso/festival 365, organizado pelo Alvim e ganho pelos Slamo. Fiz parte do júri e, caramba, Alvim, aquilo durou até quase de manhã...
Chokebore, em abril de 1998. O concerto dos americanos serivu à minha primeira reportagem para a Musicnet e o entusiasmo era tanto que foi também a primeira entrevista, ali feita à pressão, no papel e com perguntas da treta.
Na memória, mas num recanto mais difícil de recuperar, ainda pairam outras atuações: Sérgio Godinho, Hipnótica, Rollana Beat, etc.
O Ritz Club vai reabrir!

É das melhores notícias que aqui se podiam dar. O nº 57 da rua da Glória vai reabrir portas no próximo mês de maio! 12 anos depois de ter fechado para obras que pareciam nunca mais ter andamento, com processos no tribunal para aqui e para acolá, e várias tentativas goradas de regressar à atividade, desta é de vez. Uma das salas mais históricas de Lisboa, que a viu abrir pela primeira vez em 1908, vai poder acolher de novo concertos e outras "experiências artísticas", nas palavras da nova gerência.
(Página no facebook)
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ritz clube
Vai haver um 4º volume de "À Sombra de Deus"
Já vai longe no tempo, mais de vinte anos, a edição de "À Sombra de Deus", coletânea lançada com o selo da Câmara Municipal de Braga com o intuito de expor ao país a efervescência que se fazia sentir por aquelas bandas, com bandas como os Mão Morta, os Rongwrong e os Bateau Lavoir, entre outras. Com o passar dos anos, outras duas edições vieram a ser dadas à estampa, mostrando novos projetos que entretanto vieram a aparecer (e a desaparecer). Está para breve a saída de um novo volume, o quarto, com 23 bandas ligadas à cidade de Braga, como Long Way to Alaska, Mundo Cão, Peixe:Avião, Smix Smox Smux e, claro, os Mão Morta, que aqui trazem um inédito, "A Ver o Mar". O quarto volume tem edição da Capital Europeia da Juventude - Braga 2012. Fica aqui a história da coletânea nas palavras do Adolfo Luxúria Canibal:
À SOMBRA DE DEUS – BRAGA 88 (1989)
01. Rongwrong – Estranho Prazer / 02. Pai Melga – Protesto do Diabo / 03. Orfeu Rebelde – Através dos Tempos / 04. Os Gnomos – Destino / 05. Bateau Lavoir – Até Um Dia / 06. Baile de Baden-Baden – Chuva de Verão / 07. Rua do Gin – Rebeca / 08. Mão Morta – 1º de Novembro
À SOMBRA DE DEUS VOLUME 2 (1994)
01. Blind Panic – Negative I.D. / 02. Dusk – Fuga / 03. Electrodomésticos – Ramiz Alia / 04. Humpty Dumpty + Teota – Lição / 05. Industrial Metal Machine – Máquinas de Guerra / 06. Mão Morta – Rotte (A Morte É um Acto Solitário) / 07. Rua do Gin – Caravelas de Plástico / 08. Tass – Margem / 09. Um Zero Amarelo – Mel / 10. Wodka Technicolor – Deadecisions
À SOMBRA DE DEUS VOLUME 3 (2004)
01. André Leite – Queen of Fools / 02. Big Fat Mamma – Alcoholic Blues / 03. Demon Dagger – Away / 04. Freequency – Stone / 05. Jack in the Box – Empty, Alone, Barren / 06. Mão Morta – Sobe, Querida, Desce / 07. Mécanosphère – O Cavalo Branco / 08. Os Seis Graus de Separação – Não Lugar Sem Sombra / 09. Phi – Electrified / 10. Spank The Monkey – Half a Man / 11. The Neon Road – The Junkie Park / 12. VortexSoundTech – Distances / 13. Wave Simulator – Adeus Mutante / 14. Zero – Quantas Vezes
À SOMBRA DE DEUS 4 – BRAGA 2012 (2012)
01. The Astroboy – Intention to Treat / 02. Mundo Cão – Meu Deus! / 03. Nyx – Music for a While / 04. Peixe:Avião – Voltas Cegas / 05. Estilhaços – Nevoeiro / 06. Long Way To Alaska – Yonder Year / 07. Ermo – Augusta / 08. Cavalheiro – Bom Jesus / 09. Dead Men Talking – Absolution of Time / 10. Monstro Mau – A Crise Está na Tua Cabeça / 11. The 1969 Revolutionary Orgy – Time for Living / 12. Vai-te Foder – Nascido para Odiar / 13. Palmer Eldritch – Bubble Chamber / 14. At Freddy’s House – Written in Blood, Water and Mud / 15. Smix Smox Smux – Par / 16. Egg Box – Slowdown / 17. Balão de Ferro – Soul do Rock / 18. Governo – Saudades de Sebastião / 19. Mão Morta – A Ver o Mar / 20. Tatsumaki – Dream Drive / 21. Angúria – Necrologia / 22. Hunted Scriptum – Melancolia / 23. Spitting Red – Inceptions Delay
