sábado, 31 de março de 2012

100 discos de 1973, n.º 22



ELIS (ORIENTE)
ELIS REGINA (Brasil)
Edição original: Philips
Produtor(es): Roberto Menescal
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Entre os vários álbuns que na sua discografia surgem com o nome "Elis", este tornou-se conhecido como "Oriente", o título da faixa de abertura. Não me lembro de ter prestado atenção a outro disco completo de Elis Regina, mas fiquei apaixonado por este assim que lhe encostei os ouvidos. Há temas da autoria de Gilberto Gil, outros da dupla João Bosco/Aldir Blanc, e ainda dois sambas clássicos, "Folhas Secas" e "É Com Esse que eu Vou".

sexta-feira, 30 de março de 2012

Neil Young e Punk in Africa no IndieLisboa



A organização do IndieLisboa anunciou ontem, em conferência de imprensa, as linhas pelas quais se vai coser mais uma edição, a nona, do festival de cinema independente. Entre 26 de abril e 6 de maio, as diversas salas do Indie vão acolher um total de 233 filmes, distribuídos por 222 sessões. Entre as diferentes secções do programa, há aquela que costuma ser exposta com maior frequência por aqui, a IndieMusic. Ainda não há datas e salas de exibição para cada um dos filmes, mas ficamos desde já a saber que no IndieMusic deste ano vamos poder ver:

Amma Lo-fi/Grandma Lo-fi: The Basement Tapes of Sigrídur Níelsdóttir (Islândia/Dinamarca)
Documentário sobre uma avozinha meio dinamarquesa, meio alemã, que aos 70 anos começou a fazer música na sua sala de estar. Passados sete anos, escreveu mais de 600 canções e lançou 59 discos em edição de autor.

Andrew Bird: Fever Year (EUA, 2011)
Documentário de concerto de Bird, na última data da longa digressão de 2009.

How to Act Bad (EUA, 2011)
Retrato de Adam Green, ex-Moldy Peaches.

Inni (Islândia/Canadá/Reino Unido, 2011)
Documentário dos Sigur Rós.

Meu Caro Amigo Chico/My Dear Friend Chico (Portugal, 2012)
Filme de Joana Barra Vaz, uma das fundadoras do A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, sobre Chico Buarque, com participação, além do artista brasileiro, de Sérgio Godinho, JP Simões, João Afonso, Manel Cruz, Nuno Prata, Peixe, Bernardo Barata, Camané, etc.

Neil Young Journeys (EUA, 2011)
Terceiro filme da trilogia de Jonathan Demme sobre Neil Young, desta vez rodado em torno de duas noites de concerto em Toronto, cidade natal do músico, em maio do ano passado, com o álbum "Le Noise" a assumir natural destaque na música que se ouve. Pelo meio, há visitas à terra que viu crescer a criança Neil.

Over Canto/About Canto (Holanda, 2011)
Documentário sobre o compositor holandês Simeon ten Holt e, em particular, sobre o seu concerto para piano "Canto Ostinato".

Punk in Africa )República Checa/África do Sul, 2011)
Filme sobre o punk na África do Sul, em Moçambique e no Zimbabué. Isso mesmo, o punk. A música como resposta à repressão do governo, em particular durante os tempos do Apartheid. Música de bandas como Suck, Wild Youth, Safari Suits, Power Age, National Wake, KOOS, Kalahari Surfers, The Genuines, Hog Hoggidy Hog, Fuzigish, Sibling Rivalry, 340ml, Panzer, The Rudimentals, Evicted, Sticky Antlers, Freak, LYT, Jagwa Music, Fruits and Veggies e Swivel Foot.

Vou Rifar Meu Coração (Brasil, 2011)
Documentário sobre o imaginário romântico, erótico e afetivo da música popular romântica brasileira, a chamada música brega.

Wild Thing (França, 2011)
Documentário de Jérôme de Missolz com o rock como protagonista. Iggy Pop, Throbbing Gristle ou Eric Burdon (Animals) são alguns dos muitos ícones rock que passam por este filme.