À SOMBRA DE DEUS – Uma Retrospectiva
Quando em 1987/88 eu e o Berto Borges, então baterista dos Rongwrong, concebemos o projecto À Sombra de Deus, estávamos longe de imaginar a importância histórica e documental que o mesmo iria adquirir. Tínhamos a percepção nítida que estava a chegar ao fim um ciclo de grande pujança criativa da juventude da cidade e o nosso intuito era não deixar que o seu legado, no que à música diz respeito, fosse varrido pelo tempo. A maioria dos protagonistas dessa agitação juvenil da primeira metade da década de 1980 – grupos como Auaufeiomau, Ruge-Ruge, Comédia Selvagem, PVT Industrial, Os Eléctricos Chamados Desejo… – tinham cessado a actividade ou – no caso dos Bateau Lavoir – evoluído para algo diferente, sem deixarem qualquer documento que atestasse o que tinham sido esses anos. E quando em 1986 os seus herdeiros mais directos – Rongwrong, Mão Morta e Bateau Lavoir – fazem parangonas nas páginas dos jornais nacionais por via da participação no III Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous, em Lisboa (que ganhariam em toda a linha, com a vitória dos Rongwrong e a atribuição do Prémio de Originalidade aos Mão Morta), isso acaba por funcionar como caução do que já sabíamos: era não só social e culturalmente galvanizante como artisticamente relevante o que se passava em Braga. Mas se em 1988 tanto os Rongwrong como os Mão Morta já tinham a sua música gravada e editada, havia uma considerável quantidade de pérolas musicais do passado recente que só existiam na memória de quem tinha estado presente – eram essas pérolas que nós queríamos recuperar! Mas depressa nos demos conta que isso era como querer ressuscitar um cadáver: ninguém estava interessado em revisitar o passado, as circunstâncias que tinham ditado o fim das bandas pesavam mais do que quaisquer outras considerações e toda a gente preferia concentrar-se nos seus novos grupos e projectos. É assim que o nosso objectivo inicial acaba a ser desviado, obrigando-nos a olhar o presente e a fazer focagem na actualidade musical da cidade, que acabaria por dar subtítulo ao disco: Braga 88. E em 1988 essa cena musical juvenil era de transição: para além do triunvirato que dois anos antes colocara Braga no mapa musical português estavam ainda activos três outros grupos saídos das cinzas das movimentações juvenis da primeira metade da década (Rua do Gin, Baile de Baden-Baden e Espírito Ressacado) e surgiam já grupos de uma geração nova, que tinha por referência os ecos dos seus conterrâneos mais velhos (Orfeu Rebelde, Pai Melga, Os Gnomos). A colectânea integraria todos esses grupos – a excepção seriam os Espírito Ressacado que, quando da gravação do disco, tinham ido tentar a sua sorte para Berlim, por onde se mantiveram quase um ano –, fazendo um retrato fiel do que era a Braga musical em 1988. E foi com esta ideia já bem assente que Berto Borges foi apresentar o projecto aos responsáveis municipais, que o receberam de braços abertos e o assumiram como de interesse municipal. Foi assim já com o patrocínio da Câmara Municipal de Braga que em Dezembro de 1988 a colectânea À Sombra de Deus começou a tomar forma, com as diversas bandas participantes a deslocarem-se aos estúdios Tcha-tcha-tcha, em Miraflores, para registarem as suas intervenções, face à inexistência de estúdios de gravação em Braga. E a 19 de Abril de 1989 era então editado “À Sombra de Deus – Braga 88”, o primeiro disco publicado por uma Câmara Municipal a fazer o retrato musical juvenil de uma cidade, que para a história da música portuguesa revelaria ainda os Rua do Gin e o tema “Rebeca”.