Nas curtas metragens, haverá "A Estrada para Mazgani" (Portugal, 2012), de Rui Tendinha; "Minor/Major: The TV on the Radio Tour Documentary" (EUA, 201!) e "R. Stevie Moore–Tape to Disc" (EUA/Portugal, 2012).
Como sempre, é de prever que também nas restantes secções do IndieLisboa se encontrem documentários sobre o tema música, mas a esses iremos com mais calma depois.

Como sempre, ainda, o IndieLisboa compreende também um programa de animação noturna. Este ano, as festas vão fixar-se no Cais do Sodré, na rua Nova do Carvalho, que durante este período a organização batiza de "rua Dr. IndieLisboa". Bar da Velha Senhora, Povo, Casa Conveniente, Musicbox, Pensão Amor e Viking vão ser os pontos de encontro. A festa de abertura do Indie tem lugar na noite de 26 de abril, no Musicbox, e contará, entre outras coisas, com o... Bailarico Sofisticado.

100 discos de 1973, n.º 23



LARKS' TONGUES IN ASPIC
KING CRIMSON (Inglaterra)
Edição original: Island
Produtor(es): King Crimson
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Os King Crimson tinham surgido a 30 de Novembro de 1968, mas, a bem do rigor, há que dizer que esta já era a terceira incarnação do grupo, estabelecida a meio de 1972. Fiel ao seu posto desde o início e até à mais recente interrupção, em 2009, estava o guitarrista Robert Fripp (já nesta lista surgiu a propósito do disco a meios com Brian Eno e há de voltar aqui a aparecer, bem mais lá para cima). Ao lado de Fripp, surgiam dois bateristas (esta era a primeira versão dos King Crimson com duas baterias), Jamie Muir (hoje artista plástico) e Bill Bruford, que tinha trocado os Yes, que entretanto explodiam de sucesso, pelas improvisações nos King Crimson. Na voz e no baixo, estava John Wetton (futuro Asia) e, no violino e nos teclados, David Cross. Os King Crimson renasciam mais instrumentais e menos vocais, com mais de violino e menos de metais, mais de improvisação rock e menos das piscadelas de olho ao jazz, com mais de Fripp do que até aí. Talvez seja um exagero, mas a escuta atenta e prolongada do disco quase que leva a dizer que se não fosse por "Larks' Tongues in Aspic" não teria havido, vários anos depois, o grunge ou o math rock, pelo menos como hoje conhecemos os géneros que tanto devem aos desbravamentos de terreno conduzidos pelos King Crimson nas suas diferentes encarnações, particularmente nesta. Experimentem a segunda parte do tema-título, que encerra o disco, e tentem tirar da cabeça que são os Shellac que estão ali a tocar.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Discos Perdidos, uma demanda por rodelas perdidas e esquecidas, para a semana

No próximo dia 6 de Abril (sexta-feira da semana que vem), o MusicBox vai estrear a exibição de "Discos Perdidos", o documentário de Frederico Parreira sobre o "digging", com dois dos garimpeiros mais conhecidos do país, DJ Ride e Rui Miguel Abreu, na sua demanda pelo vinil.

Sinopse oficial:
DISCOS PERDIDOS é o resultado de uma aventura, de uma viagem, de uma procura. Discos Perdidos é, no fundo, um retrato. Assinado por Frederico Parreira e "protagonizado" por DJ Ride e Rui Miguel Abreu, com "cameos" de Stereossauro e Motown Junkie, funciona como uma espécie de relato íntimo de uma viagem de procura de vinil.
Combinando fotografia e vídeo lo-fi, este filme procura ser o olhar sobre o ombro do digger, mais do que um qualquer tratado com espessura sociológica. A concentração profunda, como lhe chamava DJ Premier, que caracteriza quem deixa os dedos percorrer toneladas de vinil é o verdadeiro centro deste filme que acompanha Ride, RMA, Stereo e Mo-Town de Lisboa até Elvas, daí até Sevilha e Madrid e de volta até às Caldas, sempre com as rodelas pretas de vinil como objectivo central de uma busca que nunca termina, só se intensifica.

Teaser:

teaser DISCOS PERDIDOS from frederico parreira on Vimeo.