Uns anos depois, já com Berto Borges afastado dos meandros musicais e concentrado na sua carreira de professor universitário e eu com a minha vida quase totalmente centralizada em Lisboa, onde se desenrolava a minha actividade jurídica, é Miguel Pedro, baterista dos Mão Morta, que, juntamente com Henrique Moura, retoma a ideia da colectânea. O panorama musical bracarense tinha-se alterado significativamente, num refluxo de visibilidade e de dinamismo colectivo, com a geração dos anos 80 reduzida aos Mão Morta, que prosseguiam o seu percurso cada vez mais destacado, aos Rua do Gin, intermitentes e à deriva, sem soluções de estabilidade, a projectos paralelos, como os Um Zero Amarelo, formado por Carlos Fortes e António Rafael, membros dos Mão Morta, ou a diversões de estúdio, como os Humpty Dumpty, do próprio Miguel Pedro e de Manuel Leite, antigo mentor e baixista dos Rongwrong, ou os Electrodomésticos, um devaneio de alguns sobreviventes dos Bateau Lavoir; quanto ao mais, havia ecos esporádicos de outras existências musicais pela cidade, sem conexão entre si, numa dispersão que acentuava ainda mais a sensação de vazio colectivo e de falta de uma cultura juvenil partilhada como a que movimentara a cidade na década anterior. Fazendo um levantamento dessas existências dispersas, Miguel Pedro encontrou um punhado de bandas – Blind Panic, Dusk, Industrial Metal Machine, Tass, Wodka Technicolor (esta integrando um sobrevivente dos Orfeu Rebelde) –, com algum dinamismo criativo e actividade efectiva, provenientes de uma nova geração com referências e motivações muito diversas e diferentes das dos seus conterrâneos mais velhos, e considerou que, juntamente com as bandas e projectos da geração anterior, tinha matéria suficiente para avançar para um segundo volume do À Sombra de Deus. Obtido o necessário apoio da Câmara Municipal, que mais uma vez se mostrou receptiva à ideia, e também da BMG – então editora dos Mão Morta –, o disco “À Sombra de Deus – Volume 2” começa a ser gravado em Novembro de 1993 no estúdio EPVA, de Manuel Leite, que com as facilidades ocasionadas pela tecnologia digital montara o primeiro micro-estúdio de gravação da cidade. Seria depois editado pela BMG em Setembro de 1994, numa cerimónia de lançamento que contou com um concerto de todas as bandas participantes e dos convidados britânicos Inspiral Carpets.
Em 2004 caberia mais uma vez a Miguel Pedro o ressuscitar da ideia da colectânea. Tinham-se passado dez anos e, depois de um refluxo que se pressentia já na edição anterior, Braga parecia ter de novo uma situação musical dinâmica, com alguns nomes a ganharem relevo nacional, como os Big Fat Mamma, que haviam assinado por uma multinacional, ou os Demon Dagger, um valor emergente na enérgica e marginal cultura do rock extremo. Fazendo um levantamento das existências, que continuavam dispersas, Miguel Pedro inventariou, para além dos Mão Morta, ainda uns restos de actividade da geração dos anos 80, corporizada nos Os Seis Graus de Separação, novo grupo de Paulo Trindade depois de encerrado o capítulo Rua do Gin, e nos Wave Simulator, nova encarnação musical de Jorge Roque cujas raízes longínquas remontavam aos Espírito Ressacado. Já da geração que havia despontado nos anos 90, mais concretamente do borralho dos Wodka Technicolor, vinham os VortexSoundTech e a banda de apoio a Sandy Kilpatrick, The Neon Road, um escocês então radicado em Braga, numa primeira nota de cosmopolitismo a querer romper no meio musical bracarense. As outras notas eram os Mécanosphère, que eu integrava juntamente com o francês Benjamin Brejon e o americano Scott Nydegger – que protagonizariam, inclusive, algumas colaborações com Sandy Kilpatrick –, e a vocalista brasileira dos Big Fat Mamma, Alex Liberalli. Ainda com ligações à geração dos anos 80, embora de outra ordem, surgia também André Leite, então um jovem e promissor songwriter, filho de Manuel Leite e de Teota, dos Rongwrong. As restantes existências musicais que Miguel Pedro recenseou com actividade significativa na cidade – bandas como Freequency, Jack In The Box, Phi, Spank The Monkey, Zero e as já referidas Big Fat Mamma e Demon Dagger – eram fruto de uma geração mais recente, que assomara para a música no final da década ou mesmo já no decorrer do novo milénio. Encontrados os protagonistas e recebido novamente o apoio da Câmara Municipal de Braga, o “À Sombra de Deus – Volume 3” começa a ser gravado em Maio de 2004 no estúdio que os Mão Morta, através da sua editora Cobra, haviam instalado com o técnico Nelson Carvalho na Casa do Rolão, então a sua histórica sala de ensaios. Seria depois editado a 26 de Julho do mesmo ano, com o selo do Município. Este terceiro volume, e a continuidade – por ele representada – do retrato panorâmico do som bracarense num momento concreto, transformaria definitivamente o projecto À Sombra de Deus num registo da actividade musical juvenil na cidade ao longo dos tempos, a primeira e única monitorização com estas características a existir em Portugal.