100 discos de 1973, n.º 24



CONFERENCE OF THE BIRDS
DAVID HOLLAND QUARTET (Inglaterra)
Edição original: ECM
Produtor(es): Manfred Eicher
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Primeiro álbum do baixista Dave Holland enquanto líder. Consigo estão Anthony Braxton e Sam Rivers, ambos nas madeiras e nas flautas, e o percussionista Barry Altschul, numa espécie de recriação do trio/quarteto Circle, sem Chick Corea, que entretanto tinha partido para os terrenos da fusão. O álbum tornou-se clássico na história do avant-jazz dos anos 70.

quarta-feira, 28 de março de 2012

O outro lado do mundo dá um salto a Sines

Deve ser a primeira vez que temos um grupo das Ilhas Salomão a tocar no nosso país. Chama-se Narasirato e é constituído por pescadores e agricultores do povo are’are, de Malaita, uma das mais de mil ilhas do arquipélago (num aparte, se 90% ou mais dos portugueses não saberá, aposto, o nome das nove ilhas dos Açores, imaginem o que é... mais de mil). Os Narasirato tocam flautas de bambu e percussões tradicionais, conjugadas com harmonias vocais. Já tocaram em festivais de rock como os famosos Glastonbury ou Roskilde.

Também do Pacífico Sul vem Gurrumul, de nome completo Geoffrey Gurrumul Yunupingu, a que a Rolling Stone chamou a "voz mais importante da Austrália", na edição de Abril do ano passado, em que o trouxe à capa. Guitarrista canhoto com guitarra para dextros, pianista e cantor, Gurrumul vem de uma comunidade aborígene, povo sobre o qual versam as letras das suas canções. Já vendeu mais de meio milhão de discos com o álbum de estreia, "Gurrumul" (2008).

100 discos de 1973, n.º 25



FOR YOUR PLEASURE
ROXY MUSIC (Inglaterra)
Edição original: Island
Produtor(es): Chris Thomas, John Anthony, Roxy Music
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Ao segundo álbum, os Roxy Music, que prosseguiam o combate Bryan vs Brian, procuravam equilibrar-se entre a pop experimental, como em "Bogus Man", que Eno aparentava aos Can, e as canções mais estruturadas, como os singles "Do The Strand" e "Editions of You". É talvez por terem conseguido sobreviver à tensão da forma como o fizeram, aqui espelhada, que "For Your Pleasure" é um disco tão curioso e interessante. Há pouco tempo, Morrissey dizia que apenas se lembrava de um álbum britânico verdadeiramente grande. Este, precisamente.

terça-feira, 27 de março de 2012

Novo de Sigur Rós lá para fins de maio

Os Sigur Rós vão ter novo álbum no final de maio. Chama-se "Valtari", que em português se traduziria para "rolo compressor", e já anda por aí a ser visto o vídeo de uma das faixas, "Ekki múkk", traduzível para "a minha mãe caiu do escadote abaixo enquanto tentava pendurar uma bola de espelhos na sala de jantar para toda a família dançar", embora o tradutor do google insista na expressão "não gaivota". Já há datas para a digressão europeia, mas Portugal não está, pelo menos para já, incluído.

Sigur Rós - Ekki múkk from Sigur Rós on Vimeo.

Strange Group Doueh Boys

Tanto aqui se fala de uns, os garageiros norte-americanos Strange Boys, como de outros, os sarauis do blues Group Doueh. Dois mundos aparentemente à parte, não fosse o que ainda aqui há dias se falava, não fosse por vezes até estarem bastante próximos uns dos outros numa mala de discos de um Bailarico Sofisticado. E, para provar que essa tal distância, afinal, é coisa a que apenas alguns ainda ligam, eis que os primeiros prestam tributo aos segundos. Strange Boys, com o tema... "Doueh":



ATUALIZAÇÃO: Os Strange Boys vão passar pelo MusicBox na véspera do 25 de abril.

100 discos de 1973, n.º 26



MILAGRE DOS PEIXES
MILTON NASCIMENTO (Brasil)
Edição original: Odeon
Produtor(es): Milton Miranda
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O duplo "Clube da Esquina", que lançou Milton Nascimento para fora do Brasil, havia saído no ano anterior. Em 1973, rodeado novamente de um extenso grupo de músicos de excelência, entre os quais, Naná Vasconcelos e o habitual Wagner Tiso, Milton volta a conseguir um disco desconcertante. A censura levou a que a maior parte de "Milagre dos Peixes" surgisse rarefeito de letras cantadas, o que confere ainda uma dimensão extra ao caráter experimental do disco. No ano seguinte, Milton juntar-se-ia aos Som Imaginário para uma versão do álbum ao vivo.

Pablo nº 2 (A Festa) by Milton Nascimento on Grooveshark

segunda-feira, 26 de março de 2012

O mais próximo que conseguimos estar de Robert Wyatt, nesta quinta-feira

Se um dia me perguntarem pelo músico que mais gostaria de ver ao vivo, tenho a resposta na ponta da língua: Robert Wyatt. Pela sua notável carreira a solo ou, recuando no tempo, pela discografia dos Soft Machine ou dos "seus" Matching Mole, pelas colaborações preciosas com o seu velho camarada Kevin Ayers, com Brian Eno, com David Gilmour, com Michael Mantler e com tantos outros. Pelo compositor, pelo intérprete.

É provavelmente a maior lacuna na história de concertos em Portugal. Isto, claro, se ninguém aparecer já a seguir a dizer que Wyatt já cá esteve em mil novecentos e setenta e tal, no sítio tal, com os músicos fulanos de tal. Não vale dizer que ele já passou por Portugal. Na verdade, Wyatt passou por cá em criança, como testemunha uma resposta aqui há uns anos a Rui Tentúgal, do Expresso:
«Portugal foi muito importante para mim. A minha empatia com o Terceiro Mundo vem do facto de eu ter sido fantasticamente intoxicado por um país que naqueles tempos imaginávamos ser o Terceiro Mundo: as crianças andavam descalças, as raparigas eram impossivelmente exóticas, os meus pais deixavam-me ficar acordado até tarde porque todas as crianças portuguesas ficavam acordadas até tarde (e podiam beber vinho misturado com água). Brinquei com uma rapazinho chamado Rudolfo que era tão bonito que se eu tivesse ficado mais algum tempo ter-me-ia tornado homossexual. Foi incrível ver esta gente, que era muito mais pobre do que nós, ter uma vida maravilhosa na pobreza. Um melão custava um escudo. As pessoas carregavam na cabeça grandes blocos de gelo, com um passo muito digno. Fiquei com vergonha de ter sapatos e tentei andar descalço, mas o chão estava cheio de escarros e a minha mãe obrigou-me a calçá-los. Lembro-me de coisas muito simples, como dormir na praia, com um cobertor, em sítios como a Trafaria, junto ao rio, e ver as estrelas...Para um rapazinho que vivia num subúrbio de londres, com brumas e nevoeiro, era como um reino mágico. Isto é incrivelmente romântico, mas eu não percebia nada de pobreza ou opressão (Portugal ainda era um país fascista), eu via apenas a beleza das pessoas, mas não compreendia o que é que isso tinha a ver comigo, como é que eu podia ser parte daquilo»
(Esta visita de Wyatt ao Portugal dos anos 50 serviu de inspiração para o EP "A Short Break", uma pequena coleção de temas gravados em casa e lançada em 1992.)

Mas a que vem isto agora? Quinta-feira vamos estar mais perto de Wyatt! Mas já lá vamos, porque interessa contar a história do início. Em 2009, sob a direção do contrabaixista Daniel Yvinec, a Orchestre National de Jazz, de França, gravou um tributo ao músico inglês. "Around Robert Wyatt" reunia velhos temas como "Alifib" ou "Vandalusia", as mais recentes "Just As You Are" ou "Del Mondo", e até composições de outros que ora se tornaram fundamentais no longo reportório de Wyatt, como "Shipbuilding", de Elvis Costello, ora tiveram a voz do barbudo, como "The Song" e "Kew Rhone", dos velhos amigos John Greaves e Peter Blegvad. Além do próprio Wyatt, emprestaram voz aos temas nomes como Rokia Traoré ou a atriz pela qual este vosso escriba tinha o maior dos fascínios nos idos de 90: Iréne Jacob. "Around Robert Wyatt" viria a ser distinguido como "Álbum do ano" na gala anual "Les Victoires du Jazz".