Conscientes desse facto, e do valor histórico, patrimonial e musicológico que isso implica, eu e o Miguel Pedro há muito que sentíamos chegado o momento para um novo volume do À Sombra de Deus. Com efeito, depois da conversão do espaço vazio sob a bancada Nascente do Estádio 1.º de Maio em modernas salas de ensaio e da sua disponibilização pela autarquia às bandas da cidade em 2006, o meio musical bracarense não era mais o mesmo. Ganhara uma nova dinâmica colectiva e, mais do que isso, um protagonismo de âmbito nacional que ultrapassava mesmo o alcançado pela mítica geração dos anos 80. Hoje, a par dos Mão Morta, nomes como Peixe:Avião, Long Way To Alaska, Mundo Cão, Smix Smox Smux ou At Freddy’s House são referências incontornáveis do panorama musical português. E com eles muitas outras bandas e projectos coexistem, em combinações diversas e percursos díspares, mas igualmente passíveis do mesmo destaque. E isso devia ficar registado. Tanto mais que a riqueza criativa do presente, ainda que potenciada pela partilha de áreas de ensaio e de convívio, era muito fruto da história musical da cidade, essa mesma história que vinha sendo contada pelos vários volumes do À Sombra de Deus. Assim, se da primitiva geração dos anos 80 só restavam musicalmente activos os Mão Morta, era dos seus membros que partiam muitas das ramificações e movimentações de intercâmbio que caracterizam de novo a cena musical bracarense – seja com elementos de outras bandas e de outras gerações seja chamando à cidade músicos e artistas de outras latitudes –, dando origem a colectivos e projectos como Mundo Cão, Estilhaços, O Governo ou Palmer Eldritch. Também da geração dos anos 90 só Marco Pereira, revelado nos Wodka Technicolor, se mantinha musicalmente activo – depois da sua passagem nos anos 00 pelos The Neon Road, VortexSoundTech e Wave Simulator –, mas dava logo corpo a Tatsumaki e aos Nyx. Finalmente, da geração revelada ao terceiro volume do À Sombra de Deus havia ainda um grande rasto de actividade: das cinzas dos Big Fat Mamma vinham os Monstro Mau e os Balão de Ferro, com Gonçalo Budda a integrar também os Mundo Cão; do lume dos Freequency vinham bandas e projectos como os Smix Smox Smux, os Peixe:Avião, The Astroboy e Palmer Eldritch; do ocaso dos Spank The Monkey vinha o At Freddy’s House. Tudo isto, com epicentro nas salas de ensaio do Estádio 1.º de Maio, já daria para preencher um novo disco do À Sombra de Deus, embora lhe ficasse a faltar um novo capítulo da gesta da música bracarense – o capítulo aberto por bandas como Long Way To Alaska, Ermo, Hunted Scriptum, Spitting Red, Egg Box, Vai-te Foder, The 1969 Revolutionary Orgy ou Angúria, nascidas no seio de uma nova geração particularmente activa e promissora. Por fim, o retrato musical da cidade não ficaria ainda completo se não incluísse os projectos de músicos que, tendo tido percurso por outras paragens, se tinham entretanto fixado em Braga, como é o caso de Cavalheiro e de Dead Men Talking. Era pois toda esta riqueza e diversidade que devia ficar documentada, fixando um momento especialmente mágico da história musical da cidade. Assim, quando Braga foi nomeada Capital Europeia da Juventude, logo nos demos conta que tínhamos aí a oportunidade para o concretizar desse almejado novo volume do À Sombra de Deus. Miguel Pedro tratou pois de apresentar o projecto aos responsáveis pela Capital Europeia da Juventude, que imediatamente o apadrinharam, e em Fevereiro de 2012, no estúdio Moby Dick que Gonçalo Budda propositadamente deslocara e montara no complexo das salas de ensaio do Estádio 1.º de Maio, iniciavam-se as gravações das bandas participantes. Começava a tomar forma a colectânea “À Sombra de Deus 4 – Braga 2012”, o quarto volume desta narrativa da música juvenil bracarense, agora editado sob os auspícios da Capital Europeia da Juventude – Braga 2012 e com distribuição nacional pela Compact.