Quinta-feira, dia 29, então, vamos tê-los por cá, em mais uma etapa da programação CCBeat. A Orchestre National de Jazz vem ao grande auditório do CCB apresentar este tributo desenhado em torno de Robert Wyatt, com a colaboração do próprio e, como convidados especiais, teremos Erik Truffaz no trompete e Perry Blake na voz. Os preços dos bilhetes, se ainda os houver, variam entre os 5,33€ e os 15,99€, havendo os descontos do costume para jovens, menos jovens, estudantes, profissionais do espetáculo e grupos.



Orchestre National de Jazz
Daniel Yvinec - direção artística
Eve Risser - piano, piano preparado, flauta
Vincent Lafont - teclas, eletrónica
Antonin-Tri Hoang - saxofone alto, clarinete, piano
Remi Dumoulin - saxofone tenor, clarinete
Matthieu Metzger - saxofones, efeitos electrónicos
Joce Mienniel - flauta, eletrónica
Sylvain Bardiau - trompete
Pierre Perchau - guitarra, banjo
Sylvain Daniel - baixo elétrico
Yoann Serra - bateria

100 discos de 1973, n.º 27



THIRTY SECONDS OVER WINTERLAND
JEFFERSON AIRPLANE (EUA)
Edição original: Grunt
Produtor(es): Jefferson Airplane
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Segundo álbum ao vivo nesta lista (e ainda vai haver mais um). Também é o segundo álbum ao vivo dos Jefferson Airplane, depois de "Bless Its Pointed Little Head" (1969). Documenta os últimos concertos do coletivo, antes do regresso em 1989. É um dos melhores álbuns ao vivo da história do rock.

domingo, 25 de março de 2012

100 discos de 1973, n.º 28



ALADDIN SANE
DAVID BOWIE (Inglaterra)
Edição original: RCA
Produtor(es): Ken Scott, David Bowie
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"Ziggy goes to America." A expressão é do próprio David Bowie, que escreveu boa parte das canções de "Aladdin Sane" durante a parte que a Ziggy Tour passou pelos EUA. Na edição original, no alinhamento das canções, há referências a nome de cidades e até a um navio transatlântico (no tema-título). No baile de máscaras em que Bowie se divertia nestes tempos, a nova personagem Aladdin Sane (jogo de palavras com "A Lad Insane") era muito parecida com a anterior, Ziggy Stardust, embora sem a mesma obsessão futurista. Musicalmente, continua o glam, ainda que se escute uma maior aproximação de Bowie aos Stones da altura (há até mesmo uma versão, "Let's Spend the Night Together"), mas há também uma maior dispersão por outros estilos pouco habituais, que a crítica teve dificuldades em compreender na altura.

sábado, 24 de março de 2012

100 discos de 1973, n.º 29



A MÚSICA LIVRE DE HERMETO PASCHOAL
HERMETO PASCOAL (Brasil)
Edição original: Sinter
Produtor(es): Rubinho Barsotti
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"Gaio da Roseira", o tema com que encerra o disco, havia sido composto por seu pai, "seu Pascoal". Em 1971, Airto Moreira, que havia sido companheiro de Hermeto no Quarteto Novo e que nesta altura iniciava a sua carreira bem sucedida pelos EUA, incluía-o em "Seeds on the Ground", sob as designações de "Galho da Roseira" ou "Branches", para sucesso que ainda perdura até hoje nas colectâneas que vão saindo. Hermeto voltou a usá-lo em 1973, numa versão com uma introdução arrepiante e arranjos ainda mais arrojados (escute-se, por exemplo, a parte da orquestra de garrafas, tocadas por todos os elementos do grupo). Bastaria este tema final para "A Música Livre de Hermeto Paschoal" ser já um disco fundamental. Mas há mais. Há coisas mais facilmente audíveis, como o jazz de raça latina de "Bebê", há as versões incríveis de "Asa Branca", de Gonzaguinha, e de "Carinhoso", do ícone do choro Pixinguinha, há "Sereiarei", um tema absolutamente chanfrado onde até os porcos, os gansos, os coelhos e os patos, provavelmente os mesmos que se dizia que Pascoal levava para os palcos, participam. Ao lado de "Missa dos Escravos", de 1977, é o melhor que o imenso génio de Pascoal produziu.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Este novo mundo sem bandeiras, sem fronteiras

Sob o título "The term 'world music' is outdated and offensive", Ian Birrel, jornalista de assuntos internacionais do Guardian, discorre sobre o tema já relativamente gasto da "ghettificação" do termo "world music" (o tema é tão velho, na verdade, quanto o termo: 25 anos), mas com uma abordagem aos tempos atuais, ao paradigma do "mashup" a que a muitos de nós aderimos com entusiasmo:
«Life's a mashup these days, isn't it? Not just online but in the real world too. From arts to science, from finance to food, from work to play, we live in a time of fantastic fusion, with ideas taken from anywhere and influences found everywhere.»
Uma das passagens mais interessantes do artigo de Birrel é a ilustração destes tempos com a história do músico sul-africano Spoek Mathambo:
«Spoek grew up in South Africa. His wife is Swedish. His mum sang in a church choir, his dad listened to jazz and his sisters liked Bob Marley and Shabba Ranks while he preferred American rap. In recent years, Spoek has toured the world, working with some of the coolest dance producers. His music is released on Sub Pop, home to grunge. Little wonder it reflects so many people and places, all given his unique and often-dark township techno twist.»
Goste-se ou não do Mathambo e da versão dele para "She's Lost Control", dos Joy Division, a sua história é fundamental como ilustração para a compreensão dos fenómenos culturais dos nossos dias. Histórias destas tornam o mundo em que vivemos mais rico, independentemente da quebra do produto mundial, independentemente das guerras e guerrilhas que todos os dias eclodem.

100 discos de 1973, n.º 30



SPACE IS THE PLACE
SUN RA (EUA)
Edição original: Blue Thumb
Produtor(es): Alton Abraham, Ed Michel
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There's no limit
To the things that you can do
There's no limit
To the things that you can be


Importa apenas o longo tema-título com que abre o disco. Nada mais interessa, seja bom, seja mau. O ícone do jazz mais estranho de todos os tempos, que acreditava provir de Saturno e que tocava e punha os outros a tocar sem os pés assentarem na Terra, alcançava aqui um momento fundamental na sua já longa carreira. O tema, que expõe em música a filosofia de Sun Ra, é também tratado num filme com o mesmo nome (vejam-no aqui, por exemplo).

quinta-feira, 22 de março de 2012

Festim em Julho

É bom saber que produções como a deste "Festim - Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo" voltam a acontecer em 2012 -- vai ser a quarta edição -- ano que as câmaras municipais e tudo o que é entidade pública puxa ou ameaça puxar os cordões à bolsa no que aos eventos culturais diz respeito. E este é um festival que conta com o apoio de cinco municípios de Aveiro que vão receber os espetáculos nas suas sedes: Águeda, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Ovar e Sever do Vouga.

O Festim terá lugar de 1 a 26 de Julho e os três primeiros nomes já foram anunciados: Riccardo Tesi & Banditaliana (Itália), Kimmo Pohjonen (Finlândia) e Blowzabella (Inglaterra). A d'Orfeu, que promove o festival, promete anunciar ainda mais quatro nomes grandes. O Festim terá um total de 20 concertos. Mais informações em www.festim.pt.