Adolfo Luxúria Canibal
À SOMBRA DE DEUS – BRAGA 88 (1989)
01. Rongwrong – Estranho Prazer / 02. Pai Melga – Protesto do Diabo / 03. Orfeu Rebelde – Através dos Tempos / 04. Os Gnomos – Destino / 05. Bateau Lavoir – Até Um Dia / 06. Baile de Baden-Baden – Chuva de Verão / 07. Rua do Gin – Rebeca / 08. Mão Morta – 1º de Novembro
À SOMBRA DE DEUS VOLUME 2 (1994)
01. Blind Panic – Negative I.D. / 02. Dusk – Fuga / 03. Electrodomésticos – Ramiz Alia / 04. Humpty Dumpty + Teota – Lição / 05. Industrial Metal Machine – Máquinas de Guerra / 06. Mão Morta – Rotte (A Morte É um Acto Solitário) / 07. Rua do Gin – Caravelas de Plástico / 08. Tass – Margem / 09. Um Zero Amarelo – Mel / 10. Wodka Technicolor – Deadecisions
À SOMBRA DE DEUS VOLUME 3 (2004)
01. André Leite – Queen of Fools / 02. Big Fat Mamma – Alcoholic Blues / 03. Demon Dagger – Away / 04. Freequency – Stone / 05. Jack in the Box – Empty, Alone, Barren / 06. Mão Morta – Sobe, Querida, Desce / 07. Mécanosphère – O Cavalo Branco / 08. Os Seis Graus de Separação – Não Lugar Sem Sombra / 09. Phi – Electrified / 10. Spank The Monkey – Half a Man / 11. The Neon Road – The Junkie Park / 12. VortexSoundTech – Distances / 13. Wave Simulator – Adeus Mutante / 14. Zero – Quantas Vezes
À SOMBRA DE DEUS 4 – BRAGA 2012 (2012)
01. The Astroboy – Intention to Treat / 02. Mundo Cão – Meu Deus! / 03. Nyx – Music for a While / 04. Peixe:Avião – Voltas Cegas / 05. Estilhaços – Nevoeiro / 06. Long Way To Alaska – Yonder Year / 07. Ermo – Augusta / 08. Cavalheiro – Bom Jesus / 09. Dead Men Talking – Absolution of Time / 10. Monstro Mau – A Crise Está na Tua Cabeça / 11. The 1969 Revolutionary Orgy – Time for Living / 12. Vai-te Foder – Nascido para Odiar / 13. Palmer Eldritch – Bubble Chamber / 14. At Freddy’s House – Written in Blood, Water and Mud / 15. Smix Smox Smux – Par / 16. Egg Box – Slowdown / 17. Balão de Ferro – Soul do Rock / 18. Governo – Saudades de Sebastião / 19. Mão Morta – A Ver o Mar / 20. Tatsumaki – Dream Drive / 21. Angúria – Necrologia / 22. Hunted Scriptum – Melancolia / 23. Spitting Red – Inceptions Delay
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