100 discos de 1973, n.º 31



BANANAMOUR
KEVIN AYERS (Inglaterra)
Edição original: Harvest
Produtor(es): Kevin Ayers, Andrew King
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É o mais acessível, mas também o mais eclético, o mais completo e, provavelmente, o melhor disco a solo de Kevin Ayers, um dos fundadores dos Soft Machine, o homem de cujo talento John Peel disse ser "tão aguçado que se pode fazer cirurgia ocular profunda com ele". Ao quarto álbum, Ayers exprime-se das mais diversas formas. Anda pela soul à Van Morrison, pela pop freak à Robert Wyatt, pelo blues rock e até pelo ska (num dos temas bónus da reedição). Mas o tema central de "Bananamour", diferente de tudo o resto no disco, e que deixa todos os ouvidos estupefactos, é a majestosa composição épica "Decadence", um poema dedicado a Nico e uma cópia chapada, não fosse ter sido escrito muitos anos antes, daquilo que os Spiritualized viriam a fazer. Jason Pierce deve ter passado anos inteiros da sua vida a ouvir "Decadence". Só pode. "Bananamour" é também um ponto de encontro de velhos amigos de Ayers: Robert Wyatt participa nos coros de "Hymn"; Mike Ratledge, outro Soft Machine, toca orgão em "Interview"; Steve Hillage, guitarrista dos Gong, participa em "Souting In A Bucket Blues"; David Bedford, o maestro da versão orquestral de "Tubular Bells", dirige "Beware Of The Dog" (Bedford e Oldfield tinham feito parte da primeira banda de suporte de Ayers, The Whole World).

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mi casa es tu casa, agora no Barreiro

No passado mês de janeiro, e inserido no programa da "Guimarães 2012 - Capital da Cultura", o Fernando Alvim levou a cabo uma experiência pouco ou nada comum: concertos de bandas em domicílios privados. Na ocasião, foram 32 casas do centro histórico de Guimarães a receberem nomes como Nick Nicotine, Luísa Sobral, Virgem Suta, Samuel Úria, Paulo Praça, Best Youth ou We Trust, alguns exemplos num total de mais de quatro dezenas de grupos.

Nick Nicotine, um dos convidados, trouxe a ideia para a sua cidade do Barreiro e, aproveitando a Quinzena da Juventude, bem como a celebração dos 10 anos da Hey Pachuco!, a editora e grande agitadora roqueira da cidade, vai realizar algo de semelhante. No próximo sábado, dia 24, há sete casas particulares no barreiro que vão receber os seguintes nomes: The Raw Sample Project, Nicotine's Orchestra, Fast Eddie Nelson, The Sullens, L'Ocelle Mare (França), Radikal Satan (Argentina), Tiago Sousa, Rai (The Poppers), Killer E "The Snake", Chicken Birdie Joey e Hell Hound. As moradas, os horários e as lotações compreensivelmente diminutas já foram anunciadas no facebook da Hey Pachuco!.

Death in Vegas no Alive

A Everything is New acabou de anunciar mais um nome para o Alive: os Death in Vegas vão atuar no palco secundário a 13 de julho, o primeiro dia do festival.

Já passaram muitos anos e, nestas coisas, a água não costuma passar mais do que uma vez por debaixo da mesma ponte. O último álbum do grupo, lançado em setembro passado, parece também não prometer muito (youtube do single mais abaixo). Em todo o caso, numa nota pessoal, devo aqui ir aos arrumos da memória para recordar uma noite do Sonar 2000, em Barcelona, em que os Death in Vegas deram um daqueles concertos a que ninguém conseguiu ficar indiferente. No mesmo ano, dois ou três meses depois, os testemunhos que chegaram do mítico festival Arcos de Valdevez eram muito semelhantes...

O Alive tem lugar, como é habitual, no Passeio Marítimo de Algés, e tem no cartaz, até agora: Stone Roses, Justice, Snow Patrol, LostProphets, Refused, Death in Vegas, Lmfao, Dum Dum Girls e Miúda (dia 13); The Cure, Florence + The Machine, Mumford and Sons, The Antlers, Here We Go Magic, Katy B, Sebastian, Big Deal, Lisa Hannigan e Awolnation (dia 14); Radiohead, Caribou, The Kooks, Paus, Mazzy Star, The Kills, Metronomy, The Maccabees, Warpaint, Sbtrkt e Miles Kane (dia 15). Os bilhetes diários custam 53 euros e os passes para os três dias, 105, havendo ainda outras combinações para o uso do campismo e dos comboios